Dark Paradise
3 Tragédia
Notas iniciais
“Sua alma está me assombrando e me dizendo
Que tudo está bem
Mas eu queria estar morta...”
A manhã já estava terminando quando a madrinha disse que iria no supermercado fazer compras.
O tempo passou, nós almoçamos e a madrinha não chegava nunca. Eram seis da tarde quando ouvimos a campainha.
- Deixa que eu atendo – gritou Ale que estava na sala, eu e Rafa estávamos na cozinha quando a ouvimos gritar:
- Venham aqui pelo amor de Deus!
- Calma sua louca, o que aconteceu pra você gritar desse jeito? – Rafa, sempre tão delicada...
Chegamos todos juntos na sala e junto com a Ale havia um policial nos aguardando. Ela estava sentada no sofá chorando quando Tate entrou na sala.
- É alguma coisa com a minha mãe? O que aconteceu?
- É melhor você sentar meu filho, a notícia não é nada boa — o policial começou a dizer, mas ele o interrompeu:
- Eu não quero sentar, eu quero a minha mãe!
- Tate se acalme, por favor. — Rafa tentava acalmá-lo segurando-o pelo braço.
- Ela sofreu um infarto quando estava voltando no carro e infelizmente não...
Eu não ouvi o resto da frase e não vi mais nada.
*
Acordei no meu quarto e Ale estava sentada ao meu lado, seus olhos estavam vermelhos, parecia ter chorado até esgotar as lágrimas. Oh My God, me diz que aquilo foi um pesadelo.
- Ale...
- Violet, graças a Deus, achei que você tinha me deixado também. Você desmaiou e... – eu a interrompi porque a abracei e comecei a chorar. Não sei quando tempo ficamos abraçadas, mas quando as lágrimas deram uma trégua eu me afastei e perguntei:
- Que horas são, como estão os outros?
- São quase duas da manhã. Tate está inconsolável e não para de chamar pela madrinha, a Rafa não saiu do lado dele nem um minuto. Os meninos cuidaram de tudo. Ela vai ser velada aqui, o corpo acabou de chegar.
- Então vamos descer.
Coloquei um vestidinho preto simples e saímos.
Quando chegamos lá embaixo, estavam todos em volta do caixão. Tate estava debruçado sobre ele, ainda soluçando e Rafa o abraçava. Os outros fitavam o corpo, com olhares incrédulos, como se esperassem a madrinha levantar do caixão e dizer “Oooooooooo, não fiquem aí parados, mexam-se preguiçosos”. Ninguém conseguia acreditar, a ficha estava demorando a cair.
Eu me aproximei de Tate e Rafa disse:
- Não sei mais o que dizer, ele está inconformado.
- Por que vocês não sobem e descansam um pouco? Eu e Ale ficamos aqui.
- Eu não vou a lugar nenhum... – Tate se agarrou ao caixão e não teve quem conseguisse tirá-lo de lá.
- Tudo bem Tate, — eu disse – Rafa vai descansar, eu e Ale ficamos com ele.
- Está bem, mas me chame logo, não me deixe dormir muito. – ela se afastou e eu sentei no lugar dela. Era difícil, mas eu precisava dizer algo:
- Tate eu sei que é difícil, mas você precisa ser forte...
- Não, ela era tudo o que eu tinha, tudo...
- Ao menos ela morreu naturalmente, não sofreu, ao contrário dos meus pais... Se é difícil para você que já é um homem entender isso, imagine pra mim que perdi os pais quando ainda era criança.
Nesse momento ele levantou os olhos para mim, e eram os meus que choravam.
- Você tem razão Violet, você foi forte, suportou a dor, a perda...
- E como se não bastasse – continuei – Fiquei órfã pela segunda vez!
Ele me abraçou e choramos juntos. Então eu me lembrei que agora era diferente.
- Mas agora é diferente, da primeira vez eu não tinha ninguém, agora eu tenho vocês, ainda temos uns ao outros, não estamos sozinhos.
O enterro foi pela manhã, fomos todos juntos ao cemitério, os meninos carregaram o caixão. Quando chegamos em casa, fui para o quarto fazer algo para tentar me distrair e Ale foi comigo. Deitamos e tentamos dormir um pouco, mas eu não conseguia, fiquei quieta achando que Ale tinha dormido, mas então ela se levantou.
- Não adianta, não consigo dormir! – Ela começou a mexer nos CDs procurando algo para ouvir — Não consigo parar de pensar em como serão as coisas de agora em diante.
Ela tirou um CD da caixinha e colocou para tocar.
Era um rock, ela dizia que músicas assim sempre a acalmavam.
- Pra mim serão como sempre foram...
- Nada será como antes, — Ale começou a chorar — a madrinha se foi e nós ainda somos menores de idade. Eles vão mandar um pra cada lado e nunca nos veremos de novo!
- Não, ninguém vai nos separar, vamos ficar juntos. Falta menos de dois anos pra eu completar 18, até lá podemos nos virar muito bem.
- Você está esquecendo de um pequeno detalhe: Esta casa era da madrinha, e agora é do Tate.
- E você acha que ele vai ter coragem de nos expulsar daqui?
- Eu não duvido, pra dizer a verdade, eu não confio nele.
- Ale que absurdo! Acho que você devia dormir um pouco, o cansaço ta perturbando o seu cérebro. – depois de dizer isso eu virei pro outro lado e fechei os olhos pra tentar dormir novamente.
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