Notas iniciais
Para a Camila que deixou reviews! ♥

“Você me deixou no escuro

Não há amanhecer, não há dia

Eu estou sempre neste crepúsculo

Na sombra do seu coração”

Quando acordei o sol já estava alto, era um dia quente e resolvi tomar um banho. Quando saí do banheiro percebi que Ale não estava mais no quarto. Fui atrás dela que estava na cozinha tomando café. Sentei ao lado dela e comecei a me servir quando Matt e Eric apareceram:

- Nós precisamos conversar – disse Eric.

- Sim, precisamos – respondi – mas primeiro precisamos sentar e comer alguma coisa.

Começaram a se servir, mas não pareciam ter muita fome.

- O Tate já levantou? – Perguntei para Ale.

- Já, foi o primeiro a levantar, não falou com ninguém. Se trancou no quarto da madrinha e não saiu mais de lá.

- Quanto tempo faz isso?

- Umas duas horas.

- Alguém foi lá ver como ele está?

- A Rafa bateu na porta e o chamou, ele não respondeu, mas ela ouviu ele andando pelo quarto.

Era metade da tarde quando ouvimos a porta do quarto da madrinha se abrir. Tate parecia estar mais calmo.

- Venha Tate, sente-se ao meu lado, — disse Rafa, como já era de se esperar. Ele se sentou e ficou nos olhando, esperando que alguém dissesse algo.

- Eu quero dizer a vocês – começou Eric – que Matt e eu tomamos uma decisão. Nós pensamos e devido aos acontecimentos vamos deixar esta casa. Já somos maior de idade e temos algumas economias. Aprendemos um ofício com a carpintaria e vamos nos virar sozinhos.

Houve um longo silêncio na sala, ninguém esperava isso deles, muito menos a opinião de Tate sobre o assunto:

- Eu quero que saibam que são todos bem-vindos nesta casa e eu sei que nossa mãe não gostaria que nos separássemos. Eu vou me esforçar para que tudo continue como sempre foi. Mas se vocês quiserem ir, eu não posso impedi-los de seguir seus caminhos. Eu vou sair agora para consultar um advogado pra saber o que fazer.

Ele levantou-se e saiu.

- Eu não gostaria que vocês fossem – eu disse – vocês lembram que eu disse que éramos uma família?

- Sim Violet, nós lembramos. Mas nós iríamos nos separar mais cedo ou mais tarde para casar e ter a nossa própria família.

- Vocês estão certos. – eu tinha que admitir que era egoísmo eu querer que eles ficassem – quando vocês vão?

- O quanto antes, não queremos perder tempo.

- Não fique triste – disse Ale sentando-se ao meu lado.

- Não há como não me entristecer, porque eles estão fazendo isso?

- Acho que posso te responder Violet – era Ângela que acabava de chegar.

- O Matt, o Eric, a Laura, a Janaina e eu já somos adultos. Está na hora de seguir o nosso próprio caminho.

- Você está dizendo que você e as meninas também vão embora?

- Sim, se vocês tivessem idade suficiente também poderiam vir. Provavelmente o Conselho Tutelar vai nomear um responsável por vocês. A não ser que o Tate se responsabilize por vocês.

- Não, ele não tem capacidade pra isso. – argumentei.

- Mas é melhor do que ficar à mercê da Justiça e ela mandar um pra cada lado. Porque vocês não conversam com ele sobre isso?

Eu não queria aceitar tal possibilidade, aquilo era demais pra mim. Não sabia como eu ia lidar com aquilo.

Mais tarde já estavam todos de malas prontas.

- Vocês já vão? – perguntei surpreendida.

- Só estamos esperando o Tate chegar com a decisão da justiça. — respondeu a Ângela.

- Que decisão?

- Do que vão fazer com a gente. – Rafa disse isso com cara de “ohhhhhhh, tem alguém em casa, acorda”.

- Se eu pudesse iria com vocês, não quero ficar aqui. – eu respondi.

- Eu também. – concordou Ale.

- Vocês fazem tempestade em copo d’água. Que mal há em morar com o Tate? – Rafa defendeu.

- É muita responsabilidade pra ele cuidar de nós cinco, vocês acham que ele consegue? O conselho não concordará com isso e...

Tarde demais, parei de falar quando percebi que todos olhavam para a porta. Me virei pra saber o que eles estavam olhando e meus olhos encontraram os de Tate. Não sabia há quanto tempo ele estava ali, mas a julgar pela cara dele, (cara de quem chupou limão azedo) ele ouviu tudo o que eu disse.

- Sinto lhe decepcionar, mas a Justiça acaba de me dar a Tutela provisória de vocês. Se você quiser pode recorrer e procurar outro abrigo pra ficar.

Todo mundo ficou me olhando, não precisava exagerar né, ele sabia que eu não ia fazer isso. Nunca abandonaria meus irmãos. Ele me olhava como quem dizia “Aha, sai dessa agora!”.

- Tate me desculpe, não quero que pense que eu sou uma ingrata por tudo que a sua mãe fez por mim. Eu não quero me separar de vocês.

- Mas vamos entender se você quiser ir, você não é obrigada a me suportar e respeitar minhas ordens.

Se ele estava tentando fazer eu me sentir culpada, ele estava conseguindo. Não disse mais nada, senti que não podia segurar as lágrimas e fui correndo para o quarto. Não gostava de chorar na frente dos outros, fazia eu me sentir fraca.

*

Apesar de Ale insistir, eu não quis descer pra me despedir de ninguém. Ninguém entendia o que estava acontecendo comigo, nem eu.

Ela entrou no quarto e me chamou para jantar. Eu não queria descer de jeito nenhum.

- Vamos Violet, já somos poucos, não piore as coisas.

- Não tenho coragem Ale, o que quer que eu faça? – não queria ficar na frente do Tate e ser obrigada a ouvi-lo dizer, que agora vai ser assim ou assado. Ainda mais depois de tudo o que eu disse.

- Você não pode odiá-lo tanto assim. Peça desculpas e pronto.

- Como? Quer que eu diga pra ele: “desculpe por não querer aturar você morando aqui?”

- Já vi que não vou te convencer. Então deixe as coisas como estão e vamos jantar.

Ale praticamente me arrastou para fora do quarto. Quando chegamos, eles já tinham começado a comer.

Tate, como era de se esperar estava sentado na ponta da mesa, onde era o lugar da madrinha. O meu lugar estava vago, me esperando, ao lado dele é claro. Vi que Rafa lançava olhares cobiçando-o, apesar de eu achar que ela sempre exagerava, eu não me importaria de trocar de lugar. Mas como eu já estava sendo fuzilada não disse nada e me sentei no meu lugar. Como diz o ditado: “Tá no inferno, abraça o capeta!”

Tate não disse nada e agiu como se nada tivesse acontecido.

Depois de jantarmos, Ale me ajudou a lavar a louça e falou:

- Acho que ele está esperando as suas desculpas.

- Ele que espere sentado. Não vou pedir desculpas Ale, ele nem sequer olha na minha cara. – Eu não queria dar o braço a torcer.

- Como você é turrona. Ele faz isso pra mostrar que não se importa com o que você faz.

- Se ele não se importa com o que eu faço, então ele que venha lavar a louça. – larguei a esponja e saí.

Notas finais
O que estão achando hein? Podem comentar, críticas e sugestões são bem - vindas! bjs