Dark Love
8 Why you gotta be so rude?
Notas iniciais
URSS, Leningrado, 2 de junho de 1946
A tensão no quarto não podia se fazer mais palpável.
Edward se aproximou dela mais um pouco. Seus narizes se tocaram e ambos se arrepiaram com o toque. A respiração de Isabella se acelerou e Edward fechou os olhos. A quanto tempo ele não beijava uma mulher? A quanto tempo não sentia um corpo quente contra o seu? A proximidade deles era quase dolorida. Era como whisky quente descendo por sua garganta, o queimando e o aliviando ao mesmo tempo.
Ele respirou profundamente o perfume de Isabella e a imagem de Tanya veio em sua mente. Ele não queria pensar nela, não queria pensar no passado e em toda a dor que ele queria deixar pra trás. Edward abriu os olhos e viu Isabella encarando-o, esperando por algo. Eles avançaram tanto hoje, por que parar agora? Então, sem pensar muito, ele se aproximou e finalmente tocou seus lábios nos da garota que vinha o confundido a pouco mais de um mês. Foi como fogos de artifício, como um raio de sol em um dia chuvoso, como a primeira flor de primavera desabrochando no fim do inverno. Foi um simples tocar de lábios, doce, gentil, mas que logo se fez urgente e angustiante. Isabella timidamente passou a língua pelo lábio inferior dele, o que o fez abrir a boca e recebê-la. O beijo começou lento, ela correu os dedos pelo braço de Edward, sentindo suas cicatrizes no processo, o que a fez querer chorar. Ela segurou-lhe pelo cabelo cobre e o trouxe para mais perto. Edward pousou sua mão livre na cintura delicada dela, a apertando suavemente, o que a fez gemer. Isabella nunca tivera um homem, na verdade nunca teve tempo para tal, ela sempre foi dedicada demais aos estudos para pensar em qualquer outra coisa. Ela teve alguns homens, sim, mas nada que passasse de trocas de beijos inocentes, isso era muito mais quente.
Em um movimento rápido e impulsivo, ele a trouxe para seu colo, as pernas de Isabella uma de cada lado de seu corpo. Ele a abraçou pela cintura e a trouxe para mais perto de si, os lábios nunca deixando os seus. O beijo que até então era de descobertas, se tomou uma exploração quase invasiva demais. Edward mordeu o lábio inferior de Isabella, o que a fez segurar mais firmemente em seus cabelos. Ela acariciou-lhe o rosto, passando as unhas curtas por sua barba mal feita. Ela chupou-lhe a língua e ele apertou-a mais forte no quadril.
Edward...
Ele tomou um susto ao ouvir a voz de Tanya em sua mente.
‘Você está com Isabella agora’, ele pensou. Se concentrando novamente na pequena mulher em seu colo.
Edward...
Ele ouviu a voz de Tanya novamente, segurando Isabella com força pela cintura e a afastando abruptamente de si, quase a derrubando de seu colo. Ela se segurou nos ombros dele e o encarou ofegante, sem entender o que havia acontecido. Edward ainda respirava com dificuldade por conta do longo beijo e do momento íntimo que eles tiveram. Ao mesmo tempo ele se sentia culpado, não só por ter pensado em Tanya estando com Isabella, mas por ter desonrado a memória de sua esposa. Ele não era digno de uma mulher tão pura e doce como Isabella, ele não é bom pra ela, ele sabe disso. Mas a vontade de tê-la para si era bem maior do que qualquer coisa que ele achava não merecer, maior que seu orgulho e até sua dor, pelo menos até agora.
— Edward... – Ela o chamou baixinho, como se qualquer movimento em falso fosse estragar aquele momento tão perfeito para Isabella. Ele fechou os olhos e sorriu de canto. Ele queria deixar o passado para trás, queria ouvir a voz de Isabella chamando seu nome todos os dias, não ser atormentado pelas memórias de sua falecida esposa, apesar de se achar merecedor de tal desespero. – O que houve? – Ela questionou preocupada, acariciando-lhe o rosto.
— Diga o meu nome de novo. – Ele pediu roucamente, carinhosamente aproximando Isabella de si. Ela o segurou pelos ombros e aproximou os lábios de seu ouvido.
— Edward... – Ela sussurrou, o fazendo arrepiar.
— Leelan. – Ele a chamou docemente. – Eu amo quando você diz meu nome. – Ele disse, beijando-lhe o pescoço, o que a fez arrepiar. Isabella o encarou, sorrindo.
— Eu amo quando você é carinhoso comigo. – Ela lhe disse um tanto tímida. Edward a olhou por um momento mas logo afastou o olhar do dela, ainda com vergonha de si mesmo e da imagem que ele sabia que ela via. Ele imaginava que devia ser horrível olhá-lo. Ela o segurou pelo queixo e o fez olhá-la novamente. – Não precisa ter vergonha de mim, eu já vi sua bunda. – Ela piscou pra ele, o que o fez rir pela primeira vez abertamente, fazendo Isabella rir também.
— Você... – Ele segurou o rosto de Isabella entre as mãos, a olhando com adoração, devoção. Ela colocou as mãos sobre as dele e sorriu. Edward aproximou o rosto do dela, pronto para beijá-la novamente, quando eles ouviram dois toques pesados na porta.
Isabella saiu tão rápido do colo de Edward que quase caiu no chão. Ela arrumou suas roupas e prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, indo até a porta, abrindo-a. Roza estava parada na frente da mesma, sua cara branca como um papel. Ela tremia e parecia desesperada.
—Isabella, venha agora! É Ivanov! – Roza gritou. Bella não pensou duas vezes e correu escada abaixo, Ivanov estava sentado em uma das cadeiras na porta de entrada da mansão, uma de suas mãos estava sobre o seu peito e ele estava suando frio. Isabella notou sua pulsação acelerada e mandou Roza ligar para a ambulância. Ela sabia que ele estava tendo um ataque cardíaco, mas ela não tinha nenhum material necessário para cuidar dele.
Edward tinha saído de seu quarto pela primeira vez em um ano. Saber que Ivanov, seu melhor amigo, quase um pai pra ele, não se sentia bem o deixava angustiado. Ele desceu as escadas debilmente em suas muletas, tendo uma visão perfeita de Ivanov passando mal e Isabella sobre ele, tentando acalmá-lo. Roza andava de um lado para o outro, sem saber o que fazer ao certo.
Quando ele finalmente desceu o útlimo degrau, a porta da frente se abriu em um baque e quatro homens vestidos de branco entraram na mansão, três deles indo para cima de Ivanov e um vindo para cima de Bella. Logo em seguida mais dois homens entraram trazendo uma maca. O homem que se dirigiu a Isabella agora a abraçava.
— Jacob. – Ela respirou aliviada, deixando as lágrimas rolarem pelo seu rosto. Jacob fizera faculdade com ela, ele na verdade era dois anos mais velho. Ele é chefe dos enfermeiros no hospital de Leningrado, e acompanha todas as saídas da ambulância.
— Bella, se acalme, vamos cuidar dele. – Ele a abraçou mais forte, beijando o topo de sua cabeça. Edward viu os dois juntos e seu peito ardeu de ciúme, e além de tudo, ele se sentia traído. Ele sabia que não era homem pra ela, como ele fora tolo a ponto de achar que ela o queria? Ela nunca poderia querê-lo. Ele se virou e voltou a subir as escadas com dificuldade, já que ninguém notara sua presença. Jacob, como o bom profissional que era, viu a dificuldade que ele estava para subir as escadas e se soltou de Bella delicadamente.
— Senhor, precisa de ajuda? – Ao ouvir as palavras de Jacob, Bella se virou em direção á escada, encarando o homem que a um ano não passava nem da porta de seu quarto. Ela o encarou atônita e mais lágrimas rolaram pelo seu rosto. Ela se soltou de Jacob e foi até ele, parando no pé da escada.
— Você desceu. – Ela disse chorosa, pousando sua mão em cima da dele no corrimão. Ele brutalmente se afastou dela.
— Pelo visto eu não deveria ter decido. – Ele disse amargo. – Só me preocupei com Ivanov, nada mais. Vou voltar para o meu quarto, fique a vontade com seu namorado. – Ele disse rude, se virando de costas para ela e subindo os degraus o mais rápido que sua perna manca o permitia. Bella subiu os 4 degraus que os separavam, subindo mais dois, parando na frente de Edward e o segurando pelos ombros.
— Edward, pare de agir como uma criança! – Ela quase gritou. A essa altura Roza já tinha ido com Ivanov na ambulância e Jacob fora embora com ele, deixando os dois sozinhos na mansão.
— Uma criança? Você que á pouco estava em meu colo aos beijos comigo e logo seguida estava chorando nos braços de outro.- Ele disse com desdém. Só o que ele queria era se trancar no quarto e se isolar do mundo novamente, era o melhor que ele fazia. Sem sentimentos, sem dor.
— O que? – Ela disse atordoada. – Jacob é meu amigo pelo amor de Deus! E ele veio aqui por Ivanov, não por mim! Ou você acha que eu realmente o liguei para vir até aqui? – Ela lhe perguntou ironicamente. Bella sabia que ele estava com ciúmes, mas agir como um primitivo não era o melhor jeito de mostrar que ele se importava com ela, e por Deus, ele tinha saído do quarto finalmente. Ele havia mostrado que se importava com alguém ao ponto de sair de sua zona de conforto.
— Sabe o que eu acho Isabella? Que você percebeu que não valia a pena perder seu tempo com um inválido como eu, tomou de mim o que quis, ligou para o seu amante idiota vir lhe satisfazer devidamente... – Antes que ele terminasse de insultá-la, Bella o estapeou firmemente no rosto, onde ela rapidamente viu a marca vermelha se formar em sua bochecha. As lágrimas de decepção corriam pelo seu rosto e tudo o que ela queria era sumir dali naquele momento. Como ele pudera pensar que ela faria tal coisa? Ela estava falando com ele agora, não é? Ela estava com ele a pouco, o beijando como ela nunca beijara outra homem na vida. Isabella estava devastada. Ela não entendia como ele podia mudar de humor tão rapidamente. Á pouco ele era o homem doce que a tinha nos braços e a tomava carinhosamente, e agora ele era apenas um estúpido que a insultava.
— Nunca mais fale de mim dessa forma. – Ela disse chorando, secando as lágrimas de suas bochechas. – Se antes eu pensava em ter qualquer coisa com você, isso acabou de sumir. Você acabou de quebrar tudo. – Ela disse com a voz tremula, segurando o resto do choro que insistia em sair. – Pode ir Edward, vai. Corre para o seu quarto escuro e isolado, cheio de culpa e de memórias dolorosas, só isso que você sabe fazer, se esconder atrás da sua dor e da sua miséria. – Ela fungou, limpando o resto de lágrimas que ainda molhavam o seu rosto. – Era isso que você queria desde o começo, não é? Me afastar a ponto de eu querer ir embora. Parabéns, você conseguiu. – Isabella desceu as escadas correndo, batendo seu ombro no de Edward na descida, indo rapidamente até a porta da mansão e se dirigindo até a garagem. O carro de Ivanov estava lá, então ela o pegou e dirigiu até o hospital. Ela não podia deixar Roza sozinha, e ainda por cima estava preocupada com Ivanov. Ela dirigiu pela noite fria de Leningrado, finalmente se deixando chorar todas as lágrimas presas em sua garganta. E ela nunca se sentiu tão tola por se deixar levar e se apaixonar por Edward.
Dentro da mansão Edward entrava na mais nova pior miséria de sua vida. Ele se sentiu um idiota no mesmo momento que as palavras que insultaram Isabella saíram de sua boca, mas a raiva e o ciúme o fizeram mantê-las, magoando a garota que mais lhe importava no momento.
Um mês não foi o suficiente para fazê-lo amá-la com todas as suas forças, mas ele gostava dela e duvidava estar apaixonado. Porém em contrapartida ele tinha toda a bagagem emocional relacionada com sua esposa e filha, o que complicava tudo.
Edward subiu o resto das escadas com dificuldade. As lágrimas caiam pelo seu rosto e ele nem se importava, ele já se acostumara com elas. Seu pai sempre o repreendeu por chorar, aquele velho papo de ‘homem não chora’, mas sua mãe sempre o disse que só um homem de verdade tem a coragem de chorar e de mostrar o que sente, e essa foi uma das coisas que Edward aprendeu em um ano, ele agora tinha total coragem de chorar.
Só de pensar em Isabella indo embora da mansão o seu peito doía. E essa dor nem poderia ser comparada com nada do que ele passou na mão dos alemães – era muito pior. Como ele conseguiria se reerguer sem vê-la todas as manhãs, sorrindo pra ele? Como ele poderia ficar ser sua presença graciosa, sem sentir que alguém se importava com ele? Edward na verdade já não conseguia ficar um dia sequer sem ver Isabella. Ele esperava por ela todos os dias, quando ela se atrasava para a fisioterapia pelas manhãs ele contava os minutos, a esperando entrar pela porta. Ele a via dormir todas as noites, velando seu sono sereno e profundo, desejando que ela sonhasse com ele. Mas agora ele havia estragado tudo. Era isso que ele fazia, sempre. Ele afastava as pessoas que o amavam. Primeiro sua família, depois Jasper, depois Roza, Ivanov, e agora Isabella. E nunca doera tanto saber que ele havia afastado mais uma pessoa.
A mente ferida de Edward vagou até Ivanov. O motorista esteve com ele sua vida toda, muitas vezes mais presente do que o seu próprio pai, ele não podia aceitar que algo de mal acontecesse com ele, não podia perder mais uma pessoa para sempre. Ele levantou de sua cadeira habitual e andou até a escrivaninha de seu quarto, pegou o telefone e discou o número da casa de sua mãe. Ele precisava de notícias.
— Zdravstvuyte! – Sua mãe atendeu o telefone dizendo ‘alô’ em um perfeito russo.
— Mãe? – Edward disse receoso. Fazia tanto tempo que ele não a ligava muito menos falava com ela. Esme parou um momento do outro lado da linha, não acreditando na voz que ouvia. Os olhos dela se encheram de lágrimas e suas mãos tremeram.
— Filho, oh meu Deus. – Ela disse sem acreditar. – Como vai? Aconteceu algo? – Ela disse preocupada, surpresa pela ligação.
— Na verdade sim. – Ele respirou fundo, surpreso com si mesmo por ligar. — Vocês já sabem que Ivanov passou mal? Eu fiquei preocupado.
— Oh sim, Isabella me ligou a pouco, o seu pai foi para o hospital. Ivanov vai ficar na UTI, os médicos conseguiram conter o infarto, mas as veias que levam o sangue ao coração dele estão muito entupidas, talvez ele tenha que operar, eu não sei ao certo, ainda espero notícias do seu pai. — Ela suspirou, também preocupada com o motorista e amigo da família.
— Você esta com a Srta. Swan? Ela saiu afobada por conta da situação e não consegui falar com ela. — Ele disse receoso e um tanto quanto frio. Não queria mostrar para sua mãe que estava preocupado com Isabella, pois isso só traria mais perguntas, estas que ele não estava preparado para responder.
— Oh sim, a doce Isabella! — Esme disse encantada com a garota. Edward suspirou do outro lado da linha. Ele sabe como ela é malditamente doce. — Ela e Roza vão dormir aqui em casa hoje, por ser mais perto do hospital. Como você nunca se importou em ficar sozinho, eu achei que... — Edward a cortou.
— Achou que eu iria adorar ficar nessa casa imensa, sem ninguém. – Ele disse derrotado. Esme suspirou do outro lado da linha.
— Eu sinto muito filho. Se você quiser, eu mando Eleazar te buscar, o seu quarto ainda esta aqui, não deixei ninguém desmontá-lo. – Ela disse docemente.
— Tudo bem mãe, eu vou ficar por aqui. – Ele disse tristemente. Edward estava cansado de todos aceitarem o seu isolamento, ninguém lutaria mais por ele? Mas ao mesmo tempo ele sabia que tinha cavado seu próprio túmulo e que não estava na melhor posição para reivindicar qualquer atenção. Mas ir até a casa dos seus pais? Isso já era demais! Encarar Carlisle e até mesmo sua mãe era demais pra ele. E ele sabia que Isabella estava magoada demais pra vê-lo, ela até dormiria na casa de seus pais para não olhar na cara dele. Ele não iria impor sua presença á ela. Bella precisava de espaço, e ele também.
— Tem certeza filho? Nós sentimos sua falta. — Esme disse tristonha. Ele também sentia falta dos pais, não era um total crápula. Mas com o tempo, Edward aprendeu a usar mais a razão do que o coração, a vida o fez amargo e calculista. E a razão o mantinha isolado de tudo e de todos, e para ele esse era o certo a fazer.
— Sim mãe, esta tudo bem. Me dê notícias, sim? Não se acanhe em me ligar. — Ele disse mais calmo, fazendo Esme sorrir do outro lado da linha.
— Claro meu amor, eu ligo. — Ela suspirou. Edward ouviu um barulho de porta do outro lado da linha, a voz de Roza sendo ouvida no fundo da ligação, seu russo enrolado e esbaforido.
'Esme'. — Ele ouviu a voz dolorida de Isabella do outro lado da linha, e logo em seguida seu choro. O peito dele doeu de novo, e ele apenas desejava estar lá para consolá-la e cuidar dela. Mas ele não podia.
'Oh, querida' — A mãe dele disse longe do telefone. — Filho, — ela falou na linha. — Roza e Isabella chegaram, elas estão muito abatidas. Vou ver se tenho alguma notícia e lhe retorno. Ya tebya lyublyu. — Ela lhe disse 'eu te amo' em russo e desligou o telefone.
Edward ficou um longo tempo encarando o telefone, ouvindo o som mudo do mesmo em sua orelha. Até que ele suspirou e desligou o telefone.
— YA tozhe tebya lyublyu , mama. — 'Eu também te amo, mãe'. Ele finalmente disse. E nunca foi tão dolorido não ter ninguém para escutá-lo.
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