Dark Love
1 Preface
Notas iniciais
Sul da Polônia, Campo de extermínio Auschwitz II – Birkenau, 22 de abril de1945
Edward só queria morrer.
O sangue que escorria de sua cabeça embaçava sua visão e proporcionava um gosto metálico em sua boca. Seus braços deslocados estavam presos no alto de sua cabeça e seu corpo pairava no ar. A dor era insuportável á dias. Á três semana para ser exato.
Á três semana o soldado do exército vermelho da URSS, Edward Cullen, havia sido capturado em uma emboscada dos nazistas. Ele, assim como outros 7 soldados, estavam sendo torturados e mutilados.
O que os alemães queriam saber era simples: “Qual o plano de ataque dos russos?”. Mas nenhum dos soldados respondeu uma sequer palavra, eles defenderiam seu povo até o último suspiro.
Edward já não aguentava mais. Suas costas estavam repletas de cortes fundos de faca, assim como seu rosto, que continha dois cortes enormes e doloridos. Todos os dedos de suas mãos haviam sido quebrados, dois dedos do seu pé haviam sido cortados com uma faca sem cerra. Sua perna direita estava com o calcanhar aberto, feridas em toda extensão da mesma, seu pé cheio de pregos. Seu peito estava com queimaduras e cortes profundos. Sua boca doía por conta dos dentes arrancados á força. Seu pênis latejava de dor, de tanto que tinha sido esmagado e levado marteladas. Suas unhas tinham sido todas arrancadas, assim como um pedaço de sua orelha esquerda. Sua cabeça sangrava pelo couro cabeludo recém tirado á força. Em meio de tanta dor, ele já não sentia mais nada.
Edward não conseguia mais distinguir os tipos de dor que sentia. Ele sempre foi um bom soldado, destemido. Filho do general Carlisle, líder do exército vermelho, ele sempre foi o forte, o que não tinha medo de um bom confronto, o que daria a vida pelos seus ideais.
Edward sentia dores pelo corpo todo, mas nada se comparava á dor do medo e da derrota. Ele tinha medo do que acontecia lá fora, na guerra. Tinha medo que a guerra nunca acabasse, que mais mortes acontecessem, que Hitler triunfasse. Ao mesmo tempo ele sentia-se derrotado por ter sido capturado, sentia dor por seu pai não ter ido procurá-lo e o salvado, sentia medo a cada vez que uma bomba explodia no campo de extermínio, sentia medo desse inferno nunca acabar e de terminar junto com todos os outros corpos sem vida. Ele tem medo da morte, do esquecimento. Deus, como ele tem medo de nunca mais ver sua querida mãe novamente!
Tem medo de nunca mais ver sua linda mulher Tanya e sua querida filha Claire. Como ele as ama! Só Deus sabe a angústia que ele sente, o medo de perdê-las.
Seu queixo repousava em seu peito. Edward não tinha nem forças para abrir os olhos. Ele ouviu o barulho de uma porta abrindo e passos pesados de um dos soldados nazistas. Este se aproximou dele e puxou ainda mais seus cabelos, o que fez seu couro cabeludo se soltar ainda mais de sua cabeça, o causando uma dor enorme. Mas ele não tinha nem forças para gritar.
— Olhe para mim seu verme. – Ele levantou o rosto de Edward na altura do seu. – Encontrei duas pessoas hoje. Sua mulher e sua filha, acredita? – O coração de Edward palpitou e falhou uma batida. O bastardo gargalhou e apertou o rosto de Edward ainda mais. – Eu e meus amigos fodemos a sua mulher contra a vontade dela, assim como fodemos a sua pequena filhinha de 5 anos. Uma bela bocetinha, devo dizer. E depois, nós as deixamos lá dentro do seu medíocre esconderijo e as queimamos vivas. – Ele gargalhou novamente. O peito de Edward se resumiu a pó. E mesmo com toda dor em seu peito, com toda a força que lhe faltava, ele se balançou no ar, tentando atingir o soldado de alguma forma. As lágrimas grossas caíam pelo seu rosto e a única coisa que ele conseguiu fazer foi gritar. Gritar como ele nunca havia gritado em toda vida. O dor o tomava de uma forma inumana, dominando todos os seus sentidos e os transformando em puro sofrimento e miséria. Ele não tinha mais nada, absolutamente nada. Apenas a dor e um coração negro, escurecido pela guerra, pela perda, pela desesperança e pela hipocondria que o tomava. Nada lhe restava além da dor. A crua e vazia dor. Esta era tanta, que sua cabeça latejava. Só o que ele pensava era no que seus anjos tinham sofrido. Ele imaginava o quanto sua pequena filha gritou seu nome, o quanto sua mulher gritou por ajuda, o quanto elas sofreram enquanto o fogo as consumiam.
Seu peito apertou novamente e ele gritou, mas não tinha ninguém para ouvi-lo, ninguém para salvá-lo. Nem mesmo o soldado filha da puta estava mais lá.
Edward ouviu barulhos de bombas e tiros do lado de fora, o que o deixou com mais pânico. Ele ouviu vários passos firmes, como se fosse um conjunto de homens correndo, e depois os tiros começaram a se aproximar, até que a porta foi derrubada em um estrondo.
— Me mate! Por favor me mate! – Edward implorou em meio ao choro descontrolado. – Me mate! – Ele gritava, se debatendo no ar. Mãos frias tocaram o seu rosto, o fazendo encarar a pessoa que ali estava.
— Sou eu amigo, Jasper. Viemos resgatar você. Voyna zakonchilas’, drug – A guerra acabou, amigo. – Jasper disse com lágrimas nos olhos. Ele sentia a dor do amigo, e ao mesmo tempo sentia o alívio de tê-lo resgatado com vida, o alívio do fim da guerra. Os russos finalmente tinham conseguido invadir a Alemanha e acabar com a guerra. Todos eles iriam para casa.
— Me mate! – Edward continuava a gritar e a chorar. Jasper chamou mais dois soldados e estes retiraram as correntes dos pulsos de Edward, o soltando daquela prisão. Jasper e mais um soldado o pegaram no colo. Na mesma hora que seus braços caíram ao lado do seu corpo ele gritou, ambos estavam deslocados e só agora ele sentia a verdadeira dor que aquilo causava. Mas nada se comparava á dor de seu peito.
— Me mate, me mate! – Edward gritava sem parar, as lágrimas se misturando com o sangue do seu rosto. Ele sentiu ser carregado para fora da sala de tortura, depois sentiu a sensação de quente em seu corpo. Jasper havia coberto sua nudez com um lençol branco, que logo já estava encharcado de sangue. Depois, Edward sentiu a quentura do sol em seu corpo, o novo ar em seus pulmões, a sensação de liberdade.
Jasper e os soldados o carregaram até um dos carros do exército vermelho, o colocando delicadamente na caçamba, em cima de um colchão branco, que em segundos se tornou púrpura. Jasper se aproximou do rosto ensanguentado do amigo e as lágrimas voltaram a rolar sobre seu rosto.
— Vamos te levar pra casa, camarada. – Jasper disse orgulhoso de si, orgulhoso de ter resgatado seu melhor amigo, de tê-lo salvado. Mas mal ele sabia que a única coisa que Edward desejava era morrer, acabar de vez com a dor que o consumia. Simplesmente morrer, deixar de existir, sumir de qualquer lugar que fosse parecido com a terra. Ele sentia raiva. Raiva dos alemães, raiva da guerra, até raiva de Deus. Ele apenas sentia raiva. Só estava cansado de tanto sofrimento. Como ele queria dormir!
Edward abriu os olhos com dificuldade e pode ver alguns judeus serem libertados do campo de concentração, e no mesmo momento seu coração sentiu uma mínima felicidade, mas depois foi tomado pela angústia. Ele apenas fechou os olhos e caiu no sono, apenas tentou sonhar com sua mulher e filha, apenas tentou encontrá-las mais uma vez, mesmo que em sua mente.
Jasper encarou seu debilitado amigo no colchão. Ele se sentia um bastardo por não tê-lo resgatado antes, ele se sentia um impotente por ter deixado Edward ser capturado em primeiro lugar. Ele sentia orgulho do amigo, orgulho por ele ter honrado a Rússia até o fim da guerra. Jasper sabia o quanto ele tinha sofrido, só não tinha ideia de que o sofrimento do amigo ia além do físico. Ele não sabia que o lar de Edward tinha sido destruído, assim como seu coração. Ele não fazia ideia que seu querido amigo nunca mais seria o mesmo. Ele não fazia ideia que seu melhor amigo viveria uma vida de isolamento e escuridão, e que nunca mais amaria novamente.
Ele só não fazia ideia.
Fale com o autor