Dark Love

3 Nobody said it was easy, no one ever said it would be this hard


Notas iniciais
Olá meus amoreeeeeeeeeeeeees, como estão? Eu sinto muito ter atualizado a fic com o capítulo novo, acabei postando na fic errada kkk foi mal! Mas este é o capítulo certo, finalmente haha Eu queria agradecer pelos comentários no capítulo anterior, cada um de vocês MUITOOO obrigada! A fic com 2 capítulo já tem 70 comentários e isso me deixa mais feliz que pinto no lixo kkkk Enfim, mais um cap do nosso querido Edward russo ♥ Espero que gostem e continuem comentando! Beijos e obrigada de coração

URSS, Leningrado, 6 de maio de 1946

O almoço ficou pronto e Isabella preparou o prato de Edward.

Ela e Roza conversaram bastante enquanto esta cozinhava. Roza a contou como o senhor Cullen se escondia de todos, como tinha vergonha de suas marcas de guerra e seus ferimentos. Também a contou que ele tem uma enorme tatuagem de dragão nas costas, para cobrir suas marcas, o que deixou Isabella mais curiosa para dar banho no enorme homem, tal pensamento que a fez corar.

Ela preparou a comida dele em um prato e colocou em uma bandeja de prata, tampando a comida com uma cúpula também de prata. Ela pegou um pouco de vinho e separou um pote de prata com cerejas, pois Roza havia lhe dito que eram as preferidas de Edward.

Tudo nele deixava Isabella curiosa. Ela tinha pena do homem, mas também queria saber mais sobre ele, queria cuidá-lo. Ela sabia como era horrível perder quem se ama, e imagina o sofrimento que ele sente diariamente. A guerra foi cruel para muitos, e Edward era um deles.

Isabella terminou de arrumar a bandeja e pegou uma rosa brava¹, sua flor preferida na Rússia, e colocou-a junto na bandeja. Ela queria agradar o homem e tentar amolecer seu duro coração.

Ela segurou a bandeja nas mãos e já ia saindo da cozinha.

– Bella? – Roza a chamou. Ela se virou e encarou a simpática senhora. – É perda de tempo, sabe. O senhor Cullen não come direito a um tempo... – Ela disse tristonha. Roza tinha medo de Edward magoar a pobre menina com seu jeito rude, tinha medo que ele a afastasse dali, como fazia com todos, mas a menina parecia determinada demais para desistir.

– Não me custa nada tentar, Roza. – Isabella sorriu, saindo da cozinha. Ela já sabia que seria um desafio cuidar do Sr. Cullen, todos a disseram isso. Mas ela queria fazer algo por alguém, algo pela família Cullen, algo por si mesma na verdade. Ela se sentia tão sozinha em Kiev, e ter a oportunidade de deixar o passado para trás era uma oportunidade boa demais para se jogar fora.

Ela subiu as escadas com as mãos um pouco trêmulas, o nervosismo em seu corpo. Ela havia sido petulante com o homem mais cedo – ele tinha merecido. E não ouvira um barulho sequer vindo do quarto dele desde que descera. Ela subiu o último degrau e parou em frente á porta dele. Isabella segurou a bandeja em uma mão com um pouco de dificuldade, e deu dois toques na porta.

– Senhor Cullen? Trouxe seu almoço. – Ela disse alto porém suavemente.

O homem dentro do quarto se assustou ao ouvir a voz da pequena mulher. Ele estava tão perdido em pensamentos, ou melhor, em pesadelos.

Desde que voltou da guerra tem o mesmo pesadelo, sua mulher e filha pedindo por ajuda, ambas com fogo em suas roupas e ele preso á uma cadeira, impossibilitado de se mexer ou falar, ele só as olhava, as lágrimas rolando pelos seus olhos e seus gritos saiam sem som. Ele limpou as lágrimas dos olhos e engoliu em seco.

– Não estou com fome. – Disse rude. Ele queria ficar sozinho, não queria comer. Edward sempre se sentiu culpado pela morte de sua família, e agora ele estava aproveitando sua miséria, ele queria ficar sozinho.

– Senhor Cullen, por favor! – A mulher insistiu e ele bufou. Nenhuma pessoa que já cuidara dele foi tão insistente como ela, eles sempre iam embora na primeira vez.

Isabella do outro lado da porta rolava os olhos. Por que é tão difícil esse homem ser mais maleável? Ela pensava. Sim, ela entendia o sofrimento dele, não era uma insensível. Mas á um ano que Sr. Cullen não saia do quarto, não via a luz do sol, não saia debaixo daqueles panos. Ele não aproveitava nada além do desespero, e Isabella se irritava um pouco com isso. Tantas pessoas queriam ter saído vivas da guerra, e ele, reclamando da única coisa que tem e que vários no campo de concentração gostariam de ter tido. Apesar de toda a tragédia, ele estava vivo, droga! Se ele soubesse quantos gostariam de estar em seu lugar...

Isabella bufou novamente e bateu o pé.

– Senhor, não sairei dessa porta até abri-la. – Ela disse brava. Esse senhor tinha que aprender a respeitá-la e colaborar com ela, poxa. E Isabella não era de se desistir fácil.

Edward revirou os olhos e cruzou os braços no enorme peito definido. Ele não tinha parado de treinar um dia sequer. No isolamento de seu quarto era só o que ele fazia, malhar e se punir mentalmente.

– Pelo visto a senhorita adora portas, não? – Ele disse irônico. É a segunda vez naquele dia que ela diz que não sairá daquela porta. — Então fique ai, senhorita. Pode usar meu almoço para o seu jantar, inclusive, já que ficará ai o dia todo. Não abrirei a porta. – Ele disse irritado. Uma parte dele — uma boa parte – gostaria que ela fosse como todos os outros, que desistisse dele fácil. Mas um outra parte dele, até gostava dela se preocupar e ser insistente, ele sentia como se alguém ainda se importasse com ele, com seu escuro coração. Seus pais, bem, eles sempre o visitam, mas é sempre a mesma conversa de como ele não devia se culpar, de como devia sair e arranjar uma nova esposa. Ele não quer nada disso. E depois da guerra, nem olhar na cara do pai ele consegue direito, ele não se sente digno, se sente honroso. Ele se sente um monstro.

Sua mãe sempre fora doce, mas nem toda sua doçura foi o bastante para amolecer seu coração de pedra. E tinha sua irmã, Alice. A única pessoa de sua família que ele ainda se importava em ver, só ela. Alice não o pressiona, não o julga. Ela ouve seus choros, seus lamentos, Alice apenas o ouve. Ela não diz como ele esta acabado, como ele esta desistindo da vida, não. Ela sempre diz como ele é um homem forte, um guerreiro, o herói dela.

Edward quase chorou pensando na sua irmã. Mas seus pensamentos foram interrompidos por chutes na porta. Isabella.

Ela chutava a porta com os pés, assobiando do lado de fora. Ele não a deixaria entrar? Bem, ela não o deixaria em paz então!

Edward bateu as palmas nas coxas com raiva, ô mulherzinha petulante e irritante! – ele pensou. Antes que ele pudesse se mexer, Isabella rodou a maçaneta da porta com força e se assustou ao ver que a mesma estava destrancada, assim como Edward que achava que a tinha trancado.

Ela entrou como um raio no quarto e parou de frente para a cama dele, o encarando. Ela respirou fundo e se preparou para um sermão de ‘como ele devia agradecer pela vida que tem’ mas parou antes que pudesse dizer qualquer palavra.

Edward se levantou da cama e com seus quase dois metros de altura foi para cima de Bella, arrancando a bandeja de suas mãos e a jogando longe. Ela recuou assustada, as lágrimas grossas brotando em seus olhos, embaçando sua visão. Um clarão se formou na janela e ela se assustou novamente com um raio, este que iluminou o quarto e os olhos raivosos de Edward.

– Já disse que não estou com fome, agora saia! – Ele berrou em seu rosto, se odiando no mesmo momento por isso. Bella o encarou e as lágrimas rolaram descontroladas pelo seu rosto. Á medida que Edward gritou, o pano que cobria sua boca caiu em seu pescoço, no mesmo momento que um outro clarão atravessou o quarto. Então ela pode ver a enorme cicatriz que atravessava seu olho, subindo da bochecha até sua testa, um risco enorme e profundo, assim como a cicatriz que ia da altura do seu lábio superior até a olheira de um de seus olhos. Mas além de suas tristes cicatrizes, ela pode ver como ele é bonito. Sua barba cobria uma parte de sua cicatriz do lado direito, seus olhos verdes eram tão penetrantes que ela quase se esqueceu que ele a estava fazendo chorar, esses olhos doloridos que a faziam querer abraçá-lo. Sua boca é bem desenhada e seu maxilar bem definido, assim como seu nariz. Ela sentia a tensão em todo o seu rosto, e no calor do momento não conseguiu evitar uma cara de horror pelo modo em que ele a tratou. Foi tudo tão rápido, ele gritou com ela e ela o analisou completamente em apenas dois segundos. Ela estava surpresa e ferida, mas ao mesmo tempo deslumbrada.

Edward viu sua expressão de horror se suavizar. E tendo em vista que seu rosto estava á mostra, ele não sabia dizer se ela se assustou com sua feiura ou com sua grosseria. Ele tapou o rosto rapidamente e a olhou. As lágrimas ainda rolavam pelo seu rosto e ele se sentiu um monstro ainda pior. Ele só queria retirar o que tinha feito e pedir desculpas á ela. Mas ele nunca faria isso.

– Saia! – Ele gritou novamente, e ela saiu. Seus cabelos pretos caindo sobre seus ombros e rosto, enquanto ela corria dali. Ele se sentia um crápula, um nojento, asqueroso. Ele odiava que ela o tivesse visto dessa forma, ele se odiava por tê-la tratado daquele jeito, aquela garota que parecia um anjo na terra. Mas ao mesmo tempo ele não queria se aproximar de ninguém, não queria gostar de ninguém. Ele sabe que eventualmente todos se cansam dele e vão embora. Ele não quer gostar de Isabella, não quer sofrer quando ela for embora. Ele já havia sofrido demais.

Edward bateu a porta com uma força exagerada e chutou a bandeja de prata que já estava no chão, esta que bateu contra a parede. Em meio a raiva ele fitou o chão e viu a singela flor rosa destroçada no mesmo.

Ela tinha pego uma flor para ele, sua flor preferida. Como ela sabia?

Edward amava as rosas bravas, as flores mais lindas, ao seu ver. Ninguém além de Tanya sabia que estas são suas preferidas, como ela pode?

Edward se sentiu ainda pior por ela. Isabella estava se esforçando, ela estava realmente tentando ajudá-lo, mas ele não facilita as coisas, sua dor é maior que tudo isso.

Ele se jogou na cama novamente e seu calcanhar doeu. Merda, como ele queria a droga da fisioterapia, era o inferno não poder caminhar direito pelo próprio quarto. Mas ele não gostaria de dar o braço a torcer, tampouco. Uma das coisas que a guerra não conseguiu tirar dele foi o seu orgulho, este que ele mantinha com fervor.

Edward afundou a cabeça no travesseiro e chorou novamente, apoiando um de seus braços na testa. Ele estava tão cansado, exageradamente exausto. Mas ele merece isso, ele merece sofrer. E nem todo seu sofrimento será o suficiente perto do que sua família sofreu, e por sua causa. Ele tinha que sofrer por elas, ele era o culpado, ele não estava aqui. Então, ele apenas sofre.

Isabella no quarto ao lado chorava sobre a cama. Ela havia pensado em abandonar tudo e voltar para sua casa, mas não era de seu tipo desistir, não mesmo. Edward havia sido um estúpido com ela, e ela sabia que não seria fácil lidar com ele, mas também não esperava que fosse tão difícil.

Se ele ficava relutante com um simples almoço, ela imaginou o que ele faria quando ela fosse dar-lhe banho ou fazer a fisioterapia. Seu peito doía só de pensar na humilhação que estaria por vir. Mas Deus, ele esta ferido, ela sabe que esta. Isabella viu, ela viu seus olhos através dos olhos marejados e destruídos dele. Ela viu a imagem de si própria á um tempo atrás, mas ela era muito menos agressiva, é claro. Ela viu o seu próprio sofrimento nos olhos dele. Isabella na verdade nunca se permitiu sofrer pelo o ocorrido, ela apenas guardou no passado, num lugar bem escuro e distante.

Ela levantou a cara inchada do acolchoado e fitou o porta retrato na estante em frente á cama.

Como ela era feliz, pensou.

Ela sentia tanta falta, mais falta do que se pode imaginar. Por isso ela ficaria, e aguentaria todos os momentos ruins de Edward. Só ela sabe como foi difícil não ter ninguém para aguentar seus momentos difíceis, e ela queria estar lá por ele, como ninguém nunca esteve por ela.

Isabella limpou as lágrimas quase secas de suas bochechas e esfregou os olhos. Estava na hora de limpar a bagunça do quarto ao lado. Ela respirou fundo e desceu as escadas, indo e direção ao quartinho onde Roza guardava os produtos de limpeza. Ela pegou uma vassoura, uma lata pequena de lixo e um pano úmido. Andou até uma das janelas da estufa e pegou uma nova rosa brava. Juntou todas as coisas e subiu as escadas de cabeça erguida.

Chegou no último degrau e novamente deu dois toques na porta. Mas ao invés de receber um protesto, ela apenas viu a porta se abrir diante de si. Edward já estava de costas para ela, caminhando de volta para sua cama, se jogando na mesma. Ela não deixou de ouvir o gemido de dor que ele deu ao tocar o calcanhar na cama, o que a fez tremer. Isabella não disse nada, assim como ele. Ela varreu toda a sujeira do quarto e colocou tudo na lata de lixo, esta que fez um barulho enorme ao entrar em contato com a prata das louças quebradas, o único barulho que houve no quarto.

O silêncio era quase ensurdecedor. Isabella terminou de varrer e passou o pano úmido pelo chão do quarto, limpando os restos de comida e jogando os mesmos na lata. Assim que ela terminou, fitou Edward em sua cama. Ele parecia tão indefeso.

Seu braço estava pousado em seu rosto, quase como um sinal de proteção, ou ele realmente não queria vê-la. Ela o observou mais um pouco e andou lentamente até ele, parando em frente á sua escrivaninha, ao lado de sua cama. Ela pagou a rosa e a colocou delicadamente em sua mesinha, sorrindo de canto e dando as costas para ele.

Edward a olhou por sua visão periférica, e antes que ela pudesse ir, ele se sentou na cama e segurou seu braço por debaixo de sua luva grossa, fazendo-a olhar para ele. Primeiro ela se assustou com a atitude, mas depois sorriu minimamente, o que aqueceu um pouco o coração gelado de Edward.

– Obrigado. – Ele disse quase num sussurro. Na verdade ele gostaria de dizer ‘Eu sinto muito’ mas as palavras engasgaram em sua garganta, ele nunca foi um homem de desculpas. Para ele, uma simples palavra não apagava uma monstruosa atitude. Isabella sorriu mais abertamente e apertou a mão dele sobre a luva, o encarando docemente. Ele se viu perdido em seu perfeito rosto, e nesse momento ele quase achou que seus medos poderiam sumir se ele olhasse esse sorriso todos os dias. Tal pensamento o fez sentir culpado, quase como se ele traísse Tanya. Ele soltou a mão de Isabella e seu sorriso murchou um pouco, mas ainda estava ali.

– Obrigada. – Foi a vez dela de dizer. Ela se sentia grata por ele finalmente mostrar algum sentimento, afinal. Ela sabia que ele se sentia culpado, queria dizer a ele que tudo bem ele ter gritado, que ela o desculpava, mas nenhuma dessas palavras saiu de sua boca tampouco. Um obrigado era o bastante, e eles se entenderam dessa forma. Isabella pegou a lata de lixo, a vassoura e o pano e saiu do quarto com um sorriso nos lábios. E então ela percebeu que por debaixo do muro que ele construiu entre si e todos ao seu redor, existia um homem doce e gentil, mascarado por toda a dor que ele sentira. Ele era como uma cebola, Isabella pensou, rindo no mesmo momento de sua analogia ridícula. Mas sim, ele é uma cebola. E como uma cebola, devemos tirar toda sua casca para atingir seu interior, e assim seria com Edward. Ela arrancaria todas as cascas de sua dor, como uma cebola, então finalmente alcançaria seu coração.

Notas finais
rosa brava¹: É um arbusto de rosa selvagem muito comum na rússia! aqui tem uma imagem pra vocês ;) http://4.bp.blogspot.com/-fk3KqkLZOQM/UfzWg5i7LUI/AAAAAAAAFyg/ac8Jy6NFs5E/s1600/SDC11012.JPG COMENTEM MUIIITO AMORECOS! beijos no core ♥