Dark Love

7 Maybe we found love right where we are


Notas iniciais
Olá amoreees, como estão??? como foi a virada do ano?? eu sinto MUITO por ter sumido, de verdade. Esse fim de ano foi muita loucura, a minha vida mudou drasticamente e eu tive que administrar tudo isso. agora janeiro esta ai e eu PROMETO que toda semana vai ter capítulo novo. Vocês ainda estão ai? Ja me abandonaram?? Espero que não ;) Um beijo ENORME e um lindo ano pra vocês! Se comentarem muito eu venho postar antes de sexta feira!! beijo grande s2

URSS, Leningrado, 2 de junho de 1946

Um mês se passara.


Um mês e dois dias, para ser mais exata. Um mês conturbado, diga-se de passagem. Isabella seguia cuidando do ferimento do Sr. Cullen e ele seguia o mesmo homem calado e reservado de sempre. Hoje fazem 33 dias que Isabella esta naquela mansão e nenhuma mudança significativa viera de Edward nesse meio tempo. Sim, ela sabia que este era um curto período, mas eles convivem todos os dias juntos, a maior parte do dia estão juntos, e nem sequer uma mínima amizade se desenvolvera. Isabella ainda arrancava os pequenos sorrisos de Edward, mas nada que ela pudesse sequer notar.
Hoje era o dia que Alice visitaria o irmão. Ela sempre vinha vê-lo no dia 2 de todos os meses, alguma data especial para eles ou algo do tipo.
Isabella já havia cuidado do calcanhar de Edward e estava preparando a bandeja com o almoço dele quando a campainha tocou. Um fino som em meio ao silêncio que se fazia na cozinha. Hoje era sábado, o dia que Roza e Ivanov tiram folga. Era apenas ela e Edward naquela casa enorme.
Isabella largou o que estava fazendo, limpou suas mãos em um pano de prato e seguiu até a porta de entrada. Ao abri-la quase ofegou com a aparência da mulher a sua frente. Alice Scherbítsky Cullen não era nada como as mulheres de Leningrado. Sua pele é de um branco quase perolado, seus cabelos negros e suas orbes cor de mel eram hipnotizantes. Ela é pequena e usa um vestido preto justo acima dos joelhos, um sobretudo também negro cobrindo seu corpo magro e pequeno. Isabella não pode deixar de notar as inúmeras tatuagens que ela tinha, estas que cobriam toda sua perna. Em seu colo e pescoço haviam algumas também, e Isabella imaginou como seria o resto do corpo de Alice Cullen. Como uma revista de entretenimento, ela imaginou. Alice tinha um batom vermelho vibrante cobrindo seus lábios e seus olhos carregados de maquiagem negra. Ela nem se importou em sorrir para Isabella, entrando na mansão e deixando seu sobretudo no cabideiro, exibindo seus braços tatuados. Alice pegou uma grande mala preta que trazia e se virou para Isabella, a olhando com um tanto de desdém.
– Dobryy den'. YA prishel k bratu , YA prishel k bratu , ya podnimus’. – Ela disse em um perfeito russo que veio ver o irmão e iria subir, sem rodeios. Isabella apenas assentiu e Alice subiu as escadas com passos pesados. Isabella ouviu a porta do Sr. Cullen bater e o silêncio voltou a reinar na mansão.
O jeito frívolo seria de família? Ela pensou. Lembrava de Alice Cullen como alguém doce e gentil, como Carlisle por exemplo. Isabella se recordava de quando era pequena e brincava com Alice, certamente a mesma não se lembrava dela. Logo que Alice completou 8 anos seus pais se mudaram de Kiev, algo relacionado com o compromisso de Carlisle com o exército, e Isabella nunca mais viu os membros na família Cullen, a não ser por Carlisle que estava sempre por perto de seu pai. Isabella suspirou com a lembrança do pai, os dois na varanda da casa em Kiev, sentados em um banco de madeira frio, apenas observando a neve do inverno da Russia cair e se juntar ao imenso tapete branco que cobria todo o asfalto. Seu peito apertou com a lembrança, e ela logo voltou para a cozinha, terminando o almoço de Edward.
No andar de cima, Alice brigava com o irmão. Algo rotineiro nas visitas que ela fazia. Alice Cullen era a renegada da família, por assim dizer. Ela era toda tatuada e tinha todo esses estilo rebelde. Nunca aceitou a vida militar do pai e o jeito que ele obrigara o irmão a seguir o mesmo caminho, o que o deixou na miséria que esta agora. O que o deixou acabado.
– Edward, pelo amor de Deus se levante dessa cadeira, mas que porra! – Ela gritou no quarto, não alto o bastante para Isabella escutá-la, mas alto o bastante para incomodar os ouvidos de Edward.
– Sem palavrões, Alice. E não grite. – Ele disse cauteloso, calmo demais para Alice, ela esperava uma porra de uma emoção dele, mas nada vinha.
– Sempre que eu venho te ver é a mesma merda, essa escuridão do caralho e esse monte de pano em cima de você, parece uma merda de um monge ou sei lá, por Deus. – Ela sentou em frente ao irmão, afastando o manto preto de suas mãos e as segurando, estas cheias de cicatrizes e marcas. Ele tentou puxá-las para escondê-las novamente mas ela segurou com mais força, o fazendo ceder.

– Chega dessa vida, irmão. Já não basta ter vivido um ano de sofrimento? Você não merece isso, Edward. – Ela disse baixinho, quase que com medo de tocar no assunto. Doía nela ver onde o irmão chegara, o fundo do poço no qual ele se encontrava. E Alice só conseguia culpar o pai por isso, por tê-lo feito militar e por tê-lo levado até a guerra. Edward abaixou a cabeça até a altura da de Alice e encostou a testa na da irmã. O pano de seu rosto caído em seu pescoço, deixou exposto a face desfigurada que ele queria esquecer.
– Eu mereço isso, Alice. Eu as matei, foi minha culpa. – Edward disse mais baixo ainda, as lágrimas tão familiares caindo por seu rosto marcado de cicatrizes que nunca seriam capazes de cobrir a vergonha que ele sentia de si mesmo. Alice limpou a face do irmão com as mãos e segurou seu rosto. Ela era a única que podia tocá-lo, que ele não tinha tanta vergonha assim.
– Você não merece, Edward. Nunca foi sua culpa, por Deus você não as matou. Aqueles covardes filhos de uma puta que fizeram isso, não se culpe mais assim irmão, você não merece esse sofrimento. Tanya não gostaria de te ver assim, Edward. – Ele abaixou a cabeça ao lembrar da mulher, as lágrimas rolando por seu rosto e pelos de Alice, que sofria com a dor do irmão. – A sua filha, você acha que ela gostaria de ter ver assim irmão? Por favor Edward, nós podemos ir embora de Leningrado, esquecer disso tudo. Venha comigo para Paris, nós podemos morar juntos e.. – Edward a cortou.
– Chega Alice. Chega desse assunto, por favor. E eu não irei embora com você, já te disse isso inúmeras vezes, aceite. – Ele disse finalizando o assunto, limpando os resquícios de lágrimas em seu rosto. – Podemos começar? – Ele perguntou a irmã. E antes que ela respondesse, Isabella bateu duas vezes na porta. Alice sorriu cheia de segundas intenções ao ver como Edward ficara tenso.
– Quer que eu peça ajuda a ela? Ela pode segurar sua mão enquanto eu faço meu trabalho. – Ela levantou as sobrancelhas para Edward, recebendo uma carranca dele, rindo do irmão em seguida.
– Cala essa maldita boca, Alice. – Edward se cobriu novamente em seu manto preto e se ajeitou em sua cadeira habitual. – Entre. – Ele disse alto o bastante para Isabella ouvir.
Enquando ela entrava, Alice se levantou e abriu as janelas, deixando o quarto claro, finalmente. Isabella ao entrar deu de cara com as orbes verdes de Edward, o que a deixou deslumbrada e triste novamente. Ela percebeu que ele havia chorado, e no momento só desejava dizer a ele que tudo ficaria bem.
– Com licença. – Isabella disse encabulada, suas bochechas corando como sempre. – Trouxe seu almoço, senhor. – Ela colocou a bandeja em cima da mesa de centro. Edward agora não era tão birrento em relação as refeições, o que era um grande passo. – Trouxe um pouco mais de comida pois não sabia se a senhorita já havia comido algo. – Isabella sorriu timidamente para Alice, que a analisou com mais calma. Ela encarou Isabella e então sorriu.
– Como é mesmo seu nome? – Alice perguntou, se aproximando.
– Isabella Swan. – Ela respondeu tímida. No mesmo momento Alice deu um gritinho e se aproximou de Isabella, a abraçando como se ela fosse sua pessoa favorita no mundo. Edward invejou a irmã.
– Meu Deus, Isa. Eu sinto muito por ser rude, eu sou assim com as pessoas que eu não conheço. Cacete como eu não a reconheci, puta que pariu você esta muito linda! – Isabella gargalhou dos palavrões de Alice, o que fez Edward sorrir por de baixo do pano. Alice se afastou dela. – Eu lembro de quando brincávamos juntas quando pequenas, foi horrível ter que ir embora e perder a única amiga que eu tinha. – Ela disse com um biquinho. – Eu nem acredito que estou te vendo de novo! E aqui nesta casa, cuidando do meu irmão, não é engraçado?! Você lembra como era super protetor conosco, Edward? Você ensinou a Bella e a mim á fazer as pedrinhas quicarem no lago. – Alice sorriu abertamente. Edward voltou no tempo e lembrou da criança de olhos verdes e cabelos escuros que sempre freqüentava sua casa, ele não podia acreditar que era Isabella. Ela tampouco estava menos surpresa, realmente não lembrava de Edward tanto assim, por ele ser mais velho que elas sempre estava com Carlisle praticando tiro ou caçando algo.
– Verdade! – Isabella sorriu. – Até hoje sei atirar pedrinhas no lago. – Ela disse tímida, olhando para Edward, então viu o canto dos seus olhos se enrugarem, como se ele estivesse sorrindo, e ele estava.
– Eu fui um ótimo professor, então. – Ele disse triunfante. O que fez Isabella e Alice rirem.
– Convencido. – Alice rebateu. – Que bom te ver Bella, de verdade! Quero conversar com você quando terminar por aqui, pode ser?
– Claro, senhorita. Eu estarei esperando. – Isabella disse cordial.
– Senhorita não pelo amor de Deus! Para a minha velha amiga é apenas Alice. – Ela sorriu, o que fez Isabella sorrir também.
– Tudo bem, Alice. – Ela enfatizou o nome da amiga, sorrindo em seguida. – Agora com licença, tenho coisas para fazer na cozinha. É bom te ver de novo Alice, achei que não se lembraria de mim.
– Como não? Você foi minha melhor amiga quando éramos pequenas, minha única companhia. – Alice sorriu de canto para Bella, segurando suas mãos na dela. – Mas depois colocamos o papo em dia, também terei muito trabalho com esse enorme teimoso aqui. – Ela olhou para Edward que revirava os olhos, ambas riram.
– Sim, claro. – Isabella sorriu. – Com licença Sr. Cullen. Até já Alice. – Então ela saiu do quarto.
Alice se virou para o irmão e tinha um sorriso travesso nos lábios. Ela trancou a porta do quarto e andou até Edward, o sorriso ainda presente.
– Você gosta dela. – Ela acusou, o que fez Edward bufar por baixo do pano preto que cobria seu rosto, fazendo Alice rir. – Você realmente gosta dela! Se não já teria me contradito, ah! – Ela soltou um gritinho, indo até o irmão e o abraçando pelos ombros. – Você gosta dela! – Ela cantarolou e riu novamente, o que fez Edward sorrir de canto.
– Cala a boca, Alice. – Edward disse birrento.
– Você nem negou! – Ela disse animada. – Mamãe precisa saber disso!
– Alice, por favor. – Ele disse firme.
– Você gosta dela! – Ela cantarolou mais alto.
– Eu não gosto de Isabella! – Edward gritou, o que fez Alice se assustar e se calar no momento seguinte. Ele sabia que esta era uma terrível mentira, e que ninguém deveria gostar de Isabella e apreciá-la como ele fazia, mas isso nunca seria admitido, não por um homem orgulhoso e ferido como ele.
Do outro lado da porta Isabella ouvia a conversa dos dois. Na verdade, a única coisa que ela pode ouvir nitidamente foram os gritos de Edward dizendo que não gostava dela. Instintivamente, lágrimas grossas escorreram pelo seu rosto pálido. Ela não entendia o porque dele não gostar-lhe. Ela cuida dele, o respeita, aceita seus limites. As vezes ela era um tanto quanto petulante, mas nada que ele não pudesse lidar.
Vale a pena? – Ela se perguntou. Isabella largou tudo – o pouco que tinha – para vir morar na mansão e cuidar de Edward. É menos solitário do que sua casa em Kiev, isso ela não podia negar, mas ao mesmo tempo ela não tinha a paz que sempre teve. Ela gostava de Edward e até gostava de cuidar dele, mas ao mesmo tempo era cansativo sempre ter que insistir para ele ceder, sempre tentar animar o ânimo que se mantinha negro, era cansativo entrar na escuridão daquele quarto sempre esperando uma melhora que nunca vinha. Em contrapartida ela queria que ele melhorasse e queria vê-lo bem.
A tarde se arrastou. Alice se manteve trancada com Edward no quarto a tarde toda e Isabella se manteve atarefada com os serviços de Roza. Perto das 20 horas Alice saiu do quarto do irmão. Bella já tinha feito seus trabalhos domésticos e estava terminando o jantar, quando Alice entrou na cozinha com cara de poucos amigos. Algo tinha acontecido, ela sabia.
‘Ela e Edward devem ter brigado’ – Ela pensou. ‘Aquele grosso’. E bufou consigo mesma, encarando a amiga no batente da porta da cozinha.
– Já se cansou dele? – Alice perguntou, entrando na cozinha e se sentando em uma cadeira, apoiando seus braços na mesa de mármore. Isabella sentou na cadeira a sua frente. – Todo mundo se cansa. Sabia que eu sou a única que venho visitá-lo? Ele só tem a mim agora. – Ela disse triste. Isabella não sabia o que responder para a amiga. Estava cansada dele e de suas grosserias? Claro que sim, quem não ficaria? Ela pensava em desistir e isso era um fato, mas uma parte dela não a deixava fazê-lo.
– Bella. – Alice disse em um tom de súplica, segurando as mãos da amiga por cima da mesa. – Não desista do meu irmão. Eu sei que é difícil e que ele não é a melhor pessoa do mundo, mas eu já posso ver como ele mudou com você, como esta mais flexível. Ele sorriu! Você sabe o que isso significa?
Isabella encarou Alice mais uma vez. Ela queria ajudá-lo, mas a cada dia ele tornava isso mais difícil. Ela via que ele estava mudando, mas nada por esforço próprio, e sim por comodidade. Uma hora ou outra ele teria que aceitá-la como cuidadora, então por que demorar mais? Isabella o via como alguém que não havia mudado seu jeito negro de ver o mundo, mas como alguém que estava apreciando o certo conforto que ela proporcionava.
– É o meu trabalho, Alice. Não posso abandonar assim. – Ela disse fria.
– Eu não acredito que isso seja apenas um trabalho pra você, esta na sua cara. Você gosta dele. – Ela sorriu de canto. Isabella bufou e o sorriso de Alice aumentou. ‘Tão iguais’ ela pensou.
– Alice, por favor. Eu estou aqui como fisioterapeuta, não como o prêmio de consolação de ninguém. Não me leve a mal, mas eu não estou aqui para virar a nova namorada do seu irmão, e eu te garanto que ele tampouco pensa em mim dessa forma.
– Tudo bem Bella. – Ela finalizou o assunto. – Eu tenho que ir agora, meu motorista já esta me esperando. Podemos nos comunicar por cartas, o que acha?
– Pode ser. – Isabella sorriu.
– Eu te mando uma de Paris então, estou morando por lá. – Ela sorriu animada e ambas se levantaram da mesa. Alice foi até Isabella e a abraçou. – Pense no que eu te falei, ok? – E dizendo isso, ela saiu da cozinha e foi embora.
Isabella terminou o jantar de Edward e arrumou tudo em uma bandeja. Ela estava tão furiosa com ele que poderia jogar a comida em sua cara. E ela ainda teria que dar-lhe banho, como se não bastasse.
Ela subiu as escadas e deu dois toques na porta, esta se abrindo segundos depois.
Bella entrou e depositou a comida em cima da mesa.
– Seu jantar. – Ela disse friamente, virando de costas para Edward e se preparando para sair do quarto, quando ele a chamou.
– Isabella? – ouvir seu nome sair dos lábios dele a trouxe arrepios. Não arrepios de pavor, mas de ansiedade.
– Sim? – Ela se virou em seus calcanhares e o encarou, a luz da lua entrando pela janela aberta e iluminando o quarto, assim como o rosto de Edward, ou melhor, seus olhos.
– Eu sinto muito não ter te reconhecido antes, eu... – Ela o cortou.
– Éramos crianças, esta tudo bem. – Ela se manteve fria. Ele não havia dito que não gostava dela? Ela agiria como se não gostasse dele também.
– Sim, claro. – Ele disse desapontado. Edward queria começar uma conversa com ela, talvez uma amizade, mas justo hoje, ela estava dificultando.
– Agora se me dá licença, tenho tarefas a fazer. – Isabella se virou de novo para sair do quarto e Edward fechou os olhos com força, tentando conter a vontade de chamá-la de volta, falhando miseravelmente.
– Isabella? – O nome dela saiu rouco e baixo de seus lábios, o que a arrepiou novamente. Bella respirou fundo e se virou para ele de novo. – Pode chegar mais perto? – Ele perguntou sem pensar. Edward sabia que ia se arrepender pra caralho, mas no momento ele apenas se permitiu fazer o que ele sentia que devia. – Sente-se. — O banco que Isabella sempre sentava para cuidar de seu calcanhar estava em frente a sua cadeira, então ela sentou no mesmo.
Ele se ajeitou na poltrona, um pouco desengonçado por conta de seu pé machucado, por fim, se inclinou em direção a ela, o que a fez ofegar com a proximidade. O silêncio se fez mortal e Edward buscava a coragem que ele achava que não tinha em seu âmago. Bella, irritada e nervosa com a mudez dele, resolveu dizer algo.
– Por que não gosta de mim? – Edward se assustou com a quebra do silêncio e com a voz cortada de Isabella, quase triste, como se falar do assunto a magoasse. – De verdade, eu acredito que seja uma das pouquíssimas pessoas que ainda se importa com você aqui. É até ridículo você dizer que não gosta de mim, Edward.
Edward.
Ouvir seu nome sair da boca dela o fez feliz novamente. De certo ela o tinha ouvido falar com Alice. Ele não podia dizer que gostava dela sem insinuar que gostava demais dela para o seu próprio bem, então, ao invés de dizer-lhe qualquer coisa, ele apenas tirou as luvas de suas mãos machucadas e lentamente, desenrolou o manto que cobria seu rosto desfigurado, o deixando caído sobre seu pescoço. Um claro gesto de que ele confiava nela o bastante pra se expor.
Isabella ficou atônita, completamente paralisada com a atitude dele. Ela nunca imaginou que ele podia ser tão receptivo dessa forma, como ele podia mostrar que confiava nela e até gostava dela, mesmo que ele não admitisse nunca. Ela se sentiu como no dia em que vira sua tatuagem pela primeira vez, e como na primeira vez, não conseguiu manter suas mãos consigo, tocando o rosto de Edward com o maior cuidado de toda sua vida.
Ela observou as mesmas cicatrizes e o mesmo rosto que a assustara logo quando ela chegou á mansão. E agora ela pode olhar além do rosto marcado pela guerra, além dos machucados e das cicatrizes. Ela viu o homem ferido e frágil que se escondia atrás de um manto, tentando assim diminuir a vergonha que sentia de si mesmo.
Com o dedo indicador ela seguiu o caminho da cicatriz que ia de sua testa até o meio de sua bochecha, atravessando seu olho esquerdo. Edward fechou os olhos e sentiu o dedo quente de Isabella aquecer sua alma. Ela percorreu toda a cicatriz calmamente e delicadamente, chegando ao fim da mesma, passando o dedo pelo seu nariz e indo ao encontro de sua segunda cicatriz profunda, que ia de suas olheiras até seu lábio superior. Ela passou o indicador com a mesma delicadeza, chegando até o fim da cicatriz no lábio superior de Edward. Ao invés de parar a inspeção, ela continuou, delineando a boca dele, o que o manteve de olhos fechados. Seus lábios instintivamente se abriram, assim como seus olhos. Os terminar o caminho em seu lábio inferior, ambos já estavam tão próximos, que não mais do que 10 centímetros os separavam.

Novamente Edward se sentiu especial, ele se sentiu como no dia em que ela tocara sua tatuagem, de um jeito tão sereno e doce. Por instinto ele se aproximou dela, que se manteve imóvel, esperando o próximo passo. Edward se aproximou até que seus narizes quase se tocaram, ele levou uma das mãos aos cabelos soltos dela, seus movimentos ainda meio incertos e receosos, então ele acariciou-lhe os cabelos e o perfume dela o atingiu como um tiro em meio da batalha, de repente e tão brutalmente quanto. Ele enroscou seus dedos grossos e ásperos em seus cabelos sedosos, a segurando pela nuca. Isabella sentia que seu coração sairia pela boca. Era tudo tão novo, para ambos. Não só essa aproximação repentina, mas tudo o que eles sentiam nesse momento. Alice estava certa no fim das contas? Era o que eles queriam descobrir.

Notas finais
COMENTEM MUITOOOOOOOOOOO, beijaao