Dark Love
12 Is it killing you like it's killing me?
Notas iniciais
URSS, Leningrado, 17 de junho de 1946 – 9:32 pm – Mansão de Edward Cullen Scherbítsky
Assim que Bella saiu de seu quarto, Edward foi atrás dela, o que lhe deu tempo para pegá-la assim que ela caísse.
Seu pé doeu ao segurá-la, quase indo ao chão com a mesma, mas toda sua força foi usada quando ele segurou o corpo mole dela e sentou em uma cadeira. Roza já estava em cima deles, com um pano molhado no álcool, colocando-o no nariz de Isabella, afim de trazê-la de volta. Edward já estava em pânico, branco como um papel e sentindo o nervosismo correr por todo seu corpo, imaginando o que ela teria ouvido no telefone para desmaiar daquela maneira.
Edward levantou com Bella no colo e a levou até o sofá na sala mais próxima, a deitando ali sob os cuidados de Roza. Ele andou o mais rápido que pode até o telefone e o pegou com as mãos trêmulas, o levando até a orelha.
— Alô? Alguém? — Ele rapidamente identificou a voz de seu antigo melhor amigo, Jasper. Ele quase desmaiou também ao ouvir a voz do amigo. Eles tinham se afastado pouco tempo depois de Edward ficar recluso em seu quarto, e quatro meses depois de voltarem da guerra, eles perderam o contato e Edward nunca mais teve coragem de lhe procurar, por mais que a saudade do amigo o destruísse.
— Jasper? — Edward perguntou com a voz trêmula, pronto para chorar a qualquer momento.
— Edward? — Ele disse atônito do outro lado da linha. — Meu amigo! — Ele disse animado, não acreditando ser a voz do amigo do outro lado da linha. — Eu senti tanto sua falta, camarada. Como esta? — Jasper perguntou com a voz animada, sorridente ele quase podia dizer pelo tom de sua voz.
— Eu estava sem coragem de lhe ligar. — Edward falou sombrio, deixando a ligação muda por minutos, até que ele começou a gargalhar. — Jasper? Porra! — Edward riu mais alto. — Eu não acredito que é você, porra! — Edward sorriu abertamente, completamente atônito com a situação. Seu amigo estava ai, afinal. E só ele sabia como sentia falta de seu amigo.
Jasper gargalhava do outro lado da linha.
— E ai cara, como vão as coisas? — O amigo perguntou descontraidamente. Apesar de Edward querer realmente por o papo em dia e conversar com Jasper, o intrigava porque ele ligara para Isabella e o que ele havia falado que a tinha feito desmaiar.
— Tudo certo, Jasper. O que disse a Bella? Ela desmaiou ao telefone. — Edward falou imponente.
— Bella, uh? — Jasper riu. — Alice me falou sobre vocês, eu apoio tudo, você sabe, já esta mais que na hora de ter uma boa foda...
— Jasper. — Edward o repreendeu e o amigo riu.
— Ok, ok. Desculpe. — Ele fez uma pausa. — Eu estive investigando, e bem, descobri algo sobre a vida de Isabella, e liguei para lhe informar. Alice me deu o número.
— O que descobriu? — Edward perguntou curioso. Ele sempre quis saber sobre o passado de Bella, mas nunca haviam chego nesse ponto. Jasper do outro lado da linha estava aflito. Ele não podia dizer a Edward que estava investigando Carlisle, pois ele iria querer saber tudo sobre tal coisa, e haviam podres de Carlisle Cullen que Jasper preferia esquecer do amigo por enquanto.
— Eu não posso lhe falar, Edward. Isso é pessoal de Isabella, ela deve lhe contar. Apenas a avise que passarei em sua casa na próxima semana, para conversarmos. Assim eu e você podemos colocar nossa conversa em dia. — Ele suspirou. — Tchau, amigo. — E desligou. Jasper encarou o telefone aliviado, leve por não ter que contar nada a Edward. E apesar de querer conversar com o amigo, ainda era muito cedo.
Na mansão Edward encarava o telefone atônito. Jasper estava fugindo do assunto, ele sabia disso. Do contrário, não desligaria o telefone tão afoito. Ele colocou o telefone no gancho e logo em seguida ouviu alguém tossindo na sala, então foi até a mesma.
Isabella ainda estava deitada no sofá, sua face mais corada. Ele se aproximou dela e de Roza, se sentando ao lado de Bella no sofá.
— Como esta, leelan? Eu fiquei preocupado. — Ele afagou as costas dela em um gesto de carinho e preocupação.
— Me sinto melhor. Obrigada, senhor Cullen. — Bella tirou a mão dele delicadamente, mantendo a barreira patrão-empregada que ele havia reconstruído na discussão deles á pouco. Roza sentiu a tensão entre eles e beijou a testa de Bella, saindo do aposento em seguida.
Bella finalmente caiu em si e entendeu o que ouvira no telefone. Seus irmãos, vivos! Então ela conseguiu chorar de alivio. Sua cabeça caiu em suas mãos, seus cotovelos apoiados em suas pernas e os soluços saindo desenfreados por sua garganta. Ela só chorara desesperadamente assim uma vez — quando descobriu que seus pais haviam sido brutalmente assassinados. E agora, a felicidade e o alívio de saber que seus irmãos estavam vivos aquecia o coração dela, a deixando desesperada ao mesmo tempo.
Edward, sem pensar muito se seria rejeitado por ela, passou um dos braços por seus ombros e a trouxe para perto, afagando seu cabelo e beijando-lhe a têmpora. Incapaz de realmente brigar com ele e ter um nova discussão, Bella se limitou a se aconchegar no imenso peito de seu estúpido russo e continuou a chorar como o bebê que ela era no momento.
Ele continuou a tentar acalmá-la com carícias, comovido pela aceitação e por vê-la chorando. Bella ficou ali, chorando e soluçando por minutos, pensando em todo o sofrimento que ela e seus pais passaram quando pensaram que seus irmãos haviam morrido, ao mesmo tempo, ela chorava de felicidade e gratidão. Ela finalmente teria uma família novamente, estava cansada de ser sozinha.
Depois de um longo choro, ela conseguiu parar. Edward ainda se mantinha possessivo abraçando-a, e ele ficaria ali com ela o tempo necessários, dias, semanas, até meses, se ela precisasse. Bella saiu do abraço dele e arrumou os cabelos, limpando os resquícios de lágrimas em seu rosto. Ela sentia seus olhos inchados, seu nariz cheio de muco e suas bochechas rosadas. E mesmo naquele estado, Edward ainda a achava linda e perfeita, completamente adorável á seus olhos. Ela fez um rabo de cavalo e arrumou as roupas, respirando fundo. Edward pegou uma das mechas que escapou e a colocou atrás da orelha dela, a fazendo olhar pra ele.
— Obrigada. — Ela sussurrou. Não só pela mecha colocada no lugar, mas por tê-la consolado quando ela mais precisava. — Senhor Cullen. — Ela acrescentou depois de um tempo. Era formalidades que ele queria? Formalidades ele teria.
Edward fechou a cara e respirou fundo, virando o corpo em direção á Bella, encarando-a.
— Pare com isso. — Ele disse tristemente.
— Você quem começou com isso, senhor. Sinto muito se não lhe agrada, mas uma funcionária deve tratar cordialmente seu patrão, não? — Ela perguntou irônica. Edward sabia que toda essa situação é culpa dele, por ele não ter sido corajoso o bastante para conversar com ela como um adulto. E apesar de querer dizer desesperadamente o que ela queria ouvir, ele era fraco demais.
— Já passamos dessa fase de funcionária-patrão, não? — Ele lhe respondeu com uma pergunta. Bella revirou os olhos e ele sorriu, indo para cima dela e a deitando no sofá, seu corpo sobre o dela a prendendo no mesmo. — Pare de ser tão marrenta, linda. — Ele sorriu para ela, que estava de cara fechada. Edward desceu para seu pescoço e lambeu o mesmo, beijando-o em seguida. Ele depositou vários beijos pelo pescoço dela, subindo para o queixo e passando por toda mandíbula, mordendo o lóbulo de sua orelha e depois beijando uma maçã de seu rosto, descendo para seus lábios e finalmente a beijando ali. Ao colocar uma mão em seu rosto, ele sentiu o lugar úmido então separou os lábios dos de Bella, a encarando. E para sua surpresa, ela tinha voltado a chorar.
— Eu devo ser muito desesperada para me contentar com as suas migalhas, não? — Ela sussurrou. O empurrando e levantando do sofá, subindo para seu quarto e se trancando no mesmo. Ela se sente uma imbecil por sempre voltar quando ele a chama, mesmo sendo maltratada como ela é. Ele fora tão insensível mais cedo, e em nenhum momento tentou dizer que ela estava errada, que ele a amava e que a queria por perto. Atitudes como essa que mostrariam como ele gosta dela, mas tudo o que ele conseguiu fazer foi ser indiferente. E na cabeça de Bella, mesmo ele se sentindo fraco, se ele a amasse, ele superaria isso e a pediria pra ficar, ele diria que a ama — mas nada disso foi feito.
Por volta das 10:30 pm, Bella ainda continuava trancada no quarto, chorando. Edward também estava trancado em seu quarto, matutando sobre como conseguiria fazê-la desculpa-lo.
Roza terminou de preparar o jantar de Edward e subiu para levar á seu quarto. Ela bateu na porta e já foi entrando pelo quarto. Entre ela e Edward sempre foi assim, simples, e ele nunca se opunha a ela. Pelo menos depois de Isabella chegar a mansão voltou a ser desta forma.
A escuridão havia tomado o quarto novamente. E foi ai que Roza entendeu: com Bella, ele se permitia conviver com a luz, pois ela era a luz da vida dele, de certa forma. Mas sem ela, ele voltava para o escuro. Nem mesmo o abajur habitual estava aceso.
— Querido? — Ela chamou carinhosamente. — Trouxe seu jantar. — Ela depositou a bandeja de prata na mesa mais próxima, depois de sua visão se acostumar com o escuro.
— Não seria Isabella quem deveria fazer isso? — Ele perguntou em um fio de voz, se sentindo rude com a própria pergunta.
— Ela não esta disposta. — Roza simplesmente disse. Então o abajur acendeu e Edward sentou em sua cama, apoiando o rosto nas mãos.
— O que eu faço? — Ele perguntou em agonia. Roza sorriu de canto e foi até ele, sentando ao seu lado.
— Se lembra quando você era um menino e um passarinho caiu no quintal da sua casa, com a asa machucada? — Ele deitou no colo dela, então Roza começou a acariciar-lhe os cabelos. — Você ficou tão assustado. Pegou o pequeno em suas mãos e trouxe para dentro de casa, procurando algo para ajudar o bichinho. Eu fiquei observando você. Eu vi você correndo pela casa procurando bandagens, remédios e tudo que fosse útil. Você leu vários livros sobre animais, até entender como cuidar da asa do animal, e então, depois de horas, você realmente soube o que fazer. Mas quando foi cuidar do pássaro, ele já havia morrido. Você se lembra, querido? Você se deitou em meu colo, como esta agora, e chorou por quase uma noite toda. — Ela sorriu triste, se lembrando do garotinho em seu colo. Edward gostaria de chorar agora, mas até ele ja estava cansado de chorar.
— Eu lembro. — Ele simplesmente disse.
— E o que aprendeu naquele dia? — Ela indagou.
Ele pensou um instante. Na verdade nunca havia parado para pensar sobre o assunto. Logicamente ele se sentiu péssimo, infeliz por não poder ter feito nada pelo passarinho. Mas que lição tirar disso tudo? Ele havia deixado o bichinho morrer, mais uma vida perdida por suas mãos.
— Que eu sou péssimo com animais? — Ele perguntou sem graça, porém Roza riu minimamente.
— Você é bom com animais, querido. — Ela sorriu. — O que eu gostaria que entendesse é que você passou um dia todo tentando achar uma solução em livros, ao invés de simplesmente seguir seus instintos e dar carinho ao bichinho. Você ficou tão desesperado, querendo fazer tudo certo, sem errar nada. — Ela sorriu de novo, o encarando. — Não há protocolos quando se ama algo ou alguém, filho. Você simplesmente deve seguir seus instintos e coração, sim? Não posso lhe dizer o que fazer, você deve descobrir sozinho, apenas seguindo o que o seu coração lhe diz. — Ela acariciou-lhe o rosto. — Abra seu coração para ela, querido. É só isso que a pequena quer, a sua alma, entender-te. Ela só quer que você abra seu coração.
Edward a encarou, pensando no assunto. Doeria tanto contar a Bella sobre tudo? Se abrir com ela? Ele sabia que não. Mas tal feito ainda estava muito acima do que o que ele podia fazer. Não estava? Ele já não sabia de nada mais.
A noite se fez mais escura e o silêncio reinou na mansão.
Isabella, sem sono algum, se dirigiu até a biblioteca e ali ficou, sentada em uma poltrona, encarando as enormes estantes cheias de livros de diversos títulos. Algumas lágrimas ainda rolavam por seu rosto, e ela não conseguiu deixar de pensar como poderia ser a pessoa que nos fez chorar a única possível de tirar nossa dor. Edward a magoara, mas só ele conseguiria fazê-la sentir bem. E isso era malditamente irônico.
No andar de cima Edward encarava o teto de sua cama, incapaz de dormir. Depois de um bom tempo ele se levantou de sua cama, indo em direção á parede que dividia o quarto dele do de Bella. Ele abriu a passagem de um quarto para o outro, esperando vê-la dormir ali, serena e angelical, como ele via todas as noites — mas ela não estava ali. Então, ele se contentou em ficar olhando a cama vazia, o que combinava perfeitamente com o vazio que ele sentia em seu peito.
URSS, Leningrado, 1 de julho de 1946 – 8:34 am – Mansão de Edward Cullen Scherbítsky
A campainha ecoou na mansão.
Há alguns dias Bella havia recebido uma carta de Jasper, nela, ele dizia que os planos dele de irem visitá-la no dia 24 de junho tinham sido falhos, portanto, ele estaria indo no começo do mês seguinte.
O dia finalmente tinha chego, e ela mal podia esperar para ter notícias concretas de seus irmãos.
Isabella correu até a porta, imensamente esperançosa e ansiosa por conhecer Jasper e saber de seus irmãos. Seu coração parecia que sairia por sua boca, batendo quase fora de seu peito.
Roza e Ivanov observaram a menina correr animada, ambos felizes por ela e tão esperançosos quanto. Edward olhava a neve branca cair por sua janela e cobrir as flores da primavera. Ele e Bella não se falavam a dias, e ele se perguntava se isso a estava matando como matava á ele.
No andar de baixo, Isabella abria a porta com um enorme sorriso no rosto. E ao olhar pela mesma, ela não só viu um homem desconhecido que devia ser Jasper, como também viu Alice, sorrindo de volta para ela. E depois de lançar um sorriso para os dois e olhar mais adiante, foi que ela percebeu que seus irmãos estavam ali.
Então ela deu um grito tão alto e animado, que toda a mansão de Leningrado tremeu.
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