Dark Love
13 To hell and back
Notas iniciais
URSS, Kiev, 5 de abril de 1940 – 5:43 a.m. – Casa dos Swan
– Emmett, o que houve? — Renée perguntou afoita, olhando para o filho, que segurava uma carta na mão.
– Mentiu pra mim. — Ele disse frio. Seus olhos queimando de ressentimento e dor, seu peito se apertando e o choro entalado em sua garganta. — Mentiu pra nós.
– Filho, querido, o que esta falando? — Renée se aproximou dele, segurando seu rosto. Emmett a pegou pelos pulsos e tirou a mão de seu rosto, as lágrimas escorrendo pelo mesmo.
– Nós somos judeus, eu e Benjamin.
– O que esta falando? — Renée perguntou temerosa, ela já sabia que ele havia descoberto tudo.
– Por que nunca disse quem era nossa mãe, hum? — Ele perguntou agressivo, gritando. Bella desceu rapidamente de seu quarto e foi até a sala. Renée e Emmett choravam.
– Eu sinto muito, me perdoe. — Renée chorava descontrolada. Bella foi até ela, lhe afagando as costas.
– O que esta havendo? — Ela perguntou preocupada.
– A minha mãe é judia, Bella. Nós somos malditos judeus! — Ele limpou o rosto. — Você sabe o que é isso? — Ele mostrou a carta pra ela, que negou com a cabeça. — É uma carta da minha família, dizendo que minha mãe foi pega pelos alemães, esta no campo de concentração. — Ele respirou fundo, encarando Renée. — Você disse que minha família havia morrido!
– O que? — Bella disse atônita, sem realmente entender tudo o que se passava a sua volta. Era muita informação para absorver.
– Filho, por favor — Renée voltou a falar mas Emmett a cortou.
– Não me chame de filho! Você mentiu pra mim, Renée. Me enganou! — Ele gritou, se aproximando delas. Bella se pois na frente da mãe por instinto.
– Eu só queria proteger vocês dois, por favor! — Ela limpou o rosto. — Quando a guerra começou, eu já era amiga da sua mãe e ela temia pelo o que viria pela frente, temia por você e Benjamin, tão pequeno!
– Por que não me disse a verdade? Que ela estava viva? Eu deixei minha mãe sozinha pra ser pega pelos tubarões. Porra! — Ele agarrava os cabelos com fúria, andando de um lado pro outro. Bella encarava a cena sem saber o que dizer e Renée chorava.
– Sua mãe que me pediu que não lhe contasse, ela nunca havia lhe contado afinal. Nós achamos melhor continuar assim, sem você saber, ainda mais com a guerra...
– Eu vou embora. — Ele disse simplesmente. Os olhos de Renée se alarmaram e a boca de Bella se abriu em um 'O' perfeito.
– O que? — Renée conseguiu perguntar.
– E Benjamin vai comigo. — Ele completou.
– Emmett ele é só uma criança, pelo amor de Deus! — Bella gritou com o irmão, indo na direção dele. — Não faça nenhuma besteira, Emm. Vocês estão seguros aqui, por favor! — Ela começou a chorar também, encarando o irmão. Emmett tinha seus quinze anos mas já era glorificado com sua beleza e força. Ele encarou os olhos verdes da irmã que tanto amava, com o coração doendo por ir embora.
– Eu já tomei a minha decisão. Eu vou atrás da minha mãe, Bella. Não posso deixar ela sozinha!
– E você vai se entregar pra morte, é isso? Pelo amor de Deus, seja racional! — Ela gritou com o irmão.
– Se fosse o papai ou a mamãe, você ficaria aqui? — Ele perguntou com um nó na garganta. — Se fosse eu, ou o Benji, você ficaria aqui como uma covarde? — Ele perguntou, olhando nos olhos dela, que não respondeu.
Antes de alguém falar qualquer coisa, Benjamin desceu as escadas com dificuldade. Ele só tinha 3 anos de idade. Renée o havia pego recém nascido, e a história que fora contada para Emmett era que sua mãe havia morrido no parto.
O coração de Renée se partiu em dois quando viu o seu menino. Ela correu até ele e o pegou no colo, o ninando. Emmett se aproximou deles.
– Solte ele. — Ele disse rude.
– Filho, por favor...
– Não tem direito sobre nós, Renée. Estamos indo embora.
Antes de Renée falar algo, a porta da casa deles foi arrombada em um baque. Oito soldados alemães entraram pela mesma, com armas nas mãos. Bella gritou, correndo rapidamente para perto da mãe e dos irmãos. Renée olhou assustada para os filhos, se colocando na frente deles. Benjamin começou a chorar e Bella o ninou, tremendo. Um dos soldados de aproximou deles.
– Recebemos uma denúncia de que judeus estão sendo mantidos nessa casa. — Ele disse firme, encarando Isabella e seus irmãos.
– Deve haver um engano, senhor. Estes são meus filhos, nós somos italianos.
O soldado olhou bem para todos, que estavam petrificados de tão assustados.
– Bom, eu creio que alguém se equivocou então. Desculpe, madame.
– Senhor? — Um soldado gritou aos fundos. — Veja esta carta. — Ele estava com a carta de Emmett nas mãos. O peito de Bella se apertou e nessa hora que ela soube que tudo estaria perdido. Emmett e Renée trocaram um olhar extremamente significativo, e enquanto Emmett sussurrava que sentia muito e que amava a mãe, os soldados já estavam em cima dele e de Benjamin.
Então tudo passou como um borrão. Isabella não conseguiu se mexer por segundos, apenas olhando sua mãe desesperada e seus irmãos sendo levados. Assim que ela voltou em si, correu para cima dos soldados que seguravam seus irmãos. Sua mãe gritava, implorando que os deixassem, mas os homens só riam com escárnio.
– Pelo amor de Deus, os deixe! Benjamin é só uma criança, por favor! — Bella se agarrou em um dos soldados, que lhe deu um soco, a jogando no chão. Ele se colocou por cima dela, rindo.
– Docinho, acho que você precisa de um pau no meio das pernas. O que acham rapazes? — Ele perguntou rindo, sendo acompanhado pelos soldados. Renée parou de gritar e encarou a cena, preocupada em dizer algo que piorasse tudo. O fogo subiu pelo corpo de Emmett, e ele começou a se debater nos braços dos 3 soldados.
– Solte-a agora seu animal! Agora! — Ele gritava com o soldado, que riu mais ainda.
– Vocês três, tirem ele daqui, e você, leve essa criança imunda la pra fora. — Os soldados saíram e 4 restaram dentro da casa. Um deles se aproximou de Renée, cheirando-lhe o pescoço.
– Você até que não é de se jogar fora, hm? — Ele riu, a segurando pela cintura. Renée queria gritar, mas ela sabia que seria bem pior. Ela olhou para Bella e a filha entendeu que não deveria lutar contra, a não ser que quisesse morrer. E Isabella nunca quis nada com tanta força como queria a morte.
Os quatro soldados riram uns com os outros e dois deles foram para cima de Renée, os outros dois indo para cima de Bella. As duas choraram em silêncio, enquanto eram violentadas e socadas pelos quatro homens da sala. Depois que todos eles já tinham feito o que queriam com cada uma, as deixaram ali, sangrando e sem roupas, chutando-as como cachorros e deixando a casa.
Isabella mal conseguia se mexer. A dor e a vergonha que sentia era tanta que ela nem tinha forças pra chorar, as lágrimas apenas escorriam pelo seu rosto. Renée estava desmaiada perto dela, rezando para que morresse e nunca tivesse que lidar com tais lembranças.
Horas se passaram até que Charlie voltou do trabalho. O homem quase morreu ao ver sua mulher e filha naquele estado, e nesse dia, ele jurou que mataria quem havia feito aquilo.
URSS, Kiev, 13 de setembro de 1940 – 9:43 p.m. – Casa dos Swan
Charlie já havia descoberto tudo, e nada nem ninguém iria impedi-lo.
Ele arrumou uma mala com roupas para ele e Renée, comunicando a esposa sua decisão. Ela, cansada da guerra e devastada com sua vida, aceitou a proposta do marido, sabendo que ele não poderia enfrentar aquele homem sozinho.
Bella acordou com o barulho dos pais carregando as armas que mantinham em casa. Ela se colocou em frente á porta e observou os dois, as lágrimas já escorrendo pelo seu rosto.
– Vocês vão embora. — Ela disse com a voz trêmula.
– Bella, filha. — Charlie se aproximou dela. — Nós sabemos quem fez isso com seus irmãos, nós precisamos por um ponto nisso e trazê-los de volta.
– O que? Como sabem? Quem foi? — Ela perguntou afoita.
– Você é muito nova para isso querida. — Ele acariciou seus cabelos. Charlie carregou uma pistola e entregou á filha. — Se algo entrar em casa, atire. Nós voltaremos pela manhã.
– Pai, espera! Aonde vocês estão indo? — Ela perguntou com a voz rouca pelo choro. Charlie e Renée a abraçaram.
– Te amamos muito, Isabella. — Renée disse chorosa.
– Eu te amo filha. Eu vou encontrar esses merdas que fizeram isso com a nossa família e vou matar todos, um por um. Eu juro a você. — Ele prometeu á Bella, beijando-lhe a testa. — Não se esqueça, se algo entrar ou se mover, atire. — E dizendo isso, Renée e Charlie saíram pela porta, indo atrás do homem que fora o responsável pela ruína de sua família.
Bella se sentou no assoalho frio da sala, de frente para a porta. Ela não pregou o olho a noite toda, a arma em suas mãos, apontada para a porta. A manhã veio e nada de seus pais. Então a tarde, e a noite, e nenhuma notícia. Ela não se moveu dali, ficando 3 dias sem comer ou beber nada, tirando pequenos cochilos no chão da sala, sempre segurando a arma e esperando que seus pais voltassem.
No quarto dia, uma carta passou por debaixo da porta. Isabella, fraca demais, se arrastou até a mesma, a abrindo com dificuldade.
Nela dizia que seus pais haviam sido assassinados, os corpos deles encontrados em um rio. Ela largou a carta, simplesmente sem reação alguma. Encarou a arma em sua mão e a colocou na boca. Uma única lágrim caindo por seus rosto. Quando ela estava prestes a apertar o gatilho, a porta se abriu de supetão e Esme Cullen entrou afoita pela mesma, indo até o encontro de Bella e a segurando em seus braços, tirando o revolver delicadamente de sua boca, o descarregando e jogando longe.
Isabella não chorou nem disse nada, apenas se deixou consolar por Esme. E a dor que ela sentia no momento nunca pode se comparar a nada que já havia sentido antes.
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