Dark Love
11 I'm screaming I love you so, but my thoughts you can't decode
Notas iniciais
URSS, Leningrado, 17 de junho de 1946 – 8:32 pm – Mansão de Edward Cullen Scherbítsky
Uma semana se passou.
Ivanov voltaria para casa em algumas horas. Ele finalmente tinha se recuperado da cirurgia e voltaria com Roza. Os dias no hospital foram tão cansativos e dolorosos para ela quanto para ele, o que, de alguma forma, ajudou a uni-los mais ainda como amigos, como confidentes, e como marido e mulher, principalmente.
Roza e Ivanov se casaram antes de serem contratados por Esme. Roza acabou ficando grávida na mesma época que Esme engravidou, mas infelizmente, ela perdeu o bebê. E com Edward recém nascido, ela pelo menos podia depositar todo seu amor de mãe em alguém. Essa foi a história que Esme havia contado á Bella, enquanto Ivanov estava no hospital, ela e Esme conversaram muito por telefone e vinham sendo boas amigas.
A relação de Bella e Edward ainda oscilava algumas vezes. Ele teve algumas recaídas e eles brigaram algumas vezes, e apesar de todo o tempo que eles passavam juntos, Edward ainda não tinha pedido ela em namoro, o que a deixava um pouco insegura, mas ela o entendia.
O relógio marcava 14:35 quando a campainha tocou. Isabella correu até a porta, o sorriso imenso tomando todo seu rosto ao abri-la. Ela se deparou com Ivanov e Roza abraçados na frente da mansão, e seu sorriso só se aumentou. Ela os abraçou fortemente, sem medir os cuidados com Ivanov. Ele e Roza riram, então ela se soltou deles.
– Desculpe, eu estava morrendo de saudades. — Ela riu, pegando a mala de Roza nas mãos. — Entrem, entrem. Eu fiz um almoço super gostoso, vocês devem estar morrendo de fome, comida de hospital é horrível né, mas eu fiz uma comida super gostosa mesmo. — Bella falava sem parar, tagarelando animadamente por ter os dois de voltas na mansão. Ivanov só sorria para Roza, feliz por ver Isabella os tratando com tanta doçura e animação. A imagem de Edward descendo as escadas, preocupado com ele não saia de sua cabeça, e ele só queria abraçá-lo. Como ele ama aquele garoto!
Como se Edward pudesse ler pensamentos, antes que eles chegassem a cozinha, ele estava parado no meio da escada, encarando Ivanov, Roza e Bella com os olhos marejados. Ele desceu os degraus com um pouco de dificuldade, entretanto ele tinha que admitir que a fisioterapia e os cuidados de Isabella o estavam ajudando muito. Bella o encarou descer as escadas, sorrindo pra ele. Ivanov e Roza o esperavam com os olhos cheios de lágrimas. A tempos que eles não viam o menino que tanto amam descer daquele quarto, e esse estava sendo um dia especial em tantas formas.
– Ivanov... — Edward disse com um nó na garganta, chegando ao pé da escada. Só o pensamento de perder seu melhor amigo, o homem que fora seu pai quando Carlisle sempre se pois ausente, seu confidente, o que sempre ouvira suas dores e lamúrias sem reclamar, tudo isso o deixava com um nó no estômago. E vendo Ivanov ali, bem e saudável, fez Edward chorar de felicidade. Ele cambaleou até o amigo e o abraçou tão profundamente, como não fazia á muito tempo.
Ivanov o abraçou de volta, chorando como sempre quis chorar. Ele sempre vira Edward em sua pior miséria, por um ano completo, e ele nunca se permitiu chorar pelo menino. Eles se abraçaram por um longo tempo, mas nenhum dos dois falou nada, aquele abraço já significava tudo e dizia tudo.
Roza e Isabella choravam olhando a cena. Os homens se separaram do abraço e Ivanov deu tapinhas no ombro de Edward, beijando sua testa em seguida, como um pai faria. Então Edward se viu triste novamente, ele queria tão que Carlisle fosse um pai presente e cuidadoso como Ivanov, e doía nele não poder ter isso, mas ao mesmo tempo era bom ter Roza e Ivanov ali, pois eles eram como seus pais.
Isabella e Roza limparam as lágrimas, sorrindo uma para a outra, encarando os homens em seguida.
– Vamos comer? Eu sei que você ama kulebjaka¹ e pelmeni², então eu preparei tudo. — Bella disse sorridente, orgulhosa por seu desempenho na cozinha. Ivanov sorriu.
– Você é um anjo, srta. E eu estava com saudades de sua comida. — Ele sorriu e Roza o encarou, se fingindo de ofendida.Bella riu.
– Já arrumei a mesa na cozinha para comermos. — Ela olhou pra Edward. — Eu já levo o seu almoço lá pra cima, Sr. Cullen. — Ela o tratou formalmente. Roza e Ivanov ainda não sabiam sobre os dois, e Bella não queria contar nada sem ter algo concreto com ele, e a ideia de um relacionamento sério não parecia passar pela cabeça de Edward.
– Não será preciso. — Edward falou. — Vamos todos almoçar na sala de jantar, sim? — Ele sugeriu, animado. Os olhos de Roza brilharam e ela sorriu imensamente.
– Oh querido. — Roza o abraçou. — Estou tão orgulhosa e feliz por você! — Poderia ser algo banal, mas ir almoçar na sala de jantar, para um homem que viveu um ano trancado, era um grande passo, e todos ali sabiam reconhecer isso. Isabella sorriu orgulhosa pra ele, que lhe sorriu de volta. Ivanov percebeu a atmosfera romântica dos dois e apenas sorriu consigo mesmo.
Roza e Bella saíram para arrumar a mesa de jantar, enquanto Ivanov acompanhava Edward em seu passo mais lento até a mesma.
– Como esta, filho? — Ele chamou Edward, carinhosamente.
– Bem até demais. — Ele sorriu. — Eu mudei tanto Ivanov, e isso tudo é tão assustador pra mim, mas de um jeito bom.
– A garota lhe faz bem, não é? Eu vi como olha pra ela, eu lhe conheço, garoto. E Roza me contou que você andou perguntando sobre Isabella... — Ivanov sorriu, o encarando. Edward ficou um tanto encabulado e sorriu de canto.
– Ela é maravilhosa. — Ele suspirou. — E eu sei que a minha melhora é por causa dela, porque ela cuida de mim e é insistente, — ele riu — ela não tem vergonha de mandar em mim ou me dar bronca, ela esta sempre ali, todo tempo... eu nunca tive uma companheira como ela, Ivanov. — Ele olhou nos olhos do amigo. — E isso me assusta também. — Ele falou mais baixo. — Eu já perdi Tanya, minha filha, a minha família e os meus amigos, eu tenho medo de perdê-la também. — Ele disse com os olhos marejados. — Quando brigamos eu fico apavorado, com medo de que a qualquer momento ela possa sair por aquela porta e não voltar mais, e eu estou me segurando a ela como um cachorrinho ao seu dono, eu preciso dela. Muito. — Ele suspirou. Ivanov segurou em seu ombro e sorriu.
– Isso é bom, garoto. Mas você não pode colocar toda a responsabilidade em Isabella, entende? Não é o papel dela mudar você, é o seu papel. É indiscutível que ela lhe faz bem, mas mude por você, por que você quer se sentir bem, e todo o resto vai se ajeitar depois disso. E se quer que Isabella fique, lhe dê motivos para isso. Seja forte, como eu sei que você é, e volte a ser o Edward de cinco anos atrás, o Edward antes de todo esse horror da guerra e do exército. Eu acredito em você, assim como Roza, Alice, Jasper e Bella acreditam. — Ouvir o nome de Jasper embrulhou o estômago de Edward novamente. Seu melhor amigo não vinha vê-lo a meses, e tudo por culpa dele. — Confie em si mesmo, filho. Vai dar tudo certo. — Ivanov sorriu e Edward sorriu de volta, comovido com a compaixão do homem, e feliz por ter alguém para conversar.
Falar sobre Jasper o fez pensar. Ele devia ligar para o amigo? Dizer que sente muito e que sente saudades? Ele não iria conseguir, pensou.
Deixou Jasper de lado e se concentrou em andar até a sala de jantar.
[...]
Edward não se sentou na ponta da mesa. Ao invés de se impor como o dono da casa, ele simplesmente se sentou á frente de Isabella e ao lado de Ivanov. Roza estava a frente de Ivanov e a comida entre eles. Edward se lembrou da época que toda sua família vinha comer em sua casa, sua mulher e filha á mesa, e tudo isso foi tão dolorido pra ele. Mas o momento agora era outro, era o começo de uma nova vida.
Os quatro começaram a conversar e a comer. Edward e Bella trocaram olhares por todo o jantar, ele acariciando a perna dela com a sua boa por baixo da mesa, o que deixava Bella nervosa. Ivanov e Roza trocavam risinhos de cumplicidade, sabendo exatamente o que acontecia em baixo da mesa e o que acontecia entre Edward e Bella.
O jantar acabou e Isabella trouxe a sobremesa preferida de Ivanov: Rijik³. Eles terminaram de comer e Bella começou a tirar a mesa, sendo ajudada por todos, inclusive Edward. Ele finalmente concordara em aderir á bengala, o que facilitava imensamente sua locomoção, apesar de ele achar que parecia um velho debilitado.
Roza e Ivanov lavaram a louça e Bella ajudou Edward a subir as escadas. Eles subiram quietos, Edward apoiado levemente no ombro dela e ela o segurando na cintura. Eles chegaram ao topo da escada e Bella entrou no quarto com ele, este que já tinha mais luz do que o habitual. Bella reconhecia que a claridade ainda o incomodava, mas mesmo assim ele deixava as janelas abertas para agradá-la. Ela o ajudou a chegar até a cama, deixando a bengala pelo quarto no processo. Assim que Edward sentou na cama, antes que Bella pudesse ir, ele a puxou para seu colo, a fazendo sentar em suas pernas. Ela riu rapidamente, então e ela segurou firmemente pelos cabelos e a beijou desesperadamente. As pernas de Bella ficaram bambas e ela agradeceu mentalmente por estar sentada. O beijo era urgente e forte, um dos mais gostosos que Bella já tivera, e tal pensamento a deixou ansiosa pelo 'mais'. Ele apertou-lhe a cintura e se afastou dela relutante, mordendo e puxando seu lábio inferior. Ela tremeu e ele sorriu, olhando seus lábios vermelhos inchados e seus olhos brilhando.
– Eu queria fazer isso a manhã toda. — Ele sorriu de canto. Eu já havia mencionado que ele não usava mais o manto preto em seu rosto? Pois é! Edward não deixou de usar roupas pretas que cobriam todo o seu corpo, mas o rosto ele deixava a mostra. Essa exposição era estranha pra ele, mas estranha de um jeito maravilhoso, e ver Bella sorrir ao olhá-lo era mais do que ele podia pedir. Ela suspirou e sorriu, acariciando os cabelos dele.
– Eu também. — Ela sorriu tímida. — Fiquei tão aliviada quando vi os dois entrarem na mansão hoje mais cedo. E você me deixou orgulhosa hoje. — Ela sorriu pra ele.
– Estou tentando, linda. Mas é complicado pra mim... — Ele disse com pesar. Ela se ajeitou em seu colo e se envergonhou por estar pensando em coisas demais tendo a bunda dela ali.
– Eu sei. — Ela o encarou. — Mas cada pequena coisa que você faz é um grande passo, e é muito importante. Estou orgulhosa, realmente. — Ela sorriu novamente.
– Eu te disse que sou bom em tudo. — Ele a segurou pela cintura, sussurrando em seu ouvido, girando Bella em seu colo, de modo que ele ficou no meio de suas pernas. — Mas sabe algo que eu sou muito bom? — Ele sussurrou no ouvido dela, segurando firmemente sua cintura e agarrando seus cabelos, passando a língua por sua mandíbula e descendo até o pescoço dela, beijando o mesmo.
Bella estava impossibilitada de falar. Ela queria responder-lhe que 'oh não, não sei no que você é muito bom, mas deve ser maravilhoso na cama, me mostre por favor' mas nenhuma dessas palavras saíram por sua boca, e ela se agradeceu mentalmente por isso. Ela só conseguia suspirar e gemer baixo, extasiada com o contato excessivo e a proximidade dos corpos deles. Edward a segurou pela bunda e trouxe o corpo dela para mais perto do dele, de forma que a ereção dele roçou no meio de suas pernas, a fazendo perder o chão e gemer em seu colo. Ele estava explodindo, mas nada renderia ali hoje, não dessa forma. Mas eles podiam brincar, não?
– Desabotoe seu vestido pra mim. — Ele ordenou com a voz áspera e rouca, a deixando mais excitada. — Agora. — Ele disse rude, provocando espasmos por todo o corpo dela. Bella levou os dedos trêmulos até os botões frontais do vestido, o desabotoando. Ela sentiu o pênis dele ficar ainda mais duro quando ele percebeu que ela não usava nada por baixo. Seus seios rosados e duros pela excitação imploravam por ele, por seu toque, sua boca.
– Tire. — Ele ordenou novamente e ela o fez, tirando as mangas do vestido e o deixando cair sobre o seu colo. Era tudo tão erótico que Bella estava derretendo. A voz áspera dele em seu ouvindo, mandando e ela obedecendo. Ela segurou fortemente no pano caído sobre seu colo, esperando.
– Se toque. — Ele sussurrou no ouvido dela e ela ruborizou. — Deixa-me vê-la.
– N-não. — Ela disse trêmula. Os dentes dele roçando seu pescoço no momento seguinte, a deixando mais excitada. Suas mãos enormes seguraram firmemente o quadril dela, a puxando ao encontro de sua gloriosa ereção. Ela não podia se entregar a ele hoje, ela sabia. Se ela o fizesse, não teria mais volta. Ela estaria perdida, e não iria mais conseguir esconder a paixão e o desejo que tinha por ele, seria sua ruína.
– Faça. — Sua voz se tornou mais sombria, dura. — Ou eu o farei. E se eu fizer, não vou conseguir parar mais até eu estar tão fundo dentro de você que nunca mais você ficara longe de mim. — Ela gemeu, completamente entregue á ele. — Agora. — a voz grossa a forçou a agir. Ela levou suas mãos trêmulas até seus seios e seu polegar e indicador apertaram seu seio com uma sensualidade que ela não sabia que tinha, e ela nunca esteve tão viva.
– Porra, Bella.
Ela rodou a carne dura dos mesmos, e gemeu mais alto quando o quadril dele forçou contra o dela, a deixando mais molhada, seu pênis duro prensado contra seu clitóris, a fazendo tremer a apertar mais os próprios seios, buscando por alívio.
– Seus seios estão avermelhados. — Ele sussurrou no ouvido dela. — Exatamente como se tivessem em minha boca, minha língua, meus dentes.
Bella se empurrou contra ele ao pensamento de seus dentes roçando seu mamilo excitado. Deus, como ela queria isso, ela queria tanto que estava queimando, morrendo por isso.
Os quadris dela roçavam em sua ereção instintivamente, a fricção enlouquecendo ambos e a fazendo gemer mais forte. Ele a segurou pelos quadris novamente, a puxando para baixo e simulando uma estocada.
– Eu vou tomá-la, Bella. Vou me enterrar tão fundo em você, de uma vez só, até você perder todos os seus sentidos e não pensar em nada além de mim dentro de você. Forte, grosso e duro. — Ele sussurrou no ouvido dela, lhe mordendo a orelha em seguida. A fricção de seus corpos e os dedos em seu mamilo e estavam deixando tão perto do orgasmo, e ela precisava tanto disso, ela queria. Ela soltou uma lamúria. Bella sabia que iria gritar quando ele se enterrasse nela, com prazer. Ela gritaria mas depois imploraria por mais, por tê-lo grandioso e gloriosamente duro dentro dela. Ela se sentia uma pervertida suja, mas era tudo tão excitante que ela nunca pensou que pudesse ser desta forma.
– Beije-me, leelan. Me aqueça como só você sabe. — Ela nunca o deixaria no frio. Nenhum home jamais lhe pedira para lhe tirar do frio, lugar este onde ela sempre achou que estava, sozinha no frio. Mas nada do que acontecia ali era gelado, muito menos precisava ser aquecido, a medida que Bella já podia sentir a própria febre em todo seu corpo. Ela se inclinou sobre ele e o beijou, seus seios nus sobre sua camisa preta, que ela desesperadamente quis tirar. Só havia calor e prazer, a sensação das mãos dele a acariciando e a aquecendo, construindo um incêndio ainda maior dentro dela, acalmando-a. Mas ela sabia que ele nunca poderia pertencer a ela inteiramente, até sua alma. E apesar de saber que sua alma estava presa a de Tanya, ela sabia que ele a queria, então ela se rendeu.
Suas mãos subiram de seus ombros até o cabelo dele. Áspero, grosso, quente. Ela enfiou os dedos nos fios bagunçados e o puxou para mais perto, enquanto ele a beijava lentamente, possessivamente.
A língua dele lambeu a dela, uma lambida suficiente para fazê-la imaginar o que a língua dele faria em outras partes do seu corpo. Ele estava sendo mandão, possessivo, mas sobre os lábios dela ela era doce e gentil. Ele prendeu-lhe a língua e a chupou, fazendo Bella estremecer. Ela acariciou o couro cabeludo dele, o beijando e mordendo seus lábios, reclamando a parte da alma dele que ela precisava, a parte que ela já tinha dela. Esse era o motivo pelo qual ela lutava tanto contra o que sentia. Edward sempre estaria preso a Tanya, e pelo o que ela sabia, o amor dele por ela nunca poderia ser superado, ele nunca seria inteiro dela. Tanya sempre estaria ali, e Bella sempre teria que tentar fazê-lo esquecer, ela teria que ser uma espécie de prêmio de consolação no qual ele tinha que se contentar, o qual ele lamentaria a vida toda por não ser Tanya.
E então ela se entristeceu, parando lentamente o beijo dos dois, impossibilitada de continuar, pelo menos emocionalmente, pois seu corpo ainda queria mais dele, tudo dele.
Mal Bella sabia que ele já estava rendido. A dias que Tanya não passava por sua cabeça, e ele nunca sentira a necessidade de alguém como sentira de Bella, e isso não era nada comparado a Tanya, era muito maior. Ela se apoiou nos ombros dele, o encarando, sem se preocupar em estar semi nua em seu colo. Então ela procurou algo em seu rosto, qualquer coisa que a fizesse ter certeza que ele estava tão envolvido quando ela, tão apaixonado quanto ela. E por seus pensamentos recentes, ela não pode ver nada. Não por que não estava estampado na cara dele em letras garrafais, mais por que Bella não queria ver. Se ela visse, estaria perdida. E ninguém mais do que ela sabia como era amar alguém, e como doía. Ele continuou olhando-a nos olhos á medida que colocava seu vestido no lugar. Ele não parou de olhá-la nenhum momento, o que fez Bella querer chorar.
Ela sabia que ele estava envolvido, mas uma boa parte dela não podia acreditar. Como um homem que passara mais de um ano na miséria por uma mulher poderia esquecê-la tão facilmente? Mas o fato é que ele não esquecera Tanya, mas não da forma que Isabella pensava. A única coisa que ele ainda lamentava era ela ter morrido por sua causa, por ele ter perdido sua filha. Mas nada disso tinha a ver com ele morrer de amores por Tanya e se martirizar por não poder ter mais momentos com ela. Pois apesar de tudo, ele sabia que o casamento deles, se durasse, nunca seria completo, pois depois de tanto tempo sozinho, apenas se limitando a pensar, ele percebeu que o amor que tinha por ela era muito mais de compaixão do que qualquer outra coisa. Claro, ela mexera muito com ele, ela fora uma mulher e esposa maravilhosa, e ele a amava, mas ela já se fora, e Edward estava cansado de viver no passado.
Bella o encarou enquanto ele abotoava seu vestido, ainda olhando-a nos olhos. Ao mesmo tempo que ela achava impressionante ele abotoar seu vestido sem olhar, ela achava linda a forma que ele a olhava no momento, com calor, adoração, amor. Ele terminou e suas mãos acariciaram ambos os braços dela, descendo e parando em suas coxas. Ela segurou ele pelos ombros mais firmemente.
– Isso foi intenso. — Ele falou divertido, depois de um longo tempo de silêncio, apenas com um olhando para o outro. Bella não pode deixar de sorrir pra ele.
– Foi. — Ela corou, então ele riu alto e a beijou rapidamente, a abraçando pela cintura.
– Nunca foi assim pra mim. — Ele suspirou. — Tão bom e tão certo. — Ele sorriu de canto. Era só isso que ela precisava, mas ele ainda não havia dito com todas as letras que a amava, e isso a incomodava um pouco, pois ela estava pronta para dizer.
– Pra mim também não. — Ela sorriu encabulada.
– Hm, quer dizer que já teve um parceiro? — Ele levantou uma das sobrancelhas, e ela nunca pensou que ele poderia ficar tão sexy dessa forma.
– Eu tinha uma vida antes de me mudar pra cá, Edward. — Ela revirou os olhos. — Mulheres também fazem sexo, você sabia disso? — Ela indagou, irônica. Ele riu e encarou novamente.
– Por que eu não gostei nada de saber disso? — Ele questionou, realmente pensativo.
– Por que você é um babaca possessivo, e ciumento é claro. — Ela bufou e ele sorriu mais abertamente.
– Quantos adjetivos em uma frase, estou comovido amor. — Ele pareceu não perceber que a chamara de amor, o que não passou despercebido por ela, que resolveu não comentar sobre. Ao invés de falar qualquer coisa, ela riu do bico dele.
– Homens, se acham tão fortes mas são estupidamente sensíveis e dependentes de nós. — Ela deu de ombros, sorrindo convencida.
– Acha que eu não vivo sem você? — Ele perguntou debochado, como se realmente ela não fizesse diferença, mas ela sabia que sim. Nada disso a abalou.
– Acho. — Ela disse convencida. — E digo mais, você ficaria desesperado se eu fosse embora, e seria tão simples pra mim, sair por aquela porta e voltar para Kiev, mas você morreria. — Ela disse, convicta de que tudo aquilo era verdade, e mal sabia ela que era. O que antes era uma brincadeira, se tornou algo sério pra ele, o fazendo pensar se ela realmente poderia ir embora sem olhar pra trás.
– Sim. — Ela se surpreendeu. — Eu realmente morreria se você fosse embora, não teria mais motivos para voltar a ser quem eu era, e eu muito menos gostaria. Do que iria adiantar eu ser alguém melhor se eu não poderia compartilhar isso com você? — Ele falou sério, a encarando. — Você não pensa em ir embora, pensa? Eu não sei o que eu faria se você fosse, eu ridiculamente preciso de você. E não sei do que eu seria capaz se você ameaçasse sair por aquela porta e não voltar mais. — Ele disse ainda sério, realmente querendo dizer o que ele dizia, ela tinha que saber. Ele não poderia mais viver sem ela.
– Diga que vai ficar, para sempre. — Ele implorou, aproximando mais o rosto do dela. Bella se sentiu acuada e nervosa por um momento. — Prometa-me. — Ela podia lhe prometer? E se um dia ele a rejeitasse mais do que ela pudesse suportar, ela não iria embora? E se um dia ela realmente se cansasse de ser a única opção que sobrou pra ele e quisesse ir embora, ela quebraria tal promessa? Ela não podia prometer.
– Prometer é algo muito sério, Edward. E da mesma forma que não gosto que quebrem promessas que fazem á mim, não gosto de desonrar as que faço. — Ela sussurrou, com medo do que ele podia achar disso tudo.
– Então não á quebre. Prometa e fique. — Ele sussurrou mais ainda. — Fique, leelan.
– Você sabe que nada funciona assim, Edward. E se um dia você acordar de manhã e perceber que não é isso que você quer? — Ela indagou, assustada com a possibilidade.
– Eu nunca faria isso com você. — Ele disse firme.
– Eu não sei. — Ela se levantou do colo dele. — Você oscila todos os dias, e por mais que eu tente entender, isso é complicado pra mim. — Ela andava de um lado para o outro, nervosa. Ele também se levantou da cama, levantando a voz.
– Difícil pra você? Você calcula o quanto isso é imensamente mais difícil pra mim, Bella? Esquecer todo o meu passado fodido e ficar com você, simplesmente? As coisas não mudam de um dia para o outro, achei que soubesse disso. E eu estou me esforçando, você não vê? Tudo que eu mudei, tudo o que eu faço, todos os dias eu tento com mais força, e tudo é por sua causa, não pode reconhecer isso? Minhas mudanças de humor são complicadas pra você? Deixe-me te dizer o que é complicado, eu ser um fodido emocionalmente e fisicamente, eu sofrer todos os dias com a dúvida de se isto esta tão sério pra você quanto pra mim, eu ter que acordar todas as manhãs com o peso de todos que eu matei na guerra nas minhas costas e eu ter que tentar todos os dias entender a merda que você faz comigo, isso é fodidamente complicado! E eu sinto muito se você não pode suportar isso, eu nunca pedi nada disso á você. — Ele suspirou, sua respiração acelerada por estar falando tão alto. As lágrimas rolavam pelo rosto de Bella, mas ela sabia que esta conversa já tinha sido adiada o bastante.
– Nunca me pediu nada? A todo tempo você me pede pra ficar, para te aquecer, para não ir embora, isso é demais para mim, sabia? Eu não sou sua mãe e você não é minha responsabilidade, Edward. Você não é mais um criança, que depende dos outros para fazer qualquer coisa. Eu vim sabendo todos os seus problemas, e eu resolvi ficar por causa deles. Me desculpe se eu não pude controlar a merda do meu coração a se apaixonar por um fodido como você. E oh, me desculpe se essa merda é demais pra mim, pois realmente é. Você não sabe o que é viver na sombra da sua ex-mulher, tentando superar o que você sente por ela a todo tempo, tentando suprir a necessidade que você sente dela, a falta. Tentando me bastar pra você. E eu mais do que ninguém reconheço que você esta mudando, e sempre te parabenizo por isso, e não sou uma imbecil, eu sempre soube que você não mudaria de um dia para o outro, seria muito falso da sua parte. Mas assim como você diz nunca ter me pedido nada, eu nunca pedi a nada a você. Muito menos implorei por isto e por ter algo além de uma amizade. Você pediu isso, você me procurou. É tão errado assim eu querer algo mais concreto? A medida que você quem pediu por isso, eu me sinto no direito de esperar algo de você, não? E sinceramente, eu pareço mais com o que você teve que se contentar com o que você realmente escolheu. — Ela disse chorosa, finalmente lhe dizendo o que ela pensava. Uma parte dela sabia que ela estava redondamente errada, mas a outra precisava ouvir dele.
– O que quer que eu diga? Que eu esqueci a Tanya, que esqueci meu passado? Eu sinto muito Bella, mas não posso lhe dizer isso. Eu nunca vou esquecer Tanya pois ela fez parte da minha vida, ela me deu uma filha e eu as deixei morrer. Nós ficamos anos juntos e eu sempre terei um carinho por ela, mas não confunda as coisas desta forma. Eu estou tentando me abrir com você, sempre que eu consigo eu lhe digo o quanto você é importante, por que não vê isso?
– Ela sempre vai estar aqui, Edward. Eu nunca vou te ter por inteiro, nunca. Você, por mais que não queira, sempre vai carregar essa culpa, e sempre vai pensar como teria sido se ela não tivesse morrido. Na vida que vocês poderiam ter, nos filhos, nos momentos de marido e mulher que lhe foram tirados, e eu sempre vou viver na sombra da Tanya. Sempre vou ser a que te consolou, mas nunca terei 100% de você, e nós dois sabemos disso. — Ela limpou as lágrimas de suas bochechas, ele balançou a cabeça, incrédulo.
– Você está louca, Srta. Swan. — Ele disse friamente, a chamando formalmente, o que a tomou como um tiro no meio do peito.
– Estou? Então por que você não é capaz de me contradizer? De me dizer com todas as letras por que estou errada? Sabe porque, Edward? Por que você é um fraco. — Ela disse com a voz trêmula, as lágrimas caindo por seu rosto a medida que ela se aproximava dele. — Por que você não consegue admitir que algo bom esteja acontecendo com você depois de tanto tempo, porque não consegue se abrir comigo e falar que esta apaixonado por mim. Porque isso pode soar convencido da minha parte, mas eu sei que você está, mas não admite pra si mesmo. E isso é cortante, Edward. — Ela engoliu o nó na garganta. — Eu não sou louca, eu sou sozinha. E eu sei, mais do que você, o que é a dor de perder pessoas que amamos, e nem por isso eu sou fria e indiferente ao ponto de te ver chorar na minha frente e não fazer nada, como você esta fazendo agora. E isso só prova o quanto eu estou certa, e o quanto isso não vai levar á lugar algum. — Ela respirou fundo, tentando dar tempo para ele falar algo, mas ele nada disse, o que a magoou ainda mais. — Eu não tenho mais nada a fazer aqui. A noite Roza trará seu jantar. Com licença, senhor Cullen. — Então ela saiu do quarto rapidamente, fechando a porta fortemente atrás de si. Ela não ia chorar, não era justo consigo mesma. Bella limpou o rosto e antes que pudesse entrar em seu quarto, Roza a chamou no pé da escada.
Ela limpou o rosto mais uma vez e então desceu escada a baixo, andando em direção á cozinha, se esforçando ao máximo para não deixar transparecer que ela chorara.
– Querida, telefone para você. — Roza disse docemente. — É um homem, ele não me disse o nome, só disse que queria falar-lhe. — Bella achou estranho mas agradeceu Roza, indo até o telefone. Ela colocou o telefone no ouvido, curiosa.
– Alô? — Ela disse incerta.
– Isabella Swan? Meu nome é Jasper Hale Dzerjínsky, sou do exército. Tenho um assunto muito delicado para falar com você.
– Que assunto delicado? Como me conhece? Não estou entendendo...
– Eu sou investigador, Srta. Swan. Sou amigo do Edward, nós servimos na guerra juntos. Alice me contou que estava cuidando dele e bem, como descobri algo que lhe diz respeito, estou contatando você.
– Algo que me diz respeito? Do que esta falando? — Ela perguntou agoniada, assustada com o assunto. Roza apareceu ao lado dela, assustada com sua voz alarmada.
– Dos seus irmãos. Eu sei o que aconteceu com Emmett e Benjamin, eles estão vivos.
– O que? — Seu coração parou e sua visão ficou turva. O telefone caiu de sua mão e Bella só pode sentir que estava indo de caminho ao chão, mas antes que ela entrasse em contato com o granito, as mãos de Edward a seguraram firmemente, então ela finalmente caiu na escuridão.
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