Dark Inside Of Us.
1 Capítulo 1 - Eu e minha boca Grande.
Notas iniciais
Acordei com um sobre salto, preocupado em saber em que lugar eu estava. Demorou apenas alguns segundos para que meus olhos se acostumassem ao ambiente, e então percebi que estava exatamente no meu quarto. Olhei pro relógio no movel ao lado de minha cama. Eram 08h20 a.m. Eu nem deveria estar surpreso, a mais de um mês eu venho acordando antes do meu despertador tocar, como se um instinto me avisa-se de que é hora de levantar. Aproveitando os poucos minutos que me restavam, sentei-me em minha cama pra poder refletir sobre o meu sonho.
Eu estava sonhando com ela. Era a terceira vez esta semana, mas eu não deveria me surpreender. O aniversário de morte dela era amanha, e os sonhos eram como algum tipo de lembrete. Um lembrete do dia em que minha mãe morreu. Dessa vez andávamos pela floresta, ela estava linda como sempre. Seus cabelos loiros estavam bem cortados na altura do queixo, lisos como sempre. Ela usava um vestido florido, na cor creme. que lhe descia que ia até a altura dos joelhos. Conversávamos sobre a vida, ela estava me dizendo pra levar os estudos a sério, do contrário seria cortado do time de basquete. Tentei argumentar com ela, mas ela estava coberta de razão. Dei-lhe um abraço, como eu sentia falta daquele abraço. Derrepente pude ver algumas sombras se movimentando atrás dela. Pareciam animais, não pude distinguiur o que eles eram. Tentei puxar minha mãe e fujir dali, mas ela apenas sorriu e disse pra mim: "Esta tudo bem meu filho. Logo tudo irá se esclarescer."
O despertador me trouxe de volta a realidade agora já eram oito e meia, e o ônibus da escola passava as nove. Levantei me rápidamente e já comecei a me trocar. Peguei meu jeans surrado, e o vesti. Fui até a cômoda para buscar uma camiseta, resolvi colocar uma branca. Por cima dela coloquei minha camisa de flanela vermelha. Quando terminei de me arrumar olhei para o porta retrato que ficava em cima da cômoda que estava com a foto da minah mãe. Suspirei. Ao lado dele estava a pulseira que ela sempre usava. Uma simples corrente de prata, com um pingente de lobo e outro de coração. Eu sempre a deixava junto co ma foto, era uma maneira de eu sentir minha mãe mais perto de mim quando eu dormia. Calcei meu tênis e peguei a mala. Desci a escadas em direção a cozinha.
Encontrei meu pai sentado na mesa, com seu jornal aberto e uma grande caneca de café bem a sua frente. Atrás dele, preparando algumas panquecas estava minha madrasta, Mary Ann. Ela era uma mulher simples, era dona da floricultura local, tinha um jeito meigo e pacífico de falar com todos. Ela e meu pai começaram a sair uns quatro anos depois da minha mãe ter morrido. No início fiquei meio preocupado. Como poderia passar pela cabeça do meu pai que alguma mulher poderia substiruir minha mãe? Mas com o tempo percebi que assim com otodos nós, ele também tinha o direito de ser feliz. Eles estavam casados a mais ou menos um ano, e era realmente bom ter de novo uma presença feminina em nossa casa.
- Bom dia pessoal.
- Bom Dia querido. — Disse Mary Ann, em um tom sereno, trazendo as panquecas para mesa. Ela ainda usava seus pijamas. Seus cabelos castanhos estavam um pouco bagunçados, mas mesmo assim faziam com que seus olhos verdes se realçassem.
- Bom Dia meu filho. — Disse meu pai por fim, sem desviar os olhos do jornal. — Grande dia na escola hoje?
- Os treinos de basquete recomeçam hoje, mas fora isso acho que será um dia bem normal. — Respondi, dando de ombros.
- Não deixe de se dedicar. Lembre-se que o basquete é a melhor chance que você tem de entrar na faculdade.
- Dan! Não trate ele assim. — Advertiu-lhe. Mary Ann sempre me defendia toda vez que meu pai me tratava de forma injusta, e considerando como vem sendo as coisas no último um ano, ela me defendia bastante.
- Tudo bem Mary, eu sei que não me esforcei muito na temporada passada. Por isso o técnico não me deixou jogar e me manteve no banco o tempo todo. Dessa vez vou jogar a temporada toda, vocês vão ver. — Deixei que meu pai tivesse a razão. Odiava vê-los brigando. Peguei algumas panquecas e coloquei-as em meu prato. Joguei um pouco de calda por cima e comecei a comer.
Por algum tempo meu pai e Mary conversaram sobre os fatos cotidianos que acontecem em nossa pequena cidade, Great Falls. Quando terminei de comer eles estavam falando de finanças, e logo chegou nos negócios da família. Meu pai era um dos sócios da madereira da cidade, e também gerenciava uma pequena loja de ferragens. Quand oles começaram a falar sobre como as finanças da loja estavam indo eu comecei a comer mais rápido. Sempre acaba sobrando pra mim. Quando me levantei para sair da mesa meu pai disse.
- Sam, não esqueça que você vai me ajudar na loja depois da escola.
- Qual é pai, hoje é dia de treino. Vou chegar destruído na loja.
- Eu não quero saber. Nós já haviamos concordado de que você iria me ajudar hoje. — Agora ele estava olhando firmemente pra mim.
- Não pai. Você concordou. — Deixei meu prato na pia e comecei a arrumar minha mochila. — Por que sempre sou eu pai? Por que nunca pode ser o Ty? Quer dizer, ele já tem 21 anos, não trabalha e nem foi pra faculdade. Por que você tem sempre que exigir mais de mim enquanto seu filho mais velho fica vagando pela cidade com os amigos dele o dia todo? Não é justo.
- Samuel Roberts, não me responda. Não estamos falando do seu irmão e sim de você. E além do mais, o Tyler tem seus próprios assuntos pra resolver.
- Que assuntos pai? O que um cara da idade dele tem de tão importante pra fazer? Tem que ser algo realmente sério pra ele nunca poder ajudar a família dele.
- Já chega disso. Mais uma palavra e você trabalhará na loja pelo resto do mês. — Eu havia conseguido irrita-lo. Sua mandíbula estava cerrada, e seu rosto começava adquirir uma vermelhidão feroz.
- Daniel.
- Não se meta Mary Ann. — Berrou meu pai. — Você vai me ajudar na loja hoje e ponto final, estamos entendidos?
Eu também estava com raiva. Queria poder gritar. Nã oera justo, nem um pouco justo. Tyler nem se quer lembrava que tinha casa. Só passava por aqui pra tomar um banho e pegar algumas mudas de roupa. Ele estava longe de ser aquele irmão que um dia ele foi. Eu estava pronto pra continuar com a discussão, mas seria perda de tempo. Essa batalha eu havia perdido. Engoli meu orgulho e a unica coisa que consegui responder foi. — Sim senhor.
- Ótimo. Agora pegue suas coisas e vá pra escola antes que se atrase.
Peguei minha mochila e coloquei nas costas. Passei por meu pai em direção a porta da cozinha q tinha saída para o quintal. — Tchau Mary. — Foi a única coisa que pude dizer.
- Até logo querido.
Fechei a porta atrás de mim com força. Eu não podia acreditar. Quem diria que meu pai conseguia ser tão cretino. A próxima vez que eu ver o Tyler vou falar umas verdades pra ele. Caminhei até o ponto de ônibus, pensando o quanto era triste que nossa relação tivesse chagado a esse nível. Quando minha mãe morreu, eu, Tyler e o nosso pai eramos muito unidos. Ty me levava pra vários lugares e estava sempre me defendendo dos perigos, mas a dois anos ele não para direito em casa. Começou a usar umas roupas pretas e ficou muito mal encarado. Ele e seus amigos são considerados o grupo mais barra pesada da cidade. Será que é preciso que eu faça isso também pro meu pai poder me reconhcer?Do jeito que eu sou sortudo, acho pouco provável.
Minha manhã tinha começado bastante atribulada. — Pelo menos não tem como piorar. — Infelizmente eu havia falado cedo demais. Quando avistei o ponto, o ônibus já estava partindo e eu não estava nele, o que quer dizer que o dia estava oficalmente pior. Eu e minha boca grande.
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