Dark Eyes
11 Aprontando com os Stoll
Notas iniciais
Capítulo IX
“Aprontando com os Stoll”

P.O.V. Kimberly
Acordei às seis horas em ponto e me revirei na cama por cerca de dois minutos antes de Dimitri me acordar. Levantei-me da cama de casal enquanto meu meio-irmão cantarolava uma música qualquer da Christina Aguilera. Ah, esse meu irmão. Mereço ter que ouvir a pessoa cantando “All I wanna do is love your body”. Seus cabelos brancos e invejadamente lisos estavam meio bagunçados. Ele também tinha posto de volta o seu piercing de septo. Rindo, eu andei até ele e dei um beijo na sua bochecha.
Caminhei até ao vestiário e fui tomar um banho rápido. Kaya, minha irmãzinha, fez o favor de pegar minha roupa – que eu tinha esquecido em cima do divã – e levar para mim. Vesti-me rapidamente e penteei meus cabelos negros ondulados. Após arrumá-lo num rabo de cavalo, saí do vestiário e andei com meus irmãos até ao pavilhão.
No caminho, Kaya pegou em minha mão e caminhamos assim. Jolie, meio enciumada, pegou na minha mão esquerda e sorriu. Kirsty me olhava de longe. Não falava com ela há um tempo. Dimitri me encarou sem entender o motivo daquela situação. Pelo menos ele não escondia nada de mim. Chegamos ao pavilhão, servi-me e ajudei minhas irmãs mais novas. Fiz minha oferenda para Atena – saudades das aulas de esgrima- e me senti na mesa do chalé de Quione.
Avistei Apolo com seus filhos. Eles pareciam felizes. O deus do sol piscou e sorriu para mim. Retribui acenando. Apolo estava impecavelmente lindo. Usava uma blusa branca, calça jeans e all star. Simples, mas lindo. Tudo ficava lindo nele também. Do outro lado do pavilhão estava ele. Meu garfo quase voou por distração ao encarar aquele olhar que me fitava. Ele usava uma blusa preta, calça militar e sua bota também militar. Seus óculos escuros foram tirados no momento que ele viu que eu o observava. Seus cabelos loiros estavam arrumados de uma forma incrivelmente sexy. O deus da guerra sorriu para mim e eu senti algo desconhecido, dentro de mim, crescer. Sorri de volta.
Após o café-da-manhã, levantei-me da mesa e andei pela relva até a aula de grego antigo. Se eu não me engano, a aula seria dada por Annabeth, filha de Atena, e aqueles amigos da Clarisse teriam aula comigo. Enquanto eu assobiava e andava, fui interrompida quando os gêmeos Stoll pararam de repentinamente na minha frente. Olha, rimou! Connor estava usando óculos, devia ter perdido suas lentes de contato. Travis deu um sorriso maroto e me beijou no rosto. Tenho que conversar com ele depois sobre isso.
–Eu estou indo para a aula, o que vocês querem? – Perguntei.
–Nossa, que forma linda de me tratar. – Connor falou e fez beicinho.
–Saudades do tempo que você não era tão certinha. – Travis disse.
–Saudades do tempo que vocês me respondiam. – Retruquei e cutuquei Travis.
–Nós vamos aprontar. – Connor falou sorrindo maliciosamente.
–Quem, ou melhor, quais são as vítimas? – Perguntei.
–O chalé de Afrodite. – Travis disse. – Eles ofenderam nosso chalé ontem na fogueira. Aliás, onde a senhorita estava?
–Não é da sua conta, ladrãozinho. – Disse sorrindo e ele fez cócegas. –Ai, para. – Fiz beicinho e ele me abraçou de lado.
–Continuando, nós queremos dá o troco. – Connor falou e Travis sorriu.
–Ai ... Eu to atrasada. – Disse olhando para o relógio de Travis.
–Você vai perder essa chance? – Connor questionou.
–Cadê nossa Kim? – Travis perguntou e fingiu que não tava me vendo.
–Palhaço. – Comentei.
–Você vem ou não, Lady Snow? –Travis questionou.
–Não me chama de Lady Snow que eu piro. – Disse brincando e comecei a rir. –Ai, gente, que saudades que eu senti de vocês.
–Estamos esperando a resposta. – Connor me lembrou.
–Alguma vez eu disse não para vocês? Vamos aprontar um pouco. Já estava com saudades de ver aquelas frescas surtarem.
(...)
Lá estávamos nós três em frente ao chalé dez, mais conhecido como chalé de Afrodite. O chalé da deusa do sexo era rosa pastel com cristais presos nas janelas. Há vários canteiros de rosas — sem espinhos — das mais variadas cores por perto e estas se aninham nas paredes. Um perfume suave e adocicado está por toda a parte. Perfume que me enjoa desde pequena. Nossa, vai ter um péssimo gosto assim para perfume. Aquele rosa todo quase fez Connor vomitar quando viemos aqui pela primeira vez. Lembro-me como se fosse ontem.
Corríamos feito três pestes sendo perseguidas por Harpias. Connor fez sinal que estava morrendo de cansaço e nós paramos. Travis viu meu estado deplorável. Estava toda suada e morrendo de sede. Ele me carregou nas costas e Connor fez sinal para que continuássemos. Passávamos pelo chalé dez quando encaramos o chalé rosa. Connor parou do nada e sentiu o cheiro do perfume adocicado. O filho de Hermes vomitou no canteiro de rosas. Saí das costas de Travis e fui ajudar meu amigo. Nesse dia, pelo que me lembro, dormi no chalé onze com eles. Quíron ficou uma fera quando soube.
Depois de dez anos, eu estava ali novamente. Aquele rosa todo continuava me dando ânsia de vômito. Mereço. Todos estavam em suas aulas e Quíron estava longe para nos impedir. Era hora da diversão. Travis entrou no chalé enquanto Connor espalhava plumas de travesseiro pelo teto do chalé. Quando eles acabaram, foi minha vez. Peguei o balde de caramelo e fiz uma pequena armadilha que aprendi com os Stoll. Congelei o chão que estava terrivelmente deslizante.
Os filhos de Afrodite chegavam ao chalé dez. Drew gritou quando viu o telhado cheio de plumas e neve. Ela abriu a porta e todo o caramelo caiu em cima do seu cabelo loiro. Ela entrou no chalé e o ventilador espalhava mais plumas e gelo. Eu, Travis e Connor víamos tudo atrás da matinha perto do chalé.
–Kimberly! – Ela gritou meu nome o mais alto que pode.
–Ops! – Travis disse baixinho.
Vimos a filha da purpurinada-mãe sair toda suja do chalé. Saímos de trás da matinha e começamos a gargalhar sem ligar para ela. Drew veio correndo igual um pingüim até nós. Connor se escondeu atrás de mim e eu comecei a rir mais ainda. Devia ta parecendo uma hiena, cruzes! A filha de Afrodite tinha um olhar cheio de raiva. Os irmãos dela correram para chamar alguém que provavelmente seria Quíron. Aí, tava ferrada!
–Eu não acredito que você fez isso, Kimberly. – Ela disse e tirou o caramelo da sua testa.
–E eu não acredito que você humilhou o chalé dos meus amigos. Ah, não. Eu acredito sim. Vindo de você, Drew, tudo é possível. – Falei e ela me olhou irritada.
–Ainda não me perdoou? – Questionou.
–Você pediu perdão? – Retruquei a pergunta e ela abaixou a cabeça.
– Filha de Quione, eu vou fazer você pagar por isso. – Ela me olhou.
–Eu que deveria falar isso, não é? – Ela se virou e andou em direção as irmãs. –Depois de tudo que você aprontou, ainda vai fugir, Drew?! – Gritei e ela me encarou irritada.
Quíron, o centauro, apareceu cerca de segundos depois. Ele me olhava irritado e andou até nós. Não adiantava eu arrumar desculpas até porque elas não existiam. Travis olhou para mim. Ah, não! Ele estava pensando em assumir toda a culpa e eu não deixaria isso acontecer.
–Kimberly, Travis e Connor, eu soube o que vocês fizeram. – O centauro começou a falar. – Vocês serão punidos.
–Mas o que? E o que elas fizeram ontem? – Connor questionou. – Vai protegê-la, Quíron?
–Connor, elas não fizeram isso com o chalé onze, fizeram? – Quíron questionou.
–Palavras machucam mais, Quíron. – Disse baixo e o encarei.
–Kim ... – Travis pegou em minha mão.
–Eu não posso te proteger mais, Kim. Você não tem mais sete anos. – O centauro murmurou. –Kimberly, Travis e Connor, vocês vão arrumar o estábulo por dois dias.
–O QUE? – Berramos juntos.
(...)
Estávamos no estábulo do acampamento meio-sangue. Era o segundo dia de trabalho; sim, era um trabalho e bem complicado. Eu fiquei encarregada de cuidar dos pégasos enquanto Travis e Connor ajeitavam os cavalos do acampamento. Hoje estava fazendo sol – para minha querida tristeza- e um calor de Hades. Estava com um short verde-água, blusa cinza fresca e tênis. Coloquei meus óculos para tentar enxergar alguma coisa além dos raios de sol que quase me cegavam.
Peguei a mangueira azul e comecei a tirar o sabão liquido cheio de rosas by Afrodite e Poseidon. Comecei a tirar o sabão e BlackJack começava a olhar para a minha cara. Percy, filho de Poseidon, tinha dito que o pégaso amava cubos de açúcar. Balancei a cabeça levemente e desliguei a mangueira. Sequei BlackJack com uma toalha azul escuro e me virei. Travis tinha sumido. Bufei. “Safado, fugindo do trabalho árduo”. Fechei a sela – não sei o nome disso – e tranquei o pégaso.
Quando eu estava me virando novamente, fui surpreendida por um banho de mangueira dos irmãos Stoll. Eu tirei meus óculos escuros e olhei super brava para eles. Liguei a mangueira azul e atirei água na cara deles. Gargalhava igual uma hiena. Peguei o balde cheio de sabão e taquei na cara deles.
–Kimberly, Kimberly! – Connor balançou a cabeça.
–Lady snow, me desapontou. –Travis disse e sorriu maliciosos para Connor. –Merece um castigo por tacar água com sabão.
–Ai não! – Gritei.
Comecei a correr pela relva, mas, devido ao calor, eu me cansava facilmente. Quando eu parei de correr, Travis me pegou no colo e correu junto com Connor – que gargalhava freneticamente. Chegamos perto do rio e eu tentava me soltar dos braços do filho de Hermes. Porém, ele tinha ganhado músculos nesses últimos dez anos e estava completamente impossível sair dos braços dele naquele momento.
–Connor, meu bebezinho, faz ele me soltar. – Fiz beicinho.
–Ah, agora se lembra de mim, dona Kim? Não vou te ajudar! Caiu sabão nos meus óculos. – Connor respondeu e eu fiquei puta.
–One ... – Travis começou.
–Two ... – Connor continuou.
–Ai gente, poxa... – Fui interrompida e fui tacada na água. – Ai, ta geladinha! – Disse e sorri.
–Aff, ainda fizemos um favor. – Connor reclamou e eu estiquei os braços para eles me tirarem da água. No meio disso, puxei a mão dos dois e os taquei dentro da água gelada. Fiz com que a água ficasse mais gelada e eles começaram a pular e saíram. – Na próxima, vai ser pior, Stoll’s.
–Kimberly, Travis e Connor, vocês podem me explicar o que está acontecendo aqui? –Ouvi uma voz atrás dos filhos de Hermes. Levantei da água com a ajuda de Ares, o deus da guerra selvagem, e olhei para os irmãos Stoll. Estávamos todos molhados e “zuados”.
–Eu cuido disso. – Olhei para Travis e Connor e eles se viraram, após darem um beijo na minha bochecha. – Já acabamos nossa atividade extra. – Falei e Ares retirou seus óculos.
–Você não fala comigo desde aquele dia. – O deus da guerra mudou de assunto.
–Podemos falar sobre isso depois de eu tomar banho?- Perguntei e ele assentiu com a cabeça.
Após tomar um banho rápido, vesti-me e fui ao encontro do deus da guerra. Estava com um moletom preto da Coco Channel – na verdade, era de Kirsty- e um short jeans surrado. Meus coturnos brancos estavam calçados nos meus pés pálidos. Ares pegou em minha mão e andamos até parte da floresta do acampamento meio-sangue.
–Por que? – Ele me questionou.
–Por que o que? – Retruquei a pergunta.
–Porque você tem que me hipnotizar com esses olhos castanhos? Por que eu não consigo tirar a imagem do seu rosto da minha cabeça, Kim? – Ele perguntava. –Seus olhos obscuros são os mais lindos que já vi em milhares de anos. Por que você tem que despertar esses sentimentos tão estranhos em mim?
–Seriam os mesmo sentimentos que você desperta em mim, deus da guerra? – Perguntei e me permiti olhar seus olhos. Ares sorriu.
Observei ele dar um passo em minha direção.
Meu coração mandou a mensagem de que ele estava próximo demais. Meus olhos ficaram hipnotizados com os deles e por mais que eu quisesse desviar o olhar, eu não conseguia. Eu paralisava ao encarar aquele olhar. Abri levemente minha boca, mas não consegui fazer com que as palavras saíssem.
Seus lábios ficaram cada vez mais pertos até que os senti tocarem os meus. Sua língua tocou a minha. Minha mão automaticamente foi para seu cabelo e a outra pousou no seu ombro direito. Meu estômago parecia possuir dezenas de borboletas flutuantes. Naquele momento, deixei o mundo a minha volta de lado e deixei me levar pelo beijo de Ares. Senti ele me puxar para perto do seu corpo definido. Estávamos tão próximos. O deus da guerra mordeu meu lábio com delicadeza e continuou depositando beijos em meus lábios. Quebramos o beijo por falta de oxigênio da minha parte. Encaramo-nos por alguns instantes, minha voz estava falha e qualquer coisa que eu tentasse falar não sairia pela minha boca.
–Err...- Sussurrei.
–Você não tem noção do quanto eu sentia vontade de fazer isso. – Ele confessou e eu arregalei a sobrancelha.
–O que? – Questionei.
– Eu gosto de você, Kimberly. – O deus disse claramente. –Muito.
Senti meu pescoço se arrepiar com o som de suas palavras. Seus olhos continuavam me fitando. Aqueles olhos me faziam flutuar pela profundidade que tinham. Respirei fundo. Ares pegou em minha mão esperando eu dizer alguma coisa. Abri os lábios diversas vezes e não conseguia expressar nada do que eu estava sentindo. O deus da guerra tinha me deixado, pela primeira vez, sem palavras.
Ele soltou minha mão fria e se virou andando de volta. Talvez tenha sido um impulso meu ou não, eu só corri e parei na frente dele. O deus da guerra selvagem me olhou sorrindo. Pus minhas mãos em torno de sua nuca e ele me puxou para perto. Meu rosto estava muito perto do dele. Ares mordeu meu lábio de leve e eu acariciei seus cabelos loiros e macios. Ele encostou seu nariz no meu. Eu o beijei como resposta da sua resposta. Eu o beijei, tentando demonstrar como me sentia em relação a sua sentença. Beijei-o sem nenhum arrependimento do que qualquer pessoa poderia pensar.
Separamo-nos e permiti encarar seus olhos. Ah, aqueles olhos que eu tanto amava e que me rendiam. E, por mais que eu não quisesse admitir, eu sabia que era o dono daqueles olhos que iria me fazer chorar.
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