Sonho novamente? Não sei dizer, mas estava me sentindo em paz. Estava em um campo aberto, cheio de flores, girassóis por sinal, continuei andando por elas e passando minhas mãos nelas o que fazia várias pétalas saírem voando. Era um local calmo, um local onde eu não queria sair, onde queria ficar para sempre...

Realmente não queria acordar, se fosse realmente um sonho ficaria aqui pelo resto da minha vida, o mundo real é duro, é negro e eu não irei suportar viver nele sem um dos meus amigos, sem meu melhor amigo. Eu sou uma inútil, sou uma vampira, e não pude salvar meu amigo, se eu tivesse usado antes a persuasão, se eu fosse mais forte nisso, talvez ele estivesse vivo.

Mas eu não podia viver assim, não podia ficar aqui para sempre, ignorando o mundo lá fora, mas se eu acordar, o que irei encontrar? Irei encontrar um mundo vazio, um mundo cheio de pessoas que irão me criticar, que irão me culpar pela morte dele, pessoas que irão me deixar pior do que já estou. Agora não é somente uma morte em minhas mãos e sim duas, DUAS mortes, como irei enfrentar isso tudo sem meu melhor amigo? Como?

Então com relutância e sem nenhuma vontade abrir os olhos, olhei pros lados e pude perceber que estava em uma sala, paredes brancas e teto branco, reconheci o local sendo a clínica médica da academia.

- Hey... – uma voz suave. Quando olhei vi que era Rosalie.

- Que bom que acordou, já estava pensando em ir lhe chamar em sonhos – ela disse rindo, mas não respondi e virei o rosto pro outro lado, não queria falar com ninguém, por enquanto.

- Você esta sentindo alguma dor? – Ela perguntou suavemente. – Posso chamar a Dra. Hardwing. — Mas não respondi e fechei os olhos, se fingir que estou dormindo, talvez ela não perturbe. Foi então que a senti fazendo um carinho no meu rosto e beijando minha cabeça.

- Sei que esta fingindo, você está com dor? – disse suavemente.

- Sim. – Respondi quase inaudível.

- Irei chamar a Senhora Hardwing – ela disse beijando minha cabeça novamente e saindo.

Agora era real, estava acordada, estava no mundo real, o mundo onde não queria, meu coração começou a doer, doer tanto, que comecei a chorar.

- Hey, tá com tanta dor que está chorando? – Essa voz...

- Onde dói? – abrir os olhos imediatamente e pulei no pescoço dessa pessoa, se eu estava sonhando ou não, não queria saber, eu tinha que abraçar ele.

- Hey! Calma! – Ele disse me abraçando e esfregando minhas costas. – Onde dói?

- Eu... – Não conseguia formular uma frase coerente, estava chorando tanto.

- Mika, esta me assustando! – Ele continuava me abraçando.

- Você! Você morreu. – Disse entre soluços.

- Eu pareço morto pra você? – Ele disse suavemente.

- Morreu! Eu vi! – Disse me afastando dele e o olhando intensamente, sim, era ele, os mesmos olhos, mesma boca, mesmo Jacob Black que eu tanto amava.

- Mikayla. – Sussurrou. – Sei que passamos por um acidente de carro feio, mas graça a Deus nem eu e nem você morremos, você ficou muito machucada, mas fora isso eu nem quebrei a unha!

- Mentira! Eu tirei você do carro, eu lhe arrastei até a arvore, e vi, vi você sem vida – estava começando a duvidar da minha sanidade mental.

- Então foi você que nos tirou do carro? – ele me olhou espantado.

- Sim. – Nesse momento ele me faz levantar e me colocou na cama novamente.

- Mika, quando acordei você esta ao meu lado, estava desmaiada, tentei lhe acordar, mas não consegui. – Ele disse fazendo um carinho no meu rosto. – Acho que você bateu a cabeça forte, porque esta dormindo há dois dias.

- Eu não bati a cabeça, eu lhe arrastei, eu lhe vi sem vida, eu tentei lhe salvar, mas não consegui. – Tava quase gritando com ele, será que ainda estou sonhando?

- Mika, eu não morri, sério. – Ele disso num tom divertido. Sim eu tava sonhando ainda, estava tão presa no meu mundo, que criei um onde o Jacob não estava morto, sim era isso que estava acontecendo.

- Como conseguiu nos tirar do carro antes de pegar fogo?

- Você morreu! – gritei.

Foi nesse momento que vi Rosalie entrando no quarto junto dela com a Dra Hardwing, ambos me olharam com interrogações na cara.

- O que foi Jacob? – Rosalie disse ao lado dela.

- Acho que ela ta delirando, ta dizendo que eu morri. – Jacob sussurrou, mas eu escutei direitinho.

- VOCÊ MORREU SIM, EU VI, EU VI SEU PESCOÇO QUEBRADO EU VI SEUS OLHOS SEM FOCO! EU VI!

- Princesa calma, você teve um trauma muito grande, melhor descansar agora. – Vi a Dra. com uma seringa em mãos.

- O que é isso? – Indaguei.

- Vai fazer melhorar. – Ela disse já injetando em algo que estava conectado ao meu pulso, então em questão de segundos minha visão escurecei e não vi mais nada.

Não sei quando tempo fiquei desacordada e se tudo foi um sonho, mas quando abrir os olhos estava na mesma sala de antes, para ser exato estava num quarto da ala hospitalar da clínica da própria escola.

Estava com os pensamentos completamente confusos, alguns dias atrás eu sofri um acidente de carro com meu melhor amigo, Jacob, eu o vi morto, eu chorei por ele, então quando eu acordo eu o vejo vivinho da silva...

Algo esta estranho, será que estava sonhando? Será que tudo não passou de um sonho estúpido? Olhei novamente pros lados e pude perceber que estava sozinha, então sentei na cama e para meu espanto eu estava conectada há uma bolsa de sangue, estava tomando por via intravenosa, então puxei o fio. Tentei pisar no chão e sair andando da cama, mas quando faço isso, sinto uma dor na minha perna eu quando a vejo, ela estava com uma faixa, sim, disse eu lembro, eu tinha quebrado minha perna durante o acidente de carro. Então uma coisa eu tenho certeza, eu sofri um acidente de carro.

- O que a Senhorita pensa que esta fazendo? – a voz da Dra. era dura.

- Hã?

- Não está completamente recuperada para sair da cama.

- Desculpe Sra. Hardwing, mas já estou bem.

- Não está! – Ela disse duro me fazendo deitar novamente.

- Você não esta, ao menos sabe o que aconteceu? – indagou.

- Estou um pouco confusa pra ser sincera.

- Então, isso que dizer que não esta bem, provavelmente você bateu sua cabeça muito forte – seu tom de voz, já não era tão duro como antes.

- A senhora pode me dizer o que aconteceu?

- Você sofreu um grave acidente de carro. – Isso eu lembro completamente, eu sofri sim um acidente de carro, lembro perfeitamente, lembro do Jacob...

- E JACOB? – a interrompi.

- Ele esta bem – ela sorriu. Não isso não faz sentindo, eu o vi morto, eu estou começando a me lembrar de tudo, a briga na boate, o homem batendo em nosso carro, ele tentando desviar do caminhão, o carro capotando e finalmente seus olhos sem vida, não isso não faz sentindo, ele estava morto.

- A senhora sabe como foi?

- O senhor Black disse como foi o acidente, mas ele não lembra de como vocês saíram do carro, mas ontem durante seu surto, ele disse que você os tirou do carro, você foi muito corajosa. – Ela disse rindo e verificando meu pulso.

Mas isso tudo não faz sentindo, tudo que ela comentou foi exatamente o aconteceu, eu o tirei do carro antes de explodisse, mas sem vida, Jacob não era para estar vivo!

- Eu tive alguma concussão? – só isso poderia explicar essa loucura toda.

- Pelos exames que fiz não, só perdeu muito sangue por causa da perna quebrada, achamos que bateu a cabeça forte, mas não ocasionando uma concussão. – Ela disse pegando uma espécie de lanterna e abrindo meus olhos, fazendo-me ficar cega por causa da luz.

- Você sabe seu nome certo?

- Lógico que sei.

- Então me diga.

- Pra quê? Se a senhora sabe?

- Diga.

- Mikayla.

- Sabe onde ta? Qual nome do seu pai?

- Por acaso a senhora esta com amnésia? Vai verificar na minha ficha.

- Você esta bem, sem nenhuma concussão. – Ela disse guardando a lanterna e sorrindo. – Descanse, amanhã terá alta.

Como eu poderia descansar depois disso tudo? Eu estava ficando louca, eu sofri uma concussão sim, Jacob estava morto, estava morto antes de eu ter desmaiado. Com esse pensamento eu voltei a dormir.

Escuro, estava num local completamente escuro, ao longe escutava choros, e gritos de pessoas em desespero. Caminhei até onde achava que vinham esses choros, mas parece que estava andando em círculos, foi então que sentir um frio, segundo depois um calor, no segundo seguinte sentir um vento, meus cabelos começaram a balançar. Olhei pro lado e pude ver um vulto negro se aproximando de mim, cada vez mais perto e com uma velocidade extraordinária, quando tentei correr, esse vulto passou por mim, aliás, passou dentro de mim, e a dor começa, minha cabeça estava sendo esmagada, e meu corpo estava queimando, gritei de dor e desespero, quando olho pra cima outro vulto negro entra em mim, minha cabeça dessa vez explodiu em dor e meu corpo congelou, estava ofegante, nunca senti tanta dor em toda minha vida, então sentir outro encontro e tudo para, a dor, os gritos, tentei levantar, mas a terra começou a tremer e uma rachadura se abre no chão, tentei sair dela, mas ela me consome, comecei a cair e cair, em algum momento cai no chão e senti meu corpo sendo esmagado, foi então que sentir uma brisa e quando notei estava flutuando, a dor de cabeça retornou, dessa vez mais intensa, ao abrir os olhos vi uma caveira vindo em minha direção, ela abre a boca e quando vai me devorar sentir um puxão e vi um clarão.

Ao abrir os olhos vi que estava no quarto da clínica, olhei em volta e estava sozinha no quarto, definitivamente meus sonhos estavam ficando cada vez mais loucos e estranhos, mas nenhum deles pareciam tão real, a dor que sentia parecia tão real.

Depois de passar mais duas horas conversando com a Dra. e fazendo vários tipos de exames ela finalmente me liberou. Sai da clínica com uma muleta, mas amanhã já não precisaria, como sou vampira me curo, não tão rapidamente, mas me curo sozinha. Caminhei até meu quarto, como era horário de aulas, os corredores estavam vazios, por exceção dos guardiões e dos monitores, ao entrar no quarto sorri de orelha a orelha, meus amigos encheram de flores e balões o quarto. Tomei um longo banho e esperei dar à hora do almoço, assim iria encontrar todos.

As cenas do acidente, e como eu o encontrei não saiam da minha mente, eu tenho certeza que meu amigo estava morto. Então sentir um puxão, como estivesse sendo levada para algum lugar, a visão que era turva ficou clara e podia ver perfeitamente Jasper na minha frente e um sentimento de preocupação e angustia tomou conta de mim.

- Mas a Dra disse que hoje ela seria liberada. – Jasper disse.

- Sim, mas eu to preocupado, ela jurava que eu tinha morrido, será que ela não bateu muito a cabeça? Sabe eu que tava dirigindo – Escutei Jacob falando, parecia que eu que estava falando, mas que coisa louca, eu estava olhando pelos olhos do Jacob, como eu fosse ele.

- Mas a Dra disse que ela não sofreu nenhuma concussão, pare de se preocupar.

- Não sei cara, depois o pai dela me culpa por alguma coisa

- Jacob, ele não pode lhe culpar por nada, foi um acidente, aliás, aquele otário que fez isso com vocês .

- Já pegaram ele?

- Me falaram que sim, quero nem estar na pele dele.

Nesse momento senti um puxão e quando pisquei estava no meu quarto novamente. Sinceramente eu tava ficando louca, muito louca, eu bati feio a minha cabeça, além de ter certeza que meu amigo estava morto, agora eu estou pirando sendo ele, eu tenho que ser internada...

Escutei leves batidas na porta, levantei com auxilio da cama e pulei até a porta, quando abri Alice pula no meu pescoço e me abraça.

- Fui à clínica lhe visitar, mas você já tinha sido liberada, como está? Melhor? – Ela disse me guiando até a cama e fazendo eu sentar.

- Alice, eu to confusa. – Disse olhando pro chão.

- Confusa? Como?

- Sobre o acidente eu tinha certeza que o Jacob estava morto...

- Lá vem você com essa história novamente, Rosalie disse do surto que você deu ontem, acho que bateu a cabeça.

- EU não bati a cabeça. – Quase grito com ela.

- Então? – indagara.

- Sei lá Alice, sei lá, – disse frustrada – eu só sei que posso estar ficando louca. – Será que conto do sonho que tive? E da visão? Eles já estão me achando louca por pensar que o Jacob tivesse morrido, e agora? E seu contar da visão, irão me internar.

- Você não está ficando louca. – Ela disse levantando uma das sobrancelhas.

- O que? Tá lendo mente agora? – Sorri.

- Não amiga, eu lhe conheço e conheço essa cara, eu sei ler suas expressões. Olha, eu acho que você teve um trauma grande, por isso de pensar que o Jacob morreu, mas ele tá vivo pare de ficar pensando nisso tudo bem? – ela disse com ternura.

- Tudo bem.

Ficamos conversando por horas, em algum momento os meus outros amigos entraram no meu quarto e Jacob estava com eles, ficamos conversando praticamente o dia inteiro, ocasionando a falta deles nas aulas do segundo turno e eles sendo expulsos do meu quarto por três monitores. Essa noite dormi tranqüila e sem sonhos.

Estava numa aula entediante, história vampiresca e seus poderes, ao me lado estava Alice, que estava aprestando atenção em tudo menos na aula, estava quase dormindo, quando escutei um comentário que me fez prestar atenção na aula.

- Então? Vocês acham que só desenvolvemos esses poderes? – senhor Beksvod me fez voltar minhas atenção a aula.

- Acho que sim – respondeu Milla Swins, uma vampira de família mediana na sociedade.

- Creio que não, antigamente tínhamos cinco poderes – respondeu Stevan, um nobre.

- Correto, mas alguém sabe responde por que nos últimos séculos só estamos desenvolvendo 4 poderes?

- Porque o último poder é proibido, os vampiros que os tinham foram exterminados, era considerado poder negro. – Stevan continuou respondendo.

- Excelente! Isso mesmo, e alguém sabe de como eram chamados?

- Acnaib? – perguntei mais que respondi.

- Excelente senhorita Cullen. – ele sorriu pra mim – Então esse poder, os Acnaib os praticavam, mas antigamente não era proibido, o problema de tudo é que esse poder deixava qualquer vampiro corrompido, podia ser o vampiro mais bondoso que existia, mas no momento que ele desenvolvia o poder, ele mudava completamente, o poder consumia ele por completo e sempre queria mais, para conseguir mais tinham que fazer rituais, onde o sacrifício humano era primordial. – Então ele novamente virou pra mim.

- Sua família, se encarregou de unir forças com os outros clãs e exterminar esse clã...

- Como assim? – Interrompi ele.

- Foi na mesma época dos ataques dos lobisomens, segundo a história, eles estavam unidos com os Acnaib, ambos tinham um acordo de união, e como foi na época da aliança com os humanos, os Cullens fizeram outra aliança, com outros clãs e formaram um exército para matar as duas raças...

- Sim dessa história eu seu, eu quero saber, o porquê da união dos outros clãs, os Acnaib eram tão temidos assim? – o desafiei.

- Sim, eram, eram poderosos. – Ele disse com seu tom de professor.

- Qual o poder deles afinal?

- Eles tinham o domínio de todos os poderes, mas eles tinham o poder de mexer com os mortos.

Mexer com os mortos? Os Acnaib tinham o poder de mexer com os mortos? Essa aula, não sei por qual motivo estava ficando mais atrativa pra mim.

- Mexer como? – indaguei novamente.

- Senhoria Cullen, como está muito interessada nesse assunto, eu quero que me faça um trabalho escrito – ele frisou muito bem no escrito – para amanhã, sobre os Acnaib.

- Para amanhã? Mas ta muito em cima da hora. – resmunguei.

- Amanhã em minha aula. – Ele disse dando um ponto final na possível discussão.

- Mas professor, o senhor não está aqui para tirar nossas dúvidas? Então eu estava com dúvida...

- Certo, quero esse trabalho para o fim do dia, me entrega na sala dos professores. – ele me olhava com triunfo no rosto.

- Mas...

- Bom turma, como em dos minutos acaba nossa aula, vocês estão liberados. – O sacana disse, sem ao menos deixar eu me defender. Sai da sala com cara de poucos amigos e irritada, caminhei em passos largos até a biblioteca e comecei a maldita pesquisa.

Olhei em vários livros diferentes, li, reli e tudo que tinha era o mesmo que o professor tinha tido durante a aula de hoje, então fui novamente para as prateleiras e peguei o que seria o último livro, se não tivesse nada de importante nesse livro eu ia ficar com zero nesse trabalho e não ia fazer, comecei a folhar o livro e parei justamente uma página onde o titulo era “Poder das trevas”.

Comecei a ler o livro mais atentamente.

“Só foi considerado poder das trevas, quando Ian Dubenko começou a usar seu poder com outros olhos, assim manchando os cinco poderes que os vampiros possuíam” e blá blá blá... Passei o olhar por umas linhas “ Terra, água, ar, fogo e espírito, esses eram os cincos poderes que Ian Dubenko desenvolveu, considerado até hoje um dos vampiros mais fortes, mais temido e também o mais perverso de todos os tempos”.

- Ian Dubenko – sussurrei pra mim mesma. Fui até a prateleira dos computadores e digitei o nome dele, aparecendo o livro onde ia encontrar sobre ele, o peguei e junto do outro livro, fui para meu quarto, nem ia jantar ou nada, tinha uma longa noite de leitura.

Notas finais
Ola povo! tao gostando? gostaria de saber! entao comentem ta? to fazendo essa fic com carinho pra vcs...
Beijos e boa leitura