Acordei ainda meio atordoada, estava em uma sala, jogada no chão, provavelmente um dos estúdios no Delphic, meu ombro ainda doía e nele estava atravessada uma flecha, mais precisamente, uma flecha lunar, uma das poucas armas que realmente pode ferir um anjo caído. Um nefilim estava parado guardando a porta, mas eu não podia ficar ali esperando que um milagre aconteça, tinha que lutar contra ele custe o que custar, meus amigos e meu irmão estavam lá fora e eu precisava ajuda-los. Levantei-me cambaleando.

—Onde você pensa que vai? — disse o nefilim ali presente, não me parecia muito ameaçador.

—A onde você pensa que eu vou? É burro ou o que?

E antes que ele pudesse responder, arranquei a flecha do meu ombro e a atirei com toda força a fazendo atingir com tudo no coração do nefilim que desmaiou. Eu não perdi tempo, arrombei a porta e sai no corredor, eu chamava em pensamento meus amigos. “Agatha, sou eu Patch.”, prestei atenção de onde vinha, sua voz era fraca. “Patch a onde você está?” Ele respondeu, “Eu não sei eu apaguei, mas não devo estar longe, conseguimos ainda manter o contato por pensamento”, “Ta, ok, estou indo te procurar”.

Andei pelos corredores procurando a sensação que tenho quando estou com Patch — um tipo de poder característico que emana de nós — era um pouco difícil já que o lugar estava cheio de anjos e nefilins.

De repente a sensação foi ficando mais forte e deduzi que vinha detrás da porta do estúdio onde, provavelmente, Patch poderia estar. Perguntei em pensamento, “Patch, tem alguém atrás da porta?” “Tem sim. Por quê?” “Perfeito”. Dei um chute na porta que caiu em cima de um nefilim o levando ao chão, e logo depois Patch saiu.

—Você está bem?

—Estou sim — respondi. O nefilim estava se levantando — Vá procurar os outros que eu cuido deste aqui.

Ele acenou com a cabeça e saiu em disparada pelo corredor. O nefilim se levantou e então deu-se início a nossa lutar. Dei vários socos e chutes, ao qual ele defendeu-se de vários e passou a contra-atacar, me arremessando à entrada do estúdio e, logo que levantei, arranquei um pedaço da porta caída e finquei na coxa dele. Normalmente anjos são mais fortes que nefilins, no entanto, a flechada que levei pode não ter me matado, mas enfraqueceu-me muito. Fui pega de surpresa pelo nefilim que se levantou e me prendeu contra a parede apertando meu pescoço e me imobilizando. Já estava sentindo grande falta de ar quando as mãos que me impediam de respirar foram se soltando, e percebi a ponta de uma lâmina atravessada em seu peito esquerdo, no coração. Quando o corpo caiu no chão, vi alguém que me surpreendeu, Cameron.

—Acho que ta pago sua bebida. – ele sorriu.

—Valeu. – respondi ainda tentando me recupera

—O que está fazendo por aqui? – ele perguntou.

—Longa história. Me ajuda? – sim eu estava desesperada e acho que consequentemente não pensando direito pra pedir ajuda pra esse idiota.

—Que isso, a anjinha independente me pedindo ajuda?

—Se não vai me ajudar, esquece. Procuro eu mesma!- virei de costas e segui pelo corredor. Cameron me acompanhou.

—Não disse que não ia ajudar, só achei estranho você pedindo minha ajuda. E como assim, procuro? O que você perdeu? E aqui em baixo ainda?

—Não é o que eu perdi e sim quem se perdeu, ou melhor, quem foi sequestrado.

—Como assim? Quem foi sequestrado?

—Daniel, Anne e Luke. Eles ainda estão presos em algum estúdio aqui em baixo e eu não saio daqui sem eles.

—Quem os sequestrou?

—Cameron, você não percebeu que esse lugar está cheio de nefilins?

—Nefilins? Só me diz que ninguém fez nada pra você? – ele parecia preocupado.

—Tarde demais para dizer isso. Eu também fui sequestrada, só que consegui me libertar.

—Eu vou pegar o desgraçado que te sequestrou. – ele parecia irritado, quase que como querendo vingança, nunca havia o visto daquele jeito.

—Isso não importa mais Só o que eu quero agora é achar meus amigos e meu irmão.

—Tá, claro. – ele concordou e continuou ao meu lado.

Chamei em pensamento por eles e ouvi um gemido de dor, era Anne, eu tinha certeza. “Anne sou eu, Agatha”, falei em pensamento. “Thá, me ajuda, por favor” ela mal conseguia falar, segui o som da sua voz e achei a porta. ““Anne, sai de perto”, eu disse, “Ta bom”. Mandei Cameron esperar e chutei a porta, atacando em seguida o nefilim que estava ali de guarda. Depois de derrota-lo, corri até Anne que estava encolhida no chão e a abracei.

—Anne! Meu Deus o que fizeram com você?

—Drenaram o meu sangue e injetaram água benta em mim. Estou muito fraca.

—Tome — coloquei meu pulso próximo da sua boca- Bebe.

—Tem certeza?

—Absoluta. – sangue de anjo era até mais eficiente que de humanos.

Ela pegou o meu pulso, mordeu e começou a beber o sangue, sentindo necessidade dele, até que parou.

—Ta melhor?- ela acenou com a cabeça.

Ajudei ela a levantar e levei-a até o corredor. Quando ela viu Cameron, virou-se para mim e perguntou.

—O que ele está fazendo aqui? – me repreendendo com o olhar.

—Eu to aqui sabia?- ele respondeu, como se estivesse se sentindo ofendido.

—Ta. Então o que você está fazendo aqui?

—Ajudando sua melhor amiga. – falou como se fosse óbvio

—Você não ajuda ninguém, só atrapalha. – e como sempre Anne o repreendia por tudo.

—Se não acredita pode perguntar pra ela. Aproveita e pede pra ela falar como eu salvei a vida dela.

Ela olhou para mim com cara de interrogação.

—É verdade Anne, ele salvou a minha vida, se não fosse por ele eu poderia nem estar aqui. – é claro que dei uma exagerada, mas ela não precisa saber.

—Eu preferia morrer a ser salva por ele. – ela sempre tão dramática.

—Já chega Anne, você ta parecendo o meu irmão. Agora para de falar mal do Cam e ajuda a procurar meu irmão e o Luke.

—Agora você chama ele de Cam? Que história é essa, vocês estão tendo um caso? Por que não me contou?

Olhei de soslaio para ele e vi que estava segurando um riso.

—Eu não estou tendo um caso com o Cameron. – me corrigi antes mesmo de chama-lo de Cam de novo — Ele só salvou minha vida, ok? Agora para de discutir comigo e me ajuda a achar os outros.

Antes que ela pudesse responder, eu virei de costas e segui pelo corredor com eles me seguindo. Vi Patch andando em nossa direção.

—Patch, encontrou alguém? – perguntei ainda preocupada.

—Não. – ele respondeu um pouco decepcionado.

Anne correu para abraça-lo e trocarem um beijo. Ela era sua namorada antes dele sumir sem dar aviso prévio, e mesmo que Anne goste do meu irmão, ela ainda não podia esquecer sua história com Patch, mesmo depois dele ter sumido por quase cem anos da vida dela.

—Patch, você sumiu. Por que não me falou nada? Fiquei preocupada, quase morri.

—Calma meu amor, eu estou aqui agora. – era evidente que os dois ainda tinham fortes sentimentos um pelo outro.

—Eu te amo- ela disse.

—Eu também te amo- ele retribuiu.

—Ta chega! A gente tem que encontrar o Danny e o Luke- eu disse já me irritando com a novela mexicana.

Seguimos e perguntei para Anne em pensamento “Agora da para esquecer meu irmão?” “Nossa Agatha, verdade. E o Danny? Será que ele vai ficar com ciúmes?” me recusei a responder a pergunta.

Ouvimos um barulho vindo do corredor à esquerda e todos pararam observando que uma pessoa vinha em nossa direção. Quando percebi que ela estava chegando perto, à segurei contra a parede, e foi quando percebi que era Daniel.

—Oi para você também.- ele disse.

—Como você ousa me assustar assim Daniel. – ele deu uma risada, que era como musica para meus ouvidos.

—Desculpa. Agora da para me soltar? – não tinha percebido que ainda estava o prendendo contra a parede.

—Claro.- soltei e depois abracei ele.

—O que ele está fazendo aqui?- disse ele me soltando e quase atacando o Cameron.

—Ele está me ajudando, Daniel.

—Ele não ajuda ninguém, você não vê isso? – ele se virou pra mim me acusando.

—Caramba, cansei. Quantas pessoas mais vão falar isso? Ele salvou minha vida Daniel, ao invés de ficar criticando ele, por que não agradece?

—Eu nunca vou agradecê-lo depois do que ele fez para mim — ele disse – e para você- disse em uma voz mais baixa.

—O que ele fez? E o que ele fez para mim, por que pelo que me lembro eu mal falava com ele. Pela milésima vez estou te perguntando isso e você nunca me fala. Parece que todo mundo sabe sobre o que se trata menos eu.

—Isso não importa agora você pode, por favor, dá o fora?- disse ele apontando para Cameron.

—Não. NINGUÉM vai dar o fora aqui. Ele me ajudou e não importa o que você diga, ele esta ME ajudando.- eu intervi.

—Agatha...- disse Daniel irritado.

—Não importa Daniel, estou cansada de você me impedir de falar com ele e não me dizer o por que. Agora vamos temo que achar o Luke.

Segui na frente e os outros atrás. Anne e Patch estavam de mãos dadas, Daniel e Cameron ficaram bem no fundo.

Cameron On

Adorei a forma como ela me defendeu, mas também não podia culpar Daniel por me querer longe, precisava convencê-lo de me dar uma chance com a irmã dele, custe o que custar. “Daniel”, disse em pensamento. “Que foi?”, disse ele irritado. “Preciso conversar com você, sobre sua irmã” “Eu não tenho nada que falar com você, principalmente da minha irmã. E por falar nisso fica longe dela!” “É sério, eu gosto muito dela, e me arrependo pelo que aconteceu no passado.” “Não se arrepende não. A Rillary morreu pela suas mãos, para salvar a Agatha.” “Daniel, eu me arrependo do que aconteceu. Nunca levantaria um dedo para machucar a Agatha”.

Antes que ele pudesse responder, ouviu-se a porta logo a frente ser arrombada, e dali saiu Luke com o queixo cheio de sangue, provavelmente tinha feito um lanchinho.

—Luke... — disse Anne, soltando-se de Patch e correndo para abraçar o irmão.

—Anne. – ele abraçou a irmã, pelo jeito também estava preocupado.

—Você matou o nefilin de guarda? – Anne perguntou ao irmão.

—Podemos dizer que eu fiz um lanchinho.- os dois riram.

—Ann... Luke- disse Agatha- sua boca ta um pouquinho suja- ela estava sendo gentil, pois ele estava completamente cheio de sangue.

Ele passou o dedo pelo queixo, manchando-o de sangue e lambeu, mas é claro que não limpou nem metade. Agatha deu um abraço nele e depois o soltou.

—Bom, agora acho bom a gente ir para casa — disse Agatha, ela parecia exausta.

Olhando no celular, Patch disse:

—Já são 01h30 da madrugada, é possível que os nefilins ainda estejam lá fora. Por que não aproveitam que estão aqui e passam a noite na minha casa?

—Pode ser- disse Agatha e todos concordaram.

Notas finais
Oi amores!!! gostaram??? comentem o que acharam!!! por favorzinho!!!