Dar-se Uma Chance

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Eu demorei menos dessa vez, vou começar a competir comigo mesma para ver se consigo diminuir o tempo de publicação entre um capítulo e outro, para ver se tomo jeito nessa vida! Enfim, eu serei breve. Obrigada a Coffe Dead e a Isis Leimig Smitchkoff pelas recomendações super fofas que enviaram para a história. Eu acredito que, se essa história deu certo, deve-se a todo o apoio que eu recebi ao longo desses meses. Foi através de “Dar-se Uma Chance”, que percebi o quanto cresci e amadureci como autora. Nesse capítulo, eu vou expor descaradamente alguns fatos que expus sem o devido enfoque, mas que eram extremamente importantes para o desenvolvimento e conclusão da história. Não, ainda não acabou, mas está quase, por isso, preciso deixar tudo às claras, antes de arrematar os pontos soltos e terminar definitivamente. Obrigada a todos os comentários, eles são realmente importantes para mim! Só avisando que o capítulo está bem mal revisado, como sempre... Espero que gostem, Beijocas!

"Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro; a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida." — Mahatma Gandhi.

Capítulo 22

Um som irritante reverberou por todo o espaço escuro...

O homem deitado sobre a cama de casal se remexeu, incomodado com o barulho alto e azucrinante. Sua pele dourada ondulou, quando os músculos ficaram tensos e relaxaram logo em seguida. O loiro sentiu um peso morto em sua lateral direita, como se outro corpo lhe cobrisse parte das costas, uma vez que ele estava deitado de bruços no colchão macio.

“Sasuke!”, ele gritou em pensamento, sobressaltado, depois que seu cérebro se reorganizou da confusão matinal. Evitando se mexer muito, ele estendeu a mão e pegou o celular que ainda se esgoelava em cima da mesa de cabeceira. “Merda!”, ele xingou silenciosamente, apertando o botão para atender a ligação, antes que o moreno despertasse. O Uchiha era insuportável de manhã, principalmente quando era bruscamente acordado, e Naruto não estava disposto a aguentar o mau humor matutino do cara logo cedo.

– Sim? – ele murmurou com a voz ainda mais rouca, devido à falta de uso. Com movimentos suaves, ele se afastou do amante e se sentou, ouvindo-o resmungar algo ininteligível, antes de virar para o outro lado, como se nada estivesse tentado atrapalhar o seu sono.

– Naruto? – uma voz masculina e familiar se fez ouvir. – Desculpa, eu não queria te acordar, mas o assunto é meio urgente.

– Shikamaru? – perguntou, porque não tinha certeza se havia reconhecido o timbre grave através do aparelho. Às vezes, seus amigos tinham o tom tão parecido pelo telefone.

– Eu sei que é problemático, mas eu realmente preciso falar com você. – o homem parecia urgente.

Levado pela preocupação, o Uzumaki se levantou e pegou a cueca boxer jogada no chão, vestindo-a. Ele saiu no quarto, não querendo acordar o Uchiha e sofrer as consequências depois. Além do mais, o assunto parecia ser um pouco particular, não era prudente envolver outras pessoas, mesmo que indiretamente. Shikamaru jamais o chamaria aquele horário sem bons motivos, afinal, o rapaz prezava o sono tanto ou mais que Sasuke.

– Aconteceu alguma coisa? – ele não conteve a apreensão. Se dependesse da sua ansiedade, ele já estaria pegando o carro, a fim de se encontrar com o amigo e salvá-lo de qualquer encrenca.

– Lembra que você me pediu uma matéria no The Japan Times? – ele mal esperou a resposta para continuar, mas nem precisava, porque Naruto já havia entendido tudo o que precisava. – Eu conversei com o meu editor essa semana e ele concordou em expor outra visão, oposta à de Fugaku Uchiha. Seu pai será entrevistado por um repórter que está de plantão na redação neste final de semana e preciso saber quando o Minato-san poderá atendê-lo.

Naruto sorriu.

Finalmente, Shikamaru conseguiu convencer alguém do jornal a ouvir o seu pai. Demorara um tempo, mas, quando ele recorreu ao Nara para pedir ajuda, sabia que o rapaz faria tudo o que estivesse ao seu alcance para apoiá-lo, não importando quantos dias levasse. O Uzumaki seria eternamente grato pelo auxílio. A Kyuubi Engenharia & Construção não tinha uma assessoria de imprensa para lhe dar suporte, no entanto, ele deu um jeito de pedir uma pauta, com a finalidade de esclarecer os mal-entendidos que os boatos de Fugaku causaram à sua família.

Quem sabe a situação se resolveria mais depressa, permitindo que ele e Sasuke voltassem a ficar juntos, sem se esconderem o tempo inteiro ou se preocuparem com as possíveis consequências de seus atos.

– Eu vou falar com ele e entro em contato com você. – sua voz até tremia, tão eufórico e excitado que estava. Ele mal podia esperar para contar para os seus pais e fazer esse inferno terminar de uma vez por todas.

– Certo; certo... – o homem resmungou do outro lado da linha. – Ande logo com isso, porque meu editor está esperando uma resposta.

– Obrigado, Shika! – ele agradeceu, esperando poder ver o cara o quanto antes, para poder esmagar a figura magrela em um abraço de esmagar ossos.

O outro só fez um som pequeno em concordância, antes de desligar o telefone. Eles se falariam de novo em algum momento, então, não havia necessidade de despedidas melodramáticas. Naruto precisava ser rápido, mas não queria conversar sobre o assunto com Minato pelo celular, preferia explicar a situação pessoalmente. Com um suspiro, ele caminhou até o quarto e entrou, reparando que Sasuke mal se mexera, desde que saíra do cômodo.

O Uchiha tinha um sono tranquilo, constante e inerte, enquanto ele só faltava tomar conta da cama inteira, espalhando braços e pernas para todos os cantos. Às vezes, o Uzumaki se perguntava como o mais velho conseguia dormir na sua companhia, afinal, ele era barulhento e espaçoso até dormindo.

Deitando na cama e abraçando o corpo pálido por trás, ele espalmou as mãos no peito firme e se colou ao homem como se sua vida dependesse disso. No entanto, dessa vez, ele não tentou ser delicado e, por consequência, o moreno se remexeu até despertar. Por algum motivo que desconhecia, Naruto sabia que o homem não iria reclamar de ser acordado dessa forma, embora ainda resmungasse como um idoso rabugento sobre o loiro o deixar em paz.

Ele se controlou para não rir das lembranças de outras manhãs como aquela, porque o moreno era particularmente sensível na primeira hora do dia, ficando desconfiado e ressabiado sem motivos com muita facilidade, por isso, optou apenas por afundar o nariz na nuca do outro e aspirar o perfume inconfundível. O rapaz nem se mexeu. Não sabia se era impressão sua, ou se Sasuke realmente ficava mais preguiçoso e lento, quando dormiam juntos.

– Bom dia. – ele murmurou, beijando o pescoço do homem, ouvindo-o gemer um cumprimento incoerente. – Eu estou indo para casa.

Nesse ponto, o Uchiha havia acordado definitivamente. Ele se virou para o Uzumaki com a expressão retorcida em confusão, enquanto os olhos pretos lhe lançavam um “Por quê?” quase invasivo. As sobrancelhas negras, franzidas, carregavam um “quê” de preocupação gritante em sua linguagem corporal. Era quase possível ter o vislumbre das engrenagens, girando na cabeça do corvo, para encontrar uma resposta concisa, sem precisar pedir muito.

– Não acha que está meio cedo para você voltar para casa? – ele exigiu, quase com grosseria. Naruto nunca ia embora naquele horário. Se dependesse do loiro, ambos ficariam grudados até a noite de domingo, quando ele tinha que voltar para casa, devido às aulas no período da manhã.

– Preciso resolver umas questões da empresa hoje, não posso chegar tarde. – explicou, puxando o outro rapaz para mais perto, uma vez que Sasuke havia se afastado um pouco com seu movimento brusco.

Ele tinha plena consciência de que estava sendo vago, mas não queria que o Uchiha interferisse. Naruto quase podia prever o que o homem diria para defender seus feitos considerados “heroicos”. O moreno passaria a dissertar sobre como já estava lidando com a situação e que em breve estaria tudo terminado. Mas, o loiro não podia esperar que as águas passassem a correr ao seu favor, ele precisava agir, porque estava cansado de aguardar sentado, na ânsia desesperada de que, logo, tudo se resolvesse.

Se o Uzumaki não poderia fazer nada com relação ao Sasuke, que, pelo menos, pudesse fazer algo por sua família. Os dois haviam voltado a se envolver novamente, depois do incidente da boate há quase duas semanas, mas não era exatamente o tipo de relacionamento que o loiro esperava. Viver se esgueirando pelos cantos, como se fossem um par de criminosos, não era bem algo que ele gostaria de alongar por muito tempo. Quanto mais rápido ambos terminassem de resolver esse impasse todo, mais rápido poderiam se relacionar, sem se incomodar com a opinião alheia.

Com um aceno de cabeça simples, o Uchiha assentiu. Ele não poderia impedir que o amante corresse para atender seus parentes, principalmente quando sabia o quanto estava sendo difícil para a família lidar com a dificuldade nos negócios. Por incrível que pareça, Kushina, apesar de toda a problemática que dominava os investimentos da empresa, ainda não havia retornado com a resposta à sua solicitação, o que lhe dava a vaga impressão de que Minato Namikaze estava hesitante. Talvez, ele devesse marcar uma reunião com o homem, a fim de esclarecer a sua proposta e convencer o mais velho a assinar o contrato.

Perdido em devaneios, ele só acordou para a realidade, quando sentiu os lábios ressecados, fazendo cócegas na pele do seu pescoço.

– Um beijo pelos seus pensamentos. – a voz rouca e carinhosa de Naruto o confortou das reflexões carregadas.

– Vai se atrasar, se começarmos com isso agora. – Sasuke provocou com um sorriso, assistindo o rapaz fazer um bico, completamente aborrecido.

A contra gosto, o Uzumaki se levantou da cama, começando a recolher a roupa jogada no chão do quarto. Ainda estava para nascer o dia em que ambos seriam pacientes. Os dois mal sabiam esperar para chegar ao quarto, antes de começarem a se atracar como animais famintos e desesperados. Naquele momento, no qual só existiam eles, os rapazes agiam como se fossem perder a oportunidade de estarem juntos, se parassem para respirar por meio segundo.

– A gente se vê ainda nesse final de semana? – o Uchiha quebrou o silêncio reconfortante, de forma um pouco insegura. Ele achava que soava tão ridiculamente sentimental, quando se deixava levar pela vontade de ver e estar perto do mais novo sempre, que seu primeiro anseio, depois que a frase escapava de sua boca, era tomá-las de volta.

– Não sei. – respondeu sinceramente, fechando o zíper do moletom cinza e grosso que usava, quando chegou no dia anterior. – Se tudo der certo, eu venho amanhã de manhã. – declarou, inclinando-se para o homem e roubando um beijo dos lábios macios e convidativos.

O som estalado do ósculo intenso quase o incitando a ficar por mais algumas horas.

– Ou eu posso aparecer na sua casa. – Sasuke disse da melhor maneira que conseguiu, devido à boca que ainda atava à sua.

– Eu ia gostar disso. – o loiro murmurou em resposta, empurrando o homem para a cama, enquanto o mordiscava; provocativo. – Você não vai me levar até a porta? – perguntou em uma pausa, antes de voltar a sugar a respiração do moreno com seus beijos insistentes.

Sasuke conseguiu soltar um riso, antes de impedir o outro de continuar com suas ações. Ele queria continuar com a sessão de amassos, mas por mais que uma parte de si condenasse a si mesmo por interromper o Uzumaki, ele era autoconsciente o bastante para saber que precisavam parar.

– Pra quê? Você conhece o caminho. – rebateu com um sorriso debochado no rosto, ganhando uma careta em troca.

– Bastardo filho da puta. – ele se levantou, dando-lhe um selinho de despedida e saindo do quarto, antes que vontade de voltar para a cama e ficar fosse maior que a sua determinação em resolver o impasse que havia se metido há algumas semanas.

(***)

Quando Naruto chegou em casa, depois de dirigir por três horas, não havia vestígios de onde estavam sua mãe e o seu pai. Ele procurou na cozinha, na sala, nos quartos; gritou por todos os cantos, e nada. No mínimo, os dois foram ter um tempo de casal ou estavam na empresa, trabalhando para diminuir o rombo que a empresa levou nos últimos dias. Seja qual fosse a circunstância, ele precisava encontrar Minato agora.

Sacando o celular do bolso da calça, o Uzumaki procurou pelo número de telefone do patriarca, uma vez que não tinha decorado a sequência ainda. Alguns toques depois, a voz suave a constante do seu velho se fez ouvir do outro lado da linha:

– Naruto?

– Pai? – ele perguntou de forma automática, pois sabia quem estava falando. – Pai, eu preciso que você entre em contato com o Shikamaru. Há algumas semanas, pedi que ele publicasse uma matéria na visão da Kyuubi Engenharia & Construção sobre as declarações de Fugaku-san. – explicou, atropelando um pouco as palavras, tamanha a sua ansiedade. – Ele quer agendar uma entrevista para hoje, porque a notícia será publicada ainda essa semana. Queria ter explicado pessoalmente, mas – pausa. – onde vocês estão?

Nesse ponto, Minato riu.

– Respira, Naruto, está parecendo a sua mãe... – caçoou, mas reclamou algo ininteligível logo em seguida, fazendo com que o mais novo esperasse que fosse Kushina, dando uma lição no velho folgado. – Me passa o contato do Shikamaru por mensagem, assim que eu chegar no escritório, ligo para ele; estou dirigido agora. – ele continuou alguns segundos depois.

– Certo. – pausa reflexiva. – Me liga para dizer no que deu. – pediu, ou melhor, comandou. Ele estava curioso e impaciente, não havia tempo e nem humor para ficar tentando ser cordial ou suave.

– Obrigado pela ajuda, Naruto – o homem murmurou de forma carinhosa, quase como um afago de gratidão. –, foi inteligente da sua parte, pedir ajuda ao Nara. – enalteceu, fazendo o rapaz soltar um riso insolente.

– Foi uma ótima ideia, não foi, oyaji?! – estufou o peito, sentindo-se grandioso.

– Sim. – Minato riu do outro lado, talvez, imaginando a atitude autocentrada do filho. – Preciso desligar agora, Naruto, nos falamos mais tarde. – e desligou, sem esperar por um consentimento ou uma resposta.

Com um suspiro, ele olhou para o teto da sala de estar e se jogou no sofá. Por cinco minutos, Naruto se esqueceu do que deveria fazer, enquanto refletia sobre os acontecimentos recentes. Quando se lembrou de que precisava mandar o número de telefone para o seu pai, ele deu um pulo sobressaltado e recolheu o aparelho celular, que estava jogado ao seu lado.

Com alguns toques simples na tela plana, ele fez o que tinha de ser feito e, sem segundos pensamentos, se levantou e andou até o seu quarto, ponderando seus passos seguintes. Em sua cabeça passou a possibilidade de ligar para Kiba ou Shion e chamá-los para beber alguma coisa em algum bar pelas redondezas. Normalmente, ele teria ficado com Sasuke, mas como o loiro não estava disposto a dirigir por mais três horas de voltar para Nagano, ele decidiu que era conveniente ver os seus amigos, que estavam sendo negligenciados, desde que voltara a sair com o Uchiha.

Naruto tirou a blusa moletom e a camiseta de malha creme do corpo. O clima lá fora estava frio, mas graças ao aquecedor, sua casa estava quente. Em algum lugar da sua mente, ele se deu conta que precisava de um banho, mas o telefone da sua casa começou a chamar naquele exato momento. Como o cômodo mais próximo, que possuía uma extensão para a linha telefônica, ficava no escritório, o Uzumaki correu, agarrando o aparelho no quinto toque e agradecendo a abrupta interrupção do silêncio.

Ele odiava a quietude, pois parecia gritar coisas na sua entranha.

– Moshi-moshi?

– Naruto, sou eu. – a voz grave de Minato soou do outro lado, vaga, pois sabia que o rapaz estava familiarizado o suficiente com o seu timbre para não precisar de maiores explicações. – Estou ligando para avisar que já falei com Shikamaru, estou indo para a redação da The Japan Times agora e não sei a que horas eu e sua mãe voltaremos para casa. Sinta-se livre para pedir algo para o jantar. – aconselhou, já sabendo que Naruto não poderia cozinhar nada além de macarrão instantâneo para si mesmo.

– Vou pedir lámen no Ichiraku. – ele respondeu com diversão na voz, sentando-se na cadeira giratória atrás da grande mesa de mogno, abarrotada de papéis e projetos.

– Faça o que quiser, mas a sua mãe não vai gostar disso. – o homem declarou de forma descontraída, atraindo um sorriso ainda maior do primogênito.

Se dependesse de Minato, ele faria tudo o que quisesse – salvo algumas raras exceções –, ao contrário da opinião de Kushina, que se deixasse, sufocava-o com tanta atenção. Ele não estava reclamando, mas se incomodava na grande maioria das vezes. Se não fosse pelo seu pai, que colocava os ânimos da mulher ruiva para baixo, Naruto e a mãe já teria colocado a casa abaixo com brigas que tomavam proporções homéricas. Na adolescência, principalmente, seus embates mais problemáticos eram com a matriarca. Ambos não sabiam controlar seus próprios temperamentos e sempre sobrava para o Namikaze colocar panos quentes na situação.

– Ela não vai estar aqui para me impedir. – ele retrucou, dando de ombros, de forma indiferente. Como se para escapar da voz mal-humorada da própria consciência, condenando-o por ser tão atrevido, ele começou a arrumar a mesa desordenada, juntando os papéis em uma pilha.

Um suspiro cansado soou do outro lado da linha. Naruto sabia o que significava: “Ele nunca muda”.

– Não a provoque demais, você sabe o que acontece. – alertou. – Eu preciso desligar agora, Naruto, mais tarde conto como foi... – assegurou e desligou.

O rapaz colocou o telefone na base, lamentando o fato de não ter ninguém para conversar agora. A casa estava silenciosa e ele se sentia incomodado com a sensação familiar de solidão comichar dentro do seu peito. Decidido, ele determinou que ligaria para Kiba e Shion e veria quem estava livre para uma noitada entre amigos, porque não estava disposto a ficar em casa, sozinho.

Levantando-se, e detendo um breve olhar sobre a escrivaninha, apologético por não terminar o que havia começado, ele notou um papel com um nome que lhe chamou a atenção. A folha continha o nome e a assinatura de Sasuke, mas fora as palavras impressas, não havia nenhum carimbo ou visto sobre o local que indicava seu pai. Agarrando o documento, ele começou a ler com o cenho franzido em confusão e estranhamento. Conforme seus olhos corriam pelas letras, o brilho perdido dava lugar à perplexidade e indignação.

“Mas, que porra é essa?!”, sua mente gritou.

No contrato, o Uchiha passava parte das próprias ações da Mangekyou para Kyuubi Engenharia & Construção. Como se a situação de Fugaku não fosse humilhante o suficiente, o moreno expressava naquela ação, que a empresa era incapaz de se reerguer sozinha. Sasuke era audacioso o bastante para não pensar que arriscar um acordo assim, tão ousado, na situação em que se encontravam, fosse como dar um tiro no escuro. Talvez, se o patriarca Uchiha não fosse tão centrado quanto uma flecha, ele reconsiderasse, pois a proposta era benéfica para ambas as partes.

Naruto não sabia se havia sido distração, burrice, ingenuidade ou excesso de confiança do estudante de administração, mas o loiro podia colocar a mão no fogo de que, se aquele processo continuasse em andamento, as coisas iriam feder ainda mais para a sua família. O chefe do clã mais tradicional do Japão iria surtar quando soubesse que seu filhinho estrela o havia traído dessa forma tão descarada. Ele iria comer o seu cérebro, o pouco de esperança que restava em sua casa e depois, avançaria em Sasuke como um falcão descontrolado.

“Porra, Sasuke, você vai me fazer enlouquecer um dia.”, resmungou para si mesmo, enquanto esfregava a testa enrugada pela tensão com a ponta dos dedos, em uma vã tentativa de fazer a dor de cabeça ir embora.

Mudando de ideia, ele não queria mais ter uma noitada com os seus velhos amigos, Naruto estaria pegando o seu carro e dirigindo de volta para Nagano naquele momento. Ele não se importava se as intenções do Uchiha foram as melhores, ele mesmo chacoalharia o homem por sua estupidez.

(***)

Sasuke folheava uma revista de negócios que comprara há algumas semanas e não tivera tempo de ler, quando a campainha tocou. A televisão zunia o noticiário daquele dia e ele estava tentado a abrir uma garrafa de vinho e aproveitar um pouco da tranquilidade que não conseguia na presença constante de Karin ou Naruto, mas pelo visto, a vida tinha lhe reservado outros planos. Com um suspiro cansado, ele largou o exemplar no sofá e se levantou, estranhando o fato de alguém o estar chamando àquela hora. A sua companheira de apartamento havia saído para se encontrar com Ino, e ele não esperava ninguém, exceto um certo loiro de olhos azuis, que não pretendia voltar para Nagano até a manhã seguinte.

Ao observar através do olho mágico, o moreno teve o vislumbre do cabelo dourado e familiar. Franzindo as sobrancelhas, ele abriu a porta sem segundos pensamentos e se viu encarando um par de orbes profundos, fazendo-o perder o compasso da respiração por alguns instantes. Algo deveria ter saído errado, para que o Uzumaki voltasse a dirigir um longo percurso de três horas, apenas para vê-lo novamente, e ainda ostentasse aquela expressão grave no rosto normalmente descontraído e sorridente.

– Aconteceu alguma coisa? – ele já perguntou, cortando o papo introdutório. Com uns passos para trás, ele deu abertura para que o homem passasse.

Naruto demorou um minuto, observando analiticamente o apartamento sempre composto, antes de voltar a encontrar o olhar do mais velho.

– Precisamos conversar, Sasuke. – começou, abrindo uma pasta que o moreno não havia notado que o loiro segurava firmemente entre os dedos. – Eu queria que você me explicasse o que significa isso. – ele murmurou tranquilamente, estendendo o papel para o outro.

Sasuke não precisou de maiores explicações para entender o que se passava. Por algum motivo, o Uzumaki havia descoberto sobre a proposta que fizera para Kushina há algumas semanas. A julgar pela sua expressão, seus pais não tiveram tempo para esclarecer a situação, e, pelo horário que havia chegado ao seu apartamento, dava-se para calcular que o homem não parou em Niigata nem por uma hora inteira.

– O que há para explicar? – ele perguntou com arrogância, mesmo sabendo que deveria ser cauteloso. O fato de ter escondido algo tão importante, poderia desencadear uma briga caótica, se ele não controlasse a língua. Mas, ele não conseguia. Quando se dava conta, já havia despejado tudo o que tinha para jogado, sem qualquer cuidado no mundo.

Naruto olhou para Sasuke como se precisasse fazer um esforço muito grande para reconsiderá-lo, pois a dúvida parecia ter rompido uma barreira já há muito danificada. De repente, o loiro não fazia mais questão de esconder o quanto estava chateado; o quanto aquela situação estava o incomodando. Ele tinha um monte entalado na garganta. A discussão que ambos tiveram na Progressive Energy não fora o suficiente para amenizar aquela sensação de impotência e frustração que se embolavam em seu peito a cada dia que passava. As tentativas do Uchiha em consertar tudo não estavam ajudando e, parado, esperando que as soluções do mesmo mudasse o curso das circunstâncias, também não...

– Eu estou cansado dessa merda. – o loiro murmurou, jogando-se no sofá e atirando o contrato na mesa de centro da sala, para afundar os dedos no bolo espesso dos próprios cabelos, com a esperança frustrada de que a pressão dos dígitos contra o seu couro cabeludo amenizasse a confusão de sua cabeça.

O moreno se impediu de se encolher diante da frase derrotada, como se o mais novo estivesse jogando tudo para o alto e desistindo.

– Quer saber de uma coisa, Sasuke? – ele perguntou, erguendo o rosto para encarar os olhos negros, fazendo o Uchiha não gostar na determinação resignada naquelas íris cintilantes. – Quando eu te vi pela primeira vez, eu sabia que estava atraído. Eu deixei os meus medos e inseguranças de lado, porque eu estava pleno de que eles vinham de um preconceito estúpido. Se eu te repelisse àquela noite, eu estaria indo de encontro aos meus princípios, pois sempre cedi aos meus desejos de coração e sempre fiz de tudo para não me encaixar cegamente nesse padrão comportamental que a nossa cultura exige. – começou com um sorriso pequeno, que não chegou a alcançar o olhar, o qual ainda permanecia sério. – E ainda assim, a minha consciência continuava questionando essa coisa irracional que a gente tinha, e tem até hoje.

Sasuke continuou parado, no mesmo lugar, com medo que qualquer movimento pudesse parar as divagações do Uzumaki. Ele bebia das informações como um abstinente, sentindo algo vibrar em seu interior com a sinceridade daquelas palavras. O estudante de administração havia perdido a conta de quantas semanas havia aguardado para entender o que se passava na cabeça de Naruto, uma vez que nunca entendera o porquê do rapaz ter se entregado tão rápido, e ao mesmo tempo tão lentamente. As dúvidas construíam um mar revolto de incertezas dentro da sua mente, afinal, apesar de o homem a sua frente ser extremamente expressivo, o loiro também era tão fechado quanto ele mesmo, e suas atitudes contraditórias e surpreendentes, confundia-o.

– Eu sei que você ficou chateado por eu ter recusado a fazer sexo anal várias vezes; eu via isso nos seus olhos, mas eu não conseguia admitir que, apesar de todas as minhas crenças sobre não ter receios, eu estava apavorado. – ele continuou, desviando o olhar para a janela, para não ter que encarar o escrutínio do outro. – Eu e Sakura tentamos fazer isso uma única vez, mas ela reclamou tanto de dor, que chegou a chorar. Eu fiquei assustado e com um peso na consciência enorme, cheguei a ficar com medo de tocar nela por semanas e machucá-la involuntariamente. – ele engoliu em seco. – Eu não entendia como você podia gostar tanto, se era tão dolorido, mesmo que sempre me orientasse a como fazer e quando. – ele riu. – Cheguei a achar que você era um tipo de masoquista.

Nesse ponto, Sasuke se remexeu. Ele sabia que homens que acreditavam ser heterossexuais por grande parte da sua vida, tinham uma dificuldade enorme em aceitar a forma como o sexo homossexual era vivenciado, mas ele não podia imaginar que o sentimento de autopreservação tivesse um motivo diferente do machismo comum que já encontrou em outros parceiros. Agora, ele entendeu o motivo do cuidado constante de Naruto, mesmo quando a transa era mais intensa. Seus pensamentos foram cortados com a voz do Uzumaki, que tornou a falar naquele momento:

– Quando a minha família descobriu, eu me vi diante a algo que estava ficando maior que eu esperava, num tempo muito curto. Nossas mães já esperavam que comprássemos uma casa, adotássemos uma criança, formássemos uma família, sendo que eu nem estava preparado para ter sexo anal ainda. – ele jorrou de todo o coração, esperando que tudo o que estivesse preso, se desembolasse para tirar aquele peso insuportável das suas costas. – Eu não sabia o que sentir, só sabia que eu te queria, mas existia algo em mim que estava sempre me empurrando para trás, então, eu sumi por um tempo. – voltou a olhar para o Uchiha. – E, aí, eu percebi que estava gostando de você de um jeito além de sexual, mas eu não sabia se o mesmo valia para você. Eu estava inseguro sobre ser rejeitado, sobre não dar certo, sobre estar fazendo direito, porque minha relação com a Sakura foi um fiasco; em torno dela, eu não podia ser eu mesmo, eu tinha que me segurar o tempo inteiro e, apesar de tudo o que eu fiz, ainda tive que ouvir que ela não me amava do jeito que imaginava. – ele começou a pressionar uns calos da palma da mão com o polegar, distraidamente. – Mas, apesar da sua impaciência, você tentou ir devagar, respeitar o meu espaço.

Houve um momento de silêncio em que o moreno tentou não raciocinar para não tirar conclusões precipitadas; para não se sentir tentado e interromper o monólogo do homem à sua frente. Agora, tudo parecia estar ficando claro e ele compreendeu o que o mais novo estava tentando fazer, ele estava tentando colocar em pratos limpos, meses de verdades ocultas, porque era isso que estava atrapalhando o envolvimento “aberto” que tinham. E, por mais que Sasuke soubesse que precisava se abrir também, ele simplesmente não conseguia; as palavras simplesmente não saiam. Mas, não havia importância, porque Naruto decidiu que precisava continuar naquele exato momento:

– Eu aprendi muito com você, Sasuke. – ele admitiu, olhando-o com carinho, admiração e... Amor, fazendo com que o rapaz perdesse o compasso da própria respiração por alguns segundo – A sua tolerância fez com que eu confiasse cegamente em tudo o que você me ensinou. Eu me entreguei de corpo e alma para o que eu sinto, apesar dos meus questionamentos, das minhas inseguranças... Eu acreditei em você. – Naruto respirou fundo, dando a entender que já estava ficando no limite do seu autocontrole. – E, quando as coisas começam a ficar ruins, quando eu percebo que te amo e que quero fazer toda essa merda dar certo, você me empurra, dizendo que não sabe se nosso relacionamento é importante; se vale a pena continuar. – ele desviou o olhar, sentido. – Você sabe como eu me senti? – perguntou, fazendo com que o outro sentisse como se tivesse levado um tapa, quando compreensão começou a amanhecer em sua cabeça. – Eu me senti da mesma forma, quando a Sakura afirmou que não me amava do jeito que pensava. E eu fiquei me questionando de novo: Onde eu errei? – desabafou. – Você não quer ser comparado com ela, mas que escolha você me deixou, hein?! – pausa reflexiva. – No fundo, eu sabia que você estava tão assustado quanto eu, mas de maneira diferente, e mesmo assim, eu confiei em você... – tornou a brincar com os dedos, para ver se distraia o foco da sua atenção para longe da própria fraqueza emocional. – Então, eu comecei a me perguntar: Por que você não pode confiar em mim também?

Sasuke queria falar; todas as réplicas na ponta da língua, esperando o momento em que encontrariam a voz necessária para vocalizá-las. Naruto só não conseguia entender que tudo o que havia feito, era para o bem daquele relacionamento. Ele havia pisado em sua própria família, fraudando o esquema de ações da empresa, e sacrificado a sua imagem em nome daquela coisa indefinida que tinham, porque acreditava nos dois juntos, como um casal. Pela primeira vez em sua vida, ele sabia que era certo.

– Eu acredito em nós. – ele começou, mas foi interrompido.

– Mas, você não confia. – Naruto objetou. – Sabe o porquê de eu ter saído mais cedo hoje, Sasuke? Eu recebi uma ligação de Shikamaru. Você sabe, ele está se formando em Jornalismo esse ano e trabalha na The Japan Times; cheguei a comentar com você, logo que nos conhecemos. – ele começou. – Eu pedi para que ele me ajudasse, porque se você estava fazendo algo com relação ao seu pai, eu me vi obrigado a fazer algo com relação à minha família. Eu não ia ficar esperando que você resolvesse os problemas da empresa dos meus pais, já que não era sua obrigação. – foi interrompido.

– Lógico que era! A culpa de essa merda toda estar acontecendo é do meu pai, como não podia pensar em ajudar a sua família? Que tipo de pessoa acha que sou? – ele retrucou com raiva. O corpo tenso, o peito erguido em autodefesa e os olhos brilhando com fúria. Ele só estava ficando chateado de ter que ouvir as acusações, como se o culpado de tudo estar dando errado fosse dele. Naruto também tinha uma parcela de responsabilidade, afinal, nunca dizia o que pensava, sempre se refreando o tempo inteiro e se empurrando para trás como se o relacionamento também não fosse importante.

– Eu não estou te julgando, Sasuke. – ele explicou com o cenho franzido em contrariedade. – Eu me surpreendi de uma maneira boa, no entanto, eu não tenho que concordar com os seus métodos. Se você tivesse me dado uma chance, assim como nós nos demos uma chance, quando começamos a sair, essa confusão toda já teria acabado; duas cabeças pensam melhor que uma! – gesticulou exageradamente para dar mais firmeza ao seu ponto de vista. – Eu estou apostando todas as minhas fichas nessa matéria que o jornal vai publicar para contrapor os pontos de vista do seu velho, o mínimo que você podia fazer é me apoiar!

– É o começo de uma guerra, Naruto, meu pai não vai aceitar que sua família difame o nosso sobrenome. Ele vai querer transformar os seus pais e a Kyuubi Engenharia & Construção em poeira! – tentou contestar, mas foi interrompido novamente.

– E você acha que isso é melhor? – ele apontou para o documento em cima da mesa. – Sasuke, seu pai vai te matar e matar a minha família depois. É capaz de ele dizer que te chantageei para conseguir as ações, sendo que a última coisa que quero nessa vida é o seu dinheiro! – gritou, levantando as mãos para o alto, como se pedisse por paciência divina. – Sabe o que eu quero, Sasuke? – ele lançou com uma convicção de ferro, como se a questão também fosse a resposta. – Eu quero você; eu quero que você confie em mim, da mesma forma que confio em você. Eu não quero o seu dinheiro, eu quero o seu apoio, os seus conselhos, para que a gente possa encontrar juntos, um caminho para trilharmos juntos também; mas, tudo o que eu vejo é essa distância que só cresce! – ele voltou a desabafar. – Se esse é o seu ideal de relação, individualista e egocêntrica, me desculpe, mas não é o que eu quero para mim. Eu estou cansado de amar sozinho, de acreditar sozinho, porque é só o que eu tenho feito todos esses anos da minha vida.

O Uchiha abriu a boca para retrucar, mas nada saiu. Ele sabia onde aquele discurso daria, Naruto estava terminando. Por um lado, sua mente gritava para impedir que o outro continuasse, mas pelo outro, o orgulho o evitava fazer algo mais por aquele relacionamento que estava fadado ao fracasso. Sasuke nem ao menos entendia o porquê de ter insistido tanto naquilo. Se fosse outra época e com outra pessoa, ele já teria desistido há muito tempo, porque ele normalmente não era tão tolerante, quanto o Uzumaki fizera questão de frisar. No entanto, com relação a esse homem, ele abria mão de tudo. Em um rompante, ele perguntou algo que não definia nem a metade do que estava sentindo:

– Você está desistindo? – raiva, mágoa, ressentimento, angústia reverberaram de uma vez pelo seu timbre, fazendo-o soar mais grave que o normal. Ele tentou ignorar a forma como seu peito se apertava, assistindo os olhos azuis o encararem como se delimitassem um ponto final.

– Quem sabe um dia, no futuro, a gente possa se dar uma chance outra vez. O que eu estou querendo dizer com tudo isso, Sasuke, é que gente fez tudo errado; nos escondemos o tempo inteiro. Precisamos aprender a ser sinceros. Você não confia em mim e eu cheguei ao ponto de não acreditar em você também. Eu só percebi que estava cometendo o mesmo erro que cometi com a Sakura, quando comecei a camuflar tudo o que te contava, a fim de não ter que discutir. Isso não é saudável e está acabando com todo o pouco que construímos em meses! – ele se levantou. – Agora, eu acho que a gente só precisa colocar a cabeça no lugar, amadurecer os nossos planos, os nossos sentimentos... Para saber o que realmente queremos e esperamos disso, entende? – caminhou até o outro, puxando-o pela nuca e o abraçando; seus braços rodeando o tronco delgado, como se pudesse cobri-lo por inteiro.

Não, Sasuke não entendia. O Uchiha tentou se afastar, empurrando-o, só para que o outro o apertasse ainda mais. Ele sabia que não estava resistindo o suficiente, que podia superar a força intensa, mas amena, contudo o mesmo não queria sair dali, se isso significasse a permanência do rapaz em sua vida.

– Eu também preciso de um tempo. – o loiro terminou, separando-se do contato e fazendo com que o moreno sentisse um repentino frio na espinha. – Eu... – ele recomeçou, mas hesitou, desviou os olhos para a porta e, meio trêmulo, pegou o celular que vibrava dentro do bolso da calça jeans. – Preciso ir. Meu pai está me chamando, preciso ver como foram as coisas... – ele jorrou incerto, depois de checar a mensagem no celular. Caminhando até a mesa de centro, o Uzumaki pegou o contrato de volta. – A gente conversa depois... – ele murmurou, vacilando entre um passo e outro até a saída, indeciso sobre como agir.

Por fim, com um último olhar, ele saiu; sem beijos, sem despedidas...

Sasuke rangeu os dentes, furioso consigo mesmo por algo que ele não sabia explicar ao certo. Sem pensar, ele pegou um vaso de vidro vermelho craquelado e jogou com tudo na parede atrás do sofá. Karin iria surtar quando visse os cacos espalhados pelo estofado e chão, mas ele estava pouco se fodendo; só precisava de algo para descontar a sua ira e frustração. Uma parte dele não querendo acreditar no que havia acontecido.

– Merda. – ele murmurou para o nada, empurrando o cabelo com as mãos. “O que faço agora?”, se perguntou inquieto e desesperado.