Dar-se Uma Chance

18 Capítulo 18


Notas iniciais
HELLO THERE!
Difícil, né?! A demora foi tanta, que temo já terem esquecido parte do enredo, haha!
Enfim, estou encaixando o enredo no clímax e por esse motivo tenho demorado tanto. Finais são complicados e tristes, mas infelizmente (ou não), eles existem por uma razão. Creio que entre três ou quatro capítulos mais, eu consiga dar um ponto definitivo em Dar-se Uma Chance.
Como eu não sei o que será daqui para frente, agradeço de antemão as pessoas que comentaram: pohchan, Insana, clawdeen wolf, Hunter, Shitsuzumi, Sabbatha-chan, RafaM, Hyuuga Manndy, Mino Saan, Temari, Naruto 11, Ayaka Cha, Larissa Mikaelson, Kyuubi, hinatailove, sweetmix, DemonicHeart, Mary, Sukinyan, SamaChan, FABYANA-OLI, Berry, SasuXNaru Forever, Kioshi uzumaki, Airu Cerejinha, Emily Ingred, Coffe Kizoku, camiipequim, Shay, hina Uchiha, Guilherme Vier, LeehScofield, LiihChan, Maísa Azevedo, Naracris, nOkinhas, Lohaina Piotz, Elenn Christine, Lumii, Gaby12Michaelis, Duque de Orion, Laís Rodric, akimi_tsuki, Vera Lucia Casagrande, Zei, Laylin, Uchiha Alexia, Lilian Assis, May Chan, Lu Black, Keicy Mona Eller, Lika Nues, Mayu, Asuka Kaoru, Buneary, feertechu, letty1, Yakisoba, Walkyria, _Ju_C, Milk Cullen, AyseeG, Love_DarkHina, FP And, Bah_Yuh, Leticia Snow, Myrian, Uzumaki Gi, YukiYuri, Nalu M, Deax1, Uesuri, Meel Jacques, Rosemary, Dea, katyredfield e nana uzumaki.
Eu fiz questão de colocar todo mundo, porque vocês realmente fizeram essa história muito importante para mim. Desculpa as pessoas que não citei e que vivem me cobrando por Mensagem Privada, mas com aquela confusão de atualização do Nyah!, acabei perdendo o nome de muitas pessoas.
Esse enredo me fez criar muitas amizades e laços que hoje faço questão de manter: SamaChan, João Seidel, Rafaella, Zei e Lohaina Piotz. São cinco pessoas que quero guardar em um potinho e escondê-los para ter só para mim, de verdade! Obrigada por estarem presentes no Twitter, Facebook, WhatsApp e até mesmo pessoalmente, no caso da Sama, que veio para São Paulo e ficou na minha casa por um final de semana. Espero que futuramente possamos marcar de sair só para jogar conversa fora e se divertir.
E o que eu faço com essa gente que me manda recomendações? Mordo? Aperto? Beijo? Faço todas as coisas ao mesmo tempo? Agradeço a todos de coração aqueles que viram algo de especial desse enredo para fazê-lo digno de recomendações.
E um cheiro especial para o Zei, que é um lindo e me mandou uma recomendação super fofa nesse último capítulo. O que eu faço com você? Acho que vou te sequestrar um dia, só para te dar um abraço de esmagar ossos!
Obrigada a vocês que favoritaram e acompanham anonimamente também...
E é isso, né?! Agora chega de lamber vocês e vamos ao que realmente interessa...

Escrito por KiiinN

"Nunca deixe que lhe digam que não vale à pena

Acreditar nos sonhos que se tem

Ou que os seus planos nunca vão dar certo

Ou que você nunca vai ser alguém..."

Renato Russo.


Capítulo 18


Sasuke estava sentado em sua cadeira, de frente para a mesa de seu computador. A tela ampla do iMac estava escura, indicando que o aparelho estava desligado naquele momento. Ele se balançava de um lado para o outro distraidamente, sentado no assento, enquanto ponderava suas próximas atitudes. Se o estrago de pedir um tempo para Naruto já estava feito, que ele continuasse com os seus planos, uma vez que não havia possibilidade de deixar tudo para trás bem na metade do caminho; era agora ou nunca.


Avaliando seus porquês por alguns segundos mais, ele retirou o telefone sem fio da base e discou o número da casa de seus pais em um horário, o qual sabia que Fugaku não estaria. Não era porque ele havia acatado as decisões do velho senhor, que o rapaz voltaria a trocar figurinhas com o patriarca como se nada tivesse acontecido. Ele ainda estava irado com o andamento das situações e sua raiva não passaria de uma hora para outra, principalmente pelo fato dele ser do tipo que guardava extremo rancor quando contrariado.

O toque da chamada ressoou duas vezes, antes de ser atendido por uma das empregadas da residência Uchiha, que fez o moreno esperar mais um pouco, antes de passar a ligação para pessoa que realmente o interessava:

– Sasuke-chan? — perguntou a sua mãe com aquele tom cheio de afeto e carinho de sempre.

Quando pequeno, ele costumava a se irritar com o fato de sua mãe ainda o tratar como uma criança, mas bem lá no fundo, ele adorava ser o queridinho da mamãe, uma vez que seu pai sempre foi a favor de Itachi. Era menos solitário se apoiar nos gestos cheios de zelo da Sra. Mikoto, mesmo que ela não fosse a pessoa mais apropriada para se contar quando se tratava sobre certos assuntos. Contudo, naquele momento, o caçula sabia que só poderia pedir amparo a ela para amaciar o gênio de seu pai.

Kaa-san... — cumprimentou, apoiando as costas e a cabeça confortavelmente em sua cadeira, encarando o teto branco, que, devido a luz acesa, parecia ter riscos de arabescos desenhados em sua superfície plana, devido aos traços que decoravam o lustre de seu quarto. — Está tudo bem? — perguntou, não, por formalidade, mas porque realmente gostava de saber sobre ela. Talvez, ele não demonstrasse o mesmo cuidado com Fugaku, mas a sua mãe era um caso à parte.

– Estou bem... E você? — indagou com genuína preocupação.

Depois dos últimos acontecimentos, não era de se surpreender que ela estivesse angustiada...

– É por isso que liguei. — começou, massageando a testa com a ponta dos dedos. — Diga ao papai que fiz o que ele pediu. Eu acabei tudo o que tinha com o Naruto e agora ele pode parar de prejudicar a família do Dobe. — terminou com o cenho franzido.

Apesar da tentativa frustrada em relaxar, ele ainda continuava tenso dos pés à cabeça. Seu nível de apreensão e nervosismo era tão grande, que Sasuke mal percebia o quanto estava distraído e emocionalmente aberto. Se fosse outra ocasião, o estudante teria se refreado mais naquela conversa, mas ele estava cansado de matutar constantemente sobre possibilidades e chances, sobre suposições e certezas. Ele só precisava acabar com tudo aquilo de uma vez!

– E por que você não diz isso diretamente ao seu pai? — ela deu um suspiro de resignação e cansaço.

Sasuke quase podia imaginá-la, balançando a cabeça negativamente, enquanto fazia uma cara de desagrado puro. Ele não sabia, porém, dizer se ela estava chateada pelo término, pelas atitudes do patriarca ou com as suas decisões. Conhecendo-a como conhecia, o moreno tinha a leve suspeita de que era uma mistura de todas as possibilidades juntas, o que o deixava ainda mais frustrado.

Mais essa ainda para se preocupar...

– Eu não quero conversar com ele. — respondeu secamente. — A não ser que você queira nos ver brigando outra vez. — deu de ombros, fingindo indiferença.

– Eu não quero isso, Sasuke. — a voz feminina se tornou um pouco mais grave com a seriedade do diálogo. — Eu só acho que vocês dois precisam conversar novamente. O relacionamento entre um pai e um filho é muito importante e vocês devem valorizá-lo-

Ela foi cortada bruscamente.

– Então, diga isso a ele! — exigiu. — Porque eu estou cansado de ser tratado como um pária! Ele não me ouve, não sabe o que é melhor para mim. Só fiz o que ele pediu, porque suas atitudes estavam chegando a um ponto insustentável. Eles são velhos amigos da família e, mesmo assim, tou-san não hesitou em prejudicá-los! Que exemplo ele quer me dar sobre honrar suas responsabilidades e valores, se ele ao menos se importa com pessoas, cujo laço é tão importante quanto o nosso?! — rosnou, esquecendo-se momentaneamente com quem estava falando.

O silêncio que tomou conta da linha foi ensurdecedor e pesado, cheios de palavras e significados não ditos. Era como uma bolha formada por uma fina película, que se romperia e explodiria ao menor toque de ar, abrindo espaço para algo que ambos se esqueceram de se atentar. Essa quietude palpável, só Mikoto foi capaz de quebrar, sem parecer que estava forçando uma cacofonia horrível para recolher atenção:

– Você cresceu tanto, Sasuke. Fico feliz que tenha se tornado o homem que é hoje. — ela declarou com um tom cheio de porquês. Havia um misto de carinho, alegria e preocupação inerente em sua voz, que o acalmou e relaxou por inteiro, fazendo-o quase deslizar pela cadeira, tamanha era a moleza de seus músculos.

Ele quase se arrependeu por ter sido tão grosseiro com alguém tão doce quanto a sua mãe. QUASE.

– É uma pena que ele não pense da mesma forma... — comentou casualmente.

Ser sentimentalmente aberto com alguém era uma luta, mas com a matriarca ele simplesmente se deixava levar; desde pequeno, era para a figura materna a quem ele corria quando se sentia perdido. Itachi lhe dava uma infinidade de conselhos e agia como um segundo pai, mas nunca o apoiou emocionalmente como a mulher. O irmão mais velho era resguardado demais para agir como se o consolasse. O máximo que ele fazia, era bater os dedos em sua testa afetuosamente e lhe dizer para parar de se preocupar com assuntos pequenos.

Para o primogênito poderiam ser ínfimos, mas para Sasuke eram grandes problemas.

– Eventualmente ele verá o grande erro que está cometendo. — afirmou com um tom divertido.

Mikoto conhecia o próprio marido como ninguém, logo, ela o interpretava como um enigma fácil. De acordo com a fêmea, Fugaku bateria a cabeça no mesmo muro por dias, crente de que suas atitudes repetidas e teimosas seriam capazes de derrubar a parede pesada; mas, só depois de ganhar uma dor de cabeça, ele pensaria melhor em seus atos.

O velho senhor era como o filho caçula: não pedia desculpas e nem sob tortura admitia seu erro; mas, eventualmente, tomaria algum jeito para consertar o deslize. Agora, ele compreendia, em partes, aquela sinergia que os dois compartilhavam, porque com Naruto, o moreno se sentia da mesma forma. Talvez, ainda houvesse tempo para que ele pudesse prever completamente as ações do loiro como a sua mãe fazia com o pai, mas em dados momentos, um choque de olhares entre eles já era o suficiente para adivinhar o que o Uzumaki estava pensando.

Vendo que Sasuke não estava disposto a continuar aquele tópico da conversa, a matriarca continuou:

– Vou dizer a ele, mas com uma condição... — o jovem ouviu a frase e quase gemeu, lamentando por segundos o fato de ter pedido ajuda. Itachi tinha a quem puxar no fim das contas, afinal, aquela postura chantagista era algo que ser irmão adotava com frequência.

– Diga. — pediu em um tom cansado e resignado.

– Que você converse com o seu pai, assim que estiver menos irritado sobre o assunto. Ele te ama, Sasuke, e por mais que esteja sendo um pouco teimoso e precipitado, ele só está fazendo tudo isso, porque acredita ser o melhor para você. Seja um pouco mais compreensivo.

O mais novo ficou em silêncio, não, porque refletia sobre as palavras da mãe, mas por não concordar com elas. Ele só não podia/queria causar mais discórdias entre a sua família, além de que ter uma discussão com Mikoto não estava em seus planos. Quem sabe, um desentendimento com ela só piorasse a situação, a qual ele estava tentando melhorar com unhas e dentes.

– Ok. — respondeu a contragosto.

A simples palavras, mesmo que dita só para amenizar o clima pesado, foi o suficiente para arrancar um ar mais animado da matriarca, que confiava nas promessas feitas pelos seus filhos, mesmo quando feitas por mero capricho. Os dois nunca foram homens de voltarem atrás em suas decisões, sejam eles felizes com essas escolhas ou não.

– Fico feliz em ouvir isso. Agora preciso ir, porque estou ajudando a Naomi na cozinha. Eu amo você! — balbuciou animadamente, sem dar chance a Sasuke responder, sabendo que ele não o faria de qualquer maneira. Ela desligou o telefone, sem se importar com a frieza do rapaz, já acostumada a lidar com os bloqueios emocionais dos machos Uchiha.


(***)



– Você vai sair de novo?


A pergunta foi dita por um familiar tom masculino, sereno e suave, como se seu dono amaciasse o terreno antes de pisá-lo. Virando-se para o lado, Naruto teve um vislumbre do pai, que apoiava o ombro esquerdo no batente da porta com os braços cruzados sobre o peito. Ele usava um roupão creme por cima do pijama azul claro de flanela. Os orbes cerúleos, tão parecidos com os do filho, analisavam meticulosamente a aparência do rapaz, enquanto considerava suas últimas atitudes.

– É o que parece... — murmurou vagamente em resposta, colocando a camiseta de caxemira cinza e branca, sem se preocupar em ajeitá-la adequadamente no tronco estruturado.

Minato avaliou a postura evasiva e rebelde do garoto, ponderando sobre os motivos que o levaram a ficar tão mal-humorado nos últimos dias. O jovem quase não parava em casa, dormia pouco e, mesmo assim, continuava a se jogar em noitadas longas e sem hora para voltar. Ainda que a aparência do outro não parecesse tão cansada quanto realmente deveria, era perceptível que em breve o corpo masculino não aguentaria a carga de atividades.

A raiva notável que norteava as ações do mais novo era tão intensa, que o preocupava.

– O que você está tentando esconder, Naruto? — indagou novamente em um tom mais baixo, enquanto olhava receosamente para o corredor, mais especificamente para a direção do quarto de casal, onde Kushina se preparava para dormir.

A ruiva nada dizia, mas era claro como água que ela já estava começando a ficar desconfiada do comportamento arredio vindo do filho. Se o patriarca não tomasse uma posição o quanto antes, a esposa o faria, mas daquela maneira sempre nada delicada e singela em lidar com situações críticas. E pela forma como o rapaz se encolheu diante da questão, deu-lhe a entender que a resposta não era tão simples quanto parecia, logo, só traria brigas desnecessárias se a matriarca se impusesse diante do rapaz como normalmente o fazia.

– Não se preocupe comigo, velho. — resmungou, começando a ficar enfadado com aquele jogo investigativo do seu pai. Ele não queria conversar sobre aquilo, principalmente quando os mais velhos já tinham desafios demais para se preocuparem.

Ele fechou o zíper lateral de sua bota de couro caramelo e marrom. O frio da noite de outono estava cada vez mais rígido e anunciava que em breve e estação daria lugar a um inverno gelado e rigoroso.

Um silêncio pesado preencheu o quarto, enquanto o jovem percorria pelo ambiente, arrumando-se o mais rápido que podia, enquanto Neji e seu primo, Tokuma, já o esperavam no Bar Nulo. Sem Kiba por perto, o Hyuuga era o único que conseguia acompanhá-lo em quase todos os programas que combinava. Shikamaru era muito preguiçoso, Chouji era muito caseiro, Shino não era exatamente divertido, Lee era compromissado demais para deixar suas obrigações de lado em nome de uma relaxada em um clube qualquer... E Gaara estava sendo uma vadia antissocial nos últimos tempos. Talvez, ele devesse chamar Kankurou, afinal, o homem também nunca negava uma boa festa; mais tarde ele o chamaria no celular.

Minato suspirou de forma resignada, pois, pelo visto, nada iria manter o rapaz em casa.

– Naruto-

– Pai? — chamou, interrompendo-o. — Eu não quero conversar sobre isso agora. — explicou, olhando o mais velho nos olhos, demonstrando minimamente todo o cansaço que realmente sentia. — Estou tentando não pensar sobre o que aconteceu para evitar me questionar. — pausa longa, enquanto ele afivelava uma fina faixa de couro no pulso. — E se para conseguir isso eu precise me manter distraído, eu o farei. Estou saindo com os meus amigos, fazendo o que tenho de fazer, justamente para não ficar me martirizando sobre algo que eu já estou feito. — pegou a jaqueta de camurça laranja escura em cima da cama e caminhou até o homem, batendo a mão sobre o ombro do outro. — Isso te tranquiliza?

O engenheiro considerou a imagem masculina do filho diante de si por um momento, antes de sorrir minimamente sob a influência das íris claras brilhando em determinação. Sim, aquele pequeno pedaço de informação lhe acalmava. O jovem podia ser um pouco inconsequente e impulsivo, mas ele confiava no julgamento maduro do filho, afinal, ele não havia criado o seu primogênito para agir sem grandes significados por trás de suas ações.

– Sasuke está te dando muito trabalho, pelo visto... — brincou, deduzindo o motivo daquela bagunça toda.

O mais novo apenas soltou um riso de escárnio, enquanto caminhava pelo corredor em direção às escadas.

– Esse cara vai me deixar louco um dia, tou-chan! — gritou com indignação, e apesar do tom ressabiado, o estudante parecia levemente divertido com aquela constatação. — Itekimasu¹! — berrou mais uma vez, sem s importar com o horário.

Hai, hai². Itterasshai³. — disse simplesmente, fazendo um gesto de descaso e desolação com a mão, já nem se importando mais com as exclamações altas que o garoto soltava, pois já estava acostumado a timbres elevados dentro da casa, uma vez que Kushina não ficava para trás do filho quando decidia berrar em alto e bom som pelos cômodos, como se fosse capaz de fazer surdos voltarem a ouvir.


(***)



Sentado em cima da cama na posição de meditação, Sasuke encara com concentração o seu telefone celular em cima da superfície macia, como se o aparelho fosse lhe dar todas as respostas para os seus dilemas. Ele tamborilou os dedos no colchão coberto pela fronha azul marinho e mastigou o lábio inferior, ponderando sobre como faria o que estava planejando já há alguns dias. O moreno sabia perfeitamente a quem recorrer, mas não poderia dizer com exatidão qual seria a reação desse alguém ao saber o que ele pretendia. Dando tapinhas impacientes em seu próprio joelho, ele tomou uma decisão e antes que pudesse se questionar mais sobre o assunto discou o número tão conhecido.


O sinal de chamada soou sete vezes, deixando o Uchiha impaciente com a demora. Quando ele já estava prestes a desligar para tornar a ligação, a pessoa do outro lado atendeu:

– Sasuke? — a voz normalmente suave parecia estranhamente grave e rouca, fazendo com que o rapaz franzisse as sobrancelhas em dúvida se havia ligado em um bom momento. De qualquer forma, ele seria breve e seja lá o que Itachi estava fazendo, podia esperar uns cinco minutos.

– Itachi, eu preciso falar com você. — respondeu diretamente, cortando os cumprimentos saudosos e afetuosos. Ele não tinha tempo para isso e, pelo visto, seu irmão mais velho também não.

– Agora? — seu tom ecoou, como se seu dono choramingasse e ofegasse ao mesmo tempo. — Sasuke, são 22h45min da noite e eu tenho coisas mais importantes para fazer no momento. — resmungou com um timbre tenso, retraído e contido.

O moreno evitou corar como uma virgem ao constatar o que outro estava fazendo. Agora, ele seria incapaz de dormir sem ter pesadelos com a imagem mental do homem com Shisui em momentos nada puritanos. Naquele instante, ele compreendeu como Kiba se sentia toda vez que Sasuke o provocava sobre ter uma noite quente com Naruto. O sentimento era menos atordoante que flagrar os pais na cama, mas também nos fazia sentir como se fossemos incapazes de transar novamente, sem ter aquela lembrança desgraçada girando em seu cérebro repetidas vezes.

– Por que você simplesmente não ignorou a minha ligação, sua doninha?! — rosnou com raiva, esquecendo-se do fato que ele odiava quando as pessoas não atendiam às suas chamadas e que seu irmão lhe conhecia bem o suficiente para tentar ignorá-lo. Era capaz de ele continuar ligando para o outro, só para ter o prazer de importunar o empresário.

– Você fala como se não se conhecesse, irmãozinho... – provocou.

Por um tempo, Sasuke pôde ouvir algumas trocas de palavras indistinguíveis entre os dois amantes, antes que o silêncio lhe indicasse que o primogênito poderia ouvi-lo apropriadamente agora:

– De qualquer forma, — interrompeu qualquer resposta que Itachi fosse dar naquele instante e ignorando o desafio silencioso que o homem lhe lançou. — preciso almoçar com você, assim podemos conversar com mais calma.

– Ok! Me encontre no Keyakizaka ao meio dia na quarta-feira. — disse simplesmente, antes de encerrar a chamada.

Como o mais velho conseguia pensar em tantas informações em um momento como daqueles, Sasuke não sabia, mas agradecia por não ter de ouvir mais a voz quase gemida do outro pelo telefone. Já era constrangedor demais tê-lo pegado em uma situação como aquela... Talvez, ele entendesse um pouco mais Fugaku agora. "Por que tou-san não liga para Itachi agora? Assim, ele vê que eu não sou o único pervertido da família!", pensou emburrado, jogando o celular para o outro lado da cama e se deitando com os braços cruzados atrás da cabeça.

Ele estava entediado e o fato o fazia remoer os acontecimentos dos dias anteriores vezes seguidas, incomodando-o. Ele já havia adiantado parte de seus argumentos para defender o tema de sua monografia — que seria entregue junto à parte prática do Trabalho de Conclusão -, navegado na Internet para tentar encontrar Naruto online, lido meia página de um livro velho qualquer e ouvido música. Infelizmente, nada do que fazia era suficiente para distrair a sua mente e, quando menos esperava, seus pensamentos já estavam direcionados ao loiro de olhos azuis outra vez.

O moreno sabia que estava errado “em partes” e que realmente havia optado pelo caminho mais fácil, mas as medidas que o Uzumaki queria tomar para consertar o deslize de ambos não eram muito eficazes. O outro podia ser obstinado, mas nem sempre a maneira como ele agia, resolvia tudo. O mais novo era muito imprudente, agia antes de pensar nas consequências e isso podia atrapalhá-los muito mais do que ajudar. Ele só precisava de um tempo para arrumar essa confusão toda, por isso, o corvo esperava sinceramente que o estudante de engenharia entendesse e não saísse por aí distribuindo sorrisos sedutores e calorosos a fim de esquecê-lo. E nem andasse pelas ruas, entregado calor humano para qualquer par de pernas torneadas que estava disponível, caso o contrário, ele castraria aquele Dobe de uma forma nada bonita de se ver, mesmo que doesse em si mesmo aquela imagem mental.


(***)



Ele se acomodou em um dos pufes estofados de couro marrom do restaurante Keyakizaka, que pertencia à mesa reservada pelo seu irmão para que ambos pudessem almoçar juntos. Itachi ainda não tinha chegado, mas ele não condenava o mais velho, uma vez que sabia estar alguns minutos adiantado do horário combinado. Sasuke olhou distraidamente o ambiente aconchegante e acolhedor, devido à iluminação amarelada do espaço, e brincou com uma das pontas do cardápio que estava à sua frente, divagando distraidamente sobre a conversa que o levou até aquele lugar.


O vice-presidente da Mangekyou tinha muitos contatos ilícitos — que deixariam Fugaku de cabelo em pé, caso este soubesse -, e, ao ligar os fatos, ele percebeu que, quem sabe, algum deles pudesse ajudá-lo no que precisava.

Uma garçonete parou ao seu lado, usando um avental negro que caía perfeitamente em seu tronco magro, e deu um sorriso cordial, abaixando a cabeça em um cumprimento tradicional e colocando seu tablet a posto para anotar seu pedido.

– Um copo de água por enquanto; estou esperando por outra pessoa. — respondeu com simplicidade. Sua calma sendo interrompida por uma voz tenra como seda, que cortava o silêncio com a mesma sutileza de uma faca afiada...

– Não está esperando mais. – Itachi retorquiu brandamente, sentando-se e encarando a funcionária com um sorriso pequeno e atencioso, que fez a mulher corar dos pés à cabeça, encabulada pela atenção exagerada que estava recebendo. — Esqueça a água, traga-nos um Sauvignon Blanc. — ele a interrompeu, quando percebeu que a mulher perguntaria alguma coisa. — Deixo a marca por sua escolha, tenho certeza que você tem uma ótima opção para me recomendar. — aumentou o sorriso e deu uma piscadela carismática.

Sasuke rolou os olhos ao ver a pobre moça corar ainda mais, quase ao ponto de fazê-la desmaiar de vergonha. Claro. Seu irmão nunca perdia a chance de usar o seu charme para provocar as pessoas ao seu redor. Parecia ser um jogo prazeroso para ele, usar o poder e a influência que sabia possuir, apenas para testar o quão longe poderia ir para obter as respostas que desejava.

Apesar de tudo, Itachi nunca deu falsa esperança a ninguém, pois era sincero demais para enganar qualquer pessoa através de intrigas, mas ele gostava de usufruir de seu carisma, justamente para conseguir tudo o que queria. Para alguns, poderia ser considerada manipulação, mas para o empresário, era apenas usar os artifícios certos na hora exata. Devia ser por esse motivo, que o homem de cabelos compridos tinha sempre alguém a quem recorrer.

Quando a garçonete saiu, tentando não sorrir pelo ego inflado, o rapaz mais jovem se virou para o outro com um olhar penetrante e repreensivo:

– Shisui ficaria orgulhoso da sua atitude. — sua declaração fez o homem arregalar os olhos minimamente, um tanto surpreso com o fato de seu otouto ter descoberto algo daquela magnitude tão rápido.

Pelo visto, o mais novo estava mudando muito mais do que aparentava, pois, antigamente, ele nem se dava ao trabalho de olhar para algo além do próprio umbigo.

– Então, você sabe... — lançou um olhar de esguelha, soltando um pequeno riso, que escorreu de seus lábios como a verdadeira vocalização do mistério. Ele colocou sobre o colo, o guardanapo de linho rose, e ignorou a expressão insatisfeita e emburrada do rapaz.

– Naruto. — respondeu com simplicidade, dando de ombros e tentando soar indiferente, o que atraiu outra risada cheia de significados vinda do irmão.

– Naruto... — imitou o tom usado pelo rapaz, pegando o maço de cigarros de dentro do bolso interno do paletó. — Você nem ao menos consegue disfarçar o quanto esse nome mexe com você. Um tanto patético, mas eu não te condeno... — divagou, prendendo o filtro do fumo entre os lábios finos e puxando o cinzeiro de vidro para mais perto de si. — Ele tem aquela aura de robustez, agressividade e imponência que cativam qualquer homem homossexual em um raio de trinta quilômetros. — acendeu o tabaco, puxando o calor do fogo para que este queimasse mais depressa.

– Você fala como se ele fosse mais propenso a atrair homens do que mulheres. — rebateu, tentando ignorar o tom provocativo de Itachi, pois sabia que o homem só estava tentando mexer com seus nervos.

– Mulheres procuram homens sensíveis e delicados, Sasuke, porque querem se sentir compreendidas. Por que você acha que atrai tanta atenção feminina? Traços delicados transmitem a imagem errônea de que elas encontraram exatamente o que esperam em um parceiro ideal...

– Interessante a sua teoria, — interrompeu. — mas o que Naruto tem a ver com ela? — jorrou com deboche.

– Ele é um grosseiro mal-educado, que transmite a ideia de que vai tratar uma mulher da mesma forma como age constantemente. — deu de ombros. — Homens homossexuais não procuram por sensibilidade ao todo, eles procuram por alguém que possa responder aos seus estímulos sexuais e que corresponda aos seus anseios de companheirismo. Na grande maioria, mulheres procuram homens inabaláveis, compassivos e afetuosos, porque internamente desejam alguém que as apoie. Não quero generalizar, mas você percebe a diferença entre os comportamentos? Seu loiro bonitinho te oferece exatamente o que quer e mais um pouco. Ele me parece o tipo que não hesita em optar por um sexo mais selvagem, não nega compartilhar um cigarro no silêncio depois que a foda termina e ainda não reclama sobre a falta de contato físico constante, por considerá-lo frio. — seu sorriso se abriu ainda mais, quando observou a carranca do rosto pálido se aprofundar. – Nem todos são iguais e nem quero tomar partido de lado algum, mas acredito que você entendeu o que eu quis dizer, não é, otouto?

– Você parece ter prestado atenção demais nele. — quase rosnou a constatação e ignorou o resto do monólogo incessante, centrado demais naquele pedaço de informação, que acordou uma infinidade de sentimentos desagradáveis.

Se Itachi estava querendo brincar com fogo, ele iria se queimar. Uma raiva cega cresceu em seu interior, como fogo líquido correndo por suas veias e se concentrando bem na boca de seu estômago. Ciúme enrolava suas entranhas e o fazia enxergar branco. Ele estava quase se levantando, movido pelo orgulho ofendido, e se esquecendo completamente do que viera fazer naquele lugar.

Foda-se o seu irmão mais velho; foda-se a ajuda que ele precisava.

– É claro que reparei nele. — fez um gesto de descaso com a mesma mão que segurava o cigarro. — Eu preciso proteger o meu irmãozinho tolo e para isso, necessito conferir com os meus próprios olhos se ele era tão bom para você quanto aparentava.

O olhar negro, que antes tinha um brilho provocativo, adquiriu uma intensidade mais fraternal e carinhosa. O mais velho apoiou o cotovelo na mesa e segurou o queixo, analisando a figura rígida relaxar visivelmente sob a influência de sua declaração. Sasuke vacilou por um instante, quase demonstrando o quão aliviado ficou ao ouvir as palavras repletas de afeto. Itachi tinha aquele poder de romper com as suas barreiras e desarmar o seu espírito sempre na defensiva com aquelas frases paternais soltas ao acaso. Era irritante e ao mesmo tempo bom, pois essas atitudes surpreendentes jogadas no ar tinham o poder de aquecer e relaxar o seu interior sempre tenso e em alerta.

E, apesar de todo amor e do profundo significado que o mais velho tinha em sua vida, Itachi ainda era um obstáculo, a qual tinha que atravessar para ser plenamente feliz... Muitas vezes, o caçula se sentia ofuscado pelo homem e ele queria/precisava ter o seu próprio lugar ao sol.

Dando um sorriso ressabiado, ele ignorou a demonstração de ternura e simplesmente respondeu:

– Ele pode até parecer um bruto, mas é tão sentimental quanto uma criança. – sua declaração atraiu um riso descompromissado do outro.

– Eu sei, por isso frisei que eram apenas imagens errôneas. Você também não é nada daquilo que aparenta, Sasuke. – comentou distraidamente, batendo o cigarro no cinzeiro para soltar as cinzas.

E, de repente, o ar entre eles ficou mais denso, anunciando que o rumo da conversa tomaria um novo partido dali para frente:

– Eu preciso da sua ajuda, nii-san. — soltou de supetão, sem hesitar.

A conversa de ambos foi brevemente interrompida pela chegada da garçonete, que trazia uma garrafa esverdeada de Casa Marín e duas taças de vinho branco. Ela os serviu com um sorriso leve no rosto, talvez ainda lisonjeada pelos galanteios de Itachi, anotou os pedidos dos pratos e saiu como se fosse feita de plumas. O primogênito Uchiha sabia como amaciar e agradar o ego de uma mulher, mesmo que não fizesse nada muito significativo para isso, o que irritava o mais novo de maneiras homéricas, porque tiravam a atenção de qualquer foco.

Ignorando a interrupção, o homem respondeu como se nenhuma intercorrência tivesse acontecido:

– Eu sei... Você não teria me ligado se não precisasse. — e por incrível que pareça, a frase não soou como uma crítica. Parecia uma declaração orgulhosa, que indiretamente dizia que ele se sentia satisfeito com a preferência do caçula ao escolhê-lo como seu único porto de segurança.

Era um recado mudo da vida que expressava em todas as palavras que ele estava cumprindo o seu dever como irmão mais velho. Sasuke precisava aprender a ser mais consciente e ele não ajudava muito ao tomar o partido pelo caçula constantemente, mas algo estava diferente dessa vez e ele se daria o benefício da dúvida, confiaria nos planos do rapaz, desde que este não fosse irresponsável em suas escolhas...

O estudante de administração escaneou a feição de Itachi, tentando ler a expressão sempre impassível para ter uma noção de como levaria o diálogo adiante. O vice-presidente da Mangekyou apenas fingiu não reparar no escrutínio indisfarçado, pegou a taça entre os dedos e a girou, antes de sentir o cheio defumado do líquido claro e sorver com cautela analítica.

– Eu preciso que você me dê controle total sobre os meus bens. — jorrou com a expressão em branco, desistindo de tentar decifrar o outro e fingindo não estar afetado com a forma que o primogênito Uchiha quase cuspiu o vinho, tamanha a surpresa que o percorreu com aquela declaração.

Um pouco desorientado, o homem nem reparou no gosto da bebida, detendo-se apenas para focar sua atenção no mais jovem.

– Isso é novo. — admitiu com certa admiração. — Achei que fosse me pedir para conversar com tou-san, mas pelo que vejo, você tem outros planos. — depositou o objeto em mão na tampa da mesa e deixou o cigarro descansando entre a pequena brecha de sustentação do cinzeiro. — Nosso pai ainda é presidente da Mangekyou e ainda tem total controle sobre todos os seus bens e parte dos meus. Como espera que eu consiga algo dessa magnitude, sem atrair atenção, Sasuke? — indagou com repreensão óbvia.

Não era impossível, mas seria muito difícil e demandaria tempo. Ele não sabia se estava disposto a arriscar tanto em nome de um romance qualquer de seu irmãozinho. Se alguém da empresa descobrisse o que estavam planejando, não saberia dizer quais seriam as consequências de seus atos em conjunto, mas tinha certeza que não seriam nada brandas.

Ao sentir a angústia que saía em ondas de Sasuke, o outro suspirou e encarou com concentração resignada um dos lustres quadrados do teto, tentando pensar com coerência e ignorar o sentimento incômodo de ver a expressão perdida do mais novo. Ele não sabia explicar o que era, mas só de ver o olhar indolente, apertava-lhe o coração, porque diferentemente do brilho impassível e costumeiro que sempre fizeram parte do corvo, aquela opacidade vazia era angustiante.

– Eu sei que você tem contatos, nii-san. — insistiu, tentando não soar como se implorasse. — Eu não estaria te pedindo algo assim se não soubesse que pode me ajudar. — pegou o maço de cigarros de Itachi que estava em cima da mesa.

Ele estava começando a ficar ainda mais tenso com o rumo da conversa. Uma leve insegurança ameaçou despontar no seu ser, ao perceber a forte rejeição que parecia romper as íris escuras de seu irmão. Talvez não houvesse sido uma boa ideia pedir auxílio ao mais velho, mas ele era a única pessoa a quem Sasuke conseguia pensar, que poderia ajudá-lo.

Agora, ele só não sabia o que faria. E, de repente, a ideia de Naruto, sobre conversar com Fugaku não parecia tão ruim assim...

– Eu vou te fazer uma pergunta e quero uma resposta sincera. Se eu perceber que você está mentindo, eu vou esquecer que tivemos essa conversa. Entendido?

O caçula quis zombar do tom usado por Itachi; como se o tratasse como uma criança estúpida. Ele só olhou para o irmão com uma cara que claramente dizia para ele se derramar de uma vez ao invés de ficar enrolando, com aquele papo fingido de querer ser o mais correto e moral entre os dois, quando era claramente o contrário. Sasuke acendeu o cigarro e tragou com força, batendo o isqueiro de ferro com um baque conclusivo em cima da mesa.

– Por que está me pedindo isso? — o primogênito jogou sem segundos pensamentos, considerando a pose cheia de descaso do outro.

O estudante de administração olhou para a janela, um pouco mais à frente, centrando sua atenção nos pedestres que passeavam indiferentes aos seus conflitos internos. Seus olhos estavam focados, mas ele não via nada do que estava fisicamente diante de si, por estar focado exclusivamente em seus pensamentos. Ele considerou seus motivos por um instante ou dois, antes de começar a balbuciar como se estivesse em um mundo paralelo:

– Papai está prejudicando a família do Naruto. Preciso garantir que eles fiquem bem, antes de arrumar a minha situação com o tou-san. — lambeu os lábios secos.

Novamente a conversa foi interrompida pela chegada da garçonete, que entregou os respectivos pedidos aos seus donos, antes de fazer uma reverência e se retirar.

Itachi não precisava ouvir mais. Não lhe interessava a forma como o caçula faria o que pretendia, só lhe importava saber os verdadeiros motivos que guiavam a vontade de Sasuke. Ter o conhecimento de que não eram propósitos egoístas já lhe era suficiente.

– Me dê uma semana. — declarou, amassando o filtro do cigarro no cinzeiro para começar a comer a sua refeição, fingindo não perceber a cara surpresa do outro.

– Só uma semana? Tão rápido? — indagou atordoado, esquecendo-se da comida esfriando à sua frente.

– Ou duas; no máximo. Eu ligo para você.

Sasuke tentou segurar o sorriso agradecido, mas os cantos de seus lábios involuntariamente subiram, mostrando o seu apreço para com a escolha de seu irmão. Ele seria eternamente grato pelo apoio, mesmo que relutante, do seu herói de consideração.

– Hn. — concordou simplesmente, amassando a ponta acesa do próprio cigarro para começar a comer.


(***)



O som alto do Under Water Bar Praha retumbava por todo o ambiente. Era a noite em que tocava Soul / R&B / Hip Hop e Naruto estava curtindo ficar sentado no banco alto, vendo as japonesas balançarem seus corpos petite à batida forte, tentando imitar os rebolados imponentes de grandes cantoras norte-americanas. Kiba estava ao seu lado, fazendo-lhe companhia para uma noitada só para homens; ou seja, Ino havia saído com as outras meninas para alguma casa noturna qualquer, deixando o moreno sozinho para aproveitar como bem entendesse, dentro de um limite preestabelecido, o qual o veterinário nem se deu ao trabalho de reclamar.


O Uzumaki apoiava os cotovelos no balcão, segurando descontraidamente uma garrafa Long Neck de cerveja na mão direita, balançando-a no mesmo ritmo da música, enquanto observava o seu entorno, sem realmente prestar atenção no que acontecia a sua volta.

– Por que os outros caras não quiseram vir? — o Inuzuka perguntou, antes de tomar um gole da sua bebida.

– Eles não gostam desse tipo de música... — deu de ombros. — Então, optaram por ficar em casa. — continuou distraidamente, olhando uma garota alta e loira dançar, enquanto lhe encarava furtivamente vez ou outra. A mulher não lhe chamava a atenção, apenas os olhares pesavam em seu corpo, mesmo que fossem breves.

– Quem se importa? — jorrou debochadamente, olhando a mesma rapariga que o melhor amigo estudava cuidadosamente. — Acho que ela gostou de você. — cutucou o outro e balançou as sobrancelhas sugestivamente.

Naruto olhou para o lado, encarando diretamente os orbes negros de Kiba, e tentou segurar um riso divertido, mas não conseguiu. No final das contas, fazia bem ao ego masculino ver uma mulher tão bonita dar tanto mole. Com as luzes piscando, ele só tinha um pequeno vislumbre dos olhos claros, nitidamente voltados para si. De qualquer maneira...

– Eu não estou disponível essa noite... — resmungou, tentando esconder uma careta ao tomar um gole de sua cerveja e fazendo Kiba rolar os olhos ao seu lado.

A menina, talvez encorajada pelos olhares furtivos que estava recebendo dos dois amigos, virou-se para frente a fim de focar sua atenção abertamente para o seu alvo. Ela era abusada e não fazia questão de esconder o seu interesse. Se não houvesse Sasuke, o Uzumaki não hesitaria em dar atenção para a garota para se divertir, mas ele não conseguia se imaginar com outra pessoa agora. Era estranho e só... Parecia não se encaixar...

Talvez, esses eram sintomas que indicavam que ele estava um pouco viciado no Uchiha.

– Você só pode estar brincando, não é?! — exclamou com indignação. Se ele não estivesse em um quase relacionamento com a Yamanaka, ele não se importaria em corresponder as investidas de alguém que possuía curvas tão sinuosas. Ele se sentia até um pouco ofuscado, já que o rapaz ao seu lado sempre atraia as fêmeas mais voluptuosas e com uma personalidade quente. — Cara, o Sasuke pediu um tempo. Vocês não estão mais juntos agora e, se um dia vocês voltarem, — disse a última frase com escárnio. — o que eu acho muito difícil, ele não precisa ficar sabendo! — continuou, tentando colocar algum senso na cabeça apaixonada.

Seu melhor amigo era um bundão. Quando se apaixonava, jogava-se de cabeça naquele sentimento e acreditava nele com unhas e dentes. Se antes a atitude era digna de admiração, agora estava começando a irritá-lo. O amor estava fazendo do seu irmão de consideração uma pessoa burra e cega, pois o Uzumaki estava batendo o dedo na mesma tecla e tentando um caminho sem saída repetidamente. Cansava observá-lo se machucar a troco de nada. O que Naruto estava recebendo em troca dessa pausa indeterminada a não ser uma dor de cabeça? O homem não parava de se jogar em festas e nos estudos, apenas para não ter que se martirizar pela falta que o Uchiha fazia em sua vida. Era nítido que o estudante de engenharia estava esgotado.

O Inuzuka nem sabia mais dizer se o outro estava dormindo no final das contas.

– É o que você acha. — frisou, tentando não ficar irritado. — Eu o conheço melhor do que você. Posso estar sendo um pouco ingênuo, mas estou me dando o benefício da dúvida. Se ele não voltar, eu vou atrás dele e nós resolveremos isso cara a cara, ok? Eu já sou um garoto crescido, Kiba, posso me cuidar sozinho. — deu alguns tapas no ombro do outro. — Mas, agradeço a preocupação. — acrescentou debochadamente, recebendo uma careta emburrada como resposta.

Mesmo inseguro, Naruto tendia a agir de forma confiante. Ele nem ao menos titubeava em suas decisões. No lugar do loiro, com certeza o Inuzuka se revoltaria e sairia por aí à procura de alguém que pudesse suprir as suas ânsias, mesmo que apenas física e superficialmente, além de resmungar por dias, devido ao orgulho ferido por ter sido abandonado, e se apegar a qualquer rabo de saia que aparecesse, justamente para minimizar o sentimento de baixa autoestima.

– Como você consegue? — questionou inconformado. — No seu lugar, eu já teria jogado o "foda-se", cara. Principalmente, porque o Uchiha é um idiota sem tamanho! — resmungou novamente, fazendo um sinal para o barman, pedindo mais duas garrafas de cerveja.

– Você não gosta dele mesmo... — riu de forma divertida, nem um pouco ofendido com as declarações mal humoradas. No fundo, ele entendia a antipatia do outro.

– Eu não sou o único, pode ter certeza. Shikamaru já me disse que prefere não se envolver muito quando o assunto é o seu “namorado”. — pegou as bebidas que o funcionário lhe entregou e ofereceu a outra ao melhor amigo.

– Vocês pensam assim, porque não o conhecem da mesma maneira que eu faço. — apoiou o ombro no corpo de Kiba. — Deveria parar de julgar os outros pela casca... — chamou a atenção em um tom leve de troça, batendo a garrafa na do outro em um brinde sem motivos.

– Ainda bem... — murmurou, soltando um suspiro de alívio, fazendo Naruto gargalhar de forma audível, mesmo sob o som alucinantemente alto. — Deixo para você essa tarefa de conhecer o Uchiha tão profundamente como diz...

– Você é um imbecil, mas ainda assim, eu te amo, sabia? — disse com alegria, batendo a lateral da cabeça loira com a morena em um gesto amigável. Aproveitando-se da proximidade, ele tentou dar um selinho no melhor amigo, fazendo um bico exagerado, fechando os olhos e amassando a expressão em algo que deveria ser considerado concentração.

Assustado, o Inuzuka começou a tentar empurrar o outro desesperadamente.

– NARUTO... — rosnou, socando a mandíbula do homem. — Porra! — e mesmo assim o estudante de engenharia não o deixava ir. — Me solta, seu filho da puta!

Os dois ficaram naquela batalha infantil por alguns segundos, antes que o Uzumaki o soltasse tão repentinamente quanto começou com aquela brincadeira. O estudante de engenharia se levantou, atraindo a atenção do irmão de consideração, e fez um gesto com a mão para o barman, pedindo outra cerveja.

– Só para você não ficar chateado, eu vou falar com ela. – declarou, pegando a garrafa que lhe era oferecida com a mão livre. – Mas, SÓ falar. – apontou em tom de aviso, afastando-se.

Kiba deu um sorriso de gato Cheshire e conteve um grito de “É ASSIM QUE SE FALA, VADIA!”.

Naruto fingiu que ia passar pela garota, apenas para dar a volta em torno do corpo alto e curvilíneo e parar atrás dela, passando um braço pelos seus ombros e usando o outro para estender a bebida que havia pegado há alguns instantes. Ao bloquear seu olhar nos orbes claros, ele pôde perceber que as íris azuis tinham um tom violáceo completamente inédito. A menina era bonita de uma forma inusitada e diferente da beleza tradicional japonesa.

– Como vou saber se você não colocou nada nessa bebida? – ela perguntou com petulância, atraindo um sorriso do loiro.

– Você não pode saber até que tente, mas tem a minha palavra de que não vou tentar te drogar... – assegurou, oferecendo a garrafa novamente.

– Beba primeiro. – exigiu com uma pose arrogante que lhe lembrava de Sasuke. Ela era tão gata arisca quanto o moreno e a constatação desse fato quase o fez rir. Talvez, não seria tão ruim, conversar com essa mulher.

Ele deu de ombros e levou a garrafa até os lábios, sorvendo um pouco do liquido amargo, antes de voltar a lhe estender a bebida. A loira o olhou por vários segundos e ao perceber que nada aconteceu, cedeu ao apelo silencioso.

– E, então, qual é o seu nome? – Naruto perguntou, apenas para iniciar uma conversa.

Ao levar a bebida até a boca, Naruto percebeu qual era a intenção por trás daquela lengalenga sobre desconfiança. Ela passou a língua cuidadosamente sobre o vidro, como se quisesse pegar cada milímetro do seu gosto através do objeto provado, antes de beber a cerveja. Em nenhum momento, a guria desviou o olhar intenso dos azuis cerúleos...

E esse jogo estava se tornando perigoso.

– Meu nome é Shion... – ela respondeu, depois de muito analisar o homem à sua frente.

Notas finais
¹ - Estou saindo/ Vou sair
² - Sim, sim
³ - Cuide-se/ Vai com cuidado

Desculpem os erros, minha revisora está em hiato por tempo indeterminado e o pouco que fiz já estava me deixando impaciente. Ler o que eu mesma escrevi é enfadonho! Mande-me seus feedbacks. Preciso deles para ser feliz!
Beijocas ♥