Dar-se Uma Chance
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Antes de tudo, eu tenho que comentar: Eu tive a prova que eu precisava para mostrar que Naruto não é tão inocente como a grande maioria pensa. Assistam ao episódio 291 de Naruto Shippuuden e vejam o nosso querido loirinho, o qual muita gente diz ser um poço de pureza, se oferecer para tomar banho com a Sakura, expressando a maior cara de comedor de mocinhas indefesas de todos os tempos. E aproveitem e admirem a bundinha nua dele, porque aparece também, haha! Naruto tem o formato de bunda que eu amo em um cara... *suspiro apaixonado*
Eu sempre soube que ele era um safado. Não é à toa que eu faço dele um pervertido insaciável nas minhas histórias, porque pervertidos reconhecem outros pervertidos só pelo olhar... Ok, parei, haha!
Obrigada pelos comentários e às pessoas que adicionaram o enredo aos favoritos, fico feliz em saber que estão gostando.
Espero que gostem do capítulo!
Beijocas ♥
Escrito por KiiinN
Revisado por SamaChan
“Se o poderoso cai, somem até os favoritos. Se o pobre sobe, surgem amigos irrestritos. E até aqui o amor segue a fortuna, eu digo: A quem não precisa, nunca falta um amigo, mas quem precisado prova um falso amigo, descobre oculto nele um inimigo antigo.” — William Shakespeare.
Capítulo 16
O rapaz virou o dorso para a esquerda a fim de checar a parte traseira de seu smoking preto e simples; não havia nenhuma ruga sobre o tecido requintado e, mesmo assim, o fato não tranquilizou o loiro, que se checava constantemente no espelho. Ele tentou domar os fios dourados do cabelo, empurrando-os para trás com uma pomada capilar e o vento aquecido do secador, mas ainda havia uma mecha rebelde que insistia em sair do topete cuidadosamente estilizado e cair justamente em um dos seus olhos. Soltando um bufo pequeno, ele desistiu de tentar ajeitar as mechas claras e se sentou na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e chacoalhando as pernas em um tique nervoso.
Era hoje, na festa de comemoração da construção de uma nova filial da Mangekyou, que ele conheceria o pai de Sasuke.
Fugaku já havia aprovado o projeto que seus pais fizeram em conjunto e assinado contrato com a Kyuubi Engenharia & Construção, por esse motivo, sua família era uma presença fundamental no evento, juntamente com os acionistas majoritários da corporação do clã Uchiha. Ser o filho de Uzumaki Kushina e Namikaze Minato, velhos amigos íntimos do "sogro", não o ajudava a se acalmar. Como forma de tortura, Naruto ficava se lembrando sobre a conversa que teve com o amante sobre o homem e sofria de preocupação antecipada. Ele esfregou as palmas suadas na calça social, limpando-as, e mordeu o lábio inferior com ansiedade. O estudante de engenharia estava com medo, assustado e um pouco intimidado com a possibilidade de lidar com a figura paterna do moreno.
Antes que a porta se abrisse, batidas leves interromperam seus pensamentos conturbados para revelar um rosto sereno que era tão semelhante ao seu.
- Está pronto? — ele perguntou com o seu costumeiro timbre suave.
O mais novo olhou para os orbes azuis, um tom mais claro que os seus, e viu o brilho de um sorriso tranquilizador e a sombra de declarações mudas de apoio. Seu pai não sabia o que se passava em seu coração, mas a compreensão constante que o patriarca transmitia, parecia lhe dizer tudo o que precisava ouvir. Era reconfortante, e ao mesmo tempo estranho, a maneira como o engenheiro acalentava o interior conturbado do filho, sem mover nada ao seu redor para tal feito.
- Sim... — sussurrou com o fôlego curto.
O rapaz desviou a atenção para a janela e encarou com aparente concentração o céu escuro. Já havia passado alguns minutos das cinco da tarde e, por ser outono, o dia escurecia mais rápido que no verão, mas Naruto não parecia analisar a mudança e Minato percebeu que o primogênito estava trancafiado em divagações angustiadas. Com um suspiro resignado, sentou-se ao lado do outro macho, passando o braço direito pelos ombros largos e os apertando em um meio abraço.
- Você já não é um adolescente inexperiente, Naruto; e, sabe que, independentemente do que as pessoas digam, só você conhece o que lhe faz verdadeiramente feliz... — o homem o lembrou com um timbre firme. — Você também não é um menino ingênuo ao ponto de pensar que todos vão aceitar o seu relacionamento; haverá pessoas dispostas a tentar lhe convencer que Sasuke não pode te fazer bem e vice-versa, mas quem decide o que é melhor, deverá ser somente vocês dois sempre. — bagunçou os fios dourados que compunham a cabeça do estudante. — Não deixe que as pessoas interfiram em algo que lhe pertence e que só você pode conduzir. — aconselhou.
O mais velho parecia adivinhar quais eram as aflições do filho, embora não soubesse dizer o que esperar de Fugaku Uchiha. O chefe do clã sempre foi alguém extremamente apegado às tradições, mas o Namikaze esperava que o amor por Sasuke tivesse mudado a mente fechada do macho. Ele não entendia a rejeição de um pai para com a própria cria, pois, para ele, era inaceitável discriminar uma pessoa por algo que era considerado anormal pelo senso comum. Na visão de Minato, amar jamais seria errado, independentemente de quem se escolhe para direcionar este sentimento tão bonito e necessário.
O jovem olhou para a figura paterna com espanto, pois ele estava tão centrado em sua agonia, que havia se esquecido completamente de seus próprios princípios. Ele, melhor que ninguém, sabia do significado profundo daquelas palavras. Com a fé em si mesmo restabelecida, ele deu um grande sorriso, fazendo com que os cantos de seus olhos se enrugassem de maneira cativante. O patriarca pensou em como o gesto lhe lembrava de Kushina; aliás, o garoto poderia ter sua aparência, mas tinha a personalidade parecida com a da mãe — o olhar desafiador, o jeito atrapalhado e a péssima aptidão em se concentrar nas atividades que demandassem atenção. Apesar de um pouco irritadiço, Naruto não conseguia parecer tão assustador quanto a mulher, visto que ele sempre esteve rodeado por fêmeas dominantes, as quais sempre tinham a razão sobre as discussões, o que tornou o rapaz mais compreensivo, mais cauteloso e menos orgulhoso.
- Obrigado, velho... — ele murmurou, abaixando a cabeça e encarando o carpete. — Eu não sei como o senhor faz isso, tou-chan, mas você disse exatamente o que eu precisava ouvir... Arigatou! — respirou fundo, sentindo a ansiedade que constringia seu coração evaporar como fumaça.
- Instinto paterno, talvez? — o homem brincou, batendo as palmas nos próprios joelhos, antes de se levantar. — Está pronto agora?
- Agora e sempre. — o mais novo deu um sorriso de raposa.
Minato deu um riso suave, pois, naquele momento, ele encontrou o verdadeiro Naruto; aquela postura derrotada não combinava com o seu filho, já que o rapaz, desde pequeno, sempre andou com a cabeça erguida, como se o mundo lhe pertencesse e nada pudesse abalar suas convicções, digno de um homem honrado.
O Namikaze se enchia de orgulho.
Dando um pequeno tapa no ombro do mais novo, ele saiu do cômodo para tentar apressar a esposa. Em certos momentos, Kushina decidia se dar a liberdade de agir como uma mulher normal e de passar horas se arrumando. O homem rolou os orbes, entediado e ansioso, porque apesar da demora, o resultado sempre valia o tempo em que ela o deixou esperando.
(***)
Naruto olhou para cima, contemplando a altura majestosa do grande Nikko Niigata Hotel. O edifício era enorme e moderno, pintado de branco e com grandes janelas de vidro espelhado, a arquitetura da construção seguia um modelo minimalista, sem grandes detalhes chamativos; até o logo da corporação era simples. Vários carros estavam parados para que os manobristas cumprissem o seu trabalho e as recepcionistas, sempre muito jovens, distribuíam sorrisos cordiais aos convidados, enquanto os levavam ao espaço destinado aos grandes eventos. Como alguns empresários viajaram quilômetros para participar da festa, todos eles já haviam reservado quartos para se hospedarem ao final da comemoração.
Apesar de ser uma cerimônia celebrativa, o clima entre as pessoas era sóbrio e extremamente formal; e o loiro não se sentia à vontade em ambientes tão sérios. Ele adorava pessoas que esbanjavam risos sinceros e alegres, e que sempre levavam a vida com humor e alto astral; contrariando sua preferência, aquelas pessoas estavam o deixando desconfortável. Seu sonho era herdar a empresa da família, mas sua forma de dirigir os negócios, com certeza, não seria nada parecida com a de seu pai, que sempre foi alguém extremamente diplomático e que parecia se encaixar perfeitamente naquele âmbito corporativo.
- Você vai entrar ou vai ficar parado do lado de fora para sempre, dobe? — um familiar timbre profundo interrompeu os pensamentos do rapaz, causando um arrepio gostoso na espinha.
A voz de Sasuke sempre teve esse poder no Uzumaki; o tom grave parecia lhe dar muitas promessas pecaminosas, as quais ele não hesitaria em aceitar. Virando-se, o estudante de engenharia encontrou um homem vestido em um smoking totalmente negro, que contrastava completamente com a palidez translúcida da pele, e com um cigarro preso entre o indicador e o dedo médio. A visão quase o fez endurecer e ele teve que direcionar a sua concentração em uma senhora com o rosto lotado de maquiagem, extravagante demais para a sua idade, e que andava com a ajuda de algum parente mais jovem e o apoio de uma bengala. Quando Naruto retornou o olhar para o amante, o Uchiha estava com uma das sobrancelhas erguidas e um sorriso sarcástico no rosto bonito, pois o desejo contido nas íris aguadas não passou despercebido pelo olhar ônix analítico.
- Algum problema, usuratonkachi? — ele perguntou novamente, fazendo questão de deixar a frase deslizar pela sua boca de maneira rouca.
O mais novo não era o único afetado pelo que estava vendo. O moreno gostava do estilo desleixado e bagunçado do companheiro, mas ao ver o porte elegante do outro, fê-lo querer levar o macho até o lugar privado mais próximo e atacá-lo, desarrumar aquele cabelo meticulosamente arrumado e desarranjar toda aquela roupa impecável. O loiro não combinava com visuais extremamente formais, não por estar feio ou algo do tipo, o aspecto apenas não fazia jus à personalidade selvagem e livre, embora o corvo tivesse certeza que se o amante estivesse dentro de um terno desalinhado, ele ficaria completamente fuckable.
A vontade de tirar aquela compostura toda cresceu dentro de Sasuke.
- Tsk! — foi a única resposta que recebeu, causando um franzir de sobrancelhas negras.
O Uchiha percebeu que Naruto estava tentando agir como um bom moço. Sua expressão permaneceu em branco, mas seu interior estava trabalhando freneticamente em uma ideia maluca — seria interessante acabar com aquela atitude formal. Ele deu outro sorriso sádico e se aproximou do homem, prendendo o cigarro entre os lábios rosados e murmurando discretamente quando passou pelo Uzumaki.
- Você está uma delícia dentro desse smoking, mas ainda te prefiro sem ele. — disse, roçando os dedos pálidos na mão bronzeada em uma carícia singela. Ele fez um movimento com a cabeça, indicando que o outro deveria segui-lo.
Os dois lamentaram o fato de estarem em um ambiente tão sóbrio, caso contrário, poderiam ser um pouco mais táteis sobre o encontro no hall de recepção. A ânsia em trocar toques e carinhos os fazia ligeiramente impacientes, afinal, havia se passado dias desde a última vez que se viram. Ambos experimentavam aquela necessidade gritante em matar aquela falta absurda que sentiam um pelo outro. Às vezes, as longas ligações que faziam não eram suficientes e ambos se tornavam um pouco solitários ao desligarem os aparelhos de telefone ao final de cada contato; ao menos eles estavam conseguindo se ver em uma frequência razoável, pois haviam casais que só se reencontravam em feriados prolongados ou uma vez por mês.
- Seu pai parece ter convidado todo o Japão para essa festa. – o Uzumaki comentou casualmente.
- Hn. — grunhiu em afirmação, andando uns passos à frente, guiando o caminho. — Meu pai não gosta muito desses eventos, mas certas formalidades fazem bem aos negócios. — ele respondeu, abrindo a porta que dava para o espaço reservado para a comemoração.
Quando Sasuke entrou, sendo prontamente seguido pelo amante, eles foram abordados por duas senhoras, mais especificamente Mikoto e Kushina.
- Eu estava começando a me perguntar onde vocês estavam... — a ruiva jogou com casualidade, dando um sorriso meigo, embora seus olhos cinza-chumbo brilhavam com malícia indisfarçada.
- Seu filho empacou na entrada do hotel e se não fosse por mim, ele estaria por lá até agora. — o Uchiha retrucou graciosamente, dando um sorriso e pegando a mão da "sogra" para dar um beijo delicado nas articulações dos dedos, como faziam os ingleses.
- Deixe disso, Sasuke! — ela puxou o braço e deu um peteleco na lateral da cabeça morena com um bico emburrado para mascarar a sua falta de jeito. A mulher não estava acostumada a esse tipo de tratamento e o fato a fez corar como uma adolescente.
Naruto até tentou disfarçar o seu riso, mas não conseguiu. Depois que o companheiro se acostumou com o jeito intimidante da mãe, ele estava ficando cada vez mais ousado quando se dirigia a ela. O corvo até conversava com a matriarca por telefone, falando sobre o loiro como se ele não estivesse ouvindo. Era irritante, porque ambos pareciam ter armado um complô contra ele e o estudante de engenharia suspeitava que, caso terminasse com o moreno algum dia, a fêmea era capaz de castrar o próprio filho como forma de castigo. Ela já estava tomando partido pelo homem por qualquer motivo. "Maldito teme e sua capacidade de seduzir o sexo feminino!", resmungou em pensamento.
- Estou tão feliz que veio, Naruto-kun. — Mikoto declarou com a voz constante e suave.
Ela era um contraste gritante de Kushina; uma tão tranquila e outra tão energética.
- Fico feliz em estar aqui, Sra. Uchiha. — ele respondeu alegremente, fazendo-a aumentar o sorriso pequeno que ostentava no rosto delicado e iluminar ainda mais a face pálida. O gesto lhe lembrava tanto de Sasuke.
- Então, você deve ser o famoso Uzumaki Naruto. — a voz baixa e fria pareceu retumbar em todo o ambiente, mesmo sob todo o ruído de conversação.
O rapaz se encolheu um pouco e se virou, para encontrar seu pai ao lado de um senhor. Fugaku parecia ser bem mais velho que Minato, devido as olheiras evidentes e as rugas ao redor dos lábios finos, que possuía os cantos virados para baixo. A expressão carrancuda, cansada, e o olhar negro e atroz pareceram reduzir o mais novo a uma minúscula partícula de poeira insignificante. Ele estava tão concentrado em sua análise, que demorou a responder ao homem, fazendo Sasuke ficar ligeiramente preocupado, já que o patriarca Uchiha odiava enrolações. O Namikaze, vendo a expressão perdida do filho, pigarreou levemente para chamar a atenção do mesmo.
Quando dois pares de orbes azuis se encontraram, Naruto se lembrou da conversa que teve mais cedo. Sorrindo, ele se curvou um pouco em uma reverência pequena, dando a entender que respeitava o macho diante de si, mas que não se submeteria a algo que não quisesse. O ato fez o presidente da Kyuubi Engenharia & Construção sorrir.
- Honrado em conhecê-lo, Sr. Uchiha. — respondeu com o tom de voz insolente e os olhos brilhando em algo semelhante à diversão.
Fugaku escaneou a figura do rapaz à sua frente e fez uma pequena onda com a cabeça, indicando que havia recebido o cumprimento, fazendo Naruto se lembrar do corvo mais novo. A aparência do amante poderia ser igual à de Mikoto, mas a personalidade era completamente semelhante à do pai, rígido e seco. A única diferença era que Sasuke parecia se abrir mais às demonstrações de afeto e, o estudante de engenharia suspeitava que a responsabilidade dessa característica fosse da criação materna, regada a gestos carinhosos e palavras de conforto, já que a mulher não parecia se adequar à personalidade tensa do clã.
O patriarca da família Uchiha se afastou, sendo seguido por Minato; ambos engajados em uma conversa animada sobre os negócios. Aparentemente, o homem havia aceitado a escolha do filho e não interferiria no relacionamento. Pelo menos até que ele sinta que o envolvimento não esteja prejudicando o caçula...
Sasuke suava frio. Ao assistir a postura desafiadora do companheiro para cima de seu pai, quase lhe fez entrar em colapso. Embora seu rosto continuasse em branco, seu coração batia forte no peito pelo medo que Fugaku passasse a implicar com o Uzumaki. Seu espanto não foi pouco quando ele viu o assentimento discreto e, por mais que as íris negras estivessem neutras, ele viu o mínimo brilho de aprovação para com a atitude provocadora do loiro. Parece que o patriarca gostou do jeito destemido do enamorado.
Sinceramente, o moreno sentia como se tivesse perdido algo entre a curta interação.
- Parece que Fugaku gostou de você. — Mikoto comentou com um sorriso sabendo, enquanto se afastava. — Divirtam-se, rapazes.
- Esse é o meu garoto! — comemorou a ruiva, apertando o lado esquerdo da bochecha com cicatrizes, fazendo Naruto resmungar e tentar se afastar do ataque com uma carranca emburrada. — Eu e Mikoto vamos sentar em nossa mesa. Não façam nada que eu não faria! — aconselhou com um sorriso, dando uma pequena corrida para alcançar a amiga.
O loiro franziu a testa em descrença, "porque minha mãe faz isso?", perguntou-se mentalmente com amargura.
O casal se dirigiu ao canto mais isolado do recinto, servindo-se de licor de ameixa para conversar sossegadamente, mas a tarefa se mostrou impossível, desde que os “amigos” do presidente da Mangekyou apareciam constantemente para puxar conversa com um dos filhos de Fugaku. Sasuke começou a ficar cada vez mais irritado, porque havia empresários que alongavam conversas fúteis e sem fundamento apenas para socializar na festa. O Uzumaki era mais amigável e não poupava sorrisos cordiais, embora o Uchiha pudesse dizer que o amante estava tenso e incomodado. Era inegável que o estudante de engenharia não estava acostumado a eventos desse porte, mas a simpatia era uma marca registrada do rapaz, então, ninguém além do moreno parecia perceber o jeito anormalmente contido e tímido do homem.
Quando os dois conseguiram um minuto de paz, Itachi se aproximou com um sorriso singelo e sincero, acompanhado de Shisui. O loiro retribuiu o sorriso, mas de forma menos discreta. O macho de cabelos compridos bateu os dedos polegar, indicador e médio entre as sobrancelhas do irmão mais novo e se afastou sem dizer uma única palavra, deixando uma marca avermelhada na testa pálida e fazendo o corvo resmungar xingamentos para o outro, tornando o sorriso calmo do primogênito mais sádico.
- Eles têm alguma coisa? — a voz rouca do loiro interrompeu os pensamentos mal humorados do companheiro.
- Eles são primos, dobe. — retorquiu como se falasse com uma criança de seis anos, tratando-o como se fosse algum tipo de retardado.
Naruto franziu o cenho, irritado com o tipo de atitude do amante.
- E daí? — perguntou, como se não entendesse o ponto do outro.
- O que te faz pensar que "eles têm alguma coisa"? — frisou as mesmas palavras usadas pelo Uzumaki.
- Eu não sei, há uma química diferente entre eles. — ele deu de ombros, pegando outro copo de licor da bandeja de um garçom que passou pelos dois, tentando parecer indiferente para com a reação teimosa de Sasuke, a qual lhe irritava profundamente.
Orbes negros se dirigiram à direção onde estava o irmão mais velho como se quisesse provar a si mesmo que o companheiro estava pensando bobagens. Itachi estava inclinado e sussurrava algo no ouvido de Shisui, ele segurava o antebraço do homem e, quem não pagasse a devida atenção para a linguagem corporal do futuro líder do clã Uchiha, naturalmente o gesto pareceria despercebido. O corvo fez um bico amuado e tentou não parecer chateado, já que Naruto era o desligado entre eles e o loiro percebeu a troca em menos de cinco segundos.
Agora estava explicado o fato de aqueles dois ficarem tanto tempo trancafiados em alguns cômodos da mansão.
- Hn. — ele retrucou emburrado.
O estudante de engenharia tentou não rir da atitude infantil do macho e se inclinou, tomando a mesma postura que o homem de cabelos compridos ao se dirigir ao namorado.
- Será que é assim que nós nos parecemos? — sua voz soou ainda mais rouca e grave que o usual.
- Tenho certeza que parecemos menos discretos que eles, porque você tem a mesma capacidade de um elefante para ser reservado. — provocou com um sorriso prepotente.
- Você é um desgraçado insensível, teme! — franziu as sobrancelhas douradas em uma careta irritada.
- Corrigindo: embora eu seja muito prudente, confesso que a minha vontade é bagunçar todo esse seu visual comportado. Aqui. No meio dessa gente... — a voz profunda do Uchiha parecia ter ecoado no espaço entre eles, mesmo que o tom não passasse de um murmúrio leve.
Um arrepio violento percorreu pela espinha de Naruto, fazendo os folículos da pele bronzeada se ressaltarem. Ele corou violentamente, ficando cor-de-rosa até na ponta das orelhas.
- Não diga essas coisas em público, desgraçado! — rosnou baixo, tentando converter a vergonha em raiva. — Eu posso me animar e não conseguir esperar até a festa acabar, inferno! — sua vontade era agarrar os próprios cabelos e puxá-los, até que a dor pudesse minimizar a necessidade urgente. A declaração do moreno só fez com que o formigamento de seu baixo-ventre se intensificasse.
- E quem disse que eu quero que você espere? — ele deu a dica, não fazendo questão de dizer aquilo em timbre moderado. Algumas cabeças se viraram para olhar o corvo, um tanto confusas, mas este se afastou com a mesma expressão estoica de sempre.
Sasuke se aproximou da mesa de sua família, deleitando-se com a imagem mental de um Uzumaki estático de surpresa e um tanto sem graça pelo amante ter chamado tanta atenção para algo tão íntimo. Ele quase podia ver a face cheia de marquinha tingida em vermelho brilhante, enquanto os orbes azuis cerúleos brilhavam excitados e irados ao mesmo tempo.
(***)
Fugaku Uchiha não dirigiu uma única palavra para Naruto.
O desprezo naquela feição apática o deixava nervoso. Ele não conhecia muito o senhor sentado à sua frente na mesa circular, mas pelo pouco que escutou de Sasuke, aquela era a atitude esperada do proprietário da Mangekyou. Embora, fosse um tipo de comportamento habitual, não tranquilizava o interior do loiro, que estava uma bagunça naquele momento.
A insegurança era tanta, que em menos de vinte minutos, ele havia derramado molho shoyu misturado com vinho do penne de shiitake em sua calça e quase deixado cair um copo de refrigerante. Ele estava distraído e suas mãos pareciam ramos de alface de tão moles.
Ao sentir um toque suave em seu joelho por debaixo da mesa, o Uzumaki quase pulou para fora de sua pele no susto. Seus olhos voaram para o amante, que estava acomodado ao seu lado, e este segurava um par de hashis com a mão livre e seus orbes olhavam com concentração para o prato, como se não houvesse feito nada segundos atrás. O estudante de engenharia imediatamente entendeu que era um gesto reconfortante e não conseguiu reprimir um sorriso caloroso para o apoio silencioso.
O mais velho não era um homem de muitas palavras, mas a sua forma de agir já dizia tudo o que Naruto precisava saber. Ele respirou fundo e tentou se acalmar, pensando freneticamente em um assunto que pudesse atrair a atenção do chefe do clã Uchiha, mas antes que ele pudesse abrir a boca, o loiro foi surpreendido por uma voz grave e profunda.
- Você pretende tomar a frente dos negócios da sua família, Naruto? — o homem perguntou seco e direto.
Se o timbre do amante parecia ribombar por qualquer aposento, o tom de Fugaku parecia ser um estrondo em meio a uma confusão de ruídos; ensurdecendo qualquer som secundário e fazendo de sua presença a única dentro de um local lotado. Os orbes negros bateram de encontro aos azuis cerúleos com a mesma intensidade de um soco forte e certeiro.
- Sim. — pausa pensativa. — Embora, eu esteja cursando engenharia, pretendo tomar conta da empresa do meu pai da mesma forma que ele leva a corporação: sendo a cabeça e o corpo que sustenta os negócios...
Antes que ele pudesse continuar, o homem o interrompeu.
- Sendo o chefe e o "peão" ao mesmo tempo? — inquiriu com um "quê" analítico na voz normalmente neutra.
- Sim... — Naruto não sabia dizer se a resposta havia agradado o Uchiha, mas ele não vacilou. — Não sou do tipo que gosta de ficar sentado o dia todo, assinando papéis e dando ordens, enquanto espera os funcionários moverem a empresa para frente. Eu gosto de ser parte daquilo que coordeno; não aguento ficar muito tempo parado.
- Um pouco ganancioso de sua parte, não acha? — ele apoiou o antebraço direito na mesa, adotando uma postura desafiadora.
- Talvez... — o loiro deu de ombros. — Mas eu acho que dou conta. — garantiu com um sorriso confiante no rosto cheio de marquinhas.
Sasuke estava começando a ficar preocupado com o choque de temperamentos. Havia uma tensão palpável, embora imperceptível para os menos atentos. Parecia uma conversa casual sobre o futuro, entretanto, quem conhecia Fugaku, sabia que o homem estava provocando e desafiando o rapaz a fim de testá-lo. O Uchiha mais novo só não conseguia entender o porquê de o pai estar agindo dessa maneira tão desconfiada, afinal, o Uzumaki era filho de velhos amigos. O estudante de engenharia podia ser um desajeitado sem cura, mas os olhos azuis demonstravam uma força e determinação, as quais tinha certeza que o homem mais velho poderia captar.
- Como pode garantir isso a si mesmo, se ainda não viveu a experiência? Não conseguirá tempo para executar tantas funções. — afirmou, esfregando o queixo com a mão esquerda.
Minato e Kushina não pareciam preocupado com a troca entre os dois, no entanto, apesar de aparentar neutralidade sobre os assuntos do filho, a ruiva estava espumando em sua cadeira, não acreditando na presunção do macho ao duvidar das habilidades de Naruto. Sua primeira vontade era pegar o homem pelo colarinho e mostrar qual era o sangue que corria nas veias do seu garoto, ou seja, o mesmo que o dela. Um Uzumaki quando quer algo, um Uzumaki consegue; esse era o lema de sua família e ter alguém questionando isso de maneira tão aberta, enlouquecia-a de raiva.
Seu marido, sentindo a mudança de seu humor, agarrou o seu pulso em um aperto tranquilizador, forçando-a a se acalmar, antes que fizesse algum tipo de besteira. O Namikaze, apesar de ser completamente diferente da esposa, conseguia entender cada particularidade da mulher como se fosse próprio de sua pessoa. Pela forma como Sasuke tamborilava os dedos no tampo da mesa, dizia ao loiro mais velho, que o rapaz se sentia da mesma forma sobre Naruto; os dois tinham uma sintonia incrivelmente forte, como se, mesmo que estivessem separados, um poderia compreender o que o outro pensava. Bastava um olhar ou um pequeno movimento para que ambos tivessem uma dica sobre o que sentiam e esperavam.
- Meu pai conseguiu e eu tenho certeza que conseguirei fazer ainda melhor que ele. — uma sobrancelha dourada se ergueu em descontentamento e irritação.
Não era porque o homem era parente do seu amante que lhe dava o direito de tratá-lo com descaso. Ele odiava, no fundo do coração, que fizessem pouco de sua capacidade. Ele podia parecer um idiota em alguns casos, mas seu jeito brincalhão, atrapalhado e um pouco distraído não se incluía quando executava suas responsabilidades. O estudante de engenharia amava o que fazia, por isso, dedicava atenção máxima em seu trabalho. Ele abriria mão de qualquer coisa para levar o nome de Kyuubi Engenharia & Construção a patamares que nem Minato sonhou em alcançar. O patrimônio de sua família era seu orgulho.
- Seu pai tem disciplina para fazer o que faz, não sei se posso dizer o mesmo sobre um moleque como você. — a voz fria surpreendeu todos os presentes na mesa, excluindo Itachi, que olhava Fugaku com um forte brilho de repreensão.
O primogênito Uchiha entendia o que seu pai estava querendo fazer, mas isso não queria dizer que ele aceitava. Mikoto olhou escandalizada para com a reação do esposo e Kushina estava quase a ponto de chegar ao seu limite; mesmo o Namikaze estava querendo interferir na troca, sentindo-se um pouco ofendido, afinal, ele não esperava que um velho amigo tratasse seu filho desta maneira.
Naruto estava com o cenho franzido em uma expressão descontente, prestes a expressar sua opinião, mas foi Sasuke quem tomou a primeira atitude:
- Você não tem o direito de dizer isso a ele, quando você só administra a empresa e não se preocupa sobre ser uma parte que sustenta o corpo da Mangekyou. — a voz igualmente gelada do rapaz se arrastou pelo ar com suavidade, embora todos pudessem sentir o peso de suas declarações. — É fácil questionar sobre algo que você desconhece, afinal, você deve ser tão incapaz como alega que é Naruto. Não gostaria de nos explicar sobre como você entende sobre o que ele está passando?
A matriarca do clã quase desfaleceu quando ouviu as palavras de Sasuke, já esperando uma explosão de fúria do marido. Kushina passou a mastigar ansiosamente as pontas mais finas do par de hashis, tentando conter a vontade de gritar em emoção. "Esse garoto é um dos meus!", a ruiva pensou com orgulho.
O corvo estava louco, ele nunca havia se dirigido ao homem mais velho com esse linguajar tão maldoso. Não o deixaria surpreso se o patriarca lhe atingisse um tapa no meio de todas aquelas pessoas. Porém, contrariando os pensamentos pessimistas do caçula e da mãe, o senhor soltou um pequeno riso divertido, confundindo-os.
- Você continua tão inocente como uma criança, Sasuke. — os orbes negros, que antes pareciam brincalhões, adotaram um brilho austero. — Estou querendo dizer que cada função foi feita para ser exercida dentro de seus limites; abraçar além, às vezes, pode ser um tiro saído pela culatra...
Antes que Fugaku pudesse continuar, Naruto o interrompeu:
- Não se preocupe, Sr. Fugaku. — ele deu um sorriso determinado. Seu rosto não tinha nenhum pequeno indício de contrariedade ou petulância. — Eu sei sobre os limites da minha área, mas melhor que isso, eu conheço os meus limites. Eu conseguirei trabalhar as duas coisas ao mesmo tempo sem prejudicar a qualidade de qualquer uma das minhas tarefas. — os olhos brilharam como se apreciassem o estímulo da dúvida.
O chefe do clã tornou a se apoiar no encosto estofado da cadeira, satisfeito com a resposta e com o que enxergou na linguagem corporal do rapaz. Sasuke ainda estava irritado pela forma como seu pai se dirigiu a ele na frente de todas aquelas pessoas, tratando-o como uma criança estúpida, mas, em contrapartida, o caçula estava aliviado que a discussão havia terminado sem muito alarde.
(***)
Algumas horas mais tarde, Fugaku se levantou da mesa e saiu para se dirigir a um palco pequeno montado no salão de eventos. Havia chegado o momento do discurso e Sasuke havia esperado a noite toda por aquilo. Por debaixo da mesa, ele apertou o joelho de Naruto e lhe lançou um olhar breve, antes de se levantar, anunciando que iria para o toalete. O loiro o olhou com confusão por alguns segundos, antes que entendimento caísse sobre ele, fazendo-o segurar um sorriso com toda a boa vontade que possuía.
O estudante de engenharia esperou por longos dez minutos, antes de se levantar. Todos estavam distraídos demais com as palavras do presidente da Mangekyou para pagar qualquer atenção para o rapaz que havia acabado de se levantar. Embora fosse considerada uma falta de respeito sair no meio de uma palestra tão importante, ele poderia alegar para qualquer um que estava apertado demais para esperar o término da conferência. Não era um motivo muito bom, mas era mais compreensível do que assumir que estava indo se aventurar um pouco.
O loiro saiu da sala e entrou em um corredor amplo, mas vazio. O único som que havia no local era da voz abafada de Fugaku e de seus próprios passos contra o piso de mármore branco tipo Dallas. Ele se dirigiu até a porta do toalete masculino, mas antes que pudesse chegar à entrada, foi puxado sem delicadeza nenhuma em direção a uma sala oposta aos banheiros.
Quando a pessoa o largou, ele pôde analisar seu entorno, dando-se conta que estava em uma sala de reuniões. Ele lançou um olhar questionador para os orbes negros, antes de se apoiar na mesa oval de madeira de cerejeira, cruzando os braços e os tornozelos. O Uzumaki assistiu o amante puxar uma cadeira giratória de couro, sentando-se à sua frente e colocando os pés sobre o móvel o qual estava encostado.
- Você deveria estar assistindo o discurso do seu pai. — Naruto declarou de forma preguiçosa, agarrando a panturrilha vestida e dando um aperto suave.
- E você também, no entanto estamos aqui, aproveitando o curto tempo que podemos ter juntos e sozinhos. — ele passeou a mão pelas coxas musculosas, arrepiando a pele bronzeada. — Essa era uma oportunidade perfeita e eu não queria perdê-la. — sua voz diminuiu dois tons e se tornou levemente rouca.
- E não havia como esperar até irmos embora?
Naruto estava dividido. O senso lhe dizia para parar, mas a palma gelada acariciando seu quadril, perigosamente perto de sua virilha, incitava-lhe a continuar o que parecia estar sendo, supostamente, iniciado.
- Não. — praticamente rosnou a palavra, enfiando a mão por entre as pernas delgadas e apalpando a parte interna da coxa vestida. — Estou ansioso para desarrumar essa sua postura estranhamente composta desde o momento que coloquei os olhos em você. Ela simplesmente não combina. — concluiu com um tom ofegante, ficando excitado só com a imaginação de um Naruto de smoking, todo bagunçado a sua frente... Por sua causa...
- Alguém pode nos pegar aqui, Sasuke... — retrucou com a voz ainda mais rouca e grave, segurando o pulso marfim a fim de pará-lo. Ele engoliu em seco, tentando reunir o autocontrole, pois se o homem insistisse mais um pouco, ele não seria capaz de impedir qualquer avanço do moreno.
- É mais provável nos pegarem nos banheiros, do que aqui, dobe. — ele se sentou corretamente na cadeira, se livrando do aperto em seu braço e descendo o zíper da calça do rapaz mais novo. — E eu não aguento mais esperar...
Naruto até tentou conter as mãos ágeis, mas quando ele percebeu, o Uchiha havia empurrado sua cueca e puxado o membro semirrígido de seu confinamento. Sasuke lambeu a base, antes de cobrir a ponta com a boca e sugar a carne para soltá-la com um pequeno "pop" ao mesmo tempo em que acariciava as bolas por cima do tecido. Sentindo-se limitado, o corvo desfez o cinto e abriu o botão, empurrando todo o tecido para baixo, até a polpa da bunda. Os olhos ônix lançaram um brilho maldoso para o companheiro, antes de cobrir o falo com os lábios rosados.
Ele havia esperado a noite toda por aquilo.
O Uzumaki deu um gemido longo, mas baixo, fechando os olhos para intensificar a sensação da língua massageando a veia saliente de seu pênis e a cabeça bater na garganta do outro toda vez que o rosto pálido dava um impulso contra a sua pélvis. O efeito da sucção apertava seu eixo e o calor úmido parecia querer levá-lo à loucura. Ele afundou os dedos nas mechas brilhantes de cor ébano, movendo o quadril involuntariamente.
O mais velho envolveu o comprimento túrgido em suas mãos e se afastou, para poder tomar um lado do saco escrotal em sua boca. Eram lambidas e beijos, enquanto a palma fechada trabalhava em masturbar o homem a sua frente. Ele amava ter o loiro daquela maneira tão entregue. As íris claras estavam quase escondidas por pálpebras semicerradas e os lábios vermelhos entreabertos e secos. As bochechas marcadas ficavam tão vermelhas de excitação que era inegável a fome naquela expressão perdida de deleite.
Dar prazer ao homem que tomou seu coração, davam-lhe um prazer ainda mais indescritível.
Seu próprio membro latejava dentro de suas calças e ele se remexeu na cadeira, incomodado com a constrição dolorosa. O moreno tornou a lamber a base do pênis de Naruto, incitando a fenda com a língua e sentindo o gosto amargo do pré-sêmen, antes de tornar a chupá-lo com entusiasmo, gemendo com a visão daquela face contorcida em agonia e apreciação, fazendo a vibração de sua voz empurrar o homem para perto do limite. O Uzumaki soltava pequenos lamentos estrangulados e ofegava ruidosamente; totalmente descomposto.
Era dessa maneira que ele queria ver o macho: bagunçado e desarranjado.
O mais novo estava completamente tenso, tentando prolongar aquele momento, mas quando o outro lhe tomou inteiro com a boca, contraindo a bochechas para minimizar a entrada de ar e tornar a sucção ainda mais forte, seu corpo inteiro foi tomado por espasmos irregulares, seu quadril se movendo de forma instintiva a fim de prolongar o sentimento se seus músculos se apertando dolorosamente enquanto se liberava e assistia, da melhor forma que pôde sob a sensação intensa, o Uchiha mamar em seu pênis como se provasse de algo delicioso.
Quando terminou, só restou um zumbido alto nos ouvidos de Naruto; sua visão estava turva e seus ossos pareciam feitos de geleia.
Sasuke se afastou, lambendo os lábios e dando um sorriso satisfeito, embora sua excitação ainda latejasse em seu baixo ventre. Ele se levantou, enfiando os dedos nos fios dourados, desmanchando o penteado cuidadosamente estilizado e olhando a sua obra de arte com os orbes brilhando em apreciação. Só ele tinha o privilégio de ver o resultado de suas ações; se normalmente desarrumado o amante já era uma tentação, depois do sexo ele se tornava ainda mais atraente.
- Se estivéssemos em casa, eu ia bagunçá-lo a noite toda... — ele sussurrou de encontro aos lábios do homem.
- Se estivéssemos em casa, nós não íamos parar tão cedo... — retrucou com a voz ainda rouca, descansando a mão esquerda na lombar do outro homem, enquanto a outra descia vagarosamente, parando-a onde estava a fivela de prata do cinto de couro.
Eles poderiam até pegar um quarto no Nikko Niigata Hotel, mas por serem filhos dos motivos dessa comemoração, eles ainda tinham que esperar algumas horas para que pudessem dar vazão aos seus desejos de ficarem sozinhos. A proposta era terminar a brincadeira o quanto antes, mas parecia que o casal havia se distraído completamente e esquecido o tempo que ainda corria do lado de fora, já que na sala de reuniões, ambos sentiam que tinham acabado de entrar pela porta.
- Você me faz virar um adolescente hormonal outra vez... — Sasuke sussurrou com a voz entrecortada, sentindo o amante acariciar sua masculinidade por cima da calça.
- Vai me dizer que não gosta da emoção de correr riscos, bastardo? — ele perguntou, antes de morder o lóbulo da orelha do outro e soltar a fivela. — Você até pode tentar negar, teme, mas eu sei que você é bem parecido comigo em alguns aspectos e esse,... — abriu a braguilha, lambeu os dedos, deixando-os bem úmidos, e enfiou a mão por dentro da cueca boxer. — é um deles.
O Uchiha respondeu com um arfar, apertando os braços musculosos do Uzumaki. Se havia algo que o corvo era apaixonado, eram as expressões travessas e maliciosas e os olhos azuis cerúleos se tornarem cinzentos com a força de seu desejo. Eram provas suficientes de que afetava o macho, tanto quanto era afetado.
O loiro circulou o sexo do homem com a palma em um aperto firme, masturbando-o lentamente como se quisesse provocar o rapaz mais velho. A brincadeira pareceu surtir certo efeito, pois o moreno agarrou um punhado dos fios loiros e puxou o companheiro para um beijo exigente e selvagem, delimitando no ato como gostaria de ser tratado naquele momento.
Naruto conseguiu rir debochadamente, mesmo sendo devorado por lábios famintos, e foi recompensado por uma mordida nada carinhosa no beiço carnudo, fazendo-o franzir a testa em desagrado e dor. Aumentando os movimentos do braço, ele tornou o estímulo ainda mais intenso, fazendo questão de brincar com a cabeça regurgitada, a fenda que pingava pré-sêmen e o saco escrotal, correndo os dedos pela carne endurecida com habilidade.
Sasuke abaixou a cabeça e apertou a própria testa no ombro vestido do outro, ofegando audivelmente. As bochechas normalmente pálidas estavam avermelhadas e ele se sentia febril, suas têmporas pingavam suor e seu cabelo negro bagunçado colava ao redor do rosto, enquanto seu quadril magro se movia involuntariamente. A mão girava em torno de sua ereção, ao mesmo tempo em que subia e descia cada vez mais rápido.
O mais velho não estava contente em parecer inativo naquela troca prazerosa, dessa maneira, levou os dedos pálidos até a boca e umedeceu-os com a saliva para direcioná-los à bunda bronzeada ainda desnuda pelas ações anteriores. O Uzumaki sentiu os dígitos molhados espreitarem entre as bochechas de sua bunda e deu um suspiro expectante, inclinando-se para o toque firme.
O Uchiha penetrou o orifício apertado e passou a movimentar-se dentro do corpo do amante, experimentando a sensação das paredes internas se apertarem ao seu redor. As ministrações do moreno pareciam ter desconcentrado Naruto, pois ele parou de masturbar o outro para apreciar a carícia íntima e ousada, voltando à realidade alguns segundos depois.
A troca levou o casal a um novo mar de sensações e sentimentos confusos, a imaginação fazia parte daquele ato, tornando-o ainda mais prazeroso. Sasuke poderia se sentir realizado com a visão das mãos bronzeadas o circulando, ao mesmo tempo em que idealizada o ânus comprimindo o seu pênis; o mesmo acontecia com o loiro, que arqueava todo o corpo, procurando mais daquele contato, fantasiando estar sendo realmente fodido pelo homem ao invés dos dedos longos e pálidos do mesmo. A realidade era estimulante, mas a simultaneidade da criação mental de ambos parecia potencializar o sexo.
O Uzumaki, que naquele momento já estava excitado e duro outra vez, sentiu que iria gozar outra vez quando sentiu o homem atacar sua próstata impiedosamente, empurrando-o para a liberação propositalmente. O corvo já estava no limite e queria que os dois chegassem ao paraíso juntos.
Ambos ficaram ainda mais tensos e, com a mão livre, Naruto se apoiou na mesa, sentindo os músculos arderem pelo esforço excessivo. O Uchiha mordeu com força o ombro do amante para controlar um gemido alto que queria escapar pela sua garganta, ouvindo o mais novo ser menos contido e expressar, sem medo, seu deleite. Eles entraram em colapso e ficaram dessa forma por tempo incontável, colados. Tanto um quanto o outro, haviam perdido a noção dos minutos, do próprio corpo e da própria mente; centrando-se somente no relaxamento e felicidade seguidos pelo orgasmo.
Estavam tão envolvidos, que mal perceberam que já haviam se passado quase uma hora e meia naquele encontro "às escuras" e só se tocaram que precisavam voltar para a Terra, quando a porta da sala de reuniões de abriu abruptamente. O casal se voltou para a entrada com os olhos arregalados e as calças arriadas até os joelhos.
Era uma cena que nenhum dos recém-chegados merecia ver. Fugaku focou o olhar nas pernas brancas do filho, bendizendo a Kami-sama pela camisa social ser comprida o bastante para cobrir a bunda pálida do caçula; Minato desviou a atenção para um pequeno balcão de mármore e madeira, sem graça por ter flagrado uma cena tão íntima; e Kushina estava mais vermelha que os próprios cabelos, ainda não decidida sobre que reação tomar. Coitada.
Era uma sorte que Mikoto ficava longe da administração da empresa e só aparecia em algumas reuniões para beneficiar na imagem do marido.
O chefe do clã Uchiha fechou a porta tão rápido quanto seus pensamentos bagunçados permitiram. Quando a mente se organizou, a face normalmente carrancuda ficou ainda mais mal humorada. O trio estava tão concentrado em manter a própria dignidade, que se esqueceu completamente do que iriam fazer no espaço reservado às negociações.
Os empresários ficaram de ver, minutos depois do discurso do presidente da Mangekyou, o valor da transferência bancária para dar andamento ao início das obras e contabilizar a compra de materiais de construção. Era um contrato de longo prazo, por isso, o contratante e o contratado precisavam estar em constantes reuniões para acerto de todos os detalhes. Japoneses são conhecidos pelo perfeccionismo e disciplina em tudo o que fazem e o líder da maior empresa de segurança da informação do Japão não era diferente.
Fugaku era metódico e calculista, um profissional insensível e exigente do mercado executivo; tudo o que ele esperava de seus filhos, é que ambos, Itachi e Sasuke, possuíssem a mesma postura correta nos negócios. Já havia sido um choque para ele saber a sexualidade de suas crias e ver o mais novo deles agindo como um garoto irresponsável por causa de sexo era enervante.
(***)
Logo depois do choque inicial, tanto Naruto, como o moreno, trataram de se arrumar rapidamente o melhor que podiam. As roupas estavam amassadas e havia uma confusão suja de esperma manchando a calça de um e a camisa de outro. Nenhum deles disse uma palavra sequer; talvez, cientes de que levariam uma advertência das grandes. O loiro já podia imaginar a bronca que levaria da mãe e o corvo temia pensar na reação de seu pai — ele apenas mastigava o lábio inferior com nervosismo, enquanto penteava o cabelo com os dedos.
Assim que saíram da sala, foram para os banheiros. O Uzumaki desistiu de tentar arrumar os cabelos, mas ao menos conseguiu se limpar adequadamente. O corvo parecia tão apresentável quanto antes, embora, olhos mais analíticos pudessem perceber as rugas no smoking caro. Ele deu um sorriso pequeno para o estudante de engenharia, pois, por mais que estivesse temeroso, Sasuke não se arrependia em nada do que havia feito.
- Espero que a kaa-chan não decida me castrar quando chegar em casa... — o mais novo brincou, puxando o amante pela nuca e batendo os lábios juntos em um selinho rápido.
- Hn. — o moreno resmungou, balançando a cabeça resignadamente. Naruto nunca aprenderia, ele tinha que demonstrar todo o seu afeto em um toalete masculino, onde os outros homens poderiam ver a cena e se sentirem incomodados.
O casal saiu em silêncio. Ninguém percebeu a mudança de aparência do Uchiha, embora muitos perguntaram o que havia acontecido com o cabelo do Uzumaki, que estava com os fios todos desordenados.
Ele apenas dava aquele sorriso contagiante e mudava de assunto.
(***)
Cinco dias haviam se passado desde a festa e Sasuke não ouviu nenhum comentário de seu pai sobre o que aconteceu na festa. Ele já estava começando a achar que o homem não havia dado importância ao fato, até que, na quinta-feira, Fugaku o mandou chamar. A secretária do empresário ligou em seu celular e avisou que o chefe do clã estava o esperando na mansão para aquele final de semana, pois tinha assuntos urgentes para tratar com o filho.
O moreno não estranhou a atitude impessoal, visto como o patriarca da família sempre deu grandes importâncias para as formalidades. Ele nunca tratou o corvo como um parente na frente de outras pessoas, diferentemente de como lidou com Itachi há alguns anos. Nos últimos tempos, nem o irmão mais velho estava recebendo tanta atenção, principalmente depois da notícia bombástica sobre sua sexualidade, mas era de se esperar, visto como o líder Uchiha era tradicional.
Era sexta-feira à noite, quando o caçula atravessou o corredor que dava ao escritório do pai com passos firmes e decididos, contrastando horrivelmente com o seu interior inseguro. Ele sabia o que vinha pela frente e a bronca que receberia do homem não seria nada branda. Não importava que idade o estudante de administração tivesse, ele sempre se sentiria intimidado com a aura marcante daquele que lhe criou. Apesar das falhas, Fugaku era um homem correto e o educou perfeitamente. Sasuke agradecia por isso, pois ele era daquele jeito, graças à criação paterna e materna.
Com uma batida na porta e um consentimento abafado pela mesma, ele entrou na ampla sala, sendo saudado pela visão da figura masculina, sentada imponentemente em uma cadeira giratória de couro. Todos os móveis eram feitos de madeira de bambu, dando uma impressão sofisticada e sóbria ao local.
- Queria conversar comigo? — ele foi direto, porque não havia motivos para enrolações.
Também não se sentou, dando a entender, indiretamente, que queria terminar aquela conversa o quanto antes.
- Eu quero te ver longe do filho de Minato e Kushina. — a não utilização de sufixos deu a clara impressão de hostilidade e falta de respeito para com os velhos amigos.
- Eu não vou fazer isso. — o caçula respondeu simplesmente, tentando impedir que sua expressão demonstrasse qualquer sinal de desagrado, medo ou afronta, embora seu tom de voz fosse claramente desafiador.
- Esse garoto não vai lhe fazer bem, Sasuke. — rosnou, começando a se irritar com a desobediência do mais novo. — Ele vai te prejudicar! Já pensou se fosse um dos acionistas ou um dos nossos sócios que abrissem aquela porta? Ou pior, algum jornalista atrás de um escândalo?
O rapaz abaixou a cabeça, embora soubesse que estava errado, ainda não conseguia se arrepender do que fizera naquela sala, pelo contrário, ele repetiria se tivesse a chance, mas dessa vez, o corvo trancaria a porta.
- Não quero ver você com esse moleque irresponsável e inconsequente. Isso é uma ordem. — Fugaku tentou mais uma vez, caso o contrário, ele tomaria medidas extremas.
- Eu não sou mais uma criança e posso muito bem tomar as minhas próprias decisões. Sei ainda mais do que você, o que é melhor para mim. — sua voz tranquila ressoou pelo ambiente, contrariando o seu interior agitado.
O estudante de administração se virou e caminhou até a porta, mas foi parado pelo tom imperioso do chefe do clã:
- Se não fizer o que eu estou pedindo, eu vou destruir essa família. — pausa. — Vou quebrar o contrato assinado com a Kyuubi Engenharia & Construção e vou fazer com que essa empresa, já bem pequena, chegue à falência. Não me desafie, Sasuke, você sabe muito bem do que sou capaz para conseguir o que eu quero e, no momento, eu só penso no que é melhor para você.
O mais novo estancou com a mão na maçaneta. Seus músculos das costas estavam visivelmente tensos sob a camiseta de malha branca.
Era como um balde de água fria sendo jogado em seus desejos, quebrando qualquer ilusão de que poderia viver um romance em paz sem a intervenção de Fugaku.
Fale com o autor