Dar-se Uma Chance

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Eu comecei a escrever esse capítulo poucos dias antes do Oscar Niemeyer morrer, ou seja, faz tempo! A frase de abertura que, inclusive, encaixa-se perfeitamente com a história é uma homenagem a ele, uma das poucas pessoas que admiro nessa vida.
Desculpem a demora, prometi postar na segunda-feira, mas imprevistos acontecem e acabei chegando mais tarde do que eu esperava da minha viagem. Odeio quando as situações da vida não correm como o combinado, haha!
Um agradecimento especial e um cheiro para a linda da Sky Black, que mandou uma recomendação super fofa para a história, mesmo ela dizendo que não estava muito boa, eu adorei. E obrigada a todos aqueles que comentaram e favoritaram Dar-se Uma Chance também.
De qualquer maneira, vou tentar reduzir o tempo entre uma postagem e outra, pois vou passar a digitar os capítulos pelo SmartPhone... Um saco, porque eu odeio escrever naquele tecladinho minúsculo, mas dessa forma otimizarei o meu tempo.
Espero que gostem o capítulo...
Beijocas ♥

Escrito por KiiinN

Revisado por SamaChan

"Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito." — Oscar Niemeyer.

Capítulo 15

No pouco tempo em que Sasuke passou com a família de Naruto, o moreno pôde perceber que eles não eram nada tradicionais. Kushina mandava e desmandava nos homens da casa como se fosse verdadeiramente o patriarca; já Minato se comportava como se estivesse completamente à vontade com as inversões de papéis. Era estranho para o Uchiha, que cresceu habituado a assistir a sua mãe esperar Fugaku e os filhos comerem as suas refeições para, logo em seguida, permitir-se comer adequadamente. Seu clã era extremamente apegado às tradições e, por esse motivo, seu pai não aceitou muito bem a sua sexualidade.

Lembrar-se da tarde tranquila que passou com a família Namikaze/Uzumaki, fê-lo recordar – com um sorriso de diversão nos lábios – de como a matriarca, com apenas um olhar ameaçador, mobilizava ambos os machos a realizarem qualquer desejo da mulher. A ruiva mantinha dois loiros na palma de sua mão e fazia questão de mantê-los em um controle apertado. O estudante de engenharia até tentou, algumas vezes, desafiá-la, mas acabou ganhando inúmeros cascudos no topo da cabeça.

- Do que está rindo, bastardo? – a familiar voz rouca e sussurrada em seu ouvido interrompeu seus pensamentos.

- Hn. – respondeu simplesmente.

Ele não se sentia tão bem em protagonizar com o mais novo cenas de um casal apaixonado na frente de outras pessoas, principalmente quando o patriarca da família estava os observando com um sorriso singelo e um brilho de orgulho nos orbes azuis cerúleos. Era constrangedor... E consolador a aceitação explícita naquela expressão. Sasuke realmente admirava o senhor que estava sentado na cabeceira da mesa de jantar – mesmo que ambos não tenham conversado muito –, pois havia uma áurea sábia e tranquila que cercava o homem e que parecia contagiá-lo. De repende, o moreno sentiu que poderia ficar horas escutando as histórias de Minato, sem se importar com o monólogo incessante. O primeiro sentimento que teve ao encarar aqueles olhos compreensivos foi respeito, puro e simples.

- Pare de encarar o velho ou eu ficarei enciumado. – brincou o loiro.

O Uchiha rolou os olhos, entediado.

- Ele se parece com você. – respondeu em um murmúrio.

Tirando o formato dos olhos e o sorriso escancarado, Naruto era a imagem refletida no espelho do Namikaze. O corvo chegou a ver algumas fotos do estudante de engenharia quando este era adolescente e criança – graças à Kushina, que não perdia a oportunidade de constranger o filho –, dessa maneira, ele pôde concluir que nada mudou no Uzumaki, apenas o formato do rosto. A versão mais nova do macho acomodado ao seu lado possuía o rosto mais arredondado como o da mãe, mas ao chegar à fase adulta, toda a gordura de bebê dera lugar a um maxilar quadrado e cinzelado como o do pai.

- Você acha? – o loiro perguntou com um sorriso ansioso nos lábios.

Era óbvio para Sasuke que o amante considerava a figura paterna como um herói; uma inspiração a ser seguida.

- Pelo menos na aparência, porque o jeito é igual ao da sua mãe, apenas menos intimidante. – ele colocou a mão na boca para esconder um pouco a expressão de deboche, enquanto assistia as sobrancelhas douradas se franzirem em descontentamento.

- Bastardo... – resmungou audivelmente, ganhando um tapa na nuca que quase o fez beijar a tigela que estava à sua frente.

- Olha essa língua afiada na hora do jantar. – rosnou a mulher que carregava na outra mão uma travessa com carne assada no forno. O cheiro estava delicioso e todos os homens sentados na mesa salivaram com a fome.

Depois de passar uma tarde inteira com a família, o Uchiha foi forçado por uma ruiva autoritária a ficar para o jantar. Ele não entendia o porquê de não conseguir discutir com a fêmea, mas toda vez que ela o olhava com aquele brilho de finalidade nos orbes cinza-chumbo, qualquer palavra de descontentamento fugia de sua mente como se também estivessem intimidadas pela postura dominante. O moreno realmente se sentia pressionado a fazer com que a matriarca da família gostasse dele, assim como sua mãe havia se apaixonado por Naruto.

Kushina estendeu a mão para o corvo, em um pedido mudo para que ele lhe entregasse o prato retangular de porcelana, sendo prontamente atendido pelo moreno. A Uzumaki pegou uma faca desnecessariamente grande para cortar um pedaço de carne tão pequeno, fazendo uma manobra exibicionista e encarando profundamente as íris escuras de Sasuke que se arrepiou em agonia. Minato olhou com desconfiança para a esposa, pois ela parecia uma versão de Angelina Jolie em “Sr. & Sra. Smith” tentando parecer inocente, mas com uma aura assassina à sua volta.

O único que pareceu não notar era o loiro mais novo, que digitava furiosamente no celular, trocando mensagens de texto com Kiba. A mulher observou o rapaz, sentindo uma veia pulsar em sua testa por causa do aborrecimento; seu filho não estava a ajudando a construir uma cena de suspense.

- Eu fiz especialmente para você, Uchiha, portanto, aprecie. – ordenou antes de voltar a encarar o primogênito com o cenho franzido como se esperasse que o peso do seu olhar pudesse chamar a atenção do macho.

O moreno, ao perceber que o amante estava distraído demais para perceber qualquer coisa ao seu redor, chutou a canela deste, fazendo-o chiar e se abaixar para esfregar o local lesado.

- Que diabos você está fazendo, teme? – ralhou.

Sasuke apenas apontou com o queixo um ponto da sala, mais especificamente onde Kushina estava parada, segurando a faca enorme com um desleixo perigoso. Quando os orbes azuis focaram na figura pequena, ele deu um sorriso receoso e se endireitou na cadeira.

- Sem celular na mesa, está lembrado, sweetheart? – ela indagou com um falso tom de doçura, desistindo de implicar com o namoradinho do filho e começando a servir o prato do marido.

Naruto imediatamente guardou o aparelho no bolso, um tanto sem graça por ter sido censurado na frente do corvo, que apenas balançou a cabeça em resignação. O estudante de engenharia não tinha jeito, era um avoado incorrigível.

A mulher assistiu, abrindo um sorriso misterioso nos lábios, o Uchiha pegar o prato do mais novo para preenchê-lo com uma porção de legumes, ignorando a careta enojada que ganhou do rapaz com marquinhas nas bochechas. Já o loiro, dando-se conta que estava sendo desprezado, pegou a tigela que estava na frente do amante para enchê-la com arroz. Era esse cuidado mútuo que ela esperava de qualquer relacionamento do rapaz.

A ruiva passou por Minato e beijou o topo da cabeça repleta de fios dourados e assim que chegou ao moreno, deu dois tapas de leve em seu ombro para demonstrar indiretamente que apreciava a atitude do macho.

Era um gesto que dizia: “Cuide bem dele para mim”.

Kushina queria intimidar um pouco mais o Uchiha, mas, no fundo, ela era uma mulher sensível e, ao assistir a cena de carinho explícito entre o casal, a matriarca sentiu o seu interior derreter.

- Hey! – Naruto chamou, fazendo um beicinho logo em seguida.

Ela riu ao ver a cara de uma criança pedinte no rosto de um homem, mas acatou ao apelo e abraçou a figura alta do seu filhote e lhe deu um forte cascudo na cabeça loira, fazendo o rapaz se contorcer e gargalhar ao mesmo tempo.

- Estou de olho em você, ouviu, Uzumaki? – puxou a orelha esquerda do rapaz em forma de aviso.

- Sim, senhora. – fez pose de soldado.

- Senhora é a sua avó, mais respeito, porque eu sou a sua mãe, moleque. – rosnou, enquanto se sentava ao lado de Minato, que coçava a nuca, constrangido.

- Deixa a Tsunade-baa-chan ficar sabendo que você a chamou de velha! – ele gritou, apontando um dedo acusador para a mulher de cabelos vermelhos.

Sasuke, cansado da briga infantil e do barulho desnecessário, puxou uma mexa de fios dourados de forma dolorosa para chamar a atenção do amante.

- Estamos na mesa, usuratonkachi; silêncio! – ordenou com um timbre suave, mas firme.

O patriarca até tentou segurar, mas não conseguiu interromper o riso que escapou pela sua garganta ao ver a cara bastante emburrada da esposa por ter levado, indiretamente, uma bronca e a expressão carrancuda na face cheia de marquinhas de bigode de raposa. O som de sua gargalhada deve ter contagiado o restante dos presentes na sala, porque em segundos todos estavam rindo; exceto o Uchiha, que apenas deu um pequeno sorriso divertido.

- Quando você chamará seus pais para jantar aqui em casa, Sasuke? Nós precisamos começar a reunir a família... – a ruiva indagou, fingindo inocência.

- Kaa-chan! – Naruto olhou para o céu, pedindo paciência a Kami-sama, caso o contrário, ele iria esganar a mulher sentada à sua frente.

Sua mãe não tinha a noção de quanto era inconveniente, pois ele e Sasuke nem discutiram sobre namoro, quanto menos sobre juntar os sobrenomes. O loiro mais novo tinha certeza de que Kushina fazia isso de propósito, só para constrangê-lo. O estudante de engenharia queria ter um relacionamento mais sério com o corvo, mas os dois estavam juntos há apenas um mês e ambos concordaram que era cedo para definir o que queriam.

O que eles tinham era cômodo no momento.

- Na verdade, Uzumaki-san... – ele se calou quando recebeu uma cotovelada do amante, fazendo-o perceber a pequena falha. – Hn, Kushina... – se corrigiu, ficando mal humorado. – Semana que vem haverá uma pequena festa de comemoração na minha casa, pela construção da nova filial da empresa da família, e, se não me engano, vocês receberão o convite dentro de poucos dias, já que são os responsáveis pelas obras... – ele ignorou o olhar estranho que o Uzumaki estava lhe mandando, como se perguntasse o que o moreno estava fazendo. – Acho que será uma boa oportunidade para “reunir a família”...

Antes que Naruto pudesse entender o que aquilo significava, Minato entrou na conversa:

- Eu fiquei sabendo sobre isso; seu pai chegou a comentar conosco sobre a festa.

O estudante de engenharia assistiu a mãe balançar as sobrancelhas rubras sugestivamente, fazendo-o corar. “O que Sasuke está pensando?”, questionou-se ao mesmo tempo em que olhava o moreno iniciar um debate com o Namikaze.

(***)

Mais tarde naquela noite, o casal entrou no Hyundai Genesis Coupé cinza metálico de Sasuke e, antes que ele pudesse se ajeitar apropriadamente no banco do automóvel, Naruto espalmou a mão esquerda no peito tonificado para chamar a atenção do homem.

- O que foi aquilo na hora do jantar? – indagou com a voz grave.

O loiro, realmente, queria conversar sobre o que aconteceu e ele precisava entender o que o Uchiha quis dizer com “reunir a família”.

- Aquilo o quê? – inclinou o corpo um pouco para o lado a fim de observar melhor os orbes azuis cerúleos. O Uzumaki transmitia uma infinidade de sentimentos, dentre eles, era perceptível a preocupação, ansiedade e, talvez, expectativa. O moreno não sabia definir ao certo, mas ele esperava, sinceramente, que essas emoções não tivessem significados negativos.

- Esse papel não combina com você, teme. – rosnou impaciente.

- Hn.

O mais novo controlou a vontade de ranger os dentes em irritação ao ver a expressão presunçosa no rosto do corvo. Ele se ajeitou no banco por breves segundos, tamborilando nervosamente os dedos da mão direita no próprio joelho.

- Achei que você concordasse em esperar... – murmurou calmamente.

Sasuke, que até então, não havia desviado os olhos escuros da figura do amante, começou a se sentir um pouco chateado com Naruto, pois a linguagem corporal do macho parecia lhe transmitir que, somente a ideia de ter um relacionamento sério com ele era desprezível.

“Qual é o significado do que temos para você, Naruto?”, perguntou-se com os lábios franzidos em aborrecimento.

- Você não está pensando coerentemente, dobe. – comentou, fingindo indiferença. – Nossos pais estão trabalhando juntos, se eles seriam chamados para a festa, é óbvio que você, como filho, também seria convidado. Não seria nada demais se não estivéssemos juntos, então, pare de exagerar sobre isso... – pediu como se estivesse falando com uma garçonete qualquer em uma lanchonete; cordial, mas apático.

O loiro pensou por um instante e começou a se sentir envergonhado por ter agido como um adolescente imaturo. Ele havia feito um grande alarde a troco de algo tão pequeno e insignificante, mas quando o moreno disse aquelas palavras, a surpresa o abateu com a força de um tapa, assustando-o. Naquele momento, o Uzumaki não sabia o que pensar.

O estudante de engenharia estendeu o braço e enroscou os dedos da mão esquerda nos fios ébano, esfregando os dígitos no couro cabeludo e puxando a cabeça do macho para mais perto de si. Sasuke não mostrou resistência nenhuma, mas quando o mais novo viu a boca posicionada em uma linha fina e o brilho opaco nos orbes escuros, ele percebeu que o moreno estava incomodado com alguma coisa.

- Suke? – chamou com receio, continuando a carícia nos cabelos negros.

- E se eu dissesse que o significado de “reunir as famílias” fosse outro? – jogou de supetão.

Compreensão amanheceu sobre Naruto, fazendo-o erguer as sobrancelhas em entendimento e resmungar incoerências, enquanto balançava a cabeça afirmativamente, enquanto o Uchiha rolava os olhos, entediado com a lerdeza do amante.

- Eu diria que, talvez, pudéssemos formalizar o nosso relacionamento na festa, apenas entre nós dois, já que nossos pais já acham que vamos ter uma casa, adotar crianças e ter um gato. – deu um grande sorriso, ao mesmo tempo em que brincava com os fios macios e pretos, causando arrepios na pele pálida.

O corvo tentou ignorar aquela sensação gostosa que subia e descia pela sua coluna à medida que os dedos se moviam pelo seu cabelo.

- Você não pediria para esperar mais um pouco? – pediu com desconfiança.

- Eu ia sugerir que nós conversássemos primeiro. – pausa reflexiva. – Nós temos quase um ano para terminar a faculdade ainda e só conseguiremos nos ver nos feriados, finais de semana e férias. É inviável transferir a faculdade agora e há também os projetos de conclusão...

- Terá dias que não conseguiremos nos ver. – completou.

- Exatamente, mas, levando-se em consideração o que passamos até agora, estamos lidando muito bem com a distância... – o Uzumaki empurrou a franja do outro para olhar melhor os orbes escuros.

- Tirando o fato que você “se envolveu” com duas pessoas diferentes nesta semana... – jorrou com raiva.

Sasuke tinha ignorado esse fato mais cedo, mas não significava que ele havia esquecido. Seus punhos se apertaram, buscando lhe dar controle sobre as emoções, pois quando se tratava de Naruto, o mais velho se tornava extremamente possessivo.

- Hey! – exclamou, indignado. – Eu deixei bem claro que não dei qualquer brecha para o Gaara e para a Sakura-chan. Foi só um beijo, mas aconteceu porque os dois me pegaram desprevenido. E foi só um beijo, tanto para eles, quanto para mim.

O Uchiha soltou uma bufada de riso descrente, debochando da ideia do loiro em achar que, pelo ato ter sido um mero acidente, tudo estava bem. Ele queria socar o rosto bronzeado e cheio de marquinhas até desfigurá-lo e para controlar esta ânsia, o moreno segurou o volante do carro com força, tornando as articulações dos dedos brancas.

- Era justamente isso que me preocupava... – o Uzumaki resmungou, apoiando o cotovelo direito na janela da porta do automóvel, cobrindo a boca com o punho fechado.

O corvo permaneceu em silêncio, irado demais para pronunciar qualquer argumento para a declaração súbita. Ele sabia que, se abrisse a boca para confrontar o amante, diria muito mais do que estava realmente preparado.

- Você não confia em mim. – jogou, chamando a atenção de Sasuke.

- E eu deveria confiar em você? Depois disso? – ele assistiu as sobrancelhas douradas se franzirem em confusão.

- Isso doeu. – murmurou com sinceridade, sentindo um aperto no peito, pois não era dessa maneira que ele esperava terminar uma discussão sobre um futuro juntos. – Você está me confundindo e me comparando com Suigetsu. Esse era um dos meus medos sobre firmarmos um namoro à distância. Em breve você estará agindo como uma mulher paranoica e tentando se certificar se eu estou realmente em casa ou na faculdade.

- Você fala como se o único problema fosse eu, quando você me dá motivos para acreditar que, para você, esse relacionamento não vale a pena! Você some por dias, não me dá sequer UMA justificativa e ainda diz, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que duas pessoas importantes para você lhe deram um beijo. Só um beijo! – desabafou em tom de escárnio.

- Se o que temos não fosse importante parar mim, por que eu estou aqui? – o loiro respirou fundo e segurou o joelho do Uchiha como forma de chamar a atenção e de lhe dar conforto e segurança. – Já discutimos sobre isso mais cedo, precisamos conversar sobre isso novamente? – a voz grave ficou ainda mais rouca de cansaço.

Sasuke estalou a língua, antes de ligar o motor do carro. Ambos permaneceram em um silêncio pesado e cheio de palavras não ditas por aproximadamente quinze minutos, até Naruto resolver quebrá-lo – tão naturalmente quanto conseguiu.

- Pare naquele posto. – comandou, fazendo o outro bufar em aborrecimento, tanto pela ordem, como pela situação estressante.

- O que você vai fazer? – perguntou, parando em uma vaga na frente da loja de conveniências.

O Uzumaki não respondeu, ele apenas saiu do carro, entrou no estabelecimento e, depois de alguns minutos, voltou com um engradado de garrafas de cerveja e uma sacola branca, que o moreno não distinguiu o que tinha dentro. O loiro colocou os utensílios no banco traseiro e fez um movimento com os dedos, pedindo que o corvo mudasse para o passageiro, que ele assumiria o comando do volante a partir dali.

O Uchiha rangeu os dentes com a presunção do outro em achar que podia lhe dar ordens.

- O que você PENSA que está fazendo? – rosnou com raiva.

O estudante de engenharia abriu a porta do lado do motorista e colocou a parte superior do corpo para dentro, desafivelando o cinto de segurança do amante. Sasuke estava tão zangado que, num gesto defensivo, empurrou o homem, fazendo-o bater a cabeça com tudo no vidro.

- Ouch! – reclamou, esfregando a área dolorida. – Você está muito violento hoje, Suke. Eu só quero te levar para um lugar. – colocou a mão direita na lateral do quadril estreito em um pedido mudo para que o mais velho passasse para o outro lugar.

- E se eu disse que não quero ir para lugar nenhum? Eu estou cansado e irritado com essa merda to-

Um par de lábios foi pressionado nos seus, calando-o imediatamente e apagando toda a ira. No início, foi apenas um selinho abrupto, sem qualquer indício de carinho, mas, assim que o loiro insinuou a língua para aprofundar o beijo, o contato acabou se tornando mais apaixonado. O som molhado entre um movimento e outro, o gosto e o cheiro particular de cada um, instigava-os. À medida que o tempo passava, o contato ficava mais lento e sensual, levando-os a respirar com dificuldade, como se o simples ato de expirar e inspirar fosse o suficiente para fazê-los perder o controle.

O moreno se contorceu incomodado no banco, descobrindo, de repente, que aquela carícia era pouco para o que ele gostaria. Seu corpo estava chamando, querendo e esperando Naruto. Ele até se esqueceu do porquê de estar tão irritado.

O Uzumaki afundou os dedos nos fios ébano, bagunçando-os e sentindo a textura e maciez do cabelo ao mesmo tempo em que se afastava. Se o corvo fosse mais expressivo, ele teria feito um muxoxo em desagrado. O Uchiha sentia falta desses afagos despreocupados, pois o que houve na casa dos pais do outro macho foi apressado e dissimulado, já que ambos não poderiam se dar a liberdade que queriam para fazerem o que bem quisessem.

- Eu não vou pedir de novo, Sasuke. Ou você faz o que eu pedi, ou eu te pego no colo em estilo noiva, na frente de todas essas pessoas, e te coloco naquele banco. – ameaçou.

- Hn. – rolou os olhos em tédio, ao mesmo tempo em que pulava para o lado do passageiro. Ele só fez o que o mais novo pediu, porque estava curioso para saber o que se passava naquela cabeça imprevisível.

O loiro entrou no carro e se preparou para colocar o veículo em movimento. Quando o ronco suave do motor veio à vida, o rapaz começou a dirigir na direção oposta onde era Nagano, tomando rumo à cidade litorânea e capital da província, também chamada de Niigata.

- Seu pai tem o sobrenome japonês, mas ele é mestiço, não é? – lembrou-se da pergunta que estava martelando em sua cabeça desde que colocou os olhos em Minato Namikaze.

- Minha avó, a mãe do meu pai, tem descendência alemã. – sorriu levemente, bastante concentrado na estrada, que havia começado a escurecer na entrada da rodovia, pois havia poucos postes de luz. – Pelo visto nossos genes são fortes, porque, apesar da mistura, eu, o tou-chan e a baa-chan nascemos loiros com os olhos claros.

- E sua mãe é naturalmente ruiva. É raro encontrar japoneses com esse tipo genético. – comentou casualmente, estendendo o braço para poder brincar com os bloqueios dourados da cabeça do mais novo.

- A família Uzumaki inteira é ruiva, mas também tem linhagem mestiça; eu sou uma exceção. – brincou.

Os dois passaram o restante do caminho conversando sobre amenidades. Naruto tomou rumo à estrada perto da costa do mar. Devido ao horário, ambas as vias estavam vazias e em dado momento, o estudante de engenharia diminuiu a velocidade e passou por uma entrada no corrimão de ferro da rodovia, parando em uma pequena praia à beira do corredor de carros.

Quando o mais novo desligou o Hyundai Genesis Coupé, os faróis do veículo se apagaram, deixando o ambiente fracamente iluminado pela Lua e pelos escassos postes de luz espalhados na rua atrás deles. Um breve minuto de silêncio se seguiu, até que Sasuke, curioso sobre a situação, resolveu falar:

- Por que estamos aqui? – indagou. Suas sobrancelhas se torceram em confusão.

- Eu acho que precisávamos fazer algo de diferente. – respondeu, dando de ombros e pegando o engradado de cervejas e a sacola que tinha pegado na loja de conveniências, saindo do automóvel logo em seguida.

- Nós nunca fomos um casal de rotina, dobe. Fora as nossas ligações corriqueiras durante a semana, que também não são nada previsíveis, nós nunca repetimos nenhum programa. – resmungou, saindo do carro também.

- Pare de reclamar, teme! – exclamou, indignado. – Você precisa explorar mais o lado bom da vida. Você fica agindo como se estivesse com um pau entalado na bunda, sempre incomodado com alguma coisa e nunca está contente com nada. – o Uzumaki comentou como se explicasse sobre o tempo ao mesmo tempo em que tirava o tênis e se sentava na areia branca.

- A única coisa que entra na minha bunda é o seu pau, idiota. – disse como se grunhisse em desgosto, arrancando uma gargalhada do outro. – E eu, particularmente, não estou incomodado com isso... – murmurou, arrancando mais risos do outro.

- Você está agindo feito um gatinho arisco ultimamente, Suke. Eu gosto disso em você. – respondeu, entregando uma garrafa de cerveja para o mais velho.

- Hn... Perdedor. – murmurou para si mesmo, começando a se sentir emburrado.

Naruto conseguia levá-lo para dois extremos com uma rapidez que nem mesmo Itachi, seu irmão mais velho, conseguia. O loiro era capaz de lhe irritar, mas fazê-lo derreter como uma garota em questão de segundos; e por mais que o conhecimento desse fato o chateasse, ele sabia muito bem que era bom em fazer o mesmo com o estudante de engenharia.

Os dois ficaram minutos em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos, silenciosamente apreciando a companhia um do outro. Orbes azuis escanearam a figura imponente do Uchiha, admirando os contrastes da pele pálida sob o brilho da Lua com os cabelos negros e lustrosos.

- Isso me lembra do festival. – comentou vagamente, atraindo a atenção do moreno.

- Quer dizer que vamos fazer sexo loucamente no carro de novo? – o corvo perguntou ironicamente, ajeitando-se para apoiar as costas no peito tonificado no amante.

- Podemos até fazer fora dele se você quiser! – interessou-se, mal percebendo o tom jocoso do moreno.

- Aho¹! – sussurrou, espalmando a mão na face cheia de marquinhas e empurrando o homem até que este último se deitasse.

Naruto riu de leve, sabendo da dificuldade de Sasuke em lidar com brincadeiras e falar abertamente sobre assuntos que envolvam sexo e sentimentos, preferindo, dessa forma, deixar o tópico de lado, ele o puxou pela camiseta até que o mais velho se deitasse sobre seu peito. Quando os rostos estavam um de frente para o outro, o loiro encarou os orbes escuros.

- Você tem razão, eu agi como se este relacionamento não fosse importante para mim, quando é naturalmente o contrário. Eu só estou sendo um pouco mais cauteloso e isso deve lhe confundir, já que cautela não tem muito a ver comigo. Eu só tenho medo de perder o que temos... – desabafou. – Às vezes eu temo estar te empurrando para algo que você não quer, porque eu me jogo de cabeça facilmente em tudo o que me faz sentir ligado e tenho a tendência a não perceber quando estou sendo um pouco denso e exigente. Se eu não me vigio, grudo em você por 24 horas.

- Eu não sou o tipo que se sente obrigado a fazer algo quando não quero, dobe! – resmungou, irritado com a forma se pensar do macho abaixo de si.

- Eu sei disso, mas às vezes pode acontecer de você não saber o que quer. Acontece com todos, pelo menos uma vez na vida. – retorquiu.

- O que pensa sobre mim, Naruto? Eu não sou mais um garoto indeciso ou um adolescente confuso! – rosnou, levantando-se.

O dia de hoje não estava sendo como o Uchiha esperava. Ele queria apenas se acertar com o Uzumaki e permanecer da mesma forma que estavam quando começaram esse relacionamento indefinido. Os dois sempre brigaram por qualquer motivo, mas por alguma razão, que o moreno desconhecia, os pretextos das discussões passaram a ter um significado muito mais profundo do que realmente parecia.

Era como uma bola de neve rolando ladeira abaixo, aumentando suas proporções.

- Sasuke! – chamou-o, vendo-o se afastar e entrar no carro, dizendo indiretamente que queria ir embora. – Você não está me entendendo!

- Eu quero que você cale a boca por um instante, porque você começou a me irritar! – rosnou com raiva, perguntando-se mentalmente como o loiro poderia questionar o que ele queria, quando estava claro como água que ele não desejava mais ninguém que não fosse o Dobe.

- Eu só estou dizendo que, às vezes, podemos achar que sentimos algo, quando, na verdade, é outra coisa... – tentou, ignorando o pedido do corvo. – Sakura-chan confundiu o que sentia por mim...

Foi interrompido.

- Sakura-chan, Sakura-chan, Sakuran-chan... – grunhiu, saindo do automóvel para apontar um dedo na face cheia de marquinhas. – Não me compare a essa garota! – disse pausadamente, batendo o dedo no centro do peito do outro. – Nunca disse para alguém o que realmente sinto. Hoje eu, literalmente, me abri de coração para VOCÊ, declarei com todas as palavras que gosto de VOCÊ e ainda VOCÊ vem e desconsidera o que faço por VOCÊ, quando jamais fiz o que fiz por ninguém! – jogou em um só fôlego.

Quando Sasuke terminou, ele estava ofegante como se tivesse corrido uma maratona.

- Você diz que eu estou o comparando com Suigetsu, mas você está fazendo o mesmo comigo... – murmurou.

Apesar de suas emoções estarem uma bagunça, ele tinha certeza que odiava a forma como a ex-namorada de Naruto ainda mexia com o psicológico do rapaz. Era enervante e a sua vontade era apagar qualquer significado que ela tinha na vida do estudante de engenharia. Ele não negava, tinha inúmeros receios, mas jamais comparou o antigo companheiro com o estudante de engenharia, que o deixou inseguro sobre si mesmo por um longo tempo, mas não sobre o rapaz diante de si.

Orbes azuis encararam a face normalmente pálida, agora tingida de rosa. Na força de sua ira, o Uchiha corou e começou a tremer levemente em descontrole. Os olhos ônix adquiriram um brilho afogueado e determinado, e os lábios estavam posicionados em uma linha fina e tensa. As declarações do homem o atingiram como tapas e demorou um pouco para que o mais novo entendesse o sentido de todas elas. Quando ele entendeu o que o moreno quis dizer, de início, ele se sentiu envergonhado, mas, depois, uma enorme felicidade encheu o seu peito.

O loiro deu um sorriso pequeno e agarrou o colarinho da camiseta de malha, puxando o macho até que pudesse colar os lábios. O gesto foi brusco e nada delicado, pois assim que o beijo começou, o Uzumaki invadiu com a língua a cavidade quente da boca do outro. O gosto era singular, cerveja, cigarros e algo particular do moreno que o viciava. A carícia logo se tornou intensa; lambidas, mordidas e sucções compunham o ósculo desesperado.

As mãos pálidas agarraram o tecido da camisa xadrez do companheiro. A força de todos os movimentos empurravam os rapazes e, os pés de ambos se moviam em um jogo desorientado, até que o corvo bateu com as costas na lateral do carro. O casal esqueceu que estava de cara para uma rua e em uma praia pública, correndo o risco de serem repreendidos.

Imediatamente o desejo cresceu pelos corpos e, para Sasuke, o ato desmedido de afeição de Naruto lhe disse tudo o que ele precisava saber. Era um mudo pedido de desculpas; era uma garantia apreciativa à afeição do moreno; era uma resposta física involuntária para o que o Uchiha o fez sentir.

O homem mais novo parecia mais sóbrio que o amante, mas o fato não surpreendia o estudante de administração, visto como o Uzumaki lidava melhor com demonstrações apaixonadas. Ele abriu a porta traseira do veículo e entrou, puxando o enamorado consigo. Os dois se posicionaram de maneira desajeitada, sentados, um entre as pernas do outro ao longo do banco estofado, enquanto ainda trocavam beijos aquecidos.

Lábios carnudos percorreram a extensão do pescoço de pele leitosa, raspando os dentes e, arrepiando a cútis pálida, ao mesmo tempo em que afundava os dedos nas madeixas de cor ébano, segurando-os com firmeza e controlando os movimentos do macho diante de si. Mãos brancas adentraram a roupa que cobria o tronco do loiro, arrastando os dígitos pela tez macia em uma carícia tão leve que, se o companheiro não estivesse tão sensível, mal teria sentido.

Parecia clichê, mas para o casal, a sensação e a situação os fizeram ligeiramente nostálgicos. Dentro de um carro, em uma praia vazia, acompanhados pela ansiedade gritante em descobrir os pontos fracos de cada corpo e pela necessidade de arrancar exclamações carentes e sons incoerentes de êxtase.

Sasuke circulou o mamilo esquerdo com o polegar e o beliscou logo em seguida, sentindo as coxas de Naruto apertarem a sua cintura como se quisesse os aproximar ainda mais. Ele sentiu dedos puxarem os bloqueios negros de seus cabelos, inclinando sua cabeça para trás a fim de ter maior liberdade para atacar o maxilar cinzelado e o lóbulo das orelhas com a boca faminta.

O casal sentia uma necessidade crescente de estar em contato, sem nada que os impedisse de sentir a pele contra a pele, como se o fato pudesse aumentar a ligação sentimental que um nutria pelo outro. O Uzumaki puxou a camiseta de malha para fora do dorso magro e a jogou em um canto qualquer do automóvel, movendo os lábios para acariciar a clavícula do amante e as mãos para apalpar os músculos firmes.

O estudante de engenharia era quase reverente em suas atitudes; ele queria cada pequeno pedaço do pensamento do Uchiha e se precisasse foder com a mente do macho diante de si, o mais novo o faria sem hesitação. O moreno tinha um jeito involuntário de chamá-lo, de seduzi-lo como ninguém; o cenho franzido em concentração, as pálpebras semicerradas e os orbes negros brilhando em luxúria, imploravam-no para fazer de tudo que levasse aquele homem à loucura.

Naruto ergueu-se sobre os joelhos e passou a desabotoar a camisa xadrez que usava sob o olhar intenso do corvo, que o impediu de continuar para fazê-lo ele mesmo. Sasuke queria tocá-lo a cada ponto do abdômen definido que descobria debaixo do tecido de flanela. Ele espalmou a mão no peito bronzeado e empurrou a peça para longe do tronco delgado e, logo em seguida, correu os dígitos até alcançar os ilíacos salientes do quadril, sentindo cada folículo da pele se salientar em arrepio.

- O que você está escondendo para mim aqui, Naruto? – ele perguntou com a voz ainda mais grave e profunda, engolindo a saliva enquanto acariciava o bojo formado na calça jeans.

O loiro nem se dignou a responder, pois sabia que não encontraria voz para retrucar a aquela questão sem vergonha, ele apenas abriu a boca e chupou uma respiração audível, sentindo seu membro latejar com a atenção dispensada pelo moreno. O Uchiha abriu a braguilha e puxou um pouco a cueca para libertar o pênis turgido, que pulou como se estivesse feliz em estar livre do confinamento. A mão pálida segurou o comprimento rígido e passou a acariciá-lo, ganhando um gemido estrangulado em troca.

A sensação de prazer que percorreu o corpo bronzeado foi tão intensa, que toda a figura masculina tremeu em excitamento; se o amante continuasse a estimulá-lo desta maneira, ele iria gozar. O Uzumaki sentia o macho mover o braço de maneira confiante, correndo os dedos ao longo do músculo intumescido, brincando com a cabeça regurgitada e passando o polegar pela fenda, espalhando as gotas de pré-gozo para facilitar a masturbação.

O estômago de Naruto se contraiu em espasmos erráticos e, antes que pudesse se liberar em orgasmo, ele segurou o pulso marfim a fim de parar o mais velho. Sasuke foi empurrado até que estivesse parcialmente deitado ao longo do banco de couro, que colou em sua pele suada. O estudante de engenharia se inclinou e passou a degustar a pele branca, sugando a carne, sentindo o gosto salgado e deixando pequenas nódoas vermelhas. Em um movimento fluído, desabotoou o único botão da calça e puxou o zíper para abri-lo, ele espalmou as nádegas macias por dentro de todo aquele tecido, dando um aperto firme ao mesmo tempo em que empurrava para baixo as peças que cobriam o homem.

O corvo chutou os panos para longe de suas pernas e segurou o amante pela cintura, levantando-se enquanto empurrava a figura irresistível do loiro e puxava as barras do jeans para baixo dos tornozelos. Assim que o moreno terminou de despir o outro, ele passou a se mover para trocar as posições, já que o Uchiha estava sentado entre as pernas longas e musculosas do Uzumaki, mas o último o impediu, enlaçando o enamorado para impedi-lo de sair de onde estava.

Houve apenas um pequeno sobressalto por parte de Sasuke, que já estava bastante acostumado ao arranjo que ele e Naruto tinham no relacionamento, mas ele não pôde deixar de sentir um calor ansioso na boca do estômago com o gesto. Não havia dúvidas entre o casal – assim como a primeira vez –, o mais velho sabia que o estudante de engenharia não se daria a liberdade de arriscar, se ele, de fato, não esperasse por aquilo. Os orbes azuis brilhavam determinados e apaixonados, tentando expressar a entrega dos seus sentimentos mais sinceros para o macho diante de si.

O loiro passeou os dígitos pelo peito liso do amante. O corvo tinha poucos pelos no corpo, dando-lhe um aspecto de pele de bebê, suave ao toque. Ele desceu a carícia, parando centímetros de chegar à intimidade latejante do moreno e encarando os orbes escuros com uma intensidade expectante.

O estudante de administração viu naquela pausa a chance de tornar o momento mais interessante para ambos, levando o indicador para brincar com a carne úmida do beiço. O Uzumaki lambeu a ponta do dedo do amante, circulando-o com a língua, antes de sugá-lo para dentro da boca; o Uchiha empurrou mais dois dígitos na cavidade quente, sentindo o homem brincar por um tempo, dando uma piscadela safada e um sorriso cafajeste ao final.

Sasuke estava começando a se acostumar com a personalidade ousada do enamorado. Ele não era habituado a transar em lugares inusitados, ser levado pelo desejo eloquente e desenfreado, se arriscar por uma aventura sexual por mero capricho de sentir a adrenalina de poder ser pego. Ao encarar aquelas íris brilhando em malícia, o mais velho pôde perceber que Naruto já tinha calculado tudo antes de sair de casa.

E ele percebeu que gostava disso.

O corvo jamais tinha se dado a chance de ser um adolescente hormonal e inconsequente como agora – mesmo que já não tivesse idade para tal –, de viver a vida sem se preocupar com o que os outros pensariam, pois foi criado dentro do regime tradicional de sua família. Ele nunca havia se sentido tão livre. Pela primeira vez em toda a sua vida, mesmo depois de assumir a sua homossexualidade para os pais, o moreno sentiu que podia se arriscar a experimentar; o loiro lhe dava essa sensação de bem-estar, apoio e confiança que o levava a não hesitar a realizar o que queria.

Era revigorante.

Os vidros do automóvel estavam embaçados e do lado de fora era possível notar o Hyundai Genesis Coupé balançando no ritmo dos movimentos do casal em uma dança errática e desigual. Os poucos motoristas que passavam pela estrada, estranhavam o único veículo parado, mas não se davam a oportunidade de parar para verificar se havia algo errado, de tão centrados em chegar aos seus destinos.

Quando o primeiro dedo de Sasuke penetrou a entrada do amante, este chiou, erguendo a cabeça para tentar assistir as ações do outro homem. Orbes cinzentos e nebulosos em excitação giraram enquanto sentia o mais velho acariciar as paredes de seu reto. Se ele tinha gostado de fazer aquilo em si mesmo, a sensação de ter o moreno dentro do seu corpo parecia ainda melhor. Naruto se amaldiçoou por ter se deixado levar pelas inseguranças.

Todos os pensamentos coerentes do loiro evaporaram como fumaça quando o segundo dígito passou pelo anel apertado de músculos. Ele tomou uma respiração profunda, aliando-a a um gemido gutural quando sentiu um lugar específico ser massageado. Sua figura bronzeada tremeu violentamente sob o banco de couro do passageiro. O estudante de engenharia até tentou abrir um pouco mais as pernas, mas o espaço limitado o impediu de conseguir o que queria.

O Uzumaki choramingou com a voz ainda mais rouca, quando sentiu o polegar do macho acariciar o seu períneo, enquanto empurrava os dedos para dentro e para fora, batendo em sua próstata continuamente.

- Sas... Sasuke! – ofegou com força, agarrando o encosto e apertando o estofado em uma pegada fundamentada, tentando manter a sanidade diante do prazer enlouquecedor.

Com pressa, o Uchiha tirou os dígitos de dentro do amante, ergueu os tornozelos do outro homem para apoiá-los em seus ombros e empurrou o seu membro contra a entrada do ânus, que se contraia ansiosamente. Sasuke o penetrou de uma só vez, soltando um lamurio estrangulado, ao mesmo tempo apreciando e agonizando a sensação de aperto ao redor de seu falo. Ele apertou as coxas delgadas do mais novo, sugando o ar com dificuldade.

Suor escorria pela testa de ambos.

Ignorando o incômodo inicial, Naruto se remexeu, indicando silenciosamente que o outro deveria se mexer. Incentivado pela movimentação do corpo abaixo de si, o moreno começou a estocar vagarosamente, desfrutando a sensação quente que deslizava cima a baixo do seu pênis rígido, comprimindo-o e puxando.

O casal gemia e o loiro soltava pequenos murmúrios que levavam o moreno a perder cada vez mais a razão.

- Que delícia... – ele sussurrava. – Você é tão gostoso, Sasuke. – apertava as bochechas da bunda pálida, trazendo-o ainda mais para perto. – Mais rápido. – ordenava com a voz grave. – Mais fundo... – o tom falhara quando o corvo cumpriu seu comando.

O interior do carro parecia ferver e, por fora, via-se o veículo se mover em um ritmo frenético e continuo.

Naquele momento, os dois se moviam em uníssono e o som de pele contra pele se chocando violentamente era claro diante do barulho das respirações ofegantes.

Naruto começou a sentir que estava chegando ao seu limite, quando todos os seus músculos enrijeceram e o interior do baixo-ventre pareceu se enrolar em excitação. O Uchiha sentiu o interior do amante se apertar de forma quase insuportável e com mais algumas estocadas irregulares, ambos liberaram o orgasmo. Juntos.

O mais velho tombou, descansando a testa no peito bronzeado e tentando normalizar o fôlego, enxergando branco sob as pálpebras fechadas e sentindo os músculos arderem pelo esforço repetitivo. O corvo só despertou do devaneio pós-gozo quando sentiu uma carícia em seus cabelos molhados pelo suor.

- Eu já disse que você deveria ter entrado em minha vida mais cedo? – perguntou, dando um sorriso de raposa.

- Idiota... – revirou os olhos. – Você planejou por isso, não é? – saiu de dentro do corpo quente e se apoiou no corpo do outro, ainda encaixado entre as pernas delgadas.

- De última hora, mas planejei. – ficou em silêncio por um instante e depois se sobressaltou como se lembrasse de algo.

O loiro empurrou delicadamente o homem e abriu a porta do carro, saindo do automóvel como veio ao mundo: nu. Pegando as sacolas e o engradado de cerveja com pressa e voltando correndo a fim de evitar ser visto e preso.

- Parece que nossas cervejas esquentaram... – reclamou, enquanto entrava no carro e jogava as sacolas no chão acarpetado.

Sasuke só ergueu uma sobrancelha em resposta, assistindo o macho se arrumar na mesma posição em que estava antes e em seguida pegar a mochila, que estava jogada no banco do passageiro e puxar um lençol de dentro para cobri-los.

- Mas ainda temos saquê. – ele tornou a dizer, pegando a garrafa esverdeada.

- Você pretende passar a noite no carro? – o moreno perguntou um tanto perplexo, embora o seu rosto fosse uma máscara de neutralidade.

- Não, vamos curtir por um tempo e depois vamos para o seu apartamento em Nagano. – respondeu com a voz tensa pela força que usava para tirar a tampa da embalagem.

Os dois ficaram quietos por um bom par de minutos, apenas apreciando a companhia um do outro. O corvo pegou o maço, acendendo um cigarro e puxando uma longa tragada.

- Sasuke?

- Hmm? – gemeu preguiçosamente, alisando a coxa esquerda do macho com a mão livre.

- E se seu pai não gostar de mim? – perguntou, demonstrando todas as suas inseguranças em uma simples oração.

- Isso não vai acontecer, nossos pais se conhecem desde a adolescência... – assegurou, deixando que o outro interpretasse o resto da mensagem.

- Mas... – ele começou, mas parou quando sentiu uma mão escovar a sua intimidade. Ele ofegou e olhou para baixo, vendo a mão pálida brincando com o seu saco escrotal.

- Se preocupe com coisas que realmente demandam preocupação, dobe... – ordenou com um timbre de finalidade.

- Com quais? – o rapaz de orbes azuis questionou, a voz falhando ao assistir o amante ordenhar o seu pênis em endurecimento.

- Comigo, por exemplo... – deu de ombros, dando um pequeno sorriso.

Naruto observou aquele pequeno gesto, um curvar singelo de lábios, mas que ele aprendeu a amar e valorizar de todo o coração. Era nesse raro momento que o loiro poderia ver toda a face se iluminar em contentamento. Ele não conseguia entender como um sinal de alegria tão pequeno poderia irradiar tamanha emoção. Sua vontade era de agarrar o rosto delicado e enchê-lo de beijos, mas contrariando seus desejos, ele apenas puxou a nuca do mais velho e colou as duas bocas em um selinho duro, áspero, mas excessivamente carinhoso e necessitado. A cada minuto, ele queria mais aquele homem, como se o sentimento o consumisse.

Era assim que ele se permitia dizer “eu te amo”, por enquanto...

“Como seria estar sem você agora?”, indagou-se, abanando os pensamentos impróprios de sua cabeça, pois, agora, ele se preocuparia com o que devia realmente se preocupar.

Notas finais
¹ - Idiota.