Dangerous Love
29 Capítulo 29
Notas iniciais
— Eu não vou sair daqui... — declarei com a voz abafada pelo travesseiro. Ouvi Oliver rir ao meu lado e logo senti um tapa estalado na minha bunda. Ardeu pra caramba. — Hey!
— O que?
Eu não precisava ver o rosto de Oliver para saber que ele estava sorrindo como se não tivesse feito nada. Rolei na cama e encontrei seu corpo quente ao meu lado na cama e abri os olhos. Mesmo com a visão embaçada, eu sabia que ele ainda estava sorrindo.
Idiota.
— Hmm... Bom dia.
— Bom dia. — ele disse e beijou minha testa, enquanto seus braços me rodeavam por baixo do colchão e ele alisava o local que havia batido. Estava ardendo um pouco ainda.
— Está doendo ainda. — reclamei deitando em cima dele quase que por completo, Oliver apenas riu e continuou seu carinho desde a base da minha espinha até a leve curvinha da minha bunda. — Eu não vou sair daqui hoje.
— Você já disse isso. — ele apontou risonho e eu sorri em seu pescoço e beijei ali.
— Correção: Nós não iremos sair daqui hoje. — eu disse entre beijos e tive o prazer de ver alguns pelinhos de Oliver se arrepiarem e seu pomo de Adão trabalhando enquanto ele engolia qualquer resposta espertinha que planejava me dar. — Eu quero um tempo de qualidade com o meu namorado e quase não tive isso com a loucura dos projetos e do evento...
— E agora?
Sua mão se infiltrou por baixo da camiseta do meu pijama e veio até minhas omoplatas para descer novamente. Seu toque era tão quentinho e estávamos tendo uma manhã fria e nublada hoje. Praticamente um sinal para ficar com ele debaixo das cobertas.
— Agora que tudo passou e as coisas se acalmaram, eu vou ter esse tempo de qualidade com meu namorado e por mais que ele reclame um pouco, ele vai gostar também. — eu disse indo para baixo de sua orelha e depois sua bochecha.
Cada pedaço de pele no perímetro da minha boca recebia um beijo. Sem falta.
— Seu namorado reclama?
— Ás vezes. Um pouquinho só. Ele gosta de fazer coisas ao ar livre e detesta ficar dentro de casa por muito tempo, mas eu consigo convencer ele na maioria das vezes. — eu disse indo para o outro lado do seu pescoço. Suas mãos continuavam subindo e descendo, desenhando cada osso que ele conhecia ali.
— Consegue, é?
— Uhum. Ele gosta de se fazer de difícil ás vezes também. — eu disse sorrindo e finalmente chegando até seus lábios.
Ele estava recostado nos travesseiros com os olhos fechados e uma expressão leve que eu não o vi usando á bastante tempo. Desde de nossa viagem á Londres, e isso foi á quase quatro meses atrás. Depositei um selinho em seus lábios e quando recuei novamente, ele me seguiu para cima e aprofundou o beijo.
Voltei á me inclinar contra ele e senti suas mãos em minhas coxas, subindo e descendo até minha bunda, mas nunca passava disso e eu estava começando a querer mais do que um amasso quente matinal na cama.
— Ok. Eu me rendo, quais são suas regras de hoje? — perguntou assim que nos separamos e ele voltou a deixar sua cabeça cair nos travesseiros.
Isso!
Sentei em cima dos seus quadris. Sua ereção matinal estava mais do que presente ali embaixo de mim. Suas mãos continuaram em minhas coxas e eu sorri.
— Hoje é sábado, Oliver. O dia do Senhor. O que significa sem trabalho, sem estudos e sem eletrônicos. Vou abrir exceção para os celulares apenas em caso de emergência. — eu disse infiltrando minhas mãos por baixo do pano de sua camiseta e senti seus músculos tensionados ali. — Nosso tempo de qualidade não será interrompido.
— Primeiro, você é judia. Segundo, toda vez que você fala "tempo de qualidade" eu só consigo pensar em sexo, Felicity. — ele disse puxando minha coxas para frente me fazendo deitar novamente em cima dele.
Eu ri levemente e ele nos girou.
— Podemos fazer coisas além de sexo... — eu disse quando ele começou a beijar meu pescoço.
Entrelacei minhas pernas ao redor de seus quadris e trouxe ele para mais perto. A fricção que isso trouxe me disse que meu corpo estava preguiçosamente excitado, e na maioria das vezes isso significava um orgasmo forte no horizonte.
— Tipo o quê?
— Strip Pôquer. — eu disse e senti ele sorrir em meu ombro, enquanto começava a puxar a camiseta do pijama para cima. — Você sabe, antes de minha mãe morar em Central City com meu pai, nós morávamos em Vegas.
— Eu sou terrível em pôquer, Felicity. Provavelmente irei terminar nu primeiro. — ele disse e se abaixou até chegar em meu umbigo.
— Esse é objetivo do jogo, mas nós sempre podemos inovar...
— Você tem fantasias, Felicity?
— Sim. — respondi com um sussurro ao sentir minha pele inteira se arrepiar com os beijos molhados que ele estava deixando por ali, criando um rastro quente em mim.
Quando mais ele empurrava a camiseta para cima, mais quente eu me sentia.
— Me conta uma.
— Graças á sua insistência no assunto eu acabei criando uma fantasia com médicos. — eu disse e ele parou o que estava fazendo e olhou para mim com um sorriso sardônico. Ele voltou a se ajoelhar na cama com minhas pernas ainda ao redor de seus quadris ainda e toda sua atenção estava em mim. Não tão fácil. — Eu não vou contar.
— Por que?
— Porque você parou. — eu disse virando o rosto como uma criança emburrada e ele bufou uma risada. Alcançou a barra da minha camiseta e a tirou do meu corpo em um movimento só. Me senti como uma verdadeira boneca de pano, mas não tive tempo algum de reclamar porquê ele já estava atacando meus seios.
Eu gemi alto e me apoiei levemente em seus ombros.
— Continue ou eu vou parar. — ele disse contra o meu mamilo sensível. Eu não sabia se era o frio ou sua respiração quente, ou dois juntos, eu só sabia que eu estava arrepiada da cabeça ao pés agora e ele não estava fazendo quase nada.
Corpo traidor.
— Foi um sonho para ser sincera, eu tive ele quando voltei para uma seção de fisioterapia com René. — eu disse e Oliver apertou meus seios á ponto de doer e eu ri e gemi ao mesmo. — Deixa eu terminar, Dr. Ranzinza. Continue com sua massagem, por favor.
Ele grunhiu e mordeu meu mamilo, enquanto apertava o outro. Eu gemi e cravei minhas unhas em seus ombros fazendo ele gemer também e esfregar seus quadris nos meus.
— Depois da consulta, eu estava indo embora e escorreguei no chão. Alguém me ajudou a levantar e perguntou se eu estava bem. Era você. Em um momento você estava me acompanhando no corredor e no outro estávamos em um armário cheio de materiais estranhos... Oliver! — eu disse assim que senti sua boca transferindo de lado.
— Continue.
— Você parecia bravo, mas era só a sua cara ranzinza de sempre. Nós começamos a nos beijar e você... Ahh. — eu disse empurrando meus quadris contra os dele de novo assim que recebi outra mordida. Merda. Eu não vou poder usar um decote tão cedo nesse ritmo, mas eu não me importava. Estava fazendo frio de qualquer jeito.
— Eu fiz o que? — ele disse e tirou sua própria camiseta em um único movimento rápido também.
— Oliver...
— Foco, Felicity.
— Você me fodeu contra uma estante. Igual á vez do Natal. — eu disse sentindo seus dedos se infiltrarem em minhas calças. Ele aplicou pressão no tecido da calcinha e eu realmente não iria ficar envergonhada pelo meu nível de excitação que ele provavelmente sentiu ali. — Eu acordei e tive que lidar com o problema.
— Como você fez? — perguntou erguendo meu quadril e puxando minhas calças para baixo. Fechei os olhos levemente, respirei fundo sentindo minha boca ficar seca. Ele estacionou a calça na altura dos meus joelhos. — Eu não estou te ouvindo, Felicity.
— Eu estava sozinha em casa, então deitei na minha cama e comecei a pensar no sonho e em você. Suas provocações e os pequenos flertes... — a calça foi embora por completo e Oliver desapareceu da cama. — Oliver, volte aqui!
Ele riu levemente.
— Um segundo.
Minha visão turva conseguia me informar que ele estava na porta do closet. Camisinhas. Isso. Bem pensado. Eu estava além da razão agora. Minhas mãos ganharam vida própria e subiram até minha calcinha. Cacete. Eu estava realmente muito molhada. Deixei meu corpo afundar no colchão e comecei a fazer movimentos circulares por cima do pano mesmo e suspirei baixinho.
— Oliver...
— Eu cuido disso. — ele disse e eu ri tendo um pequeno dejá-vú. Ele deslizou a calcinha para fora de mim do mesmo jeito que havia feito com a calça mais cedo. — Você é tão linda, Smoak. Eu não me canso de olhar para você assim.
Suas mãos vieram para a parte interior das minhas coxas e ele entrou em mim bem fundo até que não existisse mais espaço para ele dentro de mim. Me agarrei aos seus ombros como uma trepadeira e ele começou a se movimentar em um ritmo que era perfeito. Não muito de vagar, mas não muito rápido. Era o suficiente.
Eu beijei ele com tudo que havia dentro de mim. Toda saudade que estava do corpo dele, todo o amor que eu sentia por ele, toda confiança que ele me passava... Tudo. E ele retribuiu.
Assim que nos separamos pela falta de ar, ele pegou minhas mãos e nossos dedos se entrelaçaram á cima da minha cabeça. O ritmo acelerou levemente e eu sentia meu corpo começar a tremer. Eu estava bem perto. Oliver também. Mas não tínhamos pressa alguma.
— Oliver... — gemi ao começar sentir minhas paredes se apertando ao mesmo tempo que ele inchava dentro de mim.
— Felicity... — ele gemeu no meu pescoço e eu explodi em um orgasmo arrasador que meu minha espinha se arquear completamente até eu estar completamente agarrada ao corpo de Oliver e meus dedinhos dos pés se curvarem. Oliver gozou também e soltou minhas mãos.
Abracei seu corpo junto com o meu e mesmo que ele fosse pesado para mim, eu não deixei ele se afastar e nem sair de mim. Ainda estava aproveitando os espasmos e as pequenas ondas de prazer, enquanto suspirava que nem uma garotinha. Uma garotinha que teve sexo matinal de primeira.
— Oliver?
— Sim?
Senti sua respiração em meus pescoço e o abracei ainda mais forte.
— O prejuízo foi enorme, mas ninguém nos pegou. — eu disse por fim beijando sua têmpora e enroscando meu corpo ainda mais no dele.
— O que? — sua voz estava abafada e confusa. Ele ainda estava grogue de prazer que nem eu, mas minha mente já estava começando a renderizar rápido.
— O prejuízo do hospital. — eu expliquei e ele riu e deu outro tapa estalado na minha bunda e eu gargalhei.
—-
— O que foi? — perguntou sentando ao meu lado no sofá.
Tínhamos tomado banho e nos divertido no banheiro mais uma vez e depois tomado café e por mais que Oliver estivesse disposto á se divertir na cozinha também, eu não queria ficar com a bunda cheia de mistura para panquecas e nem de geleia, o que lembrou Oliver de uma promessa que havia feito na primeira vez que tínhamos ido ao mercado juntos. Algo sobre eu e geleia de pêssego sermos uma combinação interessante. Infelizmente nossa geleia havia acabado ontem. Oliver tinha saído para comprar mais, ele estava realmente comprometido e eu abri uma exceção ás regras do nosso tempo de qualidade.
— Nada. Eu só estava pensando nos nossos últimos dias. — eu respondi me virando para ele e subindo em seu colo.
Eu estava usando um dos meus babydolls que eu sabia que Oliver gostava. Havia escolhido depois que Oliver havia saído e eu tinha ligado o aquecedor uma temperatura abaixo do máximo. Olhei para baixo e brinquei com o tecido do babydoll. Ele era verde clarinho transparente e tinha flores bordadas de um tom de azul e rosa pálido nos lugares certos para tampar o mínimo de pele que era apenas necessário. Era bem delicado e elegante, e somando isso ao jeito que Oliver me olhava quando vestia ele... Eu me sentia a própria Miss Universo.
— Tivemos dias corridos, mas foram tão bons a pesar de todo o drama... — eu disse e penteei seu cabelo para o lado e ele sorriu e assentiu levemente.
— Eu acho que o nosso ponto alto foi o evento.
— Você estava linda com aquele vestido. — ele disse rodeando meus quadris com seus braços e eu ri.
— Eu sei. Toda vez que nos víamos no salão, você repetia isso. — eu disse e beijei ele calidamente. — Você estava lindo também, por mais que sua gravata e os suspensórios não tenham sobrevivido depois...
Ele riu e jogou a cabeça para trás quando lembrou do que eu estava falando. Quando você é, literalmente, afastada de seu namorado que você ama muito por um dia e meio, qual a primeira coisa que você faz quando tem ele de volta só para você e mais ninguém? Você beija ele. Você o abraça. Você vai para cama com ele. Não necessariamente nessa ordem. E no fim da noite as baixas foram minha cinta-liga, a gravata borboleta dele, minha calcinha e os suspensórios de Oliver.
Valeu a pena?
Ah, cada segundo.
— Eu consegui conversar com alguns funcionários da instituição que Thea me apresentava e cheguei á uma conclusão... — eu disse e brinquei com o zíper da jaqueta dele. — Eu quero voltar a fazer terapia.
— Como assim? Você já acabou as seções do acompanhamento. — ele disse franzindo a testa levemente e eu sorri.
— Antes do acidente eu tinha uma psicóloga e fazia umas duas ou três seções no mês com ela. Dra. Nyssa Raatko, a conhece? — perguntei e ele negou com a cabeça levemente. — Enfim, ela está em licença maternidade agora, então eu estava pensando em ter seções com o Dr. Malone na instituição...
— Ah sim... Entendi. — ele disse e fez carinho nas minhas pernas levemente. — Por quê?
— Eu meio que sinto falta de falar com alguém e ter uma nova perspectiva das coisas, e eu sei que o meu namorado pode fazer isso melhor do que ninguém, mas algo me diz que suas opiniões seriam tendenciosas. — eu disse e dei um selinho nele que o fez rir e apertar minhas coxas com um ar brincalhão. — Eu acho que poderia ser algo bom para mim.
— Okay. Faça. Avise Thea primeiro no entanto, antes que ela pire. — ele disse e eu assenti.
— Nós não queremos isso, né?
— Não. Não queremos. — ele negou veemente e eu sorri. — Billy é um cara legal, a esposa dele é uma das enfermeiras no Starling General.
— Você a conhece?
— Não. Escalas diferentes, ela trabalha na equipe do meu pai. — ele disse em voz baixa.
Voltei a pentear seu cabelo para o lado como em um topete de criança e Oliver se inclinou na direção do meu toque enquanto observava o meu rosto. Fui para sua barba que ele havia deixado crescer um pouco, mas eu sabia que logo ele iria tirar porque ele sempre reclamava que durante cirurgias não gostava da sensação de queixo suado. Desci minha mão até seu pescoço e por fim os ombros. Nesse meio tempo, Oliver não tirou os olhos de mim.
— Oliver?
— Hm?
— Essa sou eu notando que você está encarando. — eu disse e deixei minhas mãos entrelaçadas em sua nuca.
Ele riu levemente e eu ergui uma sobrancelha.
— O que foi?
— Estou tentando te imaginar fazendo terapia antes do seu acidente. Cait me contou que você não gostava das seções com Helena antes de tudo acontecer. — ele disse com um pequeno suspiro. Ele sempre suspirava quando o nome dele era mencionado, mas não um suspiro apaixonado. Um suspiro exausto. — Pensei que você não gostasse.
— Eu não gosto dela. Eu amo terapia. Me faz sentir leve. — eu disse e dei de ombros, ele me olhou estranho. — O que?
— Estava começando a pensar... Em fazer uma seção experimental. — ele disse brincando com a barra do meu babydoll distraidamente, enquanto eu tentava sufocar o grito que subiu pela minha garganta.
— Oliver... Eu não te contei sobre isso para tentar te arrastar junto. — disse rapidamente e ele voltou a me encarar e sorriu tristonho.
— Não, não foi isso. Quando estávamos com William e Zoe no dia do surto de Helena... Eu vi em primeira mão o quão bom é o tratamento que a instituição oferece ali e me senti hipócrita. — ele confessou em voz baixa. — Eu tenho traumas e desenvolvi pelo menos uns cinco sinais ou todos que Laurel mencionou em seu discurso.
— Você acha que ela descobriu? — perguntei e voltei a mexer em seu cabelo.
— Eu acho que ela suspeita. Eu nunca me abri com ninguém sobre isso, além de você. Mesmo na faculdade e com todos os porres que tomei, eu nunca falei sobre isso. — ele disse maneando a cabeça levemente como se pensasse sobre isso de novo e de novo e sempre chegasse na mesma resposta de antes.
— Laurel é uma profissional excelente, mas... Não sei.
— Então ela suspeita, porém não tem evidências para vir falar com você? Te confrontar sobre isso?
— Sim. E eu duvido que mesmo se tivesse, ela não viria até mim.
— Por que não? — perguntei e me separei dele levemente curiosa.
— Ela sempre foi covarde. Laurel pode ser uma verdadeira máquina em certos aspectos da vida dela, mas quando falamos de família e amigos... Ela não tem muito tato então, na maioria das vezes decide por não tomar atitude alguma. — ele deu de ombros. — Acho que é por isso que ela e Sara se dão tão bem, elas são o oposto uma da outra.
Ele voltou a brincar com a barra do meu babydoll e sorriu lindamente.
— O que? — perguntei já sorrindo também.
— Eu lembrei de uma das festas de fraternidade que fomos todos juntos, eu, Tommy, Laurel e Sara. Foi a pior ressaca da minha vida, mas Laurel e Tommy estavam mais horríveis do que eu e Sara. Vomitaram o dormitório todo. — ele disse e riu baixinho, eu sorri levemente. — E depois disso tivemos que estudar para uma prova, mas mesmo com toda água sanitária do mundo, o cheiro do vômito não saiu. Então fomos para a biblioteca e Sara foi expulsa por ter comido batata chips.
Sorri um pouco mais e Oliver pareceu, finalmente, relaxar em relação ao tópico anterior. Recostei em suas pernas e entrelacei nossos dedos juntos.
— Ela gostou de você, sabia?
— Hmm. Não sabia que eu tinha que pegar o aval de boa namorada de todos os seus amigos e do seus pais. — alfinetei levemente e riu mais uma vez.
— Nah. Só os mais próximos. — ele disse e beijou minha mão.
— O quão próximos estamos falando aqui? — perguntei e escorreguei para o seu lado no sofá, mas ainda deixei minhas pernas em cima de seu colo. Elas estavam começando a ficar dormentes já. — Vocês parecem íntimos.
Ele deu de ombros mais uma vez e isso começou a me irritar um pouco.
— Somos próximos e isso não mudou depois de tantos anos, eu acho.
— Eu e Tommy somos próximos. Eu e John somos próximos. Você e Laurel são íntimos, Oliver. — assinalei cutucando seu ombro e ele ergueu uma de suas sobrancelhas em minha direção.
— Esse é o seu jeito de perguntar se eu já fui para cama com ela?
— Pode me culpar? Toda vez que entro naquele hospital, eu escuto uma história diferente. — eu disse e ele corou um pouco. — Não me importo, porque eu nunca gravo os rostos ou os nomes, mas Laurel se destacou.
— Não, Felicity. Eu nunca fui para cama com ela. Somos, realmente, apenas bons amigos. — ele disse e apertou um dos meus joelhos. — Mas se Laurel era tudo que eu precisava para ver você com ciúmes, tinha pedido para Thea fazer o evento bem antes...
— Não estou com ciúmes dela.
— Está sim.
— Não estou.
— Está sim.
— Não.
— Sim.
— Não. — afirmei e Oliver riu alto.
— Você fica linda assim.
Eu sabia que deveria estar com o rosto corado, mas também sabia que o rubor estava longe de ser vergonha. Era raiva começando a crescer dentro de mim. Puxei minhas pernas de seu colo antes que ele tivesse ideias e ele riu ainda mais com isso.
Eu realmente queria bater nele agora.
— Relaxe, você ainda é a única mulher por quem eu sairia nesse frio para comprar geleia. — ele disse e se inclinou contra mim.
— Ainda?
— Felicity... — ele continuou rindo.
— Por que você não leva a geleia para Laurel enquanto você ainda consegue? — perguntei sorrindo falsamente antes de me levantar do sofá e ir para cozinha.
Comecei a fazer minha terapia prática. Limpar. Era a única coisa que que conseguia fazer sem produzir dano á ninguém. Eu excluo codificar e programar desta lista, porque dependendo do meu humor eu posso querer matar alguém virtualmente e não iria adiantar desligar o Wi-Fi, eu ainda conseguiria fazer se estivesse inspirada. A única opção que me restava era limpar a bagunça do café da manhã que deixamos para trás e foi o que eu fiz.
Guardei todos os ingredientes que usamos para fazer os waffles e as panquecas nos armários e geladeira junto com as sobras. Juntei todo o lixo e enfiei tudo dentro da lixeira com mais força do que o necessário. Limpei a máquina de waffles com mais atenção que o necessário e a guardei também. Quando terminei de limpar a farinha e a mistura de panqueca e waffles do balcão e da ilha de mármore, Oliver reapareceu.
Ele havia trocado de roupa. Estava sem camisa e com suas calças de pijama de novo.
Ele sentou no balcão quieto e abriu um pacote de torradas e abriu a geleia. Enquanto eu lavava a louça, eu sentia seu olhar em minhas costas e a torrada estava fodidamente crocante porque eu conseguia ouvir ele mastigando de boca fechada e até isso estava me irritando.
— Já terminou? — perguntou ele quando eu coloquei a frigideira no escorredor. Foi a última coisa que eu havia lavado, ele sabia disso e ainda sim perguntava. Ignorei ele.
Comecei a secar tudo que eu lavei com o pano de prato e guardar em seu devido lugar, Oliver continuava comendo torradas no balcão e toda vez que eu o olhava de rabo de olho, ele estava sorrindo enquanto lambuzada uma torrada com geleia. Argh.
Eu tinha plena consciência que estava com ciúmes de Laurel e estava beirando a infantilidade, mas eu vim para cozinha para evitar conflitos com Oliver. Quer dizer, mais um conflito com Oliver. Ele não estava ajudando em nada vindo até aqui com a merda da geleia que ele deveria estar comendo diretamente do meu corpo e não de uma fodida torrada.
— E agora? — perguntou quando eu joguei o pano de prato na ilha de mármore e fui atrás de uma vassoura para limpar a farinha que havia caído no chão. Ignorei ele.
Ele me seguiu com duas torradas em mãos e as comeu enquanto eu abria o armário de limpeza na lavanderia e pegava a vassoura e a pá. Voltei para cozinha com ele ao meu encalço e varri a farinha até que ela se tornou um montinho branco no chão, me abaixei e apanhei. Joguei tudo no lixo e devolvi tudo ao seu lugar. Estava pronto agora, talvez eu conseguisse trabalhar um pouco. Me sentia um pouco mais calma e menos homicida em relação á Laurel, mas em relação á Oliver? Estava apenas escalando mais e mais para cima.
— Felicity...
— O que? — perguntei quando Oliver me barrou na porta vai-e-vem que levava até a sala. Eu sempre poderia pular o balcão e me trancar no escritório se ele continuasse a ser um idiota.
— Você já terminou? — perguntou e comeu o último pedaço de torrada em suas mãos.
— Sim, Oliver. Já terminei. Com licença? — pedi sem olhar em seu rosto.
Ele deu passagem então. Olha só, alguém estava sendo esperto.
Assim que eu passei da soleira, ele estapeou minha bunda com força. De novo. Era a quarta vez que ele fazia isso e por mais que eu tenha gostado nas três primeiras vezes, esperava que ele tivesse bom-senso o suficiente para não mexer comigo agora depois do que disse no sofá. Antes mesmo de eu pensar em reclamar, ele me deu outro tapa e eu me virei para ele sem me importar de esconder o ódio que estava sentindo.
O babaca estava lambendo a faca da geleia encostado no balcão.
— Já terminou? — perguntou novamente.
— Terminou o que? — perguntei em voz baixa.
— Com o seu showzinho. Eu posso continuar aqui por mais algumas horas, mas preciso saber quando você acabar. — ele disse e eu dei um passo tentador em sua direção pronta para usar minhas unhas e ele riu.
Assim que eu me virei para ir para o escritório, não houve outro tapa. Oliver decidiu tentar outra abordagem e rodou seus braços ao redor do meu corpo e me atirou sobre o seu ombro. Aí sim o tapa chegou e eu arranhei suas costas com força. Ele gemeu e eu grunhi frustrada. Ele voltou a rir.
— Eu amo quando você me arranha, Felicity. — ele disse e beijou a lateral do meu quadril e entramos na cozinha de novo e ele me colocou no chão. Estava de frente para a ilha de mármore com o corpo de Oliver prensado contra o meu e o maldito pote de geleia bem no centro da ilha e na minha frente.
Eu sentia excitação de Oliver e eu sabia que mesmo fula da vida, estava excitada também e o babydoll não dava espaço para imaginação quando já mostrava mais do que suficiente.
— Se incline, Felicity. — ele disse com a voz autoritária.
O mesmo tom de voz que ele usava quando colocava um fim á qualquer discussão e não dava margem alguma para argumentações. Eu amava e odiava quando ele falava assim. Quando senti suas mãos por baixo do pano do babydoll contra minha barriga e a ilha, eu decidi que hoje eu iria amar. Mesmo estando com raiva. Uma ideia não excluía a outra.
— Se. Incline. Felicity. — ele repetiu e eu senti seus dedos entrarem em mim.
Sufoquei o gemido que queria sair e apenas me apoiei contra seu corpo e sua virilha, Oliver movimentou seus dedos preguiçosamente fazendo um formigamento delicioso tomar conta de mim em questão de segundos. Apoiei minhas mãos na ilha e ele enfiou o segundo dedo e sufoquei outro gemido, apenas empurrei meu quadril contra o seu mais uma vez.
— Quanto mais você se conter, mais eu vou querer fazer você gritar o meu nome... — ele disse e estimulou meu clitóris e eu mordi meus lábios com força, me cabeça pendeu pra frente e meu cabelo se tornou uma cortina de segurança contra Oliver.
Sua mão livre agarrou um de meus seios e eu senti minhas pernas bambearem, Oliver me segurou e não parou o que estava fazendo no entanto. Ele me trouxe para cima e seu corpo tomou boa parte do peso que eu já não conseguia sustentar. O orgasmo estava tão perto... E Oliver não parava.
— Se. Incline. — ele rosnou e eu obedeci sem pensar duas vezes.
Me inclinei contra o balcão, segurando nas margens. Oliver soltou meu seio e retirou os dedos de dentro de mim. Resmunguei pela primeira vez de forma audível e quando sua língua me invadiu, o gemido ecoou na cozinha inteira antes que eu pudesse segurar ele. Encostei minha testa contra o mármore frio, mas nem isso parecia ajudar a amenizar o calor que irradiava no meu corpo inteiro.
— Oliver... Por favor.
Ele me estapeou novamente na bunda e eu gozei.
Sentia o meu corpo inteiro tremer ao ser dominada por um sensação única. Todos os orgasmos com Oliver eram ótimos, mas nenhum foi como este. Estava grogue de prazer, mas conseguia sentir os beijos de Oliver subindo desde uma nádega ardida até a outra e indo em direção ao Norte cada vez mais.
— Isso não significa que eu irei, magicamente, começar a gostar dela... — eu disse rouca ao me erguer levemente da ilha e me apoiando melhor aonde o mármore não estava escorregadio com o meu suor.
— Desde que você continue gostando de mim, é a única coisa que me importa. — ele respondeu e eu ergui meus braços para cima, e assim o babydoll foi parar aos pés da geladeira junto com a sua calça.
Suas mãos alisaram o foco da ardência de seus tapas. Eu me apoiei contra seu corpo, sentindo que ele estava mais duro que um diamante por mim e suas mãos vieram para frente mais uma vez. Meu Deus. Sim. Sim.
— Oliver... — gemi quando ele beliscou meus mamilos ao mesmo tempo.
— Sim?
— A geleia vai ter que esperar. — eu disse e alcancei sua ereção quente e rígida e a direcionei até a minha entrada em um sinal claro para Oliver.
Ele gemeu com o toque e soltou um de meus seios para facilitar meu trabalho. Ele tomava cada espacinho disponível dentro de mim. Era tão bom. Voltei a me apoiar na ilha, Oliver segurou meus quadris e ditou o ritmo. Rápido. Duro. Fundo. Perfeito.
— Tão apertada...
Estava querendo mais um daqueles tapas por mais pervertida que eu soasse para mim mesma, mas quando Oliver encontrou meu ponto G, eu gritei e a ideia foi arquivada e esquecida dentro do meu drive pessoal. Eu me agarrei as laterais da ilha, enquanto sentia meu corpo raspar contra o mármore frio criando uma fricção maravilhosa.
— Oliver...
Eu realmente não conseguia gemer nada além do nome dele. E o que não era o nome dele se tornava algo completamente sem nexo. Esse era o poder que Oliver tinha sobre mim e eu nem ligava. Quando comecei a sentir minhas paredes se apertarem ao redor dele, Oliver decidiu aumentar o ritmo e estimular meu clitóris ao meu tempo.
Era. Tão. Fodidamente. Bom.
— Eu... Oliver... Ohh.
Nós gozamos juntos, violentamente. Um gritando o nome do outro.
Eu me sentia acabada. Do melhor jeito possível.
—-
— Por que não uma praia? — perguntei.
— Por causa da areia. Não sou muito fã. — Oliver disse abrindo a sua caixa bento.
Havíamos pedido comida chinesa para o almoço e Oliver escolheu a série desta vez, imagine a minha surpresa quando vi Grey's Anatomy pausado na televisão da sala e Oliver me esperando sentado no chão com a comida na mesinha de centro.
— Areia ou neve? — perguntei sentando ao seu lado no chão.
— Neve.
— Por quê?
— Neve é igual a Natal.
— Areia é igual á férias. — eu disse rindo e peguei a minha caixa bento.
Ele deu play e vi que estávamos no final da primeira temporada desde a nossa última maratona. Oliver parou de apontar os detalhes e começou a aproveitar o drama envolvido e eu tenho 99,9% de certeza que ele estava começando a gostar do seriado mais criticado por ele mesmo.
— Eu simplesmente não gosto de areia, mas não odeio. Se você quiser ir para praia, nós vamos. — ele disse de boca cheia e eu ri. — Você tem uma fantasia de transar na praia por acaso?
Eu comi um cubinho de carne e um pedaço de brócolis e corei, evitando seu olhar.
— Felicity... — eu olhei para ele e encontrei ele sorrindo. — É adorável como você consegue ficar envergonhada com isso sendo que passamos boa parte da manhã transando que nem coelhos.
Agora sim eu deveria estar do mesmo tom que o batom ridículo de Helena.
— Oliver!
— O que? Foi a melhor manhã da minha vida. — ele disse e apertou meu joelho. Na tela estava passando Cristina Yang descobrindo que estava grávida pela primeira vez. — E eu gosto de saber que você tem um senso de aventura!
— O que isso significa? — perguntei ao ouvir seu tom malicioso.
— Significa que no próximo almoço de mamãe, nós temos um encontro com o terraço da mansão. — ele disse rindo da minha expressão chocada. — Ou a piscina. A gente tem várias opções, Smoak.
— Oliver!
Bati em seu braço e ele gargalhou enquanto eu corava.
Sabia muito bem que nossa manhã foi regada de sexo matinal, sexo no chuveiro, sexo na ilha da cozinha... Tivemos uma manhã cheia de sexo, eu entendo isso. E sim, eu tinha um senso de aventura, mas eu estava pensando em ter sexo matinal e assistir o Sol nascer na praia e não ter o sexo diretamente na areia. Eu também não era muito fã de areia, ainda mais quando ela entra nos lugares que não devia.
Eu assisti três episódios inteiros antes de adormecer.
—-
Quando acordei, estava em nossa cama sozinha. Oliver havia me carregado até aqui?
Cocei os olhos e tateei o criado-mudo atrás dos meus óculos, os coloquei assim que os achei e levantei da cama. Eu tinha colocado o babydoll mais uma vez depois de nossa aventura na cozinha com o bônus de uma calcinha para o bem de Oliver que ficava encarando minha bunda toda vez que eu passava por ele. Peguei o robe do babydoll e fui até a sacada onde Oliver estava no celular.
Eu estava pronta para brigar com ele, quando peguei um trecho de sua conversa.
— Estamos bem, Sara. Só aproveitando a folga. Felicity gosta de ficar dentro de casa no frio e está me fazendo assistir Grey's Anatomy com ela... — ele disse rabugento mas estava sorrindo.
Me encostei no batente da porta e cruzei os braços tentando me proteger do vento gelado. Oliver estava com seu pijama completo agora. As calças de algodão azul e a camiseta de mangas compridas. Mas ainda estava frio demais. O céu estava com tons pálidos de laranja o que me dizia que já era fim de tarde e eu dormi muito.
Oliver me viu ali e sorriu.
— Não, Felicity gostou bastante de Laurel. Você é paranoica, Sara. — ele disse irônico e eu revirei os olhos e ele sorriu mais ainda. — O que? Por que?
Seu rosto inteiro se transformou de sorridente para nublado.
— Ele chegou aí com quem? Quem está atendendo ele? — perguntou Oliver em seu modo médico, mas o fato que ele estava evitando meu olhar me dizia que algo não estava certo. — Eu estou indo, Felicity vai comigo. Sim, ela vai querer ir. Tente sedá-lo, apenas até chegarmos aí.
Descruzei os braços e franzi minhas sobrancelhas, enquanto Oliver de despedia de Sara no celular e se virava para mim com olhos preocupados.
— O que aconteceu?
— William está no hospital.

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