Dangerous Love
30 Capítulo 30
Notas iniciais

Eu acho que nunca tinha me vestido tão rápido em minha vida, e eu estava contando a vez que quase fui pega por um professor dentro de um armário de limpeza com Cooper no MIT. Depois que Oliver terminou sua ligação com Sara e me disse que William estava no hospital com um ferimento grave e que precisava de um responsável por perto para receber os cuidados necessários e apropriados, eu fiquei bem perto de performar o que seria o meu primeiro surto pós-acidente.
— Oi! Cheguei! Aonde ele está? – perguntei assim que passei das portas automáticas da emergência.
Sara me puxou antes que uma maca me atropelasse com paramédicos gritando sintomas para médicos usando aventais estranhos e coloridos. Okay. Não é todo dia que você vê uma pessoa com um machado cravado no peito dela, mas aquele cara não era a minha prioridade no momento.
— Ele chegou aqui já faz uns vinte minutos e já teve a consulta preliminar, mas para fazermos qualquer tipo de tratamentos, precisamos da autorização de um responsável. A mãe não atende o celular, o garoto não sabe quem é o pai... Pulamos para os outros contatos de emergência que eram você e o Dr. Malone. – Sara disse quando me guiou entre os leitos da emergência. – Liguei para ele primeiro e ele já está vindo, vinte minutos de distância.
Os pacientes variavam do que parecia uma explosão dentro de um açougue e iam até uma campanha de vacina. Rápido como um estalar de dedos. Oliver não podia me dizer que aquilo não era igual a Grey’s Anatomy porque ele estaria mentindo. E mentindo feio. Era igualzinho, só que eles não usavam sangue de ketchup ou órgãos de animais. Eu vou parar de pensar nisso. Agora.
— Quando liguei para o Dr. Malone, ele me disse para alertar a instituição de Thea sobre a documentação do garoto e uma mulher chamada Dinah Drake está vindo para cá também com os documentos do pirralho para a papelada do hospital. Nós temos um tipo de convênio com a instituição, mas os arquivos, prontuários e a documentação dos pacientes ficam com eles... – Sara disse e ela apontou para o último leito do lado esquerdo. – Ele chegou aqui com um casal de velhinhos que o acharam na rua e deram uma carona para ele até aqui. O pirralho expulsou os velhinhos e não quer contar o que aconteceu, disse que só falaria se você ou o Dr. Malone chegasse. Arranque a história dele que eu vou chamar o médico que fez a consulta dele novamente.
Assenti e caminhei até com passos rápidos até o final do corredor. Encontrei William sentado entre mantas azuis e vestindo uma camisola hospitalar branca que eu sabia que era desconfortável e que fazia a pele coçar demais. Suspirei aliviada ao ver o peito dele subir e descer em um ritmo constante.
Ele estava horrível. E eu estava sendo gentil ao pensar nisso. Sua testa estava cheia de cortes e sangue seco, mas nada se comparava ao show de horrores que estava seu nariz sangrento e cheio de bandagens. Ele, com certeza, tinha quebrado aquilo. Estava torto! Seu lábio estava cortado e no queixo havia um hematoma que ficava azul cada vez mais.
— O que aconteceu com você? – perguntei me fazendo presente e roubando a atenção do celular que estava no meio de suas pernas cruzadas. – Parece que alguém colocou algodão e gaze e prendeu tudo na sua cara!
— Foi mais ou menos isso. Estava sangrando mais. – ele disse em voz baixa e levemente esganiçada, e tocou levemente o curativo mau feito em seu nariz. Percebi que os nós dos dedos deles estavam avermelhados também. – Desculpe Felicity, eu pedi para eles ligarem apenas para o Dr. Malone, porque hoje era o seu dia de folga.
Eu sorri levemente e sentei aos pés da cama e suspirei baixinho.
— Quer me contar o que aconteceu? Se eu acreditar, eu banco a plástica que você vai precisar depois disso... – eu disse apontando para o seu rosto.
Ele sorriu um pouco também. Yay.
— Tem um garoto na minha escola, ele é uns dois anos mais novo que eu. E tem uns idiotas do meu ano que acham muito engraçado enfiar a cara dele na privada do banheiro masculino ou jogar os cadernos dele nas lixeiras da escola... É horrível eu sei, mas desta vez eles foram atrás de uma garota. Ela era pequena demais, aí esse garoto decidiu defender a garota e eu decidi entrar no meio antes que os dois apanhassem. – ele contou em voz baixa e torceu seus dedos de modo desconfortável. – Eles iam ser massacrados, eu pensei que duraria um pouco mais.
Assenti levemente e ele começou a brincar com a costura da manta que cobria suas pernas. A sala de emergência estava tendo um pico de movimento absurdo e barulhento, mas parecia que eu e William estávamos presos dentro de uma bolha e todo o resto não passava de um som abafado.
— Eles fizeram isso quando você tentou defender os menores? – perguntei.
William assentiu.
— Eles me deram alguns socos, mas a professora chegou a tempo. Um deles foi expulso e os outros dois levaram suspensão. – ele contou e começou a estralar seus dedos. Era um tique que eu percebi há um tempinho já. Ele estava nervoso ou ansioso. – Eu levei uma advertência, mas nada demais porque a escola tem câmeras e eu sou um gênio.
— Um gênio bem modesto. – alfinetei e ele deu ombros.
— Agora me conta o que aconteceu depois. – eu pedi e ele me encarou. – William, você não é o único gênio por aqui. Se eles tivessem feito isso com você ainda na escola, eles teriam me ligado bem mais cedo.
William estava ficando bom na guerra dos olhares comigo. Ele estava conseguindo resistir bem mais do que da primeira vez. Antes ele durava apenas sete segundos inteiro, ele conseguiu segurar onze desta vez. Estava orgulhosa por ele estar começando a resistir a minha coerção carinhosa, mas preocupada pelo mesmo motivo.
— Eu estava indo para instituição depois da escola como sempre. Zoe queria ajuda com o experimento que estava fazendo, mas não queria pedir ajuda para ninguém porque era para ser uma surpresa... – ele disse e notei que sua voz estava começando a ficar mais esganiçada. – Os idiotas me puxaram para um beco e me deram uma surra. Acho que me seguiram, sei lá.
— Parece que você também deu uma surra em alguém. – eu apontei para seus dedos e ele deu de ombros. – Acertou algum golpe decente?
— Sim.
— Ótimo.
William tentou disfarçar sua surpresa, mas não conseguiu.
— Cadê o seu namorado médico? Ele pode me ajudar, não pode? A enfermeira loira me deu um remédio, mas já ta passando o efeito. – ele disse e massageou suas têmporas.
— Ele está estacionando o carro. – eu respondi e bati em seu pé coberto. – Eu meio que pulei de um veículo em movimento para ver se você ainda estava vivo... Afinal, o que estava fazendo na escola hoje? É sábado.
— Foi dia de crédito extra. Eu estava ajudando minha professora de história com um projeto. Ela me livra dos testes se eu ajudo ela com algumas coisas na escola. – ele respondeu e virou a tela do celular para mim.
Era uma foto de um painel enorme que tomava uma parede inteira. Era uma linha do tempo de todos os presidentes do Estados Unidos. Desde George Washington até Donald Trump. Tinha foto, tempo de mandato... Tudo bonitinho.
— Ficou legal. – eu elogiei.
William se calou depois de minha resposta e voltou sua atenção para o seu celular. Eu não queria pressionar mais ou tentar um limite novo com ele hoje, então apenas deixei minha bolsa aos seus pés e puxei a cortina do lado da cama para ele ter um pouco de privacidade e ser poupado de alguns pesadelos que envolvessem machados e muito sangue.
Encontrei Oliver dentro de uma das salas do corredor de saída. Salas de trauma. Outra semelhança enorme com Grey’s Anatomy. Meu namorado estava mexendo com o cara que tinha o machado cravado no peito e Sara estava com ele segurando o machado mencionado no lugar. Os dois estavam cobertos de sangue e eu queria vomitar agora.
Okay.
— Já volto. – eu disse e William assentiu sem nem ao menos olhar para mim.
Caminhei até o posto de enfermeiros e uma enfermeira usando um uniforme verde musgo me atendeu. Hillary era o nome dela. Ela bipou o médico no caso de William e me acompanhou até o leito dele de volta para medir seus sinais vitais. Estavam baixos, mas nada de preocupante. Ele estava se desidratando, então William começou a tomar um pouco de soro para se hidratar novamente e controlar os efeitos da perda de sangue que ele teve do beco que os garotos surraram ele até o hospital.
— Srta. Smoak? Está tudo bem? Eu pensei que tinha sido chamada para tratar uma criança. – disse a Dra. Rochev aparecendo com um uniforme azul escuro e jaleco branco.
Isso era tão Grey’s Anatomy cara.
— Oi Dra. Rochev e sim, a criança está bem... Aqui. – eu disse puxando a cortina de William.
Eles se apresentaram e a Dra. Rochev fez um exame bem minucioso em Will. Desde reflexos, até sinais de vitais novamente, até estudo do prontuário e por fim o curativo que já estava precisando ser trocado e refeito novamente.
— Eu acho que é apenas uma torção, mas vamos levar ele para tirar um raio-X e vou chamar um ortopedista para dar uma olhada nele. Os cortes são superficiais, não precisam de pontos. Ele não tem mais nenhum ferimento interno pelo que eu consegui ver. Seu coração e pulmões estão respondendo perfeitamente bem também. Minha única recomendação para ele é se manter fora de problemas... – ela disse erguendo uma sobrancelha em direção ao paciente que apenas sorriu um pouco.
William não estava nenhum pouco arrependido do que fez, mas não tinha gostado do resultado. Nope. Não o julgava, ninguém gostava de apanhar de ninguém e ainda mais quando você estava do lado da razão.
— Difícil, Dra. Rochev. Ele gosta de bancar o herói. As garotas da escola dele amam isso. – eu disse e William revirou os olhos, enquanto a doutora ria.
Alguém gritou o nome dela e ela correu para onde o cara do machado havia sido levado. Oliver e Sara não estavam em lugar algum e todas as persianas nas salas haviam sido fechadas. Me virei para William e ele me encarou com uma carranca.
— O que? Não me olhe assim. Sua mãe não está por perto, alguém tem que fazer você passar um pouco de vergonha. – eu disse erguendo minhas mãos em sinal de rendição, o que apenas fez ele revirar os olhos de novo. – Sabe de uma coisa? Eu ach...
— Felicity?
Me virei na direção em que meu nome veio e encontrei Ray. Ele estava sem uniforme e com o cabelo molhado e penteado em um topete desleixado. Bem charmoso. Laurel não era tola nem nada. Ele parecia um príncipe da Disney. Não conseguia achar outra discrição para ele e iria continuar repetindo isso.
— Oi!
— O que está fazendo aqui? Está tudo bem? – perguntou se aproximando e eu sorri e assenti.
Apontei meu polegar para trás e ele olhou para William e ergueu uma sobrancelha.
— O garoto se meteu em problemas e agora estamos aqui para o resumo da história toda. – eu disse e Ray assentiu.
Ele foi até um dos carrinhos que tinha na frente de cada leito e pegou um monte de coisas. Montou uma bandeja recheada e foi para a lateral do leito de William. Largou sua mochila no chão e vestiu luvas azuis.
— E aí cara, meu nome é Dr. Ray Palmer e eu vou dar um jeito nessa meleca que é a sua cara agora, okay? – perguntou ele e William assentiu, cauteloso. – Felicity? Você desmaia se vê sangue?
— Acho que vai depender da quantidade de sangue. Quanto estamos falando? – perguntei não querendo mentir e dar uma desculpa para o universo me mandar de volta para o hospital.
— Um monte considerável, porque quando eu tirar isso aqui... Vai parecer muito, mas não vai ser realmente muito. Nós temos quase sete litros de sangue dentro de nós, pense nisso como alguns mls. – ele disse cortando as tiras de fita que prendiam o algodão e a gaze pressionados no nariz de William.
— Okay. Qualquer coisa eu vomito em você depois. – eu disse indo para a lateral oposta de onde ele estava.
Ray me entregou duas luvas e estirou uma toalha descartável no peito de William rente ao seu pescoço e abaixou a cama um pouco. Pediu para o garoto recostar e William obedeceu, mas olhava para qualquer lugar que não fosse o rosto de Ray. Ou seja ele estava olhando para mim. Ele estava desconfortável com Ray e eu não me sentia confortável com ele assim.
— Espere aí! – pedi e apontei para um outro paciente em pedaços que havia chegado e estavam pedindo ajuda. – Vai lá! A gente não vai fugir e eles parecem precisar mais do que nós... Oh Deus, aquilo é uma faca na cabeça dele?
Ray seguiu meu olhar e correu até os paramédicos estavam gritando de novo.
— Você não precisava ter mandado ele embora, sabia disso?
— Cala boca, garoto. Eu estou vendo uma faca fincada na cabeça de um cara e já um machado no peito de outro, vou ter pesadelos por semanas por causa de você. – eu disse e pela visão periférica, vi William sorrir um pouco. – Nós precisamos remendar você e o Dr. Malone vai demorar mais alguns minutos...
— O estacionamento é longe assim? – perguntou ele e eu neguei tentando entender.
— Oliver está...
— Bem aqui. O que aconteceu com você, garoto?
Nós dois nos viramos para o corredor perto do último leito do lado direito e vimos Oliver tirar um avental todo ensanguentado e jogar no lixo. Suas roupas estavam intactas, mas tinha um pouco de sangue espirrado em seu pescoço. Ele estava sorrindo e parecia energizado. Isso era mórbido de um jeito bem sexy.
— Briga de garotos. – eu respondi e ele assumiu a posição que Ray havia deixado.
— Não quero ver o outro cara então, será que isso me faz um médico ruim?
Eu revirei os olhos e Oliver vestiu luvas novas.
— Okay. Sabe quando nosso nariz sangra no verão por causa do calor? – perguntou Oliver e William assentiu. – Vai ser mais ou menos isso, você vai ter que inspirar com o nariz e vai ter gosto de sangue, mas eu preciso que faça isso para eu limpar essa bagunça... Posso?
William assentiu e Oliver arrumou a toalha descartável mais rente ao pescoço e orelhas do paciente entre nós. Ele arrancou a gaze em apenas um simples movimento rápido.
– Agora.
Enquanto William inspirava e engolia seu próprio sangue de volta no processo, mas ainda sim escorria um montão. Parecia uma linha vermelha com vida própria que havia começado a manchar a toalha no peito de Will. Oliver limpou o sangue seco e o fresco do seu rosto inteiro com álcool gel e algodão. Ele não falou mais nada, apenas observava William com olhos de gavião e fazia seu trabalho rápido.
O rosto de William deixou de ser um tomate amassado e ficou um pouco mais parecido com o rosto dele em menos de dois minutos. Mais cortes foram descobertos debaixo do sangue e Oliver enfiou duas bolas de algodão nas narinas deles para controlar o fluxo.
— O pior ainda vai chegar, garoto. Está deslocado e para colocar no lugar vai doer. – ele disse e limpou o queixo de William e colocou um curativo largo e com cheiro de remédio para gripe ali, moldando sua mandíbula quase que inteira.
Estava controlando o inchaço? Não sabia, mas tinha mais que uma teoria para aquilo. Eu deveria se proibida de assistir Grey’s Anatomy porque só consigo pensar que William possa ter um tumor agora.
— Felicity, ele não tem um tumor. Apenas um nariz deslocado. – disse Oliver e eu me virei para ele. – Pare de lembrar daquela série e ficar com essa cara de assustada.
— A Dra. Rochev disse que ele precisa ir para o raio-X e depois para a ortopedia para uma consulta. – eu disse enrolando todo o algodão sujo que ele havia usado na toalha manchada de sangue escorrido para me ocupar e não ficar observando tudo que Oliver estava fazendo. – Ela deu uma passada aqui, enquanto você estava com o cara do machado.
Oliver assentiu e voltou a deslizar seus dedos pelo nariz e as maças do rosto de William, enquanto limpava os cortes na testa do mesmo. Estava tateando os ossos ali.
Ele colocou band-aids finos nos cortes e se virou para mim.
— Pode pedir para uma enfermeira, bolsas de gelo? Os dedos deles estão começando a inchar. – Oliver pediu e eu assenti.
Assim que cheguei no posto de enfermagem e fiz meu pedido, ouvi o grito de William.
Voltei correndo e vi Oliver segurando a ponta do nariz do garoto.
— Oliver! – exclamei horrorizada e Oliver riu levemente e bateu no ombro de Will.
— Está no lugar agora! – ele disse e tirou os algodões manchados de sangue das narinas de William e os trocou por outros limpos. O sangue não estava jorrando e escorrendo mais, mas ainda estava ali. – Olhe para cima, Will.
Oliver colocou outro curativo em cima do nariz para imobiliza-lo e a diferença do novo com o anterior era gritante. O de Oliver era bem mais bem feito, não parecia um desastre ambulante e estava bem mais posicionado. Eu sabia que ele sabia o que estava fazendo. Merda, ele gastou quase dez anos da vida dele nisso e sabia o que tinha que fazer, mas eu não conseguia evitar de me preocupar.
Agora, neste momento, eu era a responsável por William e odiava ver ele menos do que confortável em um ambiente tão... Hostil? Não, essa a escola dele que eu daria um jeito mais tarde. Eu não tinha grandes problemas com hospitais além da perda imensurável de tempo que eu já havia perdido dentro de um por motivos bestas, mas para William... Eu apostava minha réplica em miniatura da TARDIS que estar aqui não trazia boas memórias para o garoto.
— Aqui está, doutor. – disse Hillary aparecendo com as bolsas de gelo. Oliver colocou em cima das mãos de William e tirou as luvas. Jogou todo o material usado no lixo e se virou para mim com um despreocupado.
— Hill, pegue mais uma dose de morfina para ele, por favor. – pediu Oliver e Hillary assentiu e foi atrás do que ele havia pedido. – William, Felicity está nervosa comigo porque coloquei seu nariz no lugar. Ela está me encarando com um olhar nada amigável.
— Que bom. Está doendo pra caralho. – respondeu William olhando para o teto.
Oliver riu e veio para o mesmo lado que eu estava e colocou seu braço por cima dos meus ombros mesmo debaixo do meu olhar assassino.
— A enfermeira vai te dar morfina para diminuir a dor e vai te levar para o raio-X, okay? É coisa de vinte minutos no máximo. Felicity não vai poder te acompanhar, mas vamos esperar você. – Oliver disse e William voltou a assentir.
— Você pode ir? É médico não é? – perguntou o garoto e Oliver olhou para mim como se pedisse permissão para acompanha-lo. Eu assenti. – Felicity disse que trabalha aqui.
— Eu trabalho sim. Eu te levo para fazer os exames e nós iremos voltar antes que Felicity tenha outro ataque de nervosos. Ela não pode se estressar. – disse Oliver subindo a grade de proteção do leito de William quando a enfermeira voltou com uma injeção.
Ela injetou a morfina no acesso preso ao braço de William e levantou o outro lado da grade de proteção. Eles começaram a empurrar a cama e eu fui até onde a cabeça de William estava.
— Se comporte lá dentro. Eu vou estar aqui quando você voltar, okay? – eu disse e afastei alguns fios de cabelos caídos em sua testa.
— Okay. Se comporte também. Oliver vai ter um ataque se você tiver outro ataque. – ele disse com um sorriso preguiçoso e eu ouvi Oliver bufar uma risada ao meu lado.
Eles levaram ele pelo corredor que Oliver havia vindo e eu suspirei baixinho. Peguei minha bolsa que havia caído no chão em algum momento e voltei para o posto de enfermeiros e segui as placas até a sala de espera. Dr. Malone estava no balcão com Dinah e uma pasta gorda de documentos.
Os cumprimentei e passei toda a história com eles. Dinah cuidou da parte burocrática da coisa e fez com que Will recebesse um bom tratamento. Não o melhor, mas não o pior também. Era mediano e isso me incomodou um pouco, mas eu não podia colocar ele no meu plano de saúde porque ele não era dependente meu. E sabe-Deus onde a louca da mãe dele estava.
Sentamos na cafeteria e a daqui era bem maior do que a do Grey’s Anatomy. Tinha muito mais opções e mesas distribuídas em um espaço maior e com janelas bem abertas. Dr. Malone e eu ocupamos uma mesa, e Dinah se ofereceu para pegar um café para todo mundo.
— Não posso dizer que estou surpreso, na verdade. – disse o Dr. Malone revendo as anotações da Dra. Rochev sobre o estado inicial do nariz. – William nunca teve um episódio de violência, era o único sintoma que ele ainda não tinha apresentado.
Assenti levemente e ele deu de ombros como se estivesse refletindo sozinho.
— Dr. Malone? – chamei e ele parou de escrever e me olhou. – O senhor acha que é inapropriado William me ter como contato de emergência dele?
Ele ponderou um pouco apertando o botãozinho da caneta várias vezes.
— Está preocupada?
— Sim. Eu li vários casos em que pessoas se envolveram demais e prejudicaram o paciente com um afastamento abrupto. Eu não quero machucar William, e não quero me afastar, mas eu vou colocar o tratamento dele em primeiro lugar. Sempre. – eu disse e coloquei o copo de papel fumegante para baixo. – E ser o contato de emergência dele parece ser uma coisa muito importante e muito séria.
— E é. Eu já disse para você Felicity, não é uma coisa ruim a aproximação que você e William têm. Vocês são bem parecidos e conseguem se relacionar muito bem. O fato dele ter te colocado naquela lista significa que ele confia em você. – ele respondeu e eu assenti. – A pergunta é: Você está me perguntando isso para eu te dizer para cair fora ou por que está com medo de você se envolver demais?
— Os dois? Eu não sei. – suspirei. – Eu só sei que quando ligaram para Oliver, eu quase saí de casa com meu pijama e pantufas. Estava com medo de chegar aqui e ele ter algo mais sério do que um nariz deslocado.
— Presumir o pior é algo normal, Felicity. – ele respondeu e riu levemente. – É algo natural do ser humano porque não tendemos a ser muito otimistas. Somos o contrário. Somos pessimistas e imediatistas. Esperamos uma crise e já queremos resolver ela na hora.
Eu bebi meu café e ele o dele.
— Estou falando como um amigo agora, deixando o meu p.h.D de lado, porque sei que você se importa de verdade com William e está assustada. – ele disse e cruzou os braços em cima da mesa. – Ele chegou na instituição e era uma concha. Ficava quieto, tomava os remédios e ia nas seções de terapia. Fiquei horas e horas em silêncio com ele no meu consultório.
“Ele não gostava de criar laços, porque não confiava nas pessoas ao redor dele e ele tinha todos os motivos do mundo para isso. Ele conheceu Zoe quando ela foi transferida e os dois se deram bem, ele começou a falar sobre o dia deles na escola e na instituição. Começamos a nos relacionar bem e ele começou a se abrir mais comigo e com os outros funcionários da instituição.”
Dr. Malone sorriu um pouco.
— Aquele garoto é um dos meus pacientes preferidos e mesmo que eu tente ser imparcial, não consigo. Eu me apeguei a ele da mesma forma que você, porque tudo que eu vejo em William é um garoto inteligente, com potencial que precisa ser protegido. – ele disse e esfregou a mão em um lado do rosto. Eu assenti concordando e ele riu. – Eu lembro da primeira vez que ele falou sobre você comigo. Disse que você era muito inteligente, mas também era muito alegre e falava demais e isso irritou ele.
Eu ri.
— William criou um laço com você. O primeiro laço fora de instituição. Fora da pequena bolha que colocamos ele. – ele disse e ergueu seu café até os lábios. – Ele só fez isso porque confia em você, porque se sente seguro com você. Por isso você é um dos contatos de emergência dele.
— Eu adoro ele. Não quero magoar ele. – eu disse e emoldurei minhas mãos ao redor do copo de papel quente. – E eu fiz uma promessa á Oliver. Eu iria me afastar se me envolvesse demais.
— Ah, isso é algo que eu quero conversar com William também. Ele parece ficar mais do que confortável perto de Oliver. – Dr. Malone apontou e virou o restante do seu café como se fosse um shot de tequila.
Ele não estava errado. As interações entre Will e Ray e Will e Oliver foram muito diferentes. Pensando em todas as vezes que os dois últimos ficaram juntos, nunca notei desconforto vindo de qualquer uma das partes. Eles conversavam, riam um pouco na maioria das vezes e nenhum limite era ultrapassado. Será que de alguma forma o trauma dos dois os faziam se entender de alguma forma que ninguém mais conseguia?
— Eu odeio hospitais. – disse Dinah voltando com sua pasta gorda de documentos relacionados á William, o convênio que a instituição oferecia aos pacientes regulares, e o tratamento que o hospital estava oferecendo. Era muito papel. Deveria ter umas três árvores só ali. – William já voltou?
Olhei meu celular e Oliver ainda não tinha mandado mensagem. A fila do raio-X estava grande demais e apenas uma máquina estava funcionando. Os casos mais urgentes eram passados na frente e William não fazia parte desse grupo. Iríamos ficar aqui por mais um tempinho. Não era o final de semana que eu havia planejado passar com Oliver, mas tudo bem.
— Ainda não. Alguma coisa aconteceu com as máquinas de raio-X e só tem uma funcionando e eles tem casos mais urgentes no momento. – eu disse e Dinah assentiu. – Vai demorar um pouquinho ainda.
Nós conversamos um pouco sobre Zoe e como ela estava se ajustando na nova casa com o seu pai. De como ela era só elogios sobre o programa de reintegração juvenil da empresa e como ela queria ajudar ás pessoas que sofreram o mesmo que ela.
Quando deu a marca de trinta minutos, eu decidi esticar as pernas. Dinah e o Dr. Malone decidiram permanecer na cafeteria. Segui meu caminho até a saída de emergência e não tinha ninguém no posto das enfermeiras. Bloqueei o cenário de horrores que estava acontecendo ao meu redor e comecei a agir.
Deslizei em uma das cadeiras e acessei um dos computadores com facilidade. Não foi difícil passar pelos três únicos níveis de firewalls que protegiam os arquivos do hospital, mas eu fiquei levemente surpresa por ter encontrado eles ali. Cruzei as informações com o nome de William e descobri que ele tinha acabado de sair da radiologia e estava fazendo coleta para um hemograma. Ugh. Agulhas. Eu odeio.
Fechei todos os arquivos e voltei a me sentar no banquinho com rodinhas ao lado do leito de William bem a tempo de ver ele e Oliver aparecerem por portas duplas conversando e sorrindo. William estava com outro tipo de curativo no nariz e um band-aid redondo no braço. Oliver empurrava a cadeira de rodas em que ele estava e ambos conversavam animadamente.
Talvez Dr. Malone estivesse certo.
— Hey! Nós já vamos voltar! – disse Oliver indo para a direção oposta de onde eu estava ao ver minha cara confusa.
— Tá bom... – eu disse confusa.
—-
— Felicity! O que aconteceu com você?
Me virei levemente para onde a voz de William tinha vindo e o vi em uma cadeira de rodas sendo empurrado por Oliver que estava me encarando com uma carranca em seu lindo rosto.
— Sara? – Oliver chamou. Sara riu, mas não forneceu nenhuma informação. Apenas continuou limpando o sangue da minha testa. – O que aconteceu com você, Smoak?
— Nós ficamos fora por meia hora no máximo, e quando voltamos você está com um talho na testa! – exclamou William e eu sorri levemente. – O que aconteceu com as suas roupas?
— Eu escorreguei no corredor, estavam limpando o massacre do machado que passou por mim na velocidade da luz. Eu escorreguei e me melequei toda de sangue. – eu disse e apontei para o saco de roupas manchadas atrás de mim. – Dr. Renée me achou e me examinou, mas eu só machuquei a testa. É superficial e vai ficar um galo.
Oliver suspirou bem alto e ajudou William a sair da cadeira de rodas para a cama vazia na minha frente. Sara terminou a limpeza bem rápido e colocou uma das tiras que tinha cheiro de remédio na minha testa e bateu o dedo na minha bochecha com um sorriso cúmplice.
— Tudo prontinho, Lis.
Agradeci e Oliver substituiu Sara e me examinou por si só.
— Nós vamos para a tomografia. – ele decretou.
— Não vamos não. Isso é um galo. Eu tomo tombos direto, Oliver. Para de ser tão neurótico. – eu disse pegando suas mãos que estavam na lateral do meu rosto.
— Felicity...
— Não. – eu disse e o puxei pelos antebraços e o beijei levemente. – Por favor.
Ele parecia dividido, mas quando viu meu beicinho eu sabia que havia ganhado.
— William foi liberado para ir para casa. Ele só tem que trocar de roupa e passar na farmácia para pegar seus remédios. – ele disse beijando minha testa e nos viramos para William que estava nos observando com as sobrancelhas franzidas.
— O que? – perguntei.
— Você é um perigo sozinha. – constatou o garoto olhando para mim e Oliver gargalhou bem alto. Até atraiu atenção de outros pacientes ali para nós três.
— Dinah já resolveu a papelada do hospital. Dr. Malone chegou e quer conversar com você antes de irmos embora. – eu disse e abracei um dos braços de Oliver e encostei minha cabeça no ombro dele. Estava começando a ficar grogue.
William assentiu e pegou seu saco com suas roupas. Oliver o levou para o banheiro mais próximo e ficou lá para ajudá-lo no que fosse precisar. Eu fiquei quieta e sentada no meu lugar. Apenas observando como a emergência havia ficado deserta depois do cara do machado e do cara da faca.
Acho que as estrelas de hoje foram eles e show havia acabado.
Eu não iria assistir Grey’s Anatomy tão cedo.
Deitei no leito devagar e afundei no travesseiro que parecia confortável demais.
— Felicity? Hey, hey, hey... – chamou Oliver e eu me virei em sua direção lentamente.
— Oi bonitão. – sorri e ele também. — Vamos embora?
Ele assentiu e me ajudou a levantar. William estava ao pé da cama com a minha bolsa e meu saco de roupa suja.
— Isso aqui... – eu disse gesticulando entre nós três. — Fica entre nós. E apenas nós.
William assentiu e lutava contra um sorriso.
— Dr. Queen!
Nós três nos viramos em direção ao grito e demos de cara com uma criança. Uma garotinha que estava com uma camisola longa e amarela. Ela tinha cabelos castanho encaracolados e olhos também castanhos. Um sorriso banguela era exibido para o meu namorado e quando ela esticou os braços em sua direção junto com um ursinho, Oliver não hesitou em pegá-la em seus braços.
— Hey, Amy. Como você está? — perguntou Oliver e ela mostrou sua mão que não estava segurando um elefante de pelúcia. Ela tinha três anéis doces em seus dedos. Um amarelo, um vermelho e um azul. Pareciam ser bem baratos e que o gosto desaparecia rápido demais, mas ela parecia bem feliz. — Você subornou as enfermeiras de novo?
Ela negou fazendo a expressão mais inocente do mundo para Oliver que riu e depois a colocou no chão e escovou seus cachinhos para fora de seu campo de visão. Até a própria madrasta da Cinderella teria seu coração derretido e acredito na história toda.
— Amy esta é Felicity. — ele apresentou apontando para mim e eu acenei com um sorriso pequeno. Crianças tendem a se intimidar se você sorri demais para elas. Eu aprendi isso com William e Zoe. — E William.
— Oi.
— Oi Amy. — cumprimentou Will e ela se aproximou.
— Você tá com dodói? — perguntou e ele assentiu e apontou para o nariz. — Ah, aqui ó... Vai te fazer sentir melhor!
Ela deu o anel doce azul para ele que aceitou com um sorriso.
— E você?
— Eu não estou com dodói. — ela disse e Oliver veio para o meu lado.
Amy se virou para ele e colocou suas mãozinhas em formato de concha perto do ouvido de Oliver.
— Ela é a sua princesa, Dr. Queen?
Ergui uma sobrancelha ao ouvir a pergunta sussurrada, enquanto Oliver ria levemente corado.
— Sim, ela é a minha princesa. Eu te falei dela, lembra?
— Uhum. Você disse que ela era bonita, usava óculos e tinha super-poderes de computador. — ela disse e abriu seus braços com um grande gesto que quase fez seu elefante de pelúcia cair no chão. William o pegou. — O Dr. Queen disse que só as meninas conseguem ser princesas e terem super-poderes.
— E ele está certo. Ser uma menina já te faz ser uma princesa e bem forte, mas qual será o seu super-poder? — perguntei e ela pareceu pensar por longos segundos. — O que você mais gosta de fazer?
— Desenhar! E conversar com o Sr. Orelhas. — ela exclamou sem hesitar e apontou para o ursinho nas mãos de William.
— Então esses são os seus super-poderes e você tem dois! Você é bem especial, Amy. Eu vivo te falando isso. — Oliver disse entrando na onda e ela ficou vermelhinha.
Eu notei o quão pequena ela realmente era. Mal batia no quadril dele direito. Ela era um pitoquinho de gente, não deveria ter mais do que cinco anos. Se ela era paciente de Oliver, significa que ela tinha alguma condição neurológica mesmo sendo tão novinha.
Procurei por alguma cicatriz e só achei um band-aid em seu braço igual ao de William.
Amy saltitou até mim e me estendeu o anel doce vermelho e se curvou pegando uma pontinha de sua camisola, eu aceitei e fiz a mesma coisa com a pontinha da minha jaqueta.
— Você fica com o vermelho. Dr. Queen me contou que é a sua cor favorita. — ela confidenciou em voz baixa.
— Oh, e qual é a sua cor favorita? — perguntei me abaixando e ficando da mesma altura que ela.
— Rosa. — ela respondeu.
— Eu vou mandar um desse rosa para você pelo Dr. Queen, okay? — ofereci e ela abriu um sorriso lindo.
— Mas tem que ser antes dele cutucar a minha cabeça de novo!
Nós três rimos de sua exclamação e uma enfermeira vestindo um uniforme cheio de unicórnios e doces apareceu e acompanhou Amy de volta para seu quarto, mas isso não a impediu de dar um último abraço em Oliver e acenar um tchauzinho para mim e William.
— O que ela tem? — perguntou William assim que Amy virou o corredor.
— Amy Danvers. 4 anos. Ela chegou aqui há dois meses com um pequeno um tumor no cérebro, eu a operei e tirei o tumor dela. A recuperação dela tem sido ótima e esta é a última semana de observação dela no hospital. Por isso os doces, as enfermeiras gostam de mimar ela. — explicou Oliver e vestiu sua jaqueta novamente.
Assenti levemente e sorri um pouco. Amy era uma gracinha.
Oliver me ajudou a sair da cama e eu me apoiei nele e em William até o carro que estava estacionado na vaga com o nome de Robert Queen. Nepotismo, huh? Sentei no banco do carona e William foi no banco de trás por mais que Oliver quisesse que nós dois fôssemos atrás e ele fosse sozinho na frente como se fosse um motorista Uber.
— Como você conhece tantos médicos? – perguntou William se inclinando entre os bancos, ele estava de cinto pelo menos.
— Ah, eu não te contei essa história ainda. – eu disse grogue e depois sorri e bati no ombro de Oliver que apenas assentiu e ligou o carro.
Oliver começou a contar os detalhes sobre o meu acidente, cirurgia, recuperação e o início do nosso relacionamento. É claro que ele tirou todo o sangue, drama e os meus berros. William adorou a história inteira e ainda fez perguntas sobre a nosso começo e como isso funcionou sendo que a gente só brigava.
— Mas você demorou muito para fazer um movimento, Oliver...
— Pregue, meu amigo. – eu concordei e cocei minha cabeça.
— Eu ficava no quarto dela dormindo 24h todo plantão naquele sofá duro do seu quarto. Nas minhas folgas também. Isso fez eu virar motivo de fofoca nas enfermeiras. Fui acusado de tratamento especial por toda a equipe que te atendeu! – Oliver exclamou revoltado.
— Eu não tive muita opinião sobre isso, porque eu estava em coma. – eu disse dando ombros e William riu. — E você só teve essa dedicação toda pelo meu caso por causa de Thea.
— Eu não sei como vocês conseguem, mas fico feliz por vocês dois. Eu acho. – ele disse no final se recostando no banco.
— Obrigada. Eu acho. – respondi coçando minha cabeça. — Acho que tem sangue no meu cabelo também...
— Você tem que tomar banho. – apontou William quando chegamos na instituição.
Toquei no braço de Oliver e ele assentiu.
Os dois saíram do carro e foram até a porta da instituição juntos. Oliver deu a mochila e os remédios para William e o esperou entrar para dentro. Ele passaria a noite lá e teria consultas com o Dr. Malone esta noite e amanhã de manhã antes da escola. Dinah iria até a escola com ele para lidar com a punição de William e os outros garotos. Eu não foi a única que achei injusto como as coisas terminaram sendo que a escola não nos contatou em momento algum sobre a briga de hoje.
— Você está bem? – perguntou Oliver assim que voltou.
— Estou. E você me deve. – eu disse me inclinando e esfregando meu nariz com o dele preguiçosamente. Oliver ergueu uma sobrancelha para mim. — Geleia, Sr. Queen.
— Oh sim, a geleia.
— Exatamente.
— Vamos para casa, Srta. Smoak. – ele disse sorrindo um pouco.
Suspirei feliz e deixei minha cabeça cair em seu ombro.
Eu estava super dopada.
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