Notas iniciais
Queridos leitores, estou começando agora com a fanfic e espero muito que gostem. Espero também que vocês interajam o bastante comigo e deixem bastante comentarios. Boa leitura anjos, Bjs /Ju

Arabella era por toda sua vida até agora uma garota normal, entretanto isso a incomodava. Ela não desejava ser apenas uma garota normal, seus profundos sonhos eram ser bem mais do que isso. Ela observava outras garotas, se imaginando no lugar delas.
Era manhã de quarta-feira de 2014, ela cambaleia até o banheiro, querendo nunca ter saído da cama para enfrentar mais um ano.

A faculdade não é o que eu havia esperado quando eu tinha 14 anos. Meu sonho era que hoje chegasse logo, e em uma hora finalmente estarei na faculdade. Alguns dos meus melhores amigos foram saindo do meu antigo colégio ao passar dos anos, e até agora apenas quatro sobraram e que estão na mesma faculdade que eu, isso é a única coisa que me inspira a continuar levando uma vida mais ou menos. Meu nome é Arabella e eu sou como um precipício sabe, você está andando normal com medo de cair e algumas vezes você cai, cai num vão gigantesco que nada e ninguém consegue ocupar, ou pelo menos até agora não. Tenho 18 anos e as vezes eu tenho impressão de que nasci na geração errada, enfim, primeiro dia na faculdade, aqui vou eu.
— Mãe tô saindo.
— Tá filha. – Resmunga minha mãe parecendo ainda estar dormindo.
Fecho a porta e ao sair do meu prédio que parecia ser mais velho do que é, me deparo com uma rajada de ar úmido pairando pela atmosfera de Mistwest, tento guiar meus pés até a estação do metrô que fica á um quilometro. O som dos carros me desperta, então apanho meus fones de dentro da bolsa. As pessoas costumam me olhar com indiferença pelo pequeno fato eu ter algumas mechas verdes. Mas só fiz as mechas na única intenção de “mudar” meu visual, pois tenho esse sonho de descolorir o cabelo desde os 15 anos, como a minha aparência é sempre a mesma isso me enfurece um pouco, então tentei mudar um detalhe em mim. Tirando as mechas, meu cabelo é totalmente natural, castanho escuro (quase preto) ondulado. Chego na estação do metrô e compro meu ticket. Caminho até a plataforma que leva à faculdade e olho meus amigos ali parados próximos á uma coluna no meio da estação, como nos velhos tempos. Agradeço que pelo menos isso nunca mudou. Abro o meu maior sorriso, é tão reconfortante reencontrar eles.
— Bel! – Valerie vibra quando me vê. É impossível conter a seriedade com aqueles olhos verdes alegremente sorrindo para mim. Seus cabelos sedosos pendam em um rabo de cavalo e sua franja está partida ao meio caindo duas pontas em direção ao queixo, ali estava minha querida e velha melhor amiga.
— Val! – Devolvo o entusiasmo na qual soa mais empolgante do que deveria. E literalmente pulo em cima dela, as pessoas passam com uma cara de espanto ao nosso redor.
— Tem algo diferente em você… Deixa eu adivinhar. – Rixon me observa com um olhar aprovativo referindo-se ás minhas mechas. Eu estava com muita saudade daquele garoto super-protetor, ele estava incrivelmente chamativo, seu cabelo cor de areia levemente bagunçado e vestia uma blusa branca lisa em baixo de uma jaqueta preta e por fim calça jeans preta, na qual parecia aqueles caras dos anos 60.
— Você também tem algo diferente… Mentira, continua o mesmo idiota do 8º ano. – Provoco com um sorriso torto para ele.
— Cala a boca baixinha. – Ele me abraça com um beijo quente na testa.
— É impressão minha ou você está fazendo um cosplay dos caras dos anos 60? – Brinco.
— Quase isso. – Ele diz brotando risadas dos seus lábios, eu e Valerie não conseguimos manter a seriedade e caímos na onde de gargalhadas com ele. Era isso que me fazia falta, gargalhadas, nada melhor do que sinceras gargalhadas com as pessoas certas. Então me viro e os gêmeos Luna e Jake estão caminhando em nossa direção.
— E os gêmeos chegam. – Valerie retruca.
— Hey Val! – Jake quase come ela com os olhos. Ele estava como sempre esteve, jeans, vans e uma boina cinza cobrindo seu cabelo escuro.
— Jake Mistorie quanto tempo. – Ela devolve levantando apenas uma sobrancelha e olhando-o dos pés a cabeça. Eles já haviam tido um casinho de amizade colorida, na qual ninguém nunca entendeu. Mas eu suspeito que eles já se “pegaram” muitas vezes e nós nunca sabíamos, porém apesar de sua carinha de anjo, Jake era bastante safado para a minha Val.
— Oi Lu. – Volto-me para Luna. Na qual vestia um delicado vestido marrom.
— Bel, suas mechas estão super lindas. Adorei a cor, diferente. – Luna fala vidrada nas minhas mechas. Então eu abraço ela.
— Porque você não faz também? No seu cabelo preto iria destacar bastante. – Sugiro. Ela meio que ignora a minha sugestão e vai abraçar Rixon. Sempre tive uma pontada de ciúmes dele, mas não ligo, olho ele apenas como meu melhor amigo.
— Olha quem mudou de visual, uau Arabella! Arrasou. – Jake brinca, me fazendo dar uma voltinha.
— Valeu Jake. – Ele envolve o braço no meu pescoço e me dá um beijo no rosto despercebido.
— Ok, faculdade aqui vamos nós. – Diz Rixon, deixando um tom de divertimento escapar de sua garganta.

Entramos no metrô quase vazio pelo simples fato de ser bem cedo, só havia sete pessoas além de nós e o motorista. Um senhor e uma senhora que se observam um ao outro, com olhares tão apaixonados que parecia a primeira vez que se viam. Admiro quando o amor nunca acaba. Uma senhorita vestida formalmente, uma garota bem simples – magra com olheiras –, outro garoto no canto do metrô com fones de ouvido e uma mãe que parece estar levando seu filho para o colégio. Nós conversamos até chegar à faculdade West Priceton University descemos e caminhamos pelo longo gramado que fica na entrada do prédio da faculdade. Observo todas aquelas pessoas da minha mesma faixa etária, nunca mais irei olhar pessoas mais novas que eu. Assim será melhor? Pergunto-me procurando pontos positivos e negativos em não ter mais jovens mais novos do que eu pelas redondezas.
Caminho até a minha classe, é a primeira vez em anos que eu, Valerie, e Rix ficamos separados. Mas pelo ao menos estamos no mesmo lugar. Entro discretamente na sala e me arrasto para a ante-penúltima cadeira da fileira da parede. E então é que cai minha ficha de que eu não conheço absolutamente ninguém dali, eu nunca fui tímida, mas me dá um cala frio na barriga. Uma moça alta e loira entra com um sorriso quase rasgando seus lábios.
— Bem-vindos a mais uma unidade letiva na faculdade Wes Priceton University! – Ela mantém sua expressão e então todos os alunos trocam olhares como se ninguém conhecesse ninguém. Como eu queria que Valerie estivesse aqui do meu lado com seu entusiasmo, ou que Rixon estivesse atrás de mim cutucando para conversar. Isso fará muita falta, é como se eles estivessem com uma parte de mim mesma, que só quando nós estávamos juntos se completava essa metade de mim. Nunca fui de ser melosa, mas eu não sei o que está acontecendo comigo de um tempo pra cá. Alguma coisa mudou.
— Eu me chamo Andie. Espero que vocês interajam o máximo comigo, afinal estarei aqui pra ajudar a vocês não só em termos de estudo, mas também para preparar vocês do mundo lá fora. – Ela fala confiante, e eu fico intrigada com a sua expressão, o que chama minha atenção.
— Bom, sou professora de Matemática, e não vou perguntar o nome de vocês, pois pretendo saber com o tempo. – Após falar isso, ela penetra seu olhar em cada um presente ali naquela sala. Parece uma boa professora. Os primeiros horários passam se arrastando. E é ai que eu começo a aflorar meus pensamentos de que faculdade é um saco.
— Bom dia alunos. – Um professor rechonchudo se apresenta. — Pois bem, vamos às apresentações, quero saber o nome e sobrenome de cada um de vocês. – Ele passa por todos ate finalmente chegar a mim.
— Você minha querida. – Ele joga um par de olhos impacientes sobre mim.
— Arabella Farsoul. – Eu pronuncio tentando ser egocêntrica, mas estou com uma pontada de nervosismo. Após a aula do professor de história eu me deparo com uma garota me chamando bem á minha frente.
— Olá, me chamo Kalina. – Ela tenta abrir seu melhor sorriso com os lábios contornados com um batom vermelho fosco, o que caia totalmente bem com o tom da sua pele. Seus olhos negros procuram os meus, ela era linda. Cabelos castanhos claros e extremamente lisos bem no ombro, cortados com duas pontas maiores em direção ao rosto.
— Sou Arabella, mas prefiro que me chame de Bel. – Abro um sorriso confortante para Kalina.
— Também gostaria que me chamasse de Lina. Adorei completamente suas mechas. – Ela fala admirando, eu sorrio.
— Obrigada, verde é a minha cor favorita. E eu também adorei seu corte, conbina super bem em seu rosto além do caimento ser diferente. – Admiro-a de volta.
— Muito obrigada. Conhece alguém daqui? – Ela procura saber. Com olhos ágeis verificando nossas redondezas.
— Dessa sala não, mas, tenho uns amigos que estão em outras salas.
— Pelo menos você tem com quem passar o intervalo. – Ela argumenta com um olhar de ajuda.
— Agora você também tem! – Falo meio empolgada, odeio ver pessoas sozinhas pois tenho experiência própria com a solidão.
— Sério? Adorei te conhecer, não sei por que, mas você me passa uma boa energia, se é que existe isso. – Ela exclama com uma explosão de confiança em seus olhos.
— Também adorei te conhecer Kalina.
Na hora do intervalo, Kalina me segue, até chegar aos meus amigos.
— Tá tudo bem? – Rixon me avalia. Ele tem isso, é super protetor com suas amigas, e às vezes é exagerado.
— Tá sim, e com você?
— Tá sim. – Ele me imita e então me envolve com um abraço protetor.
— Valerie? Tá tão calada. – Falo procurando seus olhos verdes.
— Estou um tanto nervosa. – Ela admite.
— Por quê? Nós estamos aqui Val. Enfim, pessoal quero apresentar a vocês minha colega de classe, Kalina. – Todos encaram-na e ela devolve os olhares persuasivos. — Kalina, estes são meus melhores amigos. Melhores amigos, esta é Kalina.
— Engraçadinha. – Val provoca. De repente os gêmeos nos alcançam.

— Me chamem de Lina. – Ela verifica Rixon.
— Oi pessoal – Luna se inicia.
— Oi Lu, eu estava apresentando a minha colega de classe pra eles. Esta é Kalina, Kalina eles são os gêmeos Luna e Jake. – Continuo.
— E ai. – Jake coloca as mãos no bolso.
— Oi Kalina, me chama de Lu. – Luna aperta a mão dela transmitindo sua simpatia.
— Pois então, vamos fazer o que em 30 minutos? – Jake interroga.
— Comer? – Luna rebate demostrando fome.
— Tanto faz. – Digo não me importando, quando estou com eles sempre fico despreocupada.


O intervalo de 30 minutos pareceu apenas três, Jake não parava de dar em cima da Kalina o que fez Valerie ficar um pouco enfurecida, pois eu tinha a leve impressão de que ela ainda gostava dele, mas Kalina estava mesmo era fitando o tempo todo Rixon. Eu sei o quanto ele é chamativo, mas não dava pra ela ser mais discreta?
De repente um professor loiro com aparência de soldado americano que aparentava ser bem jovem pra um professor de faculdade, adentra a classe e uma garota ruiva lá na frente fica dando em cima dele. Normal, putas em toda parte. Mas não dava para não notar a sua beleza.
— Bem-vindos à Universidade. – Ele lança um sorriso de menino. — Sei que não será tão fácil quanto parece, mas vocês irão se acostumar. Me chamo Edriel e gostaria de saber o nome de cada um. Começando por você. – Ele aponta para a primeira pessoa da fileira esquerda.

Caminho até a linha do metrô e chego a minha plataforma, todos vão para suas casas e sobra apenas eu e Valerie. Pois ela mora no prédio ao lado do meu.
— Ai que fome. – Resmungo. E é o mesmo momento em que o metrô para 2 metros à minha frente. Eu e Valerie nos sentamos em dois assentos lado a lado. Então percorro meu olhar sobre as pessoas ali presentes e percebo que o mesmo garoto que estava com fones de ouvidos pela manhã se mantém no mesmo lugar, e naquele exato momento ele me encara. Um segundo depois algo me desvia de meus devaneios. Alguém me cutuca.
— Você... – Uma senhora que eu nunca havia visto antes com fios grisalhos – o cabelo em rabo de cavalo frouxo na qual alguns fios estavam para fora e levemente bagunçados, o rosto quase todo coberto por rugas e olhos azuis desgastados, usava um vestido meio rasgado azul marinho e um colar com um medalhão na ponta – Começa a falar se referindo a mim e repentinamente ela começa a formar palavras, que eu não consigo identificar. Ela está falando em outra língua, seu rosto não revela nada além de olhos esbugalhados para mim, estava sóbria e ao mesmo tempo falando palavras que eu pressuponho que ninguém ali saiba, eu a encaro procurando respostas em seus olhos, afinal os olhos são as portas da alma e logo vem uma pequena onda de medo sobre mim. Permaneço calada, estranhando aquilo tudo que parece acontecer em câmera lenta, todos do metrô voltados para mim e a senhora, a mesma falando outra língua, Val com os olhos arregalados que faltavam saltar de seu rosto e o garoto, ele parece entender o que a senhora falava, a expressão dele muda totalmente como se ela tivesse revelado algo que todos ali sabiam, exceto eu.

Notas finais
E ai o que acharam? Demorei tanto pra começar a postar, espero que tenham gostado do primeiro. Não esqueçam de comentar anjos. Bjs até o próximo capitulo. /Ju