Notas iniciais
Hei, galerinha deixando mais um cap. antes de tudo começar a esquentar de verdade.
Boa leitura.

Sinto que a lembrança há muito tempo esquecida retornava com mais velocidade me deixando zonza. Sento na beirada da cama com minhas mãos em cada lado da minha cabeça. Não queria acreditar no que tinha notado, mas era evidente.

Senhor da Guerra, personificação do caos.

Foi ele!

Leon matou meus pais.

Por mais que tentasse, não conseguia derramar nenhuma lágrima, não sentia dor alguma, absolutamente nada desse tipo, apenas ira.

Raiva dele, ódio dele.

Mais por mim mesma ou por Sean?

Notavelmente por mim.

Sentia repulsa por ele.

Como pode? Como teve a coragem de matar meus pais?

-Angelique – Eva entra em foco a minha frente ainda mais estonteante – O que acha que está pensando?

Ergo meus olhos para ela a olhando num misto de fúria e confusão.

O que ela queria?

-Que tenho contas para acertar com Leon Sebastian Masters – respondo cuspindo cada palavra.

-Caos? – indaga ela erguendo uma sobrancelha – Querida, não sinta ódio por algo como ele.

-Não se envolva nisso, Eva – digo séria – Você irá defendê-lo.

-Eu? – ela pôs a mão no peito – Não sou de me intrometer em assuntos alheios. Vejo que o culpa pela morte de seus pais, mas acho bom ver o lado dele também.

-Não existe lado dele – rosno erguendo-me, apesar de bater em seu ombro mantenho meu olhar no seu – Ele matou meus pais e ponto final.

-Foi ele que pegou aquele avião e o jogou na floresta? – indaga ela retórica cruzando os braços. – Se pensa dessa forma, acredito que não irá muito longe, a não ser que...

Ela tomba a cabeça para o lado me encarando com o cenho franzido.

-Não a induza Sean – ela o repreende – Não domine a mente dela.

Sinto uma estranha onda de alivio dominar o meu corpo, antes de perceber que Sean tomava o controle do meu corpo.

-Como ousa fazer tamanha afronta? – pergunta ele mais não com tanta intensidade para causar medo – Me culpa por ela sentir raiva por ele? Me culpa por ela querer justiça para a morte dos pais?

-Apenas não dou uma tapa na sua cara porque esse não é o seu corpo – disse ela severa – Mais não a coloque em meio a sua raiva dele e dos demais deuses também. Seu amor ainda o levara para cova.

O estranho tremor percorre meu corpo. Precisava aprender com urgência como ter domínio sobre meu corpo, antes que ocorresse algo que fosse me arrepender.

-Perdoe-me se não pude me casar com você – disse Sean num tom de deboche – Mais amo Selena e amarei até nunca mais poder agüentar.

Seguro o grito que ameaçou sair de minha garganta.

Não estava no meio de uma briga de casal, estava?

Eva ergue seu queixo um pouco mais, não sei se olhava para mim autoritária ou se era para Sean.

-Não me entenda mal – ela começa deixando um sorriso sem humor sair de seus lábios – Mas, não queria aquele casamento. Não queria estar presa com um homem sem escrúpulos como você. Não queria não sentir Dor, não queria permanecer como Selena ao longo desses anos.

-Como é? – pergunto notando meu controle sobre meu corpo precisava aprender isso logo. – O que está dizendo com isso?

-Me diga uma coisa – ela aproxima-se de mim – Sabe me dizer qual foi à última vez que você chorou? A última vez que sentiu a falta de algo? Melhor quando foi que você soube distinguir seus sentimentos?

Abro minha boca para responder, mas responder o que?

-Deixe que te ajudo nisso – ela prontifica-se tornando sua expressão mais séria – Sean domina seus sentimentos, seus pensamentos. Acaba de terminar com um rapaz, certo? Não teve vontade de chorar nenhuma vez? Não quis voltar para ele? Novamente respondo por você, Sean não deixa que você sinta coisas do tipo. Você é oca, não senti nada que realmente seja importante, apenas com ele. Não é divertido?

Puxo ar para meus pulmões, mas era como se os rasgassem.

O que queriam de mim?

Por que isso tudo acontecia apenas comigo?

Ouço a porta de baixo ser aberta e depois fechada, seguido da voz da minha irmã.

-Selena – ela me chama quase gritando.

Eva olha para a porta do meu quarto antes de retornar seu olhar para mim.

-Nos veremos em breve – anuncia ela antes de se dispersar no ar.

No segundo seguinte Mikelly abre a porta do meu quarto mostrando toda a sua estatura.

-Está bem? – ela indaga adentrando ainda mais o quarto – Parece atordoada.

Agora deveria ser a hora de ter meus olhos úmidos e com a vontade de chorar.

Mas, não, simplesmente estava vazia.

-Selena – me chama ela novamente dessa vez preocupada – O que aconteceu?

Ergo meu olhar para ela, abrindo minha boca com a vontade de contar tudo, mas a velha risada que não escutava fazia horas retorna aos meus ouvidos num estalo.

Mikelly também nota isso, mas sua expressão para mim era indecifrável.

-Querida poderia ficar aqui por algum tempo? – indaga ela mais parecendo uma ordem.

-O que está havendo, Mikelly? – pergunto a fazendo me encarar novamente.

Ela deixa um sorriso aparecer nos seus lábios ao segundo que a risada irritante novamente ecoa antes de mesma garotinha que vi no bosque aparecer na nossa frente escorada na porta.

Estremeço no mesmo segundo. Quem era ela?

Não, o que queria?

Um sorriso assustador toma conta do rosto angelical enquanto ela dá um passo à frente. Mikelly me coloca atrás de si e sinto um rosnado sair de sua boca.

-Fique onde está – ordena ela severa.

A criança tomba a cabeça para o lado levando o indicador aos lábios batendo levemente neles.

Um novo sorriso surge em seus lábios enquanto recuamos ainda mais. Na verdade Mikelly me forçava a recuar.

-Já avisei para ficar onde está – disse ela mais enfática dessa vez – Não vai querer perder um braço.

A criança rodopia fazendo seus fios flutuarem por alguns instantes antes de se inclinar na nossa direção passando a língua nos dentes.

-Não ouse – avisa Mikelly dessa vez dando um passo à frente na direção da garotinha que faz uma careta antes de abrir mais um riso – Não queira pagar para ver, Ária.

-Aria? – sibilo encarando as duas confusa – O que está havendo aqui?

A criança deixa mais um sorriso escapar de seus lábios.

Não seja intrometida.

Encaro a pequenina atônita.

Ela acabara de falar comigo por meio de meus pensamentos?

-Sai daqui, Selena – instrui Mikelly por entre seus dentes – Eu cuido disso.

-Não! – nego agarrando seu braço fazendo-a me encarar.

No instante seguinte sinto que algo era atravessado em meu braço fazendo-me encarar Ária antes de ver o que estava fincado no meu braço.

Agulhas.

As retiro vendo ao mesmo tempo Mikelly ir para cima dela que se desvia.

Não havia dor apenas a vertigem e...

A escuridão profunda.

Notas finais
Bem, como podem constatar Sean não é um mar de rosas e muito menos Mikelly é inocente nessa história, indico que fiquem de olho em tudo e todos, porque já deixaram escapar muitas coisas do passado da Selena, mas no próximo vamos apresentar um trio bastante interessante.
Assim sendo, estipulei errado a briga de Leon e Selena, vai demorar uns dois ou três cap. antes deles se pegarem para valer.
Até o próximo que vai demorar um pouquinho.
Bye bye.
o/