Dangerous

13 Kill or Save a Life?


Notas iniciais
Então, matar ou salvar uma vida? :3 Espero que gostem! Eu amei

Sherlock derrubara a porta com muita facilidade — diante do ódio que sentia. John e Mary se encostaram no batente com expressões vagas, sem entender nada. Diante do quarto cheio de sangue, o estômago do detetive revirou-se milhões e milhões de vezes. Não era nojo de sangue. Era a primeira reação ao pensar que aquele sangue era de Molly. Sua Molly. Sua patologista. Quando John viu o olhar no rosto de seu melhor amigo, viu-o sofrer por um breve momento; e então ele voltara à expressão ilegível. Seu telefone tocou no bolso e ele checou-o com uma rapidez incrível. Esperava qualquer sinal de Molly. Seu coração pareceu redobrar a rapidez dos batimentos quando leu "Molly Hooper" em seu visor.

— Onde você está? — Não queria parecer preocupado, mas ao menos conseguiu dizer "oi" ao atender o aparelho. — Você está bem?

— Ela está longe de estar bem.

— Se você encostar em um fio de cabelo...

— Eu já encostei em muito mais do que um fio de cabelo. — Tom deu uma gargalhada deliciosa do outro lado da linha. Sherlock sentia seu sangue ferver mais e mais à cada segundo.

— O que você fez com ela? — Foi o que ele conseguiu dizer, controlando sua voz ao máximo. — Recebi uma mensagem...

— Ela foi esperta. Conseguiu levar o celular escondido e pedir socorro. Mas eu notei. — Tom parecia estar se divertindo mais do que o normal. — Eu sabia que ela seria esperta. Sempre querendo chamar sua atenção...

— O que você fez com ela? — Ele repetiu. O sangue circulando com rapidez, o cérebro parecendo à cada momento menos racional.

— Ela está viva. Mas não por muito tempo. — Deu uma pausa. Sherlock respirava fundo, tentando não explodir. — Se sair para procurá-la agora, ela deve morrer em seus braços. E depois você vai morrer. E todos que você considera especiais.

— Se algo acontecer com Molly Elizabeth Hooper... — O detetive respirou fundo.

Ficou alguns segundos em silêncio. A expressão mais amarga que John já havia visto estava estampada no rosto do amigo. Um turbilhão de sentimentos. O maior deles, o ódio. Suas mãos tremiam de tanto ódio. John podia ver o quanto ele queria se conter, mas era impossível. A possibilidade de alguém fazê-la mal tirava Sherlock Holmes do sério... Esse sempre fora o motivo de não se envolver. John sempre soubera.

— Eu vou matar cada uma das pessoas que te importam. E você vai sentir toda a dor que conseguir suportar. E então eu vou te matar. Com. As. Minhas. Próprias. Mãos. — Ele tinha fogo nos olhos enquanto esbravejava no telefone. John e Mary recuaram um passo, já entendendo exatamente o que estava acontecendo. — Eu vou arrancar o seu coração com as minhas mãos, Tom. Você vai gostar dessa sensação!

Silêncio por alguns segundos... Mas aquilo não amenizava o ódio que o moreno sentia. Enquanto mantinha os olhos fechados e os punhos cerrados, lembrava-se da noite anterior. Lembrava-se do cheiro da pele de Molly Hooper. O toque. O beijo. Não podia pensar em perdê-la. Por que tinha que ter se envolvido?

— Você vai morrer antes de ter essa oportunidade. — Foi o que ele disse, em pura tranquilidade. — Depois de assistir a morte da sua querida patologista. Como foi a noite de ontem, Sr. Holmes? Se despediu?

— Deixe-a ir e eu me entrego. — Se rendeu, num ato de desespero.

John queria gritar "não!" Tinha que ter outro jeito! Sherlock não podia simplesmente se entregar para um psicopata. Mary agarrou a mão do noivo, compartilhando do mesmo desespero.

— Eu farei o que quiser se me disser onde ela está. — Ele repetiu, respirando fundo. De repente ele não tremia mais. Seu nervosismo tinha passado. Ele se entregaria por ela. Seria simples assim. — Me diga onde ela está, Tom.

— Molly vai morrer. Você sabe disso. Eu sei disso. Ela sabe disso. Sabe melhor do que nós dois. — Tom parecia ainda mais tranquilo do que Sherlock. Nada abalava-o. — Eu fiz questão de contar à ela o meu plano. Ela entendeu que precisa morrer.

— O corte que você fez na barriga dela foi superficial, Tom. Deixe-me salvá-la. — O detetive praticamente implorava. John notou a dor em seus olhos. Não aguentava ver seu melhor amigo naquele estado, mas não conseguia fazer nada para ajudá-lo naquele momento. — Eu posso salvá-la. E depois você pode fazer o que quiser.

— Você não entende, não é? — Uma risada longa de divertimento. — Ela SABE que vai morrer. Faz parte do plano. Você não quer saber o que eu disse à ela?

— O que você disse à ela, bastardo psicopata? — Ele gritou. — Você pode aterrorizá-la, mas não vai matá-la. Você não vai fazer isso!

— Eu disse a verdade, Sherlock Holmes... — Ele cantarolou. Naquele momento, Tom lembrou-o muito de James. Seu palácio mental se acendeu de forma impressionante. — Eu disse que eu te daria uma escolha. E que você escolheria não salvar a vida dela. E ela sabe que eu não estava mentindo... Afinal, ela te conhece muito bem.

"Que patético!" Sherlock sentiu uma vontade incontrolável de rir, mas segurou-se. Ele nunca deixaria-a morrer. Nada faria-o deixar Molly Hooper morrer. Nada o obrigaria à isso. Ele ia salvá-la. E logo depois iria matar aquele infeliz.

— Eu escolho salvar a vida dela. Eu escolho Molly Hooper. — Ele disse com um sorriso no rosto. Um sorriso também apareceu no rosto de Mary e no rosto de John. — E eu não quero saber a outra opção.

— Você quer saber a outra opção.

Sherlock ficou em silêncio. Ele queria saber a outra opção, mas sentia medo de se sentir muito atraído por ela... "Isso é ridículo, você nunca deixaria-a desprotegida." Afirmou para si mesmo. Independente da sua segunda opção, salvar a vida de Molly era o mais importante no momento. Sherlock se agarraria àquela esperança.

— Eu vou salvá-la, Tom. Não me importo com a sua estúpida segunda opção.

— Minha cabeça. — Ele disse simplesmente. — Sr. Reichenbach, eu te darei minha cabeça. Depois de Jamie já não vale mais à pena fugir. Me vingo de você tirando a vida dela, e deixo-o tirar a minha. Você sabe onde me encontrar... Você tem que escolher. Matar ou salvar uma vida? Você tem exatamente o mesmo tempo para me achar que tem para salvar a vida dela. Siga as marcas e cure-a de meu veneno, ou venha até mim. Até mais, Sherlock Holmes.

Então ele desligou. Sherlock quebrou o aparelho em um único movimento. Não conseguiu controlar seu ódio. Aquele psicopata bastardo sabia como confundir os sentidos do detetive. Ele queria tanto matá-lo que por um segundo... Não, Molly é mais importante. "Molly é tudo que importa agora." Repetiu para si mesmo enquanto respirava fundo e se virava para Mary e John.

— Vocês vão para Londres agora. — Disse calmamente. — Liguem para Mycroft e digam-o para achar o Tom. Ele tem que estar em algum lugar muito óbvio... E o nome dele provavelmente não é Tom.

Mary parecia espantada, mas John parecia totalmente acostumado àquela situação. Sentia-se bastante mal por Molly, além de nunca ser correspondida nos sentimentos por Sherlock, já era a segunda vez que estava sendo usada por algum inimigo do detetive. Molly era uma pessoa maravilhosa, não merecia nada daquilo. John sabia disso.

Por um momento, uma parte da conversa voltou e atingiu Sherlock como um trem. "Sr. Reichenbach, eu te darei minha cabeça." Ele tinha chamado-o de Reichenbach. Ele tinha alguma ligação amorosa com James Moriarty. Tom estaria obviamente no...

— Telhado de St. Barts. — Sherlock berrou de repente. — Liguem para Mycroft e avisem-o. E vão, agora!

Os dois se viraram e começaram à correr na direção do carro. Sherlock de repente se lembrou de algo.

— Mary? — Ele gritou. — Obrigado por ter feito tudo o que fez nesse fim de semana... Estragar esse noivado foi a melhor coisa que fizemos em conjunto. Pode me emprestar seu celular? Posso precisar dele pra algumas ligações.

Mary sorriu e jogou o aparelho de longe, Sherlock agarrou-o sem hesitar.

— Tom provavelmente não é "Tom". É algum ex-namorado ou companheiro amoroso de Moriarty. Ele quer vingança e quer matar Molly para conseguir isso... Eu não vou permitir. — Sherlock parecia com ainda mais ódio que antes, apesar de estar tranquilo. — Tenho quarenta minutos daqui até Molly e quarenta minutos daqui até Tom. Preciso escolher entre eles e eu escolho a vida dela.

— Ex-namorado? — Era tudo o que John ouvira. Ele parecia confuso. — Então ele era mesmo gay?

— John, me desculpe por destruir o noivado de Molly. Eu sei que você teme pelo seu próprio noivado. — Olhou de John para Mary e sorriu. — Mas ninguém vai tentar roubar Mary de você... Só por favor, não tente matá-la.

John revirou os olhos e — mesmo tenso — deu uma gargalhada. Aquele era seu velho amigo. Imbecil como sempre... Apesar de ser o mais próximo de humano que ele conseguia chegar.

— Tudo bem, infeliz. — John respondeu-o com um sorriso. — É bom ter você de volta... Eu acho.

— Se Mycroft encontrar o ex-noivo de Molly, tenha certeza de que ninguém vai matá-lo. — Sherlock respirou fundo. — Eu devo ter a honra. A cabeça dele será só minha.

— Ok. — Foi só o que o médico respondeu, entrando em seu carro e acelerando o máximo que podia à caminho de Londres.
–-

Depois de alguns minutos seguindo os rastros de sangue, ele encontrou-a. Estava apenas em suas roupas íntimas, com as mãos e pés amarrados à frente do corpo e com um pano prendendo-a à árvore — curiosamente na altura de seu corte. Tom amarrara-a na altura do corte, estancando o sangue... Então por qual motivo Molly desmaiara?

Demorou poucos segundos para o detetive perceber o que tinha acontecido. A voz de Tom ecoou em sua cabeça "Siga as marcas e cure-a de meu veneno, ou venha até mim." Era veneno. Ele tinha envenenado-a.

Aproximou-se com cuidado do pequeno corpo descoberto de Molly, desamarrou-a enquanto pegava o telefone de Mary e discava o telefone de Graham Lestrade. Enquanto desamarrava as mãos da patologista, o telefone chamava. Não acreditava que já havia tocado duas vezes e nada daquele infeliz atender. Se Molly morresse em seus braços... Respirou fundo.

Enquanto desamarrava os pés da patologista e Lestrade finalmente atendia, Sherlock encontrou pequenas marcas conhecidas em seus tornozelos. Ela tinha sido picada por uma Cascavel. Seu corpo provavelmente já estava dormente e ela tinha apenas alguns minutos de esperança para sobreviver sem nenhuma sequela. Lestrade já se preparava para desligar o telefone quando Sherlock começou:

— Eu preciso de um helicóptero e eu não me importo com o que você vai fazer para consegui-lo. Escute bem, Lestrade... — Ele respirou fundo. — Eu vou te enviar o endereço e um helicóptero estará aqui em menos de cinco minutos... Ou você vai procurar outro detetive para seguir suas pistas. Cinco minutos e... Contando.

Desligou o telefone e enviou um SMS com o endereço. Tirou seu casaco e cobriu o corpo delicado da patologista... Apesar de ser um momento de vida ou morte, não conseguia resistir ao ciúme. Não queria que ninguém a visse daquele jeito.

Carregou-a para fora das matas e esperou pelo helicoptero. Ligou para John, avisando-o que precisava imediatamente de um quarto especialmente equipado para Molly. Precisava de antídotos antiofídicos. Precisava agora. Em menos de dois minutos, um avião sobrevoou a pousada. Sherlock respirou aliviado, sabia que podia contar com Greg Lestrade.

Notas finais
amo muito