Dangerous
14 Green and Gooey
Notas iniciais
Quando Molly abriu os olhos, sentiu uma dor insuportável atingir sua cabeça. A claridade atacou seus olhos e sentia também um aperto esmagador em sua mão direita. Reconheceu o lugar com rapidez, estava em um dos quartos privados do Hospital Barts.
Mas aquele aperto em sua mão era desesperador. Ela se virou assustada e encontrou provavelmente a cena mais linda que já havia visto em sua vida. Sentado em uma poltrona nada confortável, com os cabelos bagunçados, uma expressão serena em seu rosto e a mão agarrando a sua. Podia sentir o desespero dele enquanto segurava-a.
Ela sorriu e tentou guardar aquela cena em sua mente de todas as formas. Ele parecia um anjo enquanto dormia. Molly se moveu com cuidado, mas não adiantou muito; com o mínimo movimento da patologista, Sherlock levantou-se em um pulo e encarou-a assustado – sem soltar sua mão.
– Você acordou! – Ele exclamou, parecendo a pessoa mais feliz do mundo. – Eu fiquei tão preocupado, Molly Hooper! Você... Sua enorme idiota! Nunca mais faça isso, Molly Elizabeth Hooper! Nunca mais, você me ouviu?
Os olhos castanhos de Molly estavam confusos. Ele parecia totalmente alegre e então, explodira para cima dela. Chamou-a de "enorme idiota". O que diabos estava acontecendo?
– Não chora! – Ele pediu, procurando a outra mão da castanha e segurando-a também. – Me desculpe... Mas tem quatro dias que tenho dormido nessa poltrona. Quatro dias segurando sua mão para saber quando você... Não vem ao caso, Hooper! Você nunca mais vai fazer isso de novo!
– O-o que eu... – Respirou fundo. Aquilo era difícil. Sherlock estava debruçado sobre ela, agarrando-se com força em suas mãos e encarando-a com um olhar muito sério. – O que eu não devo fazer?
– Tentar me esquecer de novo. – Ele revirou os olhos. – Você é péssima nisso. Assuma que nunca vai conseguir e pare de procurar psicopatas para me substituir, Molly. Nenhum deles pode.
– Você é horrível! – Ela suspirou, sentindo-se triste.
Já não era o suficiente se sentir usada pela segunda vez? Saber que era tudo encenação? Saber que aquele Tom atencioso e carinhoso era ilusão? Ele estava fingindo e usando-a para chegar em Sherlock Holmes o tempo inteiro...
– Esse é o único jeito que eu encontrei para dizer que me preocupei desde o momento em que percebi o que estava acontecendo. – Sherlock soltou as mãos de Molly. – Eu estive sentado aqui pelas últimas noventa e seis horas, Hooper... E eu teria matado-o com as minhas próprias mãos por ter feito o que fez com você, se não tivesse escolhido salvá-la primeiro.
Tudo que ela conseguiu fazer foi ficar em silêncio. Silêncio absoluto. Aquilo era mais do que um pedido de desculpas. Era um "não fique sentimental, estou aqui por você e não quero te ver chorar" vindo com um "estou há quatro dias esperando que acorde e não acho que isso faça de mim horrível" e tudo aquilo atingiu-a. Se sentiu ainda pior do que ele. Estava tratando-o mal, ignorando o que ele havia feito por ela. "Se não tivesse escolhido salvá-la primeiro." Molly lembrou-se das palavras de Tom. Lembrou-se da explicação do plano. Ia se entregar para Sherlock, para impedí-lo de salvá-la. E Molly duvidou muito da esperança de Sherlock escolhê-la ao invés de escolher vingar-se de Tom. E ele a surpreendera.
– Mary está preocupada. – Ele disse, encarando-a com mais seriedade que antes.
Tinha olheiras terríveis, roupas que usava há dias e agora sua voz parecia mais amarga que antes. "Como você é idiota, Molly." Ela se puniu mentalmente.
– Vou chamá-la. – Sherlock esboçou um sorriso. Inútil. Um bocejo escapou de seus lábios em formato de coração. Molly sentiu-se derreter. Ele havia dormido tão mal e segurado a mão dela por tanto tempo apenas para... Certificar-se de que ela estava bem.
– Seu corpo já está livre do veneno. E eu vou caçá-lo para você. – Ele se aproximou e beijou a testa de Molly. – Espero que melhore rápido, então nos veremos. Até mais, Dra. Hooper.
Quando ele saiu, Molly sentiu uma vontade incontrolável de chorar. Como ela pôde ser tão idiota? É claro, a dor atingiu-a de forma incrível, junto com o susto, junto com a vergonha de ter sido usada novamente... E então ele veio com aquela história de ser insubstituível. Falando sobre psicopatas e... Ela se sentiu um lixo. Mas não se deu conta de que aquele era o jeito dele. O jeito dele para dizer "se cuide e não arrume outro namorado para ocupar meu lugar". Idiota, idiota, idiota! Era tudo o que Molly conseguia pensar, até ver sua melhor amiga entrar no quarto com um sorriso enorme no rosto.
– Molls, você acordou! – Ela correu e abraçou-a apertado. – Estivemos tão preocupados por todos esses cinco dias! Sherlock não deixou esse quarto por um só momento. Ele te acompanhou no helicóptero, acompanhou a aplicação do antidoto antiofídico, deu palpite o tempo todo... Eu diria que ele só atrapalhou, gritando o tempo todo que se não salvassem você ele ia matar toda a equipe de médicos... Isso só podia ser coisa dele.
Molly não conseguia processar as palavras da amiga. E apesar de Mary tagarelar com felicidade – como se estivesse apenas fofocando, – Molly sabia que ela queria apenas dizer à ela "ele esteve aqui por você". Aquilo só machucava-a ainda mais. O olhar no rosto dele antes de sair... Molly queria abraçar seu travesseiro e chorar. Sentiu sua mão dolorida e deu um sorriso.
– Lestrade disse que ele teve um ataque de pânico dentro do helicóptero também. Gritando que precisava chegar ao Barts e que iria matar até mesmo o Greg se algo de errado acontecesse com você... – Mary deu uma gargalhada. – Ele jogou sua aliança de dentro do avião em movimento, Greg também me contou isso. Estamos todos bastante chocados com as últimas atitudes dele... Cinco dias ao seu lado, segurando sua mão como uma criança... Quem poderia imaginar?
– Não foram quatro? – Molly perguntou confusa, se lembrava de Sherlock dizer noventa e seis horas. – Sherlock disse que fiquei apagada por quatro dias.
– Ele deve ter perdido a noção do tempo, querida. – Mary segurou a mão dolorida da amiga. – Ele segurou em sua mão como sua última esperança por aproximadamente cento e vinte horas... Como era aquela porcaria de "Sherlock não gosta de mim" que você vivia tagarelando? Ainda vai querer discutir sobre isso comigo?
Molly formulou a frase-resposta em sua cabeça, mas não conseguiu responder. Tudo o que conseguiu fazer foi sentar-se na cama assustada e levar uma mão à barriga. O enjoo viera do nada. Depois de estar apagada por tanto tempo, Molly não conseguia pensar no motivo de sentir uma dor tão excruciante na barriga.
Mary já estava mais próxima ainda da amiga. Perguntando-a qual era o problema, mas Molly não podia responder... Ela não sabia qual era o problema.
A sensação horrível de enjoo passou assim que Molly vomitou no chão ao seu lado. Era apenas um líquido verde e gosmento. É claro, com o estômago vazio, Molly não poderia vomitar nenhum alimento.
– Molly Elizabeth Hooper... – Mary chamou-a, parada ao lado da grande poça de líquido verde. – Me responda com sim ou não... Você e Sherlock Holmes usaram preservativos?
Naquele momento o mundo de Molly Hooper literalmente caiu.
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