Danger.
2 Massacre.
Notas iniciais
– Sujou, galera! – gritei, vendo o carro de polícia lá no fundo da estrada. – Estou vendo sirenes! Sujou, sujou! Vão pro mato, galera!
Eles logo me obedeceram, correndo com suas armas em direção a nosso esconderijo. O mato.
Corri até lá em seguida, vendo que as sirenes estavam ficando cada vez mais perto e cada vez mais altas.
– Justin, aqui é só árvores! Onde a gente vai se esconder? – Becca pediu, empacando no meio da sua correria.
– Nas árvores, quem sabe? – Ciara disse, subindo em uma árvore.
– Cala boca e fica na tua, vadia. Não tô falando com você, cara. Por que é que você tem que se meter, hein, encosto? Eu devia sabe fazer o que? Te matar! – Me coloquei na frente de Becca, que estava apontando a arma para Ciara. – Aliás, foi você que fez a gente entrar nessa furada! Bem discreta, não? – disse, tentando passar por cima de mim, mas estava bloqueando sua passagem.
– Eu não fiz nada! Tinha, que alguma forma chamar o Justin! Não fala o que tu não sabe!
– Deve tá brincando comigo, não? Tu deixou tua toca cair no chão, vaca! O que você quer desse jeito?
– Oh, suas patricinhas! – Matt gritou de uma arvore no fundo. – Chega de briguinha de vadia e subam nessas arvores logo!
– Jura que se eu fosse patricinha estaria segurando uma arma e... – Becca virou-se para Matt, apontando. – apontar pra alguém?
– Oh, caralho, chega! – Gritei. – Isso aqui é uma palhaçada? Tentativa de roubo, mais uma vez falha e vocês discutindo por isso? Becca, sobe numa arvore e ponto.
Subi em uma árvore alta e Becca subiu ficou olhando para os lados tentando procurar aonde subir. Ela tinha medo de altura. Então decidiu ir na mesma arvore que eu, mas foi em um galho mais baixo.
Conseguia ouvir sua respiração ofegante e desesperadora.
Desci no galho onde ela estava e vi que ela estava tremula e suando frio.
– Becca, calma. Fica calma, respira fundo. – disse, colocando meu braço esquerdo envolto de seus ombros. – Eles não vão demorar muito. Daqui a pouco a gente sai dessa.
A consolei e a apertei, mostrando que eu estava a protegendo. Ela afundou a cabeça no meu peito e colocou seus braços em volta de minha cintura, me apertando mais ainda.
Ela gemia de medo e eu podia ver que ela não parava de olhar para baixo, mas eu puxava sua cabeça de volta e a dizia repetidamente: “Não olhe para baixo”, mas ela, claramente, não estava obedecendo.
– Eles não estão aqui... – ouvi um sussurro de um policial lá de baixo. Becca me olhou de baixo. Olhei para o pessoal e todos estavam me olhando sérios. Respondi com um olhar sem culpa alguma. Becca olhou para Ciara e mostrou o dedo do meio.
– Becca, não pire agora com a Ciara, por favor. – pedi.
Ela assentiu com a cabeça, mas continuou encarando Ciara de uma maneira medonha.
Ficamos um bom tempo ali, em cima das arvores enquanto os policiais tentavam achar um sinal de vida naquele mato. Mas os otários não pensaram em apontar aquelas lâmpadas para as arvores, e sim para o chão, os arbustos e o caminho em que passavam.
Bando de burros.
Quando eles desistiram de procurar, mais ou menos depois de uma hora e meia, desistiram e seguiram em frente em busca da gente, que, com certeza, não deu em resultado algum.
– Oh, gente, por que estavam olhando pro Justin se a culpa foi da Ciara? – Becca disse, colocando as mãos na cintura.
– A culpa não foi minha. – Ciara disse trincando os dentes.
– Cala boca, vadia. Sabe muito bem que foi uma tosca em ter berrado o nome do Justin em voz alta e deixado indicio. A sua toca.
– Desculpe, mas eu erro também.
– Ah, agora se você errar o buraco da merda vai dizer que não é perfeita e que comete erros? Ah faz favor. É a quinta vez que tentamos roubar aquele mercado. Será possível que não vê que já sabem quem é Justin?
– Olha, por mim você que vá pro inferno! Por que é que está nesse grupo mesmo?
– Olha só quem falando. Nunca falhei nesse grupo e quem deveria estar fora dele aqui é você, vaca.
Becca aumentou seu tom de voz e deu um soco em Ciara que caiu em seguida no chão.
Ciara estava com a boca sangrando e colocou a mão no ferimento e olhou o mesmo.
– Tu enlouqueceu né, só pode! Te situa, vagabunda! Te si...
Ciara não pode completar a frase que Becca a levantou pela gola da blusa a mais ou menos uns 8 centímetros do chão.
– Quem é que tem que se situar aqui é tu, meretriz! Me chama de vagabunda mais uma vez e vai ver o que acontece contigo.
– Não tem coragem.
– Ah, não tenho?
– Meninas, por favor, caralho! Parou aí, óh! – Matt disse, se colocando na frente de Becca, que sacou uma arma que estava escondida entre o short e abaixo da sua blusa. – Becca, abaixa essa arma! Tá maluca? Vai matar a garota por isso?
– Estou consciente que não é a primeira vez que essa puta me tira do sério e que eu já quero vê-la sangrando até morrer.
– Então veja ela menstruando. – Disse, dando gargalhadas.
– Matt, sai da minha frente. – ela disse, apontando a arma pra frente.
– Tá legal, então... Só não se arrependa depois!
– É, Becca... Vá correr pro Justin no topo da arvore com medinho de altura. Quer pagar de assassina mas tem medo de altura, né? É uma ridícula.
– Oh, Ciara cala a boca! Eu sou amigo dela e eu só queria evitar de ela ter algo grave!
– Pois é, querida... Só porque nunca teve alguém pra te proteger, não precisa invejar. – Becca, arrumou o dedo no gatilho. – Diga suas ultimas palavras.
– Eu te odeio.
Becca atirou, sem nenhum receio, na barriga de Ciara, que colocou a mão em cima do furo e se ajoelhando no chão, sem forças mais e com sangue saindo de sua boca. Ela estava morrendo lentamente e Becca se aproximou mais.
– Quem é que não tem coragem, vadia? Tive que fazer você morrer aos poucos pra me ouvir. Mas... pensando bem, quero te matar de outro jeito.
Becca levantou Ciara e começou a chutar sua barriga, bem onde estava seu tiro, fazendo Ciara berrar de dor e se escorar nas arvores, pois não tinha mais forças pra andar e para parar em pé.
Tentamos impedir Becca, mas estava fora de si. Becca sempre foi brava demais. A tempos ela dizia que não aguentava mais Ciara e que estava esperando mais uma brecha pra mata-la e... bingo. Conseguiu.
Confesso que não foi muito bom ver aquela cena. Eu sou todo metido a mau mau, mas... ver Ciara se agoniando daquele jeito e Becca sem dó nenhum, me fazia virar o rosto pra não ver. Matt estava rindo com tudo aquilo. Não entendi o por que.
– Cara, por que tá rindo? – pedi.
– Não sei, só sei que não tô com nenhum dó da Ciara. Como que a gente não tinha mandado ela embora? – respondeu, frio.
Becca a jogou contra uma arvore e começou a dar tapas seguidos de socos e joelhadas no meio das pernas. Ciara não conseguia mais ficar em pé e já estava meio inconsciente.
Caíra não chão e foi vítimas de chutes em toda a parte de seu corpo.
Becca gritava nomes ofensivos fortíssimos, palavrões que deixavam a coitada humilhada. Mais do que já estava, ali, deitada no chão, totalmente detonada e, de alguma forma, exterminada.
Vendo que Ciara já estava quase morrendo de tantos golpes, Becca a levantou e a deu uma joelhada em sua cabeça. Jogou-a contra uma das arvores e pegou o revolver e deu um tiro, finalmente, em sua testa.
Ciara, oficialmente, estava morta. E todos vimos tudo aquilo. O primeiro assassinato de Becca foi aquele e foi da pior maneira possível.
Becca sentou-se no chão, escorando-se numa arvore colocando os braços em cima dos joelhos e rindo baixo, vendo Ciara caída no chão, com rastros de sangue no tronco, onde foi vitima de tanta violência.
– Por que fez isso, Becca? – pedi, gritando. – Achava que você era legal.
– Uma garota num grupo dos piores bandidos entre 19 e 22 anos seria legal? Eu disse a vocês que se ela deixasse mais uma brecha, iria mata-la. Não me arrependo disso.
Sentei-me ao lado dela.
– Precisava matar ela desse jeito? Fazer ela se agoniar dessa maneira? Por que não deu um tiro de uma vez nela?
– Assim foi mais divertido. – ela disse rindo.
Olhei para Matt e ele deu de ombros.
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