Dancing With Our Hands Tied

10 9.Tudo o levava para o mesmo final


Notas iniciais
oie pessoal! me desculpem pela demora! preciso dizer que acabamos de passar do meio da estória e eu acabei mudando de ideia a respeito de alguns capítulos futuros que eu tinha rascunhado. precisei sentar e revisar um pouco o roteiro para entender o que eu ia mudar e como iria mudar. por isso acabei demorando mais um pouco, tive que reescrever esse capítulo do zero kkkkk enfim, estamos chegando perto do final da história. vou tentar me manter mais presente por aqui e trazer novas atualizações. até semana que vem pretendo aparecer com um capítulo novo por aqui. ♥ por enquanto, boa leitura! :)

capítulo nove

— Por que Emma? — Regulus havia perguntado em um momento onde os dois haviam conseguido se encontrar a sós — Existem outros pais na obra de Austen que são mais…

Nathalie o observou com um pequeno sorriso nos lábios, enquanto o rapaz procurava encontrar uma palavra para poder descrever o que pensava.

— Adoráveis? Normais? — ela propôs enquanto tentava não rir.

— Algo assim.

— Na verdade eu gosto de Emma justamente porque o Sr. Woodhouse apesar de ser tão remotamente diferente do meu pai, o fato de ele ser hipocondríaco sempre foi um alívio cômico interessante. Quando estava de férias, eu costumava ler para o meu pai, porque ele estava tão fraco que mal conseguia se levantar da cama. — os olhos da Moreau brilharam enquanto as memórias retornavam com mais força, seu coração parecia se expandir em saudade — Ele achava tudo tão engraçado e enfadonho.

“Emma não era a minha obra favorita, tenho que admitir que sou clichê — me rendi a Orgulho e Preconceito assim que li o livro pela primeira vez. Só que meu pai adorava aquele livro tanto, que tudo que contém naquelas páginas me lembra dele. De alguma forma, se tornou o meu livro favorito também.”

O Black a observou em silêncio com admiração, ele gostaria de ter conhecido Nathalie quando ela era apenas uma criança. Gostaria de saber como teria sido caso os dois cultivassem uma amizade de infância, como seria não ter sido uma criança solitária em um casarão gigante. Ele sabia que com o passar dos anos se apaixonaria por ela — disso, tinha certeza.

A relação da corvina com seu pai, Lamar, era algo que lhe causava um certo aperto no peito, porque Regulus jamais iria saber o que era aquilo. Sua relação com Orion era distante, seu pai era um homem de negócios e não costumava demonstrar sentimentos. Para ele, havia apenas o vazio e a ausência.

— Eu gostaria de ter memórias assim também. — as palavras tão íntimas e profundas, acabam escapando de sua boca antes que pudesse contê-las.

Era visível que aquelas palavras causaram impacto em Nathalie, que o olhou penalizada.

— Espero que algum dia você possa ser um pai presente para alguma criança Reg.

Uma simples frase teve o mesmo impacto que um soco na boca de seu estômago. Regulus nunca havia se imaginado constituindo família, porque lá no fundo, ele não se sentia tentado a possuir uma relação que Orion tinha com Walburga. Não havia afeto, era apenas frieza e distância. A mera ideia de que ele poderia ser um homem melhor para uma criança no futuro fez com que um buraco se abrisse no seu peito, fez com que a cicatriz em seu pulso coçasse em culpa.

Nathalie acreditava nele com tanta convicção que ele se sentia abalado.

— Você consegue me imaginar como um pai? — ele perguntou e acabou rindo em meio as palavras, incrédulo.

O revirar de olhos de Nathalie fez com que parte do peso em seu peito diminuísse.

— Você tem cara de que vai ser extremamente babão. Tenho certeza de que iria ensinar tudo o que sabe sobre quadribol caso tivesse um menino.

Os olhos de Regulus se arregalaram.

— Claro, eu ficaria honrado em criar o mais novo apanhador da seleção britânica! E se eu tivesse uma filha… ela seria uma princesa, óbvio, seria linda que nem o pai. — a fala do rapaz havia começado em tom de zombaria, contudo ele acabou investido o suficiente para continuar divagando até que o riso de Nathalie interrompesse seu raciocínio. — Por quê está rindo?

— Você ficou investido tão rapidamente, não pude evitar rir.

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Sou um sonserino Nathalie, ser competitivo é a minha natureza.

— Ah, cale a boca Regulus Black.

Um sorriso largo brotou nos lábios do rapaz, em um rápido intervalo de tempo ele enlaçou sua mão na cintura de sua garota e fez com que os lábios de ambos se encontrassem.

Poderia ficar congelado naquele momento perfeito.



~*~



Os meses pareciam voar e tudo corria para o final do ano letivo que se faziam cada vez mais próximo. Nathalie e Regulus estavam conseguindo manter a relação que tinham às escondidas bem, já faziam bons meses que estavam juntos e tudo parecia ir bem. Entre as semanas de provas e jogos de quadribol, pareciam que estavam sempre dispostos a encontrar alguma brecha para se encontrarem.

Era lamentável que não pudessem sem encontrar onde todos pudessem ver, o fato de ninguém saber que o apanhador da Sonserina já possuía uma namorado era algo que vez ou outra passava na mente de Nathalie. Regulus era lindo, ele sabia disso assim como todas as garotas que o admiravam e adoravam assistir seus jogos de quadribol. Para a corvina restava apenas assistir a distância.

Um dia em especial, Nathalie tinha ciência de que estava ocorrendo um treino da Sonserina nos campos de Quadribol, porque os gritinhos femininos estavam distraindo do livro que tentava ler enquanto estava apoiado embaixo de uma árvore. Bufou com irritação, decidida a sair dali. A corvina entrou no castelo e dirigiu-se até a biblioteca, onde poderia ter algum sossego.

— Oi. — a voz suave fez com que Nathalie retirasse os olhos do calhamaço em suas mãos.

Em sua frente estava nada mais, nada menos que a caçula da família Black. Andromeda, apesar de ser a mais reservada das três irmãs, era igualmente assustadora — no sentido em que ela carregava a mesma aura poderosa que suas irmãs.

— Oi. — Nathalie respondeu confusa.

A morena abriu um pequeno sorriso, sentando-se de frente para a corvina.

— Me desculpe por te interromper do nada, eu realmente queria saber o nome do livro que você está lendo.

Apesar da desconfiança e das sobrancelhas arqueadas, Nathalie lhe disse o nome da obra, e conforme a Black indagava, ela ia lhe respondendo perguntas sobre o livro. Aos poucos foi percebendo que não era difícil estabelecer um diálogo com Andromeda, ela era do tipo de pessoa que adorava escutar os outros, havia algo quase que gentil no silêncio da sonserina enquanto escutava a corvina falar.

— Esse livro parece aquela obra que os trouxas adoram, Romeu e Julieta, se não me engano. — foi tudo o que murmurou depois de fazer com que Nathalie lhe explicasse a história.

Nathalie se sentiu dividida entre rir e ficar surpresa com o fato de que uma Black conhecesse algo sobre literatura trouxa.

— Bom, primeiro de tudo, foi você que me pediu para te falar o final do livro. E segundo, de onde você conhece Shakespeare?

Bem sutilmente, um pequeno rubor surgiu nas bochechas pálidas de Andromeda.

— Tenho minhas fontes. — foi tudo o que respondeu, com um pequeno sorriso contido. — Foi bom conversar com você Moreau, acho que um dia desses irei passar em uma livraria e comprar esse livro.

A corvina piscou, incrédula.

— Estou falando sério. — foi tudo o que Andromeda disse antes de desaparecer entre as enormes estantes abarrotadas de livros da biblioteca.

Parecia não existir motivo plausível para que uma cena como aquela acontecesse, porque raio de motivo a prima de Regulus iria encontrar um pretexto para passar quase uma hora conversando com ela? E diferente de tudo o que poderia esperar de um Black, Andromeda era simplesmente gentil e afetuosa. Se não estivesse tão desconfiada, poderia até dizer que havia gostado da presença da sonserina.



~*~



— Você o quê? — Regulus praticamente gritou, sua voz falhara na última palavra.

Sua prima o encarou em silêncio.

— Exatamente isso o que você acabou de escutar.

Os dois primos estavam conversando a sós em uma sala de aula fechada, Andromeda estava sentada em uma mesa enquanto Regulus andava em círculos, prestes a enlouquecer.

— Você não tinha o direito de ir até ela!

— Pare de falar asnices, — ela lhe cortou — fui conversar com Nathalie porque queria conhecê-la. Ela é simplesmente adorável e inteligente como julguei que fosse ser, apesar de eu ser uma sonserina e estar visivelmente desconcertada do meu contato tão súbito, ainda assim ela aceitou gentilmente a conversar comigo.

O olhar de Andy se fez distante por alguns instantes, a sala afundou-se em silêncio até que ela encontrasse coragem para falar tudo o que Regulus precisava escutar naquelas últimas semanas.

— Ela não merece isso Reg, você sabe disso.

A gravata verde da Sonserina parecia estar apertada, foi necessário um puxão para que ele pudesse afrouxar-la enquanto afundava o rosto em suas mãos.

Regulus Black respirou fundo, cada batida de seu coração lhe causava dor.

— Não preciso que você diga na minha cara que eu não a mereço, eu sei disso. Ela é mais do que eu ousaria pedir. — Porque Nathalie Moreau é única, e tê-la me torna um egoísta.

— Você vai acabar machucando-

O rapaz lutou consigo mesmo para não gritar. Ele sabia! Que merda, ele sabia disso tudo. Tinha plena noção de que quando o Lorde das Trevas havia colocado a Marca Negra em seu pulso não haveria mais volta. Ele poderia até conseguir reatar o orgulho de sua família, mas no caminho, iria perder aquela que o ajudou a se reerguer. E esses últimos meses haviam sido tão dolorosamente bons, Regulus vivia sendo assombrado pela ideia de um futuro com Nathalie — onde não precisariam se esconder, onde ele poderia colocar um anel em seu dedo e chamá-la de sua para que todos soubessem que ela era dele. Queria ser bom com ela, como ela havia sido com ele.

Por ela, apenas por ela, ele se encontrava a dois passos de jogar tudo para o alto.

Se ela pedisse para que os dois fugissem para longe — ele aceitaria de bom grado.

Desejava encontrar um caminho, alguma forma de poder lidar com as consequências de suas ações sem perdê-la. Tudo o levava para o mesmo final, para o mesmo beco sem saída.

— Por que aceitou essa marca, Reggie?

As lágrimas começaram a aparecer no canto de sua visão.

— Porque eu quero consertar tudo, quero que nossa família sinta orgulho de mim. — Quero que eles me reconheçam da mesma forma que Sirius sempre foi o favorito quando éramos crianças.

— O orgulho que Nathalie sente por você não é o suficiente?

Aquelas palavras havia o pego de surpresa, seus olhos se arregalaram ao mesmo passo em que uma lágrima solitária rolou por sua bochecha. Nunca pensara por este ponto de vista, mas agora que Andromeda mencionara, se pegou pensando em todas as vezes que Nathalie sorrira para ele com delicadeza toda vez que ele realizava um avanço — mesmo que mínimo -, toda que vez que conseguia desabafar sobre algo que o assombrava. Ela o olhava com admiração, orgulho e… amor.

— Você deveria saber melhor do que ninguém, prima, que meu maior inimigo sou eu mesmo. Eu me odeio.

— Ainda há tempo de mudar Regulus, tenho certeza de que se você conversar com ela… Tenho certeza de que existe algo que você possa fazer para mudar essa situação. Sei que ela irá acreditar em você.

Ele riu amargamente.

— Pare de ser otimista. O seu caso é a exceção, e não a regra.

Andromeda parou por alguns momentos, apenas encarando Regulus sentar-se em uma cadeira enquanto olhava desolado para o nada. De alguma forma, seu primo deve ter notado suas intenções de partir da casa Black para poder ficar com Ted Tonks — o rapaz bruxo de origem trouxa que havia se apaixonado. Pela dor no olhar do rapaz, sabia que ele não diria uma palavra para ninguém a respeito daquilo, porque sabia que aquela era uma faca de dois gumes e que seu tempo estava se esgotando.

Foi difícil para ela, ter que realizar a decisão de unir-se a Ted, sabendo que jamais seria aceita novamente em sua família. Contudo, quando olhava para Belatriz praticamente casada com Rodolfo, e Narcisa noiva de Lucio Malfoy, sabia que estava trilhando o caminho correto. As vezes, estar certo também era um percurso doloroso.

— Às vezes, apenas às vezes, eu tenho inveja de você. — Regulus murmurou sem olhá-la nos olhos.

Os olhos castanhos de Andromeda marejaram, a princípio porque agora ela conseguia entender o porque Regulus havia se apaixonado por Nathalie, e também porque em seu íntimo sabia que ele precisava de alguém assim há tanto tempo. Ele sempre fora tão solitário — embora popular — e tão perdido em si mesmo, quando Nathalie estava em cena tudo parecia ficar diferente, de repente seu primo parecia dar olhares suaves e sorrisos ternos.

Sabia que ele merecia um amor que fosse leve, tranquilo.

— No que você precisar Reg, sinta-se à vontade para me chamar. Apenas saiba que a marca em seu braço irá partir o coração dela, isso é inegável. — com ar de derrota, Andromeda escorregou suas pernas de cima da mesa, atingindo o chão empoeirado. Ela saiu da sala sem olhar novamente para trás.



~*~



A paranoia andava consumindo Regulus por completo, ele conseguira roubar alguns exemplares da biblioteca que tratavam de oclumência. Queria proteger cada fragmento de sua mente que carregava memórias de Nathalie, não queria perder a única coisa que estava lhe dando forças para seguir em frente nos últimos dias.

E Nathalie não era estúpida, ela sabia que alguma coisa havia mudado nas últimas semanas. Conseguia perceber que Reg andava errático e inconstante, e que ele não iria compartilhar com ela o motivo daquele comportamento. Não queria ser a pessoa que iria se intrometer nos assuntos dele, porém, quando encontrou um livro de arte das trevas com um marcador em um capítulo sobre oclumência na mochila de Regulus — um enorme ponto de interrogação começou a despontar.

Tinha uma breve noção do que se tratava a oclumência — a arte de proteger a mente de feitiços invasivos o suficiente para acessar memórias -, ainda assim não conseguia compreender o quê aquele livro poderia ter em comum com o comportamento estranho de seu namorado. Já havia tentado conseguir respostas dele através de perguntas objetivas, contudo Regulus era vago o suficiente para fazer com que ela desistisse de indagar. Estava começando a se sentir frustrada.

Passara os últimos dias buscando alguma possibilidade, algo que a levasse a descobrir o que estava acontecendo, porém não havia nada. Ela não era íntima dos amigos de Regulus, e sabia que perguntar diretamente para Sirius Black também não era uma boa opção. Restava apenas ela, Andromeda Black.

Sabia que Regulus não iria gostar daquela abordagem, mas procurou não se importar muito com tal coisa. Ele deveria ter a capacidade de confiar nela, de contar quando havia algo errado. Sendo assim, ela iria buscar suas respostas em outro lugar.

Após o almoço com Simone Doyle, assim que a grifina foi para a sala de estar procurar por um livro de aritmancia, Nathalie resolveu buscar por Andromeda Black. Se surpreendeu ao perceber que a garota não estava em lugar algum no castelo — o que era estranho, porque podia jurar ter visto a menina durante o café da manhã. Depois de quase duas horas procurando, Nathalie saiu do castelo com os pés doendo de tanto andar. Começou a caminhar lentamente e sem direção pelos campos do castelo, surpreendendo-se ao encontrar Andromeda sozinha próxima ao Lago Negro.

Para seu espanto, ela estava chorando.

Quando os olhares se encontraram, mais lágrimas rolaram pela bochecha da Black.

— Andromeda, está tudo bem?

— Eu sinto muito. — as palavras pareciam estar engasgadas na garganta da garota que se encolhia em seu suéter da Sonserina, demorou para que Nathalie entendesse que Andromeda estava se desculpando com ela.

— Não entendi, você não tem porquê me pedir desculpas.

De alguma forma, aquilo fez com que ela chorasse mais, suas palavras pareciam estar desconexas. Andromeda murmurava sobre alguém chamado Ted e sobre como Sirius havia dito que nunca iria funcionar, que sua família jamais iria aceitar. Que ela seria expulsa da família Black assim como ele.

— Andromeda, está tudo bem. — tentou acalmar a garota, porém nada parecia funcionar.

Aparentemente não era do feitio de Andromeda Black demonstrar tantas emoções daquela forma, de repente, alguém tão contida como ela estava prestes a desmoronar.

— Minha família é horrível Nathalie, eu sinto muito, você não merece isso. Ted não merece isso.

A Moreau prendeu a respiração.

Você sabe sobre Regulus.

Ela apenas balançou a cabeça, confirmando o que havia dito.

Um choque atravessou o corpo de Nathalie, de repente ela percebeu que o buraco era um pouco mais fundo do que imaginara. Que havia algo terrivelmente errado para que Andromeda estivesse chorando daquela forma, e que seu relacionamento — agora não mais secreto — poderia estar em risco.

— O que aconteceu Andromeda? — sacudiu a garota pelos ombros, em uma tentativa desesperada de conseguir respostas — Por favor me diga o que aconteceu, estou cansada de sentir que sou a única que não tem respostas, que está sozinha no escuro. Regulus está tão distante e eu não consigo entender onde eu errei, o que foi que eu fiz.

Agora sua voz embargava conforme a verdade escapava de seus lábios, seus olhos marejavam dolorosamente.

— Você não fez nada errada, mas não cabe a mim te contar a verdade.

Nathalie se afastou, como se aquelas palavras fossem facas prestes a feri-la. Algo estava errado, estava óbvio que algo estava errado.

— Como assim? Eu não consigo entender.

A garota dos Black secou as lágrimas que ainda estavam úmidas em seu rosto, os olhos vagavam para além do Lago. Demorou para a corvina perceber que Andromeda não tinha coragem de olhá-la nos olhos.

Inconformada, Nathalie se levantou da grama, sem se importar com a saia cinza abarrotada ou a camiseta branca suja de grama. Deu meia volta e retornou ao castelo, decidida a encontrar Regulus.

Ela sabia que seus olhos vermelhos estavam chamando atenção das pessoas conforme se locomovia, porque olhares curiosos pairavam em sua direção. Contudo, não se incomodou com tal coisa.

Nos últimos tempos, ela e Regulus haviam criado um código secreto, que se tratava de uma galeão falso. Sempre que um encostasse a ponta da varinha no galeão, o outro iria saber que deveriam se encontrar em seu esconderijo. Nathalie estava com os braços cruzados no esconderijo há bons minutos antes que o Black pudesse ter tempo de chegar antes. A corvina o olhou de cima a baixo quando ele atravessou o portal da passagem.

Os cabelos de Regulus estavam molhados, por ter saído abruptamente do treino de quadribol, ele ainda vestia sua camiseta da Sonserina com seu nome estampado em prateado nas costas junto do shorts cinza. Quando os olhos castanhos de Reg encontraram os dela, ele soube que aquele era o momento que estava adiando.

— O que você está escondendo?

Ele engoliu em seco.

— Do que está falando? — optou por uma postura defensiva.

— Você está lendo sobre oclumência.

Regulus recuou dois passos, surpreso com a fala.

— Encontrei a pouco, Andromeda chorando me pedindo desculpas, falando sobre alguém chamado Ted — que sua família jamais iria aceitá-lo. Ela admitiu que sabe sobre nós.

Boquiaberto, Regulus tentou falar, porém apenas o nome da garota saiu.

— Nathalie.

— Me dê alguma resposta Reg! Está claro que você está escondendo algo de mim, e eu quero saber o quê é. Quero entender o que foi que deixou Andromeda tão perturbada.

— Por favor não faça isso. Por favor. — ele pediu baixinho, seus olhos estavam fechados e ele murmurava.

A percepção da mentira começava a chegar lentamente em Nathalie, sua postura começava a ficar defensiva e suas barreiras começavam a se erguer.

— O mínimo que você pode fazer é me contar a verdade.

— Eu queria consertar tudo, — o tom era tão baixo, que Nathalie teve de se esforçar para poder escutar Regulus falar — queria poder arrumar minha família, dar aos meus pais o que eles sempre quiseram e… encontrar alguma forma de fazer com que Sirius retornasse para casa. Queria poder suprir a falta de Sirius, ser aquilo que eles esperavam que meu irmão fosse. E eu estraguei tudo.

Quanto mais Regulus falava, mais atônita Nathalie ficava. Havia um gosto amargo na boca dela, sua mente estava milhão procurando algo… alguma coisa que pudesse orgulhar tantos os pais de Regulus e ao mesmo tempo lhe causar tanta dor.

— O que você fez Regulus? Apenas me diga o que você fez-

Ele balançou a cabeça suavemente, seu olhar parecia estilhaçado.

— Ter você por todo esse tempo fez com que eu percebesse que estava errado, que existiam outras possibilidades — embora fosse tarde demais. Eu realmente desejei ser aquele que poderia realizar os seus sonhos, quis ser o homem que a veria em um altar com a coroa de flores amarelas que você sempre sonhou. Você me deu uma perspectiva quando tudo estava perdido.

A mão dele tocou levemente na manga da camisa branca, próximo ao punho. Aquele gesto foi o suficiente para que Nathalie batesse suas costas contra a parede fria, ela sabia que Regulus ainda estava se preparando para falar mais uma série de coisas antes de puxar a manga de forma que o antebraço ficasse livre, contudo não era necessário — ela conseguia vislumbrar o pequeno início da tatuagem em seu pulso.

Seu estômago se revirou, de repente estar ali em um ambiente tão pequeno com Regulus Black havia se tornado algo apavorador. Ela não conseguia ouvir mais uma palavra que saía de seus lábios, porque ele havia mentido todo aquele tempo, porque a Marca Negra estava tatuada em seu antebraço.

Não haviam forças em seu corpo que a mantivessem em pé, então, em meio ao monólogo de Regulus, ela apenas deslizou seu corpo até o chão, abraçando seus joelhos. Sentou-se como uma criança assustada e traída.

Regulus engasgou-se.

— Nathalie, por favor, me perdoe. Eu posso…

— Você não pode. — foi tudo o que conseguiu dizer.

De repente, tudo nele que sempre fora tão atrativo, as sobrancelhas grossas, os olhos castanhos e os lábios que sempre se curvavam em sorrisos adoráveis — agora haviam se tornado motivo de dor. Como ela pode ousar acreditar que poderia deixar que algo assim acontecesse novamente? O quê a fez acreditar que dessa vez seria diferente?

Havia dito tantas vezes para Regulus, que desde o falecimento de seu pai, não saberia se iria conseguir lidar com a perda de mais alguém. Ainda assim, não havia imaginado que a pessoa que ela iria perder seria justamente ele, desta forma.

Era cruel e irônico, ela se sentia paralisada, sentada pateticamente no chão enquanto ele chorava na sua frente. Foi lamentável perceber que apenas fora capaz de se dar conta da dimensão de seus sentimentos por Regulus Black em uma situação como aquela.

— Por favor, por favor, eu-

— Vá embora. — um murmúrio fraco escapou dos lábios rachados de Nathalie, quando percebeu que ele congelara em sua frente, começou a gritar até perder sua voz — Vá embora. Vá embora. Vá embora. Vá embora.

Não sabia dizer em que momento havia fechado seus olhos para conter as lágrimas, mas quando os reabrira, estava sozinha sentada no chão do esconderijo. Ali, permitiu-se desmoronar.

Se recusava a acreditar que de todas as associações que Regulus poderia fazer, ele havia justamente ido de encontro a organização bruxa mais segregacionista e ultranacionalista que existia — os Comensais da Morte. A noção de que seu namorado havia se associado ao Lorde das Trevas fez com que seu estômago se revirasse, pois o Lorde das Trevas era o mesmo homem que perseguia e assassinava mestiços e nascidos trouxas a sangue frio. Ele pregava ódio e propagava palavras em prol da uma limpeza étnica.

Tudo em si se revirava de nojo.

Nathalie Moreau apoiou suas mãos no chão e vomitou até que não houvesse mais nada.