Dancing With Our Hands Tied
9 8. Era tudo tempo comprado

capítulo oito
Regulus estava vivenciando o inferno.
Nunca lhe ocorreu que a sua determinação cega de ser tudo aquilo que seu irmão mais velho deveria ter sido, fosse lhe ocasionar tanta desgraça e exaustão mental. O peso que tentava segurar sozinho estava aos poucos se tornando algo insuportável de carregar. Às vezes se pegava pensando em como seu irmão tomou o caminho mais fácil, fugir daquilo que desprezava. Em alguns momentos, quando estava sozinho e fechava seus olhos, também desejava fugir.
Diferente de Sirius, Regulus não sabia dizer se tinha alguém para quem fugir. Braços que pudessem lhe acolher em um abraço caloroso.
Ouvia seu irmão chamar o grupo que havia nomeado de Marotos como família, ao mesmo tempo que aquela palavra mal colocada lhe causava desgosto, lá no fundo havia a fúria de quem havia sido traído por seu próprio sangue. Deixado para trás com seus demônios.
Seus pensamentos deprimentes e solitários pareceram mudar de rumo com a presença de Nathalie Moreau, quando a corvina se fazia presente era tão simples conseguir sorrir — ele não saberia dizer qual era a última vez que rira de algo, por mais bobo que fosse. A presença dela se assemelhava ao calor do sol em uma tarde de inverno, algo sobre o seu sorriso carinhoso que aquecia o seu peito. Era fácil estar ao seu redor.
O caçula da família Black se deu conta de que estava apaixonado quando beijou Nathalie Moreau pela primeira vez. Era fato de que Regulus Black já havia beijado diversas garotas antes de Nathalie, seu pai — Orion — havia encorajado seu comportamento libertino assim que fizera idade suficiente para tal. Recordara-se de uma conversa em particular, onde fora alertado sobre sentimentos.
“Amor é um sentimento que nós, famílias nobres, não temos o luxo de sentir. Embora a responsabilidade de casar com uma bruxa do sagrado 28 para continuar a linhagem Black seja de seu irmão mais velho, não pense que você possa se permitir acreditar no que sente.” Fora o que Orion lhe contara na primeira vez que levou o filho para um bar bruxo, ele se serviu de um velho uísque e bebericou a bebida com o olhar distante.
“Mulheres podem ser persuasivas, mas nunca devem estar no controle — esse é o seu trabalho. Lhe é permitido ter quantas amantes quiser para que aqueça a sua cama, mas jamais se envolva com uma mulher que atente contra a honra do nome Black.”
Ele tinha apenas 12 anos quando escutou aquelas palavras. Aprendera sobre o como não podia se deixar levar por um rosto bonito, sabia exatamente o que fazer para não criar sentimento por nenhuma bruxa que levasse para a cama, suas relações eram intensas e efêmeras. Sempre estivera no controle, nunca relacionou-se mais de uma vez com a mesma pessoa, até que estivesse devastado o suficiente para baixar a sua guarda. Até que seus punhos se cerraram quando ficou diante da visão de Sirius fazendo Nathalie rodopiar em meio a um salão repleto de pessoas. O sentimento de ciúme lhe era estranho, porque ele sempre fora alguém calmo e controlado, embora pudesse ter certeza de que adoraria desferir um soco no rosto do irmão.
Porque ele sabia que Sirius sabia.
Sirius Black o conhecia muito bem, ele reconheceu o olhar em seu rosto, sabia o que estava fazendo.
A percepção de seus sentimentos por Nathalie o assustou, contudo, antes de todo orgulho que a educação dos Black havia moldado, para além de todo o preconceito que escutou por todos aqueles anos, a ideia de ter aquela garota distante era ainda mais assustadora. Ele estava em declínio, sabia disso, e ela, apenas talvez, fosse a única coisa que estivesse o puxando da maré.
Regulus Black estava brincando com uma faca de dois gumes, era questão de tempo para que ele começasse a sangrar.
~*~
— Ficamos impressionados com o seu potencial, — Dolohov disse lentamente, observando as reações do rapaz a sua frente — apesar de todo o alarde que seu irmão mais velho vem causando diante da mídia, nosso mestre acabou se interessando por você. Um pouco apagado, devo dizer, mas ainda assim uma jóia com potencial para ser moldada e se tornar algo espetacular.
O mundo de Regulus congelou.
Ele estava na festa de Slughorn, havia acabado de deixar Nathalie a sós com sua tia em um corredor, e assim que retornou ao salão foi abordado pelo homem da família Lestrange e um outro comensal da morte, parceiro de Dolohov.
Aquilo era tudo o que ele vinha ansiando que alguém lhe dissesse. Secretamente, desejava que alguém lhe valorizasse da mesma forma em que Sirius era colocado em um pedestal sem sequer tentar. Seus pais ficariam tão orgulhosos, talvez até esquecessem de toda a balbúrdia que Sirius havia feito nas últimas semanas. Ele.. ele iria conseguir arrumar sua família como sempre desejou. Estava certo de que conseguiria negociar com o irmão, fazer com que ele voltasse para casa.
Ele iria consertar tudo.
Precisou piscar com força para expulsar o nome de Nathalie de sua mente, estava ciente de que aquela decisão iria afastá-lo dela para sempre. Sabia que ela nunca mais o olharia com os mesmos olhos.
Contudo, Regulus cedeu a sua necessidade de se sacrificar pela sua família, pelo seu anseio de poder ser aquele que iria reparar aquelas relações quebradiças.
— Estou lisonjeado com a proposta. — respondeu com um sorriso educado no rosto.
Por um momento, ele se segurou a uma centelha de esperança, uma pequena possibilidade, de que conseguiria juntar os fios e fazer com que tudo desse certo no final.
~*~
Não demorou muito para que Regulus fosse chamado pelo Lorde das Trevas para se apresentar, na verdade, o intervalo de tempo entre a abordagem de Dolohov até a reunião não demorou mais do que alguns dias. O caçula dos Black mal conseguia sentir o tempo passar, os dias escorriam por suas mãos enquanto seus pais o enchiam de aconselhamentos. Aquela era uma honra grandiosa para a família Black, Orion havia exigido que Regulus retornasse para a Mansão Black durante o final de semana, para que pudessem comemorar.
Pela primeira vez em meses, os Black deram uma festa grandiosa para a elite bruxa. A família que até então era conhecida por manchetes de fofocas, agora estava diante da sociedade com todo o seu esplendor.
Enquanto o salão principal da mansão estava tomado por pessoas rindo e bebendo, Regulus sentiu a necessidade de escapar para o jardim. O rapaz sentou-se nas escadas, olhando para a lua nova, enquanto puxava um cigarro de seu maço, acendendo-o com a ponta da varinha.
Puxou o fumo com a boca, como se a fumaça intoxicante pudesse retirar de si toda a sua ansiedade e temores. Desde que recebera o convite de unir-se ao Lorde das Trevas, Regulus havia sido tomado por uma sensação devastadora de medo e ansiedade. Talvez estivesse tão preocupado em juntar o que restara de sua família, que não havia refletido o suficiente sobre o que seria tomado de si para que suas vontades fossem feitas. Ele sabia que nada naquele mundo era de graça, algo lhe seria cobrado.
Estava se sentindo especialmente sozinho naquela noite. Já se faziam alguns dias desde que não encontrava Nathalie, e de alguma forma, a distância que se formava entre os dois parecia se transformar em uma dor física. Precisava dela, ouvir sua voz melódica e ser o motivo daquele sorriso adorável.
Contudo, Regulus estava condenado a ser odiado por aquela quem se apaixonara.
A culpa o perseguirá eternamente.
— O que está fazendo sozinho, de forma tão deprimente, durante uma comemoração? — Belatriz indagou, pegando-o de surpresa.
— Fumando um cigarro. — respondeu de forma brusca. O uísque que havia ingerido fora o suficiente para poder dar uma resposta torta para a prima mais velha.
A cacheada sorriu de forma diabólica.
— Pobre Regulus Black, está parecendo um cachorrinho assustado. Eu, no seu lugar, estaria comemorando esse ato de bondade.
O castanho dos olhos do rapaz escureceu.
— É tão triste, pensar que eu preciso fazer o dobro do que você e seu irmão, para ter o mínimo de visibilidade, para ter as mesmas oportunidades. Sendo que nós dois sabemos que eu sou melhor do que os dois juntos. — ela rosnou.
— Cale a boca Bela. — foi tudo o que ele se permitiu dizer.
Ela riu, seu corpo se balançou freneticamente. Haviam momentos em que Regulus sentia medo de Belatriz, medo de quem ela poderia se tornar. Porque havia algo no olhar daquela mulher que sempre estava à espreita, algo mortal.
— Não me diga para me calar. — disse enquanto fazia uma careta infantil — Sou anos mais velha que você, e ainda assim precisei me relacionar com um Lestrange para poder ser aceita no grupo íntimo dele. Você não fez nada, e ainda assim está com uma feição abatida. Eu tive que dar tudo de mim, para poder conseguir estar ao lado dele. Então por que você está tão miserável, Regulus?
Após uma última tragada, o cigarro foi lançado ao chão.
— A minha existência é miserável, Bela. Agora, se me permite ser infeliz, deixe-me sozinho pelo resto da noite.
Belatriz o analisou com desprezo evidente em seu olhar.
— Eu sempre quis acabar com você, pobre Regulus Black, a ovelha branca da família. Tão bonito, perfeito e polido. Fadado a arrumar a confusão que seu irmão deixou para trás. Sua vida é fácil.
Contente com o impacto que as palavras haviam causado, Belatriz finalmente o deixou sozinho. Por algum motivo, os olhos de Regulus marejaram levemente.
Haviam alguns boatos que circulavam rapidamente pelos corredores de Hogwarts, que de certa forma, acabaram chegando até ele. Era o último ano de Belatriz em Hogwarts, muitos não saberiam contar o boato de forma correta, então toda aquela história possuía começos diferentes e meios iguais: de alguma forma, o renomado Rodolfo Lestrange havia se envolvido com sua prima. Alguns diriam que tudo começou durante um jogo de quadribol, outros diriam que fora num baile, e havia quem alegasse que o início do relacionamento se deu em um bar em Hogsmeade. A verdade era que tanto Rodolfo quanto Belatriz eram figuras instáveis, os dois iam e vinham, intensos demais, furiosos demais.
Sua prima era calculista o suficiente para saber onde estava pisando, e Rodolfo era esperto o suficiente para saber que precisava casar com uma mulher que tivesse um nome forte dentro do círculo fechado de puro-sangues.
Mais tarde Regulus descobriu que todas as versões sobre o começo do relacionamento de sua prima eram verdadeiras, Bela e Rodolfo haviam terminado e recomeçado tantas vezes que ninguém saberia dizer qual fora a primeira vez.
Não havia muito que Regulus soubesse sobre o amor, mas de algo ele estava certo, Belatriz não amava Rodolfo. A Black era possessivamente obcecada pelo rapaz, como uma criança birrenta que queria ganhar um presente de Natal. E a diferença entre o amor e a obsessão, é que a segundo possuía um tempo limite.
O que importava era que, Rodolfo era um recém iniciado entre o grupo chamado Comensais da Morte, fiéis seguidores de Lord Voldemort. Ainda naquela noite, Regulus conseguiu vislumbrar a tatuagem no pulso do sonserino. De alguma forma, aquela união bizarra parecia funcionar perfeitamente, Lestrange e sua prima possuíam uma determinação mortal para conseguir o que queriam.
E agora havia um anel de noivado os unindo.
— Você deve estar contente de ver Bela feliz. — Regulus comentou mais tarde, ainda naquela noite, com Andrômeda. Aos poucos ele entendia o porquê Andy era a prima favorita de Sirius, ela não era confrontadora que nem Bela e também não o julgava como Narcisa.
Andrômeda estava afastada dos demais, trajando um vestido preto simples enquanto segurava uma taça de champanhe. O olhar da garota estava distante.
— Acho que nunca vi Bela triste, minha irmã sempre encontrou um jeito de fazer com que as coisas acontecessem do jeito dela.
— Isso é verdade — ele concordou, embora tivesse arqueado suas sobrancelhas surpreso ao perceber que a prima estava certa.
A cabeça morena de Andrômeda virou-se em sua direção, de repente havia um sorriso no rosto dela.
— E você Reg? Tenho certeza de que você possuí alguém que não têm mostrado para a nossa família. Não adianta mentir para mim sabe, tive de lidar com Narcisa secretamente apaixonada, sei perceber esse tipo de sentimento nos outros.
Pela primeira vez naquela noite, Regulus riu.
— Oh, é mesmo? Por favor, disserte sobre a sua teoria.
O brilho desafiador nos olhos de Regulus fez com que Andrômeda sorrisse.
— Você não é discreto Regulus, todo maldito jogo de quadribol, quando você captura o pomo de ouro, seu olhar nunca vai para a arquibancada da sonserina. Não irei dizer o nome dela, porque estamos em um lugar público, mas consegui perceber o que havia entre vocês dois desde o início. É como se você sempre procurasse o olhar dela onde vai, querendo que ela te retribua. Nunca vi você assim antes.
Os dedos da mão de Regulus estremeceram lentamente, ele deu um gole demorado em seu uísque antes de criar coragem o suficiente para responder a prima.
— Não sei do que você está falando Andromeda — deu de ombros.
— Ah sim, você pode optar pela postura indiferente. De toda forma, seu segredo está guardado comigo, primo.
Ele revirou os olhos, contrariado. Haviam coisas demais acontecendo, era muito para a sua cabeça.
— Bela está noiva, acredito que Cissa deva estar com o herdeiro dos Malfoy, e você Andromeda? Sua postura de indiferença não me engana.
— Quem está agindo com indiferença é você Reg.
— E quem está despistando o tema da conversa é você. — Regulus respondeu com um sorriso amável, recebendo uma careta em troca.
O movimento no salão estava agitado demais para que um convidado sequer prestasse atenção no que os dois caçulas da família Black conversavam em silêncio, de longe, pareciam que conversavam amenidades. De perto, a situação parecia mudar, tanto Regulus quando Andromeda possuíam posturas defensivas.
— É engraçado, nós praticamente crescemos juntos, agora existe essa distância entre nós que nos coloca um contra o outro. — ele riu soprado — Parece que mudamos bastante esses últimos anos.
Depois de alguns momentos ponderando sobre as palavras que iria escolher, ela finalmente disse algo.
— Eu estou apaixonada por ele.
— E porque não te vejo andando com ele pelos corredores de Hogwarts? — Regulus ergueu a sobrancelha.
De alguma forma, ele já sabia a resposta antes mesmo de emitir a pergunta.
Andromeda desviou o olhar para o chão.
— Não escolhi que a situação fosse dessa forma.. Se mamãe descobrir tudo estará acabado.
— Sabe que não irá funcionar, — foi tudo o que Regulus murmurou em troca — nós, os Black, não temos o direito de nos apaixonar. Muito menos por… — esse pessoal, era o que ele gostaria de dizer, embora as palavras morreram amargamente na ponta de sua língua.
— Ainda assim você procura pelo olhar da garota dos Moreau onde quer que vá. — Andromeda o respondeu tão baixinho, que ele teve de ter certeza de que ela havia de fato falado aquelas palavras. — Você sabe muito bem como é a sensação Reg. Tenho certeza de que ela deve ser adorável, inteligente e gentil para poder ter chamado a sua atenção.
— Você não sabe do que está falando-
— Eu sei, sei disso porque olhei para você esperando encontrar algum tipo de conforto, torcendo para não encontrar nenhum julgamento. Mas me parece que você está tão confuso a respeito dos próprios sentimentos, que vai acabar se machucando sozinho. Foi um erro ter perguntado qualquer coisa sobre ela.
Ele franziu o cenho, tentando se manter de pé.
— Não estou te julgando Andrômeda, apenas te alertei sobre o que é prudente.
— Então porque não está seguindo o próprio conselho, Regulus? — disparou a pergunta, perdendo a paciência.
O rapaz desviou o olhar, seus fios castanho escuros encobriram seus olhos entristecidos.
— Quando se trata dela, prefiro ser um covarde a um homem prudente. É tudo tempo comprado até que as coisas desmoronem Andy.
Ao se virar para a prima, Regulus percebeu que os olhos castanhos de Andrômeda estavam marejando, porque ele era um espelho de seu futuro. Nunca poderia dar certo.
Era tudo tempo comprado.
~*~
Regulus sentia todo os músculos do seu corpo se contorcer de nojo, não faltava muito para que ele dobrasse em seus joelhos, e vomitasse tudo o que havia em seu estômago.
Ninguém havia lhe dito que as coisas seriam assim, ele não sabia que seria preciso de tanta violência para conseguir aquele maldito passaporte. Os comensais da morte estavam excitados com a ideia de ensinar para aquele garoto um pouco de arte das trevas, ver o rapaz ficar pálido enquanto tentava conjurar uma Maldição Imperdoável era quase que um espetáculo.
Ele se sentia repleto de raiva, nojo e ódio de si mesmo. Queria arranhar suas unhas por toda a extensão de seu corpo até que toda aquela sujeira se soltasse de sua pele, embora a culpa penetrasse sutilmente em sua alma.
— Tente com essa garota trouxa, será fácil dessa vez. Apenas performe a maldição da morte. Acredito que saiba como usá-la, certo?
Black travou o maxilar, furioso.
Um comensal encapuzado arrastou uma trouxa ruiva que não poderia ter mais do que doze anos de idade, ela não parecia ter ciência do que estava acontecendo naquela masmorra, embora o pânico em seu olhar demonstrava sua noção do perigo. Os homens riam com deboche ao mesmo passo em que os pelos do braço de Black se arrepiaram.
— Nos disseram que você é espetacular Black, seja tudo aquilo que nos garantiram e você conseguirá a sua marca também.
Tudo era tempo comprado, tudo era tempo comprado, tudo era tempo comprado.
As palavras se repetiam na sua mente, confundindo-se com as ordens de Dolohov.
Já havia visto diversos comensais performarem tantos crucios, escutara tantos gritos clamando por ajuda, por piedade, estava ficando tonto. Sua visão começou a se turvar, enquanto os pés se fincavam no chão. Foi tomado por ódio e por nojo, antes de tudo, de si mesmo.
Tentou ocupar seus pensamentos com a sua família feliz, unida. Sirius retornaria, como ele sempre acreditou, seus pais parariam de brigar durante os jantares. Tudo poderia ser melhor, ele poderia ser melhor.
Ainda assim, como um covarde, Regulus congelou.
— Avada Kedavra. — escutou as palavras soarem odiosamente do comensal ao seu lado, fora necessário apenas um feixe de luz verde para acertar o corpo da garota. A cabeça de ruiva fora de encontro ao chão, os olhos verdes estavam arregalados, olhando em direção ao teto, estava morta.
Dolohov o analisou em silêncio, o rosto de Regulus estava inexpressivo. Não havia sido capaz de performar a maldição da morte, embora não tenha expressado nenhum tipo de pavor ao assistir aquela cena.
Regulus tentou sorrir, porém não tinha forças para erguer os cantos de seus lábios, apenas fez o possível para ficar de costas para o cadáver. Embora ali fosse uma criança, ele não conseguia evitar visualizar o corpo morto de Nathalie Moreau em seus pés.
“Me diga Reg, o que há para se salvar nessa porra imunda?” Sirius havia perguntado meses atrás.
Nada, ele percebeu. Não havia nada para ser salvo.
Ele estava condenado a miséria, fadado a se afogar nos seus desejos mais íntimos de lentamente se matar para trazer a glória de volta ao seu nome.
~*~
— Muito bom, estou impressionado com o seu potencial, Regulus Black. Aproxime-se criança e receba a sua recompensa.
O caçula dos Black deu um passo à frente no escuro, estendeu seu pulso pálido para o Lorde das Trevas.
Voldemort sorriu.
— Morsmordre. — murmurou enquanto pressionava a ponta da varinha contra a pele alva.
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