Dancing With Our Hands Tied
8 7. Enlace certo
Notas iniciais

capítulo sete
Pouquíssimas eram as pessoas que ousavam dizer não para Genevieve Moreau.
A filha mais velha dos Moreau sempre fora mimada pela grande maioria das pessoas ao seu redor, e mesmo no auge de sua vida adulta, a mulher sempre esteve acostumada em ter as coisas exatamente como ela desejava. Talvez fosse por isso que o casamento de seu irmão com uma mulher trouxa foi um grande baque para si, quando finalmente percebeu que não possuía tanto poder sobre a vida alheia quanto imaginava. Havia até mesmo tentado apresentar outras mulheres, suas amigas, para Lamar, com a esperança de que conseguisse arranjar um casamento com uma mulher de uma família bruxa nobre. Tal coisa nunca aconteceu.
Os dois irmãos brigaram como nunca, e desde a morte de Lamar, cada lembrança de uma discussão a respeito de sua cunhada lhe deixavam com um gosto azedo na boca.
Já faziam anos que cartas eram enviadas para sua sobrinha, Nathalie Moreau, três anos sem sequer receber uma resposta.
Estar diante de sua sobrinha depois de tanto tempo era algo doloroso. Doía muito poder visualizar os traços de seu irmão do meio naquela menina, a forma em que ela arqueava as sobrancelhas em sinal de desconfiança era idêntico ao pai.
— Nathalie — murmurou.
Estava tão impregnada por memórias, tão abalada com a semelhança de sua sobrinha com o irmão, que mal se deu conta da presença de Regulus Black.
— Você não respondeu nenhuma de nossas cartas.
— Nossas? — Nathalie quase rosnou.
— MInhas e de Anne.
Anne era a filha caçula da família dos Moreau, e era a tia com a qual Nathalie nunca havia entrado em contato. Depois de conhecer Genevieve e seu jeito pomposo de ser, havia decidido que não queria conhecer a outra tia.
— Permita-me ter um momento a sós com a minha sobrinha — Genevieve murmurou para Regulus, embora seu olhar nunca houvesse se desviado de Nathalie. A Moreau mais nova não saberia dizer o que estava vendo no olhar de sua tia, não sabia explicar o porquê daquela súbita mudança de espírito.
Nathalie trocou um rápido olhar com Regulus, ele hesitou em deixá-la sozinha com alguém que não a inspirava segurança, mesmo assim, ela apenas fez um aceno com a mão, permitindo que ele partisse.
Quando as duas mulheres Moreau estavam finalmente sozinhas, Genevieve pode finalmente suspirar em sinal de cansaço.
— Ao menos leu o conteúdo das cartas que recebeu? — indagou.
A sobrinha negou com a cabeça, pois embora estivesse — no canto mais fundo de sua mente -, curiosa para saber do que as cartas se tratavam, o medo de ser algo ruim sempre a afastou de abrir os envelopes que escondia embaixo da cama. Sempre fora boa em despistar o conflito e manter-se em sua zona de conforto, afinal, não sabia se aguentaria mais baques em sua vida desde que seu pai partira.
Genevieve desviou o olhar, tencionando o maxilar.
— Por muito tempo achei que sua mãe estivesse escondendo as cartas de você, mas vejo que estava errada em meu julgamento.
— Minha mãe não sabe sobre as cartas. — foi tudo o que Nathalie se permitiu dizer.
Alguma coisa semelhante a decepção transpassou o olhar de Genevieve, a mulher parecia estar revisitando algumas memórias, ponderando algumas atitudes.
— Foi um pedido póstumo de seu pai, ele sempre quis que você crescesse em meio a graça e regalias que um Moreau. Consigo me lembrar de ter tido diversas discussões com o meu irmão sobre isso, ele sempre achou inadmissível que você não conhecesse sua outra família.
“A mais nova de nós, Anne, sempre foi mais esperançosa a respeito desse tema. Ela criou uma série de expectativas, crente de que você um dia poderia passar suas férias de verão na França, e ela lhe ensinaria tudo sobre a forma como somos educados para ascender como artistas da elite francesa. Só que eu sempre fui reticente, sabia que uma viagem desse tipo não iria agradar a sua mãe, e muito menos a mim.”
“Tudo mudou após a morte de Lamar, — o tom de voz tão imponente e decidido de Genevieve falhou, demonstrando a emoção que ela muitas vezes escondia sobre uma mascára de rigidez — ele nos enviou algumas de suas pinturas e desenhos, selecionou as melhores peças. Quando pude parar um tempo para apreciar, me peguei pensando que era tão cômico: você sempre fora uma Moreau de sangue e coração todo esse tempo, eu aceitasse ou não. O dom da expressão artística de nossa família brilhou em você garota, e foi através de um dos retratos que fez de seu pai, que eu percebi o como fui uma tola esse tempo todo.”
“Sabe que não sou o tipo de mulher que diz deliberadamente que agiu de forma estúpida, então acredito que deva estar entendendo a seriedade em meu tom quando peço para que você se junte a mim e a minha irmã para passar suas férias de verão no nosso casarão.”
Nathalie piscou, absorvendo lentamente cada fragmento de informação que Genevieve lhe cedia. De repente, parecia muita coisa para apenas uma única noite.
Seu pai tinha um desejo póstumo de que pudesse reparar as relações entre ela e as tias? Ele havia enviado cópias de suas artes para que as irmãs pudessem ver o quão orgulhoso era, da filha que havia criado? Um nó formou-se em sua garganta, Lamar Moreau era um otimista irreparável, em pensar que todos esses anos ele estava lutando em silêncio contra o preconceito da irmã sobre os nascidos trouxas. Cada vez que ouvia algo novo sobre ele, mais o admirava, mais o vazio que sua partida deixara em seu peito parecia diminuir.
— Posso ter um tempo para pensar? São muitas informações novas…
— Sem problemas. — Genevieve pareceu baixar os ombros, a tensão em seu corpo diminuía consideravelmente — Tome o tempo que precisar.
~*~
Nathalie retornou para a festa de Slughorn com os ânimos completamente abalados, não conseguia encontrar palavras para definir como estava se sentindo naquele momento. Primeiro o beijo compartilhado em segredo com Regulus Black, e depois o pedido de sua tia… Muitas coisas extraordinárias aconteceram em uma única noite para que pudesse dar conta.
A garota foi recebida de volta por um aceno de Slughorn, que tratou de a apresentar para uma jornalista do Profeta Diário e embora estivesse atenta a conversa que mantinha com os dois, Nathalie não pode evitar desviar seu olhar para Regulus. O sonserino estava um pouco mais afastado de si, envolto em uma roda de homens que muito provavelmente era constituída de uma linhagem nobre e sangue-puro. Ele tinha uma postura graciosa para com as pessoas mais velhas, ouvindo atentamente tudo o que os outros tinham a dizer.
Não se surpreendeu ao perceber que ele conversava com um membro da família Lestrange, que parecia estar bem entretido com o rapaz.
Rapidamente, sua atenção voltou-se para a jornalista, tornando a sorrir de maneira educada e comentar sobre o como ter nascido em uma família repleta de artistas e escolher seguir o mesmo caminho que seus familiares.
Mais tarde, ainda naquela noite, Nathalie e Regulus se juntaram diante dos membros da festa para anunciarem que todo aquele evento fora organizado pelos dois alunos em meio as detenções. Slughorn sorria contente, visto que o mesmo havia programado tal discurso para causar o efeito de que casas diferentes poderiam trabalhar juntas e criar resultados maravilhosos. Ele sempre fora um professor que gostava de coisas impactantes, aquela festa era exatamente o que planejara, pois sabia que a mensagem de Nathalie e Regulus seria transmitida para toda a escola.
~*~
Dias se passaram e Nathalie ainda não sabia o que pensar da conversa que teve com Genevieve, apesar de conseguir sentir a honestidade nas palavras da mulher, era difícil ter que deixar para trás todos aqueles anos de distância fria que havia entre ela e sua mãe. Pensou em enviar uma carta para a mãe, contar o que acontecera naquela noite e pedir por um conselho… só que ultimamente ela andava tão feliz, finalmente aproveitando sua vida de solteira. Nathalie não queria ser a pessoa que iria atrapalhar aquele momento.
Por outro lado, também se passaram alguns dias em que seu contato com Regulus Black foi praticamente nulo. Mesmo quando os seus olhos se encontravam em meio a multidão, ele nunca vinha até a sua direção, e sem as detenções acontecendo, eles não possuíam nenhum tipo de pretexto para se encontrarem sozinhos. Aquilo fez com que seu coração afundasse e uma série de dúvidas rondassem a sua mente, as palavras de Sirius Black durante a festa de Slughorn se faziam mais altas.
Nunca daria certo.
Talvez aquela noite, durante a festa de Slughorn, fosse apenas um momento semelhante aos contos de fadas dos trouxas — praticamente uma Cinderela. Algo arrebatador que acontecera apenas por uma única noite, e por fim, a realidade viera bater à porta.
Seus dias andavam sendo comuns, sua amiga grifina parecia ter abandonado o pensamento de que Nathalie estivesse escondendo algo que envolvesse o caçula dos Black. A única coisa que fugia um pouco da realidade eram as cartas, desde que havia conversado com Genevieve, as cartas pararam de chegar, então ela não precisava mais escondê-las debaixo da cama sem coragem para jogá-las fora e muito menos para lê-las.
Resignada com os acontecimentos de sempre, Nathalie estava caminhando em direção a biblioteca com um livro debaixo do braço e a mente longe. Tudo aparentava estar tranquilo, a movimentação fraca no corredor, as pessoas nos quadros penduradas nas paredes bocejando…
Uma mão agarrou-se a sua, e antes que pudesse pensar, Nathalie foi arrastada para trás de uma das enormes armaduras que ficavam posicionadas ao longo do corredor. Todavia, a surpresa lhe atingiu quando percebeu que por trás da armadura havia uma passagem. Antes que pudesse refletir muito sobre, já havia atravessado o pequeno portal que havia entre a parede do corredor e a estreita escadaria, deparando-se com o sorriso torto de Regulus Black.
— Oi — ele murmurou timidamente.
As sobrancelhas de Nathalie se arquearam em espanto, enquanto ela buscava raciocinar o que havia acabado de acontecer.
— Isso é uma passagem secreta.
— Sim.
— Como-
— Talvez essa seja uma das poucas vantagens de se ser irmão do incorrigível Sirius Black, descobri alguns dos vários esconderijos dele para fugir de Filch. — Regulus disse.
Ainda havia uma feição de desconfiança no rosto da Moreau, contudo, sua curiosidade era maior do que a vontade de erguer suas barreiras contra o sonserino.
— Por que me trouxe até aqui Black?
Ele tentou não se abalar pelo fato de que ela não o chamou pelo nome, procurou não refletir muito sobre o ponto de que ela tinha a plena razão de estar se comportando com desconfiança. Regulus simplesmente se afastara por algum tempo, por seus motivos — os quais ela obviamente não possuía, e nem deveria ter, conhecimento.
— Senti sua falta. — as palavras escaparam de forma fácil dos lábios de Black — Sei que estou sendo injusto, e que posso estar sendo contraditório… mas ao menos nisso estou sendo sincero.
Um suspiro foi o que Nathalie lhe ofereceu em resposta.
Os dois ainda estavam parados no começo da escadaria, cada um encostado em um lado da parede, uma distância segura entre os dois corpos.
— Não te julgo por ter se afastado, — Moreau deu de ombros — você faz parte do Sagrado 28, é claro que não vai querer ser visto ao meu lado nos corredores.
A boca de Regulus se abriu e fechou-se rapidamente.
— A sua família também fez parte do Sagrado!
— Em tese sim, — Nathalie franziu o cenho ao falar — embora a França certamente não tenha esse mesmo anseio que os britânicos têm em se segregar, a família Moreau foi cortada do Sagrado conjunto das famílias puro-sangue francesas assim que meu pai se casou com a minha mãe. O que ainda assim não torna a minha fala uma mentira, você não quer e não pode ser visto comigo. Compreensível.
— Nathalie.
Escutar seu nome na voz de Regulus Black lhe causou uma série de arrepios. Ela gostaria de poder identificar onde essa mudança começou, desde quando o simples contato com Regulus se tornou algo que esquentava suas bochechas e lhe deixava desamparada.
Se dissesse que não estava brava com o sonserino, seria uma mentira. Também sentia a sua falta, seja apenas para acompanhá-la enquanto a assistia pintar alguma paisagem, ou simplesmente para poder debater a respeito de algum livro. Havia se acostumado com a forma em que ele se inclinava para poder bisbilhotar o que quer que ela estivesse lendo por cima de seu ombro, tinha se tornado quase que uma rotina perceber que havia um faltando em sua mochila, e em seguida, encontrá-lo nas mãos dele.
Mas desde aquela noite, ela não sentia falta apenas da amizade que tinha com Regulus. Sentia falta da forma como ele havia a tocado no escuro, a sensação que ele a causou ainda a perseguia quando estava sozinha com seus pensamentos.
— Você me confunde, Regulus, uma hora me pede para ficar, me diz que sou seu lugar de paz e então, você se fecha completamente. Não pode me julgar por estar agindo assim — disse em um tom firme.
Ele acenou com a cabeça, um pequeno rubor se fez presente em suas bochechas pálidas.
— É perigoso Nathalie, a minha família é perigosa.
Nathalie riu baixo.
— Eu só quero que você faça sentido. Se eu estiver sendo um incômodo, não tem problema, você pode voltar para suas práticas de quadribol ou o que quer que seja. Só saiba que você não tem o direito de fazer uma confusão na minha mente! — não quando passei esses últimos anos sozinha, com uma barreira me protegendo de me aproximar de mais alguém a quem eu possa perder. Não quando eu tive que assistir meu pai partir ao mesmo tempo em que perdi aquele me chama de meu namorado. Eram as palavras que ela gostaria de dizer, porém permaneceram em sua mente. — Você é livre para ir.
A iluminação do corredor era bem fraca, contudo ainda assim era possível ver a tristeza no olhar de Regulus. Seus olhos castanhos pareciam opacos e distantes.
— Por favor, apenas faça sentido. Posso amar ler livros de mistério, mas sendo honesta, não tenho emocional para lidar com um.
— Eu não quero ser seu amigo Nath, nunca quis ser. — as palavras escaparam abruptamente da boca do sonserino — Nunca tive a intenção de me apaixonar por algo que não fosse a minha própria carreira e conquistas, nunca voltei a minha atenção para outras pessoas por tempo o suficiente para poder sentir algo. Nós, os Black, não somos uma família afetiva, não falamos sobre o que sentimos…
“Então você apareceu durante as detenções e ficou tempo o suficiente para que eu te achasse incrivelmente cativante. Eu não deveria, é claro, minha mãe ficaria horrorizada se soubesse, mas simplesmente não pude evitar. Mas você colocou — e ainda coloca — tudo aquilo que me foi ensinado em xeque, — Regulus não conseguiu evitar sorrir por um momento, olhando para a corvina em silêncio — você é tão inteligente que eu poderia te ouvir falar sobre filosofia por horas a fio, sua arte é espetacular e a sua presença é reconfortadora. É isso que eu não tenho te falado.”
“Você é uma das melhores coisas que me aconteceu em muito tempo, seria muito egoísmo da minha parte não querer expor nós?”
Conforme sua fala avançava, era notável que a voz de Regulus vacilava alguns tons, seus olhos castanhos tomaram um tom brilhoso. Caso não conhecesse a história da família Black, Nathalie talvez não acreditasse no que ele havia dito, contudo as emoções nas expressões faciais do rapaz verbalizava tudo aquilo que ele ainda não conseguia vocalizar.
A verdade era que Regulus Black estava quebrado a sua frente, deixando todas as suas vulnerabilidades expostas diante da garota. Era difícil dizer se em todo o tempo em que esteve em Hogwarts, Regulus de fato esteve ou ao menos foi feliz, ele sempre foi fechado e silencioso, poderia participar de um pequeno grupo de sonserinos mas nada que lhe desse uma sensação de intimidade. Durante todos aqueles anos, ele esteve sozinho.
Depois da partida de Sirius toda a sua vida tinha virado ao avesso, seu lar havia se tornado um ambiente instável, seus pais não pareciam ser as mesmas pessoas de antes. Todos estavam no seu limite, prestes a explodir. E ele queria carregar toda aquela culpa, peso e frustração em suas costas. Queria poder fazer algo capaz de aliviar o gosto amargo em sua boca, fazer com que sua família voltasse ao que eles consideravam ser normal. Preferia ter de escutar sua mãe e Sirius brigarem nos jantares, do que lidar com a ausência de seu irmão mais velho, olhar a cadeira que ele costumava ocupar vazia.
Em algum momento eles receberam notícias de Sirius por terceiros, ele estava vivendo com os Potters. Regulus sentiu que poderia explodir de raiva, porque enquanto o seu lar havia se tornado um ambiente desajustado e cruelmente vazio, Sirius estava feliz com os amigos que ele escolhera chamar de família. A sensação de rejeição sempre lhe atingia com força, ele não era família de Sirius também? Ele realmente merecia passar por tudo isso sozinho?
Regulus mal percebeu que havia se perdido em seus pensamentos, enquanto seu olhar se fazia distante, Nathalie o observava em silêncio, como se pudesse ler suas feições cuidadosamente.
Você é uma das melhores coisas que me aconteceu em muito tempo. As palavras reverberaram na cabeça de Nathalie. Ela poderia pensar em sua melhor amiga que a aconselhara a se afastar de Regulus, poderia simplesmente trazer à tona o exemplo de sua família paterna — um motivo claro para não se aproximar dos Black. Mesmo assim, nenhum daqueles pensamentos a impediu de dar um passo à frente e estender suas mãos para tocar o rosto de Regulus.
Seus olhos se fecharam por um breve momento, tudo o que conseguia sentir era a pele de Regulus em seus dedos, macia ao toque. Ele também era uma das melhores coisas que lhe acontecera há um bom tempo. Todos aqueles anos desde a partida de seu pai, ela se fechara completamente, havia se acostumado a viver uma rotina interminável para não refletir muito a respeito de seu luto. Aula de runas, artimancia, estudos sobre a cultura trouxa, clube de arte, clube de teatro, grupos de estudos, livros e mais livros. Sempre esteve atrás de um escapismo, qualquer que fosse, para que não pudesse sentir novamente, para que não se tornasse vulnerável e suas barreiras caírem.
Ali, em uma passagem secreta estreita de Hogwarts, Regulus Black e Nathalie Moreau deixaram suas barreiras emocionais caírem.
Ele envolveu a mão da garota que segurava seu rosto, sentindo cada calo na ponta de seus dedos. Sentindo seu toque.
— Você também é a melhor coisa que me aconteceu Reg.
Não foi necessário para que a corvina abrisse os olhos, Regulus segurou seu queixo gentilmente e chocou seus lábios contra os dela. Seu toque era suave e lento, mesmo quando ele entreabriu os lábios para introduzir sua língua na boca da garota, ainda assim seu beijo era tortuosamente lento, como se ele soubesse exatamente o que fazer para que Nathalie se rendesse ao seu toque.
As mãos de Regulus seguraram a cintura de Moreau com firmeza, estavam tão próximos que ela poderia sentir o calor emanando do corpo dele. Algo sobre o toque dele, a forma como os lábios se encaixaram em uma dança lenta, como ele lentamente sugou sua língua deixando-a à deriva das emoções extasiantes que o sonserino causara... Algo sobre aquilo era certo, não havia dúvidas.
Nathalie soube, ali, que havia um conforto em estar emaranhada no abraço de Regulus. E ele estava prestes a descobrir que para aqueles que tinham um lar quebrado, talvez fosse necessário apenas enlace com o corpo certo, para que ele se sentisse em casa novamente.
Estavam sozinhos de mãos atadas, com um sentimento recíproco que jamais deveria ser exposto ao mundo bruxo. Enquanto os olhares julgadores não os observava, eles estavam dispostos a fazer com que aquela sensação durasse.
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