Dancing With Our Hands Tied

3 2. Algumas tradições foram feitas para serem quebradas


Notas iniciais
Feliz ano novo para vc que está lendo esse capítulo! ♥ me perdoe pela demora, e espero que goste desse capítulo :) boa leitura!

capítulo dois

A manhã mal havia começado e Nathalie já havia sido notificada duas vezes de que naquele dia suas detenções com Regulus Black começariam. A princípio ela ficou espantada que o filho mais novo dos Black não fora poupado da detenção, afinal famílias grandiosas como a dele conseguiam se safar de qualquer coisa. Depois passou a odiar a ideia de ter que passar o tempo de seu dia ao lado daquele garoto.

Ela não era uma garota de emoções muito fortes, mas naquele momento Regulus Black estava conseguindo despertar uma raiva que ela não sabia que poderia ter. Moreau sempre esteve acostumada a evitar o conflito e optar por saídas mais calmas, contudo era complicado se evitar um problema quando ele caía em cima de você na frente de toda a escola. Querendo ela ou não, agora as pessoas cochichavam sobre aquele incidente infeliz enquanto ela caminhava pelos corredores. Ser o centro das atenções era uma porcaria, ainda mais quando ela sempre esteve acostumada a levar uma vida calma.

Seu chá de erva doce no café-da-manhã não conseguiu aliviar a tensão em seus músculos, nem mesmo as palavras confortadoras de Simone, torcendo para que tudo desse certo. Não havia a mínima chance daquilo funcionar, porque Regulus Black havia decidido que ela era menor pelo simples fato de que Nathalie carregava sangue mestiço em suas veias. Que os deuses a ajudassem para que ela não o estrangulasse, passar o resto de sua vida em Azkaban não estava em seus planos.

O Professor Flitwick havia lhe dado as informações a respeito da detenção uns dias atrás, ele parecia estar desapontado com uma de suas melhores alunas ter se envolvido em um conflito como aquele. Seriam 4 sessões que aconteceriam uma vez por semana aos sábados, um mês. Ela teria de conviver com Regulus Black por um mês.

Quando o horário da detenção chegou, Nathalie encolheu-se em seu suéter branco enquanto caminhava em silêncio em direção às masmorras. Tentou não se importar com as coisas rudes que Pirraça murmurava ou com as fofocas que as mulheres nos quadros contavam em voz alta, pela primeira vez no começo daquele ano letivo, ela quis ir para casa.

― Boa tarde Professor Slughorn. ― disse timidamente enquanto entrava na sala de Poções, não se surpreendeu com o ambiente bagunçado. Os professores sempre aproveitavam os alunos que ficavam em detenção para limpar as salas desarrumadas.

Slughorn ergueu o olhar de um frasco com um líquido verde viscoso e então lhe direcionou um sorriso agradável.

― Srta. Moreau, bem na hora! Vou precisar da sua ajuda e do Sr. Black, que ainda não chegou, para catalogar esses frascos com algumas poções. Estou preparando conteúdo para a minha próxima aula com os alunos do sétimo ano. ― explicou.

Ela assentiu, interessada pela infinidade de frascos dispostos na mesa do professor. A corvina se aproximou da mesa enquanto segurava alguns vidros, observando os líquidos coloridos enquanto Regulus Black irrompe na sala.

― Ah, Sr. Black, estávamos falando sobre você! ― Slughorn acenou sorridente para o aluno.

Nathalie ergueu a cabeça, seu olhar cruzou com o de Black. Naquela tarde ele vestia um moletom cinza e uma calça jeans, o que era uma visão contrastante com as roupas luxuosas que costumava trajar. As marcas abaixo dos olhos dele declaravam que o rapaz andava dormindo muito pouco nos últimos dias.

― Vocês precisarão catalogar essas poções. Deixei um guia sob a minha mesa para que vocês consultem na hora de identificar as poções. ― ele apontou para o livro que não estava muito distante de Nathalie ― Receio ter que deixar os dois sozinhos por muito tempo, mas tenho um compromisso muito importante, uma reportagem com uma jornalista do Profeta Diário. Estarei de volta em algumas horas!

Antes que um dos dois pudesse se dar conta, Horácio Slughorn desapareceu da sala, deixando-os a sós.

― Não vai me pedir desculpas por nos colocar nessa situação ridícula?

Demorou para que a corvina percebesse que aquelas palavras haviam sido direcionadas para ela.

― Depende, você vai me pedir desculpas por ter me machucado? ― indagou enquanto o olhava furiosa.

Regulus cruzou os braços indignado com a postura da francesa.

― Você tem culpa por estar lendo um livro em uma arquibancada, se estivesse atenta poderia ter desviado. Foi uma atitude bem estúpida, se me permite dizer ― disse por fim, depois de passar alguns momentos a olhando indignado.

― Bom, ― Nathalie bateu sua mão contra a mesa de madeira, fazendo com que os frascos balançassem. Era difícil formar um argumento quando sabia que aquele maldito sonserino não estava errado ― me desculpe se eu praticamente nunca vou a jogos de Quadribol, e apenas fui nesse último a pedido de uma amiga. A última coisa que eu queria ver era você se empertigando em uma vassoura para o seu fã clube poder tirar fotos!

― Empertigar? De onde raios você tirou essa palavra? ― a expressão furiosa no rosto do Black desmanchou-se e seus lábios se ergueram enquanto ele disparava a rir como não fazia há tempos.

Nathalie não se abalou com a visão de Regulus rindo, embora a forma como seus olhos se fechassem ao rir fosse realmente algo raro de ser visto. Tentou não pensar na semelhança gritante que Regulus tinha com Sirius, eles eram parecidos quando estavam rindo, as feições de felicidade eram praticamente as mesmas, o que era surpreendente. Era bizarro pensar que alguém como Sirius fosse irmão de Regulus, embora os dois fossem bem convencidos, cada um à sua maneira. Ainda mais assustador, era perceber que aquela era a primeira vez que assistia Regulus Black demonstrar algum sentimento que se aproximasse de uma ligeira e espontânea felicidade.

Sem muita paciência para lhe dirigir a palavra, ela voltou-se para o guia de Slughorn, debruçando-se enquanto lia as instruções do livro. Ela era uma boa aluna em Poções, o mesmo valia para o Black a sua frente, se conseguissem trabalhar bem aquela tortura terminaria mais rápido do que esperavam.

― Espero que tenha uma Felix Felicis perdida no meio dessa mesa, vou precisar para poder sair dessa sala com a minha paciência intacta. ― ela resmungou baixinho.

Regulus revirou os olhos.

― Não seja tola, se existir uma Felix Felicis nessa mesa eu irei roubá-la para o próximo jogo de quadribol.

Nathalie bufou exasperada, primeiro porque jogar Quadribol sobre efeito da poção da sorte era ilegal e segundo porque aquele garoto era tão… insuportável!

― Ande Moreau, me passe esse livro, também preciso ler as instruções do Slughorn.

A garota ergueu o livro na direção do sonserino e por um pequeno momento seus dedos se encostaram, ela sequer se permitiu sentir o começo de um arrepio, afastou seu corpo dele como se tocá-lo fosse algo contagioso. Black pareceu perceber aquele pequeno ato, porque ergueu uma sobrancelha involuntariamente.

Os dois permaneceram em silêncio por bons momentos enquanto catalogavam as poções, eram diversos frascos e além de identificá-los, Slughorn costumava guardar cada poção em um armário específico o que certamente iria consumir uma parcela considerável de tempo. Nathalie estava sentada sobre uma cadeira enquanto seu pé agitava-se inconscientemente, ela cheirava frasco por fracos, remexia os líquidos buscando analisar suas cores e então anotava o nome da poção em um pedaço de pergaminho. Assim que ela terminou de nomear um frasco, Regulus franziu o cenho, apanhando-o antes mesmo que ela pudesse impedi-lo.

Ele levou o frasco ao nariz e tornou a encarar o nome que Nathalie colou no frasco.

― Isso é uma Amortentia e a outra poção que você etiquetou é a verdadeira Poção do Morto Vivo.

― Eu sei o que estou etiquetando Black. ― respondeu ríspida.

― É mesmo? Então me diz qual é o cheiro desse frasco.

Nathalie tomou a poção da mão do rapaz e levou o frasco até o nariz. Ela já havia cheirado sua Amortentia diversas vezes antes, sabia qual seria o odor de cor: hortelã, chocolate, rosas amarelas e um perfume que ela nunca soube determinar o que era. Sentiu uma onda de decepção quando percebeu que aquela era, de fato, a poção do amor, e que Regulus a olhava como se esperasse que ela informasse o cheiro da poção.

― Não vou lhe dizer o cheiro da minha Amortentia, se é o que está pensando.

Ele sorriu vitorioso.

― Como eu disse, você etiquetou o frasco errado.

Em silêncio, ela trocou a etiqueta do frasco com uma expressão irritada.

― Não precisa vestir uma armadura contra mim, Moreau. Para o seu conhecimento, estou cansado demais para brigar no momento. ― aquilo poderia ter soado como uma provocação, contudo o tom de voz de Regulus apenas confirmava seu cansaço.

― Como pretende que eu baixe a guarda se há poucos dias você estava fazendo pouco caso do meu sangue? ― Nathalie Moreau ergueu o queixo em direção ao Black, como se estivesse prestes para o combate. Para o que quer que fosse a fala preconceituosa que ele iria soltar.

O outro por sua vez, apenas deu de ombros.

― Eu não falei nada demais, apenas disse que minha família é grandiosa e tradicional e o mínimo que pessoas como você podem fazer, é nos respeitar. ― ele entoou as mesmas palavras de sua mãe, Walburga, havia escutado discursos como aquele por toda a sua vida. Aquela era a primeira vez em que alguém o contrariava.

― Você está ouvindo o que acabou de falar Black? Ou não consegue perceber que está insinuando que mestiços ou nascidos trouxas não possuem o direito de ter suas famílias respeitadas. Quem você acha que é para ditar algo tão cruel assim? ― Nathalie juntou suas forças para indagar, seu cenho estava franzido conforme falava.

― Não estou ditando nada Moreau, isso é simplesmente tradição. Algo que eu aprendi com os meus pais, e meus pais aprenderam com os meus avós…

Ela riu fraco, indignada com aquele discurso absurdo.

― Algumas tradições, Regulus Black, foram feitas para serem quebradas. Em momento algum alguém lhe deu motivo para desrespeitar outras famílias, então ao menos tente guardar sua superioridade ridícula para si.

Regulus a fitou em silêncio, sentia-se tentado para dizer que não teve a intenção de ofendê-la daquela forma, apenas estava salientando a importância de sua linhagem, o que era conhecimento de qualquer pessoa no mundo bruxo. Então sentiu-se patético, por que raios de motivo estava querendo se justificar para Nathalie Moreau?

“Algumas tradições, Regulus Black, foram feitas para serem quebradas.” as palavras dela se repetiam em sua cabeça, e de alguma forma aquilo lhe lembrou de seu irmão, Sirius. As últimas discussões dos dois sempre davam um jeito de retornar a sua mente, seu irmão mais velho gostava de chamá-lo de covarde por se conformar com o que sua família havia lhe ensinado, achava patético que a única ambição de Regulus fosse se tornar um comensal da morte. Mas enquanto Sirius era o motivo de dor e desonra da família, ele sentia-se tentado a ser aquele que iria consertar toda aquela bagunça, que iria honrar o nome de seus pais, trazendo orgulho para sua casa.

Eram sentimentos doloridos e conflitantes, que ele não esperava trazer à tona quando estava parado diante de Nathalie Moreau. Regulus estremeceu quando viu que Nathalie havia percebido através do olhar que algo nele estava estilhaçado, que o filho mais novo dos Black não era tão perfeito assim, e que sua vida era marcada pela solidão e por ressentimento.

De repente ele estava de volta a sala de poções, sentindo-se ridículo diante da garota de pele marrom claro.

― Você não poderia entender o peso de uma tradição. ― foi tudo o que conseguiu dizer.

Moreau deu de ombros.

― Com todo o respeito a sua família grandiosa, mas eu prefiro viver uma vida sem todas essas limitações absurdas.

Regulus abriu a boca, porém nenhum som saiu, à semelhança daquela garota com seu irmão mais velho era espantosa. Por um momento ele sentiu-se como se ainda fosse uma criança observando a imagem de Sirius, seu irmão mais velho, seu melhor amigo e o exemplo que ele iria seguir. Como haviam ficado tão distantes, e ele, tão sozinho?

Por que mesmo quando havia escolhido o caminho errado, Sirius aparentava estar mais feliz do que ele?

Os olhos cor de amêndoa de Nathalie recaíram sobre Regulus, ela pode perceber a confusão no olhar do rapaz enquanto ele aparentava remoer uma série de sentimentos em silêncio. A corvina sempre foi muito boa em ler as emoções das pessoas, e ver alguém com aquela dor transbordando em suas feições… Era difícil não se sentir tentada a ajudá-lo, a fazer com que ele se abrisse. Foi necessário que ela piscasse e relembrasse quem ele era, Regulus Black, o filho mais novo da família Black e um adepto da tradição obsoleta e segregacionista dos puro-sangue.

Não havia porque demorar seu olhar nele, por isso ela tratou de continuar fazendo suas obrigações em silêncio, mesmo que parte de si ainda insistisse em tentar ouvi-lo.



~*~



Quando Slughorn retornou até a sala de Poções, as masmorras estavam no mais profundo silêncio. Regulus e Nathalie trabalhavam quietos, cada um com o corpo inclinado para uma direção diferente. O diretor da Sonserina estreitou os olhos na direção dos alunos, surpreso em perceber que mesmo com aquele clima de tensão ambos haviam conseguido trabalhar juntos bem o suficiente para que praticamente todas as poções estivessem identificadas e separadas.

Ele se recordava perfeitamente das palavras do Prof. Dumbledore a respeito daqueles dois alunos, e mesmo assim, não conseguiu ver onde aquela série de detenções poderia levá-los. Não quando ambos sequer se esforçaram em realizar o mínimo de comunicação necessária para um trabalho em grupo. Assim, sua mente logo se direcionou para uma ideia um tanto arriscada, mas que certamente conseguiria atingir as expectativas do diretor.

― Creio que vocês dois tenham conhecimento da festa que costumo dar no final do ano, um evento reservado para membros do meu clube. ― Slughorn começou a falar utilizando seu tom manso, não demorou muito para que os olhos de Regulus brilhassem em interesse. O professor soube ali, que em partes, havia conquistado seu objetivo. ― Costumo receber artistas, jornalistas e outras figuras importantes do mundo bruxo além dos meus queridos alunos. É um evento de socialização bem interessante se me permitem dizer.

Com a última frase de Slug, Nathalie ergueu as sobrancelhas.

― Então, resolvi sugerir ao Professor Dumbledore que a detenção de vocês dois esteja voltada para me ajudar a planejar a festa que ocorrerá em breve. E claro, ao final da detenção vocês terão a oportunidade de comparecer ao baile. ― Slughorn sorriu com gosto quando percebeu os olhares confusos de Regulus e Nathalie.

Regulus olhou para seu professor com um brilho de curiosidade no olhar para que entendesse o objetivo daquela prova. Como o bom sonserino que era, Horácio Slughorn não dava ponto sem nó, logo deveria haver alguma coisa nas entrelinhas que ele havia deixado passar despercebido.

— Quais são suas condições, professor? — o rapaz fez a pergunta a qual Slughorn tanto queria responder.

Um sorriso torto espalhou-se pelo rosto do professor de poções.

— Não é de hoje que nós temos conflitos agressivos em partidas de quadribol, e certamente não queremos banir o esporte por tempo indeterminado. Mesmo assim, o embate entre vocês dois ergueu os ânimos dos alunos de uma forma indesejada. — ele continuou a falar antes que Nathalie pudesse sequer abrir a boca indignada — Para acalmar os ânimos da escola, uma oportunidade de mostrar o como a relação de vocês dois melhorou significativamente seria uma aparição a minha festa.

"As detenções foram feitas com o objetivo de que vocês ao menos se comuniquem de uma forma não-agressiva. Convenhamos que a Corvinal e a Sonserina não costumam ter uma rivalidade tão furiosa quanto ao que vocês apresentaram alguns dias atrás, assim, nada mais do que justo reatar esse clima de amenidade mesmo que seja através de aparências.”

As palavras de Slughorn eram bem maquiadas e elaboradas, mesmo assim Regulus e Nathalie permaneciam em silêncio, compreendendo exatamente o que ele queria dizer. Já era um fato conhecido por toda Hogwarts que após o empurrão que Black recebeu de Nathalie, uma briga desorganizada iniciou-se na arquibancada. O clima tenso transformou-se em uma multidão furiosa com punhos voando para todos os lados. Os professores queriam uma imagem de que Regulus Black e Nathalie Moreau haviam se perdoado e logo não haveria motivo para briga, e escolheram Slughorn para lhes vender a ideia de uma forma deliciosamente tentadora para ambos os lados.

Depois de bons tempos em silêncio, o olhar de Regulus e Nathalie se cruzou. Um analisava o outro em silêncio.

— Nunca imaginei que alguém fosse me odiar tanto por causa de um livro. — Regulus murmurou, por fim.

A corvina suspirou, perdendo a vontade de insistir muito na conversa a ponto de iniciar uma nova discussão.

— Bom, não era um livro qualquer.

As sobrancelhas grossas de Regulus se ergueram em uma pergunta silenciosa.

— Emma, da Jane Austen. Minha mãe me deu esse livro de presente. — disse em voz baixa, desviando o olhar para outro canto da sala enquanto o moreno assimilava as palavras dela.

— Literatura trouxa, não sabia que-

Antes de sequer dizer algo do qual poderia se arrepender, Regulus guardou o comentário para si. Estava mais do que óbvio que desmerecer a literatura que a francesa consumia não iria melhorar a situação em que os dois se encontravam.

— Sinto muito pelo seu livro. — ele falou. Em partes, havia verdade em sua fala. Se Regulus imaginasse tamanha confusão que uma edição de “Emma” poderia lhe causar, então ele nunca se jogaria contra a arquibancada. Não quando aquele incidente lhe rendera uma carta de Walburga, ele perdera a conta de quantas vezes a mãe mencionou a palavra “desgostosa” e “decepcionada”.

O professor da casa das cobras apenas assistia a dupla interagir de forma tímida com uma expressão indecifrável.

— Por mim tudo bem, posso comparecer a sua festa acompanhada do Black. Também posso ajudar na decoração, sou ótima com trabalhos manuais. — Moreau disse por fim, direcionando um pequeno sorriso ao professor.

— Ah, Srta. Moreau, já ouvi falar muito bem de seus dotes artísticos! — Slughorn comentou animado, em seguida seus olhos pousaram em Regulus.

— Eu aceito. — foi tudo o que o caçula dos Black respondeu, dando a Horácio o gosto de vitória que ele tanto queria.