Dancing With Our Hands Tied

4 3. Odiosa perfeição


Notas iniciais
boa leitura!!

capítulo três



— Você tem certeza mesmo, Nath? — Simone Doyle indagou com uma faísca de preocupação no olhar. A grifinória conhecia sua melhor amiga muito bem, e naquela manhã era visível a indisposição da corvina.

Nathalie apenas acenou com a cabeça em sinal positivo.

Era um domingo de manhã, o que significava que boa parte da escola estaria vazia visto que os alunos iriam realizar uma visita ao povoado vizinho: Hogsmeade. Contudo, desde que fora convidada para assistir o jogo de quadribol pelo garoto que gostava, agora Simone tinha um encontro com Dominic em Hogsmeade. Sua amiga não poderia estar mais feliz por ela, logo, estava fora de cogitação segurar vela para o novo casal. Enquanto Simone se divertia com o artilheiro do cabelo trançado, Nathalie daria um jeito de encontrar algo que pudesse ocupar sua mente durante o dia.

— Tudo bem então, falo com você mais tarde no jantar! — Simone se despediu da corvina, dando-a o espaço que a mesma precisava para poder digerir seus sentimentos.

Enquanto apoiava os cotovelos na mesa do Salão Principal, os cabelos castanhos encaracolados de Nathalie caíam sobre o ombro coberto pelo suéter de tricô branco. Os acontecimentos da última tarde ainda perambulavam por sua mente deixando-a pensativa, tudo havia acontecido de forma tão repentina que ela não teve tempo de contar para sua amiga o que havia acontecido.

O simples pensamento fez com que seu olhar se desviasse para a mesa da Sonserina, que naquela manhã estava bem barulhenta e animada. Não foi muito difícil localizar a família Black, eles eram o tipo de bruxo que sempre chamaria atenção onde quer que fosse. As irmãs Black e Regulus eram algo a ser observado.

Havia a pomposa Narcisa Black com seus longos e lustrosos cabelos loiros, algo sobre o rosto dela passava uma sensação de superioridade, como se ela fosse uma espécie de rainha sem trono. Ao lado da loira estava a Black de cabelos volumosos e cacheados, Bellatriz, que aparentava estar entediada enquanto girava sua varinha em suas mãos. E no canto, ficava a irmã Black, a qual as pessoas não costumavam prestar muita atenção: Andrômeda, que conversava em silêncio com Regulus.

Olhar para aquela família fez com que um sentimento doloroso se despertasse no peito de Nathalie, uma sensação de desconforto se espalhou por seu corpo enquanto ela fechava os olhos, lutando para não visualizar a memória em sua mente, tentando não pensar no motivo pelo qual havia uma pilha de cartas lacradas debaixo de sua cama. Abruptamente ela levantou-se da mesa, deixando um café da manhã intocado para trás.

A garota procurou se esgueirar pelos corredores movimentados em silêncio, passando despercebida enquanto caminhava para fora do castelo. Apenas respirou um pouco aliviada quando sentiu a brisa matutina soprar sua bochecha, como se o simples contato com a natureza pudesse aliviar a queimação em seu peito. Desejou ter sua edição de Emma ao seu lado quando se sentou na grama diante do Lago Negro, porque seria uma forma fácil de fazer com que seu coração se acalmasse em meio as palavras de um bom livro.

Com um suspiro, Nathalie revirou sua mochila até encontrar uma série de papéis em branco e uma pena. Seu olhar se perdeu no horizonte, na forma em que o céu encostava gentilmente no lago, nas nuvens que encobriam os raios solares e davam indícios que em algumas horas o clima se tornaria chuvoso.

Fazia um tempo que ela não tentava algo assim, contudo, ela permitiu molhar a pena em um tinteiro e iniciar uma série de traços livremente ao longo do papel.

Produzir arte sempre foi algo que acalmava seu íntimo, e desenhar de forma livre e despojada era uma boa forma de simplesmente externalizar o que ela estava sentindo porém ainda não compreendia. Foi difícil não conter o sorriso enquanto se lembrava dos elogios que seu pai sempre fazia quando a encontrava desenhando na sala de estar, ele acreditava que ela seria uma boa pintora no futuro.

Então ela fechou os olhos, permitindo-se, deixando suas mãos traçarem livremente conforme colocava a melancolia para fora.

— Merda. — murmurou sozinha, assim que pode visualizar o desenho que estava se formando. Era a mesma visão que estava presa em seu subconsciente desde o dia anterior.

Era impossível não olhar para aquelas sobrancelhas grossas entortadas em uma expressão de dor, enquanto os olhos castanhos brilhavam como se fosse milhares de pedacinhos de vidro estilhaçando. Ali, diante de seus olhos, estava uma representação do que havia enxergado em Regulus Black. A dor que o desenho transmitia era tão real, tão palpável…

— Não duvido que ele seja miserável, vivendo uma vida repleta de tradições recheadas de hipocrisias. — as palavras escaparam de sua boca enquanto ainda analisava os traços.

Não importava o quanto não gostasse de Black, suas mãos haviam conseguido delinear cada odiosa perfeição nas feições do rapaz. Mas havia algo que Nathalie somente reparou após ter o desenho pronto em suas mãos, algo que não notou quando estava diante do sonserino.

Naquele desenho, Regulus Black aparentava estar terrivelmente sozinho.



~*~



— Patético. — Narcisa comentou enquanto torcia o nariz em um claro sinal de desgosto, ao seu lado, Bellatrix apenas enrolou uma mecha de cabelo em sua varinha.

A manhã mal havia começado e Regulus sentia que poderia retornar para a sua cama pelo resto do dia, porque ele preferia passar o domingo inteiro inconsciente do que ver a reprovação no olhar de suas primas. Ao mesmo tempo em que ele desejava que elas se orgulhassem dele, Regulus também rezava para que calassem a boca.

Podia jurar que não aguentava mais escutar Bellatriz debochar dele, um Black que teria de acompanhar uma mestiça para um baile para manter aparências. Aquilo o enfureceu por dentro, porque Sirius estava constantemente se envolvendo em escândalos e ninguém parecia se importar, agora o mínimo erro que ele cometia se tornava motivo para apedrejá-lo. Foi necessário engolir a raiva diversas vezes naquela manhã.

— Olhando pelo lado bom, a tal Moreau parece ser uma garota legal Reg. Imagine ter de ir à festa do Slug ao lado de uma grifinória? Os corvinos são mais toleráveis e agradáveis, se me permite dizer. — Andromeda comentou enquanto lhe oferecia um sorriso gentil.

Não o surpreendia o fato de ela ser a prima favorita de Sirius, já que Andromeda sempre seria a prima que procuraria pensar de outra forma ao mesmo tempo que também seria gentil e atenciosa.

— Não existe um lado bom, — Bellatriz evidenciou o óbvio — todas as opções são humilhantes.

O olhar da prima faíscou enquanto ela observava Regulus com deboche contido.

Regulus sentiu seu maxilar ficar enrijecido, sentia como se desde que Sirius havia decidido travar uma guerra dentro de casa, que todos estavam esperando que ele decepcionasse sua família também. O rapaz optou por ficar calado diante das palavras da prima, certo de que aquele assunto já estava o irritando mais do que o suficiente.

Depois de momentos seguidos por um silêncio constrangedor, as irmãs mudaram de assunto e ele pode ficar a sós com seus pensamentos, algo com o qual já estava acostumado. Apesar de ser um ótimo apanhador, vir de uma família rica e ser conhecido por toda a escola, Regulus Black era muito mais introvertido do que o seu irmão mais velho. Ele não saberia dizer se o seu silêncio se iniciou com o costume de sempre ser a sombra de Sirius, ou simplesmente pelo fato de que sua infância fora muito barulhenta, repleta de memórias de sua mãe gritando com o irmão... Então talvez o fato de ele guardar seus sentimentos para si fosse justificável.

Quando pequeno Regulus adorava visitar a casa de suas primas, Bellatriz costumava ser uma criança enérgica e divertida, embora um pouco cruel, contudo conforme crescera sua prima não lhe direcionava nada mais do que olhares repletos de decepção. Como se Regulus fosse fadado a ser a sombra de um rebelde dissidente.

Com um suspiro cansado, o sonserino levantou-se da mesa sem dar muitas explicações para suas primas. O cachecol com as cores verde e prateado balançavam conforme ele saía do castelo com o objetivo de tomar um pouco de ar puro, visto que ultimamente tudo andava o sufocando demais.

Ali parado, ele conseguiu ver a silhueta de Nathalie Moreau sentada diante do Lago Negro com uma folha em mãos. Seria uma vista comum, caso a forma em que aquela garota deslizasse sua pena pelo papel não fosse... mágica. A corvina sorria timidamente consigo mesma enquanto traçava linhas e linhas, vez ou outra seus olhos se perdiam no horizonte do lago, como se estivesse navegando nos seus sentimentos mais profundos, vagando até encontrar algo que pudesse transformar em arte.

Contudo, o que mais surpreendeu Regulus em toda aquela cena, é que apesar de ela estar sorrindo sozinha com um pedaço de papel em mãos, Nathalie Moreau não aparentava estar solitária como ele se sentia.

“Isso é ridículo, ficar observando essa garota é… ridículo", pensou consigo mesmo enquanto girou o corpo em um movimento rápido, caminhando em silêncio em direção às masmorras. Em meio ao silêncio dos corredores escuros, as palavras de Moreau repetiam-se em sua mente. “A última coisa que eu queria ver era você se empertigando em uma vassoura para o seu fã-clube poder tirar fotos!”

Um pequeno sorriso atravessou o rosto de Regulus junto com a memória, ele sequer se reprimiu por ter soltado uma gargalhada livre diante da garota, e mesmo agora, ainda se pegava contendo um riso enquanto se recordava da expressão indignada da corvina. A expressão raivosa nas feições de Moreau eram deliciosamente satisfatórias para ele.

Ele não conseguia se lembrar da última vez que havia rido tanto de algo simples.

O sorriso foi morrendo conforme relembrava quem Nathalie Moreau era: uma mestiça metida a sabe tudo, filha de um sangue-puro nobre da França e uma trouxa. Até aquele dia, ainda era um mistério para o mundo bruxo o que Lamar Moreau havia enxergado em uma trouxa, o que diabos havia dado naquele homem para que ele ficasse contra sua família para se casar com uma completa estranha. Seus pais já haviam comentado a respeito daquela família, e talvez tenham até comparecido em jantares importantes na Residência dos Moreau, mesmo assim Nathalie sempre seria uma caixinha de surpresas para ele.

A forma como aquela garota estava entre os dois mundos, aquilo o que ele deveria ser e aquilo o que sua família abominava, era desconcertador. Porque Nathalie não aparentava estar abalada, muito pelo contrário, a garota parecia ter orgulho de suas descendências.

Regulus balançou a cabeça incomodado com a linha que seus pensamentos estavam tomando, então trancou-se em seu quarto. Tratava-se de um quarto simples com uma cama encostada na parede, uma mala semi aberta e uma série de pôsteres e colagens nas paredes. Desde que seu pai havia mencionado a respeito do Lorde das Trevas e sua grandeza, Regulus vivia recortando trechos de reportagens do Profeta Diário, embasbacado com a ideia de que aquele homem a qual todos temiam seria um dos maiores bruxos que o mundo já havia visto em questão de tempo.

A ideia de ser o melhor sempre havia lhe encantado, porque toda a sua vida fora resumida a sempre dar a melhor versão de si para poder corrigir os erros de seu irmão. Se ele ao menos pudesse ser grandioso assim... então talvez não precisasse ver a decepção nos olhos de Walburga, então as pessoas parariam de tratá-lo como uma bomba relógio, uma decepção que cedo ou tarde viria a acontecer.

O rapaz ficou parado por alguns momentos, apenas olhando para sua escrivaninha e um pedaço de pergaminho. Demorou-se enquanto ponderava se o que estava prestes a fazer era certo ou não, mesmo assim, ele sentou-se à mesa e tratou de escrever.

“Monstro, peço que não compartilhe esse bilhete com ninguém.

Preciso que você compre a melhor edição de ‘Emma’ que encontrar, e a encaminhe para mim.

Não faça perguntas.

A. B.”

Assim que terminou de escrever, o sonserino mordeu os lábios de leve. Confiava em seu elfo doméstico o suficiente para tal tarefa, contudo, não saberia dizer qual fora o impulso que o levou a escrever o bilhete.

Seria a necessidade de colocar um ponto final no conflito com Nathalie Moreau? Regulus não saberia dizer.



~*~



— Olha só se não é a garota com quem queríamos conversar, Nathalie Louise Moreau! — uma voz masculina revestida por um tom brincalhão chamou a atenção da garota dos cabelos cacheados, fazendo com que esta erguesse sua cabeça com uma expressão confusa no rosto. Quando percebeu quem era o rapaz que a abordava, um pequeno rubor surgiu em suas bochechas.

James Potter sorriu diabolicamente em sua direção, atrás dele estavam seus fiéis escudeiros: Remus Lupin com suas costumeiras sobrancelhas erguidas, Peter Pettigrew com um sorriso tímido e Sirius Black, com uma expressão tão travessa quanto a do amigo.

— Potter, a quem devo as honras? — ela ousou perguntar, questionando-se como aquele rapaz sabia seu nome do meio.

— Viemos conversar com você sobre o jogo de quadribol passado — Sirius interferiu — E para início de conversa, eu vim pedir desculpas pelo o que meu irmão, desprovido de neurônios, fez. Não leve Regulus a sério, ele é uma criança birrenta.

Nathalie não disfarçou a surpresa com aquela fala.

— Devido esse terrível incidente, nós, os Marotos, nos colocamos à sua disposição para realizar nossas melhores travessuras contra o time de quadribol da Sonserina. Podemos até negociar uma união com o time de Quadribol da sua casa — Um brilho malicioso surgiu no olhar de James.

A corvina riu, finalmente entendendo o porquê os quatro grifinórios haviam se levantado da mesa dos Leões para se debruçarem na mesa da Corvinal.

— Sinto decepcionar vocês meninos, mas não tenho nenhuma intenção de punir o time de quadribol da Sonserina. Acho que irão precisar de outro motivo para pregarem uma peça dessa vez. — respondeu, oferecendo-lhes um pequeno sorriso, ciente de que aqueles garotos possuíam faces angelicais, embora fossem o terror vivo do zelador da escola, Filch.

— Tem certeza? Nossos serviços estão sendo oferecidos sem nenhum tipo de custo envolvido. — Potter insistiu, e embora ele trajasse um belo sorriso, James precisaria de mais se as consequências daquela pegadinha resultassem em mais um mês de detenção como punição. — Pense na repercussão daquele jogo, ir em um baile acompanhada de um sonserino. Parece um pesadelo para mim.

— Sim, eu tenho certeza. E acredito que ficarei perfeitamente bem.

Os marotos desviaram o olhar para o Black, que abriu a boca surpreso.

— Não deixe que ele diga coisas ruins para você, Regulus é um imbecil de cabeça pequena. Talvez seja melhor que você não compareça ao baile. — ele aconselhou, rompendo com a imagem rebelde e desprovida de cuidado que passava para os outros.

Mesmo com o aviso, Nathalie apenas acenou com a cabeça aparentando estar plena.

— Já lidei com pessoas piores que o seu irmão, não precisa se preocupar.

Com aquelas últimas palavras os Marotos se retiraram da mesa dos corvos a contragosto, James parecia estar decepcionado por não conseguir um motivo plausível para mais uma de suas artimanhas enquanto Sirius estava com uma expressão séria, distante.

— Não sabia que você ficou popular tão facilmente. Se soubesse disso, teria lhe arrastado para um jogo de quadribol antes. — Simone cantarolou.

A Doyle apenas escutou toda a conversa em silêncio, para que, assim que os grifinos se retirassem, ela pudesse soltar um comentário que fizesse a amiga rir.

— Popular? Não é para tanto, você sabe que eu jamais conseguiria acompanhar o ritmo caótico daqueles quatro.

— Nisso devemos concordar, você é muito tranquila para andar com quatro caras agitados e terríveis como eles. Acredite, aquele quarteto no Salão Comunal depois que a Grifinória ganha um jogo de quadribol é algo cômico de se assistir. — ela comentou enquanto colocava uma de suas longas tranças atrás da orelha.

Nathalie sorriu.

— Você nunca me contou sobre o seu encontro com o Dominic. — Moreau cantarolou enquanto se deliciava com os indícios de rubor na pele negra de Doyle. — Só pela sua expressão, posso presumir que foi bom.

A outra revirou os olhos.

— Não foi um encontro! — a grifina rebateu.

— Bom, até onde eu saiba, quando duas pessoas que se gostam, marcam de se encontrar... é a definição pura de “encontro”.

— Sabe de uma coisa? Eu pagaria para ver você apaixonada, Nathalie. É sempre muito engraçado olhar os outros agindo como tolos, até que nós nos tornemos o tolo da história.

Aquela frase fora demais, Nathalie contorceu-se de rir.

— Si, você acabou de admitir para mim que está apaixonada?

A grifina bufou, irritada.

— Muito engraçadinha você Moreau, se me permite, vou me retirar porque tenho aula de Transfiguração com a McGonagall. Não posso me atrasar.

Nathalie ergueu o pulso, olhando momentaneamente para seu relógio.

— Você está vinte minutos adiantada-

Quando ergueu a cabeça, percebeu que falara tarde demais, Simone Doyle havia dado um jeito de desaparecer em meio ao Salão Principal. Foi impossível que a corvina não risse sozinha, era surpreendente pensar que uma garota da casa dos Leões, conhecida por sua tamanha coragem, se tornasse um gatinho assustado diante do amor.

Enquanto ocupava-se em terminar seu café da manhã, composto por um mingau de aveia e frutas secas, a garota foi surpreendida por uma coruja parda que carregava um pacote marrom.

— Oi, você tem algo para mim? — ela indagou enquanto fazia um breve carinho no topo da cabeça da ave que deixou o pacote sobre a mesa e disparou para fora do Salão.

Com uma ruga se formando entre as sobrancelhas, Nathalie rasgou o papel, curiosa para saber do que se tratava aquela entrega.

Uma exclamação escapou de seus lábios quando suas mãos finas encontraram uma edição luxuosa e de capa dura de “Emma”. Foi necessário alguns momentos para que ela conseguisse absorver a beleza da capa daquele livro, desde as flores que combinavam uma paleta de rosa claro e creme, até o título dourado que parecia brilhar conforme a luz do ambiente.

Junto do livro, veio um pedaço de pergaminho bem dobrado.

“Você disse que esse não era um livro qualquer, então resolvi me redimir.

P.S. Nunca me ocorreu que uma personagem tão irritante e mesquinha pudesse ser a protagonista de um romance de época.”



Nathalie abriu a boca surpresa, seu olhar alternava entre o livro em suas mãos e o pedaço de pergaminho, até que sua mente ligasse os pontos e estranhamente, um sorriso incrédulo surgisse em seu rosto.

Seus orbes castanhos passearam pela mesa das cobras, até encontrar os olhos atentos de Regulus Black, que em silêncio, a observava. De forma sutil, a garota ergueu uma sobrancelha na direção do rapaz, que apenas tombou a cabeça para o lado e deu de ombros de uma forma preguiçosa. “Não me faça perguntas, apenas leia o seu livro”, era o que a expressão corporal dele falava.

A corvina riu, ainda balançando a cabeça, incrédula com o pensamento de que por pura curiosidade, Regulus Black havia se debruçado entre aquelas páginas, buscando entender o que ela tanto via naquele livro.