Dancing Until Morning Comes
3 Capítulo 3 - Mudanças
Notas iniciais
Capítulo 3
Mudanças
Mamãe e eu estávamos arrumando a casa no dia seguinte da festa. Estava um horror, sem contar estava cheio de vômito por toda a sala. Eu não sei o que faz a pessoa beber até cair ou vomitar, sinceramente. Dançar ao som da música já me parecia perfeitamente bom, o suficiente. Luke e John chegariam há qualquer momento e pelo menos o quarto onde John iria ficar estava tudo ok. Eu fiz questão de arrumar umas partes – é, eu fiz isso mesmo. Me tornando um pouco sociável? Quem sabe. –, eu adorei o John. Mesmo que eu saiba (e não me importando) que ele será um “irmão postiço” e eu o conheço desde ontem, eu ganhei um irmão mais legal do que a minha de verdade!
Ontem na festa, eu quase contei a ele meu pequeno segredo – sobre a dança – mas eu não podia. Não por enquanto. Ninguém, exatamente ninguém sabia que eu dançava as escondidas. Eu até comprava sapatilhas observando minha irmã comprá-las e também observava alguns movimentos. Mesmo que não era meu estilo preferido, eu tentava treinar o máximo que eu conseguia. Poderia abrir uma bolsa a qualquer momento, não? Mas aí confesso que eu já não sei se conseguiria a bolsa, muito menos chegar lá e dançar na frente de uma turma toda. Eu não tinha nem amigos para me assistir de vez em quando, imagine uma academia inteira! E a internet era a minha principal professora. Eu me divertia dessa forma.
– Querida, eu gostaria que você terminasse de limpar a cozinha, enquanto eu chamo a Charlie.
Sim, ela não moveu uma palha. Dormiu a manhã inteira e eu ainda tive que fazer o almoço. Fui dormir quase quatro da manhã ontem e acordei as oito pra arrumar tudo. Injusto, mas meu caro leitor, as coisas funcionam assim aqui em casa. Como aparentemente não tenho talento nenhum, não participo de clubes e tudo mais, eu estou disponível a qualquer hora, segundo minha mãe. O tenso era isso, ela jogava na minha cara. Não importa o quão duro seja, mas ela falava. Eu nem ligo mais, se tornou algo comum por aqui. Sem contar que a Charlotte me odeia. Não me pergunte o porquê, afinal eu não faço nada a ela, até evitar brigas eu evito. Saio do lugar, tampo os ouvidos, ponho meus fones ou sei lá mais o quê. Eu desenvolvi um dispositivo dentro de mim que me fazia desligar do mundo, ignorar o que me fazia mal.
Vi Charlie descer sonolenta e me deu mais sono ainda. Eu estava caindo, mas estava lá ainda, limpando a cozinha. Ela foi se servir, algo como capuccino e eu só terminei de limpar a pia e subi pro meu quarto tomar banho.
Me aprontei em dez minutos colocando um vestido azul anil que eu tinha e minhas sapatilhas pretas. Desci pro andar de baixo e vi que John e Luke já haviam chegado. Fui falar com eles e algo nisso tudo estava começando a ficar bem natural.
– Filha, vá na cozinha e ponha os pratos, por favor.
Suspirei cansada e fui arrumar as coisas. Pegava os pratos concentrada, quando alguém apertou minha cintura e quase deixei tudo cair no chão. Quem foi o idiota?!
Claro, John.
– Não faça isso, eu quase quebrei os pratos que foram da minha avó! – Falei zangada, pondo os pratos na mesa.
– Desculpe. – Ele disse sem graça. – Acho que tenho a necessidade de te assustar sempre que eu posso.
– É, eu já percebi. – Falei e terminei de por os talheres também. – Mãe, Luke e Charlie! Podem vir!
John me ajudou a por as duas travessas de lasagna que eu fiz mais cedo na mesa.
Já estávamos na mesa há meia hora quando Charlie soltou essa:
– Abriram umas bolsas pro mês que vem. – Ela disse. – Na Begum. E adivinha quem vai estar lá para ajudar a recrutar os bolsistas?
Mamãe faltou chorar nessa hora. Olhei com cara de poucos amigos para John que segurava o riso, vendo minha cara. As duas morreram de se abraçar e até Luke ficou sem graça com essa.
– Você entrou essa semana, como eles já te designaram pra algo desse porte? – Falei confusa.
– Eu me saí muito bem nos testes, irmãzinha, eu não sou uma dançarina qualquer. Tenho estrada.
Claro.
– Bom, boa sorte. – Falei, dando de ombros. – Deve ser difícil ser importante. – eu disse e minha mãe me olhou séria. Algo como “apóie sua irmã”.
– Eu não tenho culpa se você não sabe fazer nada, queridinha. – Ela disse e eu suspirei. Ela sempre fazia isso, nem me afetava mais. Espero que sinta uma dor de barriga horrenda hoje depois da lasanha! E mamãe não disse nada, só continuou a comer. E assim funcionam as coisas aqui em casa. John e Luke se entreolharam. John olhou pra mim e disse:
– Por que não tenta, Meggy? – me assustei por dois motivos. Um: John me chamando de Meggy. Dois: John me incentivando a concorrer a bolsa? Ta maluco? Parecia que sabia que eu dançava escondido.
Até engasguei depois dessa.
– O quê? – Eu, mamãe e Charlie dissemos juntas.
– Impossível. – Falei e Charlie completou:
– Com certeza, impossível mesmo. Você? Dançando na Begum? – Ela não deixou de soltar uma gargalhada horrenda. Olhei séria pra ela.
– Não vejo problema. É só um teste, não vai perder nada se não conseguir a bolsa. – John disse e Luke assentiu.
– John tem razão, eu sei que não nos devemos nos intrometer nesse assunto, mas Megan, é uma boa oportunidade. – Luke disse e eu sorri sem graça. Mas aí fechei a cara novamente.
– Claro que eu irei perder algo, vou passar vergonha na frente dos jurados, da academia inteira e sei lá mais quem que irá assistir. – Falei e voltei a comer.
– Filha... – Olhei pra minha mãe e ela me olhava com pena. – Pode tentar, se quiser. Eu estarei aqui te apoiando.
– Mãe, eu não acredito que está dizendo isso pra ela! Você quer me envergonhar na frente de todo mundo? – Charlie disse e eu suspirei de novo, ativando o dispositivo para ignorá-la neste momento.
Bom, elas nunca me incentivaram para dançar porque eu sempre fui muito desengonçada. Eu tinha uma altura mediana, 1,70, mas eu sofri muito no começo dos meus treinos. Eu topava em tudo, vivia roxa. Mamãe desconfiava do que eu fazia, mas eu dizia que eu tropeçava no colégio. Nessa brincadeira de ficar caindo, caí da escada daqui de casa umas duas vezes. Quebrei até a perna da última vez.
– Não se preocupe, minha querida irmã Charlotte Clarke, eu não irei fazer o teste, não vou te envergonhar e não quero que ninguém toque mais nesse assunto. – Falei um pouco exaltada, saí da mesa, joguei o prato de qualquer jeito na pia e subi pro meu quarto. Eu preciso dormir!
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