Dancing Until Morning Comes
4 Capítulo 4 - Oportunidades
Notas iniciais
Criticas/sugestoes/elogios, à vontade...
Capítulo 4
Oportunidades
É, cá estou eu jogada na minha cama em pleno domingo. John bateu umas vezes no meu quarto desde que eu saí da cozinha daquela forma, mas não quis responder. Não quando o meu dispositivo que me desliga do mundo deu defeito. Eu geralmente sou uma pessoa muito calma, não gosto de chamar atenção, muito menos de fazer confusão, nem gosto de brigas ou discussões. Acho que foi por isso que eu não consigo parar a minha mãe e fazê-la olhar pra mim como uma filha tão importante quanto a Charlie.
Levantei da cama e peguei meu laptop. Coloquei no youtube. Eu precisava dançar algo, mas tem que ser algo dos meus dançarinos prediletos do youtube. Fiquei assistindo alguns, mas nada me motivava. Mas isso mudou quando eu decidi olhar dançarinos novos, algo diferente do que eu costumava dançar. Eu dançava de tudo um pouco, mas geralmente eram caras aqui da Inglaterra ou dos EUA que eu assistia. Meu estilo favorito era o pop. Decidi procurar por dançarinos de locais diferentes e parei em um nome que me chamou atenção:
『kichiN』
Fiquei olhando pro nome e achei fofo. Tudo bem, um nome bem incomum e até estranho de se pensar. E é até bem visualizado, por sinal. Ah, por que não? Eu gostava de coreografias fofas! Cliquei no primeiro vídeo que eu achei e fui assistir. Em cada vídeo dele, só de olhar pra lista de reprodução, dava pra ver que ele usava cores excêntricas em suas roupas (menos seu shorts que era o mesmo, preto e bem largo na altura do joelho) e seu cabelo em cada vídeo, praticamente, estava de uma cor diferente. Ele usava uma máscara que cobria da testa até o nariz, o que dava um ar de mistério sobre ele. Sorria muito enquanto dançava e isso me fazia sorrir também. Sem contar que os cenários que ele utilizava era um mais lindo do que o outro.
É, já fazia duas horas que eu estava estagnada na frente do computador vendo os vídeos dele, ele era fantástico! Poxa, um dia seria ótimo dançar assim. Seria ótimo eu ter coragem de dançar assim, talvez até na frente de outras pessoas. Ele dançava músicas de anime¹ e de bandas de jpop² (algo que eu não costumava assistir ou ouvir), mas não dava pra saber como era ele. Pelo menos não seu rosto, mas sua personalidade parecia cativante. Nos vídeos que ele não tampava o rosto com a máscara, estava tudo mais escuro. Eu fiquei muito curiosa sobre como era ele, mas não tinha nenhuma foto.
Não perdi tempo, selecionei um dos vídeos que eu mais gostei, tranquei a porta do meu quarto, ajeitei o espelho que ficava pendurado na parede, troquei meu vestido por roupa de ginástica, amarrei meu cabelo e dei play no vídeo. Comecei aos poucos imitá-lo, realmente era bem difícil. Mas nada era impossível pra quem treina, então eu continuei. Eu já estava pegando o jeito depois de duas horas sem parar, quando ouvi baterem na porta de novo. Saí correndo, dei pause no vídeo, abaixei a tela do notebook e peguei o meu vestido que estava jogado na cama. Mas será possível que nem dançar eu posso mais? Ops, eu acho que a pessoa não imaginava o que eu estava fazendo, pra falar a verdade.
– Quem é? – Falei ofegante, irritada.
– John. – Ele disse e eu revirei os olhos. Ele não desiste? Ele era bastante persistente comigo. Algo que não era tão ruim, pra falar a verdade. De vez em quando ser “vítima” desse tipo de comportamento da parte dos outros era até legal. – O que está fazendo? Está tudo bem?
– Ta sim. – Tentei falar normalmente agora. Coloquei meu vestido por cima da blusa e shorts de ginástica. Fui abrir a porta.
– Desculpe por não responder mais cedo, eu precisava ficar sozinha um pouco. – Falei sem graça, John parecia querer me ajudar, mas minha irmã passou no corredor bem na hora com Molly, (que somente me acenou), disse:
– Mais sozinha do que já é? – Ela disse e riu, Molly a repreendeu com o olhar, mas riu um pouco também.
– Eu não conta? Ou por acaso fiquei invisível? – John disse e eu me assustei. Sorri sem graça pra ele e ele passou o braço em volta dos meus ombros.
Entraram no quarto de Charlie, sem falar nada.
– Ta vendo? Não dá pra ficar na paz com ela. – Falei e John me olhou com pena. – Mas quer saber? Já faz muito tempo que eu não ligo.
– Sinto muito. E então, o que está fazendo? – ele disse escorado na porta.
– Entra, nada demais. – Falei batendo a mão do meu lado na cama para ele sentar. – E você? O que estava fazendo? – Perguntei mesmo não querendo muito perguntar. Mas isso parecia bem simpático na minha cabeça.
– Estava com a Lauren e meu pai arrumando as coisas que trouxemos. – Ele disse dando de ombros. Foi se sentar do meu lado. – Ei, você está mega suada. – Ele disse e foi aí que eu não me lembrei desse detalhe. Droga.
– Ta muito abafado aqui, acho que nem percebi. – Menti.
– Sei. – Ele disse rindo.
Peguei meu laptop e abri no Google, procurando por algo qualquer, queria que ele mudasse de assunto. Mas fazer isso foi muito pior.
– Ei, quem é aquele? – Ele disse tirando minha mão do mouse e clicando na aba do vídeo. Entrei em pânico.
– Ah, ele?! Érm... – Ri nervosamente apontando pro vídeo. – É um dançarino. – Falei com a voz falha e ele me olhou estranho. Algo como “não me diga...”.
Mas aí ele arregalou os olhos, olhando pra frente. Droga, ele percebeu!
– Você está suada, estava vendo um vídeo de um cara dançando e... Que diabos de nome é Kichin? – Ele disse rindo muito e juro que não sabia o que responder. – Meggy, não minta pra mim. – Ele disse sério dessa vez. – Você pode me dizer o que está acontecendo... Você estava dançando?
Engoli seco. Ele havia me descoberto. Isso não pode parecer grande coisa, mas eu realmente tentava esconder isso de todos.
– Eu não cometi crime nenhum, por que toda essa seriedade? – Falei e ele riu um pouco.
– Não estou te culpando, só estou dizendo... – Ele suspirou. – É por causa da sua irmã?
– De jeito nenhum! Eu sempre amei dançar! E eu sempre dancei aqui no meu quarto. – Eu havia falado alto e tampei a boca. Corri pra porta e a fechei. Voltei correndo pra cama. Tentei não olhar pra ele, mas depois de alguns segundos foi inevitável. Ele me olhava curioso.
– Por que mente pra todo mundo dizendo que não dança?
– Mas eu sempre digo que gosto de dançar, tecnicamente estou omitindo só uma parte da verdade. – Eu disse sorrindo e ele sorriu mais ainda.
– Sua mãe sabe que você dança por aqui?
– Não e nunca vai saber.
– Mas por quê? Você poderia estar na Begum com a sua irmã!
– Não, não estaria. Eu sou a garota desengonçada que só cai, até quebrar a perna nessa porcaria da escada daqui de casa já quebrei. Você acha mesmo que minha mãe iria gastar seu suado dinheirinho comigo?
– Acho, ela te ama.
– Não nessa hora. – Disse rindo para não chorar e ele riu rapidamente, mas ficou sério novamente.
Ficamos em silêncio por um pedaço de tempo e ele de repente levantou a cabeça, com os olhos arregalados.
– Tive uma idéia.
– Ai meu Deus, nem quero ouvir. – Já imaginei o que era.
– Não, é sério! Por que não tenta a bolsa na Begum mês que vem?! Se você sempre dançou, você deve ter algum tipo de experiência...
– John, está maluco? Minha irmã vai me ridicularizar na frente de todo mundo lá, isso está fora de cogitação!
– Não, não está. Você tem um mês para se preparar. Veja o que eles irão cobrar e estude!
– John, eu não vou fazer isso. Eu nunca dancei na frente de ninguém.
– Pra tudo tem sua primeira vez.
Engoli seco. Não, isso não vai dar certo!
Notas finais
²: pop japonês.
Olha ai eu deixando escapar alguns gostos :D Talvez a Megan tenha um pouco de mim...
Reviews? *-*
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