Dancing Until Morning Comes
10 Capítulo 10 - Surpresa, parte II
Notas iniciais
Esse é, além da continuação da surpresa da Megan, também é um capítulo explicativo. Fala um pouco do Steve e do Wilson :3
criticas/elogios/sugestões/pedradas, já sabem...
Ou só um "li" ta ótimo ^^
Capítulo 10
Surpresa, parte II
Pra piorar a situação, vi o Kichin passando por mim, indo até uma moto. Ele já estava indo embora?! Depois de uma dessas, eu fiquei até sem graça de falar com ele.
E claro, se o John não tivesse provocado essa discussão toda, acho que ainda estaríamos na mesa de jantar em paz.
– Filha? – Ela não era a pessoa mais adequada que eu queria ver agora.
– Diga, mãe.
Ela se sentou do meu lado e suspirou.
– Desculpe sua irmã, sabe que ela é desse jeito e...
Ri de deboche.
– Por que está falando isso?! Sabe que nunca me defendeu na vida, o que não foi muito diferente de agora a pouco e me fez passar vergonha na frente de visitas!
– Filha, ele é só um colega da sua irmã. Deve nem ter ligado pro que ela disse, – ela disse parecendo pensar que estava melhorando as coisas dizendo isso – não perca tempo tentando causar boa impressão ou tentar fingir que nossa família vive em paz por causa de uma pessoa...
Fiquei pasma com isso. Como é que é?
– Mãe, eu não acredito que está dizendo essas coisas! – falei pasma. Ri de deboche. – Que bom que você tem noção do que se passa por aqui desde que eu nasci, pelo menos.
Me levantei e entrei em casa. Fui direto pro meu quarto, John tentou me parar, mas ignorei.
Eu devo ter caído no sono no mesmo instante. Eu estava arrasada e exausta. A única coisa que me confortava era ter conhecido o Kichin, mas não sei se isso tem sido uma coisa boa agora, vendo pelo lado que ele deve estar achando essa casa maluca. Provavelmente nunca irei mais vê-lo.
O fim de semana após a audição havia chegado. Eu estava praticamente vegetando no sofá. Passei a manhã inteira fazendo faxina no meu quarto e praticamente no resto todo da casa. Charlie? Estava dormindo, nem acordado cedo como eu tinha. John tinha saído com uns amigos e eu estava sozinha.
Sabe, andei pensando, depois desses três dias: será mesmo que eu vou encontrar algo que eu possa realmente fazer bem?! Vou viver na sombra da minha irmã Charlie até quando? Eu precisava de algo que me puxasse com toda a força, para que eu me esquecesse desses momentos com minha amada irmã e mamãe. Tinha horas que eu amava ir para o colégio simplesmente pelo fato de ficar longe delas. Depois que John chegou aqui em casa com Luke, a coisa ficou mais amena. Tanto que John era meu único amigo.
Eu estava acessando a internet e me deu vontade de dançar. É, eu gostaria de continuar tentando as bolsas a cada trimestre, então eu não podia sossegar. Me peguei vendo os vídeos do Kichin de novo...
Vi minha mãe passar por trás de mim por alguma coisa, aí vi que ela ia abrir a porta. Ignorei e continuei a ver os vídeos, suspirando. Nunca conseguiria aprender isso com ele, não se eu não pegasse bolsa. Já notaram que mamãe em momento algum disse que pagaria a mensalidade para eu estudar? Pois é, sintam a diferença entre mim e Charlie.
– Você fica bagunçada o dia inteiro é? Ou é por que é fim de semana? – Ouvi uma voz muito grossa atrás de mim e eu pulei de susto!
– AAAAAAAA! – Gritei me levantando do sofá e o rapaz se assustou também. – Kichin?! O que faz aqui?! – falei com a mão no peito, meu coração estava disparado.
– Não seja burra, minha querida irmã, ele ainda trabalha comigo. – Charlie passou com alguns refrigerantes para a cozinha.
O que estava acontecendo?
– Viemos fazer o almoço. – Ele explicou e eu mal podia acreditar. É, mesmo eu não o conhecendo bem, minha irmã conhecia e eu veria ele com freqüência a partir de agora. Minha irmã adorava trazer os amigos para cozinhar (para ela) ou ficar literalmente fazendo nada lá na piscina.
– Fazer almoço? Cuidado, a Charlie está te explorando. – Falei e ele riu. Negou com a cabeça.
– Alguns professores vieram. – Ele disse, vendo Steve e Wilson entrando pela porta. Que constrangedor, os dois sabiam o que tinha acontecido por lá também, aliás, quem não sabia... Acenei e eles acenaram de volta.
Todos almoçavam felizes da vida, quando eu fui pegar mais um prato da comida.
Estávamos almoçando as três da tarde, porque minha irmã inventou de fazer esse almoço com os meninos (eu digo meninos porque todos os três que vieram tinham entre 18 e 20 anos, então...).
Steve era bem animado, mas tão animado e elétrico que não conseguia falar sem mexer nos cabelos. Tanto que estava todo assanhado. Wilson parecia mais sério, concentrado no arroz, e logo tirou sua regata para ficar mais à vontade aqui em casa (estávamos almoçando na varanda de trás) e o calor que fazia estava incomodando mesmo. Luke não havia gostado nada da idéia. Já o Kichin parecia que era o que mais estava se divertindo ali. Mamãe simplesmente foi pedir desculpas pela confusão do jantar do outro dia, e acabou o conhecendo melhor. Minha irmã estava enrolando pra ir pra mesa comer, afinal estava mergulhada na piscina desde que eles chegaram. Grande ajuda né? E adivinha quem estava cozinhando no lugar dela? Eu mesma.
Eu não sei se eu imaginava que Kichin só dançava, mas realmente me surpreendi o vendo assumindo o fogão da minha mãe cozinhando o prato principal do dia. Mamãe o ajudava maravilhada e eu só ria. Ela estava adorando a companhia, ou ela estava adorando não ter que fazer a comida. Charlie só saía da piscina para trocar o CD que, desde a última troca, já estava no repeat três vezes, e eu mesma quase fiz questão de fazer isso.
John chegou quando o almoço estava quase pronto e pulou de susto ao ver os três marmanjos – um inclusive praticamente pelado – fazendo a maior bagunça na cozinha, gritando, sorrindo e tudo mais. Ele sinalizou que precisava conversar comigo na sala, e eu fui.
– O que eu perdi? – Ele disse rindo.
– Charlie e suas invenções. Trouxe os meninos para cozinhar. – Falei e John tampou a cara com uma das mãos.
– E ao menos eles sabem cozinhar?
– Olha, ta cheirando. – Falei puxando John pra cozinha.
John falou com todos e se sentou à mesa, logo estava conversando com Steve e eu voltei a ajudar os outros dois que estavam terminando de cozinhar.
O almoço foi bem tranqüilo, inclusive estava tudo delicioso. Mamãe ainda soltou um “vocês precisam voltar mais aqui em casa”. Já até sei o porquê.
Todos estavam na piscina e eu estava jogada em uma das cadeiras da varanda, observando. Nenhum ânimo para mergulhar, na verdade ando bem pensativa. E ficar longe das pessoas me fazia clarear a mente. Minha irmã parecia se divertir mesmo com eles. Mas não consigo entender o porquê dela não querer que eu entre na Begum. Se eu sou tão inútil como ela fala, por que eu teria chances de, por exemplo, ser melhor que ela? Nem que eu quisesse, eu conseguiria. Não tem aquela história: “ninguém inveja ou odeia o fraco”?!
– Amores! Cheguei! – Ouvi a voz da Molly invadir o quintal e eu sorri.
– Oi Molly. – Levantei da mesa e a abracei.
– Oi lindinha, e aí, como você ta? Não parou de ensaiar não né? – ela disse e eu sorri sem graça.
– To tentando.
– Não liga pra sua irmã, ela parece até que tem inveja de você. – Ela disse sorrindo e eu me assustei. Mas aí eu ri. Ela com inveja de mim? Ta bom. – Hide!! Trouxe o que você me pediu. – Ela gritou essa parte e eu levei um susto. Voltei a me sentar. Ele saiu da piscina e foi até a Molly.
– Obrigado. Poe na mesa que eu já resolvo isso.
– É melhor andar logo mesmo, capaz de já terem contratado.
– Sem minha permissão? Impossível. – Ele disse se enxugando com alguma toalha jogada na cadeira. Tentei desviar o olhar.
Contratar? Mas o que ele queria resolver isso aqui na minha casa, meu Deus?
– Megan... – Ouvi sua voz grossa falar. Olhei rapidamente pra ele. Seu cabelo laranja estava todo bagunçado, – diria espetado – e seus olhos levemente puxados estavam menores ainda, devido ao sol incidindo sobre eles. Colocou seus óculos quadrados e bagunçou ainda mais os cabelos.
– Sim? – Falei quase dispersando, depois da cena dos cabelos eu quase nem me lembrava o que ele havia me dito, não vou mentir.
– Podemos conversar lá dentro?
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