Dancing Until Morning Comes
11 Capítulo 11 - Surpresa, parte III (final)
Notas iniciais
uma nova oportunidade surgiu!
Esse cap é pequeno, mas a partir de agora eles vão começar a ficar grandinhos... Muita coisa a ser explicada e pra acontecer!
Críticas/elogios/sugestões/pedradas/e quem quiser me dar um Kichin de presente, à vontade...
Capítulo 11
Surpresa, parte III (final)
Fomos para a sala depois de ele passar um tempo se enxugando. Eu estava realmente sem graça – não pelo fato de ele estar sem camisa, ok, talvez também – mas sim por estarmos sozinhos. Não era a mesma coisa de ficar com o John. Eu logo faria algum comentário para ele e John riria, devolvendo de forma um tanto grosseira. Mas acho que isso se tornou natural porque já estava naquilo há um mês. Depois do jantar – cujo apelidei mentalmente de guerra fria II, uma guerra só verbal –, eu havia ficado muito chateada da forma que John levou aquela discussão. Tudo bem, eu sei, ele estava me defendendo, coisa que nem minha própria mãe faria, mas... Não daquele jeito, por favor. Assim como eu odeio brigas, eu odeio ser o motivo delas. Até ontem eu não estava falando com meu “irmãozinho”, mas vi que aquilo era ridículo. Ele estava me ajudando, de qualquer forma.
Kichin andava pra lá e pra cá e eu havia me cansado de tentar acompanhá-lo. Sentei-me no sofá e o esperei começar a falar.
– Megan... – Acordei do transe com ele pronunciando meu nome. Virou subitamente para mim, me entregando o papel de mais cedo. – Leia, por favor.
– Do que se trata?
– Só leia. Acho que te interessaria.
Algo do meu interesse?
Comecei a ler atentamente e ele parecia bem paciente. Se sentou no sofá verificando se não estava molhando o mesmo, e ficou observando alguma coisa na sala, e então eu finalmente terminei de ler. Era uma ficha...
– Proposta de emprego? – Falei e ele sorriu.
– É. Eu andei observando que lá na Begum estávamos precisando de novas pessoas que ajudassem os professores. E concordaram que seria melhor contratar algumas pessoas.
– Tipo um assistente?
– É, por aí. O número de alunos matriculados tem crescido consideravelmente, então eu propus isso ao diretor. – Ele disse. – Mas acho que isso não faria muita diferença pra você. Sem contar que você está no colégio ainda...
E então por que está me falando isso?
– Sim, mas... Então qual propósito disso?
– Muito simples. – Ele disse parecendo ter descoberto um novo planeta. – Você está atrás de uma bolsa para dançar, não é verdade?
– É.
– Você pode tentar o emprego, e pegar uma bolsa semi-integral. – Ele disse feliz e eu arregalei os olhos. – E pode usar o dinheiro do salário para cobrir o resto da mensalidade, o que acha? Na Begum, alguns funcionários tem essa bolsa, caso lhes interessem.
– Espera aí, explica isso direito. Como eu faço isso? – Eu realmente fiquei interessada. – Quer dizer... O que eu vou fazer como “assistente”?
– Você irá auxiliar os professores... Ajudá-los a carregar coisas e ajudar a organizar a aula. Nós estamos tendo tantos alunos que um professor não está sendo o suficiente. E não temos tantos professores assim. Você, vamos supor, fará algo para algum professor caso ele pedir. Entendeu?
Assenti que sim. Bom... É algo a tentar, certo? Olhei para trás, ouvindo a voz da minha irmã que parecia que se divertia horrores.
– Isso também quer dizer que... Eu irei ajudá-la, não é? – Falei olhando pra ele, desanimada.
Ele pareceu sem graça.
– É, tem esse pequeno detalhe.
– Você já deve ter percebido a situação daqui de casa... E bem, se você continuar a visitar minha irmã por aqui ou arriscar me colocar no mesmo lugar onde ela trabalha, vai ter que se acostumar.
Ele riu.
– Não tem problema, família nenhuma é perfeita. E o que seria da vida sem esses pequenos desentendimentos? – Ele disse e eu suspirei. Isso parecia diminuir o tamanho do problema, e soava mais divertido. Só que não. – E sua mãe também parece ser legal. Ela gostou da minha comida. – Ele riu um pouco e eu ri também.
– É, não acostuma as duas, senão elas vão pedir pra você cozinhar sempre. Minha mãe talvez fique com vergonha de te perguntar, mas minha irmã vai com certeza, sem vergonha alguma, te explorar. – Disse sem emoção e ele me olhou confuso. Se já não estivesse explorando.
– O que foi? – Falei sem entender.
– E você? Você parece bem distante delas. O que acontece entre você e sua irmã?
– Ela só se acha melhor que todo mundo. Ela não me suporta, e pelo visto tem medo de eu pegar o brilho dela na Begum. O que seria impossível.
– Impossível, por quê? – Ele disse confuso. – Você dançou bem, e não diga que eu estou mentindo, você dançou a minha coreografia.
Ri de deboche.
– Eu nunca fiz aulas como ela, mas também nunca tive coragem de dizer à minha própria mãe que eu gostava de dançar. Sabe aonde eu treino desde que eu me conheço por gente? No meu quarto, olhando o youtube e canais de tevê. – Falei dando de ombros e ele continuava a prestar atenção em mim, bem atento. – E claro, por ironia estou falando coisas desnecessárias para um dos meus professores. – Falei rindo sem graça e ele riu mais ainda. Mas aí ele ficou sem graça, percebi.
– Então... Te vejo segunda depois da sua aula? E... – Ele parecia tentar se lembrar de algo. – Acho que é melhor se alongar antes de ir. O emprego de assistente não é tão fácil assim de conseguir.
Isso me soou como um desafio quase inalcançável. Eu só não espero ter que dançar na frente da minha irmã de novo.
Eu ainda pensava em desistir, mas sabe? Eu preciso ter alguma coragem nessa vida pelo menos em alguns momentos.
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