Dancing Until Morning Comes
9 Capítulo 9 - Supresa, parte I
Notas iniciais
hahaha
mas nao coube ali em cima. Voces vao entender o porque do título e esse é o primeiro de 3 capítulos. No final terá uma surpresa para Megan. O que sera? Se tiver review hoje (postei sem review, olha como sou boazinha) posto a parte 2
Sugestoes/criticas/elogios/pedradas
Capítulo 9
Supresa, parte I (2ª Guerra Fria, uma guerra só verbal)
A volta no carro foi dispersa. Mamãe não questionou muito e, graças a Deus, Charlie não voltou com a gente. John tentava puxar assunto, mas eu estava muito pensativa. Arrasada pela bolsa, mas ao mesmo tempo não conseguia tirar aquele sorriso da minha cabeça.
Não, Megan, pare de pensar nele! Até um dia atrás você só se importava com as coreografias, não por quem estava dançando elas.
Foi muita coincidência ele estar aqui em Londres, e ainda mais na Begum. Claro, ela tinha renome internacional, mas logo aqui?! Poderia ser em qualquer lugar do mundo. Abri meu celular discretamente quando cheguei em casa, trancada no meu quarto. Abri a foto e me joguei na cama do jeito que eu estava.
– Obrigada, Kichin. Eu realmente gostaria de aprender a dançar como você um dia. – Meus olhos encheram d’água e fechei o celular e o soltei na cama. Abracei meus joelhos e fiquei pensando no meu dia. Uma coisa eu aprendi com pessoas que eu costumava amar, e até com a Charlie: nunca desista. Se tiver um sonho, se não tentar, ele nunca vai sair da sua cabeça. É, pelo menos eu tentei.
– Meggy, o jantar está pronto. – Ouvi a voz de John do outro lado da porta e a vontade foi de não responder. Mas eu estava morrendo de fome.
– Estou indo. – Falei me levantando, enxugando as lágrimas.
Desci as escadas e quase caí ali mesmo. Mas o que estava acontecendo nessa casa?!
– JOHN?! – Gritei seu nome, e subi toda a escada de novo. Acho que o ser sentado no sofá não tinha me visto (meio surdo?!), graças a Deus. O que ele estava fazendo aqui?!
John correu escada acima, vendo eu escondida quase dentro do meu quarto de novo.
– O que aconteceu?! – Ele disse mais alto e eu fiz “shh” pra ele.
– O que o Kichin está fazendo no meu sofá?! – Falei e John começou a rir.
– Não vai acreditar. Só não vim correndo te avisar porque ele ia perceber o seu amor repentino por ele.
Fiquei vermelha. Amor repentino? Claro, muita verdade.
– E então?! O que ele está fazendo aqui? – Sussurrei.
– Ele veio com a Charlie. Acredite. – Ele disse e viu minha cara de incrédula. – Trabalham no mesmo lugar, Meggy. – Ele disse e eu revirei os olhos. – Normal essas coisas, eu acho... Talvez seja um... Jantar de negócios? – Ele riu de deboche e eu suspirei.
– Ei, faz um favor pra mim, traz meu jantar aqui?! Eu não quero que vire confusão de novo.
– Nem pensar. Vai se trancar no quarto até quando, Meggy? Vai fugir até quando? – Ele disse e eu suspirei. – Anda, vamos logo. – Ele disse me puxando escada a baixo.
Quando desci as escadas, ele me olhou com aquele olhar curioso dele. Fiquei um pouco sem graça, mas ainda sim me mantive distante.
– Ah, você é irmã da Charlotte, não estava me lembrando disso... – Ele disse sem graça. É, depois do barraco que minha irmã fez, como ninguém na Begum saberia que eu não sou irmã da louca escandalosa egocêntrica barraqueira?
– Oi Kic... Hideki.
– Tudo bem, pode me chamar de Kichin se quiser.
– Kichin?! – E lá vem a intrometida da minha irmã... Ok, ligando o dispositivo nesse mesmo instante. – O que é isso?! – Minha irmã falou um pouco possessiva com ele e eu me assustei. Os olhares haviam voltado. O mesmo da aula que eu assisti. Os dois pareciam ligados de alguma forma. Depois disso, saí dali e fui me sentar à mesa. John massageava as têmporas e eu sabia que aquele jantar ia render.
– Então Hideki, você trabalha com a minha filha? – Minha mãe perguntou para ele e ele assentiu sorrindo.
– Nós somos professores de lá. – Ele disse e Charlie parecia se achar superior nesse meio. Não que fosse novidade.
– Com licença, Lauren, só interrompendo um pouco. – John disse e eu olhei feio pra ele. Não, não! Eu sabia muito bem o que ele iria falar. Ultimamente temos desenvolvido algo como “telepatia de ‘irmãos’” – Lauren, você não quer saber como foi o dia da sua filha caçula?
Ai meu Deus, a casa ia pegar fogo agora! Tenho que me lembrar de bater no John depois do jantar.
– John, não tem necessidade. – Falei sem emoção e Charlie já borbulhava de raiva, mas até que estava se controlando pra quem era tão impulsiva. Mas será que ela ia ser ela na frente do Kichin? Não duvido nada.
– Tem sim, Meggy. – John falou entre os dentes e eu o olhei feio. – Lauren, sua filha caçula fez a audição dela com sua filha mais velha e com o Hideki na banca avaliadora, olha que interessante. Você deve se lembrar, a Charlotte disse que iria ajudar a recrutar os bolsistas.
Mamãe só observava, olhando pra todos.
– Lembro sim, John. – Minha mãe disse incerta. – Deve ter sido uma experiência única.
E como.
– E nossa, Charlie, como foi mesmo que você tratou sua irmã na frente de todos? – John perguntou fingindo sorrir simpático, olhando para a Charlotte. Kichin olhava sem emoção para a comida (parecia ter ficado tudo horrível depois que a fagulha da discussão se acendeu) e eu escondia meu rosto com as mãos.
– Ela não deveria estar lá pra começo de conversa! – Ela disse se exaltando um pouco, e eu suspirei.
– É, também acho. Meu lugar não é lá. – Eu disse dando mais uma garfada naquela macarronada que pra mim, naquela hora, não tinha gosto de macarrão, mas de papel.
– Filha... – Mamãe disse pra mim, mas não disse mais nada, além disso. Ela me olhava com pena, mas isso era tão normal que acho – quase tendo total certeza – que a porta do meu quarto tinha mais expressões para comigo que minha mãe. – Charlie, por favor, vamos esquecer isso por hora?
– Você foi bem, Megan. – Ouvi a voz grossa de Hideki e meus olhos encheram d’água. Ele só está dizendo isso para amenizar, eu sei... Ele não parecia estar se importando com a discussão que havia começado ali, claro, entre John e Charlie (mamãe havia desistido de tentar parar a bagunça), que ainda estavam se alfinetando, xingando um ao outro. Onde estava Luke para me ajudar nessa hora? Ele tem sido um cara bem bacana comigo ultimamente. Vamos dizer que Luke intervia muito nessas bagunças dos dois.
– Ah, Hideki, não precisa ficar iludindo minha irmã não. Ela sabe muito bem o lugar dela, e cá entre nós, na Begum que não é. – Charlie praticamente riu sozinha. Minha mãe respirava fundo, olhava pra mim, eu já nem ligava mais, John massageava as têmporas e Hideki coçava a testa e tentava se concentrar na comida.
– Já chega! – John gritou batendo na mesa. – Peça desculpas para a Megan agora, Charlotte! Você passou dos limites!
Olhamos assustados para ele.
Charlotte riu, mas riu tanto que ficamos sem graça.
– Você acha mesmo que eu vou fazer isso? Cale sua boca, você não é nem da família para opinar! Cadê seu pai que nem está aqui? Ele devia te dar modos.
– E eu sou a pessoa mais mal educada daqui, não é?! – John riu alto também.
– CALADOS! – Mamãe gritou e todos pulamos de susto. Coitado do Kichin que não tem nada a ver com a história e está aqui ouvindo tudo isso. Eu estava morta de vergonha.
Levantei da mesa calmamente, coloquei o prato na pia e saí tranquilamente até a varanda da frente de casa. Me sentei na quina e fiquei olhando a lua.
As lágrimas começaram a cair sem parar. Eu odeio minha família! Aliás... Eu posso chamar isso de família?
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