Dancing Until Morning Comes
17 Capítulo 17 - Bem vindos à família!
Notas iniciais
Feliz ano novo ;P
Ja sabem, criticas/elogios/kichin/pedradas/reviews...
À vontade.
Capítulo 17
Bem vindos à família!
[3ª pessoa]
O sol incidia com força total naquele quarto, sem pena. O quarto parecia que tinha passado um furacão, de tamanha bagunça. Mas nada mais era esperado depois de uma briga daquelas entre Charlie e Hideki. Os dois voltaram a discutir na festa e, de vez em quando, ainda se trombavam pelo caminho. Megan? Estava tonta demais para responder por si. Sem contar que a festa, ou melhor, as pessoas que estavam na festa, contribuíram com a bagunça no quarto de Megan em quase noventa por cento.
Vou matar Molly. Era o único pensamento de Kichin naquela hora, durante a festa. Não era um fardo ter que ficar olhando a garota zonza se balançando no meio daquele mundo todo, mas ela o preocupava. – Ele tinha um afeto curioso sobre a garota, principalmente quando ela começou a trabalhar na Begum – Ainda mais naquele estado. Depois do copo que Molly havia dado, só Deus sabe quanto mais Megan havia tomado. Era incontrolável, a menina pedia por mais assim que a última gota do copo se esgotava. Era como se toda a angústia, raiva e tristeza estivessem sendo despejadas para fora de Megan a cada copo. Ele realmente esperava que isso a ajudasse em algo, mas quando terminasse sua ressaca, sabia que ela iria se arrepender mais, e seus sentimentos misturados confusos iriam para um nível mais alto. Desde quando bebida resolvia alguma coisa nessa vida? Se resolvesse, era algo muito momentâneo.
Kichin ainda tentava se divertir ao som da música, mas Megan era mesmo muito desajeitada. Quantas vezes ele a ajudava a se levantar depois de um tropeço, quantas vezes ela já o havia chamado de “meu salvador”? Ele ria se lembrando desses momentos desengonçados de Meggy, mas logo seu sorriso desaparecia vendo que ela só se divertia daquela forma ali. Só naquele instante, quando trabalhava. Antes, ela mesma dizia para ele que vivia trancada no seu quarto. Mesmo que ela afirme que era feliz, ele duvidava. Ser anti-social, às vezes, te protege das coisas do mundo, mas ao mesmo tempo, te priva de viver sua vida realmente, compartilhado os momentos bons e ruins com quem amamos.
Olhou em volta novamente, vendo a bagunça que fizeram ali no quarto bem ajeitado de Megan. Quando acordasse, ia ficar muito irritada. Tudo parecia muito organizado e limpo antes da festa.
– Aonde pensa que vai levando minha irmã? – Ouviu uma voz abafada sorrindo de deboche, enquanto subia as escadas. Megan escorregava pelos seus braços e Kichin chegou a se desequilibrar. Quando viu a dona da voz, revirou os olhos.
– Já viu o estado da sua irmã? Como pode deixá-la fazer isso com ela mesma?
– Meu caro, ela faz o que bem entender da vida dela. Minha irmã não é tão santa quanto parece. – Ela riu debochando, levantando o copo que estava bebendo com sua mão direita. – Será que alguém nesse mundo é totalmente santo, Hideki?
Ele sabia que ela havia começado a não falar coisa com coisa, então simplesmente ignorou. Lauren iria pirar ao ver o que estava acontecendo em sua casa. Kichin deu uma última olhada para a extrema bagunça que a sala se encontrava, deu um suspiro.
– Deixa eu te tirar daqui. – Ele disse para Megan, ajeitando-a nos braços. Ela não parava de se mexer, fazendo Kichin resmungar. – Megan, você não está nada bem. – Ele disse terminando de subir as escadas, e a garota riu.
– Eu estou ótima. – Era triste vê-la falando engolindo as palavras, totalmente desgovernada. – Nunca me senti tão bem. Kichin... – Ela disse fechando os olhos e Kichin parou de andar. Estava há um metro de seu quarto. – Não me deixa sozinha...
Ela disse e apagou.
Ele olhou novamente pra garota toda descabelada que dormia calmamente. Se sentou na cama, encostando suas costas no encosto. Observou cada detalhe, sorrindo ao ver onde provavelmente ela dançava, e pensar que foi aqui onde ela aprendeu a dançar tudo o que ele havia postado na internet, de autoria dele.
Viu algo mexendo em sua mão, olhou imediatamente. A garota havia unido sua mão com a dele, fazendo-o rir um pouco.
Viu Megan abrir os olhos lentamente, e se mexeu de leve. Ela olhava tudo em volta, com os olhos cerrados.
– O que... – Ela sussurrou e Kichin chegou perto dela, pedindo para se calar. Quando ela o viu, pulou na cama com tudo. Mas sentiu a dor de cabeça batendo em cheio nela. – Ai minha cabeça. O que está acontecendo? Kichin? – Ela dizia baixo, tentando massagear as têmporas.
– Se acalma, você está no seu quarto, na sua casa, depois de uma festa e está de ressaca. Eu te trouxe pra cá porque você estava impossível. – Ele disse a última frase rindo e Megan riu um pouco.
– Me desculpe. Meu Deus, o que eu fiz? – Ela dizia fechando os olhos, deitando-se de novo.
– Nada demais. Só estava quase desmaiando lá em baixo de tanto dançar e beber. – Ele disse e mais uma vez Megan riu.
– Sério, me desculpe. Nossa, que vergonha. – Ela disse tampando o rosto com as mãos.
– Acontece.
– Kichin, é sério, eu fiz alguma coisa constrangedora?
– Depende do ponto de vista. – Ele disse rindo e Megan arregalou os olhos. Se sentou rapidamente.
– O que eu fiz?
– Você estava dançando, só isso. – Ele disse calmamente. – Só que não apropriadamente.
Kichin segurou o riso.
– Não ria. – Ela disse ficando vermelha. – É... Você dormiu aqui?
Ele assentiu. Ela assentiu, tentando se acalmar. Olhou em volta e viu a zona que se tornou seu quarto.
– O que aconteceu por aqui?! – Ela disse se levantando, vendo tudo praticamente jogado, bagunçado. Tinha bebida jogada no chão e pedaços de comida. Graças a Deus, nada de vômito.
– Invadiram seu quarto, tive que te trazer pra cá e trancar a porta. – Kichin disse e Megan o olhou.
Ela suspirou.
– Obrigada. Nossa, Kichin, me desculpe mesmo. Olha o que eu fiz você passar. – Ela disse tentando tirar algumas coisas do chão e por de volta no armário. A maioria livros.
– Eu não ia te deixar sozinha. Poderia ter acontecido coisa pior.
Ela parou o que estava fazendo e o olhou agradecida.
– Obrigada. – Ela disse mais baixo, indo se sentar na frente do Kichin, na cama. – Você é muito legal comigo. – Ela disse sussurrando e Kichin sorriu um pouco. – De verdade... Não tenho nem palavras.
Quem olhava a cena poderia imaginar mil coisas. Kichin e Megan conversavam animadamente sobre qualquer assunto, jogados na cama da garota, rindo bastante. A proximidade não incomodava Megan e muito menos Kichin, o que deixou os dois concentrados mais ainda na conversa do que na situação. Megan apoiava sua cabeça no ombro esquerdo dele, enquanto o mesmo brincava com a mão esquerda da garota. Como o rosto de Megan não estava visível para o rapaz, ela pode rir sozinha vendo o quando ele estava se divertido contando alguma história hilária de Wilson e Steve e também por sentir o calor de suas mãos, de vez em quando alternando o assunto para cócegas na garota, que faltava cair de cima da cama, de tanto rir.
Estava muito bom, tudo muito perfeito, segundo a mente dos dois, mas então eles viram as horas. Mal acreditaram. Já tinham acordado tarde, mas quando viram o relógio marcando 15h00min pularam no mesmo segundo.
– Nossa, eu preciso ir. De verdade. – Ele disse a última frase triste e Megan acompanhou sua expressão.
– Mesmo? John já deve estar chegando, não quer ficar mais um pouco?
Ele pareceu pensar e estava constrangido.
– Não tem problema. Você já é de casa, esqueceu?
Ela saiu do quarto, sendo acompanhada por Kichin. Desceram as escadas e foram até a cozinha.
– Isso é uma boa coisa?
– É. Não é?
– Não sei. – Ele riu sem graça. Pela sua parte, é sim. Mas o problema é a Charlie. Ele pensou.
– Kichin... – Ela disse se sentando à mesa, em frente ao garoto. Ele manteve a atenção nela. Ela parecia pensar no que ia falar. – Posso perguntar umas coisas pra você?
– Vá em frente.
– É sobre a Charlie. Não querendo me meter na sua vida, mas... Por acaso vocês já tiveram alguma coisa?
Viu o rapaz olhar chateado pra baixo. Algo havia acontecido, com certeza.
– Longa história.
Ao ouvir isso, Megan entristeceu. Então era verdade seus palpites com John. Eles realmente tinham algo, escondiam algo.
– Espera aí... – Ela disse, Kichin olhou confuso para ela. – Você era o cara que minha irmã estava saindo! Por isso se davam tão bem há um tempo atrás. Justamente quando minha irmã entrou na Begum, e você também. – Ela falava como estivesse descoberto o mundo, mas mantinha seu tom calmo, surpreso, talvez até decepcionado.
Kichin assentiu. Megan olhou pra baixo, mas em instantes parecia ter dado um instalo em sua mente. Voltou o olhar para o rapaz.
– O jantar... Aquele primeiro jantar que você veio, no dia da minha audição... – Megan dizia – Qual era o real motivo para ele acontecer?
Kichin suspirou, parecia doloroso para ele se lembrar.
– Nós íamos oficializar o namoro. – Ao ouvir isso, Megan sentiu uma pontada no seu coração – Mas sabe Megan, hoje eu acho seu irmão um ídolo. – E riu. Megan riu um pouco, mas ainda estava triste.
– Ele estragou tudo... – Falou quase pra si mesma. Kichin assentiu.
– Se ele não tivesse remoído o que havia acontecido naquele dia, talvez hoje eu estivesse com a Charlie.
– Então você achou ruim, sabe, a confusão?
– Que nem eu disse, agora, não. No dia eu fiquei um pouco sem graça, até com raiva, e quando você se levantou da mesa, sua mãe saiu também e puxou John para outro cômodo. – Ele parou para respirar. – Eu e Charlotte começamos a discutir, eu fiquei um pouco chocado, eu não sabia muito bem o que tinha acontecido naquele dia. Ela se exaltou, brigou comigo, e eu saí, fui embora.
Então, quando eu estava sentada na varanda, ele saiu sério por causa da briga! Pensou Megan.
– No fim de semana conversei com ela e estávamos em paz de novo. – Ele continuou, e Megan o observava atentamente. – Mas, alguns dias depois, havia começado tudo de novo. – Ele falou chateado. – Ela é muito individualista, não sei explicar direito. Mas as brigas aumentavam, e você me parecia bastante legal. Eu me aproximei de você, e Charlie piorava a situação, até te explorar na Begum ela está. E eu não posso fazer nada, você é a assistente.
Megan corou.
– Não se preocupe comigo, eu sei lidar com a minha irmã.
– É sério Megan, o que ela faz com você... Como você permite?
– O que eu posso fazer lá na Begum? Eu sou assistente.
– Não, estou dizendo aqui. Na sua casa, na sua vida. – Ele disse triste. – Eu, muitas vezes, sinto no dever de estar perto de você, para te proteger. – Kichin falou normalmente, com as sobrancelhas cerradas. – Eu fico preocupado, já faz um tempo que eu vejo isso acontecer. Imagine sua mãe que acompanhou tudo isso desde que vocês nasceram. Não entendo.
Megan mudou sua expressão, estava realmente triste. Olhou pra baixo.
– É difícil não ter apoio da sua própria mãe. Tudo fica muito mais difícil.
Kichin suspirou.
– Eu quero te fazer uma proposta.
– Qual?
– Abriram as inscrições de um concurso de dança aqui em Londres, só que as apresentações precisam, no mínimo, de duas pessoas. – Kichin parecia mais feliz. – Eu quero que dance comigo. Por favor.
Megan estava chocada.
– Eu? – Ela parecia insegura e Kichin assentiu.
– Você é ótima, e quero que dance comigo.
– Não sei se sou capaz.
– Você é. Vamos, eu não vou te deixar sozinha. – Ele estendeu a mão para ela, e Megan sorriu um pouco. – Eu sei que você sabe que é capaz, mas ainda tem muita gente que não sabe disso. – Ele abriu um sorriso. Mantinha a mão estendida, e Megan olhou para a mesma. Parecia pensar, mas que droga, por que não ser impulsiva que nem a irmã uma vez na vida? Pegou-a.
– Vamos dar um show! – Ela disse e Kichin abriu um sorriso.
– É assim que se fala!
[Megan pov]
– Meggy! – Ouvi alguém me chamar lá da sala, e tomei um susto.
– To aqui na cozinha! – Gritei e me levantei da cadeira.
De repente me senti rodar, e quando percebi, era John me pegando nos braços e me rodando. Comecei a rir.
– John! – Abracei-o.
Ele parou de me rodar e percebeu Kichin no mesmo cômodo, levou um susto.
– E aí cara, tudo certo? – Foi cumprimentar Kichin, que sorriu e fez o mesmo.
– Ahm... – Foi tudo o que John disse depois de olhar para mim e para ele. E principalmente pro estado da casa. – O que ta acontecendo por aqui?
Eu ri.
– Nada, só acordamos da festa e estávamos pensando em comer alguma coisa.
Acordando da festa? Megan, Megan. Pensou John.
– Ah – John riu – Não se preocupem, eu trouxe duas surpresas.
– O que? – Eu e Kichin falamos juntos.
– Primeiro, comida. E a pessoa que fez a comida. – John disse e rimos. Quem será que era? – Dan, vem cá, por favor. Pode vir. – Ele sinalizou pro rapaz que estava na sala, esperando. – Eu queria ter feito uma entrada triunfal com ele, mas já que os dois estavam de mãos dadas com um maior clima aí na mesa, aí eu esperei um pouco. – John disse e ficamos corados. Há quanto tempo John estava ali?
Um rapaz tão alto quanto Kichin entrou, só que o menino era a cara, eu disse a cara, do John. Seus cabelos pretos eram bem diferentes dos cabelos laranja do Hideki, e tinha um corte diferente de John também, eram mais curtos. Seus olhos cinza eram perfeitos e eu fiquei boquiaberta, discretamente. De onde o John achou esse tal de Dan? Parente? Só podia ser.
– Olá. – Ele disse com uma voz não tão grossa, acenando para Kichin e depois sorrindo para mim. – Meu nome é Dan Mason.
– Oi. – Eu e Kichin falamos em uníssono. Espera aí, Mason? Então eu estava certa...
– Ele é meu irmão mais novo. – John disse vendo minha curiosidade estampada nos meus olhos. Arregalei os mesmos. – Gêmeo.
Eu estava chocada, gêmeo? Realmente, os dois eram a cara um do outro. A única coisa que diferenciava, era o cabelo mais curto de Dan, e os olhos cinza.
– Sério? John, você nunca me contou que tinha um irmão. Ainda mais gêmeo. – Falei incrédula.
– Você nunca me perguntou, engraçadinha. – Ele rebateu e Kichin riu.
– Ah, deixa pra lá. – falei sem graça.
– Que tal comermos alguma coisa agora? – John disse, e Dan retirou algumas marmitas dentro das sacolas que trouxe.
Comida, finalmente!
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