Dancing Until Morning Comes
18 Capítulo 18 - Kichin Desabafa
Notas iniciais
Meu Deus, alguém além da Bell ainda lê isso?
Obrigada por me mandar uma mensagem, fiquei feliz ^^
Esse cap é pra ti!
Capítulo 18
Kichin desabafa
A comida estava simplesmente maravilhosa! Aquele rapaz, o irmão do John, Dan, era um baita de um cozinheiro. Megan que o diga, comeu tanto que eu tirei muito sarro da cara dela. Nós ficamos amigos através, principalmente, de comida e hoje ela tinha comido mais do que eu já a vi comer. E olha que ela não tem apetite de passarinho.
Eu ainda fiquei até de noite, bem tarde, por ali. Dan iria ficar um tempo por aqui, segundo John, e Megan parecia desconfortável na frente da situação. Achei estranho e fiquei um pouco chateado com a situação, eu não sabia muito bem dizer o porquê. Na verdade sabia sim, eu gostava dela. Queria protegê-la, e depois de ontem, na festa, essa vontade aumentou mais.
Quando eu cheguei aqui em Londres, há quase dois meses, eu estava totalmente perdido. Meu contrato na empresa de lá estava vencendo, e eu precisava de um lugar novo para trabalhar. Mas infelizmente, não estava encontrando. Por mais que eu, modéstia a parte, fosse bom, muitos eram. Mas eu tinha meus contatos. E foi por causa de uma grande amiga minha, Hime, eu consegui um teste com a Begum. Fiz o teste em uma filial, na cidade onde eu morava (Tókio). Assim que passei – foram os dias mais tensos de toda minha vida –, voei para Londres. Eu morava sozinho, afinal, desde que eu assumi meu lado dançarino, minha família, um pouco tradicional, não gostou nada disso. Principalmente meu pai. Porém, eu não iria desistir. Talvez, por esse meu lado revolucionário, eu veja em Megan um pouco de mim. Talvez, ou quase certeza, eu tenha começado a me aproximar de Megan por isso.
Quando cheguei aqui, aliás, assim que eu cheguei, sem ter lugar para ficar nem nada. Foi um pouco difícil no começo viver aqui em Londres, afinal aqui é muito diferente de Tókio, mas fiz grandes amigos no meu trabalho. Wilson, principalmente. Fizeram uma pequena festinha me desejando boa sorte aqui, e eu fiquei muito emocionado. Foi aí que eu conheci Charlie. E, nossa, que garota incrível. Linda, talentosa, gentil. Aparentemente. Ela logo começou a flertar comigo. Eu me animei. Cara, uma garota estrangeira flertando comigo? Digamos que eu não sou o cara mais bonito da face da terra, então eu fiquei um pouco impressionado. Entrei na onda. Logo estávamos conversando, logo a chamei pra sair.
Estava tudo indo muito bem durante as duas primeiras semanas (saíamos todos os dias, e Charlie não parava de falar em sua mãe, em que eu tinha que conhecê-la), achei engraçado. Quando houve a sua primeira aula, vi a primeira cena de olhe como eu sou de verdade. Ela pirou quando a menina torceu o tornozelo. Eu não hesitei, corri até ela. Sua família estava lá (irmã, irmão, mãe) e eu achei interessante o amor pelo prodígio Charlie, como sua própria mãe estava comentando para os outros professores.
Ajudei a garota machucada, e logo percebi (novamente) dois seres comentando sobre tudo ali, pareciam bem próximos. Logo vi que eram a família da Charlie, os dois irmãos. Eles pareciam se dar muito bem. Olhei curioso para a garota dos longos cabelos pretos, afinal ela parecia me observar também. Quando terminou a aula e eles estavam indo embora, vi que a bolsa da garota (presumi que era dela) ficou para trás. Corri e peguei a bolsa, que estava meio aberta, por sinal. Entreguei à garota, que estava bem concentrada conversando com o rapaz. Ela agradeceu, mas derrubou tudo o que tinha dentro, logo após. Riu sem graça, e eu a ajudei. Sem querer observar, vi tudo o que tinha caído. Mas o que mais me chamou atenção foram os desenhos. Eram roupas, iguais as que eu usei nos meus vídeos.
Eu costumava a gravar vídeos de coreografias feitas por mim há dois anos. Eu adorava fazer isso, mas nunca mostrei meu rosto. Não por vergonha, mas geralmente, se você for observar, os dançarinos asiáticos fazem isso. E eu, vamos dizer, fiz um pouco de questão de fazer isso também. Eu queria algum tipo de privacidade e este foi a melhor maneira de tê-la. Em poucos meses, consegui muitas visualizações. Em vários sites de postagem de vídeos, como o youtube. Quando fiquei sabendo que iria me mudar para Londres, gravei algumas coreografias de músicas em inglês, de alguns grupos musicais londrinos, ou norte-americanos. Foi uma experiência única.
Quando soube que eu iria ser um dos jurados, junto com o meu mais recente “amor”, dos testes que aconteciam três em três meses para os bolsistas, eu fiquei realmente muito feliz. Eu só tinha duas semanas de trabalho, fiquei bastante lisonjeado (sem contar que no mesmo dia eu iria oficializar meu namoro com Charlie, na frente da família dela). Durante as audições, foi bem tranqüilo. Na verdade, a confusão entre a Megan e a Charlie foi algo que eu só ouvi falar, eu não estava ligando muito pra isso, eu ainda estava bem com Charlotte. Eu tinha ciência que foi algo feio, mas eu não quis me meter, até porque Charlie não falava nada da irmã. Quando falava, bem raramente isso acontecia, era mal. Quem não conhecesse Megan e Charlie chegasse para a pessoa e dissesse coisas horríveis sobre a irmã, acreditaria fácil. Mas quando tive o primeiro contato com ela, depois da audição, claro, foi totalmente estranho.
Ela é a tal garota arrogante, chata e desprezível que Charlie tanto falava? Ela era só uma garota repreendida pela luz da irmã, sem coragem para mostrar seu talento. Eu sentia inveja daquele garoto, John, que andava pra cima e pra baixo com ela, trocando mensagens e telefonemas. Ele tinha uma grande amiga. Se eu não soubesse que os dois fossem irmãos, eu juraria que seriam namorados. Eles eram chamativos juntos, tinham uma intimidade muito grande um com o outro.
Sempre que eu visitava, tanto na época que eu ainda tentava agüentar a Charlie, ou visitando Megan mesmo, via o quanto aquele cara era sortudo. Eu estava tendo um carinho muito grande por ela, isso era notável. Eu decidi fazer a proposta do emprego a Megan. Queria conviver com ela, queria tirar minhas provas. Mesmo arriscando ter brigas, discussões e cobranças sobre mim, eu propus. Eu estava realmente interessado em conhecê-la melhor. Depois da audição do emprego, dançando Panda Hero com ela, a mesma música da audição da bolsa, eu mal acreditava no que se passava pela minha cabeça.
Depois da Hime, eu nunca havia me divertido tanto dançando com alguém. Megan pulou na minha vida de uma forma que eu mal acreditava.
As coisas se tornaram difíceis quando eu me afastava cada vez mais de Charlie, mudando meu foco. Charlie cada vez mais explorava a irmã na Begum, e o que eu podia fazer eu fazia. Mas não era o bastante. Vi-a sempre cansada, a ponto de desistir. Mas ela nunca tocou no assunto comigo. Ela realmente parecia saber lidar com a irmã, como muitas vezes ela dizia para mim, Wilson, Molly – que estava careca de saber a situação das duas – e Steve. Ela parecia realmente amar dançar, amar estar ali, apesar da irmã. Até a mãe dela, dona Lauren, deu mais apoio à filha. Megan pegou a bolsa parcial e pagava o resto com o salário que ganhava. Vi-a estudar sempre nos pequenos intervalos que tinha, ou usava uma das salas espelhadas vazia para dançar, ou estava falando com John no telefone.
E assim as coisas foram seguindo, até o casamento da Lauren e do Luke. Foi bastante estranho, eu já estava evitando mais de cem por cento a companhia de Charlotte, e ela se irritava profundamente com isso. Ela tinha desistido de mim, soube até de rumores que ela tinha ficado com o Wilson algumas vezes, mas subitamente ela havia voltado a me provocar. Não no sentido de “volta comigo”, mas sim de “vou te irritar, quero atingir minha irmã”. Parecia que ela sabia que Megan tinha curiosidade sobre mim. Enfim, o casamento foi um sufoco. Megan teve que apartar uma briga entre eu e Charlie bem na hora dos votos. Me sinto envergonhado por isso, mas ela era impossível.
Logo Lauren e Luke viajaram, assim fiquei sabendo. Era um sábado, eu estava jogado no meu sofá sozinho, pensando na vida, pensando em tudo o que eu disse agora. Então decidi passar no supermercado e comprar ingredientes para um bolo, e levar até a casa dos Clarke.
Foi ótimo, fiz uma surpresa, fizemos o bolo e claro, aconteceu a tal festa. Algo inesperado, ou talvez não tão inesperado, vindo da Charlie. Ridícula, sem dúvidas, a idéia, mas sabe como é. Ela foi em frente, cabeça dura. Só voltei para casa para me arrumar e logo eu estava de volta. Deixar Megan sozinha ali? De jeito nenhum. Estava tudo devidamente decorado, tanto em pessoas, como a própria decoração, comes e bebes. Ela estava falando DA festa.
Coisas básicas, do meu dia-a-dia, aconteceram, tipo: salvar a Megan de alguma coisa. Ela costumava me chamar de meu salvador e eu ria bastante disso. Não deixava de ser verdade. Seja em tropeços, irmã implicante, até caras bêbados, eu estava ali. Eu queria ajudá-la, protegê-la. Eu gostava de Megan Clarke, eu não mentia pra mim mesmo. Mas acho que não seria uma das minhas melhores idéias falar isso para ela. Não quero estragar uma amizade, gostaria de ter mais certeza antes disso.
Eu gosto de você, não, acho que te amo mesmo. Ainda é uma frase um pouco complexa para eu dizer. Eu nunca havia dito isso antes. Não mesmo. E o pior era que, cada vez mais, isso se tornava mais sólido, mais verdade. Mas eu não queria assustar Megan, de jeito algum. Queria, ao invés de afastá-la, aproximá-la cada vez mais de mim. Queria ouvir o mesmo dela.
Quando ela estava bêbada, e eu de babá, ela me disse coisas estranhas. Antes de apagar, ela tinha um olhar triste quando dizia para não deixá-la sozinha. Eu me senti mal. Eu me senti, naquela hora, vontade de abraçá-la e confessar todo meu amor por aquela garota. Eu não queria deixá-la sozinha aquela noite, estava preocupado. Sem contar que várias pessoas entraram em seu quarto para fazer sei lá o que durante a noite. Entrei com ela no quarto e tranquei a porta. Estava mais tranqüilo. Quando a deitei na cama, ainda a observei por alguns instantes. Dormi pouco tempo depois.
No dia seguinte, havia me lembrado do festival de dança. Enquanto ela me fez contar o que havia acontecido com a irmã dela e comigo, achei que a convidando naquele momento para dançar comigo a deixaria mais feliz (ela estava triste por algum motivo, talvez incomodada seria a palavra certa). Fazia três dias que eu pensava sobre isso, com quem eu poderia dançar? Eu não achei melhor resposta do que Megan Clarke. Com um pouco de custo ela aceitou, fiquei extremamente feliz. Teríamos que fazer algo perfeito, e claro, eu tenho que me segurar para não morrer de emoção.
John havia chegado logo após, com seu irmão gêmeo Dan. Eu fiquei chocado com a habilidade culinária do garoto (e também por John ter um irmão gêmeo e nem Megan saber disso), Megan que o diga. Faltou babar em cima do menino, mas parecia disfarçar bem. Depois de conhecermos o menino melhor, eu estava me sentindo um lixo. Na verdade, eu estava com ciúmes sim, sou homem o bastante para assumir, ta bom? Megan parecia feliz conversando com Dan e eu me senti excluído.
A cada olhar fofo que ela lançava aos olhos cinza de Dan, meu coração gritava: Eu te amo, Megan. Olhe para mim.
John me olhava confuso às vezes, e eu sorria amarelo. Assim que eu pude saí dali, acho que eu precisava refletir urgentemente sobre meus sentimentos. Eu estava me sentindo ameaçado.
Notas finais
Me motivem a continuar, por favor?
Eu estou escrevendo uma nova agora, quem sabe posto :s
até mais
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