Dance Made

5 #5-Te conhecendo melhor.


Notas iniciais
Oieeee! Maior capítulo até agora! Eu vou ficar quietinha aqui... Boa leitura ♥

Hoje é terça-feira. As coisas com o Breno continuam na mesma. Mas pelo menos fiz uma amiga nova, que eu sei que pode me apoiar nisso. A Bea disse que logo, logo já vamos estar nos falando normalmente, apenas devemos esperar um dos dois esquecer esse orgulho bobo. Ontem contei tudo que aconteceu para Amanda, nem preciso mencionar que ela surtou de uma forma ridiculamente exagerada. Não faço a menor ideia de como olhar pro Breno hoje.... Mas sabe, talvez eu apenas não olhe.

—Elin!!! —Disse minha amiguinha anormal correndo em minha direção—O que tem sexta?

—Não sei Amanda, o que tem sexta? —Respondi ela da forma mais natural possível, talvez assim as pessoas julgassem menos ela.

—Prova de Física. E sabe o que isso quer dizer?

—Bom, quer diz—

—Quer dizer que nós estamos ferradas. —Ela disse, me cortando.

—Ah, nem tanto.... É só estudar, não?

—Sim, se você ignorar o fato de ter uma vida, dá pra estudar mesmo.

—Nossa, Amanda! É só uma semaninha.

—Vem cá, quando que você virou paz e amor? É o Breno isso aí?

—O Breno tá mais pra o oposto disso, fofa.

—Hm... —Ela disse, me dando um tapinha no ombro. — Parece que estamos lidando com um Bad Boy aqui, certo?

—Talvez... —Disse, envergonhada.

—Sabe que esses podem ser os piores e os melhores tipos de garoto ao mesmo tempo, né?

—Por que piores?

—Por você achar que ele não pode ter lado ruim, pra começar. Mas esses tipos são os melhores quando se trata de jeitos de te conquistar uma garota, o problema é que todas sabem disso. Sua concorrência vai ser forte.

—Não é.... O Breno é diferente. —Disse, incerta da minha afirmação.

—Ai ai, Elin. —Ela disse, rindo. — Você tá perdida, amiga. Mas vai ser a melhor perdição da sua vida, aproveita. —Ela me deu uma piscadinha e depois foi andando para a saída da escola, como se seu trabalho como conselheira já tivesse acabado ali.

No caminho para casa, fiquei me perguntando o motivo de eu estar insistindo em uma relação com o Breno, enquanto todos me dizem que vai ser difícil. Talvez eu veja ele como um desafio, e esse é dos fortes. Mas é como a Bea falou, comigo é diferente. Posso mesmo confiar nisso? Não sei. Mas por que não?

Chegando no estúdio, esperava encontrar um garoto dançando sozinho na sala, mas, dessa vez, ele não estava lá. Decidi entrar e foliar meus livros, afinal, se eu quisesse ir para o campeonato, não poderia ficar de recuperação. Depois de 15 minutos lendo as mesmas coisas, ouvi passos vindo em direção à sala. Esperava que fosse Bea para me salvar dos meus pensamentos. Mas não era ela. Acabei fazendo uma cara de desprezo para alguém que havia acabado de chegar. Não foi proposital.

—Nossa, se quiser eu volto. —Disse Jake, colocando um tom irônico no ar.

—Não, entra aí. Achei que fosse a Bea, desculpa. —Respondi, me levantando para cumprimenta-lo.

—Não precisa se desculpar, também não esperava te encontrar aqui. —Ele disse, me abraçando.

O perfume de Jake me acalmava, enquanto o do Breno, era provocante. Mas, naquele momento, tudo que eu precisava era um ponto seguro. Não queria soltá-lo, mas tudo que é bom acaba rápido.

—E então, tá estudando o que? —Ele disse, se aproximando dos meus livros.

—Física, tenho prova sexta e não faço a menor ideia do que eu to lendo.

—Ah, física, Elin? Não tinha nada mais desafiador não? —Ele disse, virando o rosto para me olhar.

—Física é difícil, Jake. —Disse, me abaixando ao seu lado.

—Difícil? Olha, essa aqui você errou. Dá 74 sobre 8. E nessa, o movimento fica oposto, não mais rápido. Viu? É simples. —Ele disse, me entregando meu caderno com suas novas anotações.

—Hm.... —Tive que pensar um pouco, confesso. —Eu entendi, Jake! Nossa, valeu mesmo!

—Se quiser, te ajudo.

—Não precisa, não quero atrapalhar você.

—Quando começamos?

—Tá bem, eu desisto de discutir com você. Que tal amanhã, por Skype?

—Beleza, pequena. —Ele disse, se levantando e dando uma bagunçada no meu cabelo.

—Não queria ele arrumado mesmo. —Murmurei, irritada.

—Que? —Ele disse, se virando.

—Nada, tosco. —Disse, arrumando o desastre que ele havia feito.

—Nem vem, nada de ser patricinha aqui não.

Mal tive tempo de notar ele vindo até mim e começar a bagunçar tudo de novo.

—Jake! Eu vou matar você!

—Só se for agora!

Comecei a correr atrás dele, e só paramos de agir como duas crianças quando ouvimos a porta se abrir.

—Eu até perguntaria o que tava rolando aqui, mas melhor não.

Nos viramos para olhar de quem pertencia a voz que atrapalhava nossa batalha. E, ironicamente, era Breno, entrando com o resto da turma. Me senti constrangida ao pensar no que o Breno poderia ter imaginado. Mas decidi ignorar isso.

—Elin, chega aqui. —Disse Yan, me chamando do outro lado da sala. —Então, —Continuou— Sua mãe pediu pra eu te deixar em casa, porque ela não gosta que você ande sozinha, apesar de serem apenas 10 quilômetros.

—Ah, por mim de boa. —Disse, me virando para ir alongar com o resto da turma.

—Espera, mais uma coisa. —Ele disse, me fazendo gastar meus dois passos. —Hoje eu tenho um compromisso depois daqui, então tem problema se o Breno te deixar lá? Ele mora perto de você.

Uma parte de mim até queria negar, mas eu estava muito curiosa para saber como seria andar com o Breno.

—Tudo bem.... Sem problemas! —Afirmei.

—Beleza, vou falar com ele. Pode alongar.

As aulas estavam sendo cada vez mais legais, o mundo não existia quando eu estava ali. Poderia deixar de fora todos os meus problemas. Na hora do intervalo, Yan pediu para nos reunirmos, porque tinha um recado para dar.

—Então, vocês já sabem que vamos participar de um campeonato em julho, certo?

—Certo. —Respondemos, com vozes animadas para saber o final do recado.

—Pois bem, estamos no começo de junho, então, para treinarmos, vamos fazer uma viagem para uma cidade próxima, ficaremos lá por uma semana. Vão ocorrer alguns festivais de dança lá, isso vai ajudar muito no desempenho de vocês. Já avisem pros seus pais, espero que todos consigam ir, vai ser muito proveitoso.

Todos amaram a ideia, seria ótimo competir nesses festivais pequenos, e com certeza minha mãe deixaria. Quando os murmurinhos ansiosos acabaram, uma das meninas se levantou e pediu a atenção de todos. Era Letícia, uma garota que todo mundo é amigo, ela é super simpática e sempre tenta ajudar as pessoas, mesmo sem conhece-las.

—Yan, vou aproveitar o espacinho aqui pra avisar as pessoas daquilo que eu te falei. —Ela começou, e Yan afirmou com a cabeça. —Gente, meu aniversário vai ser esse sábado e eu queria muito que vocês fossem! Vai ser—

—Awn, que bonitinha! Vai fazer dez aninhos! Isso tudo já? —Disse uma das Borges, Micaela.

—Que amorzinho ela, gente! —Disse Micaila, a outra borges, abraçando a Letícia.

—16 Anos. —Respondeu Letícia, ela parecia irritada, afinal, era a mais nova da turma.

Depois de ignorar as provocações dos alunos, ela entregou os convites. Eu estava muito animada, afinal, seria uma ótima maneira de me enturmar mais como resto da turma.

A aula finalizou da melhor forma. As duplas teriam que apresentar suas coreografias. Todos os grupos foram muito bem. Jake e Breno, apesar das suas provocações, conversavam muito bem dançando. Não pude deixar de notar os olhares que Breno me lançava, mas ainda não sabia decifrá-los. O máximo que pude fazer foi ficar me hipnotizando com seus passos. Eu e Bea surpreendemos todos com nossa coreografia, o Yan até disse que vai se inspirar nela para fazer a coreo do campeonato! Estávamos muito animadas.

Quando a aula acabou, fui correndo falar com a Bea, até porque, do que adianta ficar ansiosa sozinha?

—Bea! Você viu? A gente vai viajar juntas! Pra dançar! Cara, que sonho.

—Sim!! Nossa, to tão animada quanto você! Espero que a gente fique no mesmo quarto!

—Como assim?

—Ah é, você ainda não sabe como funciona. Então, vou explicar. São quatro pessoas por apartamento, nele têm dois quartos, em casos de duplas de homens e mulheres. Sobre as duplas, o Yan que escolhe elas. Ele vê no que você está com dificuldade e te coloca com alguém que possa te ajudar. Entendeu?

—Sim, entendi. Legal esse jeito de separar os quartos! Agora sim que eu quero mesmo ficar no mesmo apartamento que você! Quem mais me chamaria por socorro por causa de uma toalha, né?

—Muito minha fã você, Elin. Ei.... Acho que tem alguém te esperando. —Ela disse, fazendo um sinal com os olhos para eu olhar para trás.

Ao me virar, vi que, além de nós duas, só tinham mais três pessoas na sala e, uma delas, estava me esperando. Breno estava apoiado na porta, com suas clássicas mãos nos bolsos, e, ao notar que eu havia olhado para sua direção, ele fez sinal com a cabeça, para me avisar que estava ficando tarde para dois adolescentes sozinhos na rua às 21H.

—Bea, eu tenho que—

—Ir? Sim, agora.

—É, isso.

—Então tchau, more. —Nos abraçamos, mas antes de sair, ela completou. —Ei, não deixa ele ganhar de você. —Ela disse, baixinho.

—Ele só vai me deixar em casa!

—Hm. Sei.

—Mas é!

—Vai logo amiga! —Ela disse, me dando um empurrãozinho e acenando para Breno, ele deu uma risadinha de canto de boca, como se fosse uma piada interna deles, e abriu a porta.

Não nos falamos até sair do estúdio. E, particularmente, achei que o caminho seria assim até o final. Mas não foi. Com certeza não. Ao entrarmos na primeira rua, ele começou:

—Então.... Animada? —Ele perguntou, mas sem olhar para mim.

—Ah, bastante. Primeiro campeonato.

—Sim, faz sentido.... Bom, meus parabéns pela coreografia, vocês foram muito bem.

—Valeu! Vocês também estavam ótimos!

—Valeu.... Mas e aí? Já tá sabendo da minha biografia completa?

—Que? —Disse, soltando uma risadinha envergonhada, afinal, fazia tempo que não conversávamos.

—É né, agora você é amiga da Bea. Deve saber toda minha vida já. —Ele disse, mas, dessa vez, olhando para mim.

—Ah é? E o que te faz pensar que ficamos falando sobre você? —Disse, com um tom irônico, parando de andar e o encarando de braços cruzados.

—Ah qual é? —Ele parou de andar também, mas sem tirar suas mãos dos bolsos. —Você já me disse tudo sobre você enquanto dançava, Elin.

—Há Há! Sonha, Breno. Você não sabe tudo sobre mim. —Disse, mantendo a pose.

—Ah é? —Ele disse, surpreso.

—É. —Respondi, destemida.

—Então parece que tá na hora de te conhecer melhor.

Breno segurou uma de minhas mãos, descruzando meus braços, e fomos andando em direção à uma parte da rua que era isolada, sem ninguém.

—Vai, começa. —Ele botou uma música na sua caixinha de som e começou a entrar no ritmo dela.

—Só se for agora!

Comecei mandando um dos melhores Free Style que já fiz. Mas, quando ele notou que eu estava ficando sem ideia, começou a acompanhar meus passos. E ficamos ali, dançando juntos. Sem se preocupar com o mundo à nossa volta. Mas ele acordou a gente. Tropecei em uma pedra que estava no chão, mas Breno me segurou. Naquele momento queria que aquela pedra nunca tivesse existido. Mas, depois, até que eu gostei dela.

—Tá bem, acho que já chega de Free Style por hoje. —Ele disse, rindo, mas sem tirar seus braços da minha cintura.

—Sim, acho que já tá bom. —Disse, meio envergonhada.

Ficamos assim, naquela mesma posição, apenas olhando um nos olhos do outro. Beatriz tinha razão, os olhos do Breno eram hipnotizantes. Decidi envolver meus braços em volta de seu pescoço, e, isso, foi o suficiente para Breno tomar uma iniciativa. Ele mordeu seu lábio inferior, e foi soltando uma risadinha de canto de boca, até dizer:

—Tá. Você ganhou. Eu desisto.

Breno me deu um empurrãozinho para a parede mais próxima. Enquanto uma de suas mãos ficava em minha cintura, a outra subia lentamente para meu queixo. E então, depois de olhar para meus lábios, seus olhos se encontraram com os meus. Era sua maneira de pedir permissão. Puxei de leve seus cabelos da nuca, esse seria meu sim e ele entendeu. Breno acabou com aquela curta distância entre nós, e a última coisa que vi foi aquele azul.

Seus lábios se encaixaram perfeitamente com os meus, parecia que tivessem sido feitos um para o outro. Quando eu me acostumei com sua boca, afastei meus lábios um pouco, e, aí sim, ele me beijou. De verdade.

Seu beijo era rápido e intenso, mas fácil de se acompanhar. Era como se ele estivesse esperando por isso há muito tempo—e eu o entendia de certa forma. Sua mão se soltou do meu queixo e desceu para os meus cabelos, enquanto a outra, enlaçava minha cintura. Dei uma última puxada em seus cabelos, mas desci minhas mãos por suas costas, arranhando por cima de seu casaco. Não sabia se ele iria sentir, mas sentiu, porque me puxou para mais perto e passou suas mãos por dentro de minha blusa, acariciando minhas costas. Estava quase suspirando contra sua boca, e foi então que senti algo contra meu umbigo.

Breno diminuiu a velocidade do beijo e me deu um selinho, se afastando um pouco. Mas continuou ali, com os braços ao redor de minha cintura e sua testa colada na minha, respirando fundo. Seu peito subia e descia contra o meu, afinal, também aproveitei para acalmar minha respiração e, claro, o coração também. Depois de nos acalmarmos, Breno ergueu o rosto para me olhar, mas eu não sabia o que dizer. E, aparentemente, ele também não.

—Então.... —Ele disse, dando uma risadinha meio envergonhada.

—Então.... —Respondi, mordendo levemente os lábios, mas envergonhada.

Ficamos um tempo calados, pensando no que havia acabado de acontecer. Até ele me abraçar, só abraçar. Abracei de volta, fazendo carinho em seus ombros. Quando decidimos nos soltar, Breno deu outra risadinha, e disse:

—Você vai na festa, né?

—Você quer que eu vá?

—Seria uma honra para mim. —Ele disse, se ajoelhando e segurando minha mão.

—Acho que posso pensar no seu caso então. —Disse, soltando sua mão e cruzando os braços.

—Fala sério. —Ele disse, se levantando e puxando uma de minhas mãos para envolta do seu pescoço, me dando um ultimo selinho. —Roubei.

—Aff Breno! Te odeio! —Eu disse, rindo e tirando minhas mãos de seu pescoço.

—É, eu vi. —Ele disse, começando a se afastar.

—Cara, eu ainda te mato. —Disse, começando a correr atrás dele.

—Você não conseguiria, princesa. —Ele disse, ironizando, e começando a correr também.

Fomos assim, até chegar em casa. Quando estávamos de baixo do bloco, ele disse:

—Tá bem, pode me matar agora. —Enquanto levantava os braços, se rendendo.

Eu comecei a rir, mas parei assim que tive que atender a ligação de uma mãe meio preocupada com a filha, que demorou 40 minutos para andar 10 quilômetros.

—Breno, tenho que atender.

—De boa.... Então.... Vai me matar em uma próxima vez?

—Idiota! —Disse rindo, e dando um tapinha no seu ombro.

Depois de um beijo na bochecha e um abraço, Breno me deixou no meu apartamento, enquanto eu inventava qualquer desculpa para explicar meu atraso para minha mãe. Ao desligar o telefone, acenei para ele e fui entrando em casa, mas ele interrompeu:

—Ei.... —Ele disse, mordendo os lábios.

—Sim? —Respondi, o observando pela fresta da porta que ainda estava aberta.

—Sei lá.... Foi bom.

—Foi bom.

—Até quinta, princesa. —Ele disse, dando um sorriso e botando suas mãos nos bolsos para entrar no elevador.

—Até, idiota.

—Um idiota que te ama. —Ele piscou, e entrou, esperando seu contato visual comigo acabar, pela parte de vidro da porta do elevador.

Eu também te amo, idiota. Respondi para mim mesma, fechando a porta e indo direto para meu quarto. Tudo que queria era deitar, e pensar no que tinha acabado de fazer.

Foi legal Breno. Espero que a gente se surpreenda mais vezes.

Notas finais
E então? Tiros ou balinhas?^^ TEAM BRENO: Gostaram? Eu gostei bastante! Amo esses dois TEAM JAKE: Calma! O Jake vai ter seu tempo!