Dance Made
6 #6-O que eu sou para você?
Notas iniciais

Hoje é quinta-feira. Ainda não contei para minhas amigas o que eu e Breno havíamos feito. Não foi por mal, apenas não sabia como contar isso a elas. Sei que não ficariam surpresas, mas, com certeza, iriam pedir detalhes. E não, nada de detalhes.
As horas estavam passando lentamente no relógio. Faltavam poucos minutos para que eu pudesse sair de casa e encarar os olhos azuis novamente. Não sabia se ele iria agir naturalmente, afinal, não sabia o que aquilo tinha significado para ele.
Quando a espera finalmente acabou, me arrependi de não ter aproveitado meus últimos momentos sozinha. E, para melhorar a situação, não respondi nenhuma das mensagens de Jake que me ofereciam ajuda em física, e, acredite, eu precisava dela.
Ao chegar no estúdio, estava ouvindo uma batida forte vindo da nossa sala. Não queria atrapalhar, então entrei de fininho. Breno estava fazendo um Free Style em “Show me” do “Chris Brown”, já mencionei o quão sexy ele fica dançando? Sem falar na ajuda que a música dava para a sua sensualidade. Nem sabia se ele havia notado minha presença, pois estava muito concentrado ali.
Ao finalizar, ele olhou por cima dos ombros para ver quem era sua plateia dessa vez, e, assim que me viu, deu uma risadinha que mostrava exatamente o que eu estava sentindo. Antes de me cumprimentar, ele foi até o som e colocou “Beat it” do “Sean Kingston”, eu amo essa música, e ele parecia saber muito bem disso.
—Boa noite, dançarina. —Ele disse, enquanto terminava de colocar a música.
Não sabia o que fazer, mas ele parecia entender isso. Então, ficou apenas ironizando, como se nada tivesse acontecido. Eu preferia assim, não precisava tirar nenhuma satisfação ou algo do tipo.
—E aí? Vai ficar enrolando mesmo? —Falou, se aproximando do centro da sala.
—Minhas desculpas, professor. —Eu disse, revirando os olhos e o acompanhando na batida.
Já havíamos dançado até a metade da música, mas Breno decidiu interagir. E eu fui também. Estávamos incorporando a melodia em nossos movimentos, até, de alguma forma, suas mãos acabarem pousando de leve em minha cintura. Paramos imediatamente. Seu olhar não parecia nada surpreso, enquanto o meu, acompanhava a sensação que ele me passava.
—Já se apaixonou tão fácil assim? —Sua voz soou risonha, me acordando.
—Sonha, Breno. —Falei, me aproximando, tentando mostrar que não me importava de estar tão próxima aos seus lábios. Mas importava, e muito.
—Acho que quem tá sonhando aqui. —Ele se aproximou mais, de modo que nossos lábios ficaram tão próximos, que podia sentir o calor de sua boca. —É você, Elin. —Suas palavras soaram frias, mas não demonstravam que ele não gostava disso.
—Não me importo de sonhar às vezes. —Disse, sem me mover.
Seus lábios se desviaram para meus ouvidos, e suas mãos me puxaram para mais perto, colando nossos corpos.
—Você fica linda dormindo. —Ele disse, se soltando lentamente do meu corpo, e caminhando até a porta.
—Seria melhor se a gente dormisse junto. —Murmurei, baixinho, mas ele ouviu mesmo assim.
—Não dá pra fazer muita coisa dormindo. —Ele me olhou por cima do ombro. —Se você tivesse acordada, eu ia me divertir mais com você. Se é que me entende, claro. —Ele piscou, e saiu da sala.
O que aquilo queria dizer? Ele não me quer apaixonada por ele? E quem disse que eu estou? Tudo bem, talvez um pouco.... Mas porque isso me impede de ficar junto dele? Acho que vou acabar contando para Bea o que aconteceu. Preciso tirar umas dúvidas. E vai ser agora.
—Oi Elin! —Disse Jake, entrando na sala.
Ok. Talvez mais tarde.
—Oi! Ah, foi mal não responder as mensagens, eu—
—Tudo bem.... Mas, espero que você tenha estudado.
Sim, estudei química. Bastante.
—Estudei sim, Jake. Mas, não adianta, ainda tenho dúvidas em algumas coisas. —Disse, pegando meus livros na mochila.
—Então vamos, você tem dez minutos para tirar todas as suas dúvidas. —Ele disse, se sentando ao meu lado.
Por incrível que pareça, os dez minutos foram suficientes para Jake me ensinar tudo. Ele explicava muito bem, e salvou minha vida.
A aula terminou bem, exceto pelos olhares que Breno me lançava. Eu não conseguia mais decifrá-los. Fui direto na Beatriz para que ela pudesse explicar melhor o que estava acontecendo. Contei tudo que havia acontecido, mas abri uma preocupação maior para sua fala de hoje.
—E ele tá errado, amore? —Disse ela, melhorando muito minha situação.
—Tem como você me explicar? —Falei, irritada.
—Bom, eu te disse que ele não é garoto para se apaixonar.
—Mas eu não....
—Você não...?
—Nada. O que eu faço? Eu sei lá.... Foi um dos melhores beijos da minha vida.... E..... Eu sinto que eu iria além disso.
—Ele te conquistou mesmo hein? Bom, geralmente é assim. Elin.... Pensa bem, você quer mesmo o Breno? De verdade?
—Quero.
—Olha, agora, ele gosta de você, mas não quer se apaixonar.
—Qual o sentido disso?
—Elin, não é nada pessoal.... O Breno já sofreu muito se apaixonando, daí agora ele tem uma visão meio errada do que é se apaixonar.
—Então.... Sem chances com ele?
—É aí que você entra. Eu acho que tem uma maneira perfeita pra você conquistar ele.
—Como?
—Escuta, entra no joguinho dele. Finge que não está apaixonada e que ele não é nada de especial pra você, se quiser, faz um ciúme nele. Daí ele vai notar que não é um único garoto no mundo pra você, e vai mudar.
—Tá bem.... Acho que consigo isso.
—Então pronto. Ele vai ser todinho seu. Até sábado, migs. —Ela afirmou, acenando para mim.
Espero que ela esteja certa. Vou entrar no seu joguinho, Breno.
***
Hoje é sábado. Já comecei a me arrumar para a festa. Vou usando um vestido que tem um decote em coração, ele é preto e tem brilho na parte dos seios. Não sabia se valeria apena ir de salto, mas todos falam que alonga as pernas e, como sou baixinha, não tem problema nenhum. Decidi passar um batom vermelho, provocante, que realçava a cor do meu vestido e, claro, meus lábios.
A festa era na casa de Letícia, ela morava em uma mansão, que, por sinal, era enorme. Na entrada, não pude deixar de notar a imensidão da porta, que estava aberta. Entrando na casa, vi uma escada enorme que levava para o segundo andar. Na sala, haviam alguns adolescentes se pegando no sofá, que devia caber umas quinze pessoas. Sem falar na televisão, era gigante. A lareira era digital, e estava ligada, dando um clima muito mais legal para o lugar. A pista de dança ficava em uma ala aberta, perto da piscina, o chão da pista era de vidro e mudava de cor de acordo com a batida da música, e, obviamente, estava cheia. Sem deixar de notar a quantidade de mesas e pufes que estavam na área externa, para suportar todos os convidados. Todos estavam com copos na mão, só não sabia se estavam bebendo álcool, ou bebidas que.... Digamos assim, que não te levariam preso. A piscina era azulzinha, mas tinha luzes que faziam ela mudar de cor, devia caber umas cinquenta pessoas nela, fácil. Primeiramente, tinha achado estranho ver adolescentes nela, mas depois descobri que era aquecida. A decoração estava maravilhosa, tudo bem a cara da Letícia, até os balões, eram todos coloridos, e haviam algumas maquinas de bolha de sabão, para dar um ar mais delicado. O único problema da festa, é que não encontrava a dona dela.
—Elin! Você veio!
A voz era de Letícia, virei para todos os lados tentando encontrá-la, mas a quantidade de pessoas não me permitiu vê-la.
—Atrás de você, bobinha!
E, finalmente, encontrei minha anfitriã.
—Lê! Nossa, você tá tão linda! Que orgulho da nossa mascotinha! —Eu disse, dando um abraço bem forte nela.
—Há Há. Bom, fica à vontade viu? A Bea já chegou, ela tava no open bar na última vez que eu vi. —Ela respondeu, apontando em direção ao bar.
—Tá bem, muito obrigada! Tá tudo lindo! Parabéns!
—Valeu, Elin! Agora vai se divertir!
No fundo, eu torcia para não encontrar a Bea no bar, mas foi lá mesmo que ela estava.
—Bea? —Eu disse, cutucando seu ombro.
—Elin! Você veio! Nossa, super achei que você já ia me abandonar assim! —Ela disse, se virando para o meu lado.
—Amiga, isso é álcool? —Minha voz soou preocupada.
—É sim! Essas batidas de morango são ótimas! Você devia experimentar! —Estendeu o copo para que eu pudesse pegar.
—Não.... Valeu.... Eu não bebo. —Dei uma empurradinha no copo, negando-o.
Beatriz começou a rir, e muito. Eu realmente não havia entendido a graça.
—É sem álcool, bobinha. —Deu uma pausa para rir mais um pouco. —Eu não sou retardada de beber nessa idade, né? Ao contrário de algumas pessoas, tipo a Camila.... Ah, e se quiser saber, o Breno só experimenta. Nunca bebeu de verdade.
—Nossa vei! Que susto, Bea! Nunca mais faz isso. —Disse, enquanto recuperava meu fôlego.
—Vou pensar se eu paro....
—Te odeio!
Começamos a rir, até o sorriso de Bea sumir completamente de seu rosto, enquanto ela olhava fixamente para alguma das pessoas no meio da multidão.
—Bea, o que foi? —Disse, acenando para seu rosto, tentando chamar sua atenção.
—Não acredito que ela veio. —Ela disse, mas sem tirar o olhar da garota.
—Ela quem? Bea, dá pra ser mais clara?
—Tá vindo pra cá, disfarça. —Disse, virando-se para a mesa do bar, e eu fiz o mesmo, já que não sabia o que fazer, nem quem estava vindo.
Uma garota colocou seus cotovelos na mesa, se inclinando para frente, ao lado de Bea, que fazia de tudo para não ser reconhecida. Seus cabelos eram loiros, e ela estava usando um vestido azul exageradamente colado e curto. Sua voz soava com um tom rouco, como se essa não fosse sua primeira bebida da noite.
—Amor, me vê um coquetel de morango? Isso, com álcool.
Bea me mandou um olhar que demonstrava que ela sentia muito ódio pela pessoa ao seu lado.
—Beatriz? Você aqui, linda? —A garota disse, colocando uma de suas mãos no ombro de Bea, virando-a.
—Oi.... Quanto tempo né? —O sorriso falso que surgiu no rosto de Bea era impossível de não ser notado.
—Quem é? —Sussurrei baixinho no ouvido de Bea. E ela ouviu.
—Então, você e o Bê continuam amigos? —A garota continuou, ignorando minha existência ali.
—Sim, Camila. As amizades não acabam tão rápido quanto o seu namoro com o Breno. —Essa seria sua forma de identificar a garota para mim, e, confesso, foi uma ótima forma. Quase saí gritando “Turn down for what”, mas achei melhor não.
—Awn, continua delicada, né? Que amor! —Ela falou, com um dos tons mais falsos que já ouvi.
—E você continua puta! Que amor! —E assim, Bea finalizou a conversa.
—Quanta inveja, fofa. Você sempre quis ser eu. Ter meu corpo, meus cabelos, e, claro, ser sexy e conquistar qualquer um. —Disse Camila, provocando Bea. —Opa, meu drink está pronto, queria muito continuar essa conversinha, mas não vai dar. Bom te ver, linda. —E só então se afastou.
Bea apenas revirou os olhos e virou a cabeça para mim. Já tinha entendido tudo só por seu olhar, então dobrei os lábios, segurando o riso.
—E essa é a Camila. Simpática, não? —Ironizou.
—Parece ser uma ótima amiga.
Ficamos zoando ela por mais um momento, até algo, ou melhor, alguém interromper Bea.
—Acho que alguém quer falar com você ali. —Ela falou, dando um toquezinho com seu cotovelo no meu braço.
Olhei para frente, e lá estava ele. Breno estava olhando para a nossa direção, ele estava com uma blusa social azul escura, que as mangas iam até seu cotovelo. Usava uma calça jeans com um cinto meio despojado, não pude deixar de notar que uma ponta de sua blusa estava por dentro da calça, e a outra por fora. Bem a cara dele.
Quando notou que nossos olhares haviam se encontrado, deu uma risadinha e veio andando vagarosamente em nossa direção, com as mãos nos bolsos. Seu olhar se desviou para Bea, fazendo um sinal com a cabeça que ela parecia ter entendido muito bem, pois respondeu com aquele gesto que todos amamos fazer.
—Ele tá me expulsando. —Explicou.
—Oi? Porque?
—Porque ele quer ficar com você, drr.
—Eu não entendo esses códigos de vocês.
—Vai logo garota. —Ela disse, me empurrando e saindo.
Continuei andando em direção ao Breno. Mas me lembrava muito bem do que a Bea tinha me dito para fazer. E era isso mesmo que iria acontecer.
—Oi Breno. —Disse, estendendo a mão, esperando, obviamente, um aperto de mãos.
—Até parece. —Ele deu sua clássica risadinha de canto de boca e segurou minha mão, enlaçando-a em seu pescoço.
Mantenha a calma, Elin.
—Não entendi, Breno. —Eu entendi sim. E muito bem. —Somos amigos, certo?
—Sim. Só amigos. —Ele disse, com um ar de ironia. —Mas.... Pelo que eu saiba, —Começou, chegando sua boca perto do meu ouvido, para que eu ouvisse bem. —Amigos não saem se beijando por aí.
Elin! Calma!
—Ah, não? Então.... —Cheguei minha boca para peto de seu ouvido, assim como ele havia feito. —Somos o que?
Notei seu olhar penetrante, aquilo parecia estar dando certo. O silêncio ficou ali por um tempo. Até ele quebrá-lo.
—Não sei. Quer descobrir?
Não sabia o que aquilo poderia significar, mas estava muito curiosa para descobrir.
—Não sei. Quero? —Respondi, devolvendo deu olhar.
Sua risada soou firme. Como se eu houvesse lançado um desafio a ele. E parece que alguém aceitou.
Breno segurou levemente a ponta dos meus dedos, como se me desse liberdade para sair quando eu quisesse. Mas, não parecia estar certo de que eu ficaria, pois olhou para trás várias vezes, confirmando se eu ainda estaria ali. Não queria demonstrar nenhuma emoção, mas manti uma feição de curiosidade.
Andamos pelo corredor juntos, até pararmos em um quarto de hóspedes. Ele era relativamente grande para um quarto de hóspedes, mas do que eu iria reclamar? Havia uma cama de casal toda decorada, o tapete no chão era enorme, e, aparentemente, confortável. O papel de parede era tranquilizante, também havia uma televisão e guarda-roupas vagos. Só parei de me maravilhar com o quarto, quando ouvi a porta de fechando.
Ele estava encostado na porta, com suas mãos no bolso e um dos pés apoiado nela. Ao notar que eu estava o observando, deu um impulso e se aproximou. Quando estávamos um de frente para o outro, ele quebrou o silêncio.
—Escuta, eu não vou te forçar a nada—
Decidi jogar seu joguinho, e o empurrei na cama, fazendo-o ficar sentado.
—Ok. Já entendi. Se quer assim.... É assim que vai ter. —Ele disse, me puxando pela cintura, e me colocando entre suas pernas.
Dessa vez, o beijo estava mais intenso. Não esperamos para se acostumar com a boca um do outro, isso não importava mais. Sua mão descia para o fim das minhas costas, como se ele quisesse subir o nível, mas soubesse que não estava na hora certa. Eu enlaçava meus dedos por seus cabelos, os puxando levemente. Sabia que ele gostava, porque sempre que eu fazia isso, aumentava sua intensidade. Decidi explorar áreas novas, afinal, nunca havia tocado em seu tanquinho. Fui abrindo vagarosamente os botões de sua camisa, isso o surpreendeu, pois parou um pouco de me beijar e deu sua risada de canto de boca.
—O que foi? —Perguntei.
—Nadinha, vai em frente. —Ele disse, botando suas mãos na beirada da cama, me dando mais espaço.
Infelizmente, não era exatamente meu dia. Tive que parar no quarto botão, quando alguém bateu na porta. Olhamos um para o rosto do outro e começamos a rir, ele estava com marcas de batom no rosto, e eu toda descabelada. Mas, fazer o que, é a adolescência. Nos levantamos e fomos juntos até a porta. Por mim, poderia ser qualquer pessoa, menos....
Ele.
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