Dance Made

25 #24- A última dança.


Notas iniciais
PENÚLTIMO CAPÍTULO! Gente, eu nem sei o que dizer. Eu tinha escrito o final da história, mas não gostei do resultado. Decidi refazer para que o estivesse o mais incrível possível. Eu espero que vocês gostem! Boa leitura :3

***POV: Elin***

É hoje. O dia da apresentação que vai definir o meu futuro com a dança. O dia que eu posso terminar o meu namoro. O dia que o Breno pode vencer. Mas, nada disso importa agora. Eu tenho que me focar na competição e nas minhas cenas.

Ainda estou deitada. Só olhando para o teto mesmo. Meio sem saber como começar o dia. Sentei na cama, prendi o cabelo e fui pegar o meu celular para ver as horas.

11:00 horas.

Eu estou MUITO ferrada.

Todos têm que se encontrar no salão principal às 11:30. Eu nunca vou conseguir fazer o meu café da manhã e me arrumar nesse tempo.

Olhei para o lado, a cama do Breno estava vazia. Ele não me acordou. Espero que ele saiba que a sua morte já tem data.

Levantei e arranquei o pijama do meu corpo, colocando um casaco e uma legging, eu realmente não estou nem aí para o que eu vou usar. Coloquei meu tênis, escovei os dentes e abri a porta. Ótimo.

—Bom dia, Elin.

—Você é a pessoa mais otária que eu conheço, Breno.

—Eu? Por que? Por te deixar dormir até tarde?

—Sério isso? Eu to muito ferrada agora, me deixa sair.

Ele colocou o braço na porta.

—Breno. Vaza.

—Fiz seu café.

Eu ouvi direito?

—Você fez o que? —Perguntei, me afastando.

Ele riu.

—Pode voltar para a cama, a não ser que prefira comer lá em baixo.

Encarei-o. Fui até minha cama e me sentei, ainda confusa.

Ele colocou uma xícara de café e algumas torradas em cima da mesa.

—Só não demora muito pra comer, você ainda tem que tirar o pijama. —Ele disse irônico, indo até a porta.

Eu quero matar ele por zoar a minha roupa, mas eu também tenho que agradecer esse idiota por me salvar.

—Breno.

—Elin.

—Obrigada.

Ele saiu.

O café da manhã estava realmente delicioso. Dessa vez, coloquei uma calça jeans larga, uma blusa levemente folgada que combina muito bem com a calça e soltei o cabelo. Ah, também botei um perfume.

Desci para encontrar a turma no salão.

—Olha só quem chegou. —Yan.

—Bom dia. —Respondi, ainda meio sonolenta.

Cumprimentei todos e me sentei ao lado da Bea.

—Acordou inspirada? —Ela sussurrou.

—Digamos que eu esteja de bom humor. —Respondi, com um sorrisinho.

—Você e o Breno...?

—Que? Eca, Bea. Para.

—Não custa nada perguntar.

O Yan começou a passar as instruções sobre essa noite. Iremos tirar o dia para treinar com os parceiros de cena o que estiver faltando e para descansar.

A turma inteira está muito ansiosa e determinada.

—Bom, —Yan já estava finalizando seu discurso. —Eu sinceramente acho que a turma está indo muito bem, então não sei se tem alguma coisa nas cenas para se alterar. Porém, se alguém tiver uma sugestão, pode falar.

—Eu tenho. —Breno. A turma inteira estava olhando para ele.

—Fala.

—Na verdade, é mais pessoal. Sobre meu número com a Elin. Aquilo que a gente já estava conversando antes.

—Ah! Obrigado por lembrar! Elin e Breno, fiquem aqui no salão, o resto da turma está dispensado. —Yan finalizou. Eu vou finalizar o Breno mesmo.

A turma saiu. Eu não pude deixar de notar a olhada que a Bea me passou. Odeio ela.

—O que foi, Yan? —Perguntei, fuzilando o Breno com o olhar.

—Bom, como vocês sabem, na história original do nosso espetáculo, o casal principal se beija no fim da cena. Na versão que a gente fez, vocês dois só terminam se olhando, mas, assim como o Breno sugeriu, o beijo deixaria o final com muito mais emoção. Mas, se você não se sentir à vontade em fazer, tudo bem, Elin. Você topa ou não?

Breno me encarou com malícia em seus olhos.

Já entendi. A verdade é que o Breno não quer me beijar. Ele quer me beijar na frente do Vinicius. Boa jogada. Acontece que ele espera que eu seja uma covarde e não aceite.

—Não tem problema, Yan. —Respondi, sem olhar para o Breno. Mesmo assim, sabia que ele estava surpreso.

—Que bom, Elin! Isso será ótimo para o final do show. Treinem essa cena hoje. O salão é de vocês. Até mais tarde, garotos.

Yan saiu do salão e fechou a porta. O barulho ecoou.

—Olha só... pensei que você não queria desistir do seu namoradinho. —Ele disse, se aproximando.

—E quem disse que eu vou desistir? É só um beijo, Breno.

—Pra você é. Quero ver tentar explicar isso pra ele.

—Quem realmente tem que desistir é você. Desistir desse seu pensamento de que você sempre vai ganhar.

—Eu não penso que vou ganhar. —Ele chegou mais perto. —Eu sei que eu vou.

—Eu não teria tanta certeza.

—Quer ensaiar?

Andei até a caixa de som e coloquei nossa música para tocar.

—Por que ainda não está na sua posição? —Perguntei, já posicionada.

Ele revirou os olhos.

O nosso número estava realmente muito bom. A nossa sintonia dançando é estranhamente boa.

—Já parou pra pensar que daqui a algumas horas vamos fazer esses mesmos passos, mas na frente de uma multidão? —Perguntei, meio nervosa.

—Já... espero que você não estrague tudo.

—E por que eu estragaria tudo?

Chegamos na parte final. A parte do beijo. Nessa cena o Breno me gira e depois me deixa cair lentamente, enquanto se aproxima, até que os dois estejam deitados no chão, e ele me beija.

Breno me girou. Quando começamos a cair, eu senti que não devia fazer isso.

—Breno, para.

Ele me soltou, me deixando cair.

—Isso responde a sua pergunta?

Revirei os olhos.

—Na hora eu vou conseguir. —Disse, meio desapontada comigo.

—Vai? Se você não consegue aqui, em um salão sozinha comigo. Vai conseguir com o seu namorado te olhando?

—Eu...

—É melhor você ir falar com o Yan. —Ele se virou em direção à saída.

—Não. Eu vou conseguir.

Ele me olhou.

—Não seja covarde, Elin. Esqueceu que ontem você queria me beijar?

—Aquilo foi... diferente.

Ele suspirou e se agachou ao meu lado.

—Escuta, se na hora você não quiser fazer o beijo, me fala. A gente termina a cena do jeito de sempre.

Assenti.

Ele se levantou e saiu.

O Breno me irrita. Ele sempre parece ter controle sobre a situação. Eu não devia deixar isso acontecer.

Coloquei a música da nossa cena. Eu decidi que vou ensaiar sozinha, imaginando estar com ele, para me sentir mais segura na hora.

Me posicionei. Respirei fundo. Fechei os olhos.

Na minha mente havia uma enorme multidão ali. Uma dessas pessoas me assistindo era o Vinicius. Eu e o Breno estávamos com os nossos figurinos. Tudo parecia perfeitamente bem.

Fiz a coreografia sem errar nada. Até chegar na parte final, a parte do beijo. Não tinha como eu fazer essa cena sem o Breno, até que...

Senti minha mão ser tocada. Abri os olhos. Breno. Ele estava me olhando fixamente, me passando confiança. Eu consigo.

Ele me girou. Começamos a cair, até os dois estarem deitados no chão. Fechei os olhos.

—Eu deveria voltar outra hora? —Letícia, encostada na porta do salão.

Me levantei rapidamente.

—É, você devia. —Breno, sempre educado.

—Não é o que você tá pensando, estamos ensaiando nossa cena. —Disse, tentando acalmar a situação.

—Não lembro de ter visto um beijo nos ensaios. —Ela ainda estava desconfiada.

—O Yan decidiu colocar isso agora. —Fui até ela.

—No dia da apresentação? Curioso. —Ela estava me encarando.

—Elin. É sério que você vai ficar dando satisfações pra Letícia? Vamos ensaiar mais tarde. O salão é todo seu. —Ele disse, jogando a caixinha de som na mão dela.

—Eu só não quero que ela tenha ideias erradas... —Já causei problemas demais.

—Ela não me superou ainda. —Ele se aproximou dela. Se aproximou até demais. —É uma pena que não dá pra você sabotar a Elin de novo, assim eu teria que te beijar...

—Como se eu quisesse—

Antes que ela pudesse terminar, Breno deixou os lábios deles bem próximos. Depois saiu da sala. Deixando a Letícia extremamente constrangida.

Olhei para ela.

—O que foi? —Ela estava irritada.

Não disse nada. Apenas ri. Depois saí da sala.

Estou começando a gostar dessa ideia de irritar os outros.

Não queria ir para o quarto agora. Nos dias de apresentação eu gosto de sair, me distrair. Coloquei meus fones e fui para a parte externa da mansão. Tem uma vista linda aqui. Uma piscina enorme.

Fui para o gramado. Não havia ninguém aqui fora, então comecei a dançar, sem me preocupar muito com os movimentos. Só queria me soltar.

Quando a música parou, ouvi alguém aplaudindo. Tirei os fones e olhei para trás.

—Acho que você não viu que eu estava aqui. —Era o Jake. Faz muito tempo que eu não falo com ele. Era constrangedor.

—É... Não é a primeira vez que você me surpreende enquanto eu danço.

—Eu que te surpreendo? Pra mim é mais o contrário.

Dei uma risada meio sem graça.

—Jake... Você acha que eu consigo alguma oportunidade hoje?

—Nessa competição vão ter várias pessoas importantes. Até representantes de academias de fora. Eles sabem reconhecer talentos.

—Obrigada. Você com certeza vai conseguir alguma coisa também.

—É o que eu espero... quer ensaiar?

—Achei que estivesse tudo certo com a nossa cena.

—Eu também achei.

Ele estendeu a mão. Segurei.

Começamos a ensaiar nossa coreografia. Dessa vez tudo parecia mais fácil. Eu não estava mais tão desconfortável com o Jake. Fizemos o último passo. Nos olhamos. Ele sorriu, soltando a minha mão.

—Agora acho que tá tudo bem.

—Também acho. —Concordei.

É estranho pensar que há alguns meses a gente se olhava diferente. Sentia coisas mais fortes. Passaria horas conversando sobre qualquer coisa. Agora...

—As coisas mudam rápido, né? —Ele perguntou, sem olhar para mim.

—É.

—Elin, a gente pode nunca mais se ver depois de alguma decisão tomada hoje. Não queria terminar assim.

—Eu também não...

—Desculpa.

—Desculpa.

Nos abraçamos.

—Cuida da Jane por mim. —Eu disse, rindo.

—E você mostra pro Breno que as coisas não funcionam do jeito dele.

—Ei, você tá me pedindo demais, não acha?

Ele riu.

—Vou subir. Até mais tarde.

—Até.

Esperei ele sair e me deitei no gramado. Fechei os olhos e comecei a pensar em tudo o que poderia dar certo hoje. Uma das coisas mais difíceis de se pensar foi o joguinho do Breno.

Eu quero perder? Não, definitivamente não.

Mas eu também não quero ganhar.

Talvez tenha algum jeito de perder e ganhar ao mesmo tempo. Eu só tenho que descobrir como.

Abri os olhos. O céu estava diferente. Provavelmente eu passei algumas horas aqui fora.

—Então é aí que você se escondeu? —Bea chegou correndo.

—O que foi? —Me sentei.

—A gente tá começando a se arrumar, todo mundo tá apressado. Quer dizer, você não né? Você só tá aqui no mato mesmo.

Revirei os olhos.

—Vou tomar um banho e encontro vocês no salão.

—Não demora, amiga.

—Relaxa, Bea.

Fui para o quarto. Separei a roupa da apresentação e fui direto para o chuveiro.

Tomei um banho correndo e fui ver o celular.

Havia muitas mensagens. Uma delas era da minha mãe. Ela disse que estava orgulhosa e torcendo por mim. Outras eram dos amigos da escola. E uma... do Vinicius.

*MENSAGEM ON*

Vini: Ei, boa sorte hoje, mal posso esperar para te ver ♥

Por que não responde?

O Breno tá aí com você?

Elin?

Elin: Estou indo me arrumar. Até mais tarde.

Vini: Por que demorou tanto?

*MENSAGEM OFF*

Eu não tenho paciência para isso.

Desci as escadas vestindo o meu roupão e segurando o figurino. A Jane vai fazer minha maquiagem, as Borges vão arrumar meu cabelo, e depois eu vou vestir minha roupa.

—Caraca, você foi rápida! A Bea disse que você ir levar décadas. —Disse a Jane, separando seus pincéis de maquiagem.

—A Bea tava errada então.

Ela deu de ombros.

—Bom, vamos transformar você. —Ela deu dois tapinhas na cadeira para eu me sentar.

Depois de quarenta minutos, eu estava pronta. Uma legítima camponesa.

—Você devia largar a dança e virar maquiadora.

—Eu sei, né? —Ela riu.

Fui direto para as Borges.

—Elin! Nossa que maquiagem linda. —Falaram ao mesmo tempo, como sempre.

—Obra da Jane.

—Senta aqui, vamos deixar esse cabelo incrível também.

Elas levaram quase uma hora, mas no final eu estava com um coque que eu nunca soube que era possível de ser feito, mas estava maravilhoso.

—Eu nem sei como agradecer vocês duas.

—Eu sei como. —Disse a Micaela. —Arrasa hoje.

—É o mínimo que você pode fazer. —Completou a Micaila.

Assenti, rindo.

Todos estavam quase prontos, faltando apenas os toques finais.

Troquei de roupa. Eu usava um vestido com saia rodada bege que ia até os meus joelhos, ele era tomara que caia. Eu amava esse figurino.

Pena que na hora de dançar com o Breno ele fica todo rasgado. Mas, tudo bem, é legal surpreender a plateia. Eu não me incomodo de usar uma roupa mais rasgada...

Me olhei no espelho. Nunca me senti tão bem. Representar essa personagem hoje vai ser indescritível.

Fui para o salão principal. Todos estavam tão arrumados. Pela primeira vez senti aquele frio na barriga. Aquela sensação de que dessa vez é sério de verdade.

O Breno sentou ao meu lado. Ele não disse nada, faz parte do joguinho. Mas a olhada que ele me deu já diz tudo. Não vou negar, ele ficou muito bem nesse colete.

O Yan pediu atenção.

—Alunos. Hoje vai ser uma noite incrível pra todo mundo aqui. Eu quero pedir que vocês se divirtam no palco, mostrem tudo o que vocês aprenderam, muitos aqui podem ganhar oportunidades únicas hoje. Confiem em si mesmos e em seus parceiros. Deem seu melhor. Eu amo vocês.

Todos sorriram e fizeram um abraço coletivo. Estamos prontos para hoje. Vamos mostrar o que é dançar de verdade.

Entramos na van. Fomos cantando as músicas até chegar no teatro. Que lugar enorme.

Olhando para a nossa turma, parecia que tínhamos saído de um filme. Passamos pela plateia. É estranho pensar que daqui a alguns minutos vai estar tudo cheio. Essa pode ser a minha última apresentação com essa turma. Vou sentir saudades. De tudo.

Entramos no camarim. As bailarinas foram para o teatro ao lado, elas também vão competir hoje. Falei com a Alicia pelo telefone, ela está muito animada. Espero que elas consigam um resultado muito bom hoje.

O Yan deu vinte minutos livre para a turma. Eu decidi buscar água. Estou meio desesperada.

Fui no bebedouro de fora, passando pela plateia, ainda vazia. A fila do lado de fora já está começando.

—Elin?

Me virei para ver quem era.

—Vini? Não sabia que ia chegar tão cedo.

—É, eu não sabia se te encontraria ou não, você não responde as mensagens.

Ele veio me abraçar.

—Senti sua falta. —Ele disse, sem soltar o abraço.

—Vini, eu quero conversar com você.

—Agora?

Me soltei.

—É, agora.

—Fala...

Suspirei.

—Escuta, depois dessa noite pode ser que você não queira mais namorar comigo.

—Que? Como assim, vida? —Ele precisa parar de me chamar assim.

—Você era meu melhor amigo. Namorar você foi um erro. Eu não quero perder a amizade, mas eu não posso continuar com isso.

—Eu não sei onde você quer chegar.

—Eu vou beijar o Breno hoje. No palco.

—O que?! Eu te disse pra ficar longe dele.

—Esse é o problema. Eu não vou ficar longe dele, Vini.

—Você quer terminar, Elin?

—Sim.

Ele parece decepcionado.

—Se não quiser mais assistir, eu entendo. Mas saiba que nunca quis te machucar. Obrigada por ter sido um bom amigo, espero que continue sendo.

Ele respirou fundo.

—Boa apresentação, Elin.

—Obrigada.

Me virei para voltar para o camarim. Alguém notou que eu saí.

—Vai ficar me seguindo, Breno?

Ele estava encostado na porta, me observando.

—Só quero ver o quanto tempo você vai durar.

Ignorei-o e fui me encontrar com a turma.

Fizemos uma roda e começamos a nos concentrar para a apresentação. A energia era tão positiva. Tudo parecia estar certo. Eu vou sentir muita falta dessa turma.

É agora. A hora da apresentação. A hora de subir no palco e mostrar o motivo de tanto tempo de treinamento.

Fomos para as coxias. Todos começaram a desejar boa sorte uns para os outros. Estávamos com muita energia. Só faltava uma pessoa. A fumaça preencheu o palco. Estava prestes a começar.

—Breno? —Sussurrei.

—Hm? —Ele se aproximou para ouvir melhor.

—Eu desisto.

Ele ergueu as sobrancelhas. Acho que ele não esperava que eu desistisse agora.

Sussurrei em seu ouvido para que ele ouvisse com clareza a próxima frase:

—Isso não quer dizer que eu queira ficar com você.

Agora sim ele estava surpreso, mas também ficou intrigado. Ele tem que aprender que não é tão fácil assim ganhar. Ele vai ter um desafio. O que é ótimo, já que ele ama desafios.

—Boa sorte. —Me virei.

—Boa sorte. —A entonação dele me fez pensar que eu realmente precisaria de sorte.

As cortinas se abriram. Começou a música da primeira cena. É hora de dar o meu melhor.

Todos estavam indo extremamente bem. As apresentações estavam incríveis, sem erros. A emoção em cena era passada perfeitamente para o público.

A minha cena com o Jake deu muito certo. Nos abraçamos forte quando ela acabou, porque nunca tivemos uma sintonia tão boa em cena. Só não foi uma sintonia maior do que a dele com a Jane. Eu não sei o que eles fizeram sexta, mas funcionou muito bem. A Jane seduziu a plateia inteira, o Jake então...

Pronto. Agora é minha cena com o Breno. As meninas me ajudaram a rasgar o meu vestido e a bagunçar o penteado.

—Amiga, acaba com o Breno. —Disse a Bea, dando um toque final.

—Isso é uma ordem?

—Com certeza é.

Dei um sorrisinho e fui para a coxia.

Meus olhos se encontraram com os do Breno, que estava na coxia em frente. Ele estava determinado. Nossa cena virou uma espécie de desafio para ele. É exatamente disso que eu preciso.

A música começou. Nós dois entramos, com as roupas rasgadas e cabelos bagunçados. Cada um foi para uma ponta do palco. Tinha tanta gente ali... mas o que importava estava ao meu lado.

Nos olhamos e começamos a cena.

Nunca fizemos os passos tão perfeitamente, eu estava orgulhosa de nós dois.

Continuamos a coreografia sem errar nada, até que chegamos no momento final.

Eu e ele nos rodeávamos. Até ele me parar, segurando a minha mão. Ele me girou, e colocou seu braço em volta da minha cintura. Me entreguei a ele. Quando começamos a deitar, parecíamos um só, sem tirar o olhar um do outro. Meu corpo inteiro estava solto, eu confio no Breno. Deitamos. Ele em cima de mim, com seus braços ao meu redor, e nossas pernas entrelaçadas. Eu sei que ele me desejava essa hora.

—Eu desisto. —Ele sussurrou.

Só pude sorrir. Finalmente ele aceitou que pode perder.

Ele começou a se inclinar, fechei meus olhos. Nossos lábios se tocaram, se encaixando. Sua boca estava quente, o calor dos nossos corpos estava alto. Quando ele colocou a língua, acho que eu estava no céu. Não sei descrever, mas foi o melhor beijo da minha vida.

As cortinas começaram a se fechar, e a plateia estava aplaudindo sem parar, alguns começaram a gritar também. O beijo foi perfeito para o fim da cena.

Cortina fechada.

Ele parou o beijo, me olhando. Ele estava esperando por uma aprovação. Eu sorri da forma mais sincera que eu pude.

Ele sorriu de volta.

Nos levantamos e fomos para a coxia.

Todos estavam chocados. Ninguém sabia do beijo. Começaram a nos elogiar e nos abraçar. Foi uma cena muito bem-feita.

—Estou orgulhoso de vocês dois. —Yan disse, com um sorriso no rosto.

Eu nunca estive tão feliz.

Agora era a última cena. Todos entravam nela, e depois era o agradecimento.

Dessa vez a turma inteira parecia uma pessoa apenas. Todos compartilhavam a mesma emoção, a mesma sintonia, os mesmos passos de dança.

Acabou.

Erguemos nossas mãos e abaixamos. Ouvir a satisfação da plateia com o resultado foi indescritível. É muito bom saber que eles se sentiram tão bem quanto a gente na noite de hoje. As cortinas se fecharam, e todos foram se abraçar.

Alguns começaram a chorar, mas ninguém saia do abraço. Eu não conseguia parar de sorrir. É o melhor dia da minha vida.

Depois de muito tempo, fomos juntar nossas coisas parar voltar para a mansão, quando estávamos saindo, havia um monte de produtores, professores, artistas, falando com o Yan. Eles estavam recrutando alunos, e nós só saberemos o que vai acontecer na terça. A última aula do ano.

—Elin... —Vinicius.

Respirei fundo e fui até ele.

—Você foi incrível hoje. Eu estou muito orgulhoso de você.

—Obrigada, vini. Desculpa pelo que—

—Não, você não tem que se desculpar. Não importa o que aconteça, você continua sendo minha amiga. Eu to falando com você como amigo agora.

—Obrigada por ter vindo.

—Obrigado pela apresentação.

Nos abraçamos. Ele é meu amigo. Namorar não deu certo, mas isso não importa. Acima de tudo, ele é meu amigo.

—Você ainda tem coragem de vir aqui? —Bea.

—Bea, ele só veio assistir. Tá tudo bem.

—Não tá mesmo. Quem você acha que é pra chantagear meu melhor amigo?

—Eu me arrependo de ter feito isso, Bea. Não pensei que—

Bea deu um tapa na cara dele.

—Parece que cheguei em uma boa hora. —Breno, ficando ao lado da Bea.

—Sério isso, Bea? —Eu não acredito que ela fez isso.

—Não, Elin. Eu mereci. Não vai ser tão fácil assim me perdoar. Mas Bea e Breno, eu me arrependo de tudo o que eu fiz contra vocês.

Eles ficaram em silêncio.

—Eu posso pensar. —Bea. —Mas você ainda sabe o meu segredo.

—Se você sonhar em revelar, eu acabo com você. —Quanta classe, Breno.

—Eu nunca vou contar pra ninguém que você é bissexual, Bea. — Vini falou em um tom de provocação.

—Você o que? —Acho que eu perdi algumas coisas.

—Eu vou acabar com você, Vinicius.

—Por que? Ela é sua amiga. —O vini tem um ponto.

Bea revirou os olhos.

—Bea, eu não poderia me importar menos com a sua sexualidade. Vamos pra casa? —Fui direto ao ponto.

—Viu? É por isso que eu te amo. —Bea segurou meu braço e deu língua pro Vinicius.

Breno encarou o Vini.

—Parabéns. Com certeza você ganhou a competição. —O Vini disse, em um tom simpático.

—É, eu sei que eu ganhei. —O Breno não estava se referindo da mesma competição que ele.

Voltamos para a casa.

Quando eu e Breno chegamos no quarto, estávamos mortos. Eu peguei meu pijama e fui me trocar no banheiro. Ele se trocou no quarto mesmo.

Por precaução, quis perguntar se eu podia sair do banheiro para não me deparar com algo inesperado.

—Breno, já posso sair?

—Pode.

Abri a porta. Ele estava deitado sem camisa, com uma bermuda.

—Você vai dormir assim? —Perguntei, indo para a minha cama.

—Te incomoda?

—Não mesmo.

—Então sim, eu vou dormir sem camisa.

—Boa noite. —Disse, me deitando.

—Boa noite. —Ele levantou e me deu um selinho.

Dei um sorriso meio envergonhado, e ele voltou para sua cama.

Agora fomos dormir de verdade.

Amanhã vamos sair cedo para pegar o ônibus. Segunda vai ser um dia para descansar.

Hoje algumas pessoas definiram o meu futuro com a dança, e eu só vou descobrir na terça.

Acho que nunca esperei tanto por um dia da semana. Por favor, não demore.

Notas finais
Agora só falta um! Eu espero que o final agrade a todos vocês, essa é a última chance de comentar o que vocês queriam que acontecesse! Amo vocês ♥