Dance Made

21 #20- L'ambition


Notas iniciais
Oiee! Capítulo grandão hoje! Aproveita ;D

***POV: Elin***

Sexta-feira. O Yan me buscaria às 20 horas, então decidi começar a me arrumar às 19. Infelizmente, fiquei tão focada em me arrumar que não notei que a Bea havia deixado cinco ligações perdidas no meu celular. Com certeza alguma coisa aconteceu.

*LIGAÇÃO ON*

Elin: Bea?

Bea: Nossa, o que aconteceu para você ignorar minhas ligações desse jeito?

Elin: Desculpa, eu tava me arrumando para o jantar com o Yan e o Breno.

Bea: Tá, era sobre isso mesmo que eu queria falar com você. Só não sei como começar.

Elin: Fala logo, não é como se eu fosse me magoar nem nada.

Bea: Elin.... É o Breno.

Elin: O que que tem ele?

Bea: Eu acho melhor você não ir para esse jantar.

Elin: Pode falar em português, por favor?

Bea: Você vai ver coisas e pessoas que não gostaria.

Elin: Já vejo coisas e pessoas que eu não gostaria todas as minhas terças e quintas. O que é mais uma noite?

Bea: Bom, eu tentei avisar.

Elin: Aham, pode deixar que eu te ligo chorando mais tarde.

Bea: É sério, Elin....

Elin: Tchau, Bea.

*LIGAÇÃO OFF*

Era só o que faltava. Ontem ela me encoraja, hoje ela pede para eu não ir. Bipolaridade é um problema, Beatriz.

Decidi terminar de me arrumar. Meu vestido roxo era longo e tinha uma abertura na perna, eu gostava muito dele, realçava minhas curvas. Deixei o cabelo em um coque despojado, e passei maquiagem. Eu estava pronta.

Ouço a campainha tocar. Bem na hora, Yan.

Abro a porta.

—Ah, boa noite, eu estou procurando por uma tal de Elin. —Era o Breno.

Ele estava com um terno preto que havia algumas listras cinzas, bem sutis. Usava uma gravata roxa, assim como combinado. O penteado era o mesmo de sempre, mas, dessa vez, estava mais arrumado. Seu brinco na orelha ainda estava lá, parece que ele não se importava tanto assim em sair para lugares chiques usando-o. Na verdade, eu acho que garotos bonitos deveriam ser proibidos de se vestir assim.

—Ah, a Elin não vai poder ir. Tudo bem se eu te acompanhar?

Ele estendeu o braço, e eu o acompanhei.

Nossa conversa de ontem foi meio pesada. Mas, ele parece ignorá-la. Como se nada tivesse acontecido. Tudo bem, talvez fosse melhor assim.

Entramos no elevador. O celular do Breno não parava de apitar. Ignorei qualquer tipo ou possibilidades de ciúmes dentro de mim.

—Não vai responder? —Eu disse, em um tom surpreendente calmo.

Ele suspirou. Aquele suspiro de “não aguento mais”.

—É a Bea.

—E daí? Não pode responder sua melhor amiga?

—Posso, só não to afim de ter lição de moral agora.

—Ela deve estar preocupada com você, só isso....

—Ou com você.

Ignorei, de novo.

—Então, por que não liga pra ela e descobre?

—Tá bom, mãe.

***POV: Breno***

O elevador chegou no térreo. Elin foi para o carro do Yan, e eu fui ligar para a Bea. Por que melhores amigas insistem em dar lições de moral? Elas agem como se soubessem mais sobre nós do que nós mesmos.

*LIGAÇÃO ON*

Bea: BRENO!

Breno: Boa noite para você também, Bea! Eu estou ótimo, obrigado por perguntar.

Bea: Cala a boca. Você sabe muito bem o que está fazendo.

Breno: Lá vem....

Bea: Escuta, talvez a Elin goste de você tanto quanto a Vanessa gostava.... E eu sei que você não quer—

Breno: Por isso, Bea. Eu não quero fazer a mesma coisa que eu fiz com a Vanessa com a Elin.

Bea: É só não fazer!

Breno: Bea, eu sou assim. Entende isso logo. Eu não vou mudar por causa de uma novata que diz gostar de mim.

Bea: Você tá ouvindo as palavras que saem da sua boca?

Breno: Perfeitamente.

Bea: Você é melhor que isso....

Breno: Ah, você acha?

Bea: Você nem gosta da Melissa!

Breno: Não, eu não gosto da Melissa. Mas.... Ela beija bem.

Bea: Você me enoja, Breno.

Breno: Já acabou?

Bea: Nem sei porque eu ainda tento melhorar você.

Breno: É, também não sei.

Bea: Boa noite, Breno.

Breno: Bons sonhos, milady.

*LIGAÇÃO OFF*

Talvez eu goste da Elin. Só não quero que seja verdade. E, enquanto eu conseguir que não seja, não vai ser.

Eu conheci a Melissa ano passado em uma festa de dança. A gente ficou. Eu não sinto absolutamente nada por ela. A parte boa é que ela também não sente nada por mim. Digamos que foi só por diversão, para os dois lados.

No começo, eu também queria que fosse assim com a Elin. Mas, algo deu errado. Os dois começaram a se apaixonar. É uma pena, ela é ótima.... Em vários sentidos....

Eu tenho que terminar isso hoje. Meu plano é ficar com a Melissa e fazer a Elin cair na real. A Bea odiou. Tudo bem, não é sempre que sua melhor amiga vai te apoiar. Mas, ela continua lá por você.

***POV: Elin***

Nem sei o que pensar. A Bea parecia falar sério no telefone. O Breno não faria nada de…ruim? Sabe, eu estou cansada de agir como anjinho, indefesa, alguém que precise dele. Talvez seguir as instruções da Bea não seja a melhor ideia. Pelo menos não hoje.

—Desculpem a demora, sabe como é, Bea. —Disse Breno, fechando a porta e se sentando ao meu lado.

—Bom, —Disse Yan, se virando para nos ver— Estão prontos?

—Com certeza. —Breno parecia determinado para hoje.

Eu assenti com a cabeça.

Yan deu um sorriso, e dirigiu até o local.

Chegamos no restaurante. Ele parecia um hotel por fora. Era incrível. Haviam seguranças na frente e, após o Yan falar nossos nomes, eles fizeram um sinal convidativo para que entrássemos.

O salão era enorme. Haviam várias mesas com panos dourados em cima, um lustre enorme no centro, uma mesa de flores na entrada, e uma abertura com uma cortina, que parecia levar para outro salão. Tinha uma música tocando que parecia vir do salão dessa abertura, provavelmente seria a pista de dança.

Todos estavam muito bem vestidos. Entrar naquele lugar me deu um friozinho na barriga, eu nem sabia como reagir direito.

—Meninos, —Começou Yan. —Eu vou para a nossa mesa. Breno, pode mostrar o lugar para a Elin e depois nos encontramos lá?

—Claro.

Yan acabou sumindo naquela multidão, e eu fiquei ali sozinha com o Breno. Talvez o frio na barriga tenha aumentado.

—Pronta? —Ele disse, oferecendo sua mão.

Concordei com a cabeça e a segurei. Isso me acalmou. Não por ser a mão do Breno. Foi bem mais pela sensação de “não estou sozinha”.

Começamos a andar pelo restaurante.

—Aqui é onde as pessoas comem. Praticamente essa é a única utilidade desse salão. Ali fica o buffet, mas você também pode pedir comida pelo cardápio que fica nas mesas—

Parei de andar.

—Algum problema? —Ele disse, confuso.

—Não, nenhum. É que.... Talvez eu esteja mais interessada no que tem atrás daquela cortina.

Ele ergueu as sobrancelhas, e fez um gesto para que eu andasse em sua frente.

Fui em direção à abertura. A música ia aumentando cada vez mais. Passei pela cortina e me deparei com outro salão enorme. Esse tinha uma pista dourada no centro, com outro lustre no topo. A iluminação era feita a velas, que ficavam nas paredes. Havia um bar no canto, em forma de meia lua, com bancos em volta dele. Ao redor da pista, alguns sofás com mesas no centro. No outro canto, tinha uma banda, tocando as músicas. Elas eram estilo soul music. Sempre gostei desse tipo de música, sei lá.... É calmo... sensual. Nossa, eu devia proibir alguns tipos de pensamento.

—Preciso explicar pra que serve esse local ou as pessoas dançando no centro são autoexplicativas?

—Não precisa dizer nada.

Ficamos no silêncio por alguns segundos. Eu estava fascinada com tudo aquilo.

—Então.... Vamos? —Obrigada por cortar o clima, Breno.

—Pra mesa?

—É, né.... Pra onde mais seria?

Talvez você devesse me convidar para dançar, seu idiota.

—Lugar nenhum. Vamos.

—Ok....

Breno me levou até uma mesa enorme. Tinha lugar para trinta pessoas nela, catorze de cada lado, e um em cada ponta. Esse restaurante era um daqueles que você tem milhões de garfos, de facas, de colheres, e de copos. Ainda bem que fui treinada para isso.

—Aí estão eles! —Disse Yan, se aproximando com uma mulher vestida de preto. —Patrícia, esses são meus alunos.

—É um prazer conhece-los. Sou organizadora do evento de danças que vocês participaram no meio do ano.

—Ah, claro. Patrícia Clark. O seu trabalho está sendo incrível. A propósito, eu sou o Breno.

—Breno! O Yan me falou muito sobre você! E você, querida?

—Elin. Entrei esse ano no estúdio, mas já dançava antes.

—Estou ansiosa para ver o trabalho de vocês! Bom, aproveitem!

Ela e o Yan se retiraram. Eu e Breno nos sentamos. Comecei a olhar quem estava na mesa conosco, procurando algum rosto conhecido. Ah não.

—Breno. —Sussurrei.

—Hm?

—O que ele tá fazendo aqui?

—Ele quem?

Fiz um sinal com a cabeça.

—Rodrigo? —Ele respondeu, surpreendentemente calmo.

—É!

—Ah, ele é dançarino. O professor dele é aquele cara ali.

—Achei que ele tivesse sido expulso.

—E por que ele seria?

Respondi com um olhar de “sério isso? ”

—Escuta, Elin. Competições são competições. As pessoas fazem muita coisa sem pensar quando querem ganhar algo.

—É, mas elas fazem coisas.

—O Rodrigo não é uma pessoa tão ruim.

—Quem é você?

—Olha, eu fiquei irritado naquele dia na viagem, só isso. Não sou uma pessoa que guarda rancores.

—E eu achava que te conhecia.

Ele ignorou.

—Breno! —Disse uma garota do outro lado da mesa. Ela se levantou, e começou a vir em nossa direção.

—Melissa... —Breno se levantou.

—Quanto tempo! —Ela abraçou ele. Mas não foi um abraço qualquer, eles já se conheciam antes. —Quem é essa?

—Ah, Melissa, essa é a Elin. Minha parceira de dança no estúdio.

Ela acenou, com uma cara meio enojada.

—O prazer é meu. —Digo, ironicamente, e começo a olhar o cardápio.

Os dois saíram para conversar.

Talvez esse jantar não tenha sido uma boa ideia. Pedi um prato com nome bonito, e comecei a torcer para que não fosse algo estranho. Eu não queria mexer no celular, provavelmente só encontraria mais coisas para encher minha mente.

Quando o prato chegou, era um frango com um molho que eu não fazia a menor ideia do que era. Mas, o cheiro era bom, e eu estava com fome.

Quando terminei de comer, notei que as pessoas haviam trocado de lugar e, para a minha felicidade....

—Licença, eu posso sentar aqui? —Um garoto loiro, com olhos cor de mel, e um lindo sorriso.

—Claro!

—Então.... Qual o seu nome?

—Elin. E o seu?

—Felipe. Sou aluno do Pedro.

—Ah, então você estuda com o Rodrigo?

—Sim.... Espera, como você sabe disso?

—Conheci ele em uma viagem.... Mas, não tenho muito o que falar sobre o Rodrigo.

—Estranho.... As pessoas sempre têm muitas coisas para falar sobre ele.

—Imagino....

—Legal conhecer você. —Ele sorriu.

—Eu digo o mesmo.

Nos olhamos por um tempo. Senti uma ligação entre a gente. Não sei explicar....

Olhamos ao mesmo tempo para o outro lado da mesa, alguém estava fazendo barulho com uma colher e um copo. Era a Patrícia.

Ela começou a agradecer a presença de todos, e disse que, a partir de agora, estaríamos livres para curtir a pista de dança ou beber algo no bar. Agora a reunião seria só para os adultos.

—Meninos, —Yan. — Podem ir para o outro salão. Quando quiserem ir embora, me avisem que eu pago um táxi, essa reunião provavelmente vai demorar.

Agradecemos e fomos para o outro salão.

Haviam dois sofás enormes, que formavam uma meia lua em volta de uma mesa. Os adolescentes se sentaram neles, e ninguém ficou exprimido. Na nossa mesa, haviam doces, salgadinhos, refrigerantes.... Comida normal, sabe? Breno se sentou ao meu lado. Já que o sofá era enorme, ele sentou ali por opção. O Rodrigo e o Felipe estavam no sofá do outro lado da mesa, então ficamos frente a frente. Todos estavam conversando, rindo, e descobri que existem muitas pessoas legais nesse meio da dança. Nem todo mundo ali dançava Hip Hop, o que era legal, porque eu aprendi muitas coisas sobre outras danças.

De repente, começou a tocar “Hell is around the corner”, do Tricky. Tem alguma coisa nessa música que me instiga. Mas com certeza é uma instigação boa.

—Olha só.... —Disse Luana, uma garota que é dançarina de tango. —Acho que uma dançarina de Hip Hop não precisa gostar só de músicas de Hip Hop.

Todos pararam de conversar e olharam para mim.

Vergonha.

—Ah.... É, eu gosto dessa música.... É uma melodia legal de dançar.

—Eu concordo....

Os garotos começaram a se olhar, talvez se perguntando quem nos chamaria para dançar.

—Desculpem, eu sou o parceiro dela. —Um menino se levantou e segurou a mão de Luana, levando-a para a pista.

Olhei para Breno. Ele estava olhando para baixo.

—Não to no clima, foi mal. —Ele disse, sem nem olhar no meu rosto.

—Eu estou. —Felipe. —Me acompanha?

Sorri.

Aceitei sua mão, e fomos juntos para a pista.

Dei uma última olhada para o Breno. Ele ergueu uma sobrancelha. Respondi com um sorriso de canto de boca.

Felipe colocou as mãos em volta da minha cintura, e eu coloquei as minhas em volta de seu pescoço. Começamos a acompanhar as batidas, indo de um lado para o outro.

—Obrigada por.... Ah, você sabe, pela dança. —Eu disse.

—Sem problemas.... Seu parceiro não se importa?

Desviei o olhar para ver como estava o Breno. Aparentemente, muito bem, já que essa tal de Melissa estava se jogando para ele no sofá. Ele não estava nem olhando para mim.

—Não, eu tenho certeza de que ele não se importa.

—Se você diz....

Suspirei.

—Tá tudo bem? —Ele perguntou.

—Tá sim...Eu só... Sabe, problemas com o parceiro.

—Entendi... Algo em que eu possa ajudar?

—Você tá me fazendo companhia, já é uma ótima ajuda.

Ele sorriu.

Estava tudo bem, até alguém aparecer. Rodrigo estava vindo em nossa direção, com as mãos no bolso, e um sorriso malicioso.

—Rodrigo. —Eu disse, parando de dançar.

—Hm?

Felipe também parou, e ambos olhamos para Rodrigo.

—Felipe, será que você poderia me emprestar a Elin um pouquinho?

—Tudo bem por você, Elin?

—Sim.... —Eu disse, encarando Rodrigo.

Felipe foi se sentar.

Estávamos parados, um de frente para o outro.

—O que você quer? —Eu disse, colocando uma mão na cintura, e a outra estendida no corpo.

—Quero me redimir pelo que fiz com você na viagem.

—Hm.…. Estou curiosa para saber como você planeja fazer isso.

Ele aproximou seus lábios do meu ouvido.

—Você tá perdendo o joguinho de vocês, Elin.... É uma pena....

Ele se afastou novamente.

—Eu não preciso ganhar.... —Disse, olhando para baixo.

Ele levantou meu queixo com seu dedo.

—É.... Mas você quer ganhar.

Revirei os olhos.

—Quem te garante que eu estou perdendo?

Ele ergueu a sobrancelha, e virou meu rosto para que eu olhasse para o Breno.

Ele e Melissa estavam se beijando. Eu queria correr dali, chorar, matar os dois, apagar minha memória.... Mas, a última vez que isso aconteceu, correr foi exatamente o que eu fiz. Não posso fazer a mesma coisa duas vezes.

—O que me garante que você sabe ganhar esse joguinho? —Eu disse, irritada e, de certa forma, determinada a ganhar isso.

—Com quem você acha que o Breno aprendeu a jogar?

Encarei seus olhos. Rodrigo deu um sorriso de canto de boca. Claro que não era bom sinal, ele só estava fazendo isso para se vingar do Breno. Eu já estava cansada de fazer tudo certo. E, afinal...O inimigo do meu inimigo é meu amigo.

Rodrigo deslizou os dedos pelo meu corpo, indo do meu ombro até minha mão. Ele ergueu nossas mãos, sem segurar muito forte, nem muito leve.

Ele colocou sua outra mão lentamente em volta da minha cintura. E eu coloquei a minha em seu ombro.

Começamos a dançar, acompanhando as batidas e a melodia da música.

—Acha que isso vai funcionar? —Eu disse, olhando para qualquer lugar que não fosse aqueles olhos acinzentados.

—Já está, Elin.

Desviei lentamente o olhar, e vi que Breno estava me olhando, confuso. Melissa estava falando alguma coisa para ele, mas alguém não estava muito interessado. Seus olhos estavam fixos em mim.

Dei um sorrisinho para ele, e me voltei para Rodrigo. Dessa vez, olhando em seus olhos. Comecei a acariciar seu ombro com meus dedos.

—Se animou? —Ele disse, me encarando.

Dei de ombros.

—O que você ganha com isso, Rodrigo?

—Acho que esqueceu que eu e o Breno somos grandes amigos.

—Não sei se eu sou a melhor opção de vingança.

—Não? —Ele soltou meu coque, deixando meu cabelo cair em meus ombros. De alguma forma, ele estava ondulado e combinou muito melhor do que o coque que eu estava usando. Por que ninguém me avisou isso antes?

—Não estou reclamando, mas.... Por que você soltou me cabelo?

Ele fez um sinal com a cabeça.

Breno se levantou, e Melissa ficou irritada com a falta de atenção.

—Pronta pra ganhar?

Assenti.

Rodrigo me puxou para mais perto, colando nossos corpos. Coloquei minhas mãos em volta de seu pescoço, e ele colocou as dele em volta da minha cintura. Nossos lábios estavam próximos, mas não iriamos nos beijar. Ele deu um sorrisinho.

—O que foi, Breno? —Disse Rodrigo, com a voz rouca, virando seu rosto.

—Elin, podemos conversar? —A voz dele estava irritada.

—Ela tá um pouco ocupada agora. —Rodrigo se virou novamente para mim.

—Elin!

Me afastei do Rodrigo, olhando para Breno.

—A gente se vê.... —Disse o Rodrigo, com uma voz de malícia, se afastando. Ele conseguiu a vingança que queria.

—O que você quer, Breno?

—Vamos conversar em um lugar mais reservado.

Fomos para um canto do salão que estava vazio. Era um corredor que levava para um outro local que não estava em uso.

—O que você tava pensando? —Breno estava muito irritado. Mesmo.

—Desculpa, mas, não foi você mesmo que disse que o Rodrigo não é uma pessoa ruim?

Ele revirou os olhos.

—O que foi, Breno? —Me aproximei de seu ouvido— Não consegue perder...?

Ele ergueu as sobrancelhas, dando um sorrisinho.

—O que te faz pensar que eu perdi?

—O que te faz pensar que você ganhou?

Ele não esperava por essa.

Encarei seus olhos. Esperando uma resposta.... Ou uma ação.

Breno me prendeu na parede.

—Por que você insiste tanto? —Ele disse, com uma voz rouca, olhando para baixo.

—Eu não to te obrigando a nada.

Ele ergueu o rosto novamente. Dessa vez, seu olhar estava firme, desafiador.

Breno se aproximou. Eu não me mexi, nem demonstrei emoções. Se era assim que ele queria jogar, é assim que jogaríamos.

Seus lábios foram de encontro aos meus. Mas ele não me beijou. Era um tipo de provocação. Mordi levemente seu lábio inferior.

Foi o suficiente.

Breno me beijou, e eu o beijei de volta. Foi um beijo intenso, firme, e com uma pitada de desespero. Fazia tempo que não nos beijávamos.

Ele colocou suas mãos em volta de minha cintura, me puxando. Eu puxei seus cabelos da nuca. Ele deslizou as mãos pelas minhas costas. As coisas estavam esquentando.

Ele me ergueu, e eu coloquei minhas pernas em volta de seu corpo. Breno começou a beijar meu pescoço, e eu arranhava suas costas.

A música no salão parou de tocar.

Paramos também.

Ele deu uma risadinha. Desci do seu colo, ajeitando meu cabelo. Ele ajeitou a gravata.

Não falamos mais nada. Só sorrimos. Já “conversamos”, e parece que estamos... bem?

Não tinha mais ninguém no salão, e só alguns desconhecidos no restaurante.

—Acho que eu te devo uma dança. —Ele disse, indo em direção à banda. —Licença, vocês poderiam tocar uma última música?

—Claro! Qual seria?

—Hm.... “Hard times”, da Mildred Anderson.

—Ótima escolha, senhor.

Ele veio em minha direção.

—Não sabia que você gostava desse estilo, Breno.

—Já disse que você não sabe nada sobre mim.

—Eu descubro com o tempo....

Começamos a acompanhar a batida, dançando pelo salão. Ele sabia exatamente a hora de me rodar, deitar.... A gente tem muita sintonia dançando.

—Não sei se foi proposital, mas acho que a gente entendeu perfeitamente como nossos personagens se sentem. —Ele disse, quando a música estava chegando ao fim.

—Concordo.

Aproveitamos os últimos segundos, agradecemos a banda, e saímos.

Yan já tinha ido embora, provavelmente não queria atrapalhar nada. Breno me deixou em casa e, quando eu peguei meu celular, tinham dez ligações perdidas da Bea.

*LIGAÇÃO ON*

Bea: Elin! Você tá bem? Ele é um idiota, amiga, eu sei. Mas, olha—

Elin: Bea... Tá tudo bem. Na verdade, tá tudo muito bem.

Bea: O que aconteceu...?

Elin: Te conto em detalhes depois, mas.... Digamos que eu tenha aprendido a jogar bem rápido.

Bea: Ah, sorte de principiante.

Elin: Idiota!

Bea: Você me ama. Enfim, vou te deixar descansar. Boa noite!

Elin: Boa noite.... Obrigada, sério.

Bea: É pra isso que eu sirvo....

*LIGAÇÃO OFF*

Fui tirar o vestido, e percebi que roxo realmente fica muito bem em mim. Ops.... Mas, talvez não no meu pescoço. Vai sumir, né? Hm.

Decidi ir dormir. Amanhã eu resolvo isso....

Boa noite ♥

Notas finais
Não vou demorar para o próximo, tá? Espero que tenha gostado desse :3