Dance Club - Life Is a Suprise
24 Season 3 / chapter 4 - "Alvin, shut the fuck up!”
Notas iniciais

Capítulo 4 – “Alvin, shut the fuck up!”
No dia seguinte eu acordei com um pouco de dor de cabeça. Não, eu não tinha bebido, era só a conseqüência de uma conversa um pouco tensa para mim. Sentei na cama e olhei pro espelho do outro lado da cama, voltando a deitar, tacando o foda-se para a escola. Aquele dia eu não iria, iria é ficar deitado na cama tentando relaxar para essa dor física e emocional passar.
— Ei, maninho... – Alvin me chamou, dando algumas batidinhas na porta enquanto entrava. – Que aconteceu?
— Hoje eu não vou para a escola. – Notifiquei, fechando meus olhos, sentindo ele sentar na cama.
— Que houve?
— Eu só não estou bem. Avisa para o papai e fala para ele que é dor de cabeça e no corpo. Nos falamos mais tarde, okay? Eu vou dormir agora. – Avisei e Alvin soltou um okay baixo, me dando um beijo na testa e saindo. Abri os olhos para me certificar de que não havia ninguém e assim que constatei estar sozinho, assim que escutei o carro dando partida, eu comecei a chorar.
...
Eu ainda chorava quando meu pai chegou em casa. Ele abriu meu quarto devagar, crendo que eu dormia, e assim que me viu chorando correu para meu lado, me puxou para seus braços e me abraçou com força. Sussurrando nos meus ouvidos que tudo ficaria melhor. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas também não perguntaria se eu não quisesse falar, ao menos por enquanto e eu sabia disso.
— Trouxe remédio pra você. – Dave avisou e eu assenti, vendo-o pegar o copo do criado mudo e encher com a água da garrafa que estava no pé da cama. Ele ergueu o copo para mim junto do remédio e eu os pego. Engulo tudo rápido e volto a abraçar meu pai, que apóia a cabeça na minha e ficamos ali, aproveitando o silêncio e suas palavras de conforto. – Eu te amo, sabia? – Ele perguntou e eu assenti, beijando o ombro dele.
— Também te amo. – Falei, fechando os olhos e tomando coragem para lhe contar sobre Miles. Ele não iria brigar nem nada, iria me aconselhar, mas meu medo era contar. Contar era difícil. – No dia que nos levou para apresentar Samantha e os filhos dela, eu acabei conhecendo um cara e ficando com ele. No dia seguinte eu descubro que ele é meu professor. Consequentemente, não podemos ficar juntos e decidimos que o melhor é agir como amigos, mas eu não quero agir só como amigo, eu não quero ele de amigo, quero mais. E é estranho isso, levando em consideração que nos conhecemos tem tão pouco tempo...
Ele me escutou atentamente, prestando atenção a cada detalhe da história, sem me julgar, sem me condenar ou criticar. Ele escutou tudo e quando eu terminei de falar ele sorriu.
— Então, querido... Na sua idade eu já fiquei com pessoas mais velhas. Claro que a circunstância não é a mesma, mas a lei se aplica do mesmo jeito. Não vou dizer que você está errado, até porque você completa dezoito anos daqui dois dias, mas que você deve tomar cuidado com as decisões que toma, e que seja lá o que escolher eu irei te apoiar, okay? – Eu assenti e ele me deu um abraço apertado. – Agora que tal a gente ir comer alguma coisa no fast-food aqui perto?
Eu sorri e dei a mão para ele, seguindo-o.
...
Coloquei mais algumas batatas na boca, me sentindo uma llama comendo, vendo meu pai rir.
— Que foi? – Eu perguntei, vendo-o começar a gargalhar. Esperei até a respiração dele regularizar e voltei a comer, esperando.
— Você. Digo, você quando pequeno fazia isso e sempre me perguntava o que estava acontecendo pra eu rir. – Meu pai soltou um riso nasal, provavelmente voltando a lembrar da minha versão menor.
Depois de um tempo de um silêncio simpático, mordi os lábios e levantei o olhar para Dave, vendo-o questionar com o olhar porque eu levantara a cabeça tão rapidamente.
— Quem eu sou? – Ele sorriu aparentemente se identificando com aquela pergunta.
— Você diz “quem eu sou quanto pessoa”? Ou “eu não sei quem eu sou. Quem eu sou?” porque pra ambas tem respostas diferentes.
— Pode ser ambas.
— Então se prepara que você não vai gostar. – Ele disse, respirou fundo e soltou: — Sobre quem você é quanto pessoa, eu poderia te dizer o que acho agora que basicamente se resume a um bom filho e um doce de pessoa que se preocupa com os outros, mas não sabe ainda como ajudar; porém isso é algo que você vai moldando com o tempo, suas escolhas te levarão a pessoa que você será. Quem você quer ser talvez. Agora, sobre quem você é? Filho, eu gostaria de aliviar essa dúvida para você, mas infelizmente não posso e não consigo. Quem você é agora é alguém em dúvida, mas em dúvida sobre o quê? É aí que entra suas questões. Isso você vai descobrir sozinho fuçando, mudando, se rebelando contra quem você é agora.
— O problema, pai, é que esses dias vêm sendo especialmente difíceis para mim. Eu me baseei durante muito tempo no Simon quanto à escola, mas também tentei me basear no Alvin, na lealdade e carinho dele, e claro, em você, com sua preocupação e jeito despojado de vestir. – Ele sorriu para mim, segurou minha mão e deu um beijo.
— Querido, isso faz parte da época que está passando. E mesmo assim, quando somos adultos passamos por isso, às vezes porque percebemos que estamos envelhecendo e ficamos nos ressentindo pelo que não fizemos, mas a coisa é que é normal e você não precisa saber agora. Não precisa se desesperar por uma resposta agora, nesse momento, você pode deixar isso indo, mas se quiser descobrir agora, então vá fundo. Só não faça nada extremamente perigoso ou consuma drogas, fora isso, é sua vida e são suas regras a partir de depois de amanhã.
Sorri para ele, feliz por seus conselhos. Era bom saber que alguém me entendia e eu poderia sempre conversar com ele quando as dúvidas e outras coisas assolassem minha cabeça.
— Olha só as duas bichinhas aí! – Um cara disse, passando por nós e parando a um metro da mesa, sorrindo de escárnio.
— Como é? – Meu pai perguntou prestes a se levantar, eu segurei a mão dele, vendo-o virar a cabeça para mim me vendo negar com a cabeça, afinal, não valia a pena.
— Isso que você escutou, pedófilo. – meu pai soltou uma risada e se levantou a tempo do cara desferir um soco nele, meu pai somente segurou o pulso dele.
— Você deveria parar de julgar as pessoas, sabia? Jesus Cristo falou que julgar é errado. – Meu pai disse no tom de quem fala com uma criança. – Além de que você deveria retirar o que disse.
— Tira o nome do meu Deus da sua boca! – O cara tentou atacar meu pai de novo, que somente virou o pulso dele e abaixou, fazendo o cara cair no chão. – Eu não vou retirar o que disse. – O homem falou com a boca contra o chão.
— Tecnicamente Jesus Cristo não é Deus. Ele é o filho de Deus, que acaba por ser um semideus. – Meu pai sorriu para mim e pulou quando o cara tentou lhe dar rasteira. O homem se levantou e correu até ele. – Theo, sai daí!
Não esperei e pulei pra longe da mesa, meu pai desviou do cara com uma facilidade incrível, fazendo-o chocar-se contra e mesa e derrubá-la, me fazendo lamentar a perda da metade do meu sanduíche e minhas batatas.
Todas as pessoas do local bateram palmas e começaram a comemorar chamando pelo meu pai, que somente riu e agradeceu.
— Pai do Theo! Pai do Theo! Pai do Theo! – As pessoas gritavam, fazendo-o rir mais.
— Como você sabia exatamente o que fazer? – Eu perguntei e ele soltou um riso nasal.
— Criança, você não sabe o que eu faço no meu tempo livre... eu estou tendo aula de defesa pessoal, eu sempre esqueço o nome, mas se lembrar te falo. Basicamente lá a gente aprende a usar a força da pessoa contra ela mesma. Por isso continuei provocando ele. – Ele me explicou gritando do nada em seguida. – Aikido!
— Mas o quê? – Questionei rindo.
— O nome do estilo de luta. – Ele explicou e eu assenti, finalmente entendendo, então abracei ele.
...
Havíamos chegado em casa após comer um lanche por conta da casa do fast-food que ofereceu após o episódio horroroso do que acontecera. Claro que não havíamos deixado a oferta passar.
— Quer fazer o que agora? – Perguntou meu pai.
— Que tal a gente só ver televisão juntos? Algum filme, talvez? – Ele assentiu e eu sentei no sofá, ele plugou um cabo da televisão no do notebook e ligou na Netflix.
— Que filme hoje? – Pele questionou e ficamos procurando.
— Que tal se a gente começar a ver uma série? – Perguntei e ele assentiu contente com a idéia. – Olha essa Merlí, parece ser ótima.
— Então vamos de Merlí. – Meu pai afirmou e iniciou o episódio, pegando o chocolate que havia pego na cozinha junto do refrigerante, puxando o cobertor para nós e ficamos ali assistindo a série até dar cinco da tarde e meus irmãos entrarem pela porta de casa pulando felizes.
— Meu Deus, o que aconteceu com vocês? – Dave perguntou, assustando os dois.
— Vocês não sabem..! – Simon e Alvin disseram e eu ri.
— Claro que não, senão não estaríamos perguntando.
— Justo. – Os dois disseram juntos, então Alvin retomou a fala: — Cara, nós conseguimos arrecadar metade da grana para a Competição.
— O quê? – Eu pulei do sofá, mentalmente agradecendo mais tarde de meu pai ter parado a série assim que os dois entraram em casa. – Conseguimos metade?
— Isso! – Eles me abraçaram e ficamos pulando na sala.
— Isso requer pizza pra comemorar. – meu pai falou, pegando o celular pra pedir.
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