Dance Club - Life Is a Suprise
15 Season 2 / Chapter 5 - Heartbeats
Notas iniciais
Angus
"Como vocês vieram parar aqui de novo?" A professora perguntou, sentada na mesa, olhando suas alunas, que engoliram em seco, tentando controlar a risada. É, novamente as cinco se encontravam na detenção.
"Digamos que as coisas não correram bem na hora de selecionar o tema do trabalho de Geografia." Angus disse e viu a professora rir, sem conseguir controlar.
"O que aconteceu, especificamente?" A mulher prendeu os cabelos cacheados e se preparou para a história.
"A gente estava lá na aula, até que a professora sugeriu de fazermos um trabalho com estatísticas, mas ela não tinha ideia de que tema poderíamos falar. Marley sugeriu feminicídio pelo mundo, já que é algo que acontece muito e a causa é o machismo, mas então o mesmo garoto que nos colocou nessa enrascada começou a questionar, com brincadeiras e com frases machistas, e apesar de a gente ter segurado Marley, ela acabou brigando com ele e dando um tapa nele. Assim que ele segurou a mão dela, já na segunda vez que ela ia dar um soco nele, a gente se intrometeu e empurrou ele, afastando ela dele, porque isso poderia ser ainda pior. O diretor estava passando naquele momento, e de novo, o imbecil saiu impune e a gente teve que vir pra cá, não que seja ruim, já que você é legal." Yumi explicou, vendo as amigas assentirem.
"Obrigada." A professora agradeceu, observando as alunas, deixando o ambiente cair em um silêncio confortável, e após aproveitarem um pouco, a professora arriscou em perguntar: "Como andam as coisas no clube de dança?"
"Andam bem, como você deve saber, conseguimos passar para a próxima fase, mas agora os ensaios estão sendo mais focados em aula sobre a dança. O que é legal, eu realmente não fazia ideia de muita coisa que a gente veio aprendendo com o Enzo." Liz falou, vendo a professor sorrir e assentir, diante da felicidade das meninas.
"Fico feliz que estejam contentes com isso. Mas me contem, vi que tocaram na última apresentação de vocês, isso é algo que vai pra frente? Fui eu a influenciadora desse grupo?" A professora questionou, um sorriso questionador fazendo as garotas rirem.
"Esses dias viemos questionando se queríamos levar isso adiante, e parece que sim." Angus disse, vendo as amigas assentirem.
"Vão tentar na sorte? Ou pretendem levar isso adiante?" A professora perguntou, se levantando da mesa e se aproximando das alunas.
"Vamos tentando, inicialmente pela diversão, mas se formos reconhecidas e isso prosseguir, por que não levar adiante?" Luana disse, vendo as outras sorrirem, imaginando-se em palco cercada de fãs.
"Então, querem praticar?" A professor ofereceu, vendo-as arregalar os olhos. "Sim ou não?"
"Mas e o diretor?" Elas perguntaram, fazendo a professora rir.
"Como se eu me importasse... vocês praticam, eu fico de olho na porta, escutando vocês. E então, o que me dizem?" Elas assentiram, ainda não crendo.
"Partiu!" Yumi disse, correndo para o teclado.
China
"... Há diversas sexualidades, e muitos dos termos acabam por enquadrar outras sexualidades. Um exemplo bem comum é quando se fala de assexual, dentro do termo assexual, há diversas outras sexualidades, como a demissexualidade, ou greyssexualidade, etc." Naya disse e China assentiu, sentindo como se sua cabeça ficasse mais leve.
"Isso porque também podemos falar sobre a atração romântica. Que é por quem você se atrai romanticamente." Liz acrescentou, vendo Naya assentir.
Elas estavam aproveitando que o professor de química estava (estranhamente) quieto pra continuar a conversa que haviam começado no fim da aula anterior. Ela não se lembrava como que o assunto havia começado, só sabia que quando viram, estavam entrando em assexualidade, saciando uma de suas dúvidas.
"Então, por exemplo, arromântico seria aquele que não sente atração romântica? Portanto, não se apaixona/ama?" China perguntou, sabendo a resposta, vendo as amigas assentirem, a fazendo soltar o ar que não percebia segurar. As garotas se entreolharam, quase como se identificassem.
"Você sabia? Ahn, foi assim que reagimos quando percebemos que nos identificávamos com alguma coisa." China arregalou os olhos e negou.
"Mas não é possível, é?" Ela sabia que a confusão no seu rosto era expressivamente clara.
"Atração Romântica não precisa ser igual à sua Sexual." Relembrou, Liz.
"Sim, mas como eu não amaria alguém? Eu quero amar alguém!" China disse alto, uma tentativa falha de se convencer.
"Você quer amar alguém ou você acha que o correto seria amar alguém?" Naya questionou, vendo a garota abaixar a cabeça, confusa. "Perceba que isso não anula seu amor fraternal ou de amizade."
...
Era a quarta aula e China estava sentada observando a chuva que caía criando poças pequenas que cresciam aos poucos. Ela aspirava forte e fundo, sentindo o ar agora úmido entrar com facilidade em seus pulmões. A vontade de chorar devido sua dúvida que vinha alastrando-se nos últimos dias, junto de suas certezas religiosas que a machucavam por não contar aos pais, agora misturadas com essa incerteza sobre atração romântica, pareciam tentar a abandonar, mas todo momento a vontade de chorar atacava de novo e ela limpava a pele negra rosada da bochecha pelo blush, agora molhada. A garota só queria um tempo sozinha pra colocar a mente no lugar, ver suas certezas. Até agora a divisão estava:
Não acreditava em Deus, não acreditava na existência Dele; Não era bem uma certeza, mas ela sabia que seu pai podia pirar por saber isso;
E de incertezas:
Ela podia não amar ou se apaixonar; E ela não tinha ideia do que isso poderia significar; Ela talvez precisasse conhecer mais gente que pudesse a entender e explicar (?);
Ainda bem que ela estava anotando isso, era bem capaz de ela tentar deletar essa típica cena de filme da mente depois. Talvez não fosse uma boa ideia ficar ali, matando aula, fora da escola, mas ainda nela (confuso? Era como ela estava), observando a chuva, quase como se aquele fenômeno a entendesse. Ela prendeu o cabelo e respirou fundo, pegou o celular e digitou algumas coisas no Google com a localização ligada, para assim facilitar na procura por um grupo perto de si. Assim que achou, se levantou, colocou sua camisa de flanela, e foi empurrando as portas que davam para os corredores. O celular mostrava que faltava um minuto para o sinal para a troca de salas, então ela correu, quase como se aquilo dependesse da vida dela, e dependia, ela precisava daquilo. O sinal bateu no momento em que ela empurrava a porta que dava para fora do local. Ela não parou, até chegar no ponto de ônibus, e por ironia do destino, o ônibus que precisava parou e ela entrou. Era agora que suas dúvidas seriam saciadas. Nada como um ímpeto de coragem, não é mesmo?
...
"Bem-vindos à conversa de hoje." Disse o homem que parecia comandar e liderar a conversa. "Alguém gostaria de se expressar sobre como é estar aqui?"
"Eu." Disse um garoto que China se lembrava de ter visto na escola.
"Sim, diga, Thomas." O homem de aparência italiana disse, prendendo os cabelos levemente ondulados.
"Eu me identifiquei essa semana com minha atração romântica, finalmente!" O menino dizia sorridente, com uma certeza que parecia o preencher. "Eu sou demirromântico (no caso eu me apaixono somente após ter vínculo com alguém) e acho que posso estar me apaixonando por um garoto do meu trabalho. E poder vir aqui é tão bom, eu me sinto bem."
"Que bom que se identificou! E que bom que isso te deixa feliz." Disse o homem, sorrindo, sem querer, revelando a pequena falha ao lado da boca na barba por fazer. "Vejo que temos um rosto novo por aqui, você gostaria de se apresentar?" Ele perguntou, se dirigindo à China, que sorriu, meio encabulada, vendo-a assentir.
"Eu me chamo China. E hoje foi meu primeiro dia reparando que posso enfim ter encontrado minha identificação. E então cabulei aula, porque preciso ver se eu estou certa sobre isso, preciso ter certeza se eu não estou errada, se eu não sou errada. E me sinto mal por me sentir assim, me sinto envergonhada de que talvez meus pais não vão ter o que sempre sonharam de mim, ou alguma coisa assim, e que eu não vou ter o que sempre sonhei para mim." Ela abaixou a cabeça, limpando as lágrimas que insistiam em cair.
"E como se identifica?" Thomas questionou, colocando a mão no ombro da garota, vendo-a sorrir em um obrigado silencioso.
"Arromântica." Thomas assentiu.
"E como aconteceu? Você teve um ímpeto de coragem, pra procurar se entender logo de primeira, né?" Thomas questionou, vendo-a soltar um riso nasal e concordar.
"Foi bem isso. Eu sinto que precisava ouvir de outras pessoas as suas experiências e entender que isso não tá errado, mas por que eu sinto como se eu fosse errada?" China respirou fundo, vendo Thomas ficar em silêncio, somente a mão em seu ombro lhe dando o apoio que precisava para não desabar em choro.
"Isso acontece porque vivemos numa sociedade que deposita a felicidade em estar junto de alguém, romanticamente falando, inclusive sexualmente. Constantemente nos é dito que se não namorarmos, ninguém mais irá querer saber de nós. Se não nos casarmos antes dos trinta, ficaremos para sempre sozinhos. E sozinho não deveria significar sinônimo de infelicidade. Não sinto atração sexual, e daí? Porque fazer sexo é um requisito obrigatório para se viver na nossa sociedade? Por que é algo supervalorizado? Nisso, nessa construção de valorização e tornar algo como essencial para a vida de todos, sem nem ligar se todos realmente querem aquilo, vai nos fazendo tentar adequar-nos nisso, filmes de comédia romântica muitas vezes fazem isso sem nem percebermos. Lá é sempre retratado que o amor é uma realização da vida, que amar alguém (romanticamente falando) é a última meta da sua vida. E não deveria ser isso, não deveríamos viver sob imposições." O homem disse. "A propósito, me chame de Luigi."
"Prazer." China disse, assimilando tudo que o outro dissera.
"Há milhões de explicações científicas para quem somos, e porquê somos quem somos, mas pra hétero não há, entende por que a nossa busca por um porquê acaba sendo mais um modelo de preconceito próprio imposto por uma sociedade heteronormativa (em todos os quesitos, tanto românticos, quanto sexuais)?" A pergunta retórica fez a garota assentir.
"Obrigada." Ela agradeceu, sentindo o coração não mais afundado.
Dianna
A garota acariciou os cabelos da morena do seu lado, vendo-a dormir relaxada, e pelo sorriso genuíno de quem dormia, feliz. Era bom terem resolvido aquelas coisas entre elas. Só ainda não sabiam se estavam namorando oficial, porque queriam descobrir isso entre elas com o tempo.
A loira prendeu os cabelos e se levantou, abriu gentilmente a porta do quarto, descendo para a cozinha, encontrando a mãe montando um sanduíche.
"Está tudo bem?" A mulher mais velha perguntou, vendo a filha assentir, sorrindo, feliz. "Como está ela?"
"Bem também." A loira respondeu, pegando um prato e duas fatias de pão, colocando queijo e presunto, se sentando em um dos bancos.
"Ela te faz bem?" A mãe questionou com um sorriso no rosto, bem do tipo eu sei, mas vou ser sútil.
"Muito." Um sorriso encantado em conjunto dos olhos brilhando fez com que a mãe dela sorrisse ainda maior, contente pela felicidade da filha.
"Isso é o que importa pra mim." Ela disse, se sentando, comendo o sanduíche de peito de peru, queijo e alface que preparara.
...
"Bom dia, Lea adormecida." Dianna brincou, vendo a morena sentar na cama revirando os olhos, rindo. "Trouxe um lanche."
"Obrigada." Ela agradece, pegando o prato estendido, e começa a comer. "Quer sair hoje?"
"Pra onde?" A curiosidade da loira foi mexida, a fazendo se sentar na cama junto da amiga (?).
"Cinema?" Lea viu a outra se levantar e correr para o banheiro.
"Vamos!" Ela gritou, voltando do banheiro, fechando um short.
Luana
A garota dividiu os cabelos, deixando a raiz visível, então pegou uma piranha e prendeu a metade direita, impedindo que o cabelo caísse em seus olhos, que se focavam em Angus, que aparentemente não largava o celular.
"Que tal soltar esse celular e conversar com sua amiga?" Luana disse, a brincadeira fazendo com que a outra risse e concordasse.
"Foi mal, é que tô conhecendo um cara e estou gostando de conversar com ele." Angus contou e Luana se aproximou com seu torso, interessada em saber sobre o interesse da amiga que parecia lhe tirar a concentração.
"E eu conheço?" Luana perguntou, vendo a outra assentir.
"Talvez. Ele é da nossa cidade, só não sei se é da nossa escola." Angus assumiu, vendo a outra sorrir maliciosa. "Mas não tem nada demais rolando entre nós dois."
"Sem problema, não está mais aqui quem sugestionou." Luana brincou, se enrolando na echarpe que usava.
"Ele é tão engraçado, e ao mesmo tempo uma companhia virtual boa, mas é tão estranho eu não conhecer ele pessoalmente. Tipo, sei pouco dele, mas só conversamos sobre coisas em comum. Tem nem dois dias que estamos conversando. A conexão que sinto com ele é a mesma que senti quando conheci você ou as meninas." Angus prendeu os cabelos cacheados, vendo Luana assentir, entendendo o que ela queria dizer. "Seria legal conhecer ele, um dia..."
"Um dia você irá." Luana confirmou e viu Angus pegar o celular e digitar umas coisas. "Até amanhã."
"Até." Luana se levantou do sofá da biblioteca e pegou a mochila, dando um beijo na bochecha da amiga e saindo do local.
...
A garota abriu a porta de casa e viu o pai trabalhando no escritório, ele ajeitava os cabelos pretos, levemente cansado, mas bem feliz, ela podia ver isso pelo sorriso dele e olhos brilhosos.
"Oi, querida!" Ele disse, enquanto se levantava e ia até ela, para a abraçar. Ela retribuiu o abraço, feliz pela proximidade que haviam adquirido desde a última viagem que tiveram que fazer. Veja bem, ele nunca fora o tipo de pai mais presente do mundo ou que sempre se mostrava muito conselheiro, mas ele sempre estava presente pra qualquer necessidade dela, desde emocional até física. Desde a última viagem, onde se desentenderam por causa da separação dele com a mãe dela – a qual já havia ocorrido tinha três anos, mas feridas se cutucadas são abertas, não é mesmo? — e então eles pararam para conversar, o que foi ótimo para ambos, fez eles reavaliarem a relação que fingiam estar boa.
"Oi, pai." Ela disse, beijando a bochecha dele. "Muito trabalho?"
"Não, adiantei tudo essa manhã. Que tal a gente ir fazer algo só nós dois?" Ele sugeriu, e ela sorriu, feliz por ele estar se esforçando para passar mais tempo com ela. Ela assentiu e ambos saíram pela porta de casa. "Cinema?"
"Claro, comédia romântica ou ação?" Ela perguntou e viu o pai parar para pensar, enquanto abria a porta do lado de motorista, sentando-se no banco.
"Ação?" Ele perguntou e ela sorriu, feliz por ele escolher justo o que ela queria hoje. "Então, partiu!"
Eles colocaram o cinto e começaram uma nova conversa sobre como fora o dia de cada um, enquanto o homem acelerava e saía da garagem, a camisa social branca tentando se movimentar com o vento, combinando com o jeans preto de sarja, o cabelo levemente ondulado do homem sendo puxado pelo vento e o sorriso no rosto contagiando a filha.
Autumn
"Podemos conversar?" Perguntou China, despertando a atenção de Autumn, assim como dos pais das duas. O homem mais velho fechou o jornal e olhou para a menor por cima do aro dos óculos, vendo que seria sério.
"Claro, filha." O homem disse, olhando para sua esposa, que desligava a televisão enquanto fechava os óculos e o colocava em um bolso do blazer rosa.
"Então, querida, o que quer conversar?" A mãe perguntou, fazendo os ombros de China cair um pouco mais relaxadas, vendo que sua mãe sempre fora a mais paciente e calma, era estranho estar tornando esse momento real, após muitas pesquisas e sonhos acordados pensando em como dizer à sua família sobre sua ausência de crença.
"Eu quero conversar com vocês sobre Deus." China disse, se sentando de frente à Autumn, vendo-a levar as mãos para as palmas viradas e levemente molhadas de suor da menor.
"Sim, nos diga." A mãe insistiu, vendo China sorrir, nervosa.
"Eu não acredito Nele." China soltou, corrigindo em seguida: "Não é que dúvida Dele, eu só não acredito em Sua existência."
"Ahn..." O pai começou, mas a garota o cortou.
"Tentei por muito tempo acreditar nisso, por muito chorei sozinha com medo de ser punida por Ele por não conseguir acreditar... só, só não entra, só não creio. E depois que vi o relato de milhares de pessoas com pais que são tão extremistas que expulsão seus filhos, ou não olham em suas caras mais. Eu não quero que isso aconteça, e sei que nunca me expulsariam de casa, mas quanto a não olhar na minha cara, eu tenho minhas dúvidas. Meu medo é vocês se negarem a me escutar, a me ver." China respirou fundo, sentindo como se finalmente pudesse respirar. Ela finalmente não sentia mais o peso nos ombros a afundando.
"Querida, não vou te dizer que não é estranho, já que essa é minha maior dúvida, mas nossa crença jamais passaria por cima de você. Nem sei porque desse evento que parece ser você nos contar, é algo tão natural. Tem quem acredita, quem não acredita e assim vai. Você é nossa filha e só isso basta, e mesmo se não fosse, não é nossa vida, você não é eu, você é você." O homem disse, sem dúvida no olhar, nenhuma hesitação.
Ele levantou e abraçou a figura chorosa, acariciando as bochechas da mesma.
...
Autumn deitou na cama, observando a lua brilhosa daquela noite a colorir, deixando-a azulada. A noite levemente fria a fez arrepiar quando um vento entrou no quarto. China já dormia, mas já haviam conversado sobre o que acontecera e como o pai delas havia reagido bem. Ela olhou para seu lado, onde China costumava ficar, anos atrás, agora cada uma tinha seu quarto.
Ela fechou os olhos e começou a pensar nas suas dúvidas, e principalmente na que mais a incomodava: quem ela era? Sem o balé, quem é Autumn?
Ela deixou a mente vagar, aproveitando pra relaxar sob a luz do luar.
Spike
O garoto dançava sensualizando para quem pudesse ver e pagar mais pela dança. Sempre que se sentia mal por estar fazendo aquilo, por ser um (tão famigerado) GoGoBoy, ele lembrava-se sobre como aquilo o ajudava a manter sua mãe viva, então não podia desistir, mas ainda bem que tinha alguns amigos.
Um homem de aparentemente vinte e quatro anos colocou uma nota de cem dólares em sua cueca da fantasia de policial, enquanto uma mulher pagou por uma dança no colo, e o garoto fazia tudo que podia para agradar, sempre ganhar mais, sorrisos falsos na cara, uma alegria falsificada para poder manter quem amava vivo. Ele sabia que aquilo não era uma situação boa, mas fazer o que? A maior parte dos lugares não estavam contratando ninguém, outros procuravam quem era experiente... então aquela acabou sendo sua última esperança.
Assim que lhe foi dado uma folga, já era três da madrugada e o último cliente finalmente ia embora. Meio cedo para um clube noturno? Sim, mas como era meio de semana, sempre era mais vazio ou costumavam ir embora mais cedo.
"Hoje percebi que você estava bem desanimado." Seu amigo disse, fazendo-o soltar um riso sem ânimo, assentindo.
"Sim, mas chega de falar disso. Me conte, como foi na sua reunião hoje?" Spike esquivou de qualquer pergunta futura, direcionando as coisas para o dia de Thomas.
"Foi bem, uma garota surgiu lá dizendo que estava em dúvida de que podia ser arromântica, e conversamos sobre coisas muito interessantes que abriram minha mente em relação à imposição de coisas na nossa sociedade." O garoto penteou os cabelos pretos com a mão direita, os olhos sempre nos de Spike. "Um dia desses podemos conversar sobre isso."
"Por que não?" Spike sorriu e terminou de colocar sua camiseta, pegando a mochila e saindo do local junto de Thomas.
***
Justin acordou com dor de cabeça, era a terceira vez que tinha um pesadelo àquela madrugada. Ele não conseguia relaxar, e não ajudava que ele não havia comido nada na noite passada além de uma besteira gordurosa.
Ele se levantou, foi ao banheiro, se olhou no espelho e tomou um banho meio contrariado, sem vontade.
Assim que desceu as escadas, deu um beijo na mãe e saiu correndo para a escola.
Ele chegou bem a tempo de ver Potato ficar em segundo na fila de confirmação de presença para a viagem para a próxima competição. Ele sorriu, se aproximando, sentindo como se finalmente a manhã estivesse ficando boa.
"Bom dia!" Ele disse, passando os braços pelos ombros do menor, vendo-o sorrir e o abraçar.
"Bom dia, você está bem?" Ele perguntou, fazendo Spike sorrir ainda mais e assentir.
"Melhor agora, não dormi muito bem. Mas vamos esquecer isso. E você?" Spike viu a leve sombra de preocupação passar no menor, que sorriu, ainda preocupado, mas contou que estava feliz com isso, e triste por não poder o ter do seu lado. "Em breve nos veremos de novo."
"Sim." Ele disse, antes de ser chamado e dar um abraço apertado no maior, entrando no ônibus.
Liz
A garota abraçou a namorada, vendo-a se aconchegar nos seus braços, ambas pensando sobre como essa competição podia ser decisiva. Eles podiam perder, e não ter a chance de vingar Angus, ou vencer e ver a cara de perda do grupo adversário. Muita coisa estava em jogo e eles sabiam disso.
A loira deu um beijo na cabeça da latina, acariciando ali com o nariz.
O ônibus começou a se mover e com isso, os corações delas começaram a bater forte, ansiosos.
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