Damnation
7 Chapter Six: War Against Darkness II
Bill se sentou, com as mãos na cabeça, sem saber o que fazer. Estava sozinho, em uma cidade desconhecida e cheia de criaturas horrendas.
"Isso só pode ser um sonho. Isso não está acontecendo."
Estava com dores por todo o corpo devido a luta com a ultima criatura. Ainda não acreditava que tinha saído vivo dela.
"Mas do que adiantou? Dominique desacordada, David foi pego por algo e Cindy..."
Um ódio tremendo começou a ferver dentro do garoto quando se lembrou de Cindy.
"É ela a culpada por tudo isso. É ela. Se eu encontrar ela em algum lugar dessa cidade eu... eu..."
O garoto olhou para a arma em sua mão direita.
"Vou matá-la?"
Por um momento uma imagem dele atirando na garota passou-lhe pela cabeça. Chocou-se com o próprio pensamento.
"Oh Meu Deus, o que estou pensando? Matá-la? Não pense nisso Bill, pare de pensar nisso agora mesmo. Mantenha-se"
Bill sempre fora uma pessoa calma, havia herdado isso de sua mãe. Ele ainda se lembrava dela, mesmo que ela tenha morrido quando ele tinha 7 anos. Era uma mulher alta, loira, de pele bem clara. Bill a via como uma princesa de contos de fadas. As melhores lembranças que tinha com ela eram quando iam juntos ver peças de teatro. Sua mãe adorava literatura e teatro, duas coisas que andam juntos. Por causa dessa paixão, ela levava Bill para ver as peças, que o garoto adorava. Os personagens com roupas espalhafatosas. As mudanças de cenário. Os olhos do menino brilhavam deslumbrados com tudo aquilo.
Quando sua mãe morreu, Bill teve que aprender, muito cedo, a lidar com a dor e a solidão. Seu pai era dono de uma empresa em Brahms. Um homem terrível, sem amor e que só via o filho no almoço, onde ainda tinha tempo para mostrar o seu repudio por Bill, jogando na cara que ele nunca iria ser nada na vida. Bill odiava o pai e não via a hora de sair da companhia dele.
Foi então que conheceu David na escola, um garoto que também vivia na solidão. Sempre calado, Bill viu ele próprio refletido em David. Desde então, eram melhores amigos. Os tempos passaram, os dois foram para o colegial e logo estavam no time de Futebol da escola, o que tornou os dois garotos, antes estranhos, em populares.
Conheceu Dominique no colegial. Amor a primeira vista quando viu a garota, que lembrava muito sua mãe fisicamente, tirando o fato de não ter mais do que 1,65. Bill gostava demais da garota e, além de David, era a única pessoa com quem ele queria estar.
"Dominique precisa de mim"
O garoto se levantou. Seu pé ainda doía, mas não muito agora. Começou a andar de volta a prefeitura, mas algo começou a acontecer.
O céu começou a ficar vermelho sangue, o chão começou a ficar encardido e ao seu redor os as paredes dos prédios começaram a mudar, como se estivessem queimadas e coberta de manchas vermelhas. A grade ao seu lado enferrujou-se e o arame, antes liso, começou a ficar cheio de pontas afiadas. Bill estacou. A mudança ocorrera rapidamente e o garoto não sabia se aquilo era realidade ou apenas uma alucinação. O ar era pesado, tinha dificuldade de respirar. O cheiro era insuportável: lembrava carne podre. O garoto mal enxergava, não havia nenhuma fonte de luz. O garoto sentia que estava sendo vigiado. O terror o estava consumindo. Não pensava ou se movia, só estava ali, parado no escuro naquele mundo estranho. Quando conseguiu recuperar o movimento, pegou seu celular para ter alguma fonte de luz e poder enxergar alguma coisa naquele breu.
Bill começou a iluminar o chão a procura de sua mochila que continha uma lanterna. Percebeu que haviam várias pegadas, manchas e rastros nele. Algumas pegadas eram de sapatos.
"Será que outras pessoas já passaram por isso? Será que todos que vieram nessa cidade tiveram que conhecer esse outro lado da cidade?"
Continuou procurando sua mochila até que a achou.
"Pelo menos ela não mudou"
Pegou-a do chão e abriu. Pegou a lanterna e guardou o celular dentro dela. Colocou a mochila nas costas e ligou a lanterna. Iluminou a parede ao seu lado esquerdo e percebeu que havia algo escrito em vermelho nela. Em letras grandes e trêmulas lia-se: "Bem vindo à Insanidade".
"Quem escreveu isso?"
Mal acabara de ler e ouviu um barulho vindo de trás. Bill se virou. Uma criatura igual a que David tinha matado dentro da prefeitura estava ali. Ele caminhava mais rápido que a primeira e já estava chegando perto do garoto.
"Droga"
Começou a andar na direção contrária, mas outra criatura estava aguardando a frente. O garoto estava encurralado. Antes de Bill pensar em algum jeito de sair daquela situação, as duas criaturas ergueram o braço que tinha as garras e começaram a correr na direção do garoto.
Em Pânico, Bill tentou atirar em uma das criaturas, mas errou. Uma delas, já próxima do garoto, atacou em um movimento vertical com a garra. O garoto teve que se jogar no chão para desviar do ataque. Foi um erro: a lanterna rolou para longe dele e o garoto caiu nos pés da segunda criatura, que se preparou para dar o golpe final. Sem pensar, o garoto levantou seu braço direito e atirou sem enxergar no que estava mirando, com a pistola. A criatura soltou um ganido e se afastou.
Bill presumiu que havia acertado o tiro em alguma parte da criatura. Sabendo que ainda tinha uma delas atrás dele, Bill começou a se arrastar para onde estava a lanterna. Quando estendeu o braço para pegá-la, um par de lâminas cravou o chão, criando uma espécie de barreira entre ele e a lanterna.
As lâminas eram nada menos que a garra da criatura que Bill não havia atirado. Ela aproximou seu rosto de Bill. Sua pele queimada encostou-se à pele suada de Bill. O único olho da criatura encarava os dois olhos azuis do garoto, assustados. Com um grunhido, o garoto sentiu o hálito horrível da criatura e viu seus dentes afiados como uma faca.
Foi então que Bill percebeu que ela não conseguia retirar as garras do chão, havia cravado elas muito fundo. Aproveitando essa brecha, Bill levou a pistola até a parte de baixo do queixo da criatura, verticalmente.
- Vá escovar os dentes, desgraçado — disse o garoto.
BANG!
A bala atravessou todo o crânio da criatura. O sangue jorrou da parte de cima de sua cabeça. Bill sentiu-o quente em sua pele. A criatura, ainda com a boca aberta, caiu no chão, imóvel.
Bill, ainda com o rosto coberto com o sangue da criatura, levantou-se e mirou na outra, mas ela não estava mais na sua frente.
- Onde diab...
Bill sentiu que algo vinha de encontro dele às suas costas. Como se uma lâmina cortasse o ar. A criatura estava atacando sua retaguarda.
Bill se jogou para frente, mas sentiu as garras cortarem sua carne superficialmente.
- ARGH! — berrou o garoto quando aterrissou de barriga no chão.
A criatura se aproximou do garoto para dar mais um golpe, mas Bill já estava preparado e, virando-se de costas pro chão, apontou a arma pra criatura e atirou. Mesmo um pouco longe da luz vinda da lanterna no chão, o garoto viu o tiro acertar no peito da criatura. Ela continuou de pé.
BANG!
O segundo tiro acertou no peito dela, que caiu, porém continuou viva, se contorcendo no chão. Com dificuldade, Bill se levantou e, mirando na criatura se contorcendo no chão, atirou mais uma vez. Finalmente a criatura tinha morrido.
O garoto estava exausto. A arma caiu no chão e ele ficou de joelhos. Passou a mão em suas costas. Estava coberta de sangue. Os cortes provenientes dos ataques não eram profundos, mas doíam.
"Que ótimo, era tudo o que eu precisava."
Levantou-se e começou a tentar pegar a lanterna, mas com as garras fazendo uma barreira ao redor dela, era impossível pegar sem tirar as garras cravadas no chão. Ele pegou no braço da criatura(Teve repulsa em sentir aquela pele áspera) e começou a fazer força pra puxar. Tentou uma vez, duas, três. Era impossível, as garras pareciam raízes profundas de árvore.
"Vamos lá Bill, você consegue"
- Eu pararia de tentar se fosse você — disse uma voz masculina, próxima ao garoto.
Bill deu um pulo. Começou a olhar assustado para todos os lados. Não via ninguém.
- Quem está aí? — berrou ele para a escuridão — Apareça!
No fim do raio de cobertura da luz da lanterna, um homem surgiu. Era um pouco mais baixo que Bill e usava uma capa preta. Tinha a pele muito pálida, o cabelo preto e uma expressão desdenhosa na face.
- Prazer em finalmente conhecê-lo — disse o homem. Sua voz era incrivelmente sarcástica.
- Quem é você? — perguntou o garoto, assustado.
- Eu? Meu nome é Vincent Carey — respondeu o homem, fazendo uma reverência.
- E o que faz aqui?
- Ora meu rapaz, onde estão os seus modos? — perguntou Vincent, com um sorriso irônico no rosto. Sua voz irritava Bill — Eu me apresentei, agora é hora de o senhor se apresentar.
Bill ficou olhando para ele, com os olhos arregalados de surpresa.
- Hehe, eu estou alucinando — disse o garoto — Você é um fruto de minha imaginação.
- Assim você me magoa profundamente — falou Vincent, fingindo-se ofendido.
- Me desculpe se te magoei — começou Bill, já rindo.
"Meu Deus, essa cidade já está me deixando insano", pensou ele.
- Eu não diria que o senhor está ficando insano — disse Vincent, voltando ao seu habitual tom sarcástico.
Bill olhou novamente pra ele.
- Você leu meus pensamentos?
- Ora, me desculpa invadir sua privacidade, jovem senhor, não foi minha intenção.
Vincent sorriu de uma forma maníaca para Bill. O garoto sentiu um arrepio de encarar aqueles olhos cheios de terror e desespero.
- Você fez um belo trabalho aqui — voltou a falar Vincent, agora olhando para as criaturas mortas no chão — A tempos que não via alguém com esse mesmo vigor, essa mesma vontade de viver.
Bill não disse nada. Apenas pensava.
"Será mesmo esse cara uma alucinação? Ele parece tão real. Ele... leu meus pensamentos agora pouco. Não, isso não pode estar acontecendo."
- Está meio escuro não acha, Bill? — disse Vincent, olhando para ao seu redor.
Um choque passou por todas as extremidades do corpo de Bill.
- C-como sabe o m-meu nome? — perguntou Bill, aterrorizado.
- Ora Bill, eu sei de todos que estão nessa cidade. Você, David, Dominique e Cindy.
- Como?
- Porque pertenço a essa cidade. Ela é minha casa, minha amiga. É o meu passado, meu presente e meu futuro. Sem ela... não sou nada.
Bill, ainda assustado, olhava arregalado para Vincent.
- Você é louco — disse ele finalmente.
- E não somos todos Bill?
Bill não respondeu.
- Eu vejo dentro de você. — continuou Vincent, agora tirando o sorriso do rosto e adotando uma expressão mais séria — Assim como vi em todos que passaram por aqui. O medo, a angustia, a repressão... o ódio, a amargura, a raiva. A luta pela sobrevivência que te leva por um caminho de autodestruição sem volta. — sua voz foi ficando mais alta e ele foi falando mais rápido — Que enlouquece até os mais centrados. A escuridão eterna que está dentro de sua alma dominando sua mente e você se sente sufocado, sem forças para lutar e quando você ve... está morto — e então sorriu ao dizer a ultima palavra.
Bill estava estagnado. Seu cérebro não pensava direito. Tudo que o homem dizia ele sentia.
- O que você quer de mim? — perguntou o garoto, recuperando a fala.
- Quero ver a essência de sua alma, seus medos, sua coragem, sua determinação. Quero ver a verdade que você venda dentro de seu coração. Sinto que você é melhor que os outros, que há algo dentro de você que posso utilizar... — enquanto Vincent ia falando, a visão de Bill ia embaçando. A exaustão estava tomando conta — ...mostre-me o seu melhor, mostre-me o seu potencial.
O garoto mais uma vez caiu de joelhos.
- Nos veremos novamente, Bill — e então se virou e começou a andar.
- Espere.... — disse Bill, ofegante — ... o QUE é você?
Vincent virou seu rosto para olhá-lo. Riu e então disse:
- Sou apenas um condutor.
E com um aceno, voltou a andar e foi engolfado pela escuridão.
Uma sirene começou a tocar em algum lugar. Tudo parecia estar voltando ao normal, porém Bill não aguentou mais e sucumbiu ao cansaço.
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