Damnation
8 Chapter Seven: Waking Up.
"- Mais chá, Sr. TeddyBear?
Ela brincava com suas bonecas em seu quarto. Uma pequena mesinha redonda no meio, com 4 cadeiras em volta, todas elas ocupadas. De joelho, a garotinha servia o chá em 4 xícaras pequenas, para que todos saboreassem aquele doce sabor. Lá fora já estava escurecendo e a garotinha sabia que logo sua mãe iria colocá-la na cama para que então se perdesse no mundo dos sonhos, porém ela não queria. Seu pai ainda não chegara. Queria ver seu pai antes de dormir.
Fora de seu quarto, uma porta se abre e ela ouve passos entrando na casa.
- Papai.
A garotinha fica de pé rapidamente e sai do seu quarto. Corre até a sala. Escuta vozes exaltadas vindas de lá.
Ela se aproxima do pequeno arco entre a sala e o corredor da casa e fica ali, espiando seu pai e sua mãe conversarem.
- Novamente chegando bêbado em casa?
- Cuida da sua vida...
- Que exemplo você espera dar para a sua filha?
- Cala a boca...
- Não, Não calo. Ela ficou até agora te esperando brincando de bonecas no quarto...
- E daí? Você tem que cuidar daquela vadiazinha.
- ELA É NOSSA FILHA, SEU VAGABUNDO.
- NÃO FALE ASSIM COMIGO.
O pai da garotinha dá um tapa no rosto da mulher com força. A menina arregalou os olhos.
- ISSO É PRA VOCÊ APRENDER, SUA PUTA.
O homem então percebe que sua filha está vendo tudo.
- VOCÊ ESTAVA NOS ESPIONANDO SUA VADIAZINHA?
A menina se assusta e começa a correr em direção do quarto.
- ESTÁ NA HORA DE SEU PAI LHE ENSINAR OS BONS MODOS
- NÃO...
A garotinha entra no quarto e fecha porta, enquanto escuta mais tapas vindo da sala. Então começa ouvir passos pesados no corredor. Sua porta se abre com violência, seu pai a olha furiosamente e anda em sua direção, levantando a mão..."
Dominique abriu os olhos. Estava deitada no chão. Nada conseguia ver, o lugar que estava era um breu só. Sua cabeça doía.
- Ai — exclamou ela, quando deu um apertão na cabeça.
Foi então que se lembrou: o teto da prefeitura havia desabado e uma pedra de concreto havia acertado sua cabeça, fazendo-a desacordar.
"Meu Deus, aonde estão Bill e David?",pensou a garota, levantando-se.
Começou a olhar tudo em seu redor, procurando uma fonte de luz. Nada.
Estava começando a ficar assustada. Sentia-se totalmente desprotegida naquela sala e tinha a sensação de que não estava sozinha.
Ouviu o barulho de uma porta se abrindo a sua direita. Dominique estremeceu.
- Quem está aí? — perguntou a garota para escuridão.
Ouviu outro barulho, como se alguém estivesse expirando o ar. Dominique começou a tremer de medo e começou a dar pequenos passos para trás. Mais uma vez ouviu o barulho de expiração. Dominique estava em pânico e continuava andando para trás, até que seus pés esbarraram em alguma coisa: uma mochila.
"Oh Meu Deus, será que é a minha mochila? Se for posso pegar a lanterna que está dentro dela."
Fazendo o mínimo de barulho possível, a garota se abaixou e pegou a mochila. Pelo tato, não era a dela.
"Deve ser do Bill ou do David"
Abriu o zíper da mochila e começou a tatear dentro dela em busca de uma lanterna. Havia vários objetos dentro da mochila, a maioria retangular, até que Dominique sentiu a forma circular do cabo da lanterna.
"Ótimo"
Tirou-a da mochila e ligou a luz, apontando para o chão. Foi então que começou a procurar, com a luz da lanterna, da onde vinha o barulho de expiração. Até que encontrou. Havia uma pessoa no canto extremo da sala de costas para Dominique. A garota presumiu que era uma pessoa pelo fato de ter pernas e braços. A pele era acinzentada e o cabelo, grisalho, ia até metade das costas. Era de estatura baixa e tremia incontrolavelmente.
Mesmo com medo, Dominique falou com a figura:
- O-oi... você está bem?
O barulho de expiração acabou, assim como a tremedeira.
- O que você faz aqui?
Dominique deu um passo a frente, foi quando aconteceu. O pescoço da mulher girou 180º graus. Um rosto de olhos negros e boca aberta fitavam Dominique. A garota ficou catatônica. Não conseguia pensar, não conseguia se mover.
O corpo da mulher também começou a se virar para Dominique, mas não normalmente, e sim como a cabeça, se torcendo. Primeiro foram os braços, depois o tronco e por ultimo as pernas. Cada parte que se virava o barulho dos ossos estalando era terrível. A mulher então começou a andar em direção a Dominique, que ainda estava em estado de choque. A expressão do rosto da mulher não mudava, parecia vidrada na garota. Ela estava se aproximando quando algo aconteceu. Uma porta do outro lado da sala se abriu. De dentro dela, um pequeno garoto de pouco mais de 1,20m de altura saiu. Tinha os olhos castanhos e o cabelo curto e loiro. O garotinho fitava Dominique com leve interesse.
Isso a fez despertar de seu estado de choque. O garoto era o mesmo que ela havia sonhado na noite anterior a viagem. A mesma estatura, o mesmo cabelo, até as mesmas roupas. A garota já não sabia mais se aquilo era um sonho ou realidade.
A mulher torceu rapidamente seu pescoço para o garoto. Dominique aproveitou a brecha e começou a correr em direção oposta, por um corredor imenso.
A criatura percebeu o movimento da garoto e soltou um grito horrível, como se estivesse sofrendo. Dominique ouviu o estalar dos ossos e a mulher começou a persegui-la.
O corredor parecia interminável e a mulher estava a alcançando. O barulho de expiração voltara agora mais rápido. Dominique de vez em quando olhava para trás e via a mulher cada vez mais próxima. Havia uma bifurcação logo a frente, a garota tomou a direita. A lanterna pouco iluminava o seu caminho a frente. A mulher já estava a poucos metros da garota e de vez em quando tentava pega-la com o braço. Ofegante, Dominique já sentia uma dor horrível no peito, mas não podia desistir, não agora.
Mais uma bifurcação. Antes de ela escolher para onde iria, o garotinho apareceu correndo no meio dela. Ele ergueu seu braço para a esquerda. A garota não entendia o que significaria aquilo.
"Será que ele está tentando me mostrar o caminho?"
Sem muito tempo para pensar e com a criatura em seu encalço, Dominique passou pelo garoto e entrou a esquerda. Olhou para trás para ver a criatura... mas ela não a seguiu, em vez disso, viu o pequenino começar a correr para a direita e a criatura o perseguir: ele estava chamando atenção dela para Dominique ter uma chance de escapar.
Dominique voltou a correr, mas...
Havia um buraco no meio do caminho. Ela iluminou ao seu redor em busca de uma porta mas tudo que encontrou foi uma pichação na parede escrita: "Desça para a vida"
Dominique iluminou o buraco. Não era tão profundo, poderia pular sem problemas, mas tinha medo de aquilo ser alguma espécie de armadilha. Ouviu um grito para trás de si. A criatura deveria estar perseguindo ela de novo.
"É a minha única chance"
Sem hesitar, a garota pulou no buraco. Mesmo sentindo um pouco as pernas, ela aterrissou equilibrada. Olhou para sua frente e havia um túnel iluminado com pequenas lâmpadas por toda a sua extensão. Percebeu que no final do túnel havia uma escada. Ouvindo os gritos da criatura se aproximando, Dominique começou a correr.
O túnel era estreito e úmido. Havia água no chão, a cada passo que a garota dava, a barra de sua calça se molhava. Estava ficando cansada e o ritmo em que corria diminuiu. Ouviu um barulho atrás de si: a mulher/criatura já estava no túnel. Dominique olhou para trás e sentiu um alívio quando viu que já estava bem distante, porém, em vez de começar a correr, a mulher começou a se contorcer. O barulho do seus ossos estalando aumentava com a acústica do túnel. Seus braços se curvaram, assim como sua coluna. Logo estava de quatro no chão. Seu pescoço se estalou e a cabeça, que antes estava virada para o chão, olhava fixamente Dominique e, como um animal, começou sua corrida. Sua velocidade era impressionante, estava se aproximando rápido demais, fazendo a garota apertar sua corrida.
"Finalmente já estou próxima da escada"
A escada já estava a sua frente. Dominique percebeu que vinha uma luz natural de cima da escada.
Começou a subir as escadas. Com uma das mãos para fora, ela sentiu uma coisa dura agarrar sua perna direita. Dominique olhou para baixo e viu a criatura segurando-a com um dos braços.
"Merda"
Com sua perna livre, a garota conseguiu dar um chute na face da criatura. Sentiu seu pé acertar a face ossuda e dura da criatura
- Ai — exclamou a garota.
Mas não tinha tempo a perder. Com o chute, a criatura largou sua perna e Dominique conseguiu sair pelo buraco.
Estava agora no meio de uma rua. A névoa era densa, mas mesmo assim conseguiu ver que na sua frente havia algo que lhe lembrava um arco.
"Deve ser algum tipo de parque"
Ouvindo a criatura subir pelas escadas, Dominique correu para dentro do parque. O chão era coberto de lajotas e em alguns lugares havia grama. A garota procurava um lugar para se esconder, até que viu uma estátua perto dela. Sem pensar duas vezes, Dominique correu e se agachou atrás dela. Sendo baixinha e magra, não havia como vê-la.
Dominique ouviu algo se aproximando rapidamente: era a criatura. Ainda estava de quatro, como um animal. Se posicionando melhor, a garota conseguiu ficar de um jeito que ela poderia ver a criatura, mas não o contrário. A criatura então começou a se contorcer novamente, e com o estalar dos ossos, voltou a ficar de pé. Olhando para todos os lados, a "mulher" começou a andar para a direita, se distanciando de Dominique.
"Que alívio"
Quando a criatura desapareceu de vista, Dominique saiu detrás da estátua e começou a correr para a saída do parque. Já estava quase saindo quando sentiu um corpo ossudo a sua esquerda a jogar no chão. Caindo no chão, sentiu o peso da criatura no seu abdômen. Fechou os olhos de dor
- ARGH.
Quando abriu de novo, viu a imagem da morte na sua frente. A mulher estava com a mesma expressão, vazia. Seus olhos negros e boca aberta, inanimada, seria a ultima coisa que a garota iria ver na vida. Ela não tentou lutar, apenas fechou os olhos e ficou esperando o golpe final. Uma lembrança lhe passou pela cabeça.
Ela tinha 6 anos e estava sentado no banco de trás do carro. No banco do motorista estava seu pai. Ele ligou o rádio mas tudo que ouvia-se era um ruído horrível. A garotinha colocou as mãos nos ouvidos.
- Mas que droga... — disse Bronsky, e desligou o rádio.
Dominique olhou para o retrovisor e viu a feição de seu pai, mas havia algo diferente. Seus olhos eram maliciosos, seu sorriso era doentio. A imagem parecia estar se aproximando cada vez mais de Dominique, não parecia um reflexo qualquer, parecia real. Os olhos da garota estavam grudados no espelho e ela estava aterrorizada. Foi então que a mão de seu pai tapou o retrovisor. A imagem sumiu. Percebeu que seu pai estava olhando-a, com um misto de terror e preocupação nos olhos.
- Está tudo bem querida?
A criatura estava pronta para estrangular Dominique. A garota sentia a mão ossuda envolver seu pescoço. Iria morrer em poucos instantes, só esperava o aperto...
BUM!
Dominique abriu os olhos. Da barriga da criatura, sangue negro escorria. Alguém havia atirado nela. Da boca e dos olhos da criatura o sangue também começara a escorrer. Dominique sentiu a mão da criatura frouxa em seu pescoço e viu quando ela tombou morta no chão.
A figura de um homem pé estava atrás da criatura. Ele era alto e segurava uma espingarda. Antes que Dominique pudesse falar algo, o homem lhe perguntou.
- Diga o seu nome — ordenou ele. Sua voz tinha um sotaque latino.
- D-Dominique.
Ele abaixou a espingarda e estendeu a mão para a garota.
- Prazer, meu nome é Garcia.
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