Damnation

6 Chapter Five: War Against Darkness I


- DOMINIQUE. DOMINIQUE – berrava Bill.

O entulho de concreto deixava totalmente inatingível o outro lado, aonde Dominique estava.

- Calma Bill – falou David ao amigo – Ficar berrando não vai ficar adiantando, temos que encontrar um jeito de passar pelo outro lado.

- Temos que tirar esse entulho do caminho – disse Bill, frenético, e começou a tentar tirar os entulhos com as mãos.

- Não seja burro – disse David, impedindo o amigo segurando seus braços – Demoraríamos horas pra fazer uma passagem por esse entulho. Temos que encontrar outro jeito.

- Vamos escalar ele então.

- Apenas iríamos nos machucar com as partes pontiagudas.

- DAVID, DOMINIQUE ESTÁ DO OUTRO LADO DESACORDADA. TEMOS QUE CHEGAR LÁ E VOCÊ PARECE NÃO SE PREOCUPAR QUANTO A ISSO.

- Só estou tentando ser racional – bradou David, encarando o amigo com a feição fechada – Se nos desesperarmos agora não conseguiremos fazer nada. Temos que raciocinar.

Bill calou-se e ficou olhando o amigo.

- Okay – continuou David, desviando seu olhar para a porta – Aquele banheiro que entramos tem uma veneziana. Acho que consigo passar por ela. Temos que arrombar a porta e entrar por ele.

Bill continuou olhando o amigo. Por dentro estava explodindo, queria chegar a Dominique logo e David parecia passivo demais, frio demais, mas teve que reconhecer que o Plano de David era melhor que o seu.

- Certo – disse Bill finalmente.

- Temos que quebrar essa fechadura – David pegou então uma pedra de concreto do entulho e começou a golpear a fechadura.

Um, dois, três golpes e a fechadura quebrou. Bill deu um chute com força e a porta se abriu.

- Finalm... – mas antes que David terminasse de falar algo lhe agarrou pela cintura.

Era uma coisa pegajosa, parecia uma língua. Vinha do teto e sua extensão era enorme. Fez uma volta pela cintura de David e começou a puxá-lo em direção ao teto.

- BILL – berrou David.

Bill agarrou o amigo e tentou soltá-lo do aperto da língua. Bill não conseguia vencer a força da coisa que agarrava David, sendo que estava sendo puxado junto a David.

- BILL, TENHO UMA ARMA NA PARTE DE TRÁS DA MINHA CINTURA, TENTE PEGA-LA E ATIRE NESSA COISA – falou David, ofegante por causa do aperto.

Reunindo toda força que tinha, Bill esticou sua mão para a parte de trás da cintura de David e, com dificuldade, conseguiu pegar a arma. Tremendo, mirou para uma parte da extensão da língua e atirou.

A bala acertou em cheio e sangue esverdeado jorrou. A língua soltou o aperto de David e os dois caíram no chão.

- QUE MERDA FOI ESSA? – Bill levantou-se rapidamente e colocando a arma na cintura.

David arqueava no chão, com dificuldade de respirar. Bill ajudou a levantá-lo e ficou segurando passando o braço direito dele pelo ombro.

- água.. – sussurrou David.

Bill, com seu braço livre, abriu sua mochila e deu de beber para David.

- Brigado...

Porém algo no teto fez um barulho, como se arrastando. Do buraco do desabamento uma criatura começou a sair. Seu corpo era esguio, não tinha pernas ou braços. Parecia um lagarto gigante, porém sua pele não tinha escamas, era carne-viva. A língua que puxara David saía de sua boca, que era a única coisa que tinha na face.

- Temos que sair daqui – desesperou-se Bill. Tendo o peso de David para carregar, ele estava mais lento, e com dificuldade virou-se e saiu do prédio.

A criatura o seguiu. Andou o mais rápido que pode pela lateral do prédio, tentando se distanciar da criatura. Olhou para trás: a criatura estava mais próxima. O desespero tomava conta. Logo ela iria alcançá-lo e seria o fim dos dois. O som do arrastar da criatura estava mais próximo. Bill começou a correr mas o peso de David não o deixava ir muito rápido. Ofegava. Bill conseguia ouvir a respiração da criatura muito próxima. Iria morrer ali, naquela cidade horrível, assim como David e Dominique. Era o fim.

Até que...

A criatura parou e começou a se distanciar de Bill, voltando ao prédio. Bill olhou para trás e quase urrou de alegria vendo a criatura se distanciar.

- Ela está voltando David – disse feliz ao amigo em seu ombro – Voltando.

Mas...

“Dominique está no prédio”, pensou ele, “A criatura vai matá-la”.

Sem saber o que fazer, Bill encostou David numa grade que tinha a sua esquerda. Também deixou sua mochila junto a David.

- Não saia daqui – disse ele ao amigo, e começou a correr de volta ao prédio.

“Dominique não pode morrer, não posso deixar”

Exausto, Bill apertou a corrida e chegou ao prédio. A criatura já estava subindo o entulho.

“Droga, ela vai pegar Dominique, tenho que fazer algo”

Sem raciocinar. Bill pegou pela cauda da criatura. Soltando um rugido, a criatura virou sua cabeça para ele. Bill deu um puxão na calda, fazendo a criatura descer alguns metros.

Furioso, o monstro chacoalha a cauda. Bill sente seu corpo voando e batendo com tudo na parede e depois no chão.

- AAAAAAAAAAARGH.

A criatura começou a descer o entulho para golpeá-lo novamente. Mesmo com dores por todo o corpo, o garoto consegue levantar-se para enfrentar a criatura de pé.

“Meu deus, e agora?”

A criatura ergue seu tronco e então tenta acertar um golpe no garoto com a cabeça. Ele consegue desviar. Com um giro rápido, a criatura ataca com a cauda, que erra Bill mas acerta a parede, abrindo um buraco nela. A cauda da criatura fica presa na parede.

“Tenho que sair pela porta e chamar e fazer ela me perseguir lá fora”

Reunindo coragem, Bill tenta atravessar até a porta, mas a criatura abre a boca e com sua língua agarre o seu pé, fazendo cair.

- HUPF!

Porém Bill sentiu uma dor na cintura diferente de antes, como se algo a pressionasse. Foi então que percebeu: a arma estava ali.

A criatura começou a puxá-lo. O garoto conseguiu pegar a arma da sua cintura.

“Agora só tenho que esperar uma brecha”

A criatura começou erguê-lo .

“Só mais um pouco”

“ É agora”

Com um movimento rápido, Bill apontou a arma pra cabeça da criatura.

BANG!

O atirou acertou em cheio a boca do monstro. Sangue verde começou a jorrar e Bill sentiu o agarro no pé se acabar. A criatura estava descontrolada, contorcia sua cabeça para todos os lados, jorrando sangue por toda a sala. O garoto se afastou, mirou novamente na criatura e:

- MORRA, DESGRAÇADA.

BANG! BANG!

Os dois tiros acertaram o corpo da criatura. Agonizou por alguns instantes e então parou de se mexer, seu corpo caiu em cima dos entulhos. Estava morta.

O garoto ofegava. Não acreditava que tinha conseguido matá-la. Seu coração parecia sair pela sua boca. Sua adrenalina ia abaixando e suas dores iam voltando.

- Tenho que perguntar a David aonde ele arranjou essa arma – disse Bill para si mesmo, olhando para a pistola em sua mão.

“David”

O garoto se lembrou do amigo que tinha deixado na grade. Temia que não encontrasse o amigo mais lá.

A dor no pé em que a criatura tinha agarrado era terrível, tanto que não conseguia pisar direito. Mancando, o garoto se virou e saiu do prédio. A neblina estava mais forte agora. Foi mancando até o local que tinha deixado David.

“Por favor esteja aí”

Foi então que tropeçou em alguma coisa: sua mochila. Bill pegou-a do chão.

“Não foi aqui que eu deixei você”

Bill sentiu algo úmido na parte detrás da mochila. Virou-a. Para o seu horror não era água, era sangue.

- DAVID? – berrou ele.

Não ouviu nada em resposta. Começou a andar mais rápido até onde tinha deixado o amigo. Seu medo se constatou: David não estava mais lá. Sangue escorria pela grade e uma pequena poça se sangue se formava no chão. Um rastro de sangue seguia adiante. Algo pegara David.

Bill colocou as mãos na cabeça. Não conseguia raciocinar. Dominique estava desacordada, Cindy estava desaparecida e David fora raptado. Bill estava sozinho, tendo apenas a névoa como sua companhia.