Damage
24 Capítulo 24
Notas iniciais
O capitão esperou que Damien saísse da sala e voltou a fitar Kazimir.
– Por que está me dizendo isso...? – perguntou baixinho, quase sussurrando, mas só estava com medo demais da resposta.
– Porque você estava certo. – respondeu quase em mesmo tom, mas sem conseguir olhar nos orbes azulados dele. – Eu não consegui dormir com ninguém depois daquilo, mas não por causa do que eu vi e sim por causa do que eu deixei acontecer.
Henry encolheu-se, é verdade que ficou muito tempo preocupado com Kazimir, porque foi possível notar que de repente todo o seu interesse em relações amorosas desapareceu, e mesmo que o capitão o tentasse empurrar para cima de algumas garotas ele as rejeitava o que fez com que ele pensasse na hipótese de ter traumatizado seu irmão, mas logo Kazimir começou a namorar então Henry apenas esqueceu aquilo e acreditou estar enganado.
– O que aconteceu não foi culpa sua. – respondeu. – Eu sei que você ficou com nojo de mim depois do...
– Eu não fiquei com nojo de você, eu jamais ficaria, eu fiquei com nojo de mim mesmo. – interrompeu-o imediatamente, surpreso com a suposição dele. – Aquilo aconteceu por culpa minha Henry, eu já sabia.
– Já sabia...?
– Eu sabia o que seu pai fazia desde que eu tinha quinze anos. – quase mordeu a língua ao dizer. – Eu os vi uma vez, mas não disse nada para ninguém, deixei que continuasse.
Houve um momento de silêncio, longo e Henry por um único segundo imaginou porque Kazimir tinha feito aquilo, mas sequer passou por sua cabeça uma explicação plausível.
– Eu não consigo dormir com ninguém sem me lembrar disso porque foi algo que eu permiti. – quebrou o silêncio. – Eu deixei que seu pai fizesse aquilo com você por anos, eu não era uma criança, eu sabia que era errado e mesmo assim fingi que nada tinha acontecido, deletei o acontecimento da minha memória como se você merecesse passar tudo aquilo porque eu fiquei com medo de dizer o que tinha visto.
Henry semicerrou os olhos e fitou Kazimir um pouco decepcionado, mas não disse nada.
– Que droga Henry, você me agradeceu. – disse. – Eu fiquei calado assistindo seu próprio pai te machucar e você se sentiu salvo quando eu bati nele. Eu deveria ter apanhado da mesma forma que ele por ter ficado calado, eu o fiz sofrer por tanto tempo! – estava completamente decepcionado consigo mesmo e isso não era um sentimento recente. – Eu sou muito pior que o Coronel, eu não deveri...
Henry não o mandou calar a boca nenhuma vez, isso porque acreditava que as pessoas deviam desconfiar que estão falando bobagem demais e é melhor fechar o bico, mas Kazimir estourou o tempo limite para parar de falar e o capitão estava com sono demais para gritar com ele. Não deu um tapa na cara dele, não é porque era gay que tinha de usar de artimanhas femininas, deu logo um lindo e sensual soco no rosto do primeiro-tenente que o fez calar imediatamente e olhar para ele assustado.
– O qu...
– Para. – murmurou apontando para ele, nada melhor do que falar baixinho para colocar um terror. – Para com essa frescura, até pra viadagem tem limite.
Agora sim estava surpreso e assustado.
– Primeiro que o Coronel não é meu pai, segundo que tanto a minha irmã quanto a Elisa sabiam que ele comia e ambos eram bastante adultos para ter feito alguma coisa e não fizeram. – Elisa era a governanta da casa, a que usava aqueles duas pedrinhas azuis nas orelhas todos os dias e não ousou pintar os cabelos nem quando os fios brancos fizeram sua cabeça parecer um gambá. – Você era menor de idade, mesmo que tivesse feito alguma coisa o velho ia ajeitar os pauzinhos pra que você parecesse mentiroso.
Kazimir suspeitava que Charlotte já soubesse daquilo e algumas vezes até suspeitou que ela participasse do evento, mas jamais desconfiou de Elisa. Provavelmente o Coronel dava algum bônus extra todo final do mês.
– Mesmo assim, eu po...
Deu outro soco no rosto dele, do outro lado dessa vez.
– Ainda não terminei de falar, porra. – resmungou. – Eu estou mais puto com você por ter ficado todo esse tempo na seca do que por não ter dito nada a ninguém, porque não ia ter nenhum efeito você sair doido gritando aos quatro mundos que o Coronel Wardraig estuprava o filho, até porque ele era o Coronel Wardraig.
Kazimir não disse nada dessa vez, ainda não estava conformado com a própria covardia e dificilmente concordaria com Henry que ter esperado até o momento em que esperou fosse o certo a se fazer.
– Para! – Henry levou as mãos até os ombros dele e o balançou. – Para de sofrer por mim, droga! Eu fui estuprado, não você! Se quer ficar traumatizado pelo menos não use a desgraça alheia como motivo! Porra, Kazimir, eu não te dei o direito de ficar triste por mim!
– O que você queria?! – gritou de volta. – Nem a decência de ficar triste você teve! Eu não vi uma droga de lágrima no seu rosto, eu sabia que você estava sofrendo, mas você sorria pra mim todos os dias, idiota! A única vez que chorou foi quando me agradeceu, seu filho da puta!
– Olha só, não é culpa minha se você é sensível demais, algumas pessoas gostam de guardar sua dor para si mesmas! – respondeu. – Você estava tão assustado quanto eu!
– Eu vou quebrar sua cara, retardado, quem te deu o direito de sofrer sozinho?! Puta que pariu, Henry, é claro que eu estava assustado, você estava sendo estuprado por um maníaco pedófilo e continuou agindo exatamente como sempre agia!
– Queria que eu saísse por aí quebrando tudo igual você sempre faz?!
– É! É isso que eu queria! – berrou. – Porque você parecia bem e isso me fazia sentir ainda pior!
– É por isso que você é um animal e eu não! – levou o indicador até o peito dele e o cutucou, puto da vida. – E quer saber de uma coisa?! Não foi você quem me estuprou! – cruzou os braços. – Viva com isso, desgraçado!
Henry ficou olhando para ele com aquela expressão de “Eu venci, chupa essa” que só ele conseguia fazer com tamanha maestria. Era impressionante como ele parecia filho da puta com os braços cruzados e com aquela expressão no rosto, era quase o tipo de cara em quem você bate seu pensar duas vezes, um mau vencedor. Um péssimo vencedor. Uma péssima pessoa. Puxou-o e o abraçou contra sua vontade, apertou-o com força enquanto o menor resmungava ameaças e jurava não estar respirando de tão forte que estava sendo apertado.
– Eu odeio quando faz isso! – rosnou quando o primeiro-tenente o ergueu no ar. – Eu odeio seu cheiro! Eu odeio você!
– Eu sei. – Kazimir respondeu com um sorriso enquanto o colocava de volta no chão e o libertava do seu abraço de urso.
– E não sorria pra mim desse jeito! Seu pervertido! – por algum motivo ele não parecia ameaçador quando ficava bravo daquele jeito. – E é bom que você coma aquele inútil direito, não quero nem saber dos seus traumas, mimimi meu pau! – disse apontando para ele. – Não acredito que me fez vir aqui perder meu precioso tempo, quando eu estiver no meu leito de morte eu vou dizer “Eu daria qualquer coisa para recuperar o tempo que eu perdi escutando as frescuras do Kazimir naquele dia”! Porra! Eu vou embora!
– Espe...
– Da licença você também! – gritou para Damien quando ele tentou fazê-lo ficar um pouco mais. – E se aquele homem não te comer, coma ele!
Bateu a porta com força enquanto resmungava todo tipo de coisa. Damien até ficou um pouco bobo por alguns segundos, estava na cozinha, escutou gritos, veio ver o que estava acontecendo e Kazimir estava abraçando Henry e de repente o capitão foi embora xingando.
– Ele estava bravo? – perguntou.
– Não, ele estava com vergonha. – respondeu. – É o que ele faz na maioria das vezes em que está constrangido.
– Que estranho. – Damien comentou.
– Henry é estranho.
Damien balançou a cabeça sem saber o que dizer ao certo, se as reações deles eram tão controversas então não dava pra saber se eles estavam bem ou não. Esse era o problema em esta romanticamente envolvido com alguém emocionalmente instável.
– Você está bem? – perguntou subitamente.
– Sim, eu estou, claro. – respondeu. – Pelo menos um pouco melhor agora. Henry não ficou bravo e...bem, estou feliz por ter dito isso a ele.
Damien sorriu levemente para ele, era bom saber que o primeiro-tenente se sentia aliviado em ter dito toda a verdade para o capitão. Ter guardado aquilo por tanto tempo para si só havia sido uma decisão ruim, mentiras e segredos são como veneno na boca, você pode segurar por quanto tempo for necessário, mas sem perceber acaba engolindo um pouco misturado a saliva. Kazimir tinha cuspido antes de engolir o que restava, essa tinha sido uma decisão sábia, mas que provavelmente jamais aconteceria sem que Damien insistisse tanto.
Fitou os olhos dourados do recruta, ele tinha olhos tão bonitos e brilhantes. Transparentes, Kazimir conseguia ver cada sentimento e emoção se entrelaçando em fios dourados dentro das suas íris como se seguissem algum tipo de curso.
–x-
O primeiro-tenente não costumava usar muito o notebook, apesar de tê-lo a algum tempo, mas às vezes precisava dele para responder à e-mails do exército e eventualmente lia alguma notícia ou informação pela qual estivesse procurando. Abriu os e-mails primeiro, para não se surpreender com as dezenas de links para vídeos pornôs que Henry enviava eventualmente de tempos em tempos. Nunca se atreveu a abrir nenhum deles, mesmo depois de estar com Damien, o capitão tinha alguns fetiches estranhos e Kazimir não queria descobri-los por isso sempre havia um com Henry como remetente ele o excluía antes mesmo de abrir. Encontrou um do quartel em meio ao spam.
Era uma solicitação do cozinheiro-chefe, de novo, lembrando-o de que ele ainda não tinha designado nenhum recruta para ser escravo do maluco. O problema era que Bursliet ofendia profundamente os recrutas, não da forma que Kazimir fazia isso, o cozinheiro falava sério toda vez que chamava a mãe de algum deles de prostituta e a maioria dos recrutas era dispensado com uma semana de trabalho. Traumatizados. Ele não se fazia de ruim, ele era cruel e ruim. Krieg gostava bastante dos recrutas que tinha no seu batalhão e tinha fé em cada um deles, não queria condenar nenhuma pobre alma jogando-a nos dentes de Hans. Mas tinha que escolher um e essa era uma tarefa difícil, era como ter que escolher quem morreria mais depressa.
A bateria começou a piscar no canto da tela e o louro procurou pelo cabo do aparelho visualmente varrendo o quarto e o encontrou do outro lado. Colocou o notebook no criado mudo e levantou-se da cama dando alguns passos quando Damien saiu de repente do banheiro trombando nele, o recruta estava molhado, os cabelos castanhos pingando água no corpo e a parte superior dele a mostra, já que a toalha branca só tampava da cintura até o final das coxas.
– Me desculpe, esqueci de pegar minhas roupas. – ele pediu desviando o olhar rapidamente.
Kazimir amava aquele idiota. E ele não ficava bem quando Damien não olhava em seus olhos toda vez que estavam perto um do outro, depois que Henry foi embora a convivência entre os dois foi um pouco gelada, porque toda vez que o primeiro-tenente se aproximava ou lhe fazia algum carinho o recruta recuava. Quando ele ameaçou desviar Krieg segurou-o de leve pelo pulso e levantou seu queixo com a outra mão obrigando-o a fitar seus olhos, como ele não se pronunciou e nem resistiu o primeiro-tenente o beijou. Colou seus lábios aos dele e trouxe seu corpo para mais perto do seu, a pele dele estava molhada e quente, muito quente, denunciando o mal hábito de Damien de tomar banho com o chuveiro quente demais.
Ele retribuiu seu beijo, seguindo exatamente as ordens de Kazimir como estas lhe eram impostas, moveu sua língua sutilmente à sombra da dele, mas suas mãos não saíram do lugar. Uma delas segurava a toalha no corpo e a outra pendia preguiçosa ao lado do seu corpo. Quando Kazimir o libertou do beijou ele se conteve em abaixar a cabeça de novo.
– O que foi? – teve que perguntar dessa vez. – Você está me evitando.
– Eu não... – decidiu que não mentiria. – O que eu vou fazer se ficar excitado?
– O que as pessoas fazem quando ficam excitadas. – respondeu colocando ênfase no fato de ser a coisa mais óbvia do mundo.
– Acontece que o que as pessoas fazem quando ficam excitadas deixa você desconfortável. – retrucou justificando seu receio e se afastou de novo.
– Você fica excitado com tanta facilidade? – arqueou uma sobrancelha. – Digo, não posso beijá-lo?
– Normalmente não, mas é que quando você me beija...eu não sei, você usa demais suas mãos. – deu de ombros.
– Minhas mãos? – puxou Damien de novo antes que ele se distanciasse novamente, não o deixaria fugir tão facilmente. Levou as mãos até as nádegas dele e as apertou. – Assim?
– É, assim. – semicerrou os olhos e levou as próprias mãos até os pulsos dele para afastá-lo de novo. – E não me provoque ou vou acabar seguindo o conselho de Henry.
– O que? Vai me comer? – riu. – Você não consegue nem alcançar meu rosto para me beijar sem que eu tenha que me abaixar.
– Não sei se você sabe, mas para comê-lo eu só preciso alcançar sua bunda. – respondeu sorrindo e levou as mãos até as nádegas dele também.
O primeiro-tenente riu e abaixou o rosto até enfiá-lo na curva do pescoço do menor, mordeu de leve a região e roçou os lábios na pele dele até alcançar sua orelha.
– Só por cima do meu cadáver. – sussurrou.
– Sim, então saia da minha frente, eu preciso procurar minhas r... – começou a dizer quando o primeiro-tenente puxou suas coxas e o forçou a segurar em seu pescoço. – Kaz!
– Por favor, me deixe tentar. – pediu sentando-se na cama e o deixando sobre seu colo. – Você pode me pedir para parar se não gostar.
– Não tenho medo de não gostar. – bufou. – O problema é você, bonitão.
– Se eu me sentir mal eu o deixo dormir em paz. – respondeu.
Damien o fitou por alguns segundos, não se importava em fazer aquilo, realmente não se importava, mas não queria que fosse ruim para Kazimir de novo, tortura-lo tantas vezes seria fazer com que o ato se tornasse cada vez mais desgastante para ele.
– Promete que vai parar se sentir mal?
– Sim. – ele murmurou.
Damien desconfiou um pouco daquele sim dele, mas não quis debater, porque apesar de terem feito aquilo no dia anterior ele não tinha se satisfeito ao máximo, não tinha tido tudo o que queria do seu amante. No momento não acreditava muito que ele fosse se recuperar tão rápido só por ter conversado com Henry, mas se o desejo dele era fazer aquilo não ia ser Damien que o ia segurar. Nunca precisou segurar ninguém que já quis dormir com ele nessa vida, e Kazimir não seria o primeiro.
Deixou que ele o beijasse de novo, não estava mentindo quando havia dito aquilo, o primeiro-tenente deixava suas mãos passearem pelo corpo dele toda vez que o beijava e naquele momento em especial Damien conseguia sentir perfeitamente o toque dele em sua pele nua e ainda levemente molhada com a água do chuveiro. As mãos dele não eram macias, eram grandes e ásperas, mas Damien gostava do toque delas, elas o faziam ter certeza de que não estava dormindo com uma garota ou um playboy mimado. Kazimir era um homem e Damien gostava de saber disso, gostava que houvesse alguém no controle.
Separou seus lábios dos deles, seu parceiro não perdeu tempo e não deixou a boca desocupada por sequer um segundo, levou-a até o pescoço de Damien e deu algumas mordidas. O recruta apoiou as mãos sobre os ombros dele e dobrou as pernas ao lado das de Kazimir que permanecia sentado.
Aquilo o estava atrapalhando, a toalha ainda permanecia na cintura do menor, embora estivesse bagunçada e caída, levou as mãos até as coxas dele e as apertou escorregando uma das mãos até o pano branco caído sobre a parte que realmente lhe interessava. Arrancou a toalha dali e continuou com a mão na cintura dele até o garoto tomar a iniciativa de retirar sua camisa forçando-o a mover os braços, mas assim que teve as mãos livres de novo as levou aos mesmos lugares de antes, deixando a que estava na cintura descer até uma das nádegas dele e o puxou para ainda mais perto. A ereção de Damien tocou seu abdômen nu e ele soltou um breve suspiro, voltando a entreabrir os lábios quando os dedos de Kazimir começaram a procurar uma passagem entre suas nádegas.
– Achei que estivesse tomando banho – o primeiro-tenente disse com um breve sorriso no momento em que o tocou e percebeu que ele não resistiu.
– Eu estava me masturbando. – cochichou no ouvido dele com o sorrisinho promíscuo que costumava colocar no rosto sempre que falava sobre aquele assunto. – E tomando banho, claro.
– Costuma se tocar aqui? – indagou de novo dessa vez forçando o indicador até que conseguir algum espaço para entrar.
Damien sentiu os pelos da nuca se arrepiando e demorou um pouco para responder, já tendo realmente tocado a si próprio naquele lugar ele estava mais sensível.
– F-Frequentemente. – sussurrou para ele dando uma mordida no lóbulo da orelha.
Kazimir tentou não sorrir da mesma forma que o recruta, mas Damien conseguia fazê-lo pensar em coisas indecentes tão fácil quanto Henry conseguia irritá-lo. Colocou o segundo dedo junto com o outro e levou a mão livre até as costas de Damien, apertando-o contra si. O recruta recuava um pouco toda vez que o primeiro-tenente o explorava mais fundo e acabava soltando mais suspiros enquanto sem querer apertava o próprio membro contra a pele de Kazimir, indo e vindo.
Era tão injusto que Damien fosse o único que estivesse recebendo tanta atenção que o dava vontade de morder seu parceiro por ser tão atencioso, ele gostava de ser mimado, gostava da forma como o primeiro-tenente o tocava e o estimulava, mas queria causar as mesmas reações que sentia nele. Queria que Kazimir soubesse o quão bom era ter o calor de outra pessoa tão perto dessa forma, o quão confortante eram os suspiros quentes contra sua pele e principalmente que sentisse o quão extasiante era um orgasmo.
Sentia sua glande roçando contra a pele dele enquanto seus dedos massageavam a próstata, embora tivesse chegado ao seu ápice a pouco tempo atrás já conseguia sentir o corpo tão quente quanto antes de novo, envolto em calor e espasmos de prazer. Levou a mão até o braço de Kazimir indicando que parasse, já havia o molhado com seu pré-orgasmo e não queria chegar ao seu clímax tão facilmente de novo. O primeiro-tenente retirou suas mãos do recruta e as apoiou na cama, dando chance para que Damien se levantasse e fosse até o criado mudo onde já sabia que estava o que procurava.
Jogou o frasco de lubrificante em cima da cama e pediu que Kazimir se levantasse, retirou as calças dele e parou por um segundo notando que havia um volume na cueca que a fazia parecer apertada. Damien podia jurar que jamais entenderia como alguém podia ter uma ereção daquelas e não sentir nada durante uma relação sexual. Despejou um pouco de lubrificante na palma da mão e abaixou o último tecido antes do que procurava, envolveu a ereção dele com a mão molhada e o masturbou um pouco para espalhar o produto.
Sentou-se no colo dele novamente com as pernas flexionadas ao lado das coxas do primeiro-tenente e levou a mão até a própria entrada para deixar ali um pouco do lubrificante e depois direcionou o membro dele até o lugar certo. Dobrou as pernas devagar de modo que não fosse invadido de repente, mas uma vez que conseguiu tê-lo quase por completo dentro de si trouxe seu rosto para cima de novo e fitou Kazimir.
O primeiro-tenente o estava fitando, ele fazia uma expressão adorável enquanto o tocava daquela forma, mas não conseguiu olhar nos olhos dele por mais que dois únicos segundos quando Damien o fitou. Era decepcionante que não conseguisse olhar para o dourado das íris do recruta sem que algo ruim viesse imediatamente a sua mente, queria muito ver a expressão no rosto dele, mas tinha de se contentar em ouvir os sons que escapavam pela garganta de Damien. O amava, queria poder fazê-lo se sentir bem daquela forma sempre que ele tivesse vontade, não se importava se todas as vezes fossem ruins e ele nunca conseguisse sentir nada, mas se Damien percebesse que ele nunca sentia nada então nunca seria bom para o recruta também.
Kazimir podia sentir o calor dele e podia senti-lo se movendo, mas sentia isso do mesmo modo que ouvia alguém gritando de longe, escutava algo, mas não conseguia interpretar e as palavras soavam baixo demais para sequer se identificar a voz com certeza. Sabia que ele se movia, sentia a ereção molhada dele em sua pele, ele iria chegar ao seu ápice sem ao menos se tocar, era engraçado que ele soubesse a intensidade do que Damien sentia, mas não podia interpretar para si mesmo.
– I-Isso... – Damien disse de repente, ele se movia mais depressa. – ...é t-tão...bom.
Ficou surpreso com o comentário. Mordeu o lábio inferior, queria muito vê-lo, mas seria extremamente broxante se acabasse lembrando-se de algo ruim ao fita-lo.
– K-Kaz. – gemeu de novo, como se soubesse que o primeiro-tenente estava extremamente tentado a toma-lo.
Não resistiu.
Ele parecia tão bem movendo-se daquela forma, os braços apoiados em seus ombros e as pernas flexionando-se em velocidade média, Damien parecia aproveitar cada segundo e os gemidos desinibidos que escapavam sem autorização só confirmavam. Os olhos dele estavam fechados, em êxtase, algumas gotas de suor escorriam por seu peito e mesmo sem terem sido tocados os mamilos dele estavam duros. Damien estava mesmo gostando, Kazimir nunca o machucara como o Coronel fazia, ele estava aproveitando do começo ao fim. Ele estava se sentindo bem, estava se sentindo muito bem.
Kazimir o beijou de repente. Damien ficou um pouco surpreso com o ato e depois do rápido toque de lábios ele abriu os olhos e fitou seu parceiro, as íris azul ciano dele não desviaram de novo, elas se tornaram transparentes por alguns minutos, brilhantes e o recruta sequer percebeu quando gozou no abdômen de Kazimir.
– V-Você está bem? – perguntou ofegando, não deixou-o sair, mas por um momento parou de se mover, cansado pelo clímax recém atingido.
– Sim. – ele respondeu esboçando um sorriso.
Damien deixou-se ser deitado na cama pelo louro e levou as mãos até o peito dele, podia sentir seu coração batendo depressa por baixo da carne, podia ver o que ele estava sentindo através dos olhos.
– Me segure. – sussurrou para ele com um sorriso desinibido no rosto. – Forte.
Kazimir retribuiu o sorriso e juntou os pulsos dele acima da sua cabeça, segurando-os com uma das mãos enquanto a outra agarrou a parte de baixo de uma das coxas dele e a empurrou para que tivesse mais espaço entre as pernas dele.
– Vou te mostrar o que é forte. – o primeiro-tenente sussurrou de volta enquanto levava sua ereção novamente até entrada do menor.
Damien não sabia se havia algum deus ou há, mas naquele momento ele agradeceu a qualquer que seja esse ser tão poderoso. Não costumava conter sua voz, mas teve de fazer isso para não parecer escandaloso demais, Kazimir atendeu ao seu pedido de todas as formas, seus pulsos não puderam mais se mover e a cada estocada do amante dentro do seu ser ele sentia que Kazimir o estava tocando na alma.
Epifania.
Uma súbita sensação de realização e compreensão. Foi exatamente o que atingiu o primeiro-tenente naquele momento. Na verdade, não naquele exato momento, mas aos poucos ele conseguia sentir um pouco mais, por isso cada vez que entrava no calor do amante ia tão fundo quanto conseguia procurando por sentir mais forte o que inundava seu corpo de repente. Podia sentir as explosões de calor entre os dois corpos, atingindo-o lentamente, como se a pessoa que gritasse a tanto tempo para ele estivesse se aproximando montado em um jegue e Kazimir queria mata-lo por não se apressar.
Damien o amava e Krieg sentia exatamente o mesmo pelo menor, não estava fazendo o mesmo que o Coronel, não havia porque se sentir culpado, não havia porque bloquear seu próprio prazer por sentir tanta culpa quanto alguém podia sentir. Talvez ainda não estivesse sentindo tudo o que uma pessoa normal podia sentir ao ter uma relação sexual, mas para ele o sentimento era tão eufórico e binaural quanto o que sentiu ao perceber que estava apaixonado pelo recruta. Além disso, tinha certeza que algum dia sentiria tudo o que alguém poderia sentir e seria divertido descobrir um pouco mais a cada vez que pudesse dormir com Damien.
Uma gota de suor escorreu pelo canto do rosto de Damien, contornando-o até cair pelo pescoço. Chegava a ser dolorido a forma com que ele estava tão duro sem conseguir se tocar, mas desejava cada vez mais e mais de Kazimir daquela forma, podia ver pela primeira vez através dos olhos dele, podia ver, tanto pecado e luxúria.
– E-Eu sabia que no fundo você é assim. – comentou em meio aos batimentos cardíacos acelerados e respiração que acompanhava.
– Assim como? – ele perguntou soltando-o e apoiando as mãos ao lado dos ombros de Damien para que pudesse abaixar-se para morder seus lábios.
– A-Animal. – respondeu um pouco antes de soltar um gemido mais alto que teria acordado qualquer pessoa que dormisse no quarto ao lado. – N-Não tão fundo!
Kazimir parou de se mover, um pouco trêmulo, sentia espasmos correndo por seu corpo e aquela nova sensação preenchendo todos os poros do seu corpo e exalando a satisfação que não havia sentido antes da mesma forma.
– Se me lembro bem você disse “o mais fundo que conseguir”. – era verdade e ele nunca tinha esquecido daquelas palavras.
– Você gozou dentro de mim. – tentou dizer mais alto, porém a voz saiu um pouco rouca.
– É. – respondeu sem nenhum remorso.
– Eu vou matar você. – ameaçou.
Kazimir riu com certo escárnio e se retirou de dentro do recruta, mas somente para virá-lo de costas com certa facilidade demais. O primeiro-tenente colocou-se em cima dele e roçou a ereção molhada entre as nádegas do menor, apoiou o peso do corpo nos cotovelos, ficando tão próximo de Damien que duvidava muito que ele pudesse se mexer embaixo dele. Afundou o rosto no ombro dele e o mordiscou no pescoço chamando sua atenção, o recruta esboçou um breve sorriso e o beijou como havia sido solicitado.
Damien abraçou o travesseiro embaixo do seu rosto e chegou ao seu ápice de novo quando Kazimir o preencheu por completo de novo, era ótimo tê-lo em cima de si daquela forma, o fazia se sentir tão pequeno e frágil quanto o fazia se sentir quente e protegido. Krieg foi mais gentil nas vezes seguintes, mas mesmo assim Damien teve a impressão de que acordaria completamente acabado no dia seguinte, bem, Kazimir teria de recuperar todo o tempo perdido da sua vida sexual agora e o recruta mal podia esperar pelos finais de semana conturbados que iriam ter. Esperava por eles ansiosamente e recompensaria seu parceiro o melhor que podia.
Um futuro com Kazimir, foi isso que o fez sorrir enquanto viajava em planos e momentos que viveriam juntos. Kazimir era seu. Mal podia esperar para que o futuro chegasse logo.
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