Damage
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Os dias costumavam passar de forma lenta e estressante para o primeiro-tenente, mas aquele passou tão rápido que ele sequer conseguiu piscar. Quase não trocou palavras com o capitão, já que ele também não parecia estar muito disposto para conversar naquele dia, não que estivesse de mau humor, só estava cansado.
Kazimir sentia que de alguma forma todo o ambiente ao seu redor estava pesado e denso, era até um pouco mais difícil andar e se movimentar e cada palavra que ouvia parecia distante da realidade, como se ele estivesse constantemente embriagado. As coisas também pareciam ter um gosto diferente, a comida parecia mais temperada de repente e o som dos pássaros parecia mais melodioso. Costumava se irritar com qualquer coisa, mas nada o faria xingar ou bater em alguém naquele dia, porque simplesmente uma sensação de calor e maciez tinha invadido sua alma. Até as pessoas parecerem mais amáveis de repente. Mas ele não conseguia explicar, só sentia que tinha algo errado, que estava bêbado e que precisava mais do álcool que o tinha deixado daquela forma.
Foi um acidente. Krieg de repente se viu ouvindo a conversa de Damien naquela manhã com Arthur, estava saindo quando o ouviu falando e resolveu escutar, essa parte tina sido proposital, qualquer pessoa com um mínimo de decência não escutaria a conversa alheia, mas Kazimir de repente e viu curioso a respeito daquilo. Damien realmente gostava dele e não estava blefando ao dizer aquilo, cada toque que lhe deu foi verdadeiramente puro e sincero. Krieg não estava confuso, triste ou com raiva, mas não sabia lidar com toda aquela calma que tinha invadido seu ser de repente, aquele sensação suave e ao mesmo tempo ardente como chocolate, aquela embriaguez que não lhe dava dor de cabeça ou ressaca, o desejo ardente como brasa queimando em seu peito. Estava repleto com aquelas sensações, todas misturadas. Não fazia sentido, não sabia o que era.
Podia dizer que Henry tinha colocado alguma droga em sua comida, mas de repente ele percebeu o quanto o capitão mantinha sua atenção em Arthur, os sorriso indiscretos e os esbarrões propositais que passavam despercebidos pelo primeiro-tenente se tornaram evidentes do nada. Talvez tivesse finalmente compreendido o que o capitão sentia por seu recruta e não estava falando de sexo, não era igual aos blefes a respeito de Kazimir, o olhar de ambos quando se encontravam pareciam contar uma história longa e romântica, do tipo que faz as pessoas dormirem. Mas por que tinha compreendido isso? Por que agora? Porque seu corpo o desobedecia e parecia estar sobre efeito de alguma droga injetável?
Porque de repente nada importava, além daqueles olhos dourados?
Seu olhar pairou os recrutas várias vezes durante aquele dia e pela primeira vez em anos de serviço e compromisso com o exército ele evitou o rosto de um deles. Procurou não encarar Damien por muito tempo, pois cada vez que olhava para ele sentia que alguém estava soprando fumaça em seu rosto e todas as reações químicas curiosas aconteciam de novo. Ficava surdo temporariamente, as palavras entalavam na garganta e as pontas dos dedos formigavam, lembrando-o da sensação de quando eles estavam na cintura de Damien.
O amor é algo que envolve pessoas e não gêneros, ele tinha dito, mas Kazimir não gostava de homens, não se imaginava tocando nenhum, mas então por que sempre se perdia imaginando suas mãos passeando pelo corpo de Damien? Não gostava quando se pegava imaginando isso, não queria se imaginar com outro homem, não tinha nada contra esse tipo de amor e realmente acreditava no que Damien tinha dito. Parecia tão errado, tão sujo e contrariava tudo o que ele já tinha dito algum dia. Mas gostava dele, o desejava, queria sentir seu calor perto de si, queria poder segurá-lo e dizer meu.
– Hey! – Wardraig chamou sua atenção. – Eu disse que vou para casa mais tarde hoje, Arthur não prestou metade da atenção que deveria na minha explicação.
O capitão parecia realmente contrariado e seu cenho franzido dizia “Nada de sexo até o idiota aprender a maldita parte teórica”.
– O que? – voltou de repente a si, como se estivesse em um planeta distante o dia todo. – Ah, claro, o dia...já acabou.
– Você está bem? – ele arqueou uma sobrancelha.
– Sim, eu estou. – respondeu imediatamente, sem nem se dar conta do que estava dizendo. – Talvez até bem demais.
Henry o fitou um pouco desconfiado, mas logo balançou a cabeça de forma despreocupada e seguiu em direção a sua sala.
Kazimir o observou se distanciando e bufou, já estava liberado para ir embora agora se quisesse. Podia ir embora, tomar um banho e dormir em sua cama macia. Sozinho. A ideia pareceu a mais sensata, se tivesse que ouvir a voz da razão que sempre o dizia o que fazer então teria ido embora naquele momento, mas essa mesma razão estava indecisa entre ir embora e deixar assuntos pendentes com um recruta ou ir falar com o tal recruta. A voz da razão nunca tinha ficado indecisa antes, o que fez com que Kazimir vagueasse sem rumo por alguns minutos entre os corredores até bater com alguém.
Por sorte a outra pessoa era bastante leve e foi a única a cair no chão, enquanto o louro só cambaleou para trás e praguejou um pouco, quer dizer, diante deste cruel dilema ainda tinha tempo para ser desastrado e sair trombando em pessoas no corredor. Além de complicar sua própria vida estava também fazendo isso com a vida alheia.
– Me desculpe, eu não costumo fazer isso. – disse estendo sua mão para ajudar o sujeito a se levantar.
– Tudo bem, eu estava mesmo procurando você. – Damien respondeu enquanto segurava a mão do primeiro-tenente para se levantar.
– Preciso falar com você. – ambos disseram em uníssono.
Entreolharam-se por alguns segundos até Damien desviar o olhar, abaixando a cabeça. Kazimir sabia o que ele ia dizer, ouviu-o conversando com Arthur.
– Você primeiro. – o recruta disse.
Arthur tinha razão, Kazimir não era o tipo de pessoa que brincaria com alguém daquela forma e depois a deixaria de lado. Mesmo não aprovando seus próprios sentimentos.
– Eu... – ele realmente tinha pensado em várias coisas para dizer ao garoto, mas simplesmente demoraria tempo demais e provavelmente tropeçaria nas palavras. – ...gosto de você.
– O que...? – Damien realmente ficou surpreso, porque não esperava que ele fosse ser tão direto. – Está falando sério?
– Por que eu mentiria? – perguntou, não tinha realmente porque ele mentir já que Damien não possuía nada no qual ele pudesse estar interessado.
O recruta olhou para os próprios pés por alguns segundos, processando o que tinha acabado de acontecer, incrédulo. Arqueou os olhos primeiro, as brilhantes orbes douradas fitaram o primeiro-tenente enquanto ele levantava o rosto com um sorriso infantil no rosto.
– Então temos alguma coisa? Digo, não está dizendo isso só para me comer?
– Eu não estou dizendo isso só para te comer! – respondeu indignado. – Até porque eu nunca gostei de outro homem antes então...
O modo como ele se perdeu nas palavras fez seu rosto corar um pouco e ao mesmo tempo que suas bochechas ficaram vermelhas os olhos de Damien.
– Ainda estamos contando?
– Duzentos e noventa e sete. – Kazimir respondeu.
– Não, são duzentos e noventa e oi... – começou a dizer quando Krieg o interrompeu, levou a mão até seu ombro e o empurrou contra a parede.
– Contando o de agora, duzentos e noventa e sete. – sussurrou em seu ouvido fazendo Damien se arrepiar ao sentir o hálito quente em sua pele.
Mal teve tempo para analisar os olhos azuis, pois logo Kazimir o beijou de novo e ele foi obrigado a fechar os seus próprios. Damien costumava adorar aquela sensação de ter outro corpo apertando o seu, mas descobriu que era simplesmente melhor do que estava acostumado quando Krieg o imobilizou prensando o corpo do recruta entre o seu próprio e a parede. Damien pôde sentir o coração dele batendo mais depressa, mas não tanto quanto o seu próprio naquele momento, empurrou devagar, separando seus lábios dos dele com um suspiro e bochechas vermelhas.
– E-Estamos no corredor. – lembrou-o.
– A maioria do pessoal já foi embora e o maior risco de sermos vistos é por Henry, que provavelmente vai dizer algo do tipo “Posso participar?”. – retrucou, sem deixa-lo sair do lugar. – Além disso, você não parece querer parar.
– N-Não é algo que eu possa controlar. – respondeu tentando esconder que apenas com um simples beijo já tinha conseguido uma ereção.
Brevemente conseguiu ver um leve sorriso indecente no rosto do primeiro-tenente, sentiu-se tentado com aquilo, concordava plenamente que era bastante perigoso ficar beijando-o daquela forma no corredor, mas quando desejamos muito alguma coisa a razão acaba desaparecendo por completo entre os gemidos da luxúria. Aproximou seu rosto do dele de novo, tendo que fazer algum esforço já que Krieg era mais alto e não se deu ao trabalho de curvar-se nem um pouco. Encostou de leve seus lábios aos dele, mas não foi retribuído com nenhum beijo embora uma das mãos do louro tivesse encontrado o caminho até suas costas. Mordiscou de leve os lábios de Kazimir que ficaram bastante vermelhos com a ação, incitou-o a devolver seu beijo, mas sem muito êxito, contudo a mão que estava em suas costas escorregava até a borda da calça.
– P-Por favor, m-me beije. – sussurrou para ele.
Kazimir o fitou por alguns segundos com os olhos queimando em segundas intenções e apertou seus lábios contra os dele, mas não o beijou, mordeu levemente o lábio inferior dele enquanto sua mão finalmente encontrava o caminho para dentro da calça dele, pairando sobre a cueca e apertando uma das nádegas. Dirigiu sua boca até o pescoço dele e insinuou de leve com a ponta da língua até finalmente cravar os dentes na carne macia de Damien, tendo como prêmio um leve gemido próximo ao seu ouvido.
– A-Alguém irá nos v-ver. – Damien insistiu, embora não tivesse feito absolutamente nada para interrompê-lo.
As palavras de Damien surtiram exatamente efeito nenhum sobre o louro, apesar dele ter rapidamente retirado sua mão de dentro da calça dele.
– Me peça para parar. – murmurou no ouvido do recruta. – Se pedir, eu irei parar.
Damien não se pronunciou, apenas entrelaçou as mãos ao redor do pescoço de Kazimir e o manteve perto de si. O louro sorriu vitorioso e levou a mão até os botões da calça dele, desabotoou-a e enfiou a mão por dentro dela, acariciando o tecido branco sobre a ereção de Damien. Aquilo era errado, era extremamente errado, tanto estar tocando outro homem daquela forma como naquele lugar, mas talvez fosse exatamente porque era tão proibido que Kazimir não pensou em parar um minuto sequer. Damien respirava depressa soprando sem querer sua orelha e quando o primeiro-tenente tocou finalmente sua glande com a ponta dos dedos ele não se conteve em soltar um gemido baixo.
– K-Krieg! – alertou-o de novo, mas embora sua consciência negasse o ato, o corpo clamava por cada vez mais.
Respirou fundo e soltou o ar depressa ao ser tocado por inteiro pela palma da mão de Kazimir, envolvido de forma quente e sofrivelmente lenta. Seus olhos vagueavam todos os cantos do corredor, estavam fazendo algo extremamente errado naquele corredor, no prédio da administração. A sensação de estar fazendo aquilo naquele lugar tão proibido deixava o ato mais extasiante, o ápice mais fácil de ser encontrando, não só pelo prazer que proporcionava, mas pela preocupação em ser pego fazendo aquilo.
Tentou conter ao máximo sues gemidos enquanto Kazimir movimentava sua mão, mas não precisou de mais que alguns minutos para que as pernas tremessem um pouco vacilantes, Damien continuava na ponta dos dedos, não que isso parecesse ser muito importante para Krieg já que o pescoço do recruta já estava vermelho e cheio de marcas de mordidas doloridas. Esforçou-se para manter o corpo naquela posição, de modo que Krieg pudesse mover a mão por toda extensão do seu membro e não somente a ponta, mas tinha de confessar que era um pouco cruel da parte dele não poder abaixar o braço nem um pouco para melhorar as situação. Podia até ver nos olhos dele um certo gosto pelo dilema sofrível pelo qual Damien passava.
– N-Não pode se abaixar? – perguntou, mas corou imediatamente ao perceber que tinha acabado de sugerir algo extremamente indecente.
O primeiro-tenente parou o que fazia e o fitou com as sobrancelhas arqueadas, tão surpreso pela honestidade quanto pela sugestão direta e simples. Por um momento Damien pensou em tentar explicar melhor o que queria, mas Krieg não pareceu bravo com a ideia, só não conseguia acreditar que Damien tivesse sido tão direto. Bem, ele tinha admitido que gostava do recruta, mesmo ambos sendo do mesmo sexo, logo tinha que ouvir as consequências do ato sem reclamar.
Kazimir retirou a mão de dentro da cueca dele e a puxou para baixo, de modo que pudesse deixar a ereção dele totalmente exposta.
– Me avise se for gozar. – pediu antes de soltar Damien para atender ao seu singelo desejo e o recruta meneou a cabeça positivamente sendo atingido pelo olhar azul que dizia “Se fizer isso na minha boca eu te mato”.
Não estava satisfeito, nunca tinha feito aquilo antes e até pouco tempo jurava que morreria sem fazer, mas bem, Adolf Hitler também achava que podia ganhar a segunda guerra mundial. Ajoelhou-se em frente ao recruta. Damien não fez nenhum comentário, para sua felicidade, porque Krieg realmente não queria receber instruções de como fazer, devia ser algo relativamente fácil. Qualquer um pode fazer isso, repetiu para si mesmo entreabrindo os lábios levemente e os tocando à ereção de Damien que vibrou ao ser tocado pela boca molhada do primeiro-tenente.
Não era tão difícil afinal, moveu a língua em torno da glande, preguiçosamente e com certo receio justificado de um iniciante no ato. Não procurava olhar para Damien, até porque sua posição não lhe permitia isso, mas nem ao menos tentou fazer tal proeza, já que ficaria corado demais se os olhos dele encontrassem os seus naquele momento e o primeiro-tenente se contentava com os gemidos um pouco mais altos com os quais sua imaginação podia se deliciar. Dessa vez não se conteve em apertar as mãos em torno das coxas dele, segurou-as com afinco enquanto se movimentava da melhor forma que podia fazer, sem eventuais exageros.
– P-Primeiro-tenente! – Damien disse levando uma das mãos até seu ombro.
Kazimir afastou a boca da ereção dele lentamente, deixando sem querer que uma gota de saliva escorresse pelo queixo, mas não teve tempo para limpá-la, pois logo que ficou de pé novamente Damien o puxou para perto e lambeu a saliva com a ponta da língua até encontrar seu lábio inferior e depois de uma leve mordiscada afundou-o em um novo beijo. O recruta moveu a mão até os cabelos dele, empurrando sua cabeça para mais perto e finalizou o beijo rápido e quente com um gemido de prazer cheio de volúpia ao atingir seu clímax lambuzando a própria mão.
Moveu os olhos dourados delicadamente até o rosto do seu parceiro, Damien estava ofegando e o ápice atingido recentemente tinha lhe exigido alguma energia, principalmente quando tinha feito aquilo em pé. Contudo, uma vez jamais seria o suficiente para ele, principalmente quando ainda não tinha tido nem ao menos o vislumbre do corpo do primeiro-tenente. Retirou a mão limpa da nuca de Krieg e a deslizou por seu ombro passando pelo peito e o abdômen até chegar ao cinto negro em volta da cintura dele.
– Não podemos fazer isso aqui, seria abusar da sorte. – Kazimir disse segurando o pulso dele e o lembrando de repente de que ainda permaneciam no canto do corredor. – Além disso, não foi você quem disse que eu estava indo muito rápido?
– Agora eu quero que seja rápido. – Damien retrucou. – Eu quero você, agora, o mais fundo que conseguir.
Ele ficou um pouco surpreso com a segunda afirmação, mas sorriu tão indecentemente que sentiu-se um pouco envergonhado por ter feito aquela expressão.
– Vou garantir isso. – afirmou. – Mas não agora e muito menos aqui.
– É a primeira vez que um cara que diz que gosta de mim se recusa a me comer. – franziu o cenho. – Mas eu tenho paciência, vou esperar pela sua boa vontade, primeiro-tenente.
– Não precisa me chamar de primeiro-tenente, se estivermos sozinhos.
Damien ergueu os olhos de novo, apesar de estar contrariado com a decisão de Krieg de não transar com ele naquele dia suas íris brilharam quando ele disse aquilo. Damien e o restante dos recrutas nunca se atreveu a se dirigir ao primeiro-tenente por mais que o sobrenome e o título e subitamente ele se sentiu muito importante, não só tinha recebido carícias íntimas do primeiro-tenente como também tinha sido autorizado a chama-lo por mais que “Krieg” ou “primeiro-tenente”. O teria abraçado se uma das suas mãos ainda não estivesse coberta de sêmen e a calça escancarada daquela forma rude.
– Posso chama-lo de Kaz?
– Não exagere. – respondeu cruzando os braços, ficou levemente envergonhado e Damien se divertiu com isso.
– Mas eu gosto de Kaz. Kazimir é um nome muito grande. – retrucou enquanto se esforçava para colocar todos os documentos no lugar e fechar os botões da calça de novo. –Me ajuda a fechar isso aqui?
O primeiro-tenente espantou as mãos dele e puxou a cueca para cima, abotoando rapidamente a calça do recruta. Damien balançou a cabeça em um breve agradecimento e começou a andar corredor a fora deixando Krieg sozinho e completamente no vácuo.
– Onde está indo? – ele perguntou curioso ao ser deixado plantado no corredor, mas o seu parceiro não fez nem menção de parar.
– Já que não vai me comer estou indo lavar minha mão, você sabe como isso seca rápido e eu não quero ficar com cheiros estranhos na mão. – respondeu com total sinceridade. – Vejo você amanhã, Kaz.
De repente se sentiu um pouco grato por não ter engolido aquilo. Não tinha curiosidade a respeito do sabor e muito menos da textura. Tudo bem que Damien tinha razão, mas isso não justificava sair andando daquele jeito aleatoriamente. Não que fosse muito romântico, só esperava um adeus mais doce.
Sorriu brevemente, um pouco orgulhoso por ter conseguido levar aquilo até o final, claro que não esperava que as coisas chegassem à aquele ponto, mas não estava arrependido de ter tocado Damien tão intimamente. Quase podia se lembrar do calor dele em suas mãos, os gemidos discretos ecoando em seus ouvidos. Nunca pensou que isso fosse acontecer, mas queria segurar Damien nos braços e apertá-lo com força.
Soltou um longo suspiro de repente e fez uma careta para si mesmo ao lembrar-se de que sua boca estivera ocupada a alguns minutos atrás. Tinha sido interessante, sim, tinha conseguido atingir seu objetivo de dar prazer ao seu parceiro, provavelmente, mas mesmo assim ainda sentia uma enorme vontade de correr para casa o mais rápido possível e escovar os dentes.
Tomou seu rumo pelos corredores, com o intuito de encontrar logo a saída do prédio e ir até o estacionamento, mas logo se lembrou de que tinha de passar no vestiário, para pegar suas roupas e a chave do carro. Havia um vestiário para os oficiais em algum lugar do prédio, ninguém era obrigado avir de casa fardado e muito menos ir embora dessa forma, embora Henry não fizesse isso. O capitão nunca usava o vestiário e preferia ir e voltar uniformizado do que enfrentar o olhares de nojo toda vez que tirava as roupas e deixava as cicatrizes à mostra, todos os oficiais sabiam como elas tinham sido adquiridas e a grande maioria ainda tratava Henry como se ele fosse um paciente de câncer terminal.
Empurrou a porta e encontrou Hans lá dentro, o cozinheiro-chefe estava terminando de abotoar uma calça jeans escura quando o primeiro-tenente entrou.
– Krieg. – ele o cumprimentou, ambos se conheciam, mas não trocavam mais que algumas palavras, isso porque Hans sempre parecia estar imensamente irritado.
– Van Bursliet. – retribuiu o aceno de cabeça e se dirigiu até o seu armário.
– Estou precisando de ajuda na cozinha, mande algum idiota que eu possa usar. – foi direto ao ponto enquanto batia a porta do armário.
– Eu não mandei um recruta para lá a pouco tempo?
– Sim, mas ele era idiota demais para que eu o usasse para alguma coisa, tente pelo menos mandar um que saiba como segurar uma faca. – arqueou uma sobrancelha e balançou a cabeça de novo antes de sair.
Kazimir não se dava bem com a grande parte dos oficiais, por já ter tido alguma discussão com todos, mas não se recordava de já ter brigado com Hans alguma vez e mesmo assim ele o odiava. Mas bem, ele parecia odiar todo mundo então não fazia diferença. No momento Krieg estava mais concentrado naquela renovada sensação de êxtase e paz que voltou a se reunir em torno do seu corpo, lembrando-o de pequenos toques e sensações. Oh, como ele queria ter Damien em seus braços de novo, como adoraria sentir sua respiração ofegante de novo. Talvez finalmente tivesse descoberto o que era aquela sensação estranha de estar bêbado, mas não estar, estar com sono, mas perfeitamente acordado, de estar com preguiça mas ao mesmo tempo disposto a correr uma maratona. Talvez estivesse mesmo apaixonado por Damien.
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