Damage
12 Capítulo 12 - The Emperor’s Executioner, 2° Arco
Notas iniciais
Damien não estava preocupado, quer dizer, era só Arthur que tinha desaparecido desde a noite anterior. Nada muito grave.
Terminou de se lavar igual ao restante dos recrutas e pegou uma toalha enrolando-a na cintura. A hora do banho era sempre agradável, pelo menos para ele, quer dizer, no primeiro mês havia apenas um monte de caras magros e raquíticos, com medo da própria sombra e que nem conversavam uns com os outros. Contudo, para a felicidade de Damien, o capitão tinha feito alguma magia e agora a maioria deles já tinha adotado o porte militar na expressão e tinham a língua mais solta que muitas colegiais que ele havia conhecido. Isso sem contar o fato de que a capacidade física deles tinha praticamente dado um level up. Claro que havia os que tinham predisposição genética a serem mais fortes e adquiriram músculos com mais facilidade que outros, mas a maioria era um deleite para os olhos.
Principalmente Heiner, aquele bastardo tinha algum tipo de dom, porque toda vez que Damien olhava para ele era como se o homem estivesse fazendo alguma pose sensual.
– Damien? Hey, estava me ouvindo? – ele perguntou enquanto se vestia.
– Você estava falando comigo?
– Eu estava. – Heiner rosnou. – O que acha que aconteceu com Arthur?
– Eu não tenho a mínima ideia. – na verdade ele tinha sim, porque Damien sendo quem era já tinha especulado o que havia entre o capitão e o louro, mas não iria dizer isso conhecendo Heiner e sua homofobia. – O que acha que aconteceu?
– Também não sei, mas acho que tem alguma coisa a ver com Wardraig, ele parecia bastante alterado semana passada. – comentou. – Acha que o Henry pode ter feito alguma coisa com ele?
– O que? Tipo matá-lo e enterrar no pátio? – Heiner olhou para ele assustado quando disse aquilo. – Às vezes eu fico impressionado como vocês dois são ingênuos.
Heiner o fitou sem entender nada do que ele tinha dito e entreabriu os lábios para dizer alguma coisa, mas antes que sua voz saísse foi cortado pela voz do 1° Tenente, que era mais grave e furiosa que a de qualquer outro dentro daquele quartel.
– Andem logo com isso! – ele gritou, de alguma forma parecia mais bravo que o normal, quer dizer, Krieg sempre parecia estar bravo, mas Damien por algum motivo acreditou que estava de verdade naquela manhã.
Terminou de colocar suas roupas e saiu junto com o restante dos recrutas, indo na direção indicada pelo 1° Tenente. A parte da manhã foi recheada com matérias teóricas e algumas curtas explicações. Krieg não era um bom professor, ele não tinha o mínimo de paciência que se precisava ter. Se alguém por ventura dissesse que não entendeu então teria a resposta “Problema seu, deveria ter prestado mais atenção na primeira vez”. Não que Damien se importasse muito com isso, ele já sabia toda a matéria e nunca teve nenhuma dificuldade na escola ou algo do tipo. Na verdade, Damien queria estar em uma faculdade e não ali com todos aqueles brutamontes.
O vislumbre de Arthur só veio no horário da refeição, Damien não percebeu quando ele entrou no refeitório, mas de repente apareceu sentado à mesa com ele e Heiner. Parecia bastante cansado e os olhos lutavam para se manter abertos, como se a simples atitude de mantê-los abertos já fosse algo que consumisse bastante da sua energia. Contudo seu rosto estava ferido e arroxeado em alguns pontos, quer dizer, até mesmo Henry deveria ter um limite para seu sadismo.
– O que aconteceu com seu rosto? – perguntou levemente preocupado.
– Krieg me bateu. – por algum motivo o louro nunca mentia e na maioria das vezes isso não era uma boa característica.
– Por que ele faria isso? – semicerrou os olhos, sabia que Arthur tinha alguns rolos com o capitão, mas o primeiro-tenente era novidade. – Onde esteve a noite toda?
– É uma história longa. – disse dando uma garfada na comida como se ela fosse fugir. – Me desculpe, estou cansado e faminto, podemos falar sobre isso depois?
Apenas meneou a cabeça positivamente, estava curioso a respeito do que tinham feito, mais curioso ainda porque ele tinha mencionado o primeiro-tenente. Sempre soube que ele era um amigo íntimo de Henry, mas jamais imaginou que fizessem algum tipo de orgia gay sado masoquista ou coisa do tipo e muito menos que Arthur fosse topar participar de um negócio desses.
– Você está bem? – perguntou por precaução, porque realmente não imaginava o primeiro-tenente sendo passivo e se ele tinha batido no rosto do rapaz daquela forma então não devia ser muito gentil.
– Sim, estou. – ele respondeu como se a pergunta fosse boba.
Arqueou as sobrancelhas e voltou a comer, não tinha tempo a perder se preocupando com quem estava acostumado a ser punido. No entanto uma parte dele involuntariamente se decepcionou, porque realmente não achava que Krieg pudesse ter dormido com Arthur e Henry, ao mesmo tempo, e principalmente batido nele daquela forma. Até para sexo selvagem existe um limite.
Levantou o rosto sobre as cabeças com cabelos cortados militarmente e sua visão conseguiu alcançar a mesa onde o capitão e o primeiro-tenente sempre estavam, ambos conversavam bastante a vontade enquanto comiam. O capitão também não tinha aparecido na parte da manhã e Damien imaginou que também tivesse levado uma surra, mas a contemplação do rosto dele só veio mais tarde e a pele dele se mostrou mais lisa que a de um bebê, sem um único arranhão.
Rangeu os dentes, mas não disse nada. Gostava de Arthur e sabia que ele era uma boa pessoa, tão boa a ponto de ser ingênuo o suficiente para aceitar um convite insano do primeiro-tenente para alguma festinha privada sob o pretexto de alguma promoção fácil ou algo do tipo. Damien sabia que era gay e ninguém tinha colocado isso na sua cabeça, mas se alguém desse uma bela surra em Arthur e lhe dissesse que pedras eram na verdade bebês que não nasceram ele provavelmente chegaria a um momento em que teria de acreditar para não apanhar mais.
Na parte mais à tarde, depois de alguns treinos físicos, o capitão decidiu que eles iriam para a piscina. Logo todos os recrutas moveram novamente ao vestiário para trocar as roupas militares por sungas. Esse momento foi quando Damien percebeu que não só o rosto de Arthur, mas suas costas estavam em estado de miséria, cheias de traços vermelhos cruéis. Wow, nesse momento ele sentiu uma puta vontade de sair daquele lugar quebrando tudo e principalmente de bater naqueles dois sádicos, quer dizer, nem o pior superior faria esse tipo de coisa, era punir exageradamente e desnecessariamente.
Quando saiu do vestiário seus punhos estavam carregados de raiva e perguntas não respondidas. Kazimir e Henry conversavam perto da piscina, pareciam ter bastante assunto naquele dia, maníacos.
O capitão os mandou fazer os exercícios de sempre enquanto Kazimir criticava em tom alto os recrutas mais lentos ou os que não conseguiam executar corretamente os exercícios. Damien não era um bom nadador, era só uma pessoa comum em quesito de esportes e quase nunca se sobressaia em nada do que fazia.
– Revezar! – Kazimir gritou.
Damien apoiou as mãos na borda da piscina e empurrou o chão com um impulso para sair de dentro da água. Heiner e outros recrutas o acompanharam, exceto por um que demorou um pouco mais para conseguir o impulso e foi duramente repreendido por Krieg que lembrou que não era a primeira vez que ele ficava para trás. Wow, ele estava tão perigosamente perto da borda gritando com aquele garoto que Damien quase sentiu um arrepio de maldade repentina subindo por sua espinha, mas não faria nada. Era covarde demais para fazer qualquer coisa, ainda mais com o primeiro-tenente que era conhecido por ser exatamente o que o seu sobrenome significava*.
Caminhou lentamente na direção do restante dos recrutas, a água escorria gelada por seu corpo e lançava pequenas gotas de água para frente a cada passo dado. Por um momento aquilo pareceu bastante interessante, até o capitão dizer que ele estava parecendo uma criança brincando com as poças d’água. Passou por Kazimir batendo o pé firme no chão e de repente escutou um tibuum de alguém caindo dentro da água, rapidamente procurou pelo individuo azarado que tinha sido esmurrado pela piscina até perceber que todos ficaram em silêncio olhando para ele. Todos estavam pálidos como zumbis e o fitavam como se fosse um cadáver ambulante, menos o capitão que de repente tinha recobrado a criança dentro de si e ria como se fosse um dia de festa.
Olhou para o lado e sentiu um frio correndo pela espinha, seu cotovelo tinha esbarrado em Kazimir que no momento repousava em pé dentro da piscina, com os cabelos escorrendo litros de água e roupas pesadas. O primeiro-tenente estava tão zangado que Damien podia ver a água ao seu redor evaporando.
Heiner e o restante dos recrutas havia subitamente desaparecido e o recruta estava completamente sozinho, parado em pé diante de Krieg.
– F-Foi um acidente! – gritou, mas já era tarde demais, porque o primeiro-tenente já se dirigia a borda da piscina resmungando todos os tipos de palavrões possíveis.
A maioria dos recrutas tinha uma pequena dificuldade no princípio para subir na borda de pedra da piscina porque havia um grande espaço entre a água e a pedra de apoio que havia sido deixado ali propositalmente para dificultar. No entanto, o primeiro-tenente subiu como se suas roupas não pesassem alguns quilos por causa da água que as tinha tornado pesadas e como se o peso do próprio corpo não fosse maior que o de uma pena.
Em condições normais a primeira coisa que teria notado seriam as roupas molhadas coladas ao corpo do primeiro-tenente, mas não teve tempo para pensar nisso, porque a única coisa que vagava por sua mente congelada era um replay macabro dele mesmo vestido como um mendigo embaixo de alguma ponte na cidade, porque era exatamente isso o que ia acontecer com ele se por um acaso fosse expulso.
– Primeiro-Tenente, eu posso assegurar-lhe que isso foi... – começou a dizer, mas a mandíbula foi atingida por um gancho no queixo que o fez cambalear para trás e no intuito de se esquivar de outro soco acabou deixando o corpo cair no chão.
Krieg deu um passo à frente com os dentes cerrados, com a intenção de continuar o que havia começado, mas antes que se aproximasse mais de Damien, o capitão Wardraig se colocou na frente dele, impedindo o primeiro-tenente de se aproximar. Um longo e tenso minuto de silêncio reinou enquanto os recrutas se encaravam uns aos outros e Henry fitava os olhos de Kazimir, por um momento pareceu que toda a ira do primeiro-tenente estava sendo devorada pelo olhar de Henry.
– Você está bem, Saeger? – o capitão perguntou, embora não estivesse preocupado de verdade, já que não se deu nem ao trabalho de olhar para ele.
– Sim senhor. – respondeu limpando o sangue que escorria do lábio inferior, levemente cortado.
– Saeger, você sabe que punições físicas são proibidas no exército e que o primeiro-tenente Krieg pode sim responder por isso como agressão física, não é? – ele continuou, sem dirigir a palavra uma única vez para Kazimir cujos punhos se cerraram com força à medida que a consciência dos seus atos foi clareando sua mente de novo.
Damien realmente tinha pensado em jogar Krieg dentro da água, mas como não era tão impulsivo quanto Arthur ou inconsequente quanto Heiner ele analisou bem suas opções e desistiu de fazer aquilo. Por algum capricho do destino, no entanto, seu cotovelo se esbarrou no primeiro-tenente e o jogou dentro da água, só de lembrar-se do olhar que ele lhe lançou já se arrepiava. Damien não costumava receber tantas punições, a maioria delas ele acabava recebendo por se relacionar de alguma forma com Arthur, mas desde que estivesse longe dele estava tudo bem. Também nunca tinha visto Henry daquela forma, ele estava falando sério sobre aquilo, de repente o soco que Damien tinha levado acabava de lhe dar todo o poder necessário para acabar com a vida do homem que tinha ferido seu amigo.
Mas, isso parecia exagerado. Quer dizer, é claro que estava irritado e queria que Krieg pagasse pelo que tinha feito a Arthur, mas não queria que fosse tirado do seu posto ou tivesse que lhe pagar algum tipo de indenização. Ergueu os olhos na direção de Arthur, sutilmente, o louro parecia preocupado e não aliviado, Damien podia quase sentir os dedos dos pés dele coçando para dar um passo a frente e interromper todo aquele clima horrível.
– Sim senhor, eu sei. – respondeu subitamente, antes que Henry o repreendesse por demorar demais para responder. – Mas eu joguei o primeiro-tenente na piscina, creio que ele não está errado em ficar tão irritado.
– Você o derrubou...? – a pergunta morreu na garganta de Wardraig, porque ele tinha certeza que o tinha visto apenas esbarrar em Krieg. Pigarreou. – Mesmo que o tenha jogado, Krieg não tem a liberdade de bater em você só por isso, o máximo que ele podia fazer era lhe aplicar uma punição ou expulsá-lo por indisciplina.
Indisciplina, a palavra ecoou várias vezes dentro da sua cabeça, Damien estava longe de ser indisciplinado, não respirava sem a permissão de Wardraig, sequer chamava atenção o suficiente para a maioria dos oficiais saber seu nome. Estava até bastante surpreso pelo fato do capitão saber quem ele era, mas provavelmente só o conhecia por causa de Arthur.
– Eu não vou prestar nenhuma queixa, capitão. – disse, por fim.
– Tem certeza? – Wardraig tornou a perguntar, falando daquele jeito até parecia que não estava do lado de Krieg.
Uma chuva fina presenteou a piscina externa cuja água foi bombardeada por mais várias gotículas menores causando pequenas ondulações em sua superfície, era quase como se a própria piscina estivesse querendo dar seu próprio testemunho a respeito dos fatos.
Wardraig sempre parecia muito próximo de Krieg, se ele estava o acusando daquela forma então aquele realmente deveria ser algo já discutido pelos dois. Damien alguma vez já tinha ouvido que Krieg possuía um histórico agressivo, mas para a parte da maioria dos recrutas essa era uma característica indispensável para qualquer militar, algo que eles mesmos deveriam adquirir, contudo a agressividade poderia resultar em um rebaixamento.
– Eu tenho, senhor. – confirmou, mas Krieg não pareceu aliviado, parecia mais frustrado consigo mesmo do que com medo do que Damien poderia vir a fazer.
– Muito bem, então voltem para a piscina, vocês dois. – mandou. – Pensem sobre o que fizeram até amanhã, crianças, pois jogar pessoas em piscinas e usar força física para impor respeito me parece algo extremamente infantil.
– O que? – Kazimir pareceu surpreso por ter sido incluído na punição, porque ele não era nenhum recruta.
– Você escutou o que eu disse. – rosnou. – Fique grato por Saeger não querer denunciar você, porque da próxima vez que encostar em algum dos meus recrutas eu mesmo vou reportar isso.
Henry vinha sendo tolerante, realmente estava sendo tolerante há algum tempo sobre os acessos de raiva que Kazimir tinha, estava crédulo que o primeiro-tenente era emocionalmente instável, mas querendo ou não teria que fazer alguma coisa ou Krieg podia vir a cometer algo sério algum dia. É claro que não queria que isso acontecesse, confiava em Kazimir mais do que confiava em si mesmo, contudo não podia fazer vista grossa a respeito disso para sempre. Quer dizer, não faltavam exemplos de explosões semelhantes a aquela na memória do capitão, se Krieg fosse destruir as coisas ao seu redor daquela forma toda vez que a fila do cinema não andava, um recruta o respondesse mal ou o seu restaurante preferido estivesse cheio então ele realmente deveria procurar outro emprego.
– Me desculpe. – murmurou.
– Me desculpe o caralho, vá procurar alguma ajuda. – o capitão rosnou antes de dar as costas e ordenar que o restante dos recrutas voltasse para os vestiários e se trocasse de novo para começar outras atividades. – E estou falando sério sobre a punição, não deixe que eu o veja amanhã fora dessa piscina.
– Sim... senhor. – pareceu estranho dizer aquilo, como se Krieg por um momento tivesse voltado a ser aquele garoto de 18 anos que entrou no exército ao mesmo tempo em que seu capitão.
Não esperou até que as costas de Henry desaparecessem para sentar na borda da piscina e arrancar os coturnos e meias dos pés e o casaco pesado por causa da água nos bolsos. Assim que o fez entrou na água com menos impacto que antes e se encostou à borda da piscina e massageou as têmporas como se sua cabeça estivesse doendo.
– Você está bem? – perguntou de repente fitando Damien que sentiu um calafrio quando Krieg dirigiu a palavra para ele de novo.
Não respondeu de imediato, achou que seria aconselhável seguir a ordem do capitão e se juntar ao primeiro-tenente dentro da água. Sentou-se na borda da piscina também, contudo, na ponta oposta a que Krieg estava, mantendo uns bons metros de distância dele.
– Eu estou bem, obrigado. – respondeu, sem fitar o primeiro-tenente.
– Me desculpe por...
– Não peça desculpas, me sinto estranho, senhor. – Damien o interrompeu. – Você nunca pediria desculpas dessa forma, você diria algo do tipo “Isso é culpa sua, cretino, deveria tê-lo matado quando tive a chance”.
Kazimir ergueu uma sobrancelha e tentou sorrir confirmando, mas de certa forma se sentiu um pouco culpado por ser uma pessoa tão intolerante e um fracasso como espécime humano que por natureza deveria atrair pessoas para o seu círculo social e não afastá-las. Decidiu não abrir a boca de novo, o clima já estava ruim o bastante quando não conseguia sequer olhar para o rosto de Damien sem se lembrar da conversa que tinha tido com Wardraig durante o almoço e da conversa que viriam a ter de novo no dia seguinte.
Henry tinha exaltado o quanto não aprovava a surra que o primeiro-tenente tinha dado em Arthur, por maiores que tivessem sido os benefícios provenientes dela e também adicionou que havia uma diferença muito grande entre sadismo e transtornos explosivos, embora Kazimir também tenha retrucado dizendo que era completamente saudável psicologicamente. O fato é que não era a primeira vez que Krieg batia em um recruta e Henry não podia mexer os pauzinhos para sempre, nem mesmo o capitão Wardraig tinha um estoque ilimitado de favores com os seus superiores, principalmente quando Kazimir já tinha insultado boa parte deles por comentarem a altura de Henry em voz alta ou dizer algo a respeito de seu pai. Resumindo toda a conversa que tinham tido “pare de fazer merda ou vou chutar sua bunda pra fora daqui, por mais que eu goste dela e eu gosto muito”, foi o que Henry disse.
– Você dormiu mesmo com o Arthur? – Damien perguntou subitamente, surpreendendo Kazimir que estava mergulhado na triste previsão do seu futuro não muito distante.
– Não! – respondeu, erguendo o rosto novamente com o cenho franzido para fitar o recruta do outro lado da piscina. – De onde tirou isso?
– É que ele disse que você bateu nele. – deu de ombros, como se a suspeita fosse extremamente justificável. – E as costas dele estavam acabadas.
– Fui eu quem bateu no rosto dele, mas...
– Então foi mesmo você? – interrompeu-o com certo ar decepcionado. – Aposto que você e o capitão torturaram-no a noite toda com sabe-se lá o que, vocês gays sado masoquistas são os mais estranhos.
– Eu bati no rosto dele, mas não tenho participação no que aconteceu com as costas ou qualquer outra parte do corpo daquele idiota! E eu não sou gay! – disse mais alto, para dar ênfase na sua profunda indignação.
Damien de repente ficou quase tão surpreso quanto o próprio primeiro-tenente ao ouvir a pergunta inusitada, mas que para o recruta parecia extremamente plausível.
– Como vou ter certeza de que está dizendo a verdade? – retrucou. – Ele disse que você deu uma surra nele e que era uma longa história!
– Arthur está comendo o capitão, provavelmente foi ele quem fez aquilo! – Kazimir finalizou a conversa em voz alta dizendo até mais do que deveria.
Damien se calou por alguns minutos e ficou apenas processando aquilo, o que Krieg estava dizendo fazia todo o sentido, embora a parte sobre ele ter batido no rosto do louro ainda fosse um pouco confusa.
– Não era você quem estava comendo o capitão? – cruzou os braços.
– Qual parte do “Eu não sou gay” você não entendeu? – indagou um pouco irritado. – Além disso, você não achou que eu estava comendo o Arthur?
– Olha, para ser sincero, eu achei que você comesse todo mundo dentro desse quartel. – deu de ombros.
Kazimir ficou boquiaberto. Não era essa a imagem que achou que tinha dentro daquele lugar e muito menos era essa que tentava passar para os recrutas e pessoas em geral. Era verdade que não fazia amizades com tanta facilidade e não conversava tanto quanto Henry, mas desempenhava bem o seu papel e ser um pouco socialmente esquivo não queria dizer que ele era algum tipo de homossexual reprimido.
– Me empurrou na piscina porque achou que eu tinha tido algum tipo de relação sado masoquista gay com o Arthur? – sua frustração e indignação não podiam ser descritas em palavras naquele momento.
– Empurrei você dentro da piscina porque achei que você e o capitão tinham tido algum tipo de relação sado masoquista gay com o Arthur. – não era bem assim, ele não tinha empurrado o primeiro-tenente de propósito, mas já que todo mundo achava isso e Damien já estava cumprindo punição por tal então não valia a pena desmentir tudo agora.
– Saeger, eu não sei que tipo de visão você tem dos seus superiores, mas posso te garantir que a maior parte não é homossexual e certamente não perdemos tempo em orgias gays dentro do quartel. – disse depois de alguns longos minutos de silêncio, parecia um pouco decepcionado consigo mesmo e deveria estar mesmo.
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