Damage

44 Bônus: Love is War


Notas iniciais
OLÁ PESSOAS QUE ACHARAM QUE EU TINHA FALECIDO! =D Huehuehuheue, Bom, estou de volta, com um bônus lindofofo. Ou não tão lindofofo, porque eu não revisei e tals para fazer jus ao meu título de imperatriz da preguiça e desleixo. -Q Enfim, espero que aproveitem mesmo assim. ;*

Já era novembro, e estava muito frio, o sol nem se atrevia a sair de trás das nuvens, até porque eram tantas no céu que nem dava para ver o azul, o dia estava nublado e úmido, decorrência das chuvas geladas que caíram ultimamente como em qualquer outro mês de novembro. Havia até mesmo neve nos cantos das ruas, que tinham sido os próprios recrutas quem a tinham empurrado e carregado em carrinhos de mão. Henry e a neve tinham feito uma ótima dupla no último mês, já que o capitão adorava mandar os recrutas correrem descalços na neve, e adorava a forma como as bochechas do seu louro ficavam vermelhas quando treinavam por muito tempo do lado de fora, o fazia querer morde-lo. De repente quase escorregou em um montinho de gelo e Heiner o segurou, resmungando alguns palavrões por ter de fazer isso e mandando-o prestar atenção.

Finalmente Arthur tinha terminado seu alistamento, depois de todo um ano sofrendo e pagando punições sem nenhuma necessidade lá estava ele. E não podia estar mais feliz, mesmo que marchar vestido em um dólmã e segurando uma arma não fosse lá a coisa mais espetacular do mundo, para um recruta que sequer tinha sido exemplar ou feito todas as suas atividades com algum empenho considerável, era sim. Passou os olhos pelas pessoas que se aglomeraram ao lado da rua para ver a marcha e foi atingido por alguns flashes de câmeras, procurava por dois rostos idosos, mas não encontrou nenhum dos dois até que Heiner o cutucou com o cotovelo e disse que o deixaria cair no chão se escorregasse de novo.

Soldados, era a patente deles agora, tinham acabado de terminar seu recrutamento e pertenciam oficialmente às Forças Armadas. Naquela manhã Damien brincou que naquela cerimônia estariam confirmando a venda de alma deles para o governo, Samuel prontamente disse que não estavam vendendo suas almas ao governo, mas sim se comprometendo à proteger sua nação. Arthur gostava de pensar como Samuel, que estava fazendo aquilo pelos civis, para tentar evitar que incidentes como os que mataram sua irmã ocorressem de novo. O louro nunca foi muito persuasivo, mas era bom em obedecer ordens e estaria ali caso algum dia os verdadeiros diplomatas falhassem. Ele também já tinha decidido que escolheria entrar para a divisão de artilharia depois de ponderar entre essa e a divisão de cavalaria, primeiramente ficou muito indeciso porque temia ser designado para outro quartel, talvez até um do outro lado do país. Não queria ficar longe de Henry, mas o capitão lhe explicou que independente do que ele escolhesse ele corria esse risco, por estar se formando agora ele obviamente seria enviado para onde precisassem dele e não para onde Arthur queria estar.

Bom, no momento ele tentou não pensar muito nisso, queria aproveitar o momento, ele não marcharia ao som da banda carregando uma espingarda tão cedo depois daquilo. E a sua mãe sabia disso, pois logo que o louro a encontrou ela apontou a câmera para o garoto e disparou vários flashes enquanto limpava as lágrimas dos olhos e repetia para o marido “Olha como ele cresceu!”. Arthur tentou não rir pois acabaria perdendo o ritmo se fizesse isso e Henry tinha gastado muito tempo fazendo aqueles recrutas darem voltas ao redor do pavilhão com as pernas sincronizadas e certamente quebrado alguns chicotes acertando o joelho deles quando erravam. O louro achava um pouco estranho ter que esticar tanto as pernas, porque tinham sido treinados para fazer isso da mesma forma que as pessoas fazem com os cavalos, mas já que todos os batalhões sincronizados marchando fizeram uma imagem bonita ele nem se importou. Estava costumado a ser um cachorro, de repente ser transformado em um cavalo era como um level up.

Procurou pelo capitão, os oficiais usavam um uniforme diferente do dos recrutas e soldados no dia-a-dia, mas o dólmã que Henry usava naquele momento era realmente mais bonito, preto com botões dourados, com ombreiras que tinham sido bordadas de acordo com a sua patente. Na verdade era só o mesmo uniforme de cerimônias que ele usava todos os anos quando formava alguns idiotas, mas Arthur realmente achou que o capitão ficava bem naquelas roupas. E mal podia esperar para desembrulhar Henry delas.

Eles marcharam mais um pouco, cantaram o hino nacional, ouviram alguns discursos e presenciaram todos os outros acontecimentos que aquele tipo de evento exigia e então finalmente estavam livres. Mal a multidão se dispersou e o louro já se viu impossibilitado de se mover e nem os mais árduos treinamentos de Henry o tinham preparado para aquele tipo de agressão afetiva.

– M-Mãe, está me apertando. – corou de leve depois de dar uns tapinhas nas costas dela.

– Largue o homem, mulher, está molhando o uniforme. – seu pai repreendeu-a embora Olívia nem tenha escutado sua voz.

Ela se afastou depressa e continuou segurando seus ombros depois de catar as lágrimas que escorriam pelos olhos contornando as rugas do rosto, parecia tão alegre quanto aflita, não conseguia nem falar devagar.

– Olha como ele cresceu, Vincent! – exclamou olhando para o marido de relance como se chamasse a atenção dele. – Como está bonito, sua irmã ficaria orgulhosa de você!

– Eu espero que sim. – sorriu brevemente ao se recordar que o maior motivo de ter ingressado nas Forças Armadas era sua irmã. – Ah, venham comigo, eu quero apresentar alguns amigos.

O louro agarrou as mãos dos dois e os arrastou como uma criança que encontra um brinquedo legal em uma loja e quer mostrar aos pais. Seu pai resmungou alguma coisa sobre ele ter que ir mais devagar, pois já não era tão jovem, mas sua mãe se mostrou muito entusiasmada e seguiu a cria com um sorriso no rosto. Apesar do seu velho ser um pouco resmungão era mais que obvio que ele tentava esconder aquela expressão boba que todo pai faz quando fica orgulhoso do filho, vê-lo tentando agir friamente até fez Arthur se lembrar das conversas que tinha tido com sua mãe no celular, segundo ela o Sr. Astrophel insistia em ressaltar as qualidades do filho militar em todas as vezes que se reunia com seus amigos.

Quem Arthur encontrou primeiro foi Samuel, ele estava sendo apertado pela mãe em um abraço enquanto ela derramava também algumas lágrimas e murmurava um monte de coisas incompreensíveis que Samuel só concordava para não contrariar a mulher. O pai do garoto era um homem alto e carnudo, não no sentido de forte, ele tinha uma ligeira barriga marcando a roupa. E também tinha cabelo e barbas compridas, pretos com vários fios grisalhos e encaracolados. Sua mãe era baixinha, um pouco maior que o garoto e também tinha um cabelo enorme e preto, ondulado. Samuel era incrivelmente parecido com ela.

Eles trocaram algumas palavras brevemente sobre assuntos aleatórios e Samuel sussurrou para o louro indagando se ele ia apresentar Henry para seus pais, o soldado ficou em silêncio por alguns segundos. Tinha conversado sobre isso com o capitão e ele disse que não se importava, mas que provavelmente seus pais não aprovariam imediatamente, não só pelo fato dos dois serem homens, mas também porque Henry era superior do louro e eles podia interpretar a relação dos dois de forma errada. Respondeu um “Eu não sei, você vai apresentar o Hans?”, Samuel riu de leve com certo escárnio e murmurou “Arthur, eles são judeus, eles me odiariam”.

Arthur ficou pensando mais um pouco naquilo, talvez mais até do que devia e depois de encontrar Damien caminhou até ele com seus velhos que pareceram mais empolgados depois de conhecer os pais de Samuel. Pelo que escutou o pai do garoto era banqueiro e logo o louro se perguntou infinitas vezes o que infernos aquele indivíduo estava fazendo no exército e não num tribunal brigando com os irmãos pela herança do pai que ainda nem tinha falecido. Mas bem, quando e aproximou de Damien percebeu que o pai lhe dava orgulhoso alguns tapas nas costas e que o garoto fitava os próprios pés parecendo imensamente desconfortável. O homem magro e alto, com um bigode em cima dos lábios dizia “Está vendo, filho? Eu disse que era apenas uma fase!” e o louro logo compreendeu o que estava acontecendo. Damien pareceu tão aliviado em conversar por alguns segundos com ele que Arthur não teve coragem de perguntar o mesmo que Samuel tinha, porque sabia que o garoto não queria estragar o súbito orgulho que seu pai estava sentindo à respeito dele.

Depois avistou Heiner conversando com Sven, imediatamente se lembrou de que aquele recruta não tinha família, nunca tivera uma de verdade e sentiu um pouco de pena até vê-lo sorrindo quando o enfermeiro afagou sua cabeça. Arthur e Damien especularam bastante nos últimos meses e concluíram que havia algo acontecendo entre os dois, se já não tinha acontecido. Heiner estava levemente mais compreensivo desde que tinha ferido o tornozelo e curiosamente muito menos homofóbico, embora tivesse vez ou outra seus momentos de impulso. Em um desses momentos Damien brigou com ele e lhe disse que era gay, e não só ele como o próprio Arthur e Samuel. Heiner ficou tão furioso que começou a gritar coisas do tipo “Então só tem viado aqui? Eu me alistei achando que ia conviver com macho e só tem bicha nesse lugar?” e depois “Eu não acredito que todos os meus amigos são gays, deve ser alguma coisa na água desse lugar, porra!”, mas logo depois se acalmou e pareceu até um pouco aliviado.

Depois disso Arthur e Damien decidiram que não o pressionariam mais, se ele não estava pronto para dizer que era gay então não o fariam se sentir obrigado a admitir isso. Ele ficou tão irado que não conversou com nenhum dos três amigos durante alguns dias murmurando coisas sobre estar cercado de doentes pelos cantos, mas logo depois todos fingiram que esqueceram e ele pediu desculpas. A princípio Arthur e Damien ficaram surpresos com a atitude, mas depois de verem Sven conversando com o recruta rapidamente olharam entre si e deram aquele sorriso de quando você e seu melhor amigo pensam na mesma putaria.

Apresentou os dois aos seus pais, eles conversaram por alguns minutos e em algum momento Vincent sussurrou algo do tipo “Por que o Arthur não é tão maduro assim?” e Olívia o cutucou dizendo que o louro era só uma criança no corpo de um adulto. Heiner riu e cruzou os braços olhando de soslaio para o louro que rapidamente agarrou os pais pelos braços e disse que era o suficiente de conversar com aquele babaca.

Seus pais disseram que queriam dar uma volta pelos pontos turísticos da cidade histórica, obviamente Arthur já estava muito cansado de ver todos eles e assim que viu seu capitão passando por perto ele teve uma ideia para se esquivar.

– Eu não posso, tenho um compromisso com alguém. – mentiu, não estava mesmo nem um pouco a fim de ver relíquias da Segunda Guerra Mundial pela centésima vez em um museu.

– Quem? – o pai sorriu de repente. – Por acaso é alguma namorada?

– Quase isso.

– Quase uma namorada? – ele arqueou uma sobrancelha. – Vai deixar de acompanhar seus pais por causa de um rolo?

– Não, não é um rolo, eu já estou nisso há vários meses. – bufou e cruzou os braços, se tivesse que definir diria que tinha uma relação estável com seu capitão, por mais instável que ele fosse.

– Você não me falou sobre ela. – sua mãe o lembrou de que o louro ligava para ela frequentemente, na maioria das vezes para dizer o quanto estava sendo maltratado naquele quartel.

– É porque não é ela. – soltou entredentes.

– Como assim, não é ela? – seu pai cruzou os braços e em seguida disse com certo escárnio. – É ele então?

– É. – quando viu já tinha soltado.

Por um momento os três ficaram se entreolhando e Arthur abaixou o rosto para ver se era possível perceber que suas pernas tremiam através das calças e ficou aliviado quando percebeu que não. Tinha ensaiado aquela conversa várias vezes na frente do espelho, mas não previu que a situação seria naquele lugar e naquele momento. Na verdade, ali era um pouco melhor, porque seu pai não o atacaria na frente das pessoas e sua mãe não faria nenhum escândalo pelo mesmo motivo.

– Então é um namorado? – sua mãe perguntou baixinho, mas sem nenhum tom de agressividade ou raiva na voz. – Por que não nos contou que está namorando?

Arthur levantou o rosto e olhou para ela, a expressão era a de sempre, embora ela sorrisse de uma forma um pouco forçada, tentando não demonstrar que achava errado. Olívia tinha tido seu segundo filho com algo em torno dos quarenta anos, foi uma gravidez inesperada, mas ficou feliz quando ganhou Arthur, e mais ainda ao assisti-lo crescendo, mesmo que suas pernas velhas já não dessem a ela a oportunidade de brincar e correr atrás do garoto como tinha feito com a primeira filha.

– Porque...eu não estou namorando uma...garota. – respondeu relutante.

– Não importa, se você gosta dele. – ela respondeu com aquele tom apreensivo.

– Do que está falando, Olívia? Ele acabou de dizer que é gay e você simple...

– Vincent. – a mulher disse repreendendo o marido e depois se virou para o filho de novo. – Não importa Arthur, se você está feliz assim e o ama, está tudo bem.

– É um dos garotos que nos apresentou? Aposto que é aquele judeu, ele tem uma puta cara de viadinho, ah, eu sempre soube que tem algo muito errado com esses jud... – seu pai começou a dizer.

– Não, não é! – cortou-o imediatamente.

– Ah, Arthur, se eu soubesse que esse lugar faria isso com você eu não o teria deixado vir pra cá. – o pai meneou negativamente e cruzou os braços bufando. – É claro que não era uma boa ideia, mandar meu garoto para um lugar cheio de homens confinados, é claro que isso aconteceria.

– Vincent! – a mulher bufou começando a ficar irritada com o marido e seus inúmeros preconceitos. – Não diga essas coisas, como se fosse culpa do exército, essas coisas não funcionam assim, as pessoas nascem assim, não é?

Arthur olhou para os dois sem saber e era uma pergunta retórica, porque no fundo estava com muito medo, nunca havia visto seus pais contradizendo um ao outro daquela forma e muito menos por causa dele, já que o louro sempre procurou não dar trabalho aos seus velhos.

– Ah...eu.... – gaguejou. – ...acho... que sim.

– Está vendo, Olívia? – Vincent disse fitando a mulher instantaneamente. – Ele não tem certeza, sabe o que eu acho? Que Arthur é muito ingênuo, é uma criança e nós o mandamos para um ninho de cobras, é claro que se aproveitariam dele.

– O que? Não, ninguém está se aproveitando de m... – começou a dizer, mas nenhum dos dois o ouviam mais, de repente começaram a discutir entre si e ignoraram o garoto completamente.

Olívia dizia que estava tudo bem, embora no fundo Arthur soubesse que ela estava dizendo aquilo porque não queria fazer o louro triste, Vincent por outro lado colocava todas as suas opiniões para fora dizendo que o garoto só estava confuso e que estava sendo ludibriado pelos malfeitores do exército, que deveriam leva-lo embora para longe daquelas pessoas e logo Arthur estaria casado e com vários filhos para cuidar. Sua esposa retrucava ferozmente dizendo que aquilo não era algo que eles poderiam mudar, que Arthur não deixaria de ser gay só por estar longe da pessoa que gosta, que eles tinham que aprender a conviver com aquilo, por mais que fosse errado e fosse trazer sofrimento ao louro.

– É por isso que o garoto é manipulável desse jeito, você só concorda com ele o tempo todo, Arthur já tem quase 19, pare de mimá-lo, mulher! – Vincent bateu o pé no chão. – Você tem que aprender a dizer não!

– Dizer não? Do que está falando? – Olívia indagou de volta indignada com a atitude do marido e sem entender o que ele estava dizendo e porque estava sendo tão cruel.

O homem se virou para o filho que até então estava totalmente passivo à discussão, sem conseguir opinar ou dizer qualquer coisa durante a conversa, a única coisa que pôde fazer foi ficar encolhido no canto, sentindo-se pequeno e inútil.

– Arthur, você não é gay! – ele disse com convicção na voz. – Eu não vou deixar você fazer isso com a sua vida, venha comigo, vamos embora.

Vincent agarrou a mão do filho e começou a puxá-lo ignorando a esposa que o mandava parar de ser tão idiota, mas nem por isso ele parou de puxar o louro que o seguiu sem dizer ou fazer alguma coisa, porque de repente sua boca se tornou amarga e a garganta se fechou, sufocando-o. Mas não andaram por muitos metros, porque sem querer Vincent esbarrou em um oficial de costas que conversava com outros dois.

– Com licença. – ele disse e tentou se esquivar.

– Aconteceu alguma coisa? – ele perguntou ao ver Arthur com olhos vidrados e pele pálida.

– Não, estamos bem. – respondeu tentando se esquivar mais uma vez, no entanto o capitão não permitiu. – Na verdade, você é o superior responsável pelo meu filho, não é?

– Sim. – respondeu sem conseguir manter seu olhar fixo nos do velho, pois a todo momento as pupilas pulavam até o louro, preocupadas.

– Bom, eu acho que meu filho recebeu influências erradas dentro do quartel e gostaria saber de onde elas vieram.

– Como assim? – ele arqueou uma sobrancelha.

– Ele está dizendo que é gay, e ele não era antes de vir pra cá.

Henry riu de leve com certo sarcasmo e cruzou os braços, fitando Vincent como se ele fosse uma criança, o capitão tinha aquele dom de fazer as pessoas parecerem menores mesmo ele tendo a mesma estatura que Olívia, era como se ele emanasse algum tipo de aura maligna que o elevava acima de todos.

– Senhor Astrophel, com todo respeito, eu posso te garantir que seu filho já era bem viado antes de vir para cá. – disse ao homem.

– O que? Não pode dizer uma coisa dessas sem ao menos conhece-lo, você...

– Eu sou o namorado dele. – interrompeu-o para provar que conhecia muito bem o louro, talvez tão bem quanto Olívia e Vincent.

Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, o suficiente para Arthur fitar o capitão com o canto dos olhos e sentir novamente o calor preenchendo seu corpo, seu sangue voltando a circular. Desvencilhou sua mão da de seu pai e o fitou ainda sem conseguir responde-lo, tinha medo de deixa-lo mais decepcionado do que já parecia estar.

– Oh, eu sou Olívia, é um prazer conhece-lo. – ela sorriu de leve e estendeu a mão para Henry que relutou em segurá-la, mas acabou fazendo.

– Henry. – apresentou-se com o primeiro nome, se estava se apresentando para sua sogra então o mínimo que podia fazer era tentar ser simpático, coisa que o capitão não costumava fazer.

– Wardraig. – ela completou olhando o nome bordado no uniforme dele. – Arthur já tinha me falado sobre você, embora não tenha adicionado que são namorados.

O capitão sussurrou um “É mesmo?” e fitou Arthur com o canto dos olhos, porque não esperava que tivesse sido o tópico de alguma conversa entre os dois em algum ponto da vida deles e não sabia como reagir à isso, realmente, estava preparado para lidar com Vincent, mas a simpática Olívia o fazia se sentir inseguro e levemente constrangido. A verdade era que ninguém nunca o tinha apresentado como “namorado” aos seus pais daquela forma, ao mesmo tempo aquilo fazia Henry se sentir feliz por Arthur ter informado aos seus pais sobre a relação dos dois, mas também com medo de fazer algo errado, já que não costumava lidar com os pais dos seus cães.

– Sim, me lembrou muito bem que no primeiro final de semana ele telefonou e me disse algo do tipo “Meu capitão é uma megera”. – ela riu de leve. – Espero que realmente seja tão rígido quanto Arthur me disse, assim ele vai estar sempre na linha.

O louro engoliu seco, porque aquela era uma informação que Olívia jamais deveria deixar escapar. O capitão franziu o cenho e riu de leve também imediatamente pousando as íris azuis no semblante pálido do louro.

– E o que mais ele disse? – indagou como quem não queria nada.

– Bom, várias coisas, mas creio que isso não seja mais importante agora. – ela agarrou o braço do marido que se calou, ainda incrédulo com a situação. – Arthur me disse que tinham um compromisso, por isso vou deixá-los ir.

Ela puxou o marido e os dois começaram a andar em direção à multidão de novo enquanto a voz suave da velhinha enchia os ouvidos do homem com ideias do que poderiam fazer durante toda aquela tarde, era uma cidade bonita, tinha várias coisas para fazer ali e a neve jamais atrapalhou turistas insistentes.

– Megera. – Henry soltou um “tsc” e meneou negativamente.

Arthur pousou de leve os olhos nos do capitão e sentiu que de repente tinha começado a ventar mais forte e mais frio, ou talvez fosse somente o efeito das íris insensíveis do seu superior, que queimavam sutilmente com a elegância de uma pedra de gelo.

– E-Eu acho que ouvi minha mãe me chamando. – murmurou enquanto dava um passo à frente.

– Para o carro, agora. – ele nem aumentou o tom, mas Arthur sentiu o quanto ele estava puto do vida apenas pela voz.

– Capitão, eu...

– Agora.

O louro engoliu seco e soltou um breve “Sim senhor”. Começou a marchar com a coluna dura em direção ao carro, sua mãe tinha tido boas intenções em ter dito aquilo, ela obviamente nem imaginava que o namorado do seu filho era um sádico cruel, sistemático e orgulhoso que sequer costumava tratar o bebê de Olívia como um humano durante seus atos sexuais. Abriu a porta do carro e entrou, não era a primeira vez que entrava no carro de Henry, na verdade tinha caído de amores pelo carro do seu capitão quando o conheceu e praticamente implorado para dar uma volta nele, mas aparentemente se tinha algo que Henry prezava tanto quanto sua alma esse algo era seu carro. Olhou para o volante e quase escutou seu nome sendo chamado, mas o capitão logo entrou e sentou no banco do motorista, fazendo o soldado imediatamente virar os olhos em outra direção.

Nunca esqueceria do dia em que Henry tinha dito que o deixaria fazer o que quisesse caso tirasse uma nota muito boa em uma prova teórica, e Arthur nunca se esforçou tanto para tirar uma boa nota quanto daquela vez e não conseguiu conter um sorriso maroto ao notar a expressão de surpresa e raiva no rosto do capitão que realmente o deixou fazer o que queria, como prometido. As exigências do louro foram claras e atendidas, se lembrava perfeitamente de como tinha feito Henry se debruçar sobre o capô do carro e de como houveram várias manchas brancas em cima da pintura preta depois de alguns minutos. Também se lembrava de como ele tinha dito que iria bater muito nele quando aquilo acabasse, mas dizia entre gemidos, alguns de prazer, outros de medo de alguém entrar no estacionamento e ver os dois ali. Aquela foi uma das poucas vezes que fizeram o que Arthur queria, porque em todas as outras quem decidia cada movimento era Henry, até porque em várias o louro não só estava amarrado quanto amordaçado também.

Entraram no estacionamento do prédio, Henry não morava muito longe do quartel, tinha comprado um apartamento no centro da cidade logo que a herança da sua mãe começou a lhe render algum dinheiro, ela tinha lhe deixando várias ações em uma empresa de metalurgia que tinha o sobrenome da mulher como nome. É claro que Henry nunca cogitou ser um empresário e tomar conta da empresa, preferia deixar isso para Charlotte que mesmo depois de tanto tempo não tinha se conformado que tinha tido sua parte dividida com Henry. O capitão gostava de ser chamado assim, como capitão, e não como chefe. Abriu a porta do carro e desceu, indo diretamente até o elevador, o louro o seguiu de cabeça baixa e andar duro.

– Você está muito bravo? – Arthur perguntou logo depois que o menor apertou o botão no painel.

Henry soltou um longo suspiro e não respondeu, deixando Arthur ainda mais apreensivo. O soldado olhou para o teto enquanto pensava nos seus pais, se eles também estariam bravos, seu pai pareceu bastante incrédulo, mas sua mãe reagiu bem. Ele sorriu de leve e a porta se abriu junto com o som característico de elevador, o capitão saiu primeiro e depois de andar alguns metros dentro do corredor longo, mas com apenas algumas portas, ele parou na frente da que era de madeira escura e tinha um grande puxador prata. Destrancou-a e indicou que o soldado entrasse primeiro, Arthur o fez, embora desconfiado. Andou alguns passos e logo depois de ouvir um clique da porta se trancando a parte de trás do seu joelho foi atingida por um chute, tão bem dado quanto um capitão podia dar.

– Seu desgraçado, eu vou acabar com você! – ele vociferou enquanto o louro ainda caía no chão com a mão no joelho atingido e reclamando de dor. – Acha que eu estou bravo?! Vou te mostrar o quão puto eu estou!

Pisou em cima da mão dele que estava no joelho e apertou até que o garoto começasse a falar.

– Não foi minha intenção! – ele tentou se justificar.

– Você disse para a sua mãe que seu namorado é uma megera! – dessa vez desviou a ponta do coturno do joelho para o abdômen dele e o atingiu ali, não com muita força, mas usou o solado para empurrá-lo e colocá-lo de barriga para cima – Imagina o que ela não está pensando de mim agora?!

– Capitão, eu tenho certeza que podemos resolver isso conversando, fique calmo. – pediu levando a mão até o pé dele para retirá-lo do seu abdômen antes que fizesse alguma loucura.

– Fique calmo... – ele imitou a voz do soldado e riu, até que a frase estourou na sua cabeça e o fez mover o pé com força até o espaço entre as pernas de Arthur e logo abaixo do seu abdômen. – Essa é a minha calma no momento!

O louro levou a mão até a boca e não conseguiu conter boa parte do grito que saiu pela sua garganta quando foi atingido pelo coturno do capitão na parte mais sensível do seu corpo e na que ele mais prezava também. Teria chorado se não fosse parecer idiota demais. Henry se abaixou perto dele e segurou o pulso de Arthur tirando a mão dele da boca, não parecia nada satisfeito, mesmo depois de ter mostrado seu humor de uma forma fácil de entender.

– Disse alguma coisa? – ele arqueou uma sobrancelha e certamente estava esperando uma resposta.

– Me desculpe. – o soldado sussurrou ainda lamentando por todos os bebês que Henry tinha impiedosamente matado com o pé.

O capitão sentou no sofá e cruzou os braços, fitando algum ponto distinto na parede por alguns segundos, mesmo que não tivesse ligado a luz o ambiente estava bastante claro, iluminado pelo sol da tarde que passava pelo vidro que cobria toda uma parede tanto da sala quanto da cozinha, que não eram separadas por paredes e sim apenas pela mobília.

– Continuo sem escutar. – disse.

O louro soltou um curto suspiro e rastejou até o capitão, levou a boca até um do seus pés e deu um breve beijo na ponta do coturno, Henry semicerrou os olhos e relaxou a expressão, aquele garoto sempre sabia exatamente o que fazer para acalmá-lo. Arthur subiu com a língua pelo calçado sentindo o gosto forte do couro e então chegou até o tecido da calça do capitão que logo deixou sua língua seca, portanto o soldado se limitou a arrastar os lábios até a coxa de Henry e finalmente abriu a boca de novo ali para lhe dar uma mordida. Levantou os olhos até o rosto do seu superior e sorriu de leve ao perceber que ele continuava olhando para a parede, como se nada estivesse acontecendo. Sendo assim, tomou liberdade para levar as mãos até o cinto dele e desabotoá-lo logo antes de fazer o mesmo com a calça.

Levou a boca até o tecido preto embaixo da calça e o mordeu de leve ali também, estimulando-o enquanto sem perceber deixava que suas mãos corressem até as coxas dele, o louro adorava tê-las em mãos, porque sempre sentia que podia dizer que Henry era seu quantas vezes quisesse enquanto ele o deixasse segurá-lo daquela forma. Abaixou a cueca o suficiente para que pudesse ter a ereção do seu capitão contornando seus lábios por um momento e depois dentro da boca, competindo por espaço com a língua. Conseguiu trabalhar por alguns minutos, amaciando o humor de Henry enquanto fazia aquela região ficar mais rígida até exigir urgentemente por cuidados.

O capitão descruzou os braços de repente e levou a mão até os cabelos do soldado puxando a cabeça dele bruscamente para trás.

– Espero que não esteja pensando que vou esquecer disso quando gozar. – falou fitando Arthur tão profundamente quanto a frieza dos seus olhos lhe permitia.

– Quando vai? – sorriu com o canto dos lábios depois de limpar a saliva que escorria por eles com a língua.

Ele soltou um “tsc” e puxou os fios louros com mais força.

– Quando eu quebrar todos os seus dentes para que não possa sorrir desse jeito debochado de novo. – respondeu levando a mão livre até o cinto que estivera anteriormente prendendo sua calça. – Mas isso faria você ficar horrível, então vou me limitar a arrancar essa expressão do seu rosto, babaca.

O capitão acertou a bochecha do soldado antes que ele pudesse pedir para não bater com muita força em seu rosto, porque não queria uma marca ali, mas acabou só tendo tempo para soltar um gemido junto ao estalido do couro na sua carne. Quando se recuperou virou o rosto até o de Henry novamente para dizer que aquilo tinha sido exagerado, mas o capitão o impediu de reclamar enrolando o cinto ao redor do seu pescoço e segurando com força a ponta que passou pela fivela.

– Algumas coisas não mudam, subiu de posto e continua se comportando como um cachorro inútil, faz merda e ainda sorri desse jeito. – puxou o cinto com mais força e aproximou seu rosto ao dele. – Talvez se você tivesse ficado lambendo meu pé como um subordinado dócil eu não precisaria te mostrar o seu lugar.

Henry se levantou e afrouxou um pouco o cinto ao redor do pescoço de Arthur para que ele respirasse por um minuto, mas logo o mandou ficar em pé e o puxou pela casa apertando sua garganta até chegarem ao seu quarto onde finalmente o deixou livre, mas não perdeu a oportunidade de jogá-lo em cima da cama ao desequilibrá-lo com um empurrão. O louro imediatamente afrouxou o cinto ao redor do seu pescoço e encheu seus pulmões depois de alguns segundos sem conseguir deixar mais que alguns goles de ar entrarem em seu corpo. Escutou Henry abrindo uma das portas do guarda-roupa e mesmo antes de levar os olhos até ele já sabia qual era, não era a primeira e muito menos a segunda vez que Arthur estivera deitado naquela cama esperando pacientemente seu superior decidir o que faria com ele, mesmo assim sempre que via aquela coleção de chicotes pendurados e os apetrechos especiais um arrepio corria pela sua espinha. Bom, era culpa sua tê-lo deixado bravo, o mínimo que podia fazer era se deixar ser refém dos caprichos do seu capitão.

Levou os dedos até os botões da camisa e começou a desabotoá-la assim que se lembrou de que Henry já o tinha chicoteado por tê-lo feito esperar tirar suas roupas, algumas lições são rapidamente aprendidas. Desabotoou a calça também e jogou tudo em um monte ao lado da cama, mas não ousou tirar o cinto do pescoço e o deixou como a única peça em cima da pele nua. Quando Henry se virou ele sorriu com o canto dos lábios de uma forma satisfeita e assustadora que teria feito um cãozinho colocar o rabo entre as pernas, provavelmente feliz por não ter de dizer a mesma coisa mais uma vez. Caminhou até a cama e se ajoelhou ao lado do garoto, afivelou o cinto em seu pescoço para que não saísse do lugar e mandou que ficasse de costas, uma vez dessa forma o capitão amarrou suas mãos com a corda preta que costumava usar para esses fins.

– Eu devia ter quebrado sua cara na frente do seu pai para que ele visse o viadinho masoquista no qual essa megera te transformou. – comentou enquanto o virava de barriga para cima novamente.

Arthur lembrou-se dos outros nomes com os quais tinha se referido à ele e concluiu que não queria compartilhar com seu capitão, porque durante as primeiras semanas dentro do quartel o baixinho de olhos azuis foi o tópico maior das suas conversas com Olívia, talvez a mulher não tivesse ficado tão surpresa porque em algum ponto percebeu que o filho falava mais de outro homem do que de si mesmo, embora escondesse a admiração na maioria das vezes. Se Henry tinha ficado tão puto com “Megera”, iria enfiar um extintor de incêndio na sua bunda caso soubesse que ele também tinha usado “Lenhador de Bonsai”, “Colegial fardado”, “Projeto de adulto” e alguns outros.

– Aliás, devia contar pra ele que além de namorar um homem você também o deixa torturar você. – Henry disse enquanto prendia os mamilos do louro com prendedores específicos que os fizeram ficar vermelhos e duros.

– E-Eu não vou. – respondeu, embora soubesse que era uma pergunta retórica.

Henry sorriu de leve e levou as mãos até os mamilos presos do soldado, apertou os prendedores entre seus dedos e os torceu junto com a pele do louro que soltou alguns gemidos ao sentir aquela parte frágil do corpo sendo brutalizada.

– Nem precisa, ele já deve saber, qualquer um que olha para a sua cara percebe que gosta de apanhar. – arqueou uma sobrancelha e aproximou a boca do ouvido dele, lambeu de leve sua orelha e mordeu o lóbulo. – Eu não quero ouvir sua voz.

O louro bem que tentou conter os gemidos como tinha sido ordenado, mas Henry o estava apertando com força e aquilo era doloroso o suficiente para fazer com que sua voz escapasse, mas à medida que ele desobedecia a ordem do seu capitão ele torcia com mais força seus mamilos até chegar em um ponto que Arthur mordeu os dentes com força e cerrou os olhos sem deixar nem mesmo o ar entrar ou sair do seu corpo, foi a única forma que encontrou de se calar. Quando Henry soltou seus mamilos ele deixou escapar um suspiro de alívio, embora ainda os sentisse latejando, doloridos ao toque e seu capitão certamente sabia disso pois fez questão de livra-lo dos prendedores e afundar os dedos na pele dolorida e sensível, arrancando outros gemidos mais altos do louro. Depois os mordeu de leve e brincou com a ponta da língua enquanto deixava uma das mãos escorrer até abaixo do abdômen de Arthur para lhe estimular uma ereção.

Uma vez que o capitão conseguiu o que queria abandonou-o e colocou os prendedores de volta para o tormento do garoto. Alcançou uma mordaça em cima do criado ao lado da cama que ele tinha enchido com apetrechos pegos dentro do seu guarda-roupas e afivelou as tiras de couro atrás da cabeça de Arthur, deixando a pequena bola vermelha dentro da boca do soldado. Só então alcançou o lubrificante e depois de tirar as luvas brancas que faziam parte daquele uniforme especial em questão encheu a palma e os dedos com o líquido, o louro começaria a resmungar no instante em que visse aquilo e Henry não queria estragar seu próprio prazer, por isso decidiu calar o amante. Engatinhou até as pernas dele carregando em uma das mãos um plug de metal cinza levemente triangular e separou as coxas do soldado com seu próprio corpo conforme se aproximava.

Arthur disse imediatamente alguma coisa quando sentiu Henry o tocando com os dedos lambuzados da substância líquida e gelada, obviamente as palavras saíram cortadas e impossíveis de serem identificadas por causa da mordaça.

– Me desculpe, não consegui entender. – respondeu enquanto prosseguia com o indicador depois de massageá-lo por alguns segundos.

Alguns gemidos chorosos saíram da boca de Arthur que apertou os dedos do pé e se contorceu negando-se a parar de tentar falar alguma coisa mesmo depois que o capitão colocou o segundo dedo. É claro que não era a primeira vez que Henry o tocava ali, por que embora o capitão gostasse de ser o passivo ele achava conveniente dar esse papel para o louro de vez em quando para ser agraciado não só com o calor dele mas com os gemidos também, contudo toda vez que Henry fazia aquilo era como se fosse tão torturante quanto a primeira vez, ou era só Arthur que era escandaloso demais.

– Pode começar a falar quando quiser, não se incomode, eu ainda tenho três dedos livres. – informou-o depois de sorrir levemente com a insistência dele em tentar mandar pará-lo mesmo estando amordaçado.

Encostou de leve outro dedo na entrada dele, mas o garoto balançou a cabeça negativamente e fechou os olhos, então resolveu poupá-lo disso. De repente Henry notou que tinha tido alguma compaixão com ele, coisa que raramente fazia, mas o louro era de alguma forma um estranho objeto que o fazia fazer coisas que nunca antes imaginara fazer. Suas intenções com Arthur quando o conheceu não passavam das que iriam dar prazer à ele mesmo e isso parecia muito irônico agora que o tinha andando pelo seu apartamento como se fossem um casal. Bom, na verdade eram, mas era estranho para Henry pensar que tinha um relacionamento com alguém e que isso tinha durado mais de uma semana. Era mais estranho ainda pensar que tinha sido apresentado aos pais do seu parceiro, isso nunca tinha acontecido em toda sua vida e era difícil esconder o êxtase que crescia no seu peito, porque o capitão sentia que não podia ser mais oficial que pertenciam um ao outro naquele momento.

Retirou seus dedos de dentro do garoto e lambuzou a ponta do plug, não esperou nem que o garoto soltasse um suspiro e logo o colocou na entrada do garoto, empurrando de leve e mantendo seus ouvidos atentos aos gemidos de Arthur que aos poucos se tornaram quase-gritos de reclamação e manifestação de dor. O capitão ainda se lembrava da primeira vez que o louro tinha sido o passivo, ao final do ato ele olhou para os olhos azuis do parceiro com os seus próprios cheios de lágrimas e balbuciou “Por que você me maltrata tanto?” e Henry não conseguiu conter algumas risadas. O garoto era tão dramático quanto sensível.

Parou de empurrar quando somente a base estava do lado de fora, que foi exatamente quando distinguiu um “Eu vou morrer” vindo da boca do louro que já tinha deixado saliva escorrer pelos cantos dos lábios ignorando a barreira que Henry lhe tinha imposto. O capitão sorriu com o canto dos lábios e mordeu sua coxa de leve engatinhando até a beirada da cama de novo, arrancou os coturnos dos pés e depois as calças e cueca. Desabotoou o dólmã que tinha gasto bons minutos passando para ficar impecável, pois era assim que gostava do seu uniforme, mesmo quando era um recruta nunca tinha recebido alguma reclamação sobre sua aparência, exceto vez ou outra quando reclamavam da sua altura e que estava muito magro. Na verdade estas também eram as mesmas reclamações que ele fazia para Samuel. Bom, deixou a peça no seu corpo, embora desabotoado, fazendo companhia para as meias e o chapéu militar que ele gostava de usar porque lhe dava uma estatura ligeiramente maior.

Olhou de leve para Arthur na intenção de conferir se ele não tinha realmente morrido, porque de repente os seus gemidos cessaram, mas estava vivo e ofegando, seus olhos reclamando imensamente por ter sido invadido de repente quando visivelmente não achava agradável. Henry molhou sua mão em mais lubrificante e a levou até a ereção do garoto, que só confirmava suas inclinações masoquistas por ainda existir ali depois de tanta negação. Usou a outra para mover a peça metálica dentro do louro que facilmente abandonou as reclamações e parou de tentar impedir Henry uma vez que este estava conseguindo com êxito lhe atingir em pontos favoráveis enquanto o masturbava. Arthur sequer percebeu quando o capitão parou de masturba-lo e levou a mão molhada até a própria entrada, embora o plug fosse algo que ele considerava doloroso era impossível negar que o brinquedinho estimulava um ponto interessante dentro dele que o louro não tinha pensado que podia lhe proporcionar algum prazer antes de Henry resolver tocá-lo ali.

O capitão parou de mover o plug quando percebeu que ele mesmo já estava relaxado o suficiente e engatinhou sobre o soldado até conseguir sentar-se sobre seu abdômen. Roçou a ereção dele entre suas nádegas de leve por alguns segundos e então finalmente a empurrou lentamente para dentro dando a si mesmo tempo para lidar com o volume repentino. Arthur pregou o par de olhos verdes no rosto do capitão, ele sempre conseguia parecer alheio ao soldado e ao mesmo tempo não se continha nem um pouco, seja em gemidos ou em expressões extremamente eróticas, como se o louro não passasse de um dos brinquedos do seu armário com os quais ele não devia se preocupar em dar prazer ou em se envergonhar com. Mas era sempre gratificante ter aquela visão e mais ainda de senti-lo preenchendo seu interior com volúpia e movendo-se com a mais pura sede carnal de prazer.

Abaixou os olhos até o peito dele e leu brevemente o sobrenome depois da patente, como se a palavra “Capitão” ali remetesse justamente à Arthur, explicando para ele que em sua condição de mero soldado ele deveria ceder aos caprichos do seu superior e se empenhar ao máximo em proporcionar exatamente o que ele queria. Sentia-se ligeiramente saindo fora dos seus deveres quando um gemido ou outro escapava dos seus lábios a medida que era mais e mais estimulado, queria conter-se ao máximo para que aquela visão durasse por mais tempo, para que pudesse estar dentro de Henry por mais tempo, envolvido pelo calor ardente da sua paixão e a maciez do carinho com que vez ou outra Arthur era agraciado.

Arqueou sua cabeça de leve quando sentiu que não conseguiria se segurar por mais tempo do que já tinha e as mãos de Henry o fizeram se arrepiar quando escorreram até seu peito. Ele tirou os prendedores do soldado e apertou os mamilos que não podiam estar mais vermelhos e doloridos depois de tantos minutos presos. Arthur soltou um gemido alto quando a dor nos mamilos se espalhou por seu peito e acabou perdendo a concentração que tinha construído para não chegar ao seu ápice mais cedo do que queria. Puxou o ar com força para dentro dos pulmões e se manteve assim por alguns segundos, ofegando, até que Henry saiu de cima do seu abdômen e sentou sobre seu peito, tirando a mordaça da sua boca, mas não a deixou livre para que o louro buscasse pelo ar que seus pulmões clamava, preencheu-a novamente com a própria ereção e obrigou Arthur a lhe dar alguma atenção.

O soldado usou a língua para atender à ordem indireta do seu capitão e a moveu em torno da ereção dele, que tinha um leve gosto do lubrificante que estava na mesma mão que Henry tinha usado para estimular aquela região enquanto se movia em cima de Arthur. Ele não tinha gemidos tão escandalosos quanto os do louro, mas com certeza eram mais sinceros, pois cada som que saía dos lábios avermelhados do capitão transmitiam exatamente o que ele estava sentindo e faziam sempre Arthur vibrar, pois imaginar alguém tão sério e cruel gemendo certamente era impossível, então ele se prendia aos momentos que possuía isso ao vivo e se empenhava em conseguir mais deles. Sua própria boca foi inundada primeiro com um gosto amargo do líquido pré-ejaculatório e então finalmente com o clímax do seu capitão que lhe escorreu algumas gotas pelo canto dos lábios até o pescoço.

Henry ofegou junto com ele por um instante, mas não deixou as gotas brancas marcando a pele do seu amante, logo as recolheu com os dedos e enfiou de volta dentro da boca do soldado que fez uma careta ao ter que engolir mais da substância.

– Não posso deixar meu brinquedinho sujo. – alegou.

– Claro. – respondeu em meio à suspiros e foi cortado novamente quando seu capitão o beijou, obrigando-o rapidamente a dividir o gosto com ele.

Ele tirou o chapéu da cabeça e o colocou ao lado da cabeça do soldado. Por um momento os dois fitaram um ao outro, quase como que pensando no que fariam a seguir, ainda tinham uma tarde inteira pela frente. Por fim, Henry se deitou ao lado de Arthur com a cabeça no seu peito.

– Acha que a sua mãe acreditou em você quando me difamou? – indagou de repente.

– Eu acho que não. – arqueou uma sobrancelha, surpreso por ele estar mesmo preocupado com aquilo. – Ela não costuma levar em conta a opinião alheia, mesmo a minha.

Ele ficou em silêncio por alguns segundos traçando caminho entre os músculos do soldado com a ponta dos dedos, quase como que um escultor admirando sua obra. Quase que entendia a preocupação dele, nunca tinha apresentado um namorado aos seus pais e sabia que embora tivesse se livrado daquela conversa em algum momento a teria com seus pais. O louro bufou e se orgulhou de si mesmo por ter conseguindo esconder por tanto tempo, nunca conseguia mentir para os seus pais, mesmo quando era uma criança e fazia algo errado começava a chorar e não conseguia mentir para eles. Talvez tivesse dito naquele momento porque sabia que não conseguiria passar a tarde toda com eles mentindo, jamais conseguiria essa proeza. Tinha sido algo instintivo.

– Nesse caso, você pode convidar seus pais para almoçar aqui amanhã? – o capitão sugeriu depois de alguns momentos refletindo. – Assim eles podem tirar suas próprias conclusões e se desprender da opinião idiota do babaca do filho deles.

– ...claro. – resolveu não lembra-lo que esse babaca era seu namorado. – Pode tirar isso da minha bunda agora, está doen...

– Não. – Henry respondeu antes mesmo do louro terminar de fazer a pergunta. – Ainda não terminei com você.

Arthur sorriu, mas se arrependeu de ter feito isso, porque Henry o puniu imensamente por ter dado aquele sorriso debochado de novo durante todo o resto da tarde. Dormiram um pouco depois da brincadeira e em algum ponto Henry se levantou e foi fazer compras depois de um banho, seu plano inicial era fazer isso por conta própria para que Olívia e Vincent percebessem que não havia dedo do filho naquilo, mas ao chegar no supermercado foi obrigado a ligar para Arthur e fazer uma enxurrada de perguntas sobre as preferências gastronômicas dos seus pais e depois de alternar entre uma montanha de pratos diferentes acabou decidindo que faria costeletas de vitela como prato principal e um pudim de frutas vermelhas como sobremesa. Era muito bom na sobremesa, mas teve que ligar para Krieg uma ou duas vezes para perguntar sobre a carne, já que era o primeiro-tenente quem costumava prepara-las com maior maestria.

De toda forma, foi engraçado para Arthur assistir Henry conversando sozinho o tempo todo, fazendo perguntas e as respondendo sem esquecer de justificar cada uma delas sem deixar o soldado palpitar em nada. Ele entrou em pânico por alguns segundos, vez ou outra, mas todas as vezes que isso aconteceu o louro segurou sua mão e disse que não deveria ficar tão nervoso, porque afinal, eram só seus pais e não cães do inferno que estavam vindo devorar sua alma. Mas apesar de Arthur ter percebido que ele tremeu algumas vezes tudo acabou saindo perfeitamente bem, seu pai pareceu mais conformado durante o almoço e não houve nenhuma pergunta do tipo “Você tem certeza que não é só uma fase?” ou “Como descobriu que era gay?”. Seus pais fizeram as mesmas perguntas que fariam à qualquer namorada que Arthur tivesse arrumado, como sobre a família — é claro que Henry não mencionou que era filho bastardo, nem que tinha sido estuprado e muito menos que seu pai estava preso por isso -, emprego e gostos em geral. Aliás, por um momento Henry e Vincent se engajaram em uma conversa sobre carros e motores e Arthur ficou fitando sua mãe com um pouco de vontade de discutir crochê com ela. O capitão inclusive perguntou se Vincent não queria dar uma volta no seu carro e imediatamente Arthur soltou um “Por que ele pode e eu não?” sendo respondido também com rapidez com “Porque você é irresponsável demais”. E foi nesse momento que os pais do garoto riram e tiveram certeza de que estavam deixando o filho nas mãos certas.

Notas finais
Como seria a marcha se o Hans fosse o instrutor -> https://www.youtube.com/watch?v=iEKuYZKd30Y Por hoje é tudo pessoal. Bejão e até o próximo bônus. ;*