Damage

45 Bônus: Sweet Dreams


Notas iniciais
Olá pessoas. :v Estava pensando em escrever esse bônus desde o fim do arco do Hans porque sim, mas na verdade só criei coragem pra escrever graças ao pessoal do ask que shippa meus personagens tudo errado, esses filhos da puta do caralho. Então, tá aí, foi escrito com um pouco de pressa e sono, mas está relativamente legal. o/

Hans estava na dispensa, procurando alguns produtos de limpeza reserva que Krieg tinha exigido, como se ele pudesse exigir algo do cozinheiro. Ele só estava fazendo seu trabalho levando o café da tarde do Coronel até sua sala em uma bandeja quando o primeiro-tenente surgiu do nada e acabou levando toda a bandeja no peito. É claro que ficou muito puto da vida quando viu o bolo no qual tinha trabalhado tanto em pedaços no uniforme do primeiro-tenente, mas o homem conseguiu superá-lo em quesito de raiva e quando ele o segurou pelo pescoço Hans achou que não fosse mais sair vivo das mãos de Krieg.

Revirou alguns vidros de produtos fortes demais para serem usados em tecido, podiam manchar o uniforme do primeiro-tenente, acabou não encontrando nada, mas não podia voltar de mãos vazias ou seu superior que já não costumava ter um humor muito agradável ficaria ainda mais irritado, por isso pegou uma flanela que encontrou jogada por ali. Quando chegou na cozinha o louro estava resmungando algo em russo que Hans não conseguiu entender, mas devia estar xingando, até porque tudo em russo parece xingamento.

– Por que toda vez que eu vejo você acontece alguma merda? – Krieg apontou para Hans de uma forma ameaçadora o suficiente para que o orgulho do ruivo fosse atingido.

– Eu não tenho culpa se você entrou na frente! – justificou-se.

– Não teria acontecido se não estivesse tão desatento, porra, que tipo de animal anda equilibrando uma bandeja no punho?! – Hans estava mesmo fazendo isso, mas já era mestre em equilibrar as coisas desse jeito.

– Ah, vai se foder. – deu de ombros, um dos motivos para que Hans continuasse sem uma boa patente era porque seu nível de disciplina e educação eram bastante baixos. – Você devia é pegar esse glacê e enfiar na cara para tentar esconder essa monstruosidade que chama de rosto.

– Francamente, sua mãe deve ter chupado o Coronel para te aceitarem no exército!

– Na verdade não, ela chupou o clitóris da puta da sua mãe enquanto ela dava a bunda para o cavalo do Coronel. – respondeu com escárnio e deu uma risadinha curta, afinando a voz de repente para imitar os gemidos da mulher. – Ohh, ah, meu deus como isso é bom, enfia mais fundo, vai! Ohh!

Nesse momento Hans piscou por um segundo e sentiu uma lâmina raspando seu pescoço, Kazimir a tinha arrancado do faqueiro e mandado em sua direção com toda a raiva acumulada dentro de si.

– Ficou maluco?! – o ruivo gritou imediatamente, mas antes que obtivesse uma resposta foi obrigado a desviar do primeiro-tenente que desferiu alguns socos em sua direção depois de pular por cima do balcão que os separava. – Eu não estava falando sério! Na verdade foi seu pai!

O ruivo riu consigo mesmo durante um minuto enquanto desviava dos golpes do primeiro-tenente que vinham em sua direção carregados com tanta força quanto podiam estar e uma vez que foi atingido na bochecha não conseguiu desviar dos outros golpes no estômago que o fizeram engolir a risada e perder o equilíbrio, quando caiu sentado no chão Kazimir se ajoelhou entre suas pernas e o segurou pela gola do dólmã, preparando o punho livre para outro soco. O ruivo voltou a rir de leve de repente e passou a língua em cima do corte no lábio inferior.

– Se continuar me batendo como uma mocinha irritada eu vou gozar. – avisou e rapidamente agarrou a faca que o primeiro-tenente tinha arremessado contra ele, não era idiota, tinha se dado ao trabalho de cair perto dela e quando a ponta da lâmina tocou o abdômen de Krieg ele hesitou em acertar o rosto do ruivo de novo.

– Vai fazer o que? Me matar? – ele riu de leve e arqueou uma sobrancelha, sabia que Hans não era inconsequente a esse ponto.

– Claro que não. – o cozinheiro respondeu deslizando a ponta da faca até o pescoço do primeiro-tente, mas ao invés de perfura-lo ele puxou a faca entre os botões da camisa dele cortando todos rapidamente até que a lâmina foi parada pelo cinto de Krieg.

O louro segurou o pulso do homem que no momento chegava a ser tão insensato quanto ele e mudou a mão que segurava a gola do ruivo até o pescoço do homem e o empurrou até que o deitasse no chão, batendo suas costas contra o piso com um baque surdo logo antes de um pequeno gemido de dor. Aproximou seus lábios do ouvido de Hans enquanto seus dedos apertavam a garganta dele.

– Eu odeio você. – murmurou para ele e então afrouxou sua mão ao redor da pele do cozinheiro que pareceu imensamente aliviado por conseguir respirar de novo.

– Porra nenhuma. – Hans se deu ao trabalho de murmurar de volta quando as costas da sua mão bateram contra o chão acima da sua cabeça e obrigou seus dedos a soltarem a faca que deslizou para longe no piso com quase ruído algum.

Chegou a ter as palavras de protesto e escárnio na ponta da língua, mas antes que pudesse deixar o som escapar pela garganta sua boca foi completamente selada pela de Kazimir que o beijou com a mesma intensidade com que mordia um pedaço de bife, calorosamente e cheio de sede, como se quisesse feri-lo e não dar ênfase na sua volúpia. Hans não teve suas mãos ou pescoço libertos mesmo quando retribuiu o beijo, lutando para tentar se manter dominante embora Kazimir o atacasse como um animal, mas ainda tinha uma das mãos livres e a levou até o peito do seu superior para empurrá-lo com força até que suas bocas se separassem com respirações ofegantes.

– Qual é o seu problema? – indagou ainda tentando segurá-lo longe de si, mas Krieg era mais pesado do que somente uma das suas mãos podiam aguentar.

– Você, seu desgraçado, você é o meu problema. – respondeu soltando o pescoço do ruivo e levando essa mesma mão até a calça dele, arrancou o avental que estava preso ali e em seguida desabotoou o cinto do cozinheiro que rapidamente dirigiu a mão até o pulso dele.

– O que está fazendo?! – gritou enquanto tentava segurá-lo, mas suas mãos tinham sido treinadas para a cozinha e não para segurar brutamontes com algum desvio de conduta.

Kazimir não respondeu, porque seus atos naquele momento não precisavam de resposta ou justificativa, pois não eram fruto da sua consciência ou inconsciência, eram apenas a manifestação mais pura e pecaminosa dos seus desejos mais sujos e ainda da sua libido que havia acordado de novo há não mais que alguns meses, graças ao estímulos incansáveis de Damien que se divertia perguntando a si mesmo o quão selvagem o primeiro-tenente podia parecer quando estivesse no ápice da sua luxúria. Ele desabotoou a calça do ruivo mesmo enquanto ele o segurava e movia as pernas tentando tirar o primeiro-tenente do espaço entre elas.

– Pare de se mexer, droga! – resmungou.

– É porque eu não quero que me toque, babaca! – respondeu. – Você vai se arrepender depois e dizer que a culpa por ter feito isso foi minha!

– Eu já estou arrependido e tenho certeza de que a culpa é sua. – respondeu relativamente mais baixo, cuspiu em uma das mãos e deixou que ela tocasse o membro do cozinheiro sem relutar em envolve-lo com os dedos.

Hans soltou um “tsc” e franziu o cenho ao ser tocado tão intimamente pelo homem com quem estava constantemente brigando e discutindo, não queria dar a ele o prazer de conseguir o que queria, mas em um piscar de olhos o ruivo já tinha abandonado seu estado inerte e concentrando-se nos movimentos de Kazimir sua ereção lhe transmitia irritantemente todo o calor que a mão do primeiro-tenente conseguiu acender tão facilmente apenas movendo os dedos. É claro que Krieg não lhe poupou de um sorriso vitorioso no canto dos lábios que quase fez Hans rosnar, incitando sua revolta daquela forma o primeiro-tenente só conseguia com que o ruivo ficasse com uma expressão mais irritada.

– Saiba que quando isso acabar eu vou ser o primeiro a dar os detalhes para o Damien. – ameaçou, ainda com esperanças de ser solto.

– Você é quem sabe. – respondeu puxando as calças brancas do cozinheiro-chefe junto com a cueca até seus joelhos. – Mas não esqueça de nenhum detalhe.

Krieg se deu ao trabalho de cuspir novamente na mão antes de leva-la até entre as nádegas do ruivo enquanto usava a outra para desabotoar o próprio cinto e botão da calça. Depois de circundar a entrada dele por tempo que considerou suficiente apertou o indicador para dentro, Hans não soltou nenhum som, conteve cada um que ameaçou saltar para fora da garganta e acumulou as energias e reclamações nos músculos que se enrijeceram quando Kazimir forçou espaço entre eles. Contudo eles acabaram tendo de ceder depois que o primeiro-tenente inseriu um segundo dedo que provou ao cozinheiro que quanto mais resistisse mais doloroso seria, embora nem isso o tivesse feito desistir do seu voto de silêncio, esse que estava sendo difícil de manter. Para Hans era algo quase sobre honra, não conseguiria se livrar de Kazimir, mas ficaria calado e imóvel, porque se o primeiro-tenente estava achando aquilo divertido então o cozinheiro ruivo faria de tudo para que fosse ruim para ele.

O primeiro-tenente tirou os dedos da entrada do seu subalterno e levantou as panturrilhas dele para que ficassem nos seus ombros e tirassem as pernas dele do seu caminho, dando-lhe a oportunidade de se aproximar. Levou a mão até sua cueca, já sabia que tinha uma ereção há algum tempo e estava lutando contra ela, então sem devaneios tirou-a de dentro do tecido e levantou os olhos de novo até o rosto de Hans enquanto roçava sua glande à entrada dele depois de lambuzá-la em mais saliva, sabia que a substância era inferior à um lubrificante, mas se saísse para buscar um era óbvio que Hans não estaria mais ali quando voltasse e agora que tinha começado aquilo com certeza levaria até o final.

Van Bursliet era nada menos que um espécime raro de ruivo natural, e sua pele era por obrigação bastante clara, mas tomou a mesma cor dos cabelos quando Kazimir apertou de leve seu membro contra a entrada do cozinheiro. Ele não reclamou a princípio, mas logo que o primeiro-tenente apertou com mais força Hans soltou um soluço e levou imediatamente uma das mãos até a coxa do louro, impedindo-o de avançar, não estava com uma expressão nada agradável no rosto e visivelmente queria que ele parasse.

– Tem lubrificante na gaveta. – disse ainda tentando mantê-lo distante, embora Kazimir não tivesse feito nem menção de se afastar.

O primeiro-tenente semicerrou os olhos, desconfiado, a faca estava longe o suficiente para Hans não alcança-la, mas ele podia se levantar quando Krieg lhe desse as costas. Aqueles olhos cor de fumaça não incitavam muita confiança, principalmente porque Krieg costumava se intoxicar com eles quando o cozinheiro sorria após sacaneá-lo de alguma forma, o ruivo tinha nascido com o escárnio atravessado no peito, parecia ser tão natural dele trapacear e mentir quanto eram os próprios caracóis avermelhados na sua cabeça. Se Kaz se levantasse, Hans não estaria mais ali quando voltasse, o primeiro-tenente estava certo disso. Empurrou sua ereção para frente com um pouco mais de vontade e sentiu sua glande adentrando o cozinheiro, mas estava tão apertado que era impossível ir mais. O ruivo soltou imediatamente um gemido de dor mais alto e suas mãos pararam de conseguir empurrar o primeiro-tenente por causa da tremura que invadiu seus dedos sugando-lhes toda a força.

– Que droga, Krieg! – ele gritou levando as mãos até o rosto para cobri-lo com as palmas, estava mesmo doendo e o cozinheiro-chefe sentia que o primeiro-tenente ia machuca-lo a qualquer momento. Tirou a mão do rosto e fitou-o, ardentemente. – Vai me rasgar desse jeito, babaca! Levanta e pega a porra do lubrificante!

– Como é que eu vou saber que você não vai fazer alguma coisa?

– Você está mesmo tão desesperado para transar comigo que está com medo de que eu fuja?! – estava no mínimo indignado, porque mesmo depois de aceitar que faria sexo com o homem que mais odiava e ter parado de resistir Krieg ainda acreditava que estava fazendo aquilo plenamente contra a vontade do ruivo.

Aparentemente conseguiu atingir seu superior, porque ele franziu o cenho e se afastou vagarosamente até retirar-se do interior de Hans que reclamou mais um pouco sobre aquilo.

– Em qual das gavetas? – havia uma série delas espalhadas ao longo dos balcões, era realmente impossível adivinhar qual continha o que procurava.

– A terceira da segunda coluna. – contou enquanto apontava para um molho de chaves no chão, tinha caído da sua calça quando o primeiro-tenente arrancou seu avental.

Kazimir meneou positivamente e alcançou a chave, colocando-se em pé logo depois para ir atrás do que queria, Hans aproveitou esse breve momento para levar uma das mãos até o rosto de novo e soltar um longo suspiro, concordando mentalmente com Samuel sobre o fato daquilo ser mesmo desumano no começo, principalmente quando seu parceiro era um animal idiota que só devia estar transando com ele para satisfazer o próprio ego de macho alfa que nunca pode ser desafiado. Ainda não tinha mesmo entendido o que Kazimir queria com aquilo, nunca entenderia, provavelmente, era mesmo só um maníaco que Hans devia ter evitado ao invés de provocado.

Estava pronto para perguntar para Krieg se ele não tinha escorregado e morrido ao bater a nuca em alguma pedra quando ele se abaixou de novo entre suas pernas, com uma expressão levemente arrependida. Hans se sentiu bem com isso, por tê-lo feito se sentir um idiota por não confiar no ruivo. Ele colocou o tubo de lubrificante ao seu lado e levou as mãos até os coturnos do cozinheiro, desamarrou os laços e depois de ter retirado os sapatos puxou as calças brancas até retirá-las completamente e jogá-las perto da própria faca que tinha lançado no chão anteriormente. Hans não esperava por aquilo quase tanto quanto não esperava que fosse ver os cabelos louros se abaixando até seu abdômen, permitindo à língua molhada dele que encontrasse seu membro. Ficou assustado com o ato por um momento, mas o maldito fazia aquilo surpreendentemente bem e logo o ruivo foi obrigado a soltar um suspiro e levar uma das mãos até os cabelos dele para que a palma da mão acompanhasse os movimentos que ele fazia sinuosamente com a cabeça enquanto os lábios abraçavam sua ereção de forma suave e muito menos rude do que o primeiro-tenente tinha sido anteriormente.

– Foi Damien que te ensinou a fazer isso? – indagou depois de alguns minutos arqueando uma sobrancelha. – Porque se foi então acho que eu estava certo sobre ele.

– O que? – o louro levantou a cabeça e o fitou com certa fervura nas íris.

– Nada, continue, você é bom. – pigarreou e empurrou de leve a cabeça dele mais uma vez.

– Acho que é o suficiente. – Krieg respondeu afastando a mão do cozinheiro da sua cabeça e se levantando plenamente. – Não era minha intenção te dar prazer, eu fiz isso porque é brochante comer um cara de pau mole.

– Bom, você não pode esperar que eu tenha uma ereção enquanto me machuca. – retrucou. – Eu gosto de bater, não de apanhar, é diferente.

Kazimir nunca tinha entendido muito bem o conceito de sadomasoquismo que rodeava Henry e Hans, mas nunca tinha se esforçado verdadeiramente em compreender. Fugia da sua lógica obter prazer enquanto machuca a pessoa amada e mais ainda gostar de sentir dor.

– Tá, tanto faz. – bufou e levou sua mão até o vidro de lubrificante que tinha pegado na gaveta, tinha sido bastante conveniente que aquilo estivesse ali.

Derramou um pouco na palma da mão e a levou até a própria ereção, certificando-se de que dessa vez não teria motivos para que o ruivo o repreendesse de novo. Arqueou os olhos até ele quando ouviu uma risadinha e percebeu que ele estava com a cabeça inerte no chão e de olhos fechados, parecendo nem um pouco interessado, ou talvez só muito confuso.

– O que foi? – perguntou baixinho enquanto posicionava-se de novo no mesmo lugar que tentou ocupar anteriormente.

– É que em um momento está tentando me matar e no outro está me fodendo. – respondeu, sem se mover.

O primeiro-tenente procurou não se envolver muito com a resposta que tinha chegado aos seus ouvidos, porque se refletisse um pouco era fácil perceber que estava fazendo algo totalmente sem sentido e insensato, por isso deixou-se ser tomado novamente pela expectativa do prazer que poderia obter a partir daqueles atos imprudentes e impensados. Empurrou-se um pouco e dessa vez foi mais fácil chegar ao interior do ruivo, embora ele tivesse reclamado e soltado alguns palavrões enquanto o primeiro-tenente se esforçava para não machuca-lo, embora fosse visível que estava fazendo isso pelas expressões que tomavam o rosto de Hans e pelo fato de que seus joelhos tremiam conforme Krieg tentava ir mais além. Em determinado momento ele pediu que esperasse um pouco e o primeiro-tenente não conseguiu segurar-se, acabou levando os lábios até a bochecha dele, para tocá-lo de leve no intuito de acalmá-lo, embora o cozinheiro-chefe tenha puxado seu rosto e dirigido seu beijo aos próprios lábios. As mãos dele percorreram sua nuca até as costas e o puxaram para mais perto, de modo que ficassem colados um ao outro, recebendo nada mais que apenas o calor e a luxúria que seus corpos podiam produzir juntos.

– Sr. Lieppert? – uma voz feminina perguntou de repente e toda a imagem carregada de desejos imediatamente sumiu da sua mente, sendo destruída como uma folha de papel jogada impiedosamente ao fogo. – Nós já chegamos.

Samuel abriu os olhos de repente, sem conseguir superar o fato de que estava mesmo sonhando, mas embora ainda não tivesse certeza de nada imediatamente levou a mão até o colo para esconder qualquer coisa que seu sonho erótico pudesse ter despertado.

– ....que...? – indagou ainda sem ter acordado totalmente, parte dos sons ainda permaneciam em sua cabeça, atormentando-o com ondas de calor e dormência na ponta dos dedos.

– O avião já pousou, boa parte dos passageiros já desembarcaram. – ela disse sorrindo de leve.

De repente foi atingido por uma flecha da razão mergulhada em constrangimento. É claro. Tinha dormido durante a viagem e por algum motivo bizarro tinha sonhado com seu namorado com o homem de quem ele vivia falando mal.

– Claro, me desculpe, eu acabei dormindo e... – desabotoou o cinto e se levantou, ainda um pouco tonto, era despreocupado ao ponto de ter se sentado naquela poltrona e dormido imediatamente sem medo algum.

– Tudo bem. – a aeromoça disse quando ele não terminou a frase. – Isso acontece com certa frequência.

– Sim...claro... – piscou algumas vezes, recuperando-se.

As poltronas estavam mesmo vazias, embora um velho ou outro estivessem sendo acordados também e Samuel corou ao perceber que já estava igual à eles, mesmo tão jovem. Bufou e depois de pegar sua mochila dirigiu-se à saída da aeronave para chegar finalmente em terra firme de novo. Um vento frio fez o trabalho de despertar as células que ainda estavam adormecidas e o trazer de novo totalmente à ativa, recordando-se de que estava em Janeiro e ainda nevava rigorosamente ali.

Tinha viajado para a casa dos seus pais para passar o ano novo com eles e acabou ficando por três semanas, simplesmente todas as vezes que dizia que ia embora sua mãe arrumava uma desculpa para fazê-lo ficar e ao mesmo tempo em que ela sorria quando Samuel dizia que ia ficar Hans soltava um palavrão, completamente irado. Ele tinha ficado completamente revoltado quando o soldado avisou que iria visitar sua família, porque afinal de contas, era sua família e disse que não ia deixá-lo ir. Samuel só conseguiu rir e responder “Hans, você não tem que deixar nada, estou só te informando que eu vou”, mas se arrependeu logo em seguida, porque achou que o ruivo fosse quebrar sua cara com pontapés, mas ele só virou de costas e se trancou no seu quarto como uma criança mimada que perdeu uma discussão com a mãe. É claro que apesar de ter dito a si mesmo que não iria atrás dele para consolá-lo no final Samuel não resistiu e foi conversar com ele de novo, mas o estrago já tinha sido feito e Hans não lhe deu muito papo.

Contudo, depois de alguns dias que o garoto tinha viajado recebeu uma ligação do ruivo e a primeira coisa que ouviu foi “Estou com vontade de transar, o que eu faço agora?”, mas interpretou que aquilo era o jeito dele dizer que estava com saudade e respondeu que ele podia se masturbar. Aos entrar no aeroporto começou a procurar por ele, estava mesmo ansioso para encontrar aquele idiota de novo, por mais incompreensivo e egoísta que fosse Samuel gostava mesmo dele e tinha sentido sua falta, e muito frio durante as noites por não ter ninguém para envolve-lo e prover-lhe um calor mais sólido. É claro que também estava muito empolgado para contar que tinha sonhado que Hans estava transando com Kazimir.

Procurou por alguns minutos e logo encontrou os caracóis avermelhados em meio às cabeças pretas, castanhas e amarelas. Ele estava parado olhando para o tempo, de braços cruzados e expressão neutra, é claro que Hans não se daria ao trabalho de procurar por Samuel. Bufou e seguiu até ele, ainda tinha que pegar suas malas, mas como eram muitas, pesadas e grandes então iria apreciar a ajuda do seu amado para isso.

– Hey, Hans! – chamou a atenção dele e o ruivo até tentou procura-lo, mas Samuel era invisível em meio à uma multidão de pessoas que iam de um lado para o outro.

Esgueirou-se entre algumas e empurrou de leve algumas outras pedindo desculpas enquanto seguia o trajeto até o cozinheiro-chefe e ele finalmente o encontrou quando o pequeno se aproximou. Sorriu de leve e o abraçou com força levantando-o do chão por alguns minutos, era bom ter aquele coro pequeno para apertar de novo, sentir aquele pequeno coração batendo contra seu peito e a respiração apressada dele em sua pele.

– Seu arrombado do caralho, eu vou te amarrar no pé da cama sem comida nem água por três dias enquanto te estupro incessantemente. – sussurrou no ouvido dele.

– Eu também te amo. – Samuel respondeu afastando-se do abraço possessivo e levemente assustador que tinha ganhado de Hans.

– Estou falando sério, você não sabe o que eu passei. – tentou se defender enquanto seguia o garoto para ajudá-lo com as malas.

– Não seja dramático, foram só três semanas. – respondeu.

– Sim, três semanas com os judeus. – Hans disse, ainda não tinha superado o fato de não ter sido apresentado à eles.

Samuel tinha uma família relativamente legal, seus pais não usavam métodos contraceptivos porque acreditavam ser contra a vontade de deus e ele tinha um monte de irmãos. Era verdade, Hans tinha perguntado o porquê de tanta prole e saber que eles eram fãs do sexo dessa forma só fazia o ruivo gostar mais deles. O problema é que o cozinheiro não foi apresentado aos velhos, porque Samuel disse sem devaneios que eles não iam aprovar e o garoto queria evitar qualquer tipo de confronto. Podia não parecer, mas o moleque era bom em mentir e agiu normalmente durante a visita deles no final do ano passado, quando o recruta se tornou um soldado. O ruivo não se importou com isso, desde que pudesse ter Samuel para apertar e maltratar ele não ligava para a família dele ou de onde ele tinha vindo. Mas ligava para o fato do seu garotinho ter que abandoná-lo para ir ver tal família. Hans obviamente devia ser mais importante que eles.

– Não diga nesse tom, se não fosse por esses judeus eu não teria nem nascido.

– Ah, obrigado judeus. – falou com certo escárnio. – O que você ficou fazendo nessas três semanas, além de coisas de judeus? É verdade que tem um cara que chupa o pênis das criancinhas depois que corta o prepúcio?

– Hans! – Samuel bufou, levemente irritado pelo senso de humor crítico dele.

– Então eu não fui o primeiro cara que chupou seu pênis? – arqueou uma sobrancelha.

O menor parou de caminhar e cruzou os braços, porque não importava o quanto Samuel demonstrasse que não gostava de certos assuntos, Hans sempre insistia e o garoto às vezes tinha a impressão que ele fazia isso quando estava se sentindo carente, era como se dissesse “Se não vou ter sua atenção por bem, vou ter por mal”. É claro que de vez em quando ele fazia isso literalmente, sequestrando Samuel do que quer que ele estivesse fazendo e começando a despi-lo de repente sem qualquer pudor.

– Certo, parei, me desculpe. – ele pediu depois de um longo suspiro. – É só que eu estou três semanas sem você e estou em abstinência, olha como estou magro, descuidado, cheio de olheiras.

– Ah, por favor. – bufou e seguiu até a esteira que não estava muito longe, um conjunto de várias bagagens coloridas passavam por ali, algumas até tinham estampas inusitadas de animais e outras eram só pretas.

Parou e ficou esperando que a sua aparecesse. Hans parou ao seu lado e ficou em silêncio, seus olhos estavam apontados para as malas, embora ele não parecesse concentrado nelas. Sorrateiramente ele deixou sua mão deslizar até a do garoto e a apertou até que ele sorrisse de leve, nada surpreso com o ato, pois Samuel já tinha notado que era costumeiro dele morder e depois lamber descaradamente a ferida. De alguma forma sempre dava certo. O menor deixou seu corpo tombar um pouco até encostar-se ao do ruivo, tinha sentido falta de ter alguém para si daquela forma, poder segurar e apertar sua mão sem medo de dizer que o amava e o queria para si.

– Eu tive um sonho muito engraçado, quer ouvir? – perguntou ao se lembrar do acontecimento, no mínimo bizarro, e que com certeza noticiaria para Damien através de uma mensagem mais tarde.

Ele soltou um “Aham” e o garoto começou a contar, sem poupá-lo de nenhum dos detalhes, embora tenha tido que parar para rir da expressão de horror dele em alguns pontos, o ruivo ficou bastante chocado com o que Samuel descreveu e no mínimo preocupado com a sua sanidade mental. O soldado achou que o cozinheiro-chefe fosse ter um ataque quando contou que ele tinha sido o passivo do ato, ou no mínimo chorar dizendo que estava traumatizado para o resto da vida e que não ia nem conseguir dormir depois de escutar tal atrocidade. Ainda teve coragem de acrescentar um “Credo, Sam, eu entenderia se você tivesse sonhado comigo transando com o Sven ou o Henry, mas o Krieg...? Que bosta hein, isso foi um pesadelo, não um sonho”.

Notas finais
Aposto que trollei um monte de gente nesse final aê. AHAHEUAHEUAHEUAHEUAEHUAEH' Enfim, eu planejava escrever um bônus pra cada casal, mas acabou que várias ideias surgiram então vou tentar postar também outros bônus aleatórios, como esse, por exemplo. E semana que vem eu não vou ter aula nem um dia então vou estar bem à toa e pode ser que eu poste outro bônus, amores. Beijão, mamãe ama vocês.